UMA NOVELA DE RENNAN LOPES
FAZENDA DE LOURIVAL à QUARTO DE KARINA à NOITE (18h:53min)
(Música: Quando a Chuva Passar –
Ivete Sangalo) Karina lê uma revista deitada em sua cama.
KARINA: Meu Deus, que saia brega! Deve ser da década de 70, porque...
Karina é interrompida por uma batida na porta.
“TOC – TOC – TOC”
KARINA: Entra!
ZAQUEU: Oi, Karina!
Zaqueu aparece com um buquê de flores em suas mãos.
Karina olha para Zaqueu surpresa. O homem sorri.
KARINA: Zaqueu? O que você... como você...
ZAQUEU: Carma, carma! Eu só vim te dá boa noite... e te intregá essas
frô!
Zaqueu estende os braços para entregar as flores a Karina.
KARINA: São lindas!
ZAQUEU: Eu percurei, percurei... e num achei nenhuma frô que sesse mais
bonita que ocê!
KARINA: Ai, para com isso, Zaqueu! Obrigado, viu? Boa noite pra você
também!
ZAQUEU: Minha noite só vai ser boa dispois de uma coisa!
KARINA: E que coisa é essa?
ZAQUEU: Isso!!
Zaqueu se joga na cama com Karina e a beija. (fade out: Quando a Chuva
Passar)
CASA DE JULIETTE à SALA à NOITE (18h:55min)
Juliette chega em sua casa com roupas de caminhada e muito suada.
JULIETTE: Ufa! Quase que... PUF PUF... que a gente não chegava a tempo do
jantar... PUF PUF... não é mesmo, Ney?
Juliette olha para trás e não vê ninguém.
JULIETTE: Ney, cadê você?
Juliette abre a porta.
JULIETTE: Ah, ficou pra trás, bebê?
Juliette conversa com Ney Latorraca, seu AVESTRUZ de estimação.
JULIETTE: Ah, você correu bastante hoje, papai! Vem, vem comer, vem!
Juliette vai até a cozinha pegar a vasilha com a comida do avestruz. Ney
Latorraca fica e vê a revista de moda de Juliette, que está em cima da mesa de
centro.
NEY: Hum, parece gostoso!
O avestruz leva a revista à boca e mastiga-a.
Juliette volta com a comida.
JULIETTE: NÃÃÃÃÃO! Ney Latorraca,
você vai ficar de castigo, mocinho! Comeu toda a minha revista de moda! Dois
dias sem sua comidinha diet!
CIDADE DE ESMERALDA à PONTOS PRINCIPAIS à NOITE/MANHÃ
(Música: Não Quero Dinheiro – Tim
Maia) CAM mostra toda a cidade de Esmeralda. Pessoas voltando do
trabalho, carros parando no sinal vermelho, pessoas namorando na praça, em
volta da grande fonte branca. Amanhece na cidade, o sol sai de trás das altas
serras. (fade out: Não Quero Dinheiro)
FAZENDA DE LOURIVAL à VARANDA à MANHÃ (11h:47min)
Karina chega na fazenda com um grande sorriso no rosto.
KARINA: Zaqueu! Zaqueu!
ZAQUEU: Que foi, Karina? Pra que esses berro? Dá de ouví lá da baixa da
égua, sô!
KARINA: Eu tenho uma surpresa pra você!
ZAQUEU: Uai, pois conta logo!
KARINA: Eu con-se-gui um tra-ba-lhoooooooo!
LOURIVAL: Ah, então era por isso que a senhorita levantou cedo? Foi
percurá serviço?
KARINA: É isso mesmo seu Lourival! E eu consegui!
LOURIVAL: Que bom, parabéns procê! Mais me diz, minha fia, quar foi o
serviço qui ocê arrumô?
KARINA: Decoradora de imóveis. E já tenho até meu primeiro cliente! E
adivinhem: esse cliente mora na casa onde eu morava!
ZAQUEU: Eita sô, qui cuincidência, né mermo?
Zaqueu levanta o chapéu pro alto.
KARINA: É. Amanhã mesmo eu vou até lá para conversar com ele... quer
dizer, ela. É uma cliente mulher!
ZAQUEU: Pois tá certo!
Zaqueu leva Karina abraçada para dentro de casa.
APART. SABRINA E MIGUELITO à SALA à MANHÃ (11h:49min)
Miguelito chega em casa e Sabrina está no sofá vendo TV. Miguelito vai
entrando no quarto, mas é interrompido por sua mulher.
SABRINA: Passou a noite fora, né?
MIGUELITO: Eu... eu tava... procurando o Márcio!
SABRINA: Hum... sei!
MIGUELITO: Ô, Sabrina, vem cá. Cadê a Titica? Nunca mais vi ela por aqui.
SABRINA: Se você ficasse em casa você saberia onde ela tá.
MIGUELITO: Ah, não Sabrina. De novo esses ataques de ciúme? Pô, eu já
disse que eu tava procurando meu filho. Será que nem isso pode?
SABRINA: Maria Etiniana tá no hospital, com a filha dela, a Marenilde.
Lembra dela?
Em nenhum momento da conversa Sabrina olha na cara de Miguelito.
MIGUELITO: É... eu lembro sim! E o que elas tão fazendo no hospital,
hein?
SABRINA: Marenilde tá doente. Mas isso não é nem da sua conta nem da
minha. Agora dá licença que eu vou pro MEU quarto.
Sabrina sai do sofá, desliga a TV e caminha para o quarto.
HOSPITAL à QUARTO DE INTERNAÇÃO à MANHÃ (11h:50min)
Titica, a empregada de Sabrina e Miguelito, dorme sentada ao lado do
leito de sua filha, Marenilde, que está internada por conta de uma forte febre.
Marenilde troca os “r” pelos “l”, pois tem um problema na língua.
MARENILDE: Mãe... ô mãe... mãe acoldaaaa!
TITICA: Hum... quê? Que que aconteceu?
MARENILDE: Deixa eu ver... Você loncou, loncou, loncou, eu não pude
dolmir, dolmir, dolmir e agola eu tô com sono, sono, sono.
TITICA: Ah, Marenilde. E a culpa é minha que você pegou essa doença e
agora tem que ficar no hospital? Não é minha, filha.
MARENILDE: Ô mãe, quando é que a gente vai sair daqui, hein?
TITICA: Quando o médico der alta, filha.
Titica apoia a cabeça no braço.
MARENILDE: Hum... enquanto isso eu vou cantar um pouquinho, viu? BEIJIM
NO OMBLO PLO LECALQUE PASSAR LONGE.
BEIJIM NO OMBLO SÓ PLAS INVEJOSAS DE PLANTÃO...
TITICA: Menina, cala a boca que nós tamo é num hospital, não é num circo
de horrores não.
MARENILDE: Nossa mãe... adolo seu apoio molal!
MANSÃO (QUE ANTES ERA DE KARINA) à SALA à TARDE (14h:28min)
Karina chega na mansão que antes era de sua família para exercer seu novo
emprego, decoradora de imóveis.
KARINA: Olá, boa tarde!
CLIENTE: Oi, boa tarde! Você é a decoradora, não é?
KARINA: Sou eu sim. Bom, vamos começar?
CLIENTE: Claro! Olha, eu queria uma ideia de papel de parede pra essa
parede aqui (aponta para uma parede).
Karina, ao olhar para a parede, percebe que há uma câmera e lembra-se que
na fachada também tem uma.
KARINA: É... bem, eu... eu posso tomar um copo d’água? Isso às vezes me
inspira bastante!
CLIENTE: Claro, pode ir!
(Música de Suspense) Karina sai
da sala e vai para o escritório do computador ver as imagens da câmera.
KARINA: Ai, ainda bem que meu avô me ensinou a mexer nisso aqui!
Karina senta-se e digita alguns comandos.
KARINA: Deixa eu ver, ele morreu... no dia... 23 de maio de 2009. Vamo
lá, Karina. Essa é a sua chance!
Karina digita a data no computador. (fade out: Suspense)
PREFEITURA à ESCRITÓRIO à TARDE (14h:31min)
(Instrumental: Caretas 1 – Mú
Carvalho) Leolina aparece no escritório do prefeito Golias com uma
maquiagem muito forte. Sombra até a testa, batom muito forte e borrado, cílios
postiços enormes...
LEOLINA: Olá, Golias!
Leolina pisca os olhos rapidamente.
GOLIAS: Ai... que susto, Leolina!
Golias pula da cadeira ao ver a mulher.
GOLIAS: Que ideia foi essa de vir fantasiada de Patati Patatá pra
prefeitura?
LEOLINA: Patati Patatá? Você acha? Eu me preparei tanto... demorei horas
para fazer tudo isso... tudo pra você... e você me compara com palhaços! A
gente faz tudo para um homem... e ele nos... nos ofende!
GOLIAS: Leolina, é que... que... sua maquiagem tá muito... como posso
dizer?... chamativa!
LEOLINA: Você acha, bombom?
Leolina para de chorar e se deita sobre a mesa do prefeito.
GOLIAS: Sai daqui, assombração!
Golias empurra a mulher da mesa, e Leolina cai no chão.
LEOLINA: Mas o que isso, prefeito Golias de Melo? Não podemos ter uma
conversa entre amigos?
GOLIAS: Se for só entre amigos tá tudo bem. Mas, por favor, vá se lavar
lá no banheiro. Sua imagem não é das melhores.
LEOLINA: É mesmo?
GOLIAS: É... é mesmo!
Leolina vai para o banheiro, mas é interrompida por Golias.
GOLIAS: Espera, espera, espera! Deixe eu tirar uma foto!
Golias pega a câmera e tira uma foto de Leolina, que sai horrível,
fazendo bico.
LEOLINA: Já tirou?
GOLIAS: Já.
LEOLINA: O.k. Agora vou ao banheiro! Não me demoro!
GOLIAS: Hehe, essa foto vai ser ótima pra espantar os mosquitos lá de
casa! (fade out: Caretas 1)
MANSÃO à ESCRITÓRIO DO COMPUTADOR à TARDE (14h:33min)
(Música de Suspense) Karina vê
as imagens do dia da morte de seu avô, Augustus. A moça está determinada a
descobrir quem matou seu avô.
KARINA: Deixa eu ver... aqui ainda era de dia... aqui tá anoitecendo...
Aqui! Aqui! Achei! Foi uma pessoa mascarada!
Karina se impressiona e amplia a imagem.
KARINA: Deixa eu ampliar aqui... essa pessoa tem uma cicatriz no braço!
Eu finalmente tenho uma pista de quem matou meu avô!
MANSÃO à SALA à TARDE (14h:33min)
CLIENTE: Demorou, né?
KARINA: É que eu me perdi, sabe? Faz muitos anos que eu não entro aqui...
CLIENTE: É, eu imagino. A mansão é bem grande mesmo! Bom, vamos
continuar?
KARINA: Vamos lá. Você dizia que queria uma ideia de papel de parede, né?
CLIENTE: Isso, eu tava pensando num floral com uma cor bem neutra, sabe?
As duas conversam. (fade out: Suspense)
CASA DE JULIETTE à SALA à TARDE (14h:34min)
Juliette dá comida para sua sabiá fêmea, Roberta Miranda.
JULIETTE: Ah! Tô indo agora prum lugar todinho meu... Quero uma rede
preguiçosa pra deitar! Em minha volta sinfonia de pardais. Cantando para a
majestade, o sabiá... A Majestade, o sabiá!!!
Juliette canta fazendo passos
estranhos de dança.
JULIETTE: Ô, Roberta Miranda. Tava com fome, né filha? Mas a mamãe já
chegou e vai dar comidinha pra você!!! Ih, tá acabando a comidinha... mamãe vai
buscar mais lá na cozinha, viu? Fica aí...
Juliette vai para a cozinha.
ROBERTA MIRANDA:Até que enfim aquela doida da Juliette saiu daqui. Canta
pior do que bêbado de gandaia. Deus me livre!
A campainha toca.
“DING-DONG”
JULIETTE: Já vai! Come aqui mais esse pouquinho, Robertinha!
“DING-DONG”
JULIETTE: Já vou, agonia! Meu Deus do céu, eu não sei pra que tanta
agoniação nesse mundo, eu já disse que vou atender a por...
Juliette abre a porta e vê um homem, fica surpresa e interrompe sua fala.
ROBERTA MIRANDA: IIIHHH... Pela cara da Juliette coisa boa não é...

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