sábado, 16 de maio de 2015

Episódio 2: Pecado original

Personagens deste episódio:
Ádamo
Beto
Branco
Carlão
Cigana Alba
Cíntia
Das Dores
Donna
Glória
Luís
Renato
Sandra
Participação Especial:
Mulher
Segurança

Continuação do Episódio anterior.
Cena 01. Jardim de Cima/ Exterior/ Dia.
Close em Cíntia, de pé, no meio da praça.
Cíntia (olhando o relógio) – Exatamente 5 da tarde.
Cíntia olha para um lado e vê Renato vindo em sua direção, olha para o outro lado e vê Ádamo também caminhando em sua direção.
Cíntia (desesperada) – E agora o que faço?
Cíntia desesperada corre para o lado de Renato e o abraça inesperadamente.
Renato (surpreso) – Isso tudo é alegria?
Cíntia continua abraçada em Renato e vê Ádamo passar por eles, desapontado.
Cíntia (cochichando) – Me tira daqui?
Cíntia então vê Ádamo se distanciando, até perdê-lo de vista.
Corta para:
Cena 02. Motel Loves/ Fachada/ Ext./ Dia.
CAM abre no letreiro “LOVES” e vai revelando toda a fachada do motel, com uma grande ladeira, toda em grama, na entrada. Uma rodovia em frente, com grande fluxo de carros e caminhões.
Close em um carro, Corcel II GT de cor prata chegando ao local.
Corta para:
Cena 03. Carro/ Int./ Dia.
Renato para o carro na portaria e olha para Cíntia, que está nervosa.
Renato – Pronto! Te tirei do jardim.
Cíntia (receosa) – Mas não era bem esse lugar que eu estava me referindo.
Renato – Não achou que iríamos a um cinema ou a um restaurante, né?
Cíntia fica cabisbaixa.
Renato então, segura o queixo de Cíntia e com doçura, a faz olhar dentro dos seus olhos.
Renato (meigo) – Ei broto, não fica assim. Eu não sou de cinema, mas garanto que posso te levar aos céus. Cola em mim.
Cíntia dá um sorriso, a cancela da entrada se abre então Miguel dá partida no carro, que adentra ao motel.
Corta para:
Cena 04. Discoteca CELEBRARE/ Entrada Principal/ Ext./ Dia.
Close na rua, com nenhum movimento. De longe, vemos Das Dores entrar, apressadamente, na discoteca.
Corta para:
Cena 05. Discoteca CELEBRARE/ Salão Principal/ Int./ Dia.
Música ambiente em som baixo “Street Life”.  Plano geral do local, com: DJ passando o som e testando a iluminação. Algumas pessoas limpando o salão principal, o palco e adjacentes.
Close no bar, onde uma mulher está repondo as bebidas no freezer.
Das Dores olha todo o local, procurando por alguém, que não encontra e se encaminha até o bar.
Close no bar.
Das Dores (chegando) – Ei!
A mulher para de repor as bebidas e olha para Das Dores.
Mulher (educada) – Pois não, Dona Das Dores, em que posso lhe ser útil?
Das Dores – Onde tá o Renato?
Mulher – O senhor Renato ainda não chegou.
Das Dores – Como é que é? Como assim não chegou? Ele deveria estar aqui.
Mulher – Pode perguntar o DJ, que está à espera dele desde mais cedo. O doutor Renato ainda não pareceu.
Das Dores – Você só pode estar enganada. Eu estive na casa dele e a mãe dele me jurou que o safado estaria aqui.
Mulher – Então deu dilti. Pelo que vejo vocês se desencontraram.
Das Dores se senta em um banco próximo ao balcão.
Das Dores – Me serve.
Mulher – Água ou refrigerante?
Das Dores – Meu bem, eu quero champanhe, uma garrafa. A mais cara que tiver.
A mulher então trás o champanhe e Das Dores se serve, com cara de poucos amigos.
Corta para:
Cena 06. Motel Loves/ Quarto/ Int./ Dia.
Cíntia está sentada na cama, recatada e totalmente envergonhada, quando Renato vem do banheiro sem camisa, com os cabelos molhados e enrolado em uma toalha branca.
Renato – Pronto, agora sou todo seu tchuka.
Cíntia (assustada) – Que isso?
Renato – Não era disso que você tava afim?
Cíntia fica nervosa e sem reação. Renato a deita na cama com beijos avassaladores. Renato tira a blusa de Cíntia em uma rápida ação, deixando-a de sutiã, apenas.
Cíntia – Para!
Renato – Por quê? Eu tô curtindo demais, você tem a pele tão lisinha.
Cíntia – Eu não posso... Não dá... Eu, como que eu vou dizer?... Eu sou virgem.
Renato olha espantado para Cíntia.
Cíntia – Eu sei isso é tolice, mas eu sou virgem.
Renato (com desejo) – Agora eu te quero mais que nunca.
Cíntia – Eu tô com medo. Não sei se essa é a hora.
Renato – Já passou da hora dessa flor desabrochar. Vou fazer gostoso e você não vai esquecer nunca mais de mim.
Renato começa a beijar Cíntia com muito tesão. Tira-lhe o sutiã e começa a acariciar seus seios. Entre os beijos e amassos, Renato tira sua toalha e começa a sarrar Cíntia, que se entrega totalmente.
Corta para:
Cena 07. Pontos Turísticos/ Ext./ Dia-noite.
(Música “Boogie Oogie Oogie” – Taste of houney). Transposição do dia para a noite em um clipe com os principais pontos turísticos, começando pelo Cruzeiro Municipal, passando pela Serra dos Mascates e Terminando na Rua dos mineiros, com Cíntia e Sandra sentadas em um banco conversando, Cíntia feliz (com a mesma roupagem da cena anterior) e Sandra chocada.
Sandra (chocada) – Tô passada. Quem diria que você seria a primeira de nós a perder a virgindade.
Cíntia – Fala baixo.
Sandra (curiosa) – Mas me conta mulher, como foi?
Cíntia (fascinada) – Foi tudo muito perfeito. Ele é carinhoso e um tesão ao mesmo tempo. É como se fosse um lorde e ao mesmo tempo um tigre.
Sandra – Eu acho que tem alguém apaixonada aí.
Cíntia sorri.
Sandra – Acertei na mosca. Minha amiga apaixonada pelo Renato Kalil.
Cíntia – Não vou negar, ele me encantou com o charme dele. Tô tomada por aquele homem. Nas mãos dele, a gente se sente o centro do universo. Nada mais importa.
Sandra – E então, vamos até a discoteca hoje?
Cíntia (se levantando) – É claro, me busque antes das onze hein.
Sandra – Pode deixar.
Sandra e Cíntia se despedem e cada uma vai para um lado.
Corta para:
Cena 08. Discoteca CELEBRARE/ Salão Principal/ Int./ Noite.
A boate está vazia, apenas com alguns funcionários no local. Renato entra apressado e se encaminha direto a sua sala.
Corta para: SALA DE Renato.
Renato entra e se assusta, ao ver Das Dores sentada em sua cadeira tomando champanhe.
Das Dores – Oi!
Renato (intrigado) – Oi.
Das Dores – Você sumiu hoje né.
Renato – Não inventa, passei o dia aqui.
Das Dores – Jura? Porque eu também passei o dia aqui e não te vi. Aliás, eu, o DJ, as faxineiras, ninguém te viu aqui hoje.
Renato – Você não pode entrar aqui a hora que quiser. Isso aqui é uma empresa e tem horários de visitação para o público comum.
Das Dores – Acontece que eu não sou comum. Quem manda aqui é meu pai, você é apenas mais um funcionário dele. A ideia pode até ser sua, mas o patrocínio, a bufunfa é do meu pai.
Renato – Vai jogar na minha cara agora? Vai querer ser melhor do que eu?
Das Dores – Eu sou melhor que você. Mas não distorça a história, o fato é que você não apareceu aqui hoje e saiu de casa cedo, eu estive lá.
Renato – Quer dizer agora que você vai ficar me procurando por todos os cantos.
Das Dores – Como sua futura noiva, eu farei pior.
Renato – Bom saber, assim eu não caso.
Das Dores – Bom saber, assim eu não patrocino essa merda.
Das Dores se levanta e se prepara para sair, Renato, no impulso, a abraça, muito forte.
Renato – Desculpa amor. Eu saí pra beber com os amigos. Deveria ter te avisado.
Das Dores – Tudo bem. Mas na próxima vez, trata de ser mais gentil comigo. Quem assina os cheques aqui, ainda sou eu. Pensa bem!
Das Dores pega a sua bolsa.
Renato – Vai vir hoje?
Das Dores – Tô estourando de dor de cabeça. A gente se fala amanhã.
Renato – E meu beijo?
Das Dores dá um selinho rápido em Renato e sai.
Corta para:
Cena 09. Casa de Cíntia/ SALA/ Int./ Noite.
Luís e Carlão estão sentados no sofá conversando.
Carlão – Precisava ver pai. Ela lá se atracando com a outra feito uma puta.
Luís – Modere o tom Carlão.
Carlão – Desculpa pai, mas era chocante ver a Cíntia rolando no chão daquela discoteca com a filha do seu patrão.
Luís (surpreso) – A Cíntia brigou com a...
Carlão (corta) – Das Dores, filha do Branco Guimarães. Agora imagina se a burguesinha descobre que a Cíntia é filha do empregado do pai dela? É rua na certa.
Luís – Mas o que essa menina tem na cabeça?
Carlão – A Cíntia tem cocô de pombo no lugar de neurônio. Se eu fosse o senhor, deixá-la-ia de castigo.
Luís – Mas é isso que farei mesmo.
Nesse instante Glória aparece, com um saião jeans e uma bíblia na mão.
Glória – Estou indo pro culto. Alguém quer ir?
Carlão – Nem vai rolar ir nessa bagaça mãe.
Glória (séria) – Não é bagaça não garoto. É a casa do senhor. É louvar, exaltar o meu Deus.
Luís – Glória, tô colocando a Cíntia duas semanas de castigo.
Glória – Mas por quê?
Luís – Ela ontem, no fim da festa, se atracou no chão com a Das Dores Guimarães, filha do meu chefe.
Glória – Tá amarrado em nome de Jesus. Não acredito que a Cíntia tá nessa perdição.
Carlão – Eu que a tirei do meio da briga. Senão mãe, a coisa iria tomar proporções gigantescas.
Glória olha para o relógio pendurado na parede da sala.
Glória – Adorei o castigo, é merecido. Agora eu vou louvar o meu senhor.
Glória sai da casa com sua bíblia e Carlão continua conversando com Luís.
Corta para:
Cena 10. Apto./ Quarto de Donna/ Interior/ Noite.
O quarto está uma bagunça, com garrafas de bebidas, bitucas de cigarros e roupas usadas, espalhadas por todo o local. Donna está a todo instante tirando roupa do armário e colocando em cima da cama, a fim de analisar a melhor, enquanto Das Dores anda atrás dela, repetindo seus passos.
Donna (indecisa) – Vou de vestido ou saia?
Das Dores – Mas o Renato me paga, olha a audácia dele em sair pra beber com os amigos e me deixar lá, esperando por ele horas e horas. Me senti uma favelada na fila do SUS.
Donna pega uma saia e uma blusa na mão e olha para Das Dores.
Donna – Combina?
Das Dores – Você ouviu o que eu falei Donna?
Donna – Ouvi, e quer saber o que acho?
Das Dores – Fala de uma vez.
Donna – Você tá sufocando o Renato, da mesma forma que sufocou o José, o Miguel, o Cláudio. Você vai acabar perdendo mais um “grande amor”. Deixa de ser pé no saco. Esquece, desapega, finge que não está nem aí pra hora do Brasil, pessoas gostam daquilo que não tem. Você fica aí se oferecendo, feito peru de natal. Falta só rechear com farofa e se servir em uma bandeja de prata na porta da casa do cara.
Das Dores (exaltada) – E você quer que eu faça o que? Que fique parada, feito uma parede dessas daqui, esperando que ele me procure? Meu bem, homem gosta de mulher que tá ali, em cima dele, fitando cada passo, cada ação. Eles gostam é de IBOPE, de aparecer e serem vistos. Caso contrário, eu me tornaria uma aspirante à cantora, pegaria minha mochila e sairia dando a volta ao mundo sozinha.
Donna – Eu não vou nem me dar ao trabalho de te responder. Estou acima dessas suas picuinhas.
Donna continua tirando roupas de seu armário e colocando na cama, enquanto Das Dores fica pensativa.
Corta para:
Cena 11. Casa de Cíntia/ Sala/ Int./ Noite.
Luís está sentado assistindo TV. Quando Carlão desce as escadas todo arrumado.
Carlão – Tô indo pra rua com os amigos pai.
Luís – Vá com Deus e cuidado nessa estrada hein.
Carlão (saindo) – Pode deixar.
Carlão sai. Cíntia desce as escadas todas produzida, com um lindo vestido de cetim azul.
Luís – Onde você pensa que vai?
Cíntia – Vou para a CELEBRARE. Marquei com o Beto e a Sandra.
Luís – Você não vai. Está de castigo.
Cíntia (surpresa) – Castigo? Mas eu nem fiz nada.
Luís – Ficar se descabelando e rolando no chão com outra garota na discoteca é o que?
Cíntia – Claro, era de se esperar, o Carlão passou todas as informações pro senhor né? Sinto lhe dizer, mas ele aumentou demais essa história.
Luís – Ah é? Vai me dizer que vocês duas estavam acordando suas células faciais de uma forma diferente?
Cíntia – Meu Deus, quanta ignorância num único ser. Pai, o Carlão quer me ver presa, feito uma criminosa.
Luís – Nada que você fale, vai garantir sua mordomia. Você está de castigo. CAS-TI-GO!
Cíntia sente uma enorme raiva, mas se controla e sobe as escadas pisando duro.
Luís (pra si) – Um dia você ainda vai me agradecer, ah se vai!
Corta para:
Cena 12. Casa de Cíntia/ Quintal/ Exterior/ Noite.
CAM focaliza a janela do quarto de Cíntia, no andar superior da casa, com as luzes apagadas. De repente, é jogado dessa janela: um par de sapatos (os mesmos que Cíntia usou na cena anterior). A luz do quarto se acende e Cíntia joga uma corda para fora da janela. A luz se apaga novamente, e ela começa a escalar o quarto pela corda, até chegar ao chão.
Já no chão, Cíntia calça os sapatos e sai na pontinha do pé.
Corta para:
Cena 13. Discoteca CELEBRARE/ Portaria/ Ext./ Noite.
Ouve-se ao fundo a música “Like a Virgin” – Madonna. Várias pessoas na fila para entrar. E muito próximo, inúmeros grupos de pessoas conversando, bebendo e fumando.
Corta para:
Cena 14. Discoteca CELEBRARE/ Salão Principal/ Int./ Noite.
(Música ambiente “Like a Virgin” – Madonna). Clima de descontração, vozerio, pessoas alegres dançando, bebendo e conversando. Ao lado da pista de dança, vemos Ádamo e Carlão, tomando cerveja e conversando. Close neles.
Ádamo (cabisbaixo) – Cara levei o maior toco da mina hoje.
Carlão – Sério?
Ádamo – Pensei que fosse princesa, mas era só uma bruxa mesmo. Acredita que a mina me viu no local marcado e foi para os braços de outro?
Carlão – Maior otária hein. Odeio essas piranhas que fazem isso.
Ádamo – Eu sei muito bem do que você gosta. E o que você gosta, acabou de chegar ali.
Carlão e Ádamo param de conversar e voltam seu olhar para a pista de dança. Donna e Das Dores estão chegando ao local. Close especial em Das Dores, que está incrivelmente linda. Close final em Carlão, totalmente boquiaberto e babando.
Corta para:
Cena 15. Santana bar/ Int./ Noite.
O local está com movimento médio. Maioria dos fregueses são homens acima dos 40 anos. Beto e Sandra estão sentados a uma mesa, visivelmente impacientes.
Sandra (impaciente) – Aposto que a Cíntia deu um bolo na gente.
Beto olha no relógio e em seguida encara Sandra.
Sandra – Uma cerveja?
Beto – Será que vão vender? Somos menores de idade.
Sandra abre sua bolsa e retira uma identidade.
Sandra (balançando a identidade) – E para que serve ter uma irmã mais velha? Garanto que não é só pra ter aborrecimento.
Beto (sorrindo) – Então essa noite vamos beber muito.
Sandra – Já que a Cíntia, que é a detentora dos ingressos para a CELEBRARE não veio, o jeito é encher a cara de birita aqui mesmo.
Nesse instante Cíntia chega correndo ao local e vai até a mesa onde estão Beto e Sandra.
Cíntia (ofegante) – Demorei, mas cheguei.
Sandra – Achei que nem viria mais.
Cíntia – É meu pai, ou melhor, a besta do Carlão.
Sandra – Você quis dizer, a delícia do Carlão né. Que pedaço de homem meu Deus. Chego a ficar arrepiada só de pensar. Ui!
Beto (a Sandra) – Manera o tom. (a Cíntia) – O que o seu irmão fez dessa vez?
Cíntia (se sentando) – Acredita que o idiota contou pro papai da minha briga de ontem? Aí deu nessa: castigo.
Sandra – E como você saiu?
Cíntia – Pela janela. Então, pra que valeu ficar sete anos como escoteira do SOS Serra dos Mascates?
Beto – Não vamos perder tempo, vamos pra Discoteca.
Cíntia – Não. Antes eu quero beber. Beber muito.
Sandra pega a identidade, se levanta e se encaminha ao balcão.
Corta para:
Cena 16. Discoteca CELEBRARE/ Salão Principal/ Int./ Noite.
Festa já muito movimentada. Música ambiente “Boogie Oogie Ogie”. Pessoas dançam, conversam, bebem e riem.
Close em Das Dores e Donna, sentadas a uma mesa.
Das Dores – Eu acho tudo isso daqui um porre.
Donna – Eu adoro festas.
Das Dores – Será que o Renato vai me ver aqui?
Donna – Acho que não. Ele deve estar circulando pelos bastidores. Afinal de contas, para que uma festa fique bonita, os bastidores precisam estar alinhados.
Das Dores - Com sinceridade, quanto tempo você acha que esse meu namoro dura?
Donna – Não sei. Mas eu conheço uma cigana que tem um baralho que nunca mente. Tá a fim de ir lá amanhã?
Das Dores fica pensativa.
Das Dores – Não tenho nada a perder mesmo. Amanhã estaremos lá.
Donna se levanta da mesa.
Das Dores – Aonde você vai?
Donna – Vou fazer o que mais gosto... Cantar!
Das Dores – De graça?
Donna – Eu fui contratada pelo seu pai para ser cantora fixa na discoteca.
Das Dores – Então, boa sorte!
Donna então se encaminha ao palco. Das Dores fica sentada observando.
Close em Donna, no palco, cantando “Street Life”.
Close em Carlão, chegando próximo a Das Dores. Ele então se senta a mesa onde ela está.
Das Dores – Ah não, você não. Não é possível que Jesus Cristo tenha escolhido justo a mim pra castigar.
Carlão – Eu sou tão má companhia assim?
Das Dores – Má? Não. Você é péssimo. Inconveniente e muito chato.
Carlão – Alguém já te disse que você tá linda?
Das Dores – Já. O meu namorado falou agora a pouco.
Carlão – Além de linda, arrogante e mimada, você agora é mentirosa? Eu vi quando você chegou e o Renato, sequer te viu. Uma pena, ele não sabe o que tá perdendo.
Das Dores – Você veio à festa pra se divertir ou pra ficar na minha cola?
Carlão – E se a minha diversão for ficar na sua cola?
Das Dores (emburrada) – Você é um chato. Eu sou fiel ao meu noivo.
Carlão – E por acaso eu pedi para você traí-lo?
Das Dores pega um copo de cerveja e joga na blusa de Carlão.
Das Dores – Vá se refrescar na puta que te pariu.
Das Dores se levanta da mesa e sai pisando duro, Carlão se levanta e vai atrás dela.
Corta para:
Cena 17. Discoteca CELEBRARE/ Porta de entrada/ Exterior/ Noite.
Cíntia, Beto e Sandra estão na fila para entrar. Cíntia está visivelmente bêbada.
Cíntia – É hoje que eu faço o que quero nessa discoteca mesmo.
Sandra – Rilex Cíntia, vá com calma. Se é o que tô pensando, vai com calma. Você já fez hoje e isso não é assim.
Cíntia – Ih, qual foi? Vai ficar me regulando agora dona Glória? Eu sou uma onça no cio, sou uma mulher insaciável agora.
Sandra entra, enquanto o segurança trava a roleta na vez de Cíntia.
Cíntia (brava) – Vai liberar minha entrada não?
Segurança (educado) – Só um instante, estamos controlando o fluxo. Já já a senhorita entra.
Cíntia (gritando) – Eu quero entrar agora. Sabe quem eu sou? Cíntia Vêneto, a namorada e futura noiva do Renato Kalil, dono dessa discoteca.
Mesmo contrariado, o segurança deixa Cíntia entrar no exato momento. Enquanto Cíntia entra por uma porta, na porta ao lado Das Dores sai pisando duro, logo atrás vem Carlão.
Carlão (a Das Dores) – Dá pra me esperar?
Das Dores – Vá pro inferno.
Das Dores sai andando na frente pela rua, e Carlão vai atrás.
Corta para:
Cena 18. Discoteca CELEBRARE/ Bar/ Int./ Noite.
Donna está no palco cantando “Menina Veneno”, enquanto Beto, Sandra e Cíntia estão sentados nas banquetas do bar, com suas bebidas apoiadas no balcão.
Cíntia (bêbada) – Quero mais uma dose de conhaque, gente.
Sandra – Nem pensar, você já bebeu todas por hoje.
Beto – Para um pouco Cíntia, senão vai fazer vexame e você sabe que o Carlão está por aqui.
Cíntia – Vocês são uns malas. Quer saber? Vou dar um rolé pelo salão e depois ir ao encontro do meu namorado.
Cíntia se levanta e sai em direção ao salão.
Sandra (a Beto) – Ela não aprende. Tá encantada por esse dono da discoteca.
Beto – Algo me diz que ela vai quebrar a cara.
Corta para o SALÃO.
Donna está cantando “Como eu quero – Kid Abelha”
Salão movimentado, pessoas dançando. Cíntia para em frente ao palco e começa a dançar, de longe Ádamo a vê e vai em sua direção. Ádamo segura Cíntia pelo braço.
Ádamo (sério) – A gente precisa conversar, vem!
Ádamo arrasta Cíntia para um local menos movimentado do salão.
Cíntia (indignada) – Qual foi? Nós não temos nada a conversar.
Ádamo – O que você fez hoje a tarde foi papel de piranha, PI-RA-NHA!
Cíntia – E se eu for uma piranha? E se eu for mesmo uma puta? Tem problema?
Ádamo – Comporte-se feito uma mulher decente.
Cíntia – Vai tomar no cu e me esquece.
Cíntia sai andando e deixa Ádamo com muita raiva. Close em Cíntia entrando no escritório de Renato.
Corta para:
Cena 19. Discoteca CELEBRARE/ Escritório/ Int./ Noite.
Renato está assinando alguns contratos, quando Cíntia entra no local de forma avassaladora.
Renato (assustado) – O que é que você tá fazendo aqui?
Cíntia (com sedução) – Diz que não é o meu corpo que você deseja?
Renato se levanta, meio indignado.
Renato (sério) – Menina sai daqui, por favor.
Cíntia começa a tirar o vestido.
Renato – Aqui é meu local de trabalho. Eu quero que você saia.
Cíntia tira o vestido, ficando apenas de calcinha, sutiã e salto.
Cíntia (com desejo) – Diz que você não gostou do que viu?
Renato olha impaciente para os contratos, cata Cíntia com brutalidade, a joga em cima da mesa e começa a beijá-la com muito tesão.
(Música “i don’t can stop – Maurício Maniere”).
Corta para:
Cena 20. Rua dos Mineiros/ Ext./ Noite.
Das Dores está andando depressa, pisando duro, enquanto Carlão vem atrás dela.
Carlão – Espera aí.
Das Dores – Esqueça que eu existo. Vá buscar sua irmãzinha na creche.
Carlão corre, apanha Das Dores e a segura firme em seus braços.
Das Dores (tentando se desvencilhar) – Me larga! Me solta seu grosso.
Carlão – Para de graça.
Das Dores – Eu vou gritar.
Carlão – Xiu, não faça isso.
Das Dores (Gritando) – Socorro! Socorro! Soco/
Carlão cala Das Dores com um longo beijo apaixonante. Das Dores tenta resistir, mas no fim beija Carlão com vontade.
Carlão para de beijar Das Dores, que lhe dá um tapa no rosto.
Das Dores – Nunca mais faça isso.
Carlão – A decisão é somente sua. Eu não vou mais correr atrás de você.
Carlão vai saindo.
Das Dores – Não. Espera!
Carlão para de andar, mas fica de costas pra ela.
Das Dores – Aonde você vai?
Carlão – Você está sempre odiando a minha presença, não é? Pois então, eu desisti de correr atrás de você.
Das Dores – Eu sou noiva. Quer dizer, vou ficar noiva.
Carlão – Não vou te importunar mais... Por isso estou indo embora.
Das Dores – Não (pausa) Eu não sei o que estou sentindo. Mas é diferente de tudo que eu já senti. Ah, jornalista, você não sabe o quanto estou envolvida por você.
Carlão – Para de fingimento.
Das Dores – Você é mesmo um rude. Jornalista de merda. Te odeio, mas gosto de você também. Ai, que ódio de mim.
Das Dores puxa Carlão e o beija com vontade.
Corta para:
Cena 21. Hotel/ Fachada/ Ext./ Noite.
Das Dores e Carlão estão se beijando com muito entusiasmo, na frente de um pequeno hotel “Beira de estrada”, com uma pequena plaqueta velha na entrada, com uma porta de madeira.
Das Dores – A gente vai transar nesse pulgueiro?
Carlão – Por mim pode ser aqui na rua mesmo. Tô com muito tesão em você.
Das Dores – Seu bruto.
Carlão – Sua patricinha.
Das Dores – Já que estamos aqui, vamos lá!
Das Dores entra no hotel, Carlão a segue.
Corta para:
Cena 22. Discoteca CELEBRARE/ Salão Principal/ Int./ Noite.
Donna está no palco cantando “Boogie Oogie Oogie”. Várias pessoas dançando, conversando e bebendo. Clima de descontração. Beto e Sandra estão no meio da pista, dançando.
Sandra – Beto, tô preocupada com a Cíntia.
Beto – Deixa a menina, coitada!
Sandra – Tá bem. Vamos curtir a noite então.
Beto – Hoje eu só saio daqui quando o sol raiar. Aliás, esse é o objetivo da festa: “Fique até o sol raiar, ame sem fronteiras”.
Sandra – Arrazô.
Sandra e Beto continuam dançando.
Corta para:
Cena 23. Hotel/ Quarto 07/ Int./ Noite.
Das Dores está nua deitada na cama, enquanto Carlão percorre a língua, desde os lábios, passando pelos seios, até chegar ao sexo dela. Das Dores começa com um gemido baixo.
Carlão – Você é melhor do que eu pensava.
Das Dores – Você ainda não viu nada.
Carlão tira sua roupa e começa a dar beijos quentes em Das Dores.
Corta para:
Cena 24. Discoteca CELEBRARE/ Sala de Renato/ Int./ Noite.
Cíntia está sentada em uma poltrona, já vestida, enquanto Renato está terminando de se vestir.
Cíntia – Você fode muito bem.
Renato – É, foi bom mesmo.
Cíntia – Te vejo amanhã?
Renato – Pra que?
Cíntia – Ué, sei lá, acho que a gente poderia sair, fazer um programinha qualquer.
Renato (seco) – Fala sério menina. O que rolou entre a gente foi só tesão, coisa de pele. Agora acabou. Caça seu rumo.
Cíntia (chocada) – Eu não tô entendendo.
Renato – Além de chata é lesada também. Vou explicar no bom e velho português: Eu te comi e agora chega. Não quero mais nada com você. Se puder sumir da face da Terra, é um favor que me faz.
Cíntia começa a chorar.
Cíntia – Isso só pode ser mentira Renato. Eu confiei em você, eu te entreguei a minha virgindade. Eu idealizei você como meu homem, meu namorado.
Renato começa a rir de deboche.
Renato – Você é louca. Eu sou noivo, aliás, eu amo a Das Dores e ela me ama. É com ela que eu vou casar. Você foi só um casinho, um desses casinhos paralelos, entende?
Cíntia (chorando) – Isso não vai ficar assim Renato Kalil. Você ainda será meu. Aguarde!
Cíntia sai da sala aos prantos.
Corta para:
Cena 25. Discoteca CELEBRARE/ Rua/ Ext./ Noite.
Está chovendo e a rua está vazia. Cíntia sai da boate chorando e começa a andar pelas ruas, tomando chuva.
Corta para:
Cena 26. Mansão dos Guimarães/ Fachada/ Ext./ Dia.
Uma enorme mansão em estilo de fazenda antiga, mas muito bem restaurada, de cor azul celeste, com janelas e portas de madeira envernizada. Do portão até a porta de entrada, tem um enorme caminho de palmeiras.
Um táxi chega ao local. Close em Cíntia saindo do táxi.
Corta para:
Cena 27. Mansão dos Guimarães/ Escritório/ Int./ Dia.
Um escritório equipado com muitos livros e uma enorme mesa de reunião, onde se encontram Renato e Branco, analisando alguns papeis.
Branco – Na inauguração, nosso lucro foi de quase 500%. Um sucesso arrebatador. Superou qualquer expectativa.
Renato (feliz) – Isso quer dizer que.../
Branco (corta) – Que vou investir cada vez mais na CELEBRARE e cada vez mais na sua carreira de promoter de eventos e administrador de empresas.
Renato (pomposo) – Fico feliz doutor Branco.
Branco – Se você se casar com a Das Dores, só terá o que ganhar. Te garanto!
Nesse instante alguém bate a porta e entra. É a empregada.
Empregada – Com licença doutor Branco, mas tem uma moça insistindo para falar com o doutor Renato. Ela disse ser urgente.
Branco olha Renato com surpresa.
Renato – Deve ser alguma das meninas da limpeza. Será que algo está errado na Discoteca?
Branco – Para de ficar supondo e vai ver o que é.
Renato (saindo) – Com licença.
Renato sai do escritório.
Corta para: Sala de Estar.
Uma enorme sala, com um grandioso lustre de cristal no teto. Sofás rústicos, lembrando as fazendas do período do café e um tapete vermelho no centro da sala. Cíntia está sentada, mas se levanta assim que Renato chega à sala.
Renato (indignado) – Ah não, você não. Eu devo ter colado chiclete na cruz pra ter tamanha aporrinhação logo pela manhã. Garota se toca, eu tô trabalhando.
Cíntia – Olha as minhas olheiras, eu não consegui dormir.
Renato – Azar o seu. Eu dormi feito um anjo.
Cíntia – Não é possível que você esteja me descartando. Não é possível que você queira me humilhar a cada dia.
Renato – Se liga, nós nunca teremos nada mais. Acabou. Eu só queria te comer e consegui. Agora vaza daqui.
Cíntia – Por favor, Renato, não me humilhe assim.
Renato – Como você me achou aqui?
Cíntia – Eu fui a sua casa e lá me disseram que você estava aqui, na casa do Branco Guimarães.
Renato – Você só piora tudo. Vai embora Cíntia. Esqueça que um dia a gente se conheceu.
Cíntia – Não dá. Eu me entreguei a você. Tô precisando do seu carinho, do seu cuidado. Eu te quero.
Cíntia se ajoelha aos pés de Renato.
Cíntia (ajoelhada) – Por favor, pelo amor de Deus, fica comigo!
Renato – Some daqui sua piranha.
Cíntia segura nos pés de Renato, que acaba lhe dando um chute no rosto, fazendo-a cair no chão.
Cíntia – Nem que eu tenha que mover Céus e Terras, mas você será meu Renato Kalil.
Renato – Vá pro inferno.
Cíntia se levanta e sai da casa. Branco vem do escritório.
Branco – Quem era?
Renato – Uma ladra pedindo emprego.
Branco – Já dispensou?
Renato – Mas é claro que sim. Falei logo que não aceitávamos marginais na discoteca. Agora vejam só, que audácia dessa classezinha subalterna.
Branco – Vamos voltar a nossa contabilidade?
Renato – É pra já doutor.
Branco e Renato voltam para o escritório.
Corta para:
Cena 28. Ponto de ônibus/ Ext./ Dia.
Cíntia está sentada no ponto, aos prantos, quando ela olha para um anúncio com os seguintes dizeres: “Está se sentindo humilhada? Triste e solitária? Nós temos a solução para você. Tenha seu amado de volta. Nefertiti garante tudo!”.
Cíntia pega um papel e uma caneta em sua bolsa e anota o número de telefone.
Cíntia (pra si) – Eu disse que você iria voltar a ser meu Renato Kalil.
Segundos depois o ônibus vem, Cíntia faz sinal e embarca.
Corta para:
Cena 29. Apartamento/ Quarto/ Int./ Dia.
Donna está deitada na cama fumando um cigarro, enquanto Das Dores anda pelo quarto, com um sorriso enorme no rosto.
Donna – Então quer dizer que a senhorita foi capaz de trair o Renato?
Das Dores – Xiu, fala baixo! Se alguém escuta meu bem, posso perder o Renato.
Donna – Fica com esse tal de Carlão menina. Ele não gosta de você?
Das Dores (pensativa) – Não. O Carlão tem tesão em mim, mas gostar, ele não gosta não. Além do mais ele é pobre e irmão daquela vadia que briguei na sexta-feira.
Donna – Que horas tem?
Das Dores (olhando seu relógio) – São dez da manhã.
Donna (levantando apressada) – Eu marquei onze horas. Estamos atrasadas.
Das Dores – Marcou o que?
Donna – Com a cigana, lembra? Eu liguei pra ela e marquei 11 da manhã de hoje. Ela reservou uma hora pra gente.
Das Dores se senta na cama.
Donna – Vai me dizer que você está com medo agora?
Das Dores – Não é medo. É receio, entende? E também, vai que essa mulher fala mentira aí.
Donna – A Cigana Alba não mente. Ela é reconhecida em toda a Região. Barra do Piraí, Volta Redonda, Rio das Flores, Paraíba do Sul, todo mundo conhece a fama da Cigana Alba.
Das Dores – Charlatã. Isso que essa pobre coitada deve ser. Ela engana os bobos por aí.
Donna – Quer saber, eu vou ligar e desmarcar essa consulta. Você aí cheia de dúvidas, mas ao mesmo tempo cheia de medos. Fraca, isso que você é. E dessa forma vai perder o Renato, porque homem gosta de mulher forte, que tenha fibra.
Donna pega o telefone e começa a discar.
Das Dores – Desliga essa porcaria. Eu vou até a tenda dessa mulher. Melhor testar logo o meu relacionamento. Põe uma roupa e vamos.
Close em Das Dores pensativa.
Corta para:
Cena 30. Casa de Cíntia/ Quarto/ Int./ Dia.
Cíntia e Sandra estão deitadas na cama, uma em cada ponta. Cíntia está arrasada. Conversa já em andamento.
Sandra – Eu não acredito que você foi se humilhar desta forma.
Cíntia – Eu amo aquele homem. Amo ele mais do que a mim, além do que, aquilo não foi me humilhar. Eu estive lá para demonstrar o meu amor por ele.
Sandra – Ele te deu um chute no rosto. Acorda Cíntia, esse homem não te quer. Ele apenas te usou, te ludibriou. Esquece o Renato e muda de vida.
Cíntia – Não dá Sandra. Esse amor é mais forte do que eu.
Sandra – Quando um não quer, dois não amam.
Cíntia (pensativa) – Veremos.
Sandra (assustada) – Eu não gosto nada desse seu olhar, o que você tá pensando?
Cíntia pega sua bolsa e retira um papel, com alguns números anotados.
Cíntia – Aqui está o número.
Sandra – O que é isso?
Cíntia – Chama-se Nefertiti e é ela quem vai trazer o Renato pra comer na palma da minha mão.
Cíntia se levanta da cama.
Cíntia – Eu banquei a idiota no início desta história, mas chegou a hora do Renato ser meu cachorrinho. Chegou a hora da Cíntia usá-lo como bem entender.
Sandra – Cuidado Cíntia. Mexer com forças espirituais pode ser um grande problema.
Cíntia – Com essa mulher, garanto que só encontrarei solução. E também, eu não tenho mais nada a perder. Agora o Renato vai sentir a minha força, a minha ira. Uma mulher enganada é capaz de tudo. TU-DO!
Cíntia pega o telefone, começa a discar os números, em seguida fala com alguém. Áudio Cortado. Close em Sandra, receosa.
Corta para:
Cena 31. Tenda Cigana/ Int./ Dia.
Um quarto todo escuro, iluminado apenas por velas, várias imagens ciganas e estátuas de faraós espalhadas pelo local. Ao fundo um tapete no teto e embaixo dele: Uma mesa redonda com uma cadeira de cada lado, em cima da mesa tem um baralho e uma bola de cristal.
Das Dores e Donna olham tudo com certo medo.
Das Dores (cochichando) – Vamos embora daqui.
Donna – Agora que a gente chegou tão longe? Jamais.
Um barulho de castanholas invade o local, de repente, aparece uma mulher morena, com um turbante azul na cabeça e uma pequena pedra ametista no centro da testa. Olhos bem marcados e roupas características de ciganas.
Donna (a mulher) – A senhora é a Cigana Alba?
Cigana Alba – Sou eu mesma.
Donna – Eu sou a moça que marcou o horário ontem pelo telefone.
Cigana Alba – E sobre o que a moça quer saber?
Donna – Não é para mim, é para minha amiga.
Cigana Alba pega nas mãos de Das Dores e a conduz para se sentar a mesa.
Cigana Alba (a Donna) – Espera a gente lá fora.
Donna sai da tenda.
Cigana Alba se senta do outro lado da mesa, de frente para Das Dores.
Das Dores – É sobre meu relacionamento. Sabe Cigana, eu tô com medo do que pode acontecer. O Renato não me parece tão apaixonado.
Cigana Alba (Embaralhando as cartas) – Homem é assim mesmo, nunca vai estar sintonizado na gente. Mas o que te trouxe aqui parece ser mais sério.
Das Dores – Eu quero saber se meu relacionamento vai durar.
Cigana Alba coloca as cartas na mesa.
Cigana Alba – Corta o baralho e faça três montes iguais.
Das Dores faz o que lhe foi pedido.
Cigana começa a colocar as cartas viradas e faz uma cara de surpresa.
Das Dores (aflita) – O que tá acontecendo?
Cigana Alba – Olha estas três cartas aqui. As cartas que regem o seu namorado no momento.
Close nas cartas: A CIGANA, A NUVEM, O CAIXÃO.
Das Dores – O que isso quer dizer?
Cigana Alba – Juntas, elas querem dizer que uma mulher quer destruir o seu relacionamento, mas não está conseguindo. Porém esta instabilidade está debilitando o seu relacionamento.
Das Dores (preocupada) – Uma mulher? Quem é essa mulher e o que eu posso fazer?
Cigana Alba – Eu vou te dar um chá, uma oração cigana e também te passarei um banho, para te fortalecer e quebrar essa corrente de inveja que vem com forças do além.
Close em Das Dores, muito preocupada.
Corta para:
Cena 32. Discoteca CELEBRARE/ Fachada/ Ext./ Dia.
Pouco fluxo de pessoas passando pelo local. O carro de Donna para e ela e Das Dores descem do carro.
Donna – Não acredito que tem uma vagaba na área.
Das Dores – Tudo que a Cigana falou, foi muito real, tudo muito crível. Gente, eu tô chocada com isso.
Donna – Mas o que você vai fazer agora?
Das Dores – Fora os chás, orações e banhos? Não sei. Tô me sentindo uma idiota de estar nessa situação. Parece que sou protagonista de novela mexicana, cruzes.
Donna – Preciso ir. Tem certeza que quer ficar aqui na Discoteca? Eu posso te deixar em casa, ou você vai lá pro meu apê.
Das Dores – Eu quero aproveitar que meu pai está com o Renato lá em casa. Vou fuçar nas coisas dele aqui.
Donna – Então, seja o que Deus quiser e boa sorte.
Donna entra no carro e dá partida. Das Dores respira fundo e entra na discoteca.
Corta para:
Cena 33. Casa de Cíntia/ Quarto/ Int./ Dia.
Cíntia está desligando o telefone, enquanto Sandra permanece deitada na cama, olhando, curiosa, para a amiga.
Sandra – E aí?
Cíntia (confusa) – Uma tal de Mãe Paola que me atendeu. Disse que é para eu resolver esse meu conflito com ela hoje, no terreiro de Nefertiti.
Sandra – Num tô gostando nada dessa história. Mas também, você nem deveria ter contado pra essa anônima, a sua vida. Você contou tudo.
Cíntia – Não tinha como ela me ajudar sem saber do que se tratava. Contei mesmo, eu não dei nome aos bois. Ela falou que passaria tudo para a tal Nefertiti. Hoje, as oito da noite, terei que estar nesse terreiro.
Sandra – Ela te passou o endereço?
Cíntia – Centro de Magia Negra Mãe Paola. Na divisa de Valença com Barra do Piraí.
Sandra – E você vai?
Cíntia – Nós vamos. Você vem comigo.
Sandra olha Cíntia com ar de preocupação.
Corta para:
Cena 34. Discoteca CELEBRARE/ SALA de Renato/ Int./ Dia.
Das Dores está vasculhando todas as gavetas da sala. Procurando em estantes, fazendo uma verdadeira bagunça. Ela abre uma última gaveta e começa a fuçar em tudo lá, quando Renato aparece de surpresa.
Renato (sério) – O que você está procurando na minha gaveta? Perdeu algo?
Das Dores olha surpresa para Renato. Close final no olhar sério dele.
Corta para:
FIM


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