segunda-feira, 29 de junho de 2015

Episódio 05: Reaper



Syndel tira fotos do interior do lugar e as envia para Jared e Kitana. Eu observo atentamente. A entrada é um pequeno corredor com paredes esverdeadas e iluminação forte. Ao final, há uma identificação ocular e o homem entra, mas a porta se fecha rapidamente, deixando eu e Syndel para trás.
De repente, a iluminação verde fica vermelha. Ouvimos uma voz eletrônica.
Invasão de perímetro. Invasão de perímetro. Exterminação em 20 segundos.
Syndel e eu ficamos desesperados.
Bato nas paredes em busca de alguma solução, mas não encontro nenhuma saída. Syndel saca suas armas e as carrega, apontando para o local de onde entramos. Olho para cima e vejo uma espécie de alavanca. Faço o máximo de força possível para girá-la e abrir a porta.
A porta desce e uma escada cai. Cutuco Syndel e peço para ela subir primeiro, o que ela faz sem pestanejar. Subo depois dela e puxo a escada para cima, fechando a porta. Ficamos num espaço bastante pequeno, guardado apenas para rastreadores. Consigo ouvir vários soldados entrando e discutindo sobre o nosso paradeiro, infelizmente, ninguém sabe onde estamos.
— Tem um monitor ali. – Syndel aponta.
Olho para a direção em que ela aponta e observo atentamente as filmagens da invasão de perímetro. Eles não estavam atrás de nós, estavam atrás de Jared e Luna. Isso não me faz ficar nem um pouco mais aliviado, mas certamente nos permitirá ganhar tempo. Esperamos os soldados limparem a área e descemos pela mesma porta.
— Por que você nos puxou para cima? – Ela pergunta, afobada. – Poderíamos ter usado o aparelho de invisibilidade.
— Como você mesmo disse, os aparelhos não são úteis contra sensor de calor.
Syndel parece satisfeita com a minha resposta. Procuro outro meio de entrarmos àquela sala e ela fica mexendo no aparelhinho ocular. Syndel coloca um microchip no fundo do aparelho e em seguida, posiciona sua câmera esquisita no local do scanner de retina. A imagem do homem aparece na tela.
— ... Ross. – Não consigo ler o nome inteiro.
— Vamos. – Syndel diz.
A porta se abre e nós dois entramos invisíveis por ela. As luzes tornam-se amareladas e apenas uma parte dos soldados vai avaliar o que é.
— Eu endoidei o identificador deles. A porta vai ficar abrindo a cada quinze segundos.
— Ótimo!
Olho ao redor. Estamos na entrada da Area 51, a sede. Aqui é como se fosse um lobby, com escadarias, elevadores – que suponho serem dirigidos ao subsolo – e placas de identificação. Syndel começa a andar avulsamente e entra comigo num almoxarifado.
— Entramos. – Ela diz.
Eu também. – Kitana responde do outro lado da linha.
Fico observando pela janelinha na porta do almoxarifado em busca de algum rosto conhecido. Vejo seis guardas rodeando uma mulher de óculos escuros, mas não consigo identifica-la. Abro a porta do almoxarifado e largo Syndel lá. Sigo a mulher.
Os seus seguranças a levam pelas escadas até uma espécie de sala de reunião, a qual eu não consigo entrar, mas consigo ouvir algumas coisas faladas lá dentro. Tento não encostar em nada e foco em derrubar algo lá dentro com minha telecinese. Dentro da sala há um vaso com uma planta, uma mesa com uma xícara de café em cima e um ventilador de teto. É uma sala simples. Foco em derrubar o ventilador.
Meus esforços são praticamente em vão. O ventilador é desparafusado pouco a pouco, mas tenho que concentrar em manter os parafusos no ar para que não desperte a atenção para atividades sobrenaturais. Continuo me concentrando. O segundo parafuso é retirado, e o ventilador fica meio bambo.
Vamos logo à garagem. – Ouço, e a mulher se levanta.
Retiro o terceiro parafuso e o meu nervosismo aumenta cada vez mais. Sinto alguém me cutucando no ombro e, com o susto, largo a telecinese, derrubando os parafusos no chão e deixando o ventilador pendurado. Os seguranças apontam armas para o ventilador, e a mulher parece um pouco perplexa. Olho para trás e vejo Syndel.
— Luna e Jared encontraram Ryan. Eles precisam de nossa ajuda para tirá-lo de lá.
— Vai ajuda-los. Eu vou seguir ela.
Syndel segura meu braço.
— Você vem comigo.
— Eu acho que não. – Respondo brutamente, e dou um impulso de telecinese que a joga uns dez metros para trás.
Certo, Syndel saiu. Olho ao redor e vejo os seguranças amontoados. Sigo-os até o elevador central, e corro para entrar lá primeiro que eles, assim eu não fico de fora. Meu aparelho de invisibilidade começa a falhar, mas devido ao amontoado de gente passando, ninguém percebe que estou visível. Fico em completo silêncio.
A mulher aperta um botão no elevador e as portas se fecham. Olho para frente o tempo inteiro. Não posso olhar para cima, pois as câmeras vão me pegar. Se o aparelho voltasse a funcionar, eu poderia ser passado como um fantasma que ninguém perceberia. A porta se abre novamente e eu fico invisível, mas não sei como. Todos saem do elevador e eu os acompanho. Caminho em silêncio e não sou percebido por ninguém, até que a mulher sobe num pedestal e, com seus guardas ao seu lado, posiciona os braços numa posição de apoio.
— Bem vindos, meus caros soldados! Por um ano inteiro vocês sofreram pelos portais do inferno. Nenhum de vocês lembra o que aconteceu ali, nem eu lembro, para falar a verdade, mas eu os garanto que estarão melhores comigo. Eu os manterei seguros. Eu os manterei fortes. Eu os manterei treinados para batalha e só peço uma coisa em troca: Lealdade. Vocês me ajudarão a ganhar essa batalha e de uma vez por todas tomar por o que é do nosso mestre por direito! Vocês me ouviram?! – Ela grita na última frase.
Aproximo-me da borda e vejo um exército de mil homens fácil, todos gritando a mesma coisa.
— TODOS SAÚDEM LILITH! TODOS SAÚDEM LILITH!
Olho direto para ela e me assusto ao perceber que ela também está olhando diretamente para mim.


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