UMA NOVELA DE RENNAN LOPES
DUBAI (HOTEL BURJ KHALIFA) à SUÍTE à MANHÃ (08h:14min)
Dante conversa com Nandinha.
DANTE: Não dá mais, Nandinha! Eu
não tenho mais condições de pagar o hotel! A herança do velho tá acabando e eu
ainda pretendo comprar muita coisa. A gente tem que voltar pro Brasil!
NANDINHA: Mas não tem outro jeito, Dan-Dan? Poxa, eu tava gostando tanto
de morar aqui, no exterior, no maior prédio do mundo, em Dubai... Você tem que
achar outro jeito de...
DANTE: Não tem outro jeito, Fernanda! A gente vai voltar pro Brasil!
ESCOLA DE MÁRCIO à BECO à TARDE (15h:14min)
Márcio fuma maconha com seus amigos (que se dizem amigos). O rapaz não
está mais frequentando a escola, por conta do vício na droga.
AMIGO: Cara, ainda bem que agora você tá andando com “nós”. Antes cê era
careta pra caramba, era todo certinho...
MÁRCIO: Pois é, né, mano? Isso aqui é bom pra caramba!
De repente, Sabrina, a mãe de Márcio, chega na escola e vê o filho no
beco. A mulher vai até lá saber o que está acontecendo.
SABRINA: Márcio?
MÁRCIO: Mãe?
RUA à TARDE (15h:26min)
Sabrina puxa Márcio de volta para casa pela manga da camisa listrada de
roxo, indignada por saber que agora o filho está no mundo das drogas. Nenhuma
mãe deseja isso para seu filho.
MÁRCIO: Mãe, me larga, para com isso!
SABRINA: Olha aqui, filho. Eu sei que você já tá crescido, já não é mais
um bebezinho de colo. Mas mesmo assim, você não tem o direito de me matar de
desgosto! Você sempre foi um menino inteligente, estudioso. Percebi que já
estava bem tarde e você ainda não tinha voltado. Toda contente, fui pra sua
escola, pensando que você ficou estudando. Quando chego, o que vejo? Você se
drogando com um monte de vagabundos!
MÁRCIO: Mãe, não fala assim dos meus amigos!
SABRINA: Eu falo do jeito que eu quiser! Depois da vergonha que eu passei
lá na sua escola, você acha que eu tenho que me limitar a alguma coisa? Márcio,
você é meu filho, eu sou sua mãe, tenho total direito sobre você!!! Agora me
diz, por que você tava fumando maconha?
MÁRCIO: Os caras disseram que era legal, que não tinha nada de ruim.
SABRINA: E não me diga que você acreditou no que aqueles vagabundos
disseram?! Márcio, eu te conheço muito bem. Você sabe dos efeitos prejudiciais
das drogas. Me diz a verdade, filho. Por que você acreditou neles?
MÁRCIO: Eles me pressionaram! Disseram que eu era careta, um chato de
galocha, uma mariquinha. Eu queria mostrar que eu sou macho!
SABRINA: Deixa eles te chamarem do que quiserem, filho. Você não podia
fazer isso comigo!
MÁRCIO: Eu faço o que eu quiser! Eu já tô crescido pra ter que ficar
recebendo ordens de você, sua velha!
SABRINA (grita): AAAAAHHHH!!!!!
Sabrina dá tapas em Márcio. Alguns homens chegam para segurá-la.
SABRINA: Já tá crescido, é? Então, você não é mais meu filho!
Ouvindo isso, Márcio corre de volta para o beco onde estava. Sabrina
chora muito.
FAZENDA DE LOURIVAL à ESTRADA ANTES DA PORTEIRA à TARDE (15h:30min)
(Música: Quando a Chuva Passar –
Ivete Sangalo) Karina está sentada em cima de uma pedra, olhando para
estrada, deixando o vento balançar seu cabelo. Ela relembra do dia em que seus
pais morreram.
Tudo aconteceu quando ela e seus pais foram visitar a empresa
automobilística de Augustus, o pai da mãe de Karina. Eles não o encontram, mas
ouvem um barulho de latas caindo no almoxarifado. Os pais de Karina a deixam na
porta e entram para ver o que estava acontecendo. Quando entraram, depararam-se
com um imenso fogaréu, mas não deu tempo de fugir. Eles já haviam sido
queimados.
Karina, adulta, chora. Zaqueu aparece e estranha a moça chorando.
ZAQUEU: O que se assucedeu cocê, Karina? Tá chorando pru quê?
KARINA: Chorando? Eu não tô chorando não, Zaqueu!
ZAQUEU: Pensa que me engana? Pode me dizer! Eu sou seu amigo.
KARINA: É que... eu tava me lembrando dos meus pais. Eles morreram quando
eu tinha 7 anos.
Os dois se aproximam e dão seu primeiro beijo na boca.
KARINA: Não, eu não posso!
ZAQUEU: Pru que não?
KARINA: Eu sou apenas a funcionária do seu pai, eu não posso me envolver
com você. Seria muita mancada com o seu Lourival, ele me deu casa e emprego.
Tenho certeza que ele não ia gostar de ver a gente junto!
ZAQUEU: Eu tenho certeza qui ele num ia se incomodá! Eu acho qui... qui
eu... te amo, Karina!
Zaqueu e Karina se beijam novamente. (fade out: Quando a Chuva Passar –
Ivete Sangalo)
DUBAI (HOTEL BURJ KHALIFA) à SACADA à MANHÃ (08h:30min)
Nandinha olha a cidade de Dubai na sacada do hotel Burj Khalifa,
provavelmente pela última vez, pois Dante disse que eles iam voltar para o
Brasil, já que a parte da herança de Augustus referente ao homem estava
acabando.
DANTE: E aí, vai ficar com saudades daqui?
NANDINHA: Como não? Essa viagem foi a melhor que eu já fiz. Um dos países
mais importantes do mundo e eu tenho que deixar ele.
DANTE: Ah, Fernanda, por favor, não vai começar!
NANDINHA: Dante, pode me dar sua carteira?
DANTE: Ué, e pra quê?
NANDINHA: É que eu quero saber seu nome completo, pra quando a gente se
casar, eu colocar seu sobrenome junto do meu.
DANTE: Ah, se é assim... (dá a carteira para Nandinha)
De supetão, Nandinha empurra Dante com o pé, fazendo o homem cair do
prédio, que tem uma altura de 800 metros.
NANDINHA: Haha! O paspalho acreditou! Eu só volto pro Brasil quando eu
quiser! Haha!
DUBAI (HOTEL BURJ KHALIFA) à FRENTE à MANHÃ (08h:31min)
Dante está caído no chão, com a cabeça quebrada. Uma multidão se junta ao
redor do corpo do homem, mas não há mais nada que se possa fazer; Dante está
morto!
APART. SABRINA E MIGUELITO à QUARTO DO CASAL à TARDE (15h:34min)
MIGUELITO: O Márcio? Drogado?
Miguelito se espanta ao saber do que
está acontecendo com seu filho mais velho.
SABRINA: É, o Márcio! O nosso filho!
MIGUELITO: Mas como? Ele sabe dos efeitos das drogas, por que ele tá
nessa?
SABRINA: Os amigos dele, ou pelo menos se dizem amigos, diziam que ele
era careta, não era homem de verdade. Com toda essa pressão, ele acabou caindo
no mundo das drogas!
MIGUELITO: Eu vou atrás dele! Eu tenho que encontrar esse moleque!
Miguelito sai do apartamento.
PRÉDIO APART. SABRINA E MIGUELITO à GARAGEM à TARDE (15h:36min)
Quando vai pegar seu carro na garagem do prédio onde mora, Miguelito, sem
querer, esbarra em uma senhora. Trata-se de Leolina Zorobabel, uma moradora do
prédio, que quer se casar com o prefeito Golias para poder ter dinheiro e
moral.
LEOLINA: Nossa, passe logo por cima de mim!
MIGUELITO: Desculpa, dona Leolina! É que eu tô apressado. Preciso
encontrar meu filho (entra no carro)!
LEOLINA: Deus me livre, nunca vi alguém tão apressado quanto esse
cidadão! Bom, não posso me demorar.
Preciso me encontrar urgentemente com Golias.
A socialite anda de um jeito engraçado. Sempre está com um casaco de pele
branco e um chapéu cor-de-rosa.
CIDADE DE ESMERALDA à PONTOS TURÍSTICOS à TARDE/NOITE
(Música: Não quero dinheiro – Tim
Maia) O sol vai indo embora, escondendo-se por trás das altas
serras que ficam atrás das casas e prédios da fictícia cidade de Esmeralda. As
casas antigas, quase todas de sobrado, acendem suas luzes. (fade out: Não quero
dinheiro – Tim Maia)
RUA à NOITE (18h:47min)
Anoitece e Miguelito não consegue encontrar seu filho, Márcio.
MIGUELITO: Onde será que meu filho se meteu? Tô procurando ele há mais de
três horas e nada de...
Miguelito vê uma prostituta sorrindo para ele. Miguelito para o carro e
abaixa o vidro. A prostituta se chama Zuleika.
ZULEIKA: Oi, gatão!
MIGUELITO: Como é o nome da delicinha?
ZULEIKA: Zuleika. Quer saber mais coisas sobre mim?
MIGUELITO: Opa!
Miguelito estaciona o carro em
frente ao prostíbulo e entra lá dentro, acompanhado da prostituta Zuleika.
PREFEITURA à ESCRITÓRIO DO PREFEITO à NOITE (18h:49min)
(Instrumental: Música engraçada) Leolina
entra no escritório do prefeito, Golias, que está deitado na cadeira, com os
pés em cima da mesa e tomando café.
LEOLINA: Boa noite, senhor
prefeito!
O prefeito Golias se assusta e senta-se direito na cadeira.
GOLIAS: Err... cof-cof... Bo-boa noite, Leolina! O que você quer aqui, posso saber?
LEOLINA: Eu vim... conversar!
GOLIAS: Sobre o quê?
LEOLINA: Sobre... nós dois!
Leolina deita-se sobre a mesa do prefeito. Golias não gosta dos atos de
Leolina, que quer se casar com ele de qualquer jeito para poder dar ordens à
população da cidade.
GOLIAS: É... Leolina, por favor...
LEOLINA: Não, não, não! Não se acanhe!Eu sei que você me quer! Beije-me,
Gogo! Eu sou toda sua!
Leolina se aproxima para beijar a boca de Golias, mas o prefeito se
esquiva e Leolina Zorobabel cai da mesa.
GOLIAS: Olha, Leolina, eu já te falei...
Leolina Zorobabel levanta-se com o chapéu desajeitado e o casaco por cima
da cabeça. Ela se irrita.
LEOLINA: Olha só, excelentíssimo prefeito Golias: eu sei que você é
loucamente apaixonado por mim, mas não tem coragem de assumir. Eu sei disso!
Vou me retirar!
Leolina vai embora irritada, com seu andar engraçado.
GOLIAS: Eu, hein?! (fade out: Música engraçada)
A imagem de Golias vira uma nota de dinheiro, que sai voando, dando
espaço para a próxima cena.
FAZENDA DE LOURIVAL à QUARTO DE KARINA à NOITE (18h:53min)
(Música: Quando a Chuva Passar –
Ivete Sangalo) Karina lê uma revista deitada em sua cama.
KARINA: Meu Deus, que saia brega! Deve ser da década de 70, porque...
Karina é interrompida por uma batida na porta.
“TOC – TOC – TOC”
KARINA: Entra!
ZAQUEU: Oi, Karina!
Zaqueu aparece com um buquê de flores em suas mãos.
Karina olha para Zaqueu surpresa. O homem sorri.

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