Uma Novela de Edi Santos
(C) Todos Os Direitos Reservados
Henrique
tenta fechar a porta, mas Clarice força e entra.
Henrique: Sai da minha casa agora.
Clarice: Somente depois de você me contar como
assassinou a Raquel.
Henrique: Eu não preciso te contar nada. Se não
sair eu vou...
Clarice: Fazer o que? Chamar a polícia? É isso?
Creio que o interrogatório da polícia vai ser mais doloroso que o que estou
fazendo agora.
Henrique: Eu não matei ninguém tá legal, eu não via
a Raquel desde que terminamos.
Clarice: Sério? Porque essa foto mostra o
contrário.
Clarice
mostra a foto para Henrique, que fica sem reação.
Clarice: Vai me contar tudo ou vai querer que eu
te denuncie como suspeito. Eu não tenho nada a perder.
Henrique: Quer saber, faça o que quiser. Eu não a
matei. Agora vai embora.
Henrique
abre a porta e faz sinal para Clarice sair.
Clarice: Tudo bem. Você que sabe. Mas saiba que a
policia tomará conhecimento de sua presença no dia do assassinato. Passar bem.
Clarice
vai embora e Henrique fecha a porta com força.
........
Leonel
estava bebendo uma cerveja enquanto assistia uma partida de futebol na
televisão. A campainha toca e ele atende furioso.
Leonel: Você?
Homem: Surpreso em me ver?
O
homem entra na casa de Leonel olhando cada canto da sala.
Homem: Nada mal para quem está me devendo.
Leonel: Olha, eu vou te pagar. Não esqueci, eu
juro. Só ainda não consegui o dinheiro. Mas eu vou conseguir.
Homem: Claro que vai. Disso eu não tenho
dúvidas. Porém, acho melhor parar de gastar o dinheiro que ganha com bebidas.
Assim acredito que juntará a quantia que me deve bem mais rápido.
Leonel: Certo. Quer aproveitar e ver o jogo
comigo, está muito...
Homem: Agradeço sua gentileza em me convidar,
mas não vim te fazer nenhuma visita amigável. Não hoje. Talvez a próxima também
não seja tão amigável assim. Na verdade, se quer saber, na próxima vez que eu
voltar aqui será para levar o que me deve, nem que seja a sua cabeça. Considere
o meu aviso. Tenha um excelente dia.
O
homem vai embora e Leonel senta no sofá pensativo.
........
Roberto
e Fernando estavam caminhando pelo calçadão da praia de Ipanema. Eles sentam em
uma barraca e pedem uma água de côco.
Roberto: Sabe, ultimamente tenho andado com meu
pensamento muito longe.
Fernando: Sério? E posso saber aonde?
Roberto: Na verdade estou apaixonado.
Fernando: Ora, mas como isso é possível? E posso
saber quem domou o coração deste homem solitário?
Roberto: A Linda. Irmã da Raquel.
Fernando
abre um sorriso meio forçado.
Roberto: Isso te incomoda?
Fernando: De modo algum. É que lembrar da Raquel me
deixa triste. Só isso.
Roberto: Claro. Desculpa.
Fernando: Tudo bem.
........
Laura
bate na porta do quarto de Linda, que autoriza a entrada dela.
Laura: Preciso de uma informação.
Linda: Informação? Que informação?
Laura: Preciso que me forneça o endereço dessa
Clarice.
Linda
fecha o livro que estava lendo e encara Laura.
Linda: O que? E o que pretende fazer com essa
informação?
Laura: Conversar. Preciso olhar nos olhos dessa
mulher e ver se há alguma possibilidade dela ser mesmo inocente.
Linda: Eu te conheço muito bem dona Laura. Você
não pretende amigavelmente tomar chá com a Clarice. Está querendo perturbá-la.
Mas lhe adianto que veio até a pessoa errada. Eu não sei onde ela mora. E se
quer saber, mesmo que soubesse eu não te diria.
Linda
volta a ler o livro.
Laura: Como pode ser tão diferente da sua irmã?
Nem parece a minha filha.
Laura
sai do quarto frustrada por não ter conseguido o que queria. Linda enxuga uma
lágrima que cai. Ouvir sua própria mãe lhe comparando com sua irmã doía demais.
Ela sempre achou que Raquel era a preferida de Laura.
Linda: Nem depois de morta ela para de nos
comparar. Não tem como suportar isso.
........
Clarice
chega na delegacia e pede para falar com Renata. Renata é comunicada e autoriza
a entrada de Clarice.
Renata: Clarice? Que surpresa em te ver por aqui.
Clarice: Realmente. Queria nunca mais ter que
voltar aqui, mas diante dos fatos não tem como evitar.
Renata: Não entendi.
Clarice: Vou ser mais clara.
Clarice
entrega a foto para Renata. Renata observa a foto e vê o rosto de Henrique
circulado de vermelho.
Renata: O que você está querendo me dizer com
essa foto? Quem é este homem?
Clarice: Este homem, delegada, é o único que pode
ter cometido esse assassinato. O nome dele é Henrique, ex-namorado de Raquel e
que segundo a irmã dela, intimidava Raquel com ameaças de morte.
Renata
abre um sorriso de contentamento e chama Abreu. Quando ele entra na sala ela é
direta.
Renata: Abreu, quero que convoque o este homem
para depor imediatamente. A senhora Clarice tem todas as informações do
elemento e irá lhe passar. Vamos pegar esse cara o quanto antes.
........
Linda
tinha aceitado um convite de Roberto para tomar um sorvete. Eles estavam em um
shopping, sentados, conversando.
Linda: Confesso que fiquei um pouco sem jeito
quando você me entregou aquela rosa. Minhas amigas não paravam de encher o meu
saco.
Roberto: Fiz apenas um agrado. Sei que gosta
dessas coisas... quer dizer, que gosta de que se lembrem de você. Não que
ninguém se lembre, não é o que eu queria dizer... mas...
Linda: Tudo bem, eu entendi.
Linda
sorri. Roberto percebe algo de diferente em Linda.
Roberto: Desculpe minha intromissão, mas não pude
deixar de notar que está diferente. Está com algum problema? Talvez eu possa te
ajudar.
Linda: Não, está tudo bem. É só que aconteceram
coisas e... sei lá, o assassinato da minha irmã ainda pesa sobre a minha
família.
Roberto: Compreendo.
Linda: A Clarice, aquela que foi acusada de ser
a assassina, esteve na minha casa conversando comigo. Ela veio me pedir ajuda.
Roberto: O que? Como assim? O que ela queria?
Linda: Ela tinha uma foto que mostrava o
Henrique, ex-namorado da Raquel, subindo a escada que dá acesso aos quartos, no
dia em que minha irmã foi assassinada. Clarice acha que ele matou a minha irmã.
Roberto
fica pensativo.
Roberto: E o que você acha?
Linda: Que talvez ela tenha razão.
........
Fernando
chega em casa e Leonel corre ao seu encontro.
Leonel: Filho, preciso conversar com você.
Preciso de ajuda.
Fernando: O que houve? Aconteceu alguma coisa?
Leonel: Sim. É caso de vida ou morte.
Fernando: Fala de uma vez.
Leonel: Estou sendo ameaçado de morte.
Fernando: O que? Como assim? Do que você está
falando?
Leonel: Eu... eu... me meti em uma furada...
Estou devendo uma grana para um homem e não tenho como pagá-lo. Preciso que me
consiga o dinheiro, pelo amor de Deus, ou ele vai me matar.
Fernando
fica furioso.
Fernando: Viu só no que deu esse seu maldito vício.
Quanto você deve?
Leonel: Dois mil e quinhentos reais.
Fernando: Eu não acredito nisso. Isso é muita falta
de vergonha.
Leonel: Veja lá como fala comigo. Não esqueça de
que sou o seu pai.
Fernando: Pois muito bem, pai. Se vira para arrumar
essa grana. Eu não vou te dar nada.
Fernando
se retira. Leonel fica furioso.
Leonel: Vai, seu ingrato. Deixa o seu pai morrer
com uma bala na cabeça. Pra você tanto faz, não é mesmo? Ingrato.
........
Amadeu
e Laura estavam caminhando pelo jardim.
Amadeu: Como era bom aquelas tardes de verão que
passávamos na casa de praia de Petrópolis. Você se lembra?
Laura: Impossível esquecer. Lembranças
memoráveis.
Amadeu: Sabe, Laura, mesmo o tempo passando, você
continua como antes. Sempre aquela linda mulher. Nunca me perdoei em não ter te
convidado para sair antes do Raul.
Laura: Você é muito galanteador doutor Amadeu.
Amadeu: Sou realista. Continua tão bela como o
dia em que te vi pela primeira vez.
Os
olhares se cruzam e os dois se beijam.
........
Henrique
estava terminando de arrumar sua mala. Eles estava decidido a fugir antes de
Clarice denunciá-lo. De repente ele ouve uma batida na porta.
Abreu: Henrique Assunção? Abra aporta. É a
polícia.
Henrique
fica em pânico.
Henrique: Droga. E agora.
Ele
fica pensativo.
Henrique: Já sei.
Abreu: Abra a porta imediatamente ou usaremos a
força.
Henrique
vai até a janela que dá acesso à escada de incêndio que fica do lado de fora do
prédio. Ele começa a descer. Os policiais arrombam a porta. Abreus e seus
colegas vasculham a casa e não o encontra. Abreu vê a mala sobre a cama ainda
aberta e presume que ele estava em casa. Ele vai até a janela que dá para a
escada de incêndio e vê Henrique fugindo. Abreu se comunica com Renata.
Abreu: Ele está fugindo pela escada de incêndio.
Henrique
termina de descer a escada e começa a correr. Quando está saindo do beco é
abordado por Renata que lhe aponta uma arma.
Renata: Onde vai com tanta pressa?
........
Clarice
e Ricardo estavam olhando as fotos, atrás de novas pistas.
Clarice: Espero que a delegada consiga prender o
Henrique.
Ricardo: Pois é.
Um
pequeno silêncio.
Ricardo: Sabe? Eu nunca duvidei de sua inocência.
Não podia acreditar que alguém doce como você seria capaz de cometer um crime
contra alguém.

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