segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Capítulo 10: Magia Sensata


Ao reconhecer Jonas, Max, que está sozinho no quarto, pega o celular, que está em uma pequena mesa ao seu lado e faz uma ligação para a polícia, contando sobre o caso. Em instantes, um policial chega ao hospital, discretamente para não ser percebido, e vai ao quarto de Max.
– Bom dia. Você é Max, quem fez a queixa? – pergunta o policial.
– Sim. Sou eu. O cara que atirou em mim está aqui no hospital.
– O nome dele é Jonas, certo?
– Sim.
– Pelo que você diz, é esse da foto? – pergunta o policial, mostrando uma foto de Jonas.
– Ele mesmo.
– Você tem alguma outra prova?
– Infelizmente não, mas alguma loja deve ter câmera que pode ter flagrado ele correndo.
– Sim. Iremos checar os sistemas de segurança. Obrigado pela sua denúncia. – agradece o policial, que sai do quarto de Max.
Ao sair do quarto de Max, o policial encontra Jonas andando pelos corredores e aborda o marido de Aurora:
– Bom dia. Você é Jonas Melo?
– Você pode me acompanhar até a delegacia?
– O que eu fiz?
– Senhor, só quero que me acompanhe.
– Tá.
O policial sai do hospital junto com Jonas.

***
Na vinícola, Aurora recebe uma mensagem de uma amiga que é enfermeira no hospital com o recado ''Aurora, um policial veio aqui no hospital e levou o Jonas com ele''. Preocupada, Aurora comenta com Pedro:
– Pedro, eu posso ir à delegacia?
– O que houve, Aurora?
– O Jonas foi levado para lá. Não sei nem o motivo.
– Quer que eu te acompanhe?
– Sim, por favor.
Pedro e Aurora saem da vinícola e vão à delegacia.

***
Andando pelas ruas de Pitenópolis, Ângela decide conhecer um pouco mais sobre os trabalhos no escritório da Vinhos Albuquerque. A filha de Regina chega ao escritório da empresa, num belo prédio no centro da cidade, e é recebida por Álvaro, um dos advogados.
– Bom dia. Ângela?
– Olá. Bom dia. Eu mesma. Tudo bem?
– Sim. O que faz aqui?
– Eu vim ver algumas coisinhas da empresa.
– A dona Regina ainda está desaparecida?
– Sim, mas eu não gostaria de falar dela agora.
– Tudo bem. Mas eu acabei de perceber uma coisa muito estranha aqui na contabilidade. O doutor Jorge demitiu o contador e agora eu fico fazendo isso.
– O que tem de estranho?
– Vários funcionários não receberam uma parte do salário e parece que o dinheiro caiu na conta do doutor Jorge.
– Ele desviou o dinheiro dos funcionários?
– Não tenho como afirmar isso. Quando ele aparecer aqui, vou conversar com ele.
– Por que você não liga?
– Ele nunca me atende.
– Ah, sim. Agora eu preciso ir à delegacia fazer a queixa do sumiço da minha mãe logo.
– Ok. Boa sorte.
– Obrigada. Até mais. – fala Ângela educadamente, saindo do escritório.

***
Na delegacia, Pedro e Aurora aguardam pelo chamado da delegada Sabrina. Quando ela os chama, os dois vão à sala dela. Lá, a delegada pergunta o motivo da ida dos dois.
– Fiquei sabendo que vocês têm ocorrências para fazer. Quais? – pergunta a delegada.
– Bem, delegada, eu sou Aurora Melo. O Jonas, que está aqui por causa daquele tiro de ontem é meu marido. Eu vim fazer queixa de violência contra a mulher. Ele me agredia. O caso mais recente foi ontem. – relata Aurora, chorando.
– Conte com detalhes por favor, Aurora. – pede a delegada.
– Então, ele chegou bêbado e tentou me agarrar, mas eu acabei fugindo dele, além das agressões verbais.
– Eu me chamo Pedro Brito e sou supervisor de trabalho dos dois, na vinícola Albuquerque, e vim testemunhar essas agressões verbais do Jonas e as tentativas de agressão física a vários funcionários, inclusive eu. – conta Pedro.
– Muito obrigada pelas queixas de vocês, então eu gostaria que vocês registrassem tudo ali com o policial Xavier, tudo bem? – pergunta a delegada.
– Claro. Nós que agradecemos. – fala Aurora.
Aurora e Pedro saem da sala da delegada Sabrina.

***
Na falida Leite de Porca, com uma saída rápida de Eufrásio, Rumina chama Marcos:
– Marcos! Venha cá, homi!
Marcos ouve o grito de Rumina e vai ao quarto da fazendeira. O quarto é muito pequeno, com uma cama de casal, um armário velho e uma parede com sua tinta desbotada de cor salmão.
– O que foi, dona Rumina?  – pergunta Marcos.
– Me chama de Rurru, Marquinho!
– A senhora está bem?
– Senhora é a sua vó.
– Você me chamou?
– Sim, preciso que conserte a torneira do meu banheiro.
– Eu não sei mexer nisso não, dona Rumina.
– E nisso aqui? – fala Rumina, levantando seu vestido.
– Eu preciso voltar para limpar os porcos, dona Rumina. – diz Marcos, totalmente constrangido.
– Você agora vai me limpar. – fala Rumina, segurando Marcos e começa a tirar a sua roupa.
Rápido, Marcos corre de Rumina e volta para o chiqueiro. Logo que ele chega lá, Eufrásio chega à fazenda, já que estava na cidade fazendo compras na feira. O marido de Rumina pergunta a Marcos:
– Tá limpando isso ainda, cabra?
– Sim, seu Eufrásio.
– Cadê Rumina?
– Ela está lá dentro.
Quando ouve a voz de Eufrásio, Rumina vai à área externa da casa, dá um beijo em Eufrásio e olha para Marcos, com olhar atravessado.
– Ô rapaz, quando acabar aí, vai recolher as bostas desses bicho.
– Pode deixar, seu Eufrásio.
Eufrásio e Rumina entram na casa e Marcos continua fazendo as tarefas na parte externa.

***
Chegando à delegacia, Ângela é recebida pela delegada Sabrina, que a recebe na sua sala:
– Boa tarde, Ângela. Tudo bem?
– Bom dia, delegada Sabrina. Não, nada bem. A minha mãe sumiu. Acho que a senhora já sabe.
– Sim. Já ficamos sabendo. Eu ia até lhe procurar hoje para colher seu depoimento.
– Ah sim. Eu acho que a minha mãe está na casa do meu pai.
– O senhor Jorge Albuquerque?
– Sim.
– Mas por que ele faria isso?
– Eu e a minha mãe saímos recentemente de casa, porque ele estava cheio de preconceitos, então ontem aconteceu isso com a minha mãe. Eu já não sei o que fazer mais.
– Você procurou seu pai?
– Sim, duas vezes. Vasculhei aquela casa e não achei nada.
– Mas ele deixou você entrar?
– Sim, e falou que eu podia vasculhar à vontade.
– Você deveria ter procurado a gente antes. Isso pode ser perigoso.
– Eu estava muito inquieta, delegada. Eu agi com o meu coração.
– Entendo, mas uma coisa: ele ficou de olho quando você foi fazer essa busca?
– Não. Ele ficou na sala. Por quê?
– Então eu tenho duas hipóteses. A primeira é que ele pode não estar com ela, e a segunda é que a sua mãe possa estar em um lugar que ninguém ia imaginar.
– Por que a polícia não invade lá?
– Por enquanto, não é melhor fazer isso. Eu vou ligar para o doutor Jorge e ele terá que comparecer aqui hoje mesmo. Caso ele não compareça, eu irei à casa dele amanhã.
– Obrigada, delegada.
– De nada, Ângela. Você pode falar com o policial Xavier para deixar seu depoimento?
– Claro. Até mais.
Ângela sai da sala da delegada Sabrina. Logo que Ângela sai, a delegada pega o telefone e liga para a casa de Jorge, consultando seu computador para obter o número.
– Alô? Senhor Jorge Albuquerque? – pergunta a delegada, por telefone.
– Olá. Quem é? – questiona Jorge.
– É a delegada Sabrina, da delegacia de Pitenópolis. Eu gostaria que o senhor comparecesse na nossa delegacia ainda hoje.
– Por quê?
– Nada demais. Só para esclarecermos um mal entendido.
– Ok. – fala o dono da mansão Albuquerque, desligando o telefone.

***
Pelas ruas de Pitenópolis, Gustavo vê várias placas de promoção nas previsões de Mary Leh. Interessado, o filho de Olga e Pietro vai à casa das irmãs. Antes dele chegar, Mary está falando no telefone com Jenny, que está em Ravione, cidade próxima a Pitenópolis.
– O que tu tá fazendo aí, Jenny? – pergunta Mary, por telefone.
– Você tá ficando velha, Mary?
– Sim, naturalmente, né, sua anta?!
– Eu te falei antes de vir pra cá que eu vou investigar o passado da Hanna Curie.
– Você é mesmo muito louca, Jenny.
– Eu quero é salvar a nossa situação. Essa ex-cafetina mequetrefe roubou nossos clientes. – fala Jenny – E as suas previsões na promoção?
– Está começando a aparecer gente. Tenho que ir, maninha.
– Beijo. – diz Jenny, desligando o telefone.
Ao entrar na casa, Gustavo fica assustado com os objetos macabros e exóticos que encontra.
– Boa tarde. Qual seu nome?
– Gustavo.
– Oi Gustavo. Vou analisar as cartas, por isso preciso de silêncio e concentração.
Mary analisa as cartas, de olhos fechados, e fala baixo, se comunicando com o superior.
– Bem, pelo que li aqui, sua vida amorosa será muito boa.
– Como assim?
– Parece que você irá encontrar o amor da sua vida hoje. As cartas me dizem que você está cada vez mais envolvido com uma moça que, no fundo, você não gosta. É um interesse pelos seus pais.
– Ângela?
– Ah?
– Nada não. Pode continuar.
– Então, sua vida profissional depende muito da sua dedicação. Leio que você está num bom caminho profissional.
– E minha morte?
– Não se preocupe com a morte. Tem um pensamento que eu adoro, só não lembro o autor. É mais ou menos assim: Para quê nos preocuparmos com a morte? A vida tem tantos problemas para resolvermos primeiro.
– Confúcio?
– Isso! Como sabe?
– Eu cheguei a iniciar faculdade de filosofia, mas aí eu parei para trabalhar.
– Uma dica: volte a estudar e fazer o que realmente gosta.
– Obrigado. Até mais. – fala Gustavo, que deixa o dinheiro em cima da mesa e sai.
Sozinha em casa, Mary pega um leque e se abana.
– Forças, o que foi isso? Que homem!

***
De volta à vinícola após sair da delegacia, Pedro observa o trabalho de Augusto e o tratamento dele com os outros funcionários e visitantes da vinícola. Pedro decide falar com Regina sobre promover ou colocar Augusto no setor de vendas da empresa. Então, Pedro pega seu celular e liga para o escritório da Vinhos Albuquerque. Álvaro logo atende, e Pedro coloca a ligação no modo viva voz.
– Alô?! Escritório da Vinhos Albuquerque. Boa tarde.
– Boa tarde. Quem tá falando é Pedro, o supervisor da vinícola. Posso falar com a dona Regina?
– Oi, Pedro. Sou eu, Álvaro. A dona Regina está desaparecida.
– Como assim?
Ela sumiu e ninguém sabe nada dela.
– O doutor Jorge está aí?
– Também não. Ele não aparece aqui há um bom tempo. Hoje a filha deles esteve aqui.
– Como está a filha dela?
– Está bem abatida. Pelo que comentam, está ficando na casa do Gustavo, gerente da loja.
– O filho do Pietro e da Olga?
– Isso, mas ela foi à delegacia agora pouco, deve estar lá ainda.
– Ah, sim. Eu queria conversar com a dona Regina sobre a promoção de um funcionário.
– Então logo que eu tiver alguma posição, eu peço para te ligarem, ok?
– Ótimo. Bom trabalho. – fala Pedro, desligando.
Perto de Pedro, Augusto não deixou de ouvir algumas partes da conversa e fala logo com o patrão:
– Pedro, eu posso sair mais cedo hoje?
– Claro. – responde Pedro.

***
A tarde é de compras para os moradores de Pitenópolis. O dia seguinte é 24 de dezembro e o Natal está se aproximando. Na pensão, Josefina ensina para Sofia como preparar a famosa rabanada. Na loja da Vinhos Albuquerque, as vendas são ótimas. E, nas ruas, Hanna faz várias compras junto com sua prima Cléo. As falsas videntes acabam encontrando a placa das previsões mais baratas de Mary Leh, e Hanna comenta com sua prima:
– Ih, prima. Acho que estamos causando certo prejuízo a essas bruxinhas.
– Bruxinha só, Hanna. Parece que a Jenny não está envolvida nisso.
– Aquela ali deve estar aprontando alguma.
– Te prepara, prima.
– Estou sempre pronta.
Hanna e Cléo continuam suas compras.

***
Após ser liberado mais cedo, Augusto vai à casa de Gustavo para encontrar Ângela. Ele bate na porta, levando flores, e Ângela fica surpresa:
– Augusto?! Como soube que estou aqui?
– Isso não é importante agora. – fala Augusto entregando as flores para Ângela.
– Entre. – recomenda Ângela, que é surpreendida agora com um beijo de Augusto.
– Eu vim te visitar.
Os dois se beijam e vão ao quarto onde Ângela está hospedada. Chegando lá, ela se deita na cama e eles se beijam novamente, porém Ângela acaba desistindo:
– Sai por favor, Augusto.
– O que houve?
– Eu estou muito abalada. Não quero fazer algo que eu possa me arrepender.
– Então você acha que me amar é motivo de arrependimento?
– Não, não é isso. Volta depois, por favor.
– Tudo bem.
Compreensível como sempre, Augusto sai da casa sem muito falar.

***
A noite vem chegando. Em sua casa, Aurora está jantando com o filho, que pergunta:
– Mãe, o papai vai ficar preso?
– Olha, filho, o papai fez umas coisas erradas e ele vai ficar na delegacia por um tempo. Eu ainda não sei por quanto tempo, mas logo que puder, vamos visitá-lo.
– Você gosta do papai, mamãe?
– Claro, mas algumas coisas que ele fez me chatearam.
– Vocês vão se separar?
– Filho, não quero falar disso. Vai acontecer o que Deus quiser que aconteça.
– Tá.
– Gui, você continua ouvindo aquelas vozes?
– Hoje não.
– Não deu para te levar lá na casa da Mary e da Jenny, mas amanhã vamos lá, ok?
– Ok, mãe.
Os dois continuam jantando.

***
Na casa de Olga e Pietro, Ângela continua preocupada com a mãe e compartilha com Gustavo e Pietro:
– Eu estou muito preocupada com a minha mãe. Eu já fui à delegacia. O meu pai tem que ir até hoje lá, se ele não for, amanhã a polícia entra na casa dele.
– Por que você desconfia tanto do seu pai, Ângela? – pergunta Pietro.
– Não sei. Eu sinto algo que me faz insistir em pensar isso.
– Mas vamos falar de coisa boa. Estou preparando várias coisas para a nossa Ceia. – conta Gustavo.
– Eu estou tão sem clima para Ceia de Natal. Acho que vou ficar estudando mesmo. – revela Ângela.
– Claro que não, Ângela. Entendo que está sendo um momento muito triste para você, mas vamos vencer isso juntos.
– Obrigada pelo apoio, Gustavo.
Olga chega à casa durante a conversa.
– Boa noite. – fala Olga, em tom animado.
– Onde estava, mãe? – pergunta Gustavo.
– Passeando, meu filho. Agora eu preciso tomar um banho. Já volto.
Olga vai ao seu banheiro e Ângela nem desconfia que ela vendeu algumas roupas dela e de Regina em Bulires.

***
Na casa de Jorge Albuquerque, ele recebe Leia, com muito glamour e muitas comidas e bebidas de qualidade.
– Boa noite, doutor Jorge.
– Boa noite, querida Leia.
– Podemos nos sentar? – pergunta Leia, em frente à mesa.
– Claro. – responde Jorge, que puxa a cadeira para Leia.
– Então, doutor Jorge, por que me chamou?
– Bem, querida, serei bem direto. Você quer criar uma aliança comigo contra a Ângela e a mãe dela?

– Como assim? – pergunta Leia, totalmente surpresa.

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