Personagens
deste episódio:
Ádamo
Beto
Branco
Carlão
Cigana
Alba
Cíntia
Das
Dores
Donna
Glória
Luís
Renato
Sandra
Participação
Especial:
Mulher
Segurança
Continuação do Episódio anterior.
Cena
01. Jardim de Cima/ Exterior/ Dia.
Close
em Cíntia, de pé, no meio da praça.
Cíntia
(olhando o relógio) – Exatamente 5 da tarde.
Cíntia
olha para um lado e vê Renato vindo em sua direção, olha para o outro lado e vê
Ádamo também caminhando em sua direção.
Cíntia
(desesperada) – E agora o que faço?
Cíntia
desesperada corre para o lado de Renato e o abraça inesperadamente.
Renato
(surpreso) – Isso tudo é alegria?
Cíntia
continua abraçada em Renato e vê Ádamo passar por eles, desapontado.
Cíntia
(cochichando) – Me tira daqui?
Cíntia
então vê Ádamo se distanciando, até perdê-lo de vista.
Corta
para:
Cena
02. Motel Loves/ Fachada/ Ext./ Dia.
CAM
abre no letreiro “LOVES” e vai revelando toda a fachada do motel, com uma
grande ladeira, toda em grama, na entrada. Uma rodovia em frente, com grande
fluxo de carros e caminhões.
Close
em um carro, Corcel II GT de cor prata chegando ao local.
Corta
para:
Cena
03. Carro/ Int./ Dia.
Renato
para o carro na portaria e olha para Cíntia, que está nervosa.
Renato
– Pronto!
Te tirei do jardim.
Cíntia
(receosa) – Mas não era bem esse lugar que eu estava me
referindo.
Renato
– Não
achou que iríamos a um cinema ou a um restaurante, né?
Cíntia
fica cabisbaixa.
Renato
então, segura o queixo de Cíntia e com doçura, a faz olhar dentro dos seus
olhos.
Renato
(meigo) – Ei broto, não fica assim. Eu não sou de cinema, mas garanto que
posso te levar aos céus. Cola em mim.
Cíntia
dá um sorriso, a cancela da entrada se abre então Miguel dá partida no carro,
que adentra ao motel.
Corta
para:
Cena
04. Discoteca CELEBRARE/ Entrada Principal/ Ext./ Dia.
Close
na rua, com nenhum movimento. De longe, vemos Das Dores entrar, apressadamente,
na discoteca.
Corta
para:
Cena
05. Discoteca CELEBRARE/ Salão Principal/ Int./ Dia.
Música
ambiente em som baixo “Street Life”.
Plano geral do local, com: DJ passando o som e testando a iluminação.
Algumas pessoas limpando o salão principal, o palco e adjacentes.
Close
no bar, onde uma mulher está repondo as bebidas no freezer.
Das
Dores olha todo o local, procurando por alguém, que não encontra e se encaminha
até o bar.
Close
no bar.
Das
Dores (chegando) – Ei!
A
mulher para de repor as bebidas e olha para Das Dores.
Mulher
(educada) – Pois não, Dona Das Dores, em que posso lhe ser útil?
Das
Dores – Onde tá o Renato?
Mulher
– O
senhor Renato ainda não chegou.
Das
Dores – Como é que é? Como assim não chegou? Ele deveria estar aqui.
Mulher
– Pode
perguntar o DJ, que está à espera dele desde mais cedo. O doutor Renato ainda
não pareceu.
Das
Dores – Você só pode estar enganada. Eu estive na casa dele e a mãe dele
me jurou que o safado estaria aqui.
Mulher
– Então
deu dilti. Pelo que vejo vocês se desencontraram.
Das
Dores se senta em um banco próximo ao balcão.
Das
Dores – Me serve.
Mulher
– Água
ou refrigerante?
Das
Dores – Meu bem, eu quero champanhe, uma garrafa. A mais cara que tiver.
A
mulher então trás o champanhe e Das Dores se serve, com cara de poucos amigos.
Corta
para:
Cena
06. Motel Loves/ Quarto/ Int./ Dia.
Cíntia
está sentada na cama, recatada e totalmente envergonhada, quando Renato vem do
banheiro sem camisa, com os cabelos molhados e enrolado em uma toalha branca.
Renato
– Pronto,
agora sou todo seu tchuka.
Cíntia
(assustada) – Que isso?
Renato
– Não
era disso que você tava afim?
Cíntia
fica nervosa e sem reação. Renato a deita na cama com beijos avassaladores.
Renato tira a blusa de Cíntia em uma rápida ação, deixando-a de sutiã, apenas.
Cíntia
– Para!
Renato
– Por
quê? Eu tô curtindo demais, você tem a pele tão lisinha.
Cíntia
– Eu
não posso... Não dá... Eu, como que eu vou dizer?... Eu sou virgem.
Renato
olha espantado para Cíntia.
Cíntia
– Eu
sei isso é tolice, mas eu sou virgem.
Renato
(com desejo) – Agora eu te quero mais que nunca.
Cíntia
– Eu
tô com medo. Não sei se essa é a hora.
Renato
– Já
passou da hora dessa flor desabrochar. Vou fazer gostoso e você não vai
esquecer nunca mais de mim.
Renato
começa a beijar Cíntia com muito tesão. Tira-lhe o sutiã e começa a acariciar
seus seios. Entre os beijos e amassos, Renato tira sua toalha e começa a sarrar
Cíntia, que se entrega totalmente.
Corta
para:
Cena
07. Pontos Turísticos/ Ext./ Dia-noite.
(Música
“Boogie Oogie Oogie” – Taste of houney). Transposição do dia para a noite em um
clipe com os principais pontos turísticos, começando pelo Cruzeiro Municipal,
passando pela Serra dos Mascates e Terminando na Rua dos mineiros, com Cíntia e
Sandra sentadas em um banco conversando, Cíntia feliz (com a mesma roupagem da
cena anterior) e Sandra chocada.
Sandra
(chocada) – Tô passada. Quem diria que você seria a primeira de
nós a perder a virgindade.
Cíntia
– Fala
baixo.
Sandra
(curiosa) – Mas me conta mulher, como foi?
Cíntia
(fascinada) – Foi tudo muito perfeito. Ele é carinhoso e um tesão
ao mesmo tempo. É como se fosse um lorde e ao mesmo tempo um tigre.
Sandra
– Eu
acho que tem alguém apaixonada aí.
Cíntia
sorri.
Sandra
– Acertei
na mosca. Minha amiga apaixonada pelo Renato Kalil.
Cíntia
– Não
vou negar, ele me encantou com o charme dele. Tô tomada por aquele homem. Nas
mãos dele, a gente se sente o centro do universo. Nada mais importa.
Sandra
– E
então, vamos até a discoteca hoje?
Cíntia
(se levantando) – É claro, me busque antes das onze hein.
Sandra
– Pode
deixar.
Sandra
e Cíntia se despedem e cada uma vai para um lado.
Corta
para:
Cena
08. Discoteca CELEBRARE/ Salão Principal/ Int./ Noite.
A
boate está vazia, apenas com alguns funcionários no local. Renato entra
apressado e se encaminha direto a sua sala.
Corta
para: SALA DE Renato.
Renato
entra e se assusta, ao ver Das Dores sentada em sua cadeira tomando champanhe.
Das
Dores – Oi!
Renato
(intrigado) – Oi.
Das
Dores – Você sumiu hoje né.
Renato
– Não
inventa, passei o dia aqui.
Das
Dores – Jura? Porque eu também passei o dia aqui e não te vi. Aliás, eu,
o DJ, as faxineiras, ninguém te viu aqui hoje.
Renato
– Você
não pode entrar aqui a hora que quiser. Isso aqui é uma empresa e tem horários
de visitação para o público comum.
Das
Dores – Acontece que eu não sou comum. Quem manda aqui é meu pai, você é
apenas mais um funcionário dele. A ideia pode até ser sua, mas o patrocínio, a
bufunfa é do meu pai.
Renato
– Vai
jogar na minha cara agora? Vai querer ser melhor do que eu?
Das
Dores – Eu sou melhor que você. Mas não distorça a história, o fato é
que você não apareceu aqui hoje e saiu de casa cedo, eu estive lá.
Renato
– Quer
dizer agora que você vai ficar me procurando por todos os cantos.
Das
Dores – Como sua futura noiva, eu farei pior.
Renato
– Bom
saber, assim eu não caso.
Das
Dores – Bom saber, assim eu não patrocino essa merda.
Das
Dores se levanta e se prepara para sair, Renato, no impulso, a abraça, muito
forte.
Renato
– Desculpa
amor. Eu saí pra beber com os amigos. Deveria ter te avisado.
Das
Dores – Tudo bem. Mas na próxima vez, trata de ser mais gentil comigo.
Quem assina os cheques aqui, ainda sou eu. Pensa bem!
Das
Dores pega a sua bolsa.
Renato
– Vai
vir hoje?
Das
Dores – Tô estourando de dor de cabeça. A gente se fala amanhã.
Renato
– E
meu beijo?
Das
Dores dá um selinho rápido em Renato e sai.
Corta
para:
Cena
09. Casa de Cíntia/ SALA/ Int./ Noite.
Luís
e Carlão estão sentados no sofá conversando.
Carlão
– Precisava
ver pai. Ela lá se atracando com a outra feito uma puta.
Luís
– Modere
o tom Carlão.
Carlão
– Desculpa
pai, mas era chocante ver a Cíntia rolando no chão daquela discoteca com a
filha do seu patrão.
Luís
(surpreso) – A Cíntia brigou com a...
Carlão
(corta) – Das Dores, filha do Branco Guimarães. Agora imagina se a
burguesinha descobre que a Cíntia é filha do empregado do pai dela? É rua na
certa.
Luís
– Mas
o que essa menina tem na cabeça?
Carlão
– A
Cíntia tem cocô de pombo no lugar de neurônio. Se eu fosse o senhor,
deixá-la-ia de castigo.
Luís
– Mas
é isso que farei mesmo.
Nesse
instante Glória aparece, com um saião jeans e uma bíblia na mão.
Glória
– Estou
indo pro culto. Alguém quer ir?
Carlão
– Nem
vai rolar ir nessa bagaça mãe.
Glória
(séria) – Não é bagaça não garoto. É a casa do senhor. É louvar, exaltar o
meu Deus.
Luís
– Glória,
tô colocando a Cíntia duas semanas de castigo.
Glória
– Mas
por quê?
Luís
– Ela
ontem, no fim da festa, se atracou no chão com a Das Dores Guimarães, filha do
meu chefe.
Glória
– Tá
amarrado em nome de Jesus. Não acredito que a Cíntia tá nessa perdição.
Carlão
– Eu
que a tirei do meio da briga. Senão mãe, a coisa iria tomar proporções
gigantescas.
Glória
olha para o relógio pendurado na parede da sala.
Glória
– Adorei
o castigo, é merecido. Agora eu vou louvar o meu senhor.
Glória
sai da casa com sua bíblia e Carlão continua conversando com Luís.
Corta
para:
Cena
10. Apto./ Quarto de Donna/ Interior/ Noite.
O
quarto está uma bagunça, com garrafas de bebidas, bitucas de cigarros e roupas
usadas, espalhadas por todo o local. Donna está a todo instante tirando roupa
do armário e colocando em cima da cama, a fim de analisar a melhor, enquanto
Das Dores anda atrás dela, repetindo seus passos.
Donna
(indecisa) – Vou de vestido ou saia?
Das
Dores – Mas o Renato me paga, olha a audácia dele em sair pra beber com
os amigos e me deixar lá, esperando por ele horas e horas. Me senti uma
favelada na fila do SUS.
Donna
pega uma saia e uma blusa na mão e olha para Das Dores.
Donna
– Combina?
Das
Dores – Você ouviu o que eu falei Donna?
Donna
– Ouvi,
e quer saber o que acho?
Das
Dores – Fala de uma vez.
Donna
– Você
tá sufocando o Renato, da mesma forma que sufocou o José, o Miguel, o Cláudio.
Você vai acabar perdendo mais um “grande amor”. Deixa de ser pé no saco. Esquece,
desapega, finge que não está nem aí pra hora do Brasil, pessoas gostam daquilo
que não tem. Você fica aí se oferecendo, feito peru de natal. Falta só rechear
com farofa e se servir em uma bandeja de prata na porta da casa do cara.
Das
Dores (exaltada) – E você quer que eu faça o que? Que fique parada,
feito uma parede dessas daqui, esperando que ele me procure? Meu bem, homem
gosta de mulher que tá ali, em cima dele, fitando cada passo, cada ação. Eles
gostam é de IBOPE, de aparecer e serem vistos. Caso contrário, eu me tornaria
uma aspirante à cantora, pegaria minha mochila e sairia dando a volta ao mundo
sozinha.
Donna
– Eu
não vou nem me dar ao trabalho de te responder. Estou acima dessas suas
picuinhas.
Donna
continua tirando roupas de seu armário e colocando na cama, enquanto Das Dores
fica pensativa.
Corta
para:
Cena
11. Casa de Cíntia/ Sala/ Int./ Noite.
Luís
está sentado assistindo TV. Quando Carlão desce as escadas todo arrumado.
Carlão
– Tô
indo pra rua com os amigos pai.
Luís
– Vá
com Deus e cuidado nessa estrada hein.
Carlão
(saindo) – Pode deixar.
Carlão
sai. Cíntia desce as escadas todas produzida, com um lindo vestido de cetim
azul.
Luís
– Onde
você pensa que vai?
Cíntia
– Vou
para a CELEBRARE. Marquei com o Beto e a Sandra.
Luís
– Você
não vai. Está de castigo.
Cíntia
(surpresa) – Castigo? Mas eu nem fiz nada.
Luís
– Ficar
se descabelando e rolando no chão com outra garota na discoteca é o que?
Cíntia
– Claro,
era de se esperar, o Carlão passou todas as informações pro senhor né? Sinto
lhe dizer, mas ele aumentou demais essa história.
Luís
– Ah
é? Vai me dizer que vocês duas estavam acordando suas células faciais de uma
forma diferente?
Cíntia
– Meu
Deus, quanta ignorância num único ser. Pai, o Carlão quer me ver presa, feito
uma criminosa.
Luís
– Nada
que você fale, vai garantir sua mordomia. Você está de castigo. CAS-TI-GO!
Cíntia
sente uma enorme raiva, mas se controla e sobe as escadas pisando duro.
Luís
(pra si) – Um dia você ainda vai me agradecer, ah se vai!
Corta
para:
Cena
12. Casa de Cíntia/ Quintal/ Exterior/ Noite.
CAM
focaliza a janela do quarto de Cíntia, no andar superior da casa, com as luzes
apagadas. De repente, é jogado dessa janela: um par de sapatos (os mesmos que
Cíntia usou na cena anterior). A luz do quarto se acende e Cíntia joga uma
corda para fora da janela. A luz se apaga novamente, e ela começa a escalar o
quarto pela corda, até chegar ao chão.
Já
no chão, Cíntia calça os sapatos e sai na pontinha do pé.
Corta
para:
Cena
13. Discoteca CELEBRARE/ Portaria/ Ext./ Noite.
Ouve-se
ao fundo a música “Like a Virgin” – Madonna. Várias pessoas na fila para
entrar. E muito próximo, inúmeros grupos de pessoas conversando, bebendo e
fumando.
Corta
para:
Cena
14. Discoteca CELEBRARE/ Salão Principal/ Int./ Noite.
(Música
ambiente “Like a Virgin” – Madonna). Clima de descontração, vozerio, pessoas
alegres dançando, bebendo e conversando. Ao lado da pista de dança, vemos Ádamo
e Carlão, tomando cerveja e conversando. Close neles.
Ádamo
(cabisbaixo) – Cara levei o maior toco da mina hoje.
Carlão
– Sério?
Ádamo
– Pensei
que fosse princesa, mas era só uma bruxa mesmo. Acredita que a mina me viu no
local marcado e foi para os braços de outro?
Carlão
– Maior
otária hein. Odeio essas piranhas que fazem isso.
Ádamo
– Eu
sei muito bem do que você gosta. E o que você gosta, acabou de chegar ali.
Carlão
e Ádamo param de conversar e voltam seu olhar para a pista de dança. Donna e
Das Dores estão chegando ao local. Close especial em Das Dores, que está
incrivelmente linda. Close final em Carlão, totalmente boquiaberto e babando.
Corta
para:
Cena
15. Santana bar/ Int./ Noite.
O
local está com movimento médio. Maioria dos fregueses são homens acima dos 40
anos. Beto e Sandra estão sentados a uma mesa, visivelmente impacientes.
Sandra
(impaciente) – Aposto que a Cíntia deu um bolo na gente.
Beto
olha no relógio e em seguida encara Sandra.
Sandra
– Uma
cerveja?
Beto
– Será
que vão vender? Somos menores de idade.
Sandra
abre sua bolsa e retira uma identidade.
Sandra
(balançando a identidade) – E para que serve ter uma irmã mais
velha? Garanto que não é só pra ter aborrecimento.
Beto
(sorrindo) – Então essa noite vamos beber muito.
Sandra
– Já
que a Cíntia, que é a detentora dos ingressos para a CELEBRARE não veio, o
jeito é encher a cara de birita aqui mesmo.
Nesse
instante Cíntia chega correndo ao local e vai até a mesa onde estão Beto e
Sandra.
Cíntia
(ofegante) – Demorei, mas cheguei.
Sandra
– Achei
que nem viria mais.
Cíntia
– É
meu pai, ou melhor, a besta do Carlão.
Sandra
– Você
quis dizer, a delícia do Carlão né. Que pedaço de homem meu Deus. Chego a ficar
arrepiada só de pensar. Ui!
Beto
(a Sandra) – Manera o tom. (a
Cíntia) – O que o seu irmão fez dessa vez?
Cíntia
(se sentando) – Acredita que o idiota contou pro papai da minha
briga de ontem? Aí deu nessa: castigo.
Sandra
– E
como você saiu?
Cíntia
– Pela
janela. Então, pra que valeu ficar sete anos como escoteira do SOS Serra dos
Mascates?
Beto
– Não
vamos perder tempo, vamos pra Discoteca.
Cíntia
– Não.
Antes eu quero beber. Beber muito.
Sandra
pega a identidade, se levanta e se encaminha ao balcão.
Corta
para:
Cena
16. Discoteca CELEBRARE/ Salão Principal/ Int./ Noite.
Festa
já muito movimentada. Música ambiente “Boogie Oogie Ogie”. Pessoas dançam,
conversam, bebem e riem.
Close
em Das Dores e Donna, sentadas a uma mesa.
Das
Dores – Eu acho tudo isso daqui um porre.
Donna
– Eu
adoro festas.
Das
Dores – Será que o Renato vai me ver aqui?
Donna
– Acho
que não. Ele deve estar circulando pelos bastidores. Afinal de contas, para que
uma festa fique bonita, os bastidores precisam estar alinhados.
Das
Dores - Com sinceridade, quanto tempo você acha que esse meu namoro
dura?
Donna
– Não
sei. Mas eu conheço uma cigana que tem um baralho que nunca mente. Tá a fim de
ir lá amanhã?
Das
Dores fica pensativa.
Das
Dores – Não tenho nada a perder mesmo. Amanhã estaremos lá.
Donna
se levanta da mesa.
Das
Dores – Aonde você vai?
Donna
– Vou
fazer o que mais gosto... Cantar!
Das
Dores – De graça?
Donna
– Eu
fui contratada pelo seu pai para ser cantora fixa na discoteca.
Das
Dores – Então, boa sorte!
Donna
então se encaminha ao palco. Das Dores fica sentada observando.
Close
em Donna, no palco, cantando “Street Life”.
Close
em Carlão, chegando próximo a Das Dores. Ele então se senta a mesa onde ela
está.
Das
Dores – Ah não, você não. Não é possível que Jesus Cristo tenha
escolhido justo a mim pra castigar.
Carlão
– Eu
sou tão má companhia assim?
Das
Dores – Má? Não. Você é péssimo. Inconveniente e muito chato.
Carlão
– Alguém
já te disse que você tá linda?
Das
Dores – Já. O meu namorado falou agora a pouco.
Carlão
– Além
de linda, arrogante e mimada, você agora é mentirosa? Eu vi quando você chegou
e o Renato, sequer te viu. Uma pena, ele não sabe o que tá perdendo.
Das
Dores – Você veio à festa pra se divertir ou pra ficar na minha cola?
Carlão
– E
se a minha diversão for ficar na sua cola?
Das
Dores (emburrada) – Você é um chato. Eu sou fiel ao meu noivo.
Carlão
– E
por acaso eu pedi para você traí-lo?
Das
Dores pega um copo de cerveja e joga na blusa de Carlão.
Das
Dores – Vá se refrescar na puta que te pariu.
Das
Dores se levanta da mesa e sai pisando duro, Carlão se levanta e vai atrás
dela.
Corta
para:
Cena
17. Discoteca CELEBRARE/ Porta de entrada/ Exterior/ Noite.
Cíntia,
Beto e Sandra estão na fila para entrar. Cíntia está visivelmente bêbada.
Cíntia
– É
hoje que eu faço o que quero nessa discoteca mesmo.
Sandra
– Rilex
Cíntia, vá com calma. Se é o que tô pensando, vai com calma. Você já fez hoje e
isso não é assim.
Cíntia
– Ih,
qual foi? Vai ficar me regulando agora dona Glória? Eu sou uma onça no cio, sou
uma mulher insaciável agora.
Sandra
entra, enquanto o segurança trava a roleta na vez de Cíntia.
Cíntia
(brava) – Vai liberar minha entrada não?
Segurança
(educado) – Só um instante, estamos controlando o fluxo. Já já a
senhorita entra.
Cíntia
(gritando) – Eu quero entrar agora. Sabe quem eu sou? Cíntia
Vêneto, a namorada e futura noiva do Renato Kalil, dono dessa discoteca.
Mesmo
contrariado, o segurança deixa Cíntia entrar no exato momento. Enquanto Cíntia
entra por uma porta, na porta ao lado Das Dores sai pisando duro, logo atrás
vem Carlão.
Carlão
(a Das Dores) – Dá pra me esperar?
Das
Dores – Vá pro inferno.
Das
Dores sai andando na frente pela rua, e Carlão vai atrás.
Corta
para:
Cena
18. Discoteca CELEBRARE/ Bar/ Int./ Noite.
Donna
está no palco cantando “Menina Veneno”, enquanto Beto, Sandra e Cíntia estão
sentados nas banquetas do bar, com suas bebidas apoiadas no balcão.
Cíntia
(bêbada) – Quero mais uma dose de conhaque, gente.
Sandra
– Nem
pensar, você já bebeu todas por hoje.
Beto
– Para
um pouco Cíntia, senão vai fazer vexame e você sabe que o Carlão está por aqui.
Cíntia
– Vocês
são uns malas. Quer saber? Vou dar um rolé pelo salão e depois ir ao encontro
do meu namorado.
Cíntia
se levanta e sai em direção ao salão.
Sandra
(a Beto) – Ela não aprende. Tá encantada por esse dono da
discoteca.
Beto
– Algo
me diz que ela vai quebrar a cara.
Corta
para o SALÃO.
Donna
está cantando “Como eu quero – Kid Abelha”
Salão
movimentado, pessoas dançando. Cíntia para em frente ao palco e começa a
dançar, de longe Ádamo a vê e vai em sua direção. Ádamo segura Cíntia pelo
braço.
Ádamo
(sério) – A gente precisa conversar, vem!
Ádamo
arrasta Cíntia para um local menos movimentado do salão.
Cíntia
(indignada) – Qual foi? Nós não temos nada a conversar.
Ádamo
– O
que você fez hoje a tarde foi papel de piranha, PI-RA-NHA!
Cíntia
– E
se eu for uma piranha? E se eu for mesmo uma puta? Tem problema?
Ádamo
– Comporte-se
feito uma mulher decente.
Cíntia
– Vai
tomar no cu e me esquece.
Cíntia
sai andando e deixa Ádamo com muita raiva. Close em Cíntia entrando no
escritório de Renato.
Corta
para:
Cena
19. Discoteca CELEBRARE/ Escritório/ Int./ Noite.
Renato
está assinando alguns contratos, quando Cíntia entra no local de forma
avassaladora.
Renato
(assustado) – O que é que você tá fazendo aqui?
Cíntia
(com sedução) – Diz que não é o meu corpo que você deseja?
Renato
se levanta, meio indignado.
Renato
(sério) – Menina sai daqui, por favor.
Cíntia
começa a tirar o vestido.
Renato
– Aqui
é meu local de trabalho. Eu quero que você saia.
Cíntia
tira o vestido, ficando apenas de calcinha, sutiã e salto.
Cíntia
(com desejo) – Diz que você não gostou do que viu?
Renato
olha impaciente para os contratos, cata Cíntia com brutalidade, a joga em cima
da mesa e começa a beijá-la com muito tesão.
(Música
“i don’t can stop – Maurício Maniere”).
Corta
para:
Cena
20. Rua dos Mineiros/ Ext./ Noite.
Das
Dores está andando depressa, pisando duro, enquanto Carlão vem atrás dela.
Carlão
– Espera
aí.
Das
Dores – Esqueça que eu existo. Vá buscar sua irmãzinha na creche.
Carlão
corre, apanha Das Dores e a segura firme em seus braços.
Das
Dores (tentando se desvencilhar) – Me larga! Me solta seu grosso.
Carlão
– Para
de graça.
Das
Dores – Eu vou gritar.
Carlão
– Xiu,
não faça isso.
Das
Dores (Gritando) – Socorro! Socorro! Soco/
Carlão
cala Das Dores com um longo beijo apaixonante. Das Dores tenta resistir, mas no
fim beija Carlão com vontade.
Carlão
para de beijar Das Dores, que lhe dá um tapa no rosto.
Das
Dores – Nunca mais faça isso.
Carlão
– A
decisão é somente sua. Eu não vou mais correr atrás de você.
Carlão
vai saindo.
Das
Dores – Não. Espera!
Carlão
para de andar, mas fica de costas pra ela.
Das
Dores – Aonde você vai?
Carlão
– Você
está sempre odiando a minha presença, não é? Pois então, eu desisti de correr
atrás de você.
Das
Dores – Eu sou noiva. Quer dizer, vou ficar noiva.
Carlão
– Não
vou te importunar mais... Por isso estou indo embora.
Das
Dores – Não (pausa) Eu não
sei o que estou sentindo. Mas é diferente de tudo que eu já senti. Ah,
jornalista, você não sabe o quanto estou envolvida por você.
Carlão
– Para
de fingimento.
Das
Dores – Você é mesmo um rude. Jornalista de merda. Te odeio, mas gosto
de você também. Ai, que ódio de mim.
Das
Dores puxa Carlão e o beija com vontade.
Corta
para:
Cena
21. Hotel/ Fachada/ Ext./ Noite.
Das
Dores e Carlão estão se beijando com muito entusiasmo, na frente de um pequeno
hotel “Beira de estrada”, com uma pequena plaqueta velha na entrada, com uma
porta de madeira.
Das
Dores – A gente vai transar nesse pulgueiro?
Carlão
– Por
mim pode ser aqui na rua mesmo. Tô com muito tesão em você.
Das
Dores – Seu bruto.
Carlão
– Sua
patricinha.
Das
Dores – Já que estamos aqui, vamos lá!
Das
Dores entra no hotel, Carlão a segue.
Corta
para:
Cena
22. Discoteca CELEBRARE/ Salão Principal/ Int./ Noite.
Donna
está no palco cantando “Boogie Oogie Oogie”. Várias pessoas dançando,
conversando e bebendo. Clima de descontração. Beto e Sandra estão no meio da
pista, dançando.
Sandra
– Beto,
tô preocupada com a Cíntia.
Beto
– Deixa
a menina, coitada!
Sandra
– Tá
bem. Vamos curtir a noite então.
Beto
– Hoje
eu só saio daqui quando o sol raiar. Aliás, esse é o objetivo da festa: “Fique
até o sol raiar, ame sem fronteiras”.
Sandra
– Arrazô.
Sandra
e Beto continuam dançando.
Corta
para:
Cena
23. Hotel/ Quarto 07/ Int./ Noite.
Das
Dores está nua deitada na cama, enquanto Carlão percorre a língua, desde os
lábios, passando pelos seios, até chegar ao sexo dela. Das Dores começa com um
gemido baixo.
Carlão
– Você
é melhor do que eu pensava.
Das
Dores – Você ainda não viu nada.
Carlão
tira sua roupa e começa a dar beijos quentes em Das Dores.
Corta
para:
Cena
24. Discoteca CELEBRARE/ Sala de Renato/ Int./ Noite.
Cíntia
está sentada em uma poltrona, já vestida, enquanto Renato está terminando de se
vestir.
Cíntia
– Você
fode muito bem.
Renato
– É,
foi bom mesmo.
Cíntia
– Te
vejo amanhã?
Renato
– Pra
que?
Cíntia
– Ué,
sei lá, acho que a gente poderia sair, fazer um programinha qualquer.
Renato
(seco) – Fala sério menina. O que rolou entre a gente foi só tesão, coisa
de pele. Agora acabou. Caça seu rumo.
Cíntia
(chocada) – Eu não tô entendendo.
Renato
– Além
de chata é lesada também. Vou explicar no bom e velho português: Eu te comi e
agora chega. Não quero mais nada com você. Se puder sumir da face da Terra, é
um favor que me faz.
Cíntia
começa a chorar.
Cíntia
– Isso
só pode ser mentira Renato. Eu confiei em você, eu te entreguei a minha
virgindade. Eu idealizei você como meu homem, meu namorado.
Renato
começa a rir de deboche.
Renato
– Você
é louca. Eu sou noivo, aliás, eu amo a Das Dores e ela me ama. É com ela que eu
vou casar. Você foi só um casinho, um desses casinhos paralelos, entende?
Cíntia
(chorando) – Isso não vai ficar assim Renato Kalil. Você ainda
será meu. Aguarde!
Cíntia
sai da sala aos prantos.
Corta
para:
Cena
25. Discoteca CELEBRARE/ Rua/ Ext./ Noite.
Está
chovendo e a rua está vazia. Cíntia sai da boate chorando e começa a andar
pelas ruas, tomando chuva.
Corta
para:
Cena
26. Mansão dos Guimarães/ Fachada/ Ext./ Dia.
Uma
enorme mansão em estilo de fazenda antiga, mas muito bem restaurada, de cor
azul celeste, com janelas e portas de madeira envernizada. Do portão até a
porta de entrada, tem um enorme caminho de palmeiras.
Um
táxi chega ao local. Close em Cíntia saindo do táxi.
Corta
para:
Cena
27. Mansão dos Guimarães/ Escritório/ Int./ Dia.
Um
escritório equipado com muitos livros e uma enorme mesa de reunião, onde se
encontram Renato e Branco, analisando alguns papeis.
Branco
– Na
inauguração, nosso lucro foi de quase 500%. Um sucesso arrebatador. Superou
qualquer expectativa.
Renato
(feliz) – Isso quer dizer que.../
Branco
(corta) – Que vou investir cada vez mais na CELEBRARE e cada vez mais na
sua carreira de promoter de eventos e administrador de empresas.
Renato
(pomposo) – Fico feliz doutor Branco.
Branco
– Se
você se casar com a Das Dores, só terá o que ganhar. Te garanto!
Nesse
instante alguém bate a porta e entra. É a empregada.
Empregada
– Com
licença doutor Branco, mas tem uma moça insistindo para falar com o doutor
Renato. Ela disse ser urgente.
Branco
olha Renato com surpresa.
Renato
– Deve
ser alguma das meninas da limpeza. Será que algo está errado na Discoteca?
Branco
– Para
de ficar supondo e vai ver o que é.
Renato
(saindo) – Com licença.
Renato
sai do escritório.
Corta
para: Sala de Estar.
Uma
enorme sala, com um grandioso lustre de cristal no teto. Sofás rústicos,
lembrando as fazendas do período do café e um tapete vermelho no centro da
sala. Cíntia está sentada, mas se levanta assim que Renato chega à sala.
Renato
(indignado) – Ah não, você não. Eu devo ter colado chiclete na
cruz pra ter tamanha aporrinhação logo pela manhã. Garota se toca, eu tô
trabalhando.
Cíntia
– Olha
as minhas olheiras, eu não consegui dormir.
Renato
– Azar
o seu. Eu dormi feito um anjo.
Cíntia
– Não
é possível que você esteja me descartando. Não é possível que você queira me
humilhar a cada dia.
Renato
– Se
liga, nós nunca teremos nada mais. Acabou. Eu só queria te comer e consegui.
Agora vaza daqui.
Cíntia
– Por
favor, Renato, não me humilhe assim.
Renato
– Como
você me achou aqui?
Cíntia
– Eu
fui a sua casa e lá me disseram que você estava aqui, na casa do Branco
Guimarães.
Renato
– Você
só piora tudo. Vai embora Cíntia. Esqueça que um dia a gente se conheceu.
Cíntia
– Não
dá. Eu me entreguei a você. Tô precisando do seu carinho, do seu cuidado. Eu te
quero.
Cíntia
se ajoelha aos pés de Renato.
Cíntia
(ajoelhada) – Por favor, pelo amor de Deus, fica comigo!
Renato
– Some
daqui sua piranha.
Cíntia
segura nos pés de Renato, que acaba lhe dando um chute no rosto, fazendo-a cair
no chão.
Cíntia
– Nem
que eu tenha que mover Céus e Terras, mas você será meu Renato Kalil.
Renato
– Vá
pro inferno.
Cíntia
se levanta e sai da casa. Branco vem do escritório.
Branco
– Quem
era?
Renato
– Uma
ladra pedindo emprego.
Branco
– Já
dispensou?
Renato
– Mas
é claro que sim. Falei logo que não aceitávamos marginais na discoteca. Agora
vejam só, que audácia dessa classezinha subalterna.
Branco
– Vamos
voltar a nossa contabilidade?
Renato
– É
pra já doutor.
Branco
e Renato voltam para o escritório.
Corta
para:
Cena
28. Ponto de ônibus/ Ext./ Dia.
Cíntia
está sentada no ponto, aos prantos, quando ela olha para um anúncio com os
seguintes dizeres: “Está se sentindo
humilhada? Triste e solitária? Nós temos a solução para você. Tenha seu amado
de volta. Nefertiti garante tudo!”.
Cíntia
pega um papel e uma caneta em sua bolsa e anota o número de telefone.
Cíntia
(pra si) – Eu disse que você iria voltar a ser meu Renato
Kalil.
Segundos
depois o ônibus vem, Cíntia faz sinal e embarca.
Corta
para:
Cena
29. Apartamento/ Quarto/ Int./ Dia.
Donna
está deitada na cama fumando um cigarro, enquanto Das Dores anda pelo quarto,
com um sorriso enorme no rosto.
Donna
– Então
quer dizer que a senhorita foi capaz de trair o Renato?
Das
Dores – Xiu, fala baixo! Se alguém escuta meu bem, posso perder o
Renato.
Donna
– Fica
com esse tal de Carlão menina. Ele não gosta de você?
Das
Dores (pensativa) – Não. O Carlão tem tesão em mim, mas gostar, ele não
gosta não. Além do mais ele é pobre e irmão daquela vadia que briguei na
sexta-feira.
Donna
– Que
horas tem?
Das
Dores (olhando seu relógio) – São dez da manhã.
Donna
(levantando apressada) – Eu marquei onze horas. Estamos atrasadas.
Das
Dores – Marcou o que?
Donna
– Com
a cigana, lembra? Eu liguei pra ela e marquei 11 da manhã de hoje. Ela reservou
uma hora pra gente.
Das
Dores se senta na cama.
Donna
– Vai
me dizer que você está com medo agora?
Das
Dores – Não é medo. É receio, entende? E também, vai que essa mulher
fala mentira aí.
Donna
– A
Cigana Alba não mente. Ela é reconhecida em toda a Região. Barra do Piraí,
Volta Redonda, Rio das Flores, Paraíba do Sul, todo mundo conhece a fama da
Cigana Alba.
Das
Dores – Charlatã. Isso que essa pobre coitada deve ser. Ela engana os
bobos por aí.
Donna
– Quer
saber, eu vou ligar e desmarcar essa consulta. Você aí cheia de dúvidas, mas ao
mesmo tempo cheia de medos. Fraca, isso que você é. E dessa forma vai perder o
Renato, porque homem gosta de mulher forte, que tenha fibra.
Donna
pega o telefone e começa a discar.
Das
Dores – Desliga essa porcaria. Eu vou até a tenda dessa mulher. Melhor
testar logo o meu relacionamento. Põe uma roupa e vamos.
Close
em Das Dores pensativa.
Corta
para:
Cena
30. Casa de Cíntia/ Quarto/ Int./ Dia.
Cíntia
e Sandra estão deitadas na cama, uma em cada ponta. Cíntia está arrasada.
Conversa já em andamento.
Sandra
– Eu
não acredito que você foi se humilhar desta forma.
Cíntia
– Eu
amo aquele homem. Amo ele mais do que a mim, além do que, aquilo não foi me
humilhar. Eu estive lá para demonstrar o meu amor por ele.
Sandra
– Ele
te deu um chute no rosto. Acorda Cíntia, esse homem não te quer. Ele apenas te
usou, te ludibriou. Esquece o Renato e muda de vida.
Cíntia
– Não
dá Sandra. Esse amor é mais forte do que eu.
Sandra
– Quando
um não quer, dois não amam.
Cíntia
(pensativa) – Veremos.
Sandra
(assustada) – Eu não gosto nada desse seu olhar, o que você tá
pensando?
Cíntia
pega sua bolsa e retira um papel, com alguns números anotados.
Cíntia
– Aqui
está o número.
Sandra
– O
que é isso?
Cíntia
– Chama-se
Nefertiti e é ela quem vai trazer o Renato pra comer na palma da minha mão.
Cíntia
se levanta da cama.
Cíntia
– Eu
banquei a idiota no início desta história, mas chegou a hora do Renato ser meu
cachorrinho. Chegou a hora da Cíntia usá-lo como bem entender.
Sandra
– Cuidado
Cíntia. Mexer com forças espirituais pode ser um grande problema.
Cíntia
– Com
essa mulher, garanto que só encontrarei solução. E também, eu não tenho mais
nada a perder. Agora o Renato vai sentir a minha força, a minha ira. Uma mulher
enganada é capaz de tudo. TU-DO!
Cíntia
pega o telefone, começa a discar os números, em seguida fala com alguém. Áudio
Cortado. Close em Sandra, receosa.
Corta
para:
Cena
31. Tenda Cigana/ Int./ Dia.
Um
quarto todo escuro, iluminado apenas por velas, várias imagens ciganas e
estátuas de faraós espalhadas pelo local. Ao fundo um tapete no teto e embaixo
dele: Uma mesa redonda com uma cadeira de cada lado, em cima da mesa tem um
baralho e uma bola de cristal.
Das
Dores e Donna olham tudo com certo medo.
Das
Dores (cochichando) – Vamos embora daqui.
Donna
– Agora
que a gente chegou tão longe? Jamais.
Um
barulho de castanholas invade o local, de repente, aparece uma mulher morena,
com um turbante azul na cabeça e uma pequena pedra ametista no centro da testa.
Olhos bem marcados e roupas características de ciganas.
Donna
(a mulher) – A senhora é a Cigana Alba?
Cigana
Alba – Sou eu mesma.
Donna
– Eu
sou a moça que marcou o horário ontem pelo telefone.
Cigana
Alba – E sobre o que a moça quer saber?
Donna
– Não
é para mim, é para minha amiga.
Cigana
Alba pega nas mãos de Das Dores e a conduz para se sentar a mesa.
Cigana
Alba (a Donna) – Espera a gente lá fora.
Donna
sai da tenda.
Cigana
Alba se senta do outro lado da mesa, de frente para Das Dores.
Das
Dores – É sobre meu relacionamento. Sabe Cigana, eu tô com medo do que
pode acontecer. O Renato não me parece tão apaixonado.
Cigana
Alba (Embaralhando as cartas) – Homem é assim mesmo, nunca vai
estar sintonizado na gente. Mas o que te trouxe aqui parece ser mais sério.
Das
Dores – Eu quero saber se meu relacionamento vai durar.
Cigana
Alba coloca as cartas na mesa.
Cigana
Alba – Corta o baralho e faça três montes iguais.
Das
Dores faz o que lhe foi pedido.
Cigana
começa a colocar as cartas viradas e faz uma cara de surpresa.
Das
Dores (aflita) – O que tá acontecendo?
Cigana
Alba – Olha estas três cartas aqui. As cartas que regem o seu namorado
no momento.
Close
nas cartas: A CIGANA, A NUVEM, O CAIXÃO.
Das
Dores – O que isso quer dizer?
Cigana
Alba – Juntas, elas querem dizer que uma mulher quer destruir o seu
relacionamento, mas não está conseguindo. Porém esta instabilidade está
debilitando o seu relacionamento.
Das
Dores (preocupada) – Uma mulher? Quem é essa mulher e o que eu posso
fazer?
Cigana
Alba – Eu vou te dar um chá, uma oração cigana e também te passarei um
banho, para te fortalecer e quebrar essa corrente de inveja que vem com forças
do além.
Close
em Das Dores, muito preocupada.
Corta
para:
Cena
32. Discoteca CELEBRARE/ Fachada/ Ext./ Dia.
Pouco
fluxo de pessoas passando pelo local. O carro de Donna para e ela e Das Dores
descem do carro.
Donna
– Não
acredito que tem uma vagaba na área.
Das
Dores – Tudo que a Cigana falou, foi muito real, tudo muito crível.
Gente, eu tô chocada com isso.
Donna
– Mas
o que você vai fazer agora?
Das
Dores – Fora os chás, orações e banhos? Não sei. Tô me sentindo uma
idiota de estar nessa situação. Parece que sou protagonista de novela mexicana,
cruzes.
Donna
– Preciso
ir. Tem certeza que quer ficar aqui na Discoteca? Eu posso te deixar em casa,
ou você vai lá pro meu apê.
Das
Dores – Eu quero aproveitar que meu pai está com o Renato lá em casa.
Vou fuçar nas coisas dele aqui.
Donna
– Então,
seja o que Deus quiser e boa sorte.
Donna
entra no carro e dá partida. Das Dores respira fundo e entra na discoteca.
Corta
para:
Cena
33. Casa de Cíntia/ Quarto/ Int./ Dia.
Cíntia
está desligando o telefone, enquanto Sandra permanece deitada na cama, olhando,
curiosa, para a amiga.
Sandra
– E
aí?
Cíntia
(confusa) – Uma tal de Mãe Paola que me atendeu. Disse que é
para eu resolver esse meu conflito com ela hoje, no terreiro de Nefertiti.
Sandra
– Num
tô gostando nada dessa história. Mas também, você nem deveria ter contado pra
essa anônima, a sua vida. Você contou tudo.
Cíntia
– Não
tinha como ela me ajudar sem saber do que se tratava. Contei mesmo, eu não dei
nome aos bois. Ela falou que passaria tudo para a tal Nefertiti. Hoje, as oito
da noite, terei que estar nesse terreiro.
Sandra
– Ela
te passou o endereço?
Cíntia
– Centro
de Magia Negra Mãe Paola. Na divisa de Valença com Barra do Piraí.
Sandra
– E
você vai?
Cíntia
– Nós
vamos. Você vem comigo.
Sandra
olha Cíntia com ar de preocupação.
Corta
para:
Cena
34. Discoteca CELEBRARE/ SALA de Renato/ Int./ Dia.
Das
Dores está vasculhando todas as gavetas da sala. Procurando em estantes,
fazendo uma verdadeira bagunça. Ela abre uma última gaveta e começa a fuçar em
tudo lá, quando Renato aparece de surpresa.
Renato
(sério) – O que você está procurando na minha gaveta? Perdeu algo?
Das
Dores olha surpresa para Renato. Close final no olhar sério dele.
Corta
para:
FIM

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