CENA
01. CENTRO DA CIDADE. EXT. NOITE.
Continuação
do capítulo anterior. Olga é atropelada. O
carro segue rapidamente. Sérgio fica
totalmente em pânico ao
ver Olga sendo atropelada. Logo depois, o
carro de César entra na rua.
CÉSAR (surpreso): - Tem alguém caído no
chão...
César
para o carro e desce. Ele observa o carro acelerando mais adiante.
CÉSAR: - Essa pessoa foi atropelada!
César se aproxima para socorrer a
pessoa, quando percebe que é Olga.
CÉSAR (nervoso/aflito): - Olga?! Olga! Meu
Deus do céu! Olga!
César
fica totalmente nervoso. Olha para os lados para ver se alguém se aproxima,
procura ajuda. Ninguém aparece. A rua está praticamente deserta. César pega
Olga e consegue colocá-la dentro do carro. Ele parte rapidamente para o
hospital.
Da
janela de seu apartamento, Sérgio está totalmente aflito com a situação.
SÉRGIO: - Pegaram a Olga... O próximo vai ser
eu!
CENA
02. CASA ALBERTO. QUARTO ALBERTO. INT. NOITE.
Marina
entra no quarto de Alberto.
MARINA: - Boa noite, papai.
ALBERTO (deitado); - Boa noite Marina...
Ainda acordada?
MARINA: - Sim, eu estava lendo, estou ainda
sem sono...
TÂNIA (deitada, com máscara de creme no
rosto): - Você não dorme e ainda por cima vem atrapalhar o descanso dos
outros...
MARINA: - Eu não vou atrapalhar nada não...
Só quero saber papai, se amanhã é possível a gente ter uma reunião, lá na
empresa. De urgência.
ALBERTO: - Reunião de urgência? Mas,
aconteceu alguma coisa?
MARINA: - Eu prefiro não adiantar nada
agora...
ALBERTO: - Bom, é possível sim... Acho que eu
tenho um espaço reservado na agenda.
Nesse instante, o telefone toca.
TÂNIA: - Telefone a essa hora? Ninguém
merece! Definitivamente eu não vou conseguir relaxar e cuidar da minha pele...
ALBERTO: - Marina, atende para mim, por
favor.
Marina atende o telefone.
MARINA: - Alô?... Oi César!
(T)
MARINA (espantada): - Como é que é?!
(T)
MARINA: - Ai meu Deus!
ALBERTO: - O que aconteceu Marina?!
TÂNIA: - Aconteceu alguma coisa com o César!
MARINA (ao telefone): - Tudo bem, estamos
indo para aí.
Marina desliga o telefone.
Alberto e Tânia estão preocupados.
TÂNIA: - Aconteceu alguma coisa com o César?!
Fala logo, Marina1
MARINA: - A Olga. Foi atropelada.
ALBERTO (surpreso): - O quê?!
TÂNIA: - A Olga? Mas como isso?
MARINA: - Eu não sei... O César a encontrou
numa rua, caída no chão, no centro... Levou ela para o hospital.
ALBERTO (levantando-se): - Mas nós vamos para
lá agora!
TÂNIA: - Foi-se a minha noite de beleza...
CENA
03. APTO SÉRGIO. INT. NOITE.
Sérgio
fica desesperado. Anda inquieto dentro do apartamento.
SÉRGIO: - Olga!... Coitada... Por que, meu
Senhor?...
Sérgio se aproxima da janela do
seu apartamento, para olhar para rua. Ele se espanta ao ver que o carro que
atropelou Olga está estacionado do outro lado da rua, em frente ao prédio.
SÉRGIO: - Não pode ser...
Dentro do carro, Charles liga
para Felipe. (flashes alternados entre Charles e Felipe)
CHARLES: - Fiz o que você me pediu.
FELIPE: - Matou a velha?
CHARLES: - Não sei se ela chegou a morrer...
Mas o corpo dela não está mais aqui.
FELIPE: - Como você não sabe?! Eu mudei o
plano em cima da hora para que você acabasse com a raça daquela infeliz e você
vem me dizer que não sabe se ela morreu?!
CHARLES: - Foi difícil para mim, Felipe,
fazer isso... Ela era muito querida.
FELIPE: - Eu não quero saber dos seus
sentimentos por ela. E muito menos das suas lamentações. Você foi pago para
isso...
CHARLES: - Eu sei.
FELIPE: - Então... Alguém viu você?
CHARLES: - Não, ninguém viu.
FELIPE: - Eu vou ter que desligar, há uma
movimentação aqui... Você já está vindo?
CHARLES: - Não. Estou em frente ao prédio.
FELIPE: - Sai daí e vem para cá agora! Talvez
a notícia da Olga chegue aos ouvidos dos meus tios e eles certamente vão querer
sair, ir atrás do corpo, enfim...
CHARLES: - tudo bem.
Charles
desliga o telefone e sai com o carro. Sérgio fica observando tudo do
apartamento.
SÉRGIO: - Já está indo embora... Eu preciso
pensar em alguma coisa.
CENA
04. SÃO PAULO. HOTEL. INT. NOITE.
Rúbia
e Patrícia conversam.
RÚBIA: - O Cadu é super gente fina...
PATRÍCIA: - É mesmo... Nossa, fazia muito
tempo que a gente não se via. Eu estudei com ele na época do Colégio Madre
Antonina.
RÚBIA: - Sim, eu lembro... Escola
tradicionalíssima de Praia Real, só gente chique estudando lá.
PATRÍCIA: - Os pais dele são donos de
fazendas em quase todo Brasil. Gente bem de vida.
RÚBIA: - E ele, médico, bonito, de família
rica... Deve ter muitas mulheres correndo
atrás dele, com certeza.
PATRÍCIA: - Mas ele nunca foi namorador,
pegador não... Pelo menos na época de escola. Se bem que, agora, depois de
tanto tempo, ele deve estar aproveitando e bem a vida. (risos)
RÚBIA: - Não vejo a hora de chegar amanhã à noite
para a gente cair na gandaia na noite paulistana!
PATRÍCIA: - Nem eu!
As
duas se olham animadas.
CENA
05. HOSPITAL. SALA DE ESPERA. INT. NOITE.
Alberto,
Tânia, Marina e Felipe chegam ao hospital para encontrar César.
ALBERTO: - César!
César abraça Alberto, emocionado.
CÉSAR: - Foi horrível pai, ver a Olga caída
no chão...
MARINA: - Mas como aconteceu isso?
CÉSAR: - Eu não sei... Eu saí da casa da Lílian e entrei numa rua
quando vi alguém caído no chão. Eu desci do carro e vi, um pouco mais longe, um
carro andando muito rápido.
ALBERTO: - Você acha que aquele carro
atropelou a Olga?
CÉSAR: - Talvez sim, pai... a rua estava
deserta, não tinha ninguém!
Felipe fica sério.
TÂNIA: - Procure se acalmar, meu filho...
CÉSAR: - Eu não consigo, mãe. A imagem da
Olga caída não sai da minha cabeça.
MARINA: - Os médicos já falaram alguma coisa?
CÉSAR: - Ainda não. Ela foi levada para a
sala de cirurgia, mas ainda não há notícias.
Tânia se aproxima de Felipe.
TÂNIA: - Gente, que coisa não?... Eu nunca gostei
da Olga, achava ela horripilante, mas ser atropelada numa rua deserta?...
FELIPE: - É, coisas que acontecem e que a
gente custa a acreditar...
TÂNIA: - Mas você não me parece muito
surpreso com tudo isso, Felipe... Está aí, calado, mas com o pensamento
longe...
FELIPE: - O que é isso, tia? Só falta a
senhora estar achando que eu tive alguma coisa a ver com essa história toda!
TÂNIA: - Não, isso eu ainda não pensei, mas a
única coisa que eu sei é que você ultimamente anda cheio de mistérios, de
segredos...
FELIPE; - Eu?
TÂNIA: - Você mesmo... Não tente me enganar,
Felipe. Eu conheço você muito bem. Posso não saber o que você anda aprontando
por aí, mas sei que apronta. Ah, isso eu sei.
FELIPE: - Eu vou beber um pouco d’água...
Essa história da Olga me deixou um pouco abalado...
TÂNIA: - Ah, claro...
Felipe se afasta. Marina, César e
Alberto conversam.
MARINA: - VocÊ chegou a ver a placa do carro,
alguma coisa assim?
CÉSAR: - Não consegui ver direito... Mas só
sei que a cor do carro era vermelho.
ALBERTO: - Infelizmente isso não nos leva a
lugar nenhum...
Nesse
instante, o médico se aproxima.
MÉDICO: - Acompanhantes da senhora Olga da
Costa Pereira.
ALBERTO: - Somos nós!
CÉSAR: - Como ela está doutor.
MÉDICO: - Vocês terão que ser fortes...
MARINA: - Mas porque doutor, o que aconteceu?
MÉDICO: - Infelizmente, o acidente dela foi
muito grave. Ela não resistiu.
César
chora. Marina tenta consolá-lo. Alberto também se entristece. Tânia se aproxima
de Alberto para consolá-lo. Ela olha para Felipe, que tenta ser frio, mas não
consegue esconder sua pequena satisfação. Aos poucos, Felipe se contém.
FELIPE: - Meu Deus! Que coisa triste...
Coitada da Olga...
ALBERTO: - Depois de tantos anos juntos... Lá
se vai uma grande amiga.
CÉSAR: - Ela me criou, Marina... Ela foi uma
segunda mãe para mim.
MARINA (abraçando César): - Eu sei, César.
Ela também foi muito importante para mim, para todos nós naquela casa.
ALBERTO: - Mas o mais triste ainda é que
precisamos avisar a Mônica e o irmão dela. A Olga é madrinha deles.
MARINA: - Temos que avisá-los com cuidado,
para não chocá-los demais.
ALBERTO: - Isso vai ser difícil...
Alberto
se afasta, pega o telefone e liga para Mônica.
ALBERTO: - Alô? Mônica?
(T)
ALBERTO: - Sou eu, Alberto. Desculpe acordar
você à essa hora, mas é que eu preciso te dar uma notícia não muito boa...
(T)
ALBERTO (emocionado): - Você precisa ser
forte...
CENA
06. TRANSIÇÃO DO TEMPO. AMANHECER. / CEMITÉRIO. EXT. DIA.
Imagens
de Praia Real ao amanhecer. Imagens da praia, das gaivotas. Imagens do morro,
da reserva ambiental. Corta o cemitério.
Imagens de um grande jardim, um
imenso tapete verde. Ao fundo, seguindo lentamente, o cortejo acompanhando o
enterro de Olga. Mônica e Ricardo, tristes, caminham acompanhando o caixão.
César, Marina, Alberto, Tânia, Felipe, Charles e Clarisse, Virgínia, Cristina,
Tomás, Vera, Leandro, Sabrina, Matheus, Helena entre outras pessoas estão
presentes no cortejo.
CENA
07. SÃO PAULO. HOTEL. SALÃO DE REFEIÇÕES. INT. DIA.
Rúbia
e Patrícia tomam café no hotel.
RÚBIA: - Quanta coisa boa aqui... Nunca vi um
café da manhã com tantas variedades de pães, sucos, frutas...
PATRÍCIA: - Hotel cinco estrelas é outra
história, né, amiga?
RÚBIA: - É mesmo...
PATRÍCIA; - Depois do café, qual vai ser a
parada?
RÚBIA: - Um belo shopping center para
fazermos compras!
PATRÍCIA: - E depois uma passada na Oscar
Freire, só para conferir as novidades...
RÚBIA: - Pode ser... Ah, você podia falar com
o Cadu, pra ele acompanhar a gente nesse passeio.
PATRÍCIA: - Hum, mas você se interessou mesmo
por ele, hein...
RÚBIA: - Nada a ver, Paty! Não começa a
inventar coisas...
PATRÍCIA: - Mas eu nem inventei nada!
RÚBIA: - Sei sim, eu conheço bem você... Eu
só achei o cara legal, simpático...
PATRÍCIA: - Bonito, charmoso, poderoso,
sedutor!
RÚBIA: - É, isso também... Mas eu não posso
fazer nada! Estou muito bem com o César, esperando um filho e grávida de um
cara riquíssimo!
PATRÍCIA: - Mas o Cadu também é rico... Rico
por rico, dá na mesma, Rúbia...
RÚBIA: - Ih, Paty, não vem com ideia não!...
PATRÍCIA: - Tudo bem, mais tarde eu ligo para
o Cadu...
As duas continuam o café.
CENA
08. CEMITÉRIO. EXT. DIA.
O
cortejo segue até uma capelinha, onde é feito um pequeno velório. Marina se
aproxima de Felipe e conversa discretamente com ele.
MARINA: - Eu pedi para o meu pai convocar uma
reunião na empresa, com urgência.
FELIPE: - Ah é, que interessante...
MARINA: - Há suspeitas de haver documentos
alterados sobre a situação financeira da Best Fish. Que coisa estranha, não é?
FELIPE: - Estranho é você falando de negócios
num momento totalmente importuno como este.
MARINA: - Não fuja do assunto, Felipe. Eu sei
que você tem a ver com esses documentos falsos.
FELIPE: - Marina, por favor! Aqui não é hora
e nem lugar para falar disso! Respeite a dor dessas pessoas que estão aqui
presentes!
Felipe
se afasta. Marina fica a observá-lo séria. Virgínia se aproxima.
VIRGÍNIA: - O que você tanto cochichava com o
Felipe, minha filha?
MARINA: - Nada mamãe, mais tarde eu conto
para você.
Num
outro ponto da capela, Matheus e Sabrina conversam com Ricardo.
RICARDO: - Nossa gente, ela era tão
especial...
MATHEUS: - Nessas horas não sei nem o que
dizer, Ricardo... Só desejar força para você.
SABRINA (abraçando Ricardo): - Pode contar
comigo para tudo, sempre.
MATHEUS: - Comigo também.
Em
outro ponto, Helena conversa com Tânia.
HELENA: - Uma pena ela ter morrido assim...
TÂNIA: - É mesmo... Eu esperava qualquer
outro tipo de morte... Falência dos órgãos, parada cardíaca, AVC, menos um
atropelamento.
HELENA: - Nossa Tânia!
TÂNIA: - Mas Helena, convenhamos, a Olga já
era velha, qualquer uma dessas causas de morte seriam cabíveis e mais
aceitáveis do que um atropelamento numa rua deserta no centro da cidade.
HELENA; - É mesmo... Mas o que ela fazia por
lá, hein?
TÂNIA:- Ninguém sabe...
Enquanto
isso, Alberto conversa com Tomás.
TOMÁS: - Reunião de emergência?
ALBERTO: - Isso mesmo. A Marina não quis me
adiantar sobre o que se tratava... Seria hoje, mas acho que não será um bom
momento. Eu não estou com cabeça para isso agora, depois do que aconteceu.
TOMÁS: - Claro, eu entendo.
ALBERTO: - A Olga era uma pessoa muito
querida. Trabalhava na família desde que eu era jovem...
TOMÁS: - A Mônica que deve estar arrasada. A
Olga que criou ela e o irmão.
ALBERTO: - Por falar em Mônica, onde ela
está?
TOMÁS: - Logo ali, com o Leandro.
Em
um ponto da capela, Leandro consola Mônica. Os dois estão abraçados. Ela chora.
Ele a abraça, carinhosamente. Cristina e Vera conversam.
CRISTINA: - Não sabia que o Leandro era tão
amigo dessa moça.
VERA: - Nem eu, Cristina... Nem eu...
CRISTINA; - Mas vai ver é só pelo momento...
Pobre da moça perdeu praticamente a única referência de família que tinha.
VERA: - Não, ainda não. Ela tem mais um
irmão, o Ricardo. É amiguinho da Sabrina.
Enquanto
isso, César conversa com Fredy e Lílian.
FREDY: - Que estranho tudo isso, César. O que
a Olga estaria fazendo por aquelas ruas no meio da noite?
CÉSAR: - Eu também não sei, Fredy.
LÍLIAN: - Ela não tinha alguma amiga, alguém
que morasse por ali?
CÉSAR: - Que eu saiba não... A Mônica e o
Ricardo, sobrinhos dela, moram do outro lado da cidade.
Do
lado de fora da capela, Charles se aproxima de Felipe.
FELIPE: - Quase que o César vê seu carro,
ontem.
CHARLES: - Mas ele não viu, eu consegui fugir
a tempo.
FELIPE: - Ainda bem, senão você estaria bem
enrascado.
CHARLES: - Não se preocupa... Mesmo que ele
visse a placa do carro, não adiantaria, porque a placa é fria.
FELIPE: - Tudo bem, agora já passou... Mas eu
quero que você volte lá no prédio para dar um fim no Sérgio. Ele deve estar se
borrando dentro do apartamento... Você está com tudo aí?
Charles
mostra para Felipe, de canto, um revólver. Nesse instante, Clarisse surge na
porta da capela e observa a conversa de Charles e Felipe.
CHARLES: - Tudo pronto.
FELIPE: - Então vai. Eu quero comemorar tudo
isso hoje à noite ainda.
Charles
se afasta, indo embora, quando é alcançado por Clarisse.
CLARISSE: - Onde você vai, Charles? Não vai
ver o enterro da Olga?
CHARLES: - Não vou não, Clarisse.
CLARISSE: - Mas você vai aonde então?
CHARLES: - Vou sair daqui. A Olga era muito
querida. Não vou conseguir ver ela sendo enterrada, dentro de um caixão...
CLARISSE: - É mesmo, vai ser difícil para mim
também... Eu vou com você.
CHARLES: - Não!
CLARISSE: - Por que não Charles? Aonde é que
você vai? Me fala! Eu vi você conversando de cantinho com o Felipe... Eu nunca
fui com a cara dele... O que você está aprontando?
CHARLES: - Deixa de ideia maluca, Clarisse!
Eu não estou aprontando nada!... fica aí no enterro, acompanhando tudo. Deixa
umas flores para a Olga. Eu vou sair, mas não demoro.
Clarisse
olha séria para Charles.
CHARLES: - Eu não estou aprontando nada, eu
juro. Não vou demorar...
CLARISSE: - Promete?
CHARLES: - Prometo. Agora vai para lá.
Charles
sai. Clarisse fica um tanto desconfiada.
CENA
09. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. DIA.
Alice
e Brenda organizam as mesas, enquanto conversam.
BRENDA: - O Guto ontem me pressionou,
perguntando sobre o César...
ALICE: - E o que você disse?
BRENDA: - Eu falei que não tinha nada, que
ele estava se encucando à toa.
ALICE: - Eu sei que é difícil isso, mas você
precisa se decidir realmente Brenda sobre o que você quer para você.
BRENDA: - Ai Alice, isso é terrível, dói
muito no meu coração... Eu adoro o Guto, ele é um cara especial, educado,
carinhoso, está sempre procurando me agradar... Mas quando eu vejo o César,
quando eu penso nele, meu coração bate mais forte, eu fico arrepiada, tudo
muda, tudo fica diferente...
ALICE: - É o César que você ama.
BRENDA: - É difícil admitir isso, estando com
o Guto... E o César disse que ia me ligar, que queria um encontro só eu e ele
para a gente resolver isso tudo.
ALICE: - Está aí, uma ótima oportunidade.
Nesse
instante, Guto se aproxima delas.
GUTO: - Ótima oportunidade para quê?
Alice
e Brenda se olham.
GUTO: - Então, meninas, ótima oportunidade
para quê? Ninguém vai me falar?
ALICE:- A ideia do seu Joaquim e da dona
Matilde de abrir vaga para auxiliar aqui no restaurante.Coisas de mulher, Guto.
BRENDA: - É mesmo. Eu achei muito bom. Nós
estamos mesmo precisando de alguém para ajudar a atender, organizar... Querendo
ou não, a Rúbia faz falta aqui.
GUTO: - Ah, era isso então...
BRENDA: - Claro! O que você pensou que fosse?
GUTO: - Nada, bobagem, deixa pra lá...
ALICE: - Bom, eu lá dentro ver se a sua avó
precisa de alguma ajuda na cozinha.
Alice
sai. Guto e Brenda ficam sozinhos. Ele se aproxima e abraça Brenda. Nesse
instante, Joaquim entra no salão.
JOAQUIM: - Brenda, faça um favor para mim...
BRENDA: - Claro vovô. O que o senhor quer?
JOAQUIM: - Eu preciso que você vá até o
mercado e compre essas coisas para mim. (entregando uma listinha para Brenda)
BRENDA (lendo a lista): - Anzol, linha...
Você vai pescar vovô?
JOAQUIM: - Estou pensando...
GUTO:- Faz bem... A orla da lagoa está sempre
cheia de gente pescando, seu Joaquim.
JOAQUIM: - que orla de lagoa, o que! Eu vou
para o mar!
BRENDA: - Para o mar? Vovô! É perigoso, o
senhor sabe disso!
JOAQUIM: - Não há perigo nenhum! Eu já estou
bem!
GUTO: - Brenda, eu vou com você...
JOAQUIM: - Não, Guto. Eu vou precisar de você
também. Quero que você me ajude a reparar algumas coisas no meu barco. Ele
precisa de pequenas reformas...
GUTO: - Tudo bem.
BRENDA; - Eu não demoro.
Brenda
beija Guto e sai.
CENA
10. PRÉDIO APTO SÉRGIO. EXT. DIA.
Charles
estaciona o carro em frente ao prédio do apartamento de Sérgio. Ele desce,
ajeita o revólver na cintura e entra no prédio, carregando também uma pequena
sacola.
CENA
11. PRÉDIO APTO SÉRIO. CORREDOR. INT. DIA.
Charles
chega em frente ao apartamento de Sérgio. Ele retira da sacola um pé de cabra e
começa a arrombar a porta do apartamento. Ele tenta algumas vezes até que
consegue entrar no apartamento.
Charles
vasculha todo o apartamento, que está vazio. Charles liga para Felipe.
CHARLES: - Felipe, sou eu. Ele não está aqui
no apartamento.
(T)
CHARLES: - Acho que ele fugiu.
CENA
12. CALÇADÃO PRAIA REAL. EXT. DIA.
Sérgio
caminha pelo calçadão, levando consigo apenas uma mochila. Anda meio sem rumo,
um pouco perplexo com os últimos acontecimentos. Passando em frente ao
restaurante Maresia, Sérgio observa a placa recrutando pessoas para trabalhar
no local.
CENA
13. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. DIA.
Sérgio
conversa com Joaquim, Matilde e Guto.
MATILDE: - Mas você tem alguma experiência em
trabalho em restaurantes?
SÉRGIO: - Infelizmente não, mas eu estou
disposto a aprender...
JOAQUIM: - Mas você já trabalhou em algum
outro lugar antes, tem alguma referência?
SÉRGIO: - Sim... quero dizer, não...
GUTO: - Sim ou não?
SÉRGIO; - Sim, sim... Mas sempre bicos... Uma
coisinha aqui, outra ali, mas tudo coisa de bem, nada ilegal não...
JOAQUIM: - Bem, seu moço...
SÉRGIO: - Sérgio.
JOAQUIM; - Sérgio, desculpe... Bem, nós
precisamos de alguém que nos ajude na rotina do restaurante... Atender clientes,
organizar estoque, cozinha, de tudo um pouco. E pelo o que você disse para
gente, não há como encaixar você na vaga... Sinto muito.
SÉRGIO: - Tudo bem... Desculpe o incômodo.
Bom dia para vocês.
Sérgio
se retira cabisbaixo.
MATILDE: - Ai, meu Deus... me deu um aperto
no coração vendo esse homem sair daqui assim, tão triste.
JOAQUIM: - Fazer o quê, Matilde? Ele não tem
experiência nenhuma.
GUTO: - É mesmo... Mas ele está tentando
mudar de vida, seu Joaquim... Acho que a gente poderia tentar... Ensinando ele,
mostrando como se faz, acho que ele consegue cumprir com tudo certinho.
JOAQUIM: - Será?
MATILDE; - Acho que o Guto tem razão,
querido.
JOAQUIM: - Mas como saber se ele é de
confiança, gente? Esse homem é praticamente um estranho!
GUTO: - Mas veio aqui, humildemente, procurar
um emprego...Eu sei que é arriscado, mas vamos pensar também pelo
restaurante... a gente já não consegue mais dar conta de tanto serviço.
JOAQUIM: - Vocês têm razão...
MATILDE: - Vai lá fora rápido, Guto! Chama o
moço lá!
Guto
sai do salão às pressas.
CENA
14. RESTAURANTE MARESIA. EXT. DIA.
Sérgio
está sentado num banco em frente ao restaurante. Guto se aproxima.
GUTO: - Ei Sérgio!
SÉRGIO: - Sim?
GUTO: - É para você voltar lá.
SÉRGIO: - Não me diga que eu esqueci alguma
coisa lá dentro? Mas eu não lembro de ter tirado nada de dentro da mochila...
GUTO: - Fica frio que você não esqueceu nada
lá dentro.
SÉRGIO: - Então?
GUTO: - Acho que a vaga é sua.
SÉRGIO (feliz): - Verdade?
GUTO: - Vamos lá dentro, que o seu Joaquim e
a dona Matilde querem falar com você.
CENA
15. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. DIA.
Sérgio
conversa com Matilde e Joaquim.
JOAQUIM: - Nós pensamos melhor e resolvemos
dar uma chance para você Sérgio.
SÉRGIO: - Vocês não imaginam o quanto eu
estou feliz por isso.
MATILDE: - Nós vamos ensinar para você como
funciona aqui o restaurante, assim você aprende a fazer todo o serviço.
SÉRGIO; - Por mim, não tem problemas.
JOAQUIM: - E quando fica melhor para você
começar?
SÉRGIO: - Hoje mesmo!
JOAQUIM: - Nossa, que entusiasmo!
SÉRGIO: - O senhor não sabe o quanto é
difícil viver sem trabalho, seu Joaquim.
JOAQUIM: - Mas eu posso imaginar, meu caro...
Posso imaginar.
MATILDE: - Alice! Alice venha até aqui!
Alice
entra no salão.
ALICE: - Chamou, dona Matilde?
MATILDE: - Chamei sim, querida. Esse aqui é o
Sérgio. Ele é o novo funcionário do restaurante.
Sérgio
e Alice se cumprimentam.
JOAQUIM: - Bom, já que você pretende começar
logo, o Guto pode ensinar a você como funciona o nosso estoque, a dispensa,
tudo aqui..
GUTO: - Mas seu Joaquim, eu ia ajudar o
senhor a arrumar o barco?
Joaquim
olha para Guto repreendendo o rapaz.
MATILDE: - Barco? Por acaso você está
pensando em pescar, Joaquim?
JOAQUIM: - Claro que não, Matilde... O Guto
está brincando apenas, não é Guto?
GUTO: - Claro, foi brincadeira... Vamos lá
Sérgio.
SÉRGIO: - Vamos sim.
Guto
e Sérgio saem.
MATILDE (desconfiada): - Brincadeira, sei... E
a Brenda, onde está?
JOAQUIM: - Foi até o mercado, fazer umas
compras...
MATILDE: - Compras?
JOAQUIM: - Sim, eu percebi que estavam
faltando algumas coisas na dispensa lá de casa e pedi para ela buscar.
MATILDE; - Hum... Tudo bem. Vamos lá Alice,
quero que você me ajuda nas sobremesas que vamos servir.
ALICE: - Tudo bem.
CENA
16. CIA DE NAVEGAÇÃO. DECK. EXT. DIA.
Henrique
conversa com os funcionários da companhia, passa instruções dos serviços. Sônia
surge ao fundo. Henrique a vê. Ele pede licença e vai falar com ela.
HENRIQUE: - Sônia? Que surpresa boa.
SÔNIA; - A gente pode conversar?
HENRIQUE; - Claro, o que foi?
SÔNIA; - Não aqui.
HENRIQUE: - Claro... Vamos até o meu
escritório.
CENA
17. CIA DE NAVEGAÇÃO. ESCRITÓRIO. INT. DIA.
Henrique e Sônia entram na sala.
HENRIQUE: - Aceita uma água? Quer um café?
SÔNIA; - Não, eu não quero beber nada não. Eu
só quero saber uma coisa. Porque você falou para o Adriano que gostava de mim,
que me amava?
HENRIQUE: - Eu disse porque ele quis saber.
Simplesmente por isso. E eu não falei que gostava de você, que amava você. Eu
falei que ainda gosto de você, que ainda te amo.
SÔNIA; - Você não pensa nas conseqüências
disso tudo, não? No que essas suas declarações impensadas podem causar?
HENRIQUE: - Não vão causar nada de mais.
Aliás, elas podem até a ajudar a resolver essa história de uma vez por todas...
Eu estou cansado de ficar fingindo que nós nos conhecemos agora, que somos
apenas amigos.
SÔNIA: - Mas nós somos apenas amigos,
Henrique.
HENRIQUE: - Isso porque você sufoca os seus
sentimentos por mim.
SÔNIA: - Como você é prepotente, Henrique...
O que você sabe sobre os meus sentimentos por você? Eu não sinto nada por você!
Nada!
HENRIQUE: - Ah não? (se aproximando de Sônia)
SÔNIA; - Nada! Não sinto nada por você!
Henrique agarra Sônia e a beija,
mesmo com ela resistindo, tentando fugir.
HENRIQUE: - Então, você vai continuar negando
o que sente por mim?
Sônia dá um tapa na cara de
Henrique.
SÔNIA: - Eu falei para você não fazer mais
isso! E eu já disse que não sinto nada por você!... Ou melhor, talvez agora eu
sinta sim... Nojo.
Sônia sai da sala. Henrique sai
rapidamente atrás dela.
CENA
18. CIA DE NAVEGAÇÃO. EXT. DIA.
Sônia
sai da Cia de Navegação apressada e acaba esbarrando em Carvalho.
CARVALHO: - Sônia? Aconteceu alguma coisa?
Está nervosa!
SÔNIA: - Vamos embora daqui, Carvalho. Por
favor! Me leva daqui.
CARVALHO: - Calma! Me fala o que aconteceu?
SÔNIA: - No caminho eu falo para você, agora
vamos embora...
Carvalho
e Sônia saem. Pouco depois, Henrique surge na porta da Cia, mas não vê mais
Sônia.
HENRIQUE: - Droga!...
CENA
19. CEMITÉRIO. EXT. DIA.
Virgínia
e Marina conversam.
VIRGÍNIA: - Marina, estou achando você um
pouco inquieta, incomodada com alguma coisa...
MARINA; - Não é nada não, mamãe. Está tudo
bem.
VIRGÍNIA: - Está mesmo?
MARINA; - Está sim. Tudo bem... E você, como
está? E o Carvalho?
VIRGÍNIA: - Eu estou bem, vivendo na medida
do possível. Seu pai praticamente congelou a minha mesada depois que eu comecei
a vender os cosméticos...
MARINA: - Claro! E aí, como estão as vendas?
VIRGÍNIA; - Não há mais vendas... O produto
deu uma reação alérgica nas clientes e nós tivemos que indenizá-las, devolvendo
todo o dinheiro.
MARINA: - Mamãe! Eu falei para você tomar
cuidado com os produtos!
VIRGÍNIA: - Eu sei, mas infelizmente
aconteceu... agora eu não sei o que fazer... Estou sem um tostão no bolso.
MARINA; - Mas o Carvalho, não trabalha?
VIRGÍNIA: - Carvalho? Trabalhando? Aí você
quer demais, minha filha... Carvalho vive na pindaíba, como eu... Aí juntamos a
fome com a vontade de comer e estamos os dois tentando arrumar alguma coisa,
mas está difícil...
MARINA; - Mamãe, que situação hein...
VIRGÍNIA; - Para você ver como eu estou... De
socialite à moradora da prainha...
MARINA; - Pode deixar que eu vou dar um jeito
nisso.
VIRGÍNIA: - O que isso, Marina, não precisa
fazer nada não.
MARINA: - Claro que precisa! Não posso deixar
vocês vivendo nessa situação. Deixa que até o fim do dia eu arranjo uma
solução.
VIRGÍNIA: - Mas se você não tiver nenhuma
solução até o final do dia, poderia pelo menos me emprestar uns trocados...
Estou totalmente desprevenida...
MARINA: - Claro, mamãe. Pode deixar comigo.
VIRGÍNIA (abraçando Marina): - Por isso que
adoro você!
Tânia, do outro lado da capela,
conversa com Helena, Cristina e Vera.
TÂNIA; - Vejam só a Virgínia... ela é o
exemplo vivo da decadência de uma pessoa...
VERA: - Não fale assim, Tânia. Mesmo não
sendo mais casada com o Alberto, não sendo mais rica, ela continua elegante.
HELENA: - Aquela lá, abraçada na outra moça?
VERA: - Sim, ela mesma.
HELENA: - Você acha ela elegante? Ela está
vestindo trapos!
TÂNIA; - Pelo menos não estou sozinha na
minha opinião...
CRISTINA; - O que eu acho engraçado é que
mesmo vestindo trapos, ela está mais elegantes do que muitas pessoas aqui, que
se dizem chiques, por dentro de tudo...
Helena olha séria para Cristina.
CRISTINA: - Vamos ali fora um pouco, Vera...
Aqui dentro está um pouco quente.
VERA: - Vamos sim. Com licença.
Vera e Cristina saem.
HELENA: - Quem é essa aí que falou desse
jeito, toda se achando?
TÂNIA; - Cristina Saldanha. Dona da boutique
Poéme.
HELENA; - É ela a dona da boutique Poéme?
TÂNIA; - Sim. Ela e a Vera. São irmãs e
sócias na boutique. VocÊ não sabia?
HELENA: - Não sabia não... A boutique é um
estouro! Um sucesso total!
TÂNIA; - É mesmo... Pena que as donas são
assim, tão... Tão...
HELENA: - Tão...?
TANIA: - Tão sem graça... Sendo donas de uma
das boutiques mais famosas da cidade, tendo amizades com pessoas influentes,
elas andam assim, tão simples...
HELENA: - É mesmo... Eu reparei que elas usam
poucas jóias, quase nada de acessórios...
TÂNIA; - Estou dizendo. Eu não saio de casa
sem um bom colar, minha pulseira de ouro...
CENA
20. SÃO PAULO. RUAS DA CIDADE. EXT. DIA.
Rúbia
e Patrícia fazem compras num shopping center. Elas saem de uma loja e entram na
outra. Carregam inúmeras sacolas. As duas estão bem animadas, adorando o
passeio.
PATRÍCIA: - Perdi a conta de quantas lojas a
gente entrou!
RÚBIA; - Eu nem me preocupei em contar, Paty!
Eu quero é comprar!...
As
duas passam em frente à uma loja. Rúbia corre para a vitrine, olhando um
vestido.
RÚBIA: - Olha Paty esse vestido!
PATRÍCIA: - É lindo mesmo...
RÚBIA: - Ele é tudo! Eu vou comprar. Vou usar
ele hoje à noite na balada.
PATRÍCIA: - Mas vamos entrar só mais nessa
daí! O Cadu deve estar esperando a gente já, na praça de alimentação!
RÚBIA; - Tudo bem. É rapidinho.
Rúbia
e Patrícia entram na loja.
CENA
21. CEMITÉRIO. EXT. DIA.
Todos
estão reunidos em volta da cova, onde o caixão de Olga será enterrado. O padre
encaminha o corpo.
PADRE; - Que a nossa querida Olga descanse em
paz, depois de cumprir sua passagem aqui entre nós. Agora, seu espírito estará
junto de Jesus, no céu, e lá de cima, ela estará olhando pelos que aqui
ficaram, orando por ela.
César
está abraçado em Alberto. Mônica e Ricardo choram. Marina também está
visivelmente emocionada. Felipe encontra-se um pouco mais ao fundo. Sério.
PADRE: - Em nome do Pai, do Filho e do
Espírito Santo. Amém.
Os
funcionários do cemitério começam a descer o caixão de Olga. Mônica e Ricardo
jogam flores. Clarisse também joga flores.
CENA
22. CALÇADÃO PRAIA REAL. QUIOSQUE. INT. DIA.
Carvalho
e Sônia conversam.
CARVALHO: - Ele beijou você?
SÔNIA; - Mais uma vez... ai, só de lembrar,
me dá uma coisa! Não poderia ter acontecido...
CARVALHO: - Ele ainda gosta de você.
SÔNIA: - Eu sei disso. Ele me disse isso
várias vezes, mas... Mas agora é diferente, Carvalho. Ele é casado! E eu também
estou comprometida, com o Adriano.
CARVALHO: - E você já falou com o Adriano
sobre a história de vocês?
SÔNIA: - Já falei... Isso foi um dos motivos
que me fez ir lá falar com o Henrique.
CARVALHO: - E como o Adriano reagiu?
SÔNIA; - Pessimamente. Nós discutimos. Ele
discutiu com o Henrique também... Mas agora eu e ele nos acertamos. Pelo menos
começamos... Ele se sentiu traído.
CARVALHO; - é, também vamos pensar na
situação dele. Não deve ser fácil descobrir que a mulher que ele ama tem uma
filha com um grande amigo dele e ninguém havia dito nada...
SÔNIA: - Ai, Carvalho... Eu não sei o que eu
faço... Está tudo acontecendo ao mesmo tempo... Eu não consigo organizar a
minha vida assim...
CARVALHO: - Calma... Tenha calma que tudo vai
se resolver... Bebe aí seu suco...
Carvalho
procura acalmar Sônia.
CENA
23. SAÍDA CEMITÉRIO. EXT. DIA.
Alberto
conversa com Mônica e Ricardo.
ALBERTO: - Mônica, tire uns dias de descanso
para você. Vá viajar, relaxar um pouco...
MÔNICA; - Obrigado, doutor Alberto. Vai ser
bom para mim, para me recuperar disso tudo.
ALBERTO: - Vai ser bom para você e para o
Ricardo.
RICARDO: - Obrigado por tudo, senhor Alberto.
O senhor está sendo muito legal com a gente, assim como foi com a tia Olga.
ALBERTO: - Não precisa agradecer não,
Ricardo. A Olga tinha um carinho imenso por vocês. E ela era também muito
querida e importante na minha vida.
TÂNIA; - Vamos embora, querido? Esse clima de
cemitério está me deixando cansada.
ALBERTO: - Vamos sim. Fiquem com Deus.
MÔNICA: - Obrigada doutor.
Alberto e Tânia vão em direção ao
carro. As pessoas começam a ir embora.
MARINA: - Pegue aqui, mamãe.
Marina entrega dinheiro para
Virgínia, que se impressiona com a quantia.
VIRGÍNIA; - Nossa, Marina! Tudo isso?!
MARINA: - É só para você se manter por
enquanto. Eu ainda não tive nada em mente para ajudar mais...
VIRGÍNIA; - Que isso, minha filha. Não
precisa mais não.
MARINA: - Claro que precisa. Deixa que eu vou
ajudar você. Agora eu vou indo lá. Aliás, quer uma carona?
VIRGÍNIA: - Mas você não veio com seu pai?
MARINA: - Não, eu vim no carro do César.
VIRGÍNIA: - Será que ele não vai se importar?
MARINA; - Claro que não. Vamos lá.
Alberto, Tânia, Felipe e Clarisse
esperam por Charles próximos ao carro.
ALBERTO: - Mas aonde o Charles se meteu?
TÂNIA; - Justo agora na hora de ir embora,
ele some...
CLARISSE: - Ele havia me dito que não
demoraria...
ALBERTO: - Mas ele pelo menos disse aonde
iria?
CLARISSE: - Não, senhor Alberto.
FELIPE: - Lá vem ele ali.
Charles chega.
ALBERTO: - Onde você esteve, Charles?
Charles olha para Felipe.
ALBERTO: - Então Charles, onde esteve?
CHARLES: - Eu fui dar uma volta para
espairecer um pouco, doutor Alberto. Essa história da Olga me deixou um pouco
abalado. Desculpe a demora.
ALBERTO: - Está certo... Agora vamos embora.
CHARLES; - Claro.
FELIPE; - Bom, eu vou indo lá com o César.
Nos vemos em casa.
TÂNIA; - Certo querido.
Felipe
se aproxima do carro de César.
CÉSAR: - Vamos então?
MARINA: - César, você se importa de levar
minha mãe até em casa?
CÉSAR: - Claro que não! Vamos juntos,
Virgínia.
VIRGÍNIA; - Você sempre querido, César.
FELIPE: - Nós não vamos direto para casa
então?
MARINA: - Não... Mas se você prefere ir direto
para casa, pode pegar um táxi à algumas quadras daqui.
FELIPE; - Eu só fiz uma pergunta, Marina...
Todos
entram no carro, que logo sai.
CENA
24. CARRO HELENA. INT. DIA.
Bento
dirige o carro. Matheus e Helena estão sentados no banco de trás.
BENTO: - Bastante gente no enterro.
HELENA: - É, a Olga era uma pessoa bem
conhecida, por ser a governanta dos Walker por anos!
MATHEUS: - O Ricardo estava bem triste...
HELENA: - Mas ele vai ter que se conformar,
Matheus. Coisas que acontecem na vida da gente. As pessoas morrem um dia. Por
isso que eu acho que se deve aproveitar a vida ao máximo. Nunca se sabe o dia
de amanhã.
MATHEUS: - Por falar nisso, mãe. Eu queria
falar uma coisa com você.
HELENA; - Pode dizer, meu filho.
MATHEUS; - Eu pensei bem e decidi que eu vou
para Londres.
HELENA (animada): - É mesmo?! Ai, que
maravilha!
MATHEUS; - Mas por pouco tempo... Vou para
lá, ver como são as coisas, mas logo eu volto.
HELENA: - Claro, sem problemas! O importante
é você ir, conhecer a universidade, o sistema de ensino. Para quando você for
num outro momento, já estar acostumado com tudo... Mas que bela notícia você me
dá, meu filho! Que bela notícia!
CENA
25. CALÇADÃO PRAIA REAL. QUIOSQUE. EXT. DIA.
Carvalho
e Sônia conversam.
SÔNIA; - E agora, que o Adriano já sabe, eu
vou apresentá-lo para minha mãe...
CARVALHO; - O Henrique já falou com a esposa
dele?
SÔNIA; - Acho que ainda não... Coitada da
Silvana. Está totalmente empenhada em dar um filho para ele. Ela é louca por
esse homem. É uma paixão quase que doentia.
CARVALHO: - E ele só está enganando ela,
ficando com a coitada, mas gostando de você.
SÔNIA: - Você acredita que ele até já cogitou
a ideia de se separar dela para ficar comigo? Imagina só, a loucura!
CARVALHO: - Muita loucura mesmo...
Nesse instante, Carvalho vê
Brenda, que volta do mercado com as sacolas das compras. Carvalho fica
“paralisado”, olhando a moça passar pelo quiosque. Sônia percebe.
SÔNIA: - EI, Carvalho? O que foi? Ficou
parado assim, de repente...
CARVALHO: - Sônia, vira para trás.
SÔNIA: - O que foi? Ah não! Se for o Henrique
novamente eu juro que...
CARVALHO: - Não é o Henrique. Vira agora!
Sônia se vira.
CARVALHO: - Você está vendo aquela moça, com
a sacola de compras?
SÔNIA: - Estou sim... Menina bonita ela.
CARVALHO: - Bonita como a mãe dela.
SÔNIA; - Você conhece a mãe dela?
CARVALHO: - Conheço... Conheço muito bem.
Estou inclusive sentado no quiosque, falando com ela.
SÔNIA; - Ah não, Carvalho, fala sério...
Sônia então cai em si.
SÔNIA; - Não, Carvalho... Não me diz que aquela
moça...
CARVALHO: - É a sua filha, Sônia. Ela é a
Brenda.
Sônia fica emocionada em ver a
filha.
FIM DO CAPÍTULO

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