Ao reconhecer Jonas, Max, que está sozinho no quarto, pega o
celular, que está em uma pequena mesa ao seu lado e faz uma ligação para a
polícia, contando sobre o caso. Em instantes, um policial chega ao hospital,
discretamente para não ser percebido, e vai ao quarto de Max.
– Bom dia. Você é Max, quem fez a queixa? – pergunta o policial.
– Sim. Sou eu. O cara que atirou em mim está aqui no hospital.
– O nome dele é Jonas, certo?
– Sim.
– Pelo que você diz, é esse da foto? – pergunta o policial,
mostrando uma foto de Jonas.
– Ele mesmo.
– Você tem alguma outra prova?
– Infelizmente não, mas alguma loja deve ter câmera que pode ter
flagrado ele correndo.
– Sim. Iremos checar os sistemas de segurança. Obrigado pela sua
denúncia. – agradece o policial, que sai do quarto de Max.
Ao sair do quarto de Max, o policial encontra Jonas andando pelos
corredores e aborda o marido de Aurora:
– Bom dia. Você é Jonas Melo?
– Você pode me acompanhar até a delegacia?
– O que eu fiz?
– Senhor, só quero que me acompanhe.
– Tá.
O policial sai do hospital junto com Jonas.
***
Na vinícola, Aurora recebe uma mensagem de uma amiga que é
enfermeira no hospital com o recado ''Aurora, um policial veio aqui no hospital
e levou o Jonas com ele''. Preocupada, Aurora comenta com Pedro:
– Pedro, eu posso ir à delegacia?
– O que houve, Aurora?
– O Jonas foi levado para lá. Não sei nem o motivo.
– Quer que eu te acompanhe?
– Sim, por favor.
Pedro e Aurora saem da vinícola e vão à delegacia.
***
Andando pelas ruas de Pitenópolis, Ângela decide conhecer um pouco
mais sobre os trabalhos no escritório da Vinhos Albuquerque. A filha de Regina
chega ao escritório da empresa, num belo prédio no centro da cidade, e é
recebida por Álvaro, um dos advogados.
– Bom dia. Ângela?
– Olá. Bom dia. Eu mesma. Tudo bem?
– Sim. O que faz aqui?
– Eu vim ver algumas coisinhas da empresa.
– A dona Regina ainda está desaparecida?
– Sim, mas eu não gostaria de falar dela agora.
– Tudo bem. Mas eu acabei de perceber uma coisa muito estranha
aqui na contabilidade. O doutor Jorge demitiu o contador e agora eu fico
fazendo isso.
– O que tem de estranho?
– Vários funcionários não receberam uma parte do salário e parece
que o dinheiro caiu na conta do doutor Jorge.
– Ele desviou o dinheiro dos funcionários?
– Não tenho como afirmar isso. Quando ele aparecer aqui, vou
conversar com ele.
– Por que você não liga?
– Ele nunca me atende.
– Ah, sim. Agora eu preciso ir à delegacia fazer a queixa do
sumiço da minha mãe logo.
– Ok. Boa sorte.
– Obrigada. Até mais. – fala Ângela educadamente, saindo do
escritório.
***
Na delegacia, Pedro e Aurora aguardam pelo chamado da delegada
Sabrina. Quando ela os chama, os dois vão à sala dela. Lá, a delegada pergunta
o motivo da ida dos dois.
– Fiquei sabendo que vocês têm ocorrências para fazer. Quais? –
pergunta a delegada.
– Bem, delegada, eu sou Aurora Melo. O Jonas, que está aqui por
causa daquele tiro de ontem é meu marido. Eu vim fazer queixa de violência
contra a mulher. Ele me agredia. O caso mais recente foi ontem. – relata
Aurora, chorando.
– Conte com detalhes por favor, Aurora. – pede a delegada.
– Então, ele chegou bêbado e tentou me agarrar, mas eu acabei fugindo
dele, além das agressões verbais.
– Eu me chamo Pedro Brito e sou supervisor de trabalho dos dois,
na vinícola Albuquerque, e vim testemunhar essas agressões verbais do Jonas e
as tentativas de agressão física a vários funcionários, inclusive eu. – conta
Pedro.
– Muito obrigada pelas queixas de vocês, então eu gostaria que
vocês registrassem tudo ali com o policial Xavier, tudo bem? – pergunta a
delegada.
– Claro. Nós que agradecemos. – fala Aurora.
Aurora e Pedro saem da sala da delegada Sabrina.
***
Na falida Leite de Porca, com uma saída rápida de Eufrásio, Rumina
chama Marcos:
– Marcos! Venha cá, homi!
Marcos ouve o grito de Rumina e vai ao quarto da fazendeira. O
quarto é muito pequeno, com uma cama de casal, um armário velho e uma parede
com sua tinta desbotada de cor salmão.
– O que foi, dona Rumina? –
pergunta Marcos.
– Me chama de Rurru, Marquinho!
– A senhora está bem?
– Senhora é a sua vó.
– Você me chamou?
– Sim, preciso que conserte a torneira do meu banheiro.
– Eu não sei mexer nisso não, dona Rumina.
– E nisso aqui? – fala Rumina, levantando seu vestido.
– Eu preciso voltar para limpar os porcos, dona Rumina. – diz Marcos,
totalmente constrangido.
– Você agora vai me limpar. – fala Rumina, segurando Marcos e
começa a tirar a sua roupa.
Rápido, Marcos corre de Rumina e volta para o chiqueiro. Logo que
ele chega lá, Eufrásio chega à fazenda, já que estava na cidade fazendo compras
na feira. O marido de Rumina pergunta a Marcos:
– Tá limpando isso ainda, cabra?
– Sim, seu Eufrásio.
– Cadê Rumina?
– Ela está lá dentro.
Quando ouve a voz de Eufrásio, Rumina vai à área externa da casa,
dá um beijo em Eufrásio e olha para Marcos, com olhar atravessado.
– Ô rapaz, quando acabar aí, vai recolher as bostas desses bicho.
– Pode deixar, seu Eufrásio.
Eufrásio e Rumina entram na casa e Marcos continua fazendo as
tarefas na parte externa.
***
Chegando à delegacia, Ângela é recebida pela delegada Sabrina, que
a recebe na sua sala:
– Boa tarde, Ângela. Tudo bem?
– Bom dia, delegada Sabrina. Não, nada bem. A minha mãe sumiu.
Acho que a senhora já sabe.
– Sim. Já ficamos sabendo. Eu ia até lhe procurar hoje para colher
seu depoimento.
– Ah sim. Eu acho que a minha mãe está na casa do meu pai.
– O senhor Jorge Albuquerque?
– Sim.
– Mas por que ele faria isso?
– Eu e a minha mãe saímos recentemente de casa, porque ele estava
cheio de preconceitos, então ontem aconteceu isso com a minha mãe. Eu já não
sei o que fazer mais.
– Você procurou seu pai?
– Sim, duas vezes. Vasculhei aquela casa e não achei nada.
– Mas ele deixou você entrar?
– Sim, e falou que eu podia vasculhar à vontade.
– Você deveria ter procurado a gente antes. Isso pode ser perigoso.
– Eu estava muito inquieta, delegada. Eu agi com o meu coração.
– Entendo, mas uma coisa: ele ficou de olho quando você foi fazer
essa busca?
– Não. Ele ficou na sala. Por quê?
– Então eu tenho duas hipóteses. A primeira é que ele pode não
estar com ela, e a segunda é que a sua mãe possa estar em um lugar que ninguém
ia imaginar.
– Por que a polícia não invade lá?
– Por enquanto, não é melhor fazer isso. Eu vou ligar para o
doutor Jorge e ele terá que comparecer aqui hoje mesmo. Caso ele não compareça,
eu irei à casa dele amanhã.
– Obrigada, delegada.
– De nada, Ângela. Você pode falar com o policial Xavier para
deixar seu depoimento?
– Claro. Até mais.
Ângela sai da sala da delegada Sabrina. Logo que Ângela sai, a
delegada pega o telefone e liga para a casa de Jorge, consultando seu
computador para obter o número.
– Alô? Senhor Jorge Albuquerque? – pergunta a delegada, por
telefone.
– Olá. Quem é? – questiona Jorge.
– É a delegada Sabrina, da delegacia de Pitenópolis. Eu gostaria
que o senhor comparecesse na nossa delegacia ainda hoje.
– Por quê?
– Nada demais. Só para esclarecermos um mal entendido.
– Ok. – fala o dono da mansão Albuquerque, desligando o telefone.
***
Pelas ruas de Pitenópolis, Gustavo vê várias placas de promoção
nas previsões de Mary Leh. Interessado, o filho de Olga e Pietro vai à casa das
irmãs. Antes dele chegar, Mary está falando no telefone com Jenny, que está em
Ravione, cidade próxima a Pitenópolis.
– O que tu tá fazendo aí, Jenny? – pergunta Mary, por telefone.
– Você tá ficando velha, Mary?
– Sim, naturalmente, né, sua anta?!
– Eu te falei antes de vir pra cá que eu vou investigar o passado
da Hanna Curie.
– Você é mesmo muito louca, Jenny.
– Eu quero é salvar a nossa situação. Essa ex-cafetina mequetrefe
roubou nossos clientes. – fala Jenny – E as suas previsões na promoção?
– Está começando a aparecer gente. Tenho que ir, maninha.
– Beijo. – diz Jenny, desligando o telefone.
Ao entrar na casa, Gustavo fica assustado com os objetos macabros
e exóticos que encontra.
– Boa tarde. Qual seu nome?
– Gustavo.
– Oi Gustavo. Vou analisar as cartas, por isso preciso de silêncio
e concentração.
Mary analisa as cartas, de olhos fechados, e fala baixo, se
comunicando com o superior.
– Bem, pelo que li aqui, sua vida amorosa será muito boa.
– Como assim?
– Parece que você irá encontrar o amor da sua vida hoje. As cartas
me dizem que você está cada vez mais envolvido com uma moça que, no fundo, você
não gosta. É um interesse pelos seus pais.
– Ângela?
– Ah?
– Nada não. Pode continuar.
– Então, sua vida profissional depende muito da sua dedicação.
Leio que você está num bom caminho profissional.
– E minha morte?
– Não se preocupe com a morte. Tem um pensamento que eu adoro, só
não lembro o autor. É mais ou menos assim: Para quê nos preocuparmos com a
morte? A vida tem tantos problemas para resolvermos primeiro.
– Confúcio?
– Isso! Como sabe?
– Eu cheguei a iniciar faculdade de filosofia, mas aí eu parei
para trabalhar.
– Uma dica: volte a estudar e fazer o que realmente gosta.
– Obrigado. Até mais. – fala Gustavo, que deixa o dinheiro em cima
da mesa e sai.
Sozinha em casa, Mary pega um leque e se abana.
– Forças, o que foi isso? Que homem!
***
De volta à
vinícola após sair da delegacia, Pedro observa o trabalho de Augusto e o
tratamento dele com os outros funcionários e visitantes da vinícola. Pedro
decide falar com Regina sobre promover ou colocar Augusto no setor de vendas da
empresa. Então, Pedro pega seu celular e liga para o escritório da Vinhos Albuquerque.
Álvaro logo atende, e Pedro coloca a ligação no modo viva voz.
– Alô?!
Escritório da Vinhos Albuquerque. Boa tarde.
– Boa tarde.
Quem tá falando é Pedro, o supervisor da vinícola. Posso falar com a dona
Regina?
– Oi, Pedro. Sou
eu, Álvaro. A dona Regina está desaparecida.
– Como assim?
– Ela sumiu e ninguém sabe
nada dela.
– O doutor Jorge
está aí?
– Também não.
Ele não aparece aqui há um bom tempo. Hoje a filha deles esteve aqui.
– Como está a
filha dela?
– Está bem
abatida. Pelo que comentam, está ficando na casa do Gustavo, gerente da loja.
– O filho do
Pietro e da Olga?
– Isso, mas ela
foi à delegacia agora pouco, deve estar lá ainda.
– Ah, sim. Eu
queria conversar com a dona Regina sobre a promoção de um funcionário.
– Então logo que
eu tiver alguma posição, eu peço para te ligarem, ok?
– Ótimo. Bom
trabalho. – fala Pedro, desligando.
Perto de Pedro,
Augusto não deixou de ouvir algumas partes da conversa e fala logo com o
patrão:
– Pedro, eu
posso sair mais cedo hoje?
– Claro. –
responde Pedro.
***
A tarde é de compras para os moradores de Pitenópolis. O dia
seguinte é 24 de dezembro e o Natal está se aproximando. Na pensão, Josefina
ensina para Sofia como preparar a famosa rabanada. Na loja da Vinhos
Albuquerque, as vendas são ótimas. E, nas ruas, Hanna faz várias compras junto com
sua prima Cléo. As falsas videntes acabam encontrando a placa das previsões
mais baratas de Mary Leh, e Hanna comenta com sua prima:
– Ih, prima. Acho que estamos causando certo prejuízo a essas
bruxinhas.
– Bruxinha só, Hanna. Parece que a Jenny não está envolvida nisso.
– Aquela ali deve estar aprontando alguma.
– Te prepara, prima.
– Estou sempre pronta.
Hanna e Cléo continuam suas compras.
***
Após ser liberado mais cedo, Augusto vai à casa de Gustavo para
encontrar Ângela. Ele bate na porta, levando flores, e Ângela fica surpresa:
– Augusto?! Como soube que estou aqui?
– Isso não é importante agora. – fala Augusto entregando as flores
para Ângela.
– Entre. – recomenda Ângela, que é surpreendida agora com um beijo
de Augusto.
– Eu vim te visitar.
Os dois se beijam e vão ao quarto onde Ângela está hospedada.
Chegando lá, ela se deita na cama e eles se beijam novamente, porém Ângela
acaba desistindo:
– Sai por favor, Augusto.
– O que houve?
– Eu estou muito abalada. Não quero fazer algo que eu possa me
arrepender.
– Então você acha que me amar é motivo de arrependimento?
– Não, não é isso. Volta depois, por favor.
– Tudo bem.
Compreensível como sempre, Augusto sai da casa sem muito falar.
***
A noite vem chegando. Em sua casa, Aurora está jantando com o
filho, que pergunta:
– Mãe, o papai vai ficar preso?
– Olha, filho, o papai fez umas coisas erradas e ele vai ficar na
delegacia por um tempo. Eu ainda não sei por quanto tempo, mas logo que puder,
vamos visitá-lo.
– Você gosta do papai, mamãe?
– Claro, mas algumas coisas que ele fez me chatearam.
– Vocês vão se separar?
– Filho, não quero falar disso. Vai acontecer o que Deus quiser
que aconteça.
– Tá.
– Gui, você continua ouvindo aquelas vozes?
– Hoje não.
– Não deu para te levar lá na casa da Mary e da Jenny, mas amanhã
vamos lá, ok?
– Ok, mãe.
Os dois continuam jantando.
***
Na casa de Olga e Pietro, Ângela continua preocupada com a mãe e
compartilha com Gustavo e Pietro:
– Eu estou muito preocupada com a minha mãe. Eu já fui à
delegacia. O meu pai tem que ir até hoje lá, se ele não for, amanhã a polícia
entra na casa dele.
– Por que você desconfia tanto do seu pai, Ângela? – pergunta
Pietro.
– Não sei. Eu sinto algo que me faz insistir em pensar isso.
– Mas vamos falar de coisa boa. Estou preparando várias coisas
para a nossa Ceia. – conta Gustavo.
– Eu estou tão sem clima para Ceia de Natal. Acho que vou ficar
estudando mesmo. – revela Ângela.
– Claro que não, Ângela. Entendo que está sendo um momento muito
triste para você, mas vamos vencer isso juntos.
– Obrigada pelo apoio, Gustavo.
Olga chega à casa durante a conversa.
– Boa noite. – fala Olga, em tom
animado.
– Onde estava, mãe? – pergunta Gustavo.
– Passeando, meu filho. Agora eu preciso tomar um banho. Já volto.
Olga vai ao seu banheiro e Ângela nem desconfia que ela vendeu
algumas roupas dela e de Regina em Bulires.
***
Na casa de Jorge Albuquerque, ele recebe Leia, com muito glamour e
muitas comidas e bebidas de qualidade.
– Boa noite, doutor Jorge.
– Boa noite, querida Leia.
– Podemos nos sentar? – pergunta Leia, em frente à mesa.
– Claro. – responde Jorge, que puxa a cadeira para Leia.
– Então, doutor Jorge, por que me chamou?
– Bem, querida, serei bem direto. Você quer criar uma aliança
comigo contra a Ângela e a mãe dela?
– Como assim? – pergunta Leia, totalmente surpresa.
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