CAPÍTULO 16
[Narrado
por Rogério]
“O tempo cura
qualquer coisa, mas perder tempo com qualquer coisa não tem cura. De nada
adianta correr se estamos na estrada errada. Lembre-se de que a natureza
deu-nos dois ouvidos e apenas uma língua, a fim de que possamos ouvir mais e
falar menos.”
CENA 1
Fred sente que havia algo errado. Pedro fixa o olhar nele.
Pedro: Que história é essa de você gostar de homens?
Sônia: Calma, Pedro. Dessa forma você vai deixar o nosso filho assustado.
Pedro: Que calma, Sônia. Eu quero ouvir da boca dele o que você me disse.
Estou esperando sua resposta?
Fred: Desculpa!
Pedro: Desculpa? É só isso que tem pra dizer?
Pedro agarra Fred pelo braço.
Pedro: Eu não aceito isso. Você me entendeu?
Sônia segura Pedro e faz ele soltar o braço de Fred.
Sônia: Para, Pedro. Eu não admito que você toque no nosso filho. É a vida
dele e não podemos proibi-lo de viver. Devemos protegê-lo. Já basta o ódio que
existe na sociedade. Nosso filho não merece ser rejeitado por nós.
Pedro: Fale por você Sônia. Eu não tenho filho veado. Se quiser fazer
sem-vergonhice, que vá para bem longe daqui.
Sônia: Eu não acredito no que estou ouvindo.
Fred fica espantado com a atitude de seu pai.
Pedro: Não adianta me olhar desse jeito, Sônia. Eu não aceito e pronto. Não
vou deixar que o Guilherme seja influenciado por esse fresco.
Fred: Eu não tenho culpa...
Pedro: Você tem culpa sim. Sabe muito bem que isso tem cura. Agora prefere
ficar achando que é normal. É um sem vergonha mesmo. Sempre gostou de
frescurinha, coisa de marica. Quer viver desse jeito? Então viva. Mas longe
daqui.
Sônia: Você não pode estar falando sério.
Pedro: Muito sério. Quero ele fora daqui hoje mesmo. Ou ele muda, ou vai
embora. Ele que decida.
Pedro se retira e Sônia abraça Fred.
CENA 2
Na casa dos Villanes, Teresa bate na porta do quarto de Rômulo. Ele
estava sentado em sua poltrona pensativo.
Rômulo: Quem é?
Teresa: Sou eu, filho.
Rômulo: Pode entrar.
Teresa entra e senta na cama, próximo a ele.
Teresa: Não fica triste filho. Seu pai e eu vamos te ajudar.
Rômulo: Sabe, mãe, parece que minha vida desmoronou feito um castelo de
cartas. Até ontem eu tinha um trabalho, uma vida... Era feliz. Hoje estou sem
nada disso.
Teresa: Não meu amor. Não diga isso. Sua família te ama. Tudo vai se resolver.
Rômulo: Não sei se acredito. Até a Roberta me abandonou.
Teresa: Meu Deus. Como assim?
Rômulo: Ela não quer mais saber de mim. Disse que não me ama mais. Certamente
acredita que realmente fiz o que a televisão mostrou.
Teresa: Quer saber? Ela é uma tola. Está apenas provando que não te merece.
São em momentos como esse que a gente sabe exatamente quem são os verdadeiros.
Rômulo se levanta e vai até a varanda.
Rômulo: Nisso eu acredito.
CENA 3
Fred estava em seu quarto arrumando uma mochila. Ele pega o celular e
liga para Diego.
Fred: Oi, Diego. Eu queria pedir sua ajuda.
Minutos depois, ele aparece na sala. Sônia vem ao seu encontro.
Sônia: Fred? Pra onde você vai?
Fred: O papai me expulsou. Ele quer que eu seja alguém que não sou. Eu sinto
muito mãe.
Sônia: Não! Eu não permito isso. Você não vai sair dessa casa.
Fred: Mãe. Eu entendo sua preocupação, mas acho que é melhor assim, pelo
menos por enquanto. O papai precisará de um tempo para refletir sobre tudo
isso.
Sônia: Não, Fred. Seu pai já é um homem feito. Ele não pode ter esse tipo de
atitude. Se ele insistir nisso eu também irei embora...
Fred: Não. Isso não. Eu não quero que o meu irmão sofra por minha culpa. Por
favor, me prometa que não fará isso.
Sônia: Então fica. Vamos lutar juntos, meu filho.
Fred: Por favor, mãe. Entenda que é melhor assim.
Sônia: Mas você não tem para onde ir. Não pode sair daqui.
Fred: Não se preocupe. Estarei na casa de um amigo. Depois
que o papai estiver mais tranquilo então eu volto. Por enquanto isso é o melhor
que posso fazer.
Sônia abraça
Fred.
Sônia: Eu te prometo que isso tudo será resolvido.
Fred: Obrigado, mãe.
Sônia dá um
beijo no rosto de Fred. Ele sai e ela fica observando ele pela janela, enquanto
suas lágrimas escorrem pelo rosto.
CENA 4
Omar entra no
quarto de seu pai, Bernardo.
Omar: Será que posso conversar com o senhor?
Bernardo: Claro.
Bernardo
senta próximo a Bernardo.
Omar: Queria conversar sobre a direção do colégio. Acredito
que depois desse escândalo o meu irmão deva ser afastado.
Bernardo: E você veio aqui se candidatar a vaga.
Certo?
Omar: Ora papai, não é novidade para o senhor o meu
interesse em comandar o colégio.
Bernardo: Evidente. Mas não se preocupe. Existe
sim a possibilidade de você assumir temporariamente a diretoria do colégio.
Porém, posso nomear outra pessoa.
Omar: O senhor não faria isso?
Bernardo: Claro que faria. Se isso dependesse
apenas de mim com certeza seria a decisão que tomaria. Agora se me dá licença
eu vou dormir.
Omar se
levanta e sai do quarto.
CENA 5
Fred chega no
apartamento de Diego.
Diego: Entra. Fica a vontade.
Fred: Você mora com mais alguém?
Diego: Não. O apartamento é de uma prima minha. Ela aluga
no verão para turistas. Ela me deixou ficar aqui por um tempo.
Fred: E sua família?
Diego: É uma longa história. Ainda terei tempo para te
contar tudo. Agora eu quero saber de você. O que aconteceu?
Fred: Meu pai me expulsou de casa. Ele ficou transtornado
quando descobriu sobre mim.
Diego: Sério? Eu sinto muito.
Fred: Eu achei melhor dar um tempo para ele pensar um
pouco. Não quero causar nenhum problema para minha família.
Diego: Te entendo perfeitamente. Sabe que pode ficar aqui o
quanto for preciso.
Fred: Obrigado.
CENA 6
Manhã. Rômulo
chega no colégio e estaciona seu carro. Ele pega sua pasta e caminha em direção
a entrada do colégio. Ao caminhar, percebe os olhares e comentários dos alunos.
Ao se aproximar da entrada vê uma aglomeração de pessoas olhando uma pixação
onde estava escrito: “O diretor é pegador”.
Rômulo: Isso está indo longe demais.
Ele se
aproxima da multidão.
Rômulo: Saiam. Não há nada para verem aqui. Se
continuarem a ficar dando ibope para esse tipo de coisa darei suspensão para
todos.
Os alunos se
retiram. Inaiá vem ao seu encontro.
Inaiá: Não se preocupe. Eu cuido deles. Garanto que ninguém
chegará perto dessa sujeirada toda aqui.
Rômulo: Ótimo. Com licença.
Rômulo se
dirige à entrada do colégio.
Inaiá: Diretor! espere.
Rômulo olha
para Inaiá.
Inaiá: Eu acredito no senhor. Sei que não fez nada do que
aquela farsante lhe acusou. Precisando de apoio é só me falar.
Rômulo: Obrigado, Inaiá.
Rômulo sorri
para Inaiá e entra no colégio.
CENA 7
Paula caminha
pelo corredor. Vanessa vem ao seu encontro.
Vanessa: Paula! Espera. Eu preciso falar com
você.
Paula: Sobre o que? Ah, já sei. Sobre como sua melhor amiga
rouba o garoto que você está gostando.
Vanessa: Não é bem assim. Você sabe que eu
jamais ficaria com o Renato sabendo que você gosta dele. Por favor, você não
pode me culpar por isso.
Paula: Tudo bem. Me desculpa. Eu estou agindo como uma
criança mesmo. Eu sei que você não tem culpa. Eu que sou uma idiota que me
apaixono por alguém que não está nem ai pra mim.
Vanessa: Não. Paixão é algo inexplicável. Surge
quando menos esperamos e por quem menos imaginamos. Eu confesso que não sabia
que o Renato gosta de mim. Fiquei surpresa. Mas eu te prometo que jamais
ficarei com ele. Sua amizade é mais importante que qualquer outra coisa.
Paula: Você jura?
Vanessa: De coração.
Paula abraça
Vanessa.
Paula: Ai amiga, me desculpa. Eu prometo que não farei mais
isso.
Vanessa: Assim espero. Agora vamos pra aula que
já deve estar começando.
Paula: Vamos.
CENA 8
Os
professores estavam reunidos na sala junto com Rômulo.
Rômulo: Em primeiro lugar, todos já devem
estar sabendo do acontecido. Como diretor do colégio é meu dever conversar com
todos e me explicar. Por mais difícil que possa ser, eu afirmo com todas as
letras que jamais toquei naquela mulher. Tudo não passou de uma armação dela.
Talvez estivesse apenas atrás de mídia ou sabe lá do que mais. Eu tive uma
educação baseada em princípios que trago sempre comigo. Princípios que me foram
passados por meus pais. Jamais faria uma coisa dessas, pois sou totalmente
contra atos desse tipo. Então quero dizer que não sei o que acontecerá a partir
de agora. O mais provável é que eu seja retirado do cargo de diretor e
substituído. O conselho irá se reunir dentro de alguns dias para votar esse
caso. Enquanto esse dia não chega, serei afastado. Mas queria agradecer do
fundo do meu coração a cada um de vocês. Não desistam de suas lutas. Continuem
sempre assim, dedicados. Caso o conselho decida por me retirar do colégio,
saiba que foi uma honra ter feito parte deste colégio. Foi um privilégio ter
trabalhado com vocês. Obrigado pela atenção de todos e tenham um bom dia.
Todos
aplaudem Rômulo. Cíntia se aproxima dele e lhe dá um abraço.
Cíntia: Pode contar comigo.
Rômulo: Obrigado.
Sérgio se
aproxima de Rômulo.
Sérgio: Posso conversar com o senhor um
minutinho?
Rômulo: Claro. Vamos a minha sala.
Minutos
depois, Rômulo e Sérgio estavam na diretoria.
Sérgio: Eu estou com um problema pessoal e por
isso faltei dois dias. Mas estou retornando hoje.
Rômulo: Entendo. Bom, eu não sei que problema
é esse e nem me interessa saber. Acho que problemas pessoais dizem respeito
apenas aos envolvidos. Apenas quero pedir que não faça mais isso. Sei que é
difícil lidar com algumas coisas, mas temos que lutar sempre. Aqui no colégio a
educação e o ensino são prioridades. Se um professor falta, significa um dia
perdido para os alunos.
Sérgio: Certo. Prometo que não repetirei mais
esse erro.
Rômulo: Tudo bem. Acredito em você.
CENA 9
Omar e Simone
estavam sentados na sala.
Simone: Você acha mesmo que seu pai irá
sabotar sua indicação?
Omar: Não duvido muito. Dele eu posso esperar de tudo.
Teresa se
aproxima deles.
Teresa: Pelo visto faz muito mal juízo do seu
pai.
Omar e Simone
ficam surpresos com o flagra.
Omar: Ora mamãe. Sabe que o papai sempre atira pedras em
mim.
Teresa: Suas atitudes não deixam outra
escolha.
Simone: Então acha justo o meu marido ser o
bode expiatório? Meu sogro é um injusto em menosprezá-lo desta forma.
Teresa: Tudo bem. Talvez seja melhor eu falar
de uma vez. Omar, seu pai descobriu que tem um tumor no pulmão. Mesmo com
tantos problemas surgindo, ele ainda tem força pra tentar resolver tudo ao
mesmo tempo.
Omar: Tumor no pulmão?
Teresa: Exatamente. Ele está com câncer. Então
acho melhor ser um pouco mais tolerante com ele.
Teresa sai da
sala e deixa Simone e Omar perplexos com a notícia.
CENA 10
Brandão
estaciona o carro em frente ao colégio. Ele vai até Luis.
Luis: Pois não? O que deseja?
Brandão: Que você se afaste de uma vez por
todas da minha mulher.
Luis: Que eu saiba a Marta não é mais sua mulher.
Brandão
segura Luis pela gola da camisa.
Brandão: Escuta aqui seu zé ninguém, a marta é
a mãe dos meus filhos. Agora escuta muito bem o que eu vou te dizer. Ou você
deixa ela de lado ou então dá próxima vez que eu vir te procurar será para te
dar muito mais que um simples aviso.
Luis consegue
se soltar de Brandão.
Luis: Eu não tenho medo de você.
Brandão: Pois deveria.
Brandão volta
para o carro e vai embora.
CENA 11
Na sala de
aula, os alunos estavam esperando a professora chegar. Joana e sua amiga
Raquel, estavam conversando baixinho.
Joana: Amiga, fiz o teste de gravidez.
Raquel: E ai? O que deu?
Joana: Deu positivo.
Raquel fica
surpresa com a notícia.
Raquel: E agora? O que você vai fazer?
Joana: Vou ter que contar para o Dênis. Só não sei o que
ele vai dizer.
Raquel: A amiga, sabe que precisando de mim é
só dizer.
Joana: Obrigada, amiga.
Em outra
parte da sala, Elias, Dênis e Murilo estavam zoando de um dos colegas. Cíntia
entra na sala.
Cíntia: Bom dia meninos e meninas, me
desculpem o atraso.
Elias: Capaz, professora. Se quiser demorar mais fica a
vontade.
Cíntia: Muito engraçadinho seu Elias. Galera
vamos lá, abrindo os cadernos e fazendo o exercício da página 20.
Elias abre a
mochila e Diego percebe que dentro tem algumas latas de spray de tinta e fica
pensativo.
CENA 12
Na casa dos
Villanes, Bernardo chega. Omar e Simone estavam sentados na sala. Teresa
aparece.
Teresa: Bernardo? Onde você estava?
Bernardo: Tive reunião do conselho.
Omar: Reunião do conselho? Para que?
Bernardo: Para exigir o afastamento do Rômulo e
colocar você, Omar, como diretor temporário do colégio.

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