sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Capítulo 08: Apenas Desejo




Capítulo 8

Ricardo analisa a foto. Nela, aparece Henrique subindo a escada que leva ao andar do quarto de Raquel.

Ricardo: Você conhece este homem?

Clarice: Não! Mas isso prova que alguém subiu no andar que leva aos quartos da casa. Eu não subi, mas ele subiu. Claro que foi ele o assassino, eu tenho certeza.

Ricardo: Precisamos descobrir quem é este homem. Temos que ter acesso à lista de convidados. Vou ver o que posso fazer.

Clarice: Ou, talvez...

Clarice se levanta com a foto na mãe e caminha em direção à porta.

Ricardo: Espere, aonde você vai?

Clarice: Direto na fonte. Me espere aqui, não me demoro.

Clarice sai deixando Ricardo curioso. Onde Clarice estaria indo com a foto?

(...)

Laura, Raul e Amadeu estão conversando em um restaurante, sobre o caso do assassinato de Raquel.

Amadeu: O caso é bastante interessante. Mas não vejo nada conclusivo ainda. Existem provas, ma nada que de fato ligue a moça ao crime. Se tivesse pelo menos uma testemunha que afirmasse ter visto ela no quarto da vítima aquele dia.

Laura: O senhor quer prova maior do que o veneno que matou a minha filha? Foi encontrado em poder desta mulher.

Amadeu: Sim, eu compreendo. Mas isso não signifique que a acusada tenha envenenado sua filha. Claro que para ela seja muito difícil provar a sua inocência, devido aos depoimentos e alguns fatores que apontem para ela.

Laura: E então? O que mais falta.

Raul: Seja objetivo doutor Amadeu.

Amadeu: Olha, o que eu quero dizer é que não há como pedir a prisão da acusada. O advogado entrou com um pedido de hábeas corpus e o juiz concedeu. Ela não tinha antecedentes, nenhum envolvimento com a justiça, isso é bastante comum no meio jurídico.

Laura: Isso é um absurdo.

Amadeu: Também acho. Mas por outro lado, tenha certeza de que se ela for a júri com todas essas provas caindo sobre ela, dificilmente ela será absolvida.

Laura: Então o seu trabalho é fazer com que isso aconteça. Dificulte o máximo a vida dessa infeliz. Não permita que ela saia impune.

Raul: Confiamos nos senhor doutor Amadeu.

Amadeu: Certo!

(...)

Linda estava saindo da Faculdade acompanhada de suas amigas, quando de repente Roberto surge.

Roberto: Bom dia, Linda!

Linda: Roberto? Que surpresa.

Roberto: Estava passeando e me deparei com algo que me fez lembrar de você.

Roberto entrega uma rosa para Linda. As amigas dela suspiram e dão risadinhas.

Linda: Que gentileza de sua parte me oferecer uma rosa.

Roberto: Sei que você merece mais que isso, mas no momento é tudo o que tenho para oferecer.

Linda: Olha Roberto, eu...

Roberto: Não! Não diga nada. Não pense que estou fazendo isso para forçar nenhuma situação. Apenas o que peço é que não me afaste. Promete?

Linda olha para a rosa e depois de perceber os olhares de encanto das amigas ela sorri para Roberto.

Linda: Tudo bem, mas eu preciso ir agora.

Roberto: Claro! Até mais.

Linda sai com as amigas e Roberto observa seu andar.

(...)

Fernando caminha entre os túmulos do cemitério e vai até onde Raquel foi enterrada. Ele se abaixa e encara a lápide onde o nome dela está escrito.

Fernando: Olá, Raquel!

Ele passa a mão sobre o túmulo.

Fernando: Não consigo imaginar onde você está agora, mas precisava que soubesse de uma coisa. Minha vida ficou sem sentido depois de sua partida. Tinha muitos planos, porém me vejo muito frustrado com tudo e principalmente com você. Você era a minha esperança de ser feliz, de ter tudo o que um dia sonhei para mim. Porque foi egoísta comigo? Porque me tirou essa oportunidade de ser feliz? Porquê?

Fernando começa a chorar.

Fernando: PORQUÊ?

Agora ele esbraveja e bate sobre a laje do túmulo.

Fernando: Só porque eu não te amava de verdade? Só por isso?

Fernando se levanta e encara o túmulo.

Fernando: Está certa. Eu nunca te amei! E acredito que nunca te amaria. Talvez tenha sido melhor assim. Adeus Raquel.

Ele se afasta e vai embora.

(...)

Linda chega em sua casa e se depara com Clarice sentada no sofá.

Linda: Clarice?

Clarice: Linda, você é a única que pode me ajudar.

Linda: Eu? Mas ajudar com o quê?

Clarice: Esta foto!

Clarice entrega a foto para Linda e ela analisa.

Linda: O que tem essa foto? Sou eu e algumas amigas da minha mãe.

Clarice: Atrás. Subindo as escada.

Linda observa atentamente.

Clarice: Quem é esse homem?

Linda: Meu Deus!

Clarice: Você o conhece, Linda? Pelo amor de Deus me responda, você conhece este homem?

Linda: Sim! Este homem é o Henrique, ex-namorado da Raquel.

Clarice: Eu sabia. Foi ele, tenho certeza. Ele matou a sua irmã. Essa foto prova que ele esteve no quarto dela aquele dia. 

Linda: Eu não lembro de ter visto ele.

Clarice: Claro que não viu. Certamente ele matou sua irmã e se mandou. Ele vai se arrepender de ter me incriminado. Mexeu com a pessoa errada.

Linda: Ele já vinha ameaçando a Raquel de morte a muito tempo. Mandava bilhetes anônimos, inconformado com o casamento e o fim da relação dos dois.

Clarice: Meu Deus. Certamente ele devia estar seguindo ela. Viu nossa discussão e aproveitou para me incriminar e se livrar da culpa. Desgraçado.

Linda: Você tem que denunciá-lo a polícia.

Clarice: Certamente. Farei isso.

(...)

Minutos depois, Clarice chega em sua casa e encontra Ricardo morrendo de curiosidade.

Ricardo: Onde você foi coma foto? Fiquei preocupado.

Clarice: Fui falar coma irmã da Raquel. Adivinha? Este homem se chama Henrique. Ele é o ex-namorado da Raquel. Segundo a Linda, irmã dela, ele estava ameaçando ela de morte a um tempo.

Ricardo: Mas isso muda tudo. Temos que denunciá-lo o quanto antes. Ele vai ter que esclarecer o motivo de estar lá e de ter subido no quarto da vítima. Tenho certeza de que ele matou a Raquel.

(...)

Henrique aparece na casa de Suzana, que fica transtornada com a visita dele.

Suzana: O que quer aqui?

Henrique: Apenas dizer que te vi no dia do casamento da Raquel. Agora a pergunta é: o que você fazia lá?

Suzana: Não é dá sua conta. 

Henrique: É da conta de todo mundo, inclusive da polícia. O que você acha que a polícia ira fazer se descobrisse que você esteve lá e que a Raquel não ia mais com a sua cara?

Suzana: Sai daqui seu infeliz. 

Henrique: Eu vou. Mas eu estou de olho em você.

Suzana fecha a porta na cara de Henrique.

(...)

Laura está conversando com Linda, enquanto toma banho de sol na beira da piscina.

Linda: A Clarice esteve aqui hoje.

Laura: O que? O que ela veio fazer aqui?

Linda: Veio me mostrar uma foto do Henrique subindo a escada de nossa casa no dia em que a Raquel morreu.

Laura retira os óculos e fixa os olhos em Linda.

Laura: Como é que é?

Linda: Isso mesmo! Ele esteve aqui no dia do casamento da Raquel. Pior que isso, ele subiu até o quarto dela. Acredita agora que a Clarice pode estar sendo uma vítima nessa história.

Laura: Vai precisar bem mais que isso pra me fazer mudar de idéia. Apesar de esta história ser bem estranha. Como ela conseguiu essa foto?

Linda: Não sei mãe. Também não interessa. O fato é que o Henrique pode ter matado a minha irmã e você fica perdendo tempo culpando apenas a Clarice.

Laura: Escuta aqui Linda, eu proíbo você de se encontrar com essa mulher de novo. Se ela vier a essa casa, chame a polícia. Você me entendeu?

Linda balança a cabeça em sinal negativo e se afasta.

Laura: Espero que tenha entendido.

Laura põe os óculos de sol novamente e volta a deitar na cadeira.

(...)

Norma está sentada em sua cama olhando algumas cartas. Lágrimas descem de seus olhos e ela logo enxuga ao perceber que Íris se aproxima. Ela esconde as cartas.

Íris: Mãe, você viu onde deixei meu material escolar?

Norma: Guardei dentro do seu roupeiro filha. Estava jogado em cima da cama.

Íris: Está tudo bem?

Norma: Sim. Porque não estaria?

Íris: Nada. Vou lá procurar.

Íris sai do quarto e Norma suspira de alívio.

(...)

Raul chega do escritório e Laura vem ao seu encontro.

Laura: Raul, você nem imagina o que aconteceu?

Raul: O que houve?

Laura: Aquela assassina esteve aqui na nossa casa hoje, falando com nossa filha.

Raul: O que? Que petulância.

Laura: Estou te dizendo. Essa mulher é perigosa. Temos que achar um jeito de mandar essa mulher de volta para a cadeia, nem que precise provocar um motivo.

(...)

Henrique está sentado no sofá da sala olhando a foto de Raquel. A campainha toca. Ele ignora, mas depois de 5 vezes ele se enfurece e resolve abrir.

Henrique: Já vai, droga.

Ele abre a porta. É Clarice.

Clarice: Henrique?

Henrique: Sim, sou eu. E você?

Clarice: Você me conhece muito bem. Eu sou a mulher que você mandou pra cadeia seu infeliz. Agora você vai me contar tudinho, sobre como matou a Raquel.

Henrique fica pálido. 

FIM DO CAPÍTULO

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