O Ministério das Profecias
Na manhã seguinte, acordei mais cedo
que todos, estava com muitas saudades de Jade e Mili, meus dois bichos de
estimação.
Desci as escadas e fui até a garagem
onde estava os animais. Jade e Mili quando me viram fizeram uma festa. Eu
acariciei eles.
Aproveitei e escrevi um bilhete para a
minha avó Sonia:
"Vovó, estou morrendo de
saudades da senhora, mande-me noticias, não aguento mais ficar sem noticias
sua, de mamãe e do Lucas! Beijos!
Lucia Louves"
Coloquei na pata da Jade e ela se foi
em direção ao castelo de Magiscovs.
Após alguns minutos, voltei para dentro
de casa, dona Laura já estava acordada:
- Bom dia, Lucia! Acordou cedo, hoje! -
ela estava preparando o nosso desjejum
- Aproveitei para ver os meus
bichinhos! Já estava com saudades! - falei, achei melhor não falar sobre eu
mandar um bilhete para vovó.
Ajudei dona Laura a por as coisas sobre
a mesa. Um por um foi descendo as escadas e sentando à mesa. Sr. Lobos chegou
por ultimo de terno e gravata, o que deixava ele bem engraçado, por conta dos
pelos em excesso.
- Papai, o senhor vai ao centro da
cidade? - perguntou Marcos
- Vou sim! Tenho algumas coisas a resolver!
- Leva a gente! Leticia nunca foi a uma
cidade alternativa e quer conhecer! - mentiu Marcos
- Não sei não, Marcos! - respondeu ele-
O mestre de Magiscovs não quer que saiam de casa!
- Mas Sr. Lobos, eu não acho nada
perigoso! - respondeu Amanda- Eu
insisto! Lá só terá pessoas do goveno, não há como os cavaleiros invadirem o
local!
- O problema, Amanda, não são os
cavaleiros! São os vampiros! - respondeu a dona Laura
- Muito menos ele! - Amanda estava
convencendo eles- Os vampiros nunca iriam se atrever a entrar na cidade de
Jardim cercada de Ceifadores!
- Você tem razão! - respondeu o Sr.
Lobos - Mas será rápido! Vão se trocar que eu estou esperando vocês!
Subimos as escadas mais ligeiros que o
Flesch do desenho da Liga da Justiça. Nos trocamos rapidamente e Amanda pegou a
sua bolsa de sempre e tafuiou todos os livros. Marcos logo reclamou, mas Amanda
não deu ouvidos a ele e desceu as escadas mais rápido que todos nós.
Fomos de carro voador. Ele nos deixou
na frente de uma praça bem movimentada. Descemos do carro:
- Espero vocês daqui uma hora nesse
mesmo local!
O carro se foi como um foguete e Amanda
mexeu em sua bolsa e tirou uma garrafa e disse:
- Aqui está a poção da invisibilidade!
Peguei isso da professora Maria Batista no ultimo dia de aula!
- Nossa, Amanda! - admirou Alana- Você
está saindo melhor que encomenda! Falsificando assinaturas e agora roubando
poções!
- Se eu não fosse esperta assim, todos
estariam na estaca zero! - ela estava orgulhosa de si mesma. - Agora tomem! Uma
gota já é o suficiente para que fiquemos invisíveis por cinquenta minutos! A
única pessoa que pode nos ver é quem está invisível!
Eu fui a primeira a tomar. Tinha um
gosto azedo, parecia limão com vinagre. Um por um foi tomando e fazendo a mesma
careta até que desaparecemos:
- E para onde vamos? - perguntou Rafael
- Para o ministério das profecias! -
disse Marcos- Onde papai trabalha! Bem ali! - ele apontou para um enorme castelo.
Andamos em direção ao castelo que tinha
uma enorme bandeira em sua única torre. O seu símbolo era um brasão com uma
águia escrito "As profecias e as Verdades".
Quando estávamos chegando na porta
da frente, algo pegou no meu ombro.
Virei-me. Era Pedro, irmão de Marcos:
- Pedro!? - falei- O que faz aqui?
-perguntei
- Amanda! Venham comigo vocês! - disse
ele
Amanda olhou e disse:
- O que você quer?
- Eu sei como entrar sem ser visto!
Mesmo com a poção da invisibilidade, vocês não conseguirão passar pelos
curupiras e lobisomens que guardam o castelo! Eles sentem o cheiro! Vocês
precisam entrar por uma das passagens secretas!
- E onde seriam essas passagens? -
perguntou Marcos desconfiado- Isso não é um dos seus truques, ou é?
- Claro que não, maninho! Estou falando
serio! Bom... Se não quiserem acreditar em mim, sigam em frente e verão! -
disse ele com cara de piedade
- Está certo! - decidiu Amanda-
Mostre-nos a passagem secreta!
Fomos levados por Pedro até a parte de
trás do castelo. Ele apontou para uma arvore e disse:
- Ali! Vocês só precisam locomover
aquela pedra que está atrás da árvore. Vocês entrarão em um tuneo que sairá no
banheiro do primeiro andar! A sala do ministro fica no ultimo andar! Pra
chegarem lá sem serem vistos precisam fugir do alcance dos curupiras e dos
lobisomens!
- Só mais uma coisa! - disse Alana-
Como você soube que queríamos entrar no ministério das profecias?
- Simples! - ele estava com uma cara de
sabichão- Ouvi vocês combinar tudo! Sei do plano de vocês e os apoios! Por isso
vou até a doceria "Lalá doces" comprar alguns doces para despistar
papai! Boa sorte!
Ele se foi e Amanda foi em direção a
árvore e viu a tal pedra:
- Me ajudem a locomove-la! - fomos até
lá e empurramos a pedra. De baixo dela, realmente tinha um enorme tuneo escuro.
Descemos. Eu fui na frente. Todos nós
pegamos a nossas vavinhas e dissemos: "Luzmino!" Na ponta da nossas
varinhas apareceram uma luz que deixou o tuneo bem iluminado.
Nesse tuneo dava para ver os ratos e
baratas passando. Parecia que estávamos na tubulação do castelo. Nós meninas
dávamos gritinhos quando aparecia algum bicho perto de nossos pés e os meninos
riam. Menos Marcos que morria de medo de barata e estava em colapso nervoso.
Chegamos ao fim do tuneo. Havia uma
tampa em cima das nossas cabeças. Marcos, Rafael e Miguel retiraram para que
pudessemos subir. Estavamos no banheiro como Pedro dissera.
O banheiro estava vazio. Era bem
grande, com os compartimentos separando os boxes. Havia rodos que sozinhos
passavam pano no banheiro deixando-o limpo constantemente.
- Precisamos sair daqui, mas para isso
não podemos ser vistos pelos guardas! - disse Miguel indo em direção a porta do
banheiro.
Ele abriu a porta e olhou para um lado
e para o outro, virou-se para nós e disse:
- Tudo limpo! Vamos!
Saímos rapidamente do banheiro e
andamos por um corredor enorme, todo iluminado por tochas e velas flutuantes,
com varinhas armaduras e portas numeradas e escrita os departamentos.
Andamos pelo corredor e fomos para o
segundo andar. Em uma das portas havia parado um lobisomem:
- O meu tio! - disse Marcos com uma voz
tremula- Ele vai sentir o nosso cheiro!
- Não, se chamarmos a atenção dele para
outro local! - Amanda estava indo até uma
das armaduras que tinha nas escadas e a empurrou escada abaixo, fazendo um baita barulho. Chamou a atenção do
lobisomem que correu para ver o que tinha acontecido.
Ele passou por nós sem perceber, pois estava
mais preocupado com a armadura que cairá. Esse foi o momento para que
corrêssemos para o terceiro andar.
Passamos pelo terceiro, quarto, quinto
e sexto andar sem nenhuma preocupação. O nosso plano estava indo de vento e
polpa quando vimos o mestre sair de uma sala que tinha duas portas enormes com
um símbolo que tinha um chapéu de bruxo virado de cabeça para baixo, com uma
varinha e um livro fechado dentro do chapéu. Embaixo estava escrito: "Ordem
dos bruxos e feiticeiros de Dumber". Ele estava falando com um homem
que tinha os pés virados para trás, cabelos lisinhos, além de um terno preto.
Ele era mestiço de curupira.
- É o ministro das profecias! - disse
Miguel- ele é amigo de papai.
- Bom, ministro Eloin, o senhor precisa
fazer algo, pois não é mais só Lucia que corre perigo! - o diretor Antonio estava
com uma cara muito insatisfeita e sua voz mais fina que o normal- Nós sabemos
que a profecia da justiça não só aquilo que se ouve falar! Há muito mais
segredos escondidos e uma das coisas é que não é só Lucia que está nessa
profecia, ela é uma das pessoas!
- Diretor, mesmo o senhor sendo um dos
maiores bruxos que já existiu, eu posso garanti-lo de que está tudo sob
controle e que o senhor está se preocupando com algo que não é necessário! -
disse o ministro que não gostara nada da intromissão do mestre.
- Se é o que o senhor acha... não me
intrometerei mais! - disse o diretor olhando em nossa direção. Por um segundo
pensei que ele havia nos vistos. - De qualquer forma acho melhor o senhor não
deixar a profecia na sala da ordem dos bruxos e feiticeiros de Dumber! - ele
piscará para nós. Entreolhamo-nos tendo a certeza de que o mestre sabia que
estávamos ali! - Lúcifer está vindo para cá! É o que as fadas disseram!
- As fadas não sabem do que estão
falando! Elas são seres irracionais! - disse o ministro com mais raiva- Não há
lugar mais seguro que o ministério ou o planalto!
- O senhor é quem sabe! - ele pega um
relógio de dentro de suas vestes- Preciso ir! Tenho uma reunião com os
professores... - ele vai andando em nossa direção e quando passa por nós fala
baixinho- Se eu fosse vocês levava com vocês! Não leem! Busco amanhã! - tivemos
a certeza de que o diretor queria que fizéssemos isso sem que ninguém soubesse.
O ministro saiu para o outro lado resmungando.
Entramos na sala que era cheio de compartimentos.
Ela era enorme e tinha muitas prateleiras com pastas que não acabava mais. A
sala era mal iluminada, no fim da sala tinha uma enorme mesa com cadeiras que
indicava que era usada para reuniões. No teto tinha o enorme rosto do ministro
das profecias, todo orgulhoso.
- Precisamos achar a pasta onde tem a
profecia! - Amanda não perdeu tempo e já estava procurando na letra
"J" de justiça.
Tinha muitas profecias, todas em ordem
alfabética. Muitas estavam escritas “anuladas”, outras estavam escrito "em
risco" e outras estava escrito "estrema urgência".
- Achei! - disse Leticia - Eu achei!
Está aqui! - ela pegou a profecia e levou até Amanda
Amanda colocou dentro de sua bolsa e
disse para que fossemos logo embora, pois estava quase na hora da poção passar
o efeito.
Descemos todos os andares e corremos em
direção ao banheiro da passagem. Ele estava vazio como da vez passada. Entramos
na passagem secreta e agora mais rápidos que nunca, saímos no pé da árvore, do
lado de fora do castelo do ministério das profecias.
Corremos em direção a praça. No caminho
o efeito da poção foi passando. Encontramos Pedro na praça que nos deu vários
doces e disse:
- Papai está vindo ai! Eu vou ficar
aqui e vocês nunca me viram por aqui! - afirmou ele dando uma piscadela
- Certo! - afirmei
Assim que Pedro desapareceu por entre
as pessoas que andavam de um lado para o outro na rua. O carro do Sr. Lobos
estacionou em nossa frente. Entramos e o vimos sorridentes:
- E como foi, crianças? - perguntou ele
dirigindo por entre as nuvens- Divertiram-se muito?
- Sim! Com certeza! - afirmamos ao
mesmo tempo em que trocávamos olhares com um sorriso malicioso.

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