Syndel tira fotos
do interior do lugar e as envia para Jared e Kitana. Eu observo atentamente. A
entrada é um pequeno corredor com paredes esverdeadas e iluminação forte. Ao
final, há uma identificação ocular e o homem entra, mas a porta se fecha
rapidamente, deixando eu e Syndel para trás.
De repente, a
iluminação verde fica vermelha. Ouvimos uma voz eletrônica.
— Invasão de perímetro. Invasão de perímetro.
Exterminação em 20 segundos.
Syndel e eu
ficamos desesperados.
Bato nas paredes
em busca de alguma solução, mas não encontro nenhuma saída. Syndel saca suas
armas e as carrega, apontando para o local de onde entramos. Olho para cima e
vejo uma espécie de alavanca. Faço o máximo de força possível para girá-la e
abrir a porta.
A porta desce e
uma escada cai. Cutuco Syndel e peço para ela subir primeiro, o que ela faz sem
pestanejar. Subo depois dela e puxo a escada para cima, fechando a porta.
Ficamos num espaço bastante pequeno, guardado apenas para rastreadores. Consigo
ouvir vários soldados entrando e discutindo sobre o nosso paradeiro,
infelizmente, ninguém sabe onde estamos.
— Tem um monitor
ali. – Syndel aponta.
Olho para a
direção em que ela aponta e observo atentamente as filmagens da invasão de
perímetro. Eles não estavam atrás de nós, estavam atrás de Jared e Luna. Isso
não me faz ficar nem um pouco mais aliviado, mas certamente nos permitirá
ganhar tempo. Esperamos os soldados limparem a área e descemos pela mesma
porta.
— Por que você nos
puxou para cima? – Ela pergunta, afobada. – Poderíamos ter usado o aparelho de
invisibilidade.
— Como você mesmo
disse, os aparelhos não são úteis contra sensor de calor.
Syndel parece
satisfeita com a minha resposta. Procuro outro meio de entrarmos àquela sala e
ela fica mexendo no aparelhinho ocular. Syndel coloca um microchip no fundo do
aparelho e em seguida, posiciona sua câmera esquisita no local do scanner de
retina. A imagem do homem aparece na tela.
— ... Ross. – Não
consigo ler o nome inteiro.
— Vamos. – Syndel
diz.
A porta se abre e
nós dois entramos invisíveis por ela. As luzes tornam-se amareladas e apenas
uma parte dos soldados vai avaliar o que é.
— Eu endoidei o
identificador deles. A porta vai ficar abrindo a cada quinze segundos.
— Ótimo!
Olho ao redor.
Estamos na entrada da Area 51, a sede. Aqui é como se fosse um lobby, com
escadarias, elevadores – que suponho serem dirigidos ao subsolo – e placas de
identificação. Syndel começa a andar avulsamente e entra comigo num
almoxarifado.
— Entramos. – Ela
diz.
— Eu também. – Kitana responde do outro
lado da linha.
Fico observando
pela janelinha na porta do almoxarifado em busca de algum rosto conhecido. Vejo
seis guardas rodeando uma mulher de óculos escuros, mas não consigo
identifica-la. Abro a porta do almoxarifado e largo Syndel lá. Sigo a mulher.
Os seus seguranças
a levam pelas escadas até uma espécie de sala de reunião, a qual eu não consigo
entrar, mas consigo ouvir algumas coisas faladas lá dentro. Tento não encostar
em nada e foco em derrubar algo lá dentro com minha telecinese. Dentro da sala
há um vaso com uma planta, uma mesa com uma xícara de café em cima e um
ventilador de teto. É uma sala simples. Foco em derrubar o ventilador.
Meus esforços são
praticamente em vão. O ventilador é desparafusado pouco a pouco, mas tenho que
concentrar em manter os parafusos no ar para que não desperte a atenção para
atividades sobrenaturais. Continuo me concentrando. O segundo parafuso é
retirado, e o ventilador fica meio bambo.
— Vamos logo à garagem. – Ouço, e a mulher
se levanta.
Retiro o terceiro
parafuso e o meu nervosismo aumenta cada vez mais. Sinto alguém me cutucando no
ombro e, com o susto, largo a telecinese, derrubando os parafusos no chão e
deixando o ventilador pendurado. Os seguranças apontam armas para o ventilador,
e a mulher parece um pouco perplexa. Olho para trás e vejo Syndel.
— Luna e Jared
encontraram Ryan. Eles precisam de nossa ajuda para tirá-lo de lá.
— Vai ajuda-los.
Eu vou seguir ela.
Syndel segura meu
braço.
— Você vem comigo.
— Eu acho que não.
– Respondo brutamente, e dou um impulso de telecinese que a joga uns dez metros
para trás.
Certo, Syndel
saiu. Olho ao redor e vejo os seguranças amontoados. Sigo-os até o elevador
central, e corro para entrar lá primeiro que eles, assim eu não fico de fora.
Meu aparelho de invisibilidade começa a falhar, mas devido ao amontoado de
gente passando, ninguém percebe que estou visível. Fico em completo silêncio.
A mulher aperta um
botão no elevador e as portas se fecham. Olho para frente o tempo inteiro. Não
posso olhar para cima, pois as câmeras vão me pegar. Se o aparelho voltasse a
funcionar, eu poderia ser passado como um fantasma que ninguém perceberia. A
porta se abre novamente e eu fico invisível, mas não sei como. Todos saem do
elevador e eu os acompanho. Caminho em silêncio e não sou percebido por
ninguém, até que a mulher sobe num pedestal e, com seus guardas ao seu lado,
posiciona os braços numa posição de apoio.
— Bem vindos, meus
caros soldados! Por um ano inteiro vocês sofreram pelos portais do inferno.
Nenhum de vocês lembra o que aconteceu ali, nem eu lembro, para falar a
verdade, mas eu os garanto que estarão melhores comigo. Eu os manterei seguros.
Eu os manterei fortes. Eu os manterei treinados para batalha e só peço uma coisa
em troca: Lealdade. Vocês me ajudarão a ganhar essa batalha e de uma vez por
todas tomar por o que é do nosso mestre por direito! Vocês me ouviram?! – Ela
grita na última frase.
Aproximo-me da
borda e vejo um exército de mil homens fácil, todos gritando a mesma coisa.
— TODOS SAÚDEM
LILITH! TODOS SAÚDEM LILITH!
Olho direto para
ela e me assusto ao perceber que ela também está olhando diretamente para mim.

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