segunda-feira, 27 de julho de 2015

CAPÍTULO 001 - Perigosa Tentação










CENA 1/ ESTRADA/ NOITE/ EXT.
Plano americano; Uma mulher de salto alto preto anda lentamente em uma rua deserta. A câmera vai subindo e vemos seu rosto. Loira, olhos azuis, e cabelos lisos.
Letreiro: REBECCA PASTEUR.
SOMBRAS começam a atravessar pelos grandes prédios na rua. Rebecca olha em volta de tudo, apreensiva, e continua a caminhar.
Um HOMEM sai lentamente de trás de um prédio, e posiciona o revólver em direção a Rebecca, que continua caminhando. Ela sorri, e vai tirando lentamente do bolso seu revólver.
Rebecca VIRA para o homem e realiza vários disparos nele. O homem CAI MORTO no chão.
Ela se aproxima dele, pisando em cima de seu corpo /
FADE OUT.
CENA 2/ LABORATÓRIO/ NOITE/ INT.
Vários aparelhos. O mesmo homem da cena anterior sendo analisado por especialistas, que observam seu corpo, deitado em uma maca. Todos os especialistas vestidos com uma roupa toda branca.
Rebecca ENTRA no laboratório, e os homens se afastam. Ela observa, friamente, o corpo do homem morto/
REBECCA    - Quero que retirem todos os órgãos que ainda estiverem funcionando nesse corpo, estão me ouvindo?! Não demorem muito, façam tudo antes que desse corpo só reste cheiro de carniça... Agora eu preciso ir para minha casa. Passar bem!
Rebecca se retira do local. Os especialistas continuam a mexer no tal corpo.
CORTA PARA/
CENA 3/ SALÃO DE FESTAS/ NOITE/ INT.
Várias pessoas elegantes conversando entre si. Um grande palanque armado, com um microfone em cima.
Um homem (aproximadamente uns cinquenta anos, cabelos escuros, gordo, terno branco) sobe no palanque, e fica a frente do microfone.
HOMEM      - E é com muito orgulho que entrego esse prêmio tão ilustre a uma pessoa tão ilustre! Desejo que suba ao palco o vencedor da categoria Empresa do Ano... Orlando Pasteur!
Todos APLAUDEM.
Orlando (cabelos grisalhos, aproximadamente uns cinquenta anos, terno preto, barba feita) sobe ao palanque. Uma mulher elegante, negra e de vestido azul, sobe logo atrás dele com um troféu na mão e o entrega.
ORLANDO    - Muito obrigado, muito obrigado! Estou muito feliz de estar aqui, de poder receber esse prêmio tão importante... É uma pena que minha esposa não esteja aqui para ver como a nossa empresa só progride! Eu também queria aproveitar a oportunidade, e anunciar que serei pai pela primeira vez, o que me enche de orgulho... Novamente agradeço a todos vocês, e tenham uma ótima festa!
Cliques de fotógrafos em Orlando. Ele desce as escadas do palanque, e segue em direção à saída da festa.
CORTA PARA/
CENA 4/ SALÃO DE FESTAS/ NOITE/ GARAGEM/ INT.
Orlando vai em direção a sua caminhonete 4x4 preta. Ele olha para o relógio, desarma o alarme do carro, e abre a sua porta. Um fotógrafo o segue.
FOTÓGRAFO  - Será que o senhor poderia me conceder uma foto?
ORLANDO    - Bom, caro rapaz... A hora de tirar foto já acabou. Como você deve estar percebendo, agora eu estou me retirando da festa para ir a um lugar que você nem queira saber!
FOTÓGRAFO  - (deboche) Xi... Eu querer saber?! Isso já não é mais novidade para ninguém, doutor... Todos nós sabemos que os ricos também frequentam esses bordéis de mulheres da vida!
Orlando se enfurece, aproxima-se do fotógrafo e o pega pela gola da camisa.
ORLANDO    - Escuta aqui, rapaz... Você não me conhece, não sabe do que eu sou capaz de fazer quando alguém me incomoda... É melhor você ficar bem quietinho, sair daqui e ir direto pra sua casa! Agora vai, vai... Babaca!
O fotógrafo sai correndo, assustado. Orlando se recompõe, arruma seu terno e ENTRA no carro. Em seguida, ele vai embora.
CORTA PARA/
CENA 5/ MANSÃO DOS PASTEUR/ NOITE/ SALA DE ESTAR.
SALA pouco iluminada. Um grande silêncio. Rebecca com um longo vestido vermelho, a colocar vinho em sua taça. Ela toma o vinho aos poucos. Senta-se no sofá, e cruza as pernas. Uma empregada – vestida com o típico uniforme utilizado por elas, chega à sala. Rebecca percebe, e encara a empregada/
REBECCA    - (furiosa) O que você quer? Eu já não te falei que quero ficar sozinha, no mais completo silêncio, na mais profunda solidão!
EMPREGADA  - É que o Dr. Orlando deseja falar com a senhora... Ele está no telefone!
REBECCA    - Está bem! Pode deixar que eu atendo aqui, e, por favor, não me incomode mais!
EMPREGADA  - Sim senhora!
A empregada se retira. Rebecca se levanta, e vai em direção ao telefone no criado-mudo ao lado direito do sofá.
REBECCA    - (tel.) Pode falar! O que você quer?
ORLANDO    - (tel./ off) Consegui uma mulher linda... Stefanny é o nome dela! Daquele jeito que você gosta... Novinha, olhos bem arregalados, bem sadia! Nos daria uma boa grana!
REBECCA    - (tel./ friamente) Só isso?!
ORLANDO    - (tel./ off) Só... Está acontecendo alguma coisa que eu não saiba?
REBECCA    - (tel.) Não... Eu só quero descansar... Tive um longo dia, e o que eu mais quero é poder me deitar em minha cama, e acordar apenas amanhã, e de preferência bem tarde!
Rebecca desliga o telefone, sentando-se novamente no sofá. Ela cruza as pernas, e fica pensativa. FLASHS de uma mulher sendo largada no altar/
CORTA PARA/
FLASHBACK/ CENA 6/ MANSÃO DOS FONSECA/ DIA/ INT/ QUARTO DE REBECCA.
Rebecca, aparentemente mais nova, aproximadamente vinte anos, mas com os mesmos traços de quando mais velha – nas sequências anteriores em 1995.
Ela vestida de noiva, de frente ao espelho, sendo arrumada por Virgínia (aparentemente uns sessenta anos, cabelos grisalhos, rouba típica à época) arruma os detalhes de seu longo vestido.
VIRGÍNIA   - Você está linda, minha filha! Eu chego até a me emocionar em vê-la tão linda, tão elegante!
Alegre, Rebecca se vira a Virgínia, dando um beijo em sua testa.
REBECCA    - Eu estou muito feliz... Mas muito mesmo! Obrigada!
Rebecca e Virgínia ficam em silêncio, se encarando com carinho. Elas começam a se emocionar/
VIRGÍNIA   - Agora vamos... Vamos embora se não esse chororô nunca para!
Rebecca e Virgínia, abraçadas, saem do cômodo.
CORTA PARA/
FLASHBACK/ CENA 7/ MANSÃO DOS AMARAL/ DIA/ INT./ QUARTO DE RAFAEL.
LOCAL bem masculino. Rafael (jovem bonito, olhos azuis, cabelos loiros, forte, alto, aproximadamente uns vinte e cinco anos, vestido com um terno de casório) dá os últimos ajustes na gravata. Lúcio (cabelos negros, olhos arregalados e negros, pele branca, terno branco, mesma idade de Rafael) está sentado na cama, que fica em frente ao guarda-roupa, que ocupa toda uma parede do quarto.
Rafael se observa no espelho/
RAFAEL     - Fala aí... Eu to lindo, ou não to?!
LÚCIO      - Se você ta dizendo! Vem cá, você tem certeza que é isso mesmo que você quer?
RAFAEL     - O que? Me casar com Rebecca? É claro!
LÚCIO      - Não é o que parece... Você ama mesmo essa moça?
RAFAEL     - Amar! (ri com deboche) Você ta de brincadeira... Só pode! Eu não amo ninguém, Lúcio... Quer dizer, eu me amo, mas isso é um caso a parte!
LÚCIO      - (preocupado) Acho que você ainda não sabe onde está se metendo... A família Fonseca é poderosa, podem mandar te apagar em poucos segundos!
Rafael fecha a cara. Lúcio se levanta da cama. Os dois se encaram.
RAFAEL     - A família Fonseca é tão poderosa quanto a minha família! Nas minhas veias correm o sangue da família Amaral, e eu, como um Amaral, não vou desistir por nada de me casar com a gostosinha!
Rafael sai do quarto. Lúcio, pensativo, sai em seguida/
CORTA PARA/
FLASHBACK/ CENA 8/ IGREJA/ DIA/ INT.
VÁRIAS pessoas entrando na igreja, outras já sentadas nos bancos. Rafael em seu devido lugar. Lúcio a seu lado direto, junto com uma mulher – cabelos castanhos, vestido azul, desconhecida, sua mãe, Luana (cabelos brancos, aproximadamente sessenta e poucos anos, vestido simples rosa).
Ao lado esquerdo, Virgínia e mais duas pessoas desconhecidas. Rebecca aparece na porta da igreja ao lado de seu pai Manoel (cabelos brancos, aproximadamente uns setenta anos, terno branco e olhos azuis). Ela sorri. Todos se levantam, e toca o hino. Lúcio, angustiado, olhando as expressões cínicas de Rafael. Ela segue até ao lado de Rafael, emocionada. As pessoas em volta sorrindo. Manoel entrega Rebecca aos braços de seu noivo.
PADRE      - É com fins matrimoniais que nos reunimos aqui, para realizar mais uma união, repleta de amor, de sentimento... É aqui, na presença de Deus, que lhes pergunto... Rebecca Fonseca, a senhora aceita o senhor Rafael Amaral como seu legítimo esposo?
Rebecca, apaixonada, olha para Rafael.
REBECCA    - Aceito!
PADRE      - Rafael Amaral, o senhor aceita a senhora Rebecca Fonseca como sua legítima esposa?
RAFAEL     - Sim!
PADRE      - Então vos declaro... Marido e mulher!
Os dois se olham, e se beijam em seguida. Todos aplaudem.
Sonoplastia: PURGAÇAO.
Os dois saem da igreja. Pessoas jogam grãos de arroz neles, que entram em um carro. Nas portas estão escritas: RECÉM-CASADOS.
Eles, já dentro do carro, acenam para todos, e seguem.
CORTA IMEDIATAMENTE PARA/
FLASHBACK/ CENA 9/ HOTEL/ NOITE/ INT/ QUARTO.
Rebecca deitada na cama, com os seios a mostra, e com uma coberta até a altura do umbigo. Rafael, também nu, com a bunda a mostra, de costas a Rebecca, serve duas taças de champanhe. Ele se vira a Rebecca, e entrega uma nas mãos dela.
Rebecca fica sentada na cama. Rafael também se senta. Os dois brindam e bebem a taça inteira. Eles se beijam calorosamente.
RAFAEL     - E aí? Gostou?
REBECCA    - Sim... Amei! Me senti nas nuvens!
RAFAEL     - Que bom! E o que está achando do hotel que nossos pais nos deram?
REBECCA    - Também maravilhoso! Está tudo incrível, meu amor!
RAFAEL     - Olha... Eu sei que está muito bom, mas eu preciso sair... Resolver umas coisas, e ainda passar no banco pra tirar mais dinheiro! Afinal, precisamos aproveitar nossa lua de mel.
Rebecca estranha, mas afirma com a cabeça.
Rafael e Rebecca se beijam novamente. Ele começa a se vestir, e sai.
O telefone, que fica ao lado esquerdo da cama em um criado-mudo, toca. Rebecca, surpresa, atende.
VOZ FEMININA- (tel./ em off) Alô... Anda amor! Já estou te esperando há muito tempo, e nada de você chegar!(ninguém responde/ silêncio de Rebecca) Alô?! Amor? Você está aí! Não se esqueça, hein?! Rua... [não escutamos o que ela diz].
Com os olhos cheios de lágrimas, Rebecca desliga o telefone, e vai em direção à cômoda. Ela pega uma blusa preta e uma calça jeans.
Rebecca coloca a mão na gaveta, e sente algo estranho. Ao tirar, vê um revólver.
REBECCA    - (com ódio) Hoje eu acabo com a vida desse desgraçado!
Rebecca enfia o revólver por dentro da calça e sai do hotel/
CORTA PARA/
FLASHBACK/ CENA 10/ RUA/ NOITE/ EXT.
Rebecca chora. Ela segue o caminho com raiva. FLASHS da voz feminina ouvida no telefone/
CORTA PARA/
FLASHBACK/ CENA 11/ CASA/ NOITE/ EXT./ FACHADA.
Rebecca parada na fachada da CASA (velha, cor branca, mas já desgastada, janelas de madeira).
REBECCA    - Pronto... Cheguei! É aqui!
Rebecca tenta forçar o portão, que abre. Ela entra no quintal da casa.
Fade Out.
FLASHBACK/ CENA 12/ CASA/ INT/ SALA DE ESTAR.
Casa ANTIGA com características bem brasileiras. Sofás vermelhos no meio da sala, televisão preto e branco antiga. Rebecca entra na casa. O ranger da porta a espanta, mas ela segue. Altos gemidos são escutados. Rebecca, angustiada, tira o revólver da calça, e sobe as escadas.
Com a arma apontada para frente, ela olha pelo buraco da fechadura. A mulher (cabelos ruivos, olhos azuis e profundos, completamente nua) geme e quica em cima de Rafael, que também geme de prazer. Ela abre a porta, e aponta a arma para eles, que se espantam e ficam paralisados.
RAFAEL     - (desesperado/ mãos ao alto) Por favor... Não cometa uma loucura... Eu te amo!
REBECCA    - (com ódio/ apontando a arma) Você já cometeu uma loucura ao me trair... Ao trair uma mulher que antes era ingênua e agora conhece muito bem o homem com quem se casou! Como eu posso ter me enganado tanto com um homem como você!
A mulher também desesperada. Rafael, desesperado, começa a chorar.
REBECCA    - (grita/ com ódio) VÁ PRO INFERNO!
A câmera foca no lado externo da casa, especificamente na janela. Escuta-se o barulho de quatro tiros, e quatro grandes clarões.
A câmera volta novamente para dentro da casa. Rafael e a mulher mortos com os olhos abertos em cima da cama. Rebecca toda ensanguentada fecha os olhos dos dois. Orlando (também mais jovem aproximadamente trinta anos, cabelos castanhos, vestido com um elegante terno referente à época) entra no quarto com várias sacolas na mão, se assusta ao ver a cena.
ORLANDO    - (assustado) Quem é você?
Rebecca se vira para trás, com olhos carregados de ódio e tristeza. Orlando encara-a como se estivesse gostando da situação.
REBECCA    - (com medo) Por favor, não me denuncie! Eu não sei o que aconteceu!
ORLANDO    - Calma... Não tenha medo! Eu não vou fazer nada com você!
REBECCA    - Minha família tem dinheiro... Me diga... Quanto o senhor quer para compensar o que fiz?
Orlando sorri cinicamente, e se aproxima de Rebecca.
ORLANDO    - Eu quero você!
REBECCA    - (confusa) Ham?!
ORLANDO    - (friamente) Eu sou dono de uma empresa muito famosa... Meu nome é Orlando Pasteur... Essa era a minha mulher Cecília... Me traía há muito tempo, e ainda estava me ameaçando! Você me fez foi um grande favor mandando essa maldita direto para o inferno! A minha empresa é detentora de grandes ações... Digamos que somos críticos da moda, se tratando de modelos de coisas matrimoniais! Você é linda! Só que além da grana alta que eu consigo com a empresa, eu tenho uma clínica... As modelos vão lá, se consultam, vemos como estão os seus órgãos, e pá! Matamos e vendemos seus órgãos e sangue!
REBECCA    - (assustada) E você quer que eu me envolva nesse processo criminoso? É isso?
Orlando se aproxima ainda mais de Rebecca, e a rouba um beijo.
ORLANDO    - Digamos que sim! Pense bem... Afinal, qual é o seu nome?
REBECCA    - Rebecca... Rebecca Fonseca!
ORLANDO    - Iremos nos casar, vamos viver felizes, e além de tudo, você passará a assinar o nome Rebecca Pasteur! Imagine o luxo, a fama que você não teria! Seria destemida, seria uma verdadeira primeira dama da moda!
Rebecca fica pensativa. Silêncio por segundos/
REBECCA    - (firme) Está bem! Em nome da vingança... Eu aceito!
Rebecca estende as mãos para Orlando, que a cumprimenta.
REBECCA    - (cont.) E os corpos? O que fazemos com eles?
ORLANDO    - Fique tranquila... Eu resolvo isso!
Orlando e Rebecca se beijam calorosamente. A câmera vai se afastando, e ao fundo os corpos e muito sangue.
Sonoplastia: Secret.
VOLTA PARA O TEMPO ATUAL.
CENA 13/ MANSÃO DOS PASTEUR/ NOITE/ INT/ SALA DE ESTAR.
Continuação imediata da cena 5.
Rebecca ainda sentada no sofá. Ela começa a chorar.
REBECCA    - Dezessete anos... Já se passaram dezessete anos desse ocorrido! Por que fizestes isso comigo, Rafael?! Por quê?!
Uma lágrima de Rebecca cai dentro da taça, que é quebrada por ela. Um pouco de sangue escorre das mãos dela.
Rebecca pega sua bolsa ao seu lado no sofá, e se retira da casa.
CORTA PARA/
CENA 14/ STOCK-SHOTS/ NOITE.
Imagens de Londres. Carros circulando a cidade. Uma chuva se aproximando.
CENA 15/ CASA DE PROSTITUIÇÃO/ NOITE/ INT/ SALÃO.
Panorâmica. Local escuro, iluminado apenas por luzes vermelhas. Várias mulheres seminuas dançando em volta de homens que, sentados em sofás, fazem insinuações de prazer, mordendo os lábios, e apalpando a bunda das mulheres. Mulheres realizando sexo oral em homens no meio do salão.
Rebecca ENTRA no local, e observa. Ela segue em direção a uma garota (olhos claros, cabelos loiros, aproximadamente uns vinte anos, semi-nua) que dança sozinha no meio do salão. TERESA (cafetina, cabelos negros e cacheados, aproximadamente sessenta anos, olhos escuros, vestida com um longo vestido azul e um intenso batom vermelho) se aproxima de Rebecca, que fica parada em um canto do salão. As duas ficam frente a frente. Um garçom passa por perto e Teresa pega duas taças de champanhe, entregando uma nas mãos de Rebecca.
TERESA     - Como vão os seus negócios particulares, amiga?
REBECCA    - Estão indo muito bem... Eu nunca pensei que poderia ficar tão rica lidando com algo tão diferente assim!
Teresa dá uma golada no champanhe.
TERESA     - (apontando para tudo em volta) Está vendo tudo isso? Eu não consegui toda essa fama de uma hora para outra, Rebecca. Tudo em seu tempo! O dinheiro que ganho é consequência da minha luta diária para encontrar mulheres que estejam dispostas a tudo! Então esse dinheiro que eu ganho é justo sim... Você deveria pensar da mesma forma, sabia?!
Rebecca continua a observar a menina, e Teresa percebe.
TERESA     - (cont.) Por que você tanto olha pra essa moça? Você...
REBECCA    - (corta Teresa) Quanto?
TERESA     - Ham?
REBECCA    - Quanto você quer nessa moça? Eu quero levá-la comigo...
TERESA     - Quem? A Stefanny? (ri com deboche) Aquela ali nunca iria aceitar ir com você... Só pra se ter uma ideia, Stefanny veio para cá pra pagar o tratamento da mãe, que parece ter um câncer muito raro! Ah, e não se engane muito! Pelo o que me contaram ela está grávida, e nem sabe quem possa ser o pai!
Rebecca dá a última golada no champanhe, e joga a taça no chão, que se quebra em vários pedaços. Teresa assustada.
REBECCA    - Mas quem te disse que ela precisa saber para onde vai!
Rebecca vai até Stefanny, que se espanta com ela.
REBECCA    - Será que nós poderíamos ter uma breve conversa?
Stefanny, com a cabeça, faz sinal de afirmação. As duas sobem as escadas do salão.
CORTA PARA/
CENA 16/ CASA DE PROSTITUIÇÃO/ NOITE/ INT/ QUARTO.
Local simplório. Uma grande cama de casal no meio do quarto, e um guarda-roupa no canto esquerdo. Stefanny se senta na cama, Rebecca continua de pé.
STEFANNY   - Eu só queria deixar claro de uma vez que eu não faço trabalho para mulheres, somente para homens!
REBECCA    - Não é pra isso que eu te trouxe até aqui!
STEFANNY   - Então pra quê? Fala logo, eu não posso perder muitos clientes!
Rebecca começa a andar de um lado para o outro no quarto.
REBECCA    - Creio que você já deve ter visto ou ouvido falar no meu nome... Rebecca Pasteur!
STEFANNY   - Sim! Eu conheço a senhora, sei que tem uma empresa que patrocina desfiles de moda, relacionados a casamentos... Inclusive já acompanhei alguns pela TV quando eu era pequena! Mas o que isso tem a ver?
REBECCA    - Eu estou realizando uma nova seleção de garotas para trabalharem comigo, porém devem ser bonitas, isso chama atenção em Londres, sabia?! Me interessei muito por você... Faz o tipo da firma!
Stefanny se levanta, vai em direção à porta, e fica de costas para Rebecca, que, disfarçadamente, esboça um sorriso cínico.
STEFANNY   - Não sei! Não sei!
REBECCA    - O que você não sabe?! É uma oportunidade única, querida... Você vai ficar rica, vai ficar milionária. A Teresa me disse que você precisa de dinheiro pra pagar o tratamento de sua mãe... Pois bem, eu adianto o seu pagamento, você paga o tratamento de sua mãe e pronto... Depois só vai mesmo trabalhar em benefício próprio, sem se preocupar com ninguém! Claro, além de seu filho, que eu vou dar casa, comida, além de escola e tudo mais. E aí, posso contar com você?
Rebecca estende a mão para Stefanny, que se vira para Rebecca, e fica pensativa. As duas trocam olhares. Rebecca com um sorriso no rosto. Stefanny aperta a mão dela.
FADE OUT.
CENA 17/ STOCK-SHOTS/ DIA-NOITE.

CENA 18/ HOSPITAL/ DIA/ INT/ SALA DE PARTO.
Rebecca e Stefanny de mãos dadas, as duas deitadas em macas gritando para o parto. Vários enfermeiros, devidamente vestidos, realizam o parto duplo. Orlando, do lado de fora, olhando pela janela, observa toda movimentação. Nascem duas crianças, seguradas respectivamente por duas enfermeiras.
ENFERMEIRA 1 – (a Stefanny) É uma menina!
ENFERMEIRA 2 – (a Rebecca) Também é uma menina!
Stefanny vai definhando, ficando pálida, e morre. Todos ficam desesperados, tentando reanimá-la. Rebecca, assustada, encara os enfermeiros.
REBECCA    - What's going on? What happened? (O que está acontecendo? O que foi que aconteceu?)
ENFERMEIRO - Unfortunately it was too late! The patient is dead! (Infelizmente foi tarde demais! A paciente está morta!)
TENSÃO!!!
REBECCA    - (nervosa/ fraca) Please give me this child ... I will pay a lot for it! Tell that woman is my sister, and who were born twins of my uterus, but do not say anything for this child is the daughter of this woman! (Por favor, me deem essa criança... Eu pagarei muito bem por isso! Digam que essa mulher é minha irmã, e que nasceram gêmeos do meu útero, mas não digam por nada que essa criança é filha dessa mulher!)
Os enfermeiros se assustam, e se encaram.
CORTA PARA/
CENA 19/ HOSPITAL/ DIA/ INT/ QUARTO.
Um médico brasileiro, vestido de branco, vai com Orlando até o quarto de Rebecca. Eles entram no quarto, e ela força choro.
Orlando beija sua testa/
REBECCA    - Creio que já deve ter ficado sabendo da morte da Stefanny, não é mesmo?!
ORLANDO    - Uma perda lastimável! O doutor acaba de me falar!
DOUTOR     - Bom, eu vou deixar vocês conversarem em paz e vou passar em outros quartos... Até já!
O médico se retira. Orlando, sem entender, encara Rebecca, que limpa as falsas lágrimas.
ORLANDO    - Que história é essa de ser irmã da tal Stefanny?!
REBECCA    - (falando baixo) Se liga, Orlando! Se eu declarar que sou parente da garota, o que será fácil, pois fiz um acordo com os enfermeiros, o corpo será nosso, e mais lucro e dinheiro pra gente, e o melhor, não precisamos mexer um dedo para que isso aconteça!
Orlando abaixa a cabeça. Rebecca olha para ele, assustada e confusa.
REBECCA    - (falando baixo) Ou eu estou errada?!
ORLANDO    - (falando baixo) Tá bem, tá bem! Eu coloquei veneno no soro que levaram para fazer o parto... Por sorte a criança nasceu bem!
REBECCA    - (espantada) Eu não acredito! Você foi inteligente pelo menos uma vez na vida... Mas, enfim, quanto à criança eu criarei ela como irmã da nossa filha verdadeira... Eu posso ser o que for, mas eu não vou fazer mal a uma criança!
CORTE IMEDIATO PARA/
CENA 20/ STOCK-SHOTS/ DIA-NOITE

CENA 21/ LAGO/ EXT.
Maya (verdadeira filha de Rebecca – cabelos ondulados e negros, olhos arregalados e negros. Boca pequena, magra, com um vestido rosa) e Carolina (filha de Stefanny – cabelos cacheados e loiros, olhos azuis da cor do mar. Boca pequena, com um vestido azul) brincam de pique-pega em volta do lago. Orlando de terno e Rebecca com um vestido azul colado e com óculos escuros, observam as crianças.
Sonoplastia – MESMA LUZ (Carol Celico e Cláudia Leitte)
As duas se cansam e ficam ofegantes, se abraçando em seguida.
MAYA       - Você é a melhor irmã do mundo, Carol!
CAROLINA   - Você que é Maya! Eu te amo! Amo mais que chocolate!
As duas começam a rir, e corre em direção ao carro. Todos entram no carro, e seguem viagem.
CORTA PARA/
CENA 22/ CARRO/ DIA/ INT/ DENTRO DO CARRO.
Orlando dirige o carro. Rebecca a seu lado. As crianças atrás.
Ele, aparentemente, nervoso. Rebecca, disfarçadamente, olha para Orlando.
REBECCA    - Está bem... Já chega! O que está acontecendo?!
ORLANDO    - Uma grande crise, Rebecca... A situação da nossa empresa está ficando cada vez mais complicada e eu já não sei mais o que fazer!
REBECCA    - Venda ações... Procure novos aliados!
ORLANDO    - As coisas não são tão fáceis como você imagina!
REBECCA    - Está bem, mas, por favor, pare de reclamar!
Orlando, por nervosismo, acelera o carro. Um caminhão segue rapidamente a sua frente. Rebecca se assusta. Orlando também.
REBECA     - OLHA O CAMINHÃOO!!!
O caminhão colide com o carro, fazendo um imenso barulho. A câmera se aproxima do carro. Todos desmaiados. O motorista do caminhão sai do veículo, vai até o carro, coloca a mão na cabeça, e retorna ao caminhão. Ele liga o rádio do veículo.
MOTORISTA  - Pelo amor de Deus, patrão... Acabou de acontecer um grave acidente aqui em Londres... Eu estou perdido!
Minutos depois, chegam várias ambulâncias. Paramédicos transportam os acidentados em uma maca, e saem rapidamente com a sirene ligada, em seguida.
CORTA PARA/
CENA 23/ HOSPITAL/ DIA/ INT/ QUARTO DE INTERNAÇÃO.
Orlando abrindo os olhos lentamente. Os barulhos fortes dos aparelhos marcam sua pressão arterial e coração. Rebecca, Maya e Carolina, um pouco acidentadas, ficam de pé em volta de Orlando. O médico ao lado com uma cara não tão agradável.
ORLANDO    - (fraco) O que aconteceu? Vocês estão bem?
REBECCA    - Estamos!
ORLANDO    - Então por que vocês estão me olhando com essas caras de bunda?
Todos em silêncio por segundos/
ORLANDO    - (cont.) Hein?! Agora pra piorar não vão me responder... É isso?!
MÉDICO     - O senhor sofreu um acidente muito grave, Dr. Orlando... Poderia não ter aguentado!
ORLANDO    - Então é por isso? Está bem, doutor, sermãozinho a essa hora da manhã já é um pouco demais!
MÉDICO     - É parece que pelo menos em organismo você está melhor, mas há um problema... Digamos que uma sequela causada pela grave lesão que você sofreu!
ORLANDO    - (grita) ANDAA!!! FALAA!!! EU VOU FICAR ALEIJADO?!!
MÉDICO     - O senhor está paraplégico! Não pode se mover da cintura para baixo! Eu sinto muito!
ORLANDO    - (grita/ chora) Eu estou aleijado e é só isso que o senhor tem pra me falar?! Eu sinto muito! O senhor não sente não, porque se realmente sentisse eu tenho certeza que teria me curado! Eu vou processar essa espelunca!
Rebecca tenta acalmar Orlando. Maya e Carolina abraçadas, chorando e com medo/
REBECCA    - Tente se controlar, Orlando! Por favor, tente se controlar! Pense no que não poderia ter acontecido... (grita) VOCÊ PODERIA ESTAR MORTO!
ORLANDO    - (grita) EU PREFERIA ESTAR MORTO, DO QUE ESTAR ALEIJADO!!!
A câmera, de longe, registra Maya e Carolina abraçadas. O médico e Rebecca tentando controlar Orlando.
FADE OUT.
CENA 24/ MANSÃO DOS PASTEUR/ DIA/ INT./ QUARTO DO CASAL.
Rebecca empurra Orlando, que fica com a cara fechada. Ele se olha no espelho.
ORLANDO    - Olha como eu estou... Um velho, um aleijado, um inútil!
REBECCA    - Vou deixar você se humilhar um pouco mais, e vou trabalhar! Tchau!
Rebecca se retira do cômodo/
CORTA PARA/
CENA 25/ MANSÃO DOS PASTEUR/ DIA/ INT./ SALA DE ESTAR.
Rebecca desce as escadas rapidamente. Uma redonda mesa de vidro transparente localizada no canto direito da sala de estar/
REBECCA    - (grita) Silene! Tem alguma carta? (espera alguns segundos) Ué? Será que a Silene não veio hoje?!
Rebecca vai até a mesa, e vê uma carta em cima da mesma. Ela pega-a e abre-a.

Querido sobrinho,
Eis que não poderia partir sem o brinde de lhe deixar uma parcela, mesmo que pequena, de toda minha fortuna, a qual seu pai me ajudou a construir. Fiquei sabendo que você agora tem filhas gêmeas, pelo o que me falaram se chamam Maya e Carolina... Nomes lindos e angelicais! Oh meu sobrinho, como eu queria ter o desfrute de conhecê-las, mas não será possível. O maldito câncer me pegou de jeito, tão forte, que nem mesmo os médicos me deram esperanças. Quando se vê a morte de perto, tenha certeza sobrinho, é muito mais sereno. Eu sei que vou partir a qualquer momento, e eu sei do que vivi ao lado daqueles que amo aqui na Terra. Se existe vida pós-morte, se existe reencarnação, eu queria muito poder voltar como sua tia novamente, em poder cuidar de você, em poder sentir seu doce olhar quando criança. Enfim, na minha conta estão depositadas 50 milhões de dólares. Fique à vontade para tirar, a senha é 1408. Te amo muito, eu e lá do céu, o seu tio Edgar.
Assinado: Maria Fernanda Medeiros.
Rebecca se assusta, e guarda a carta entre os peitos. A câmera se aproxima em seu rosto.
REBECCA    - Essa mulher não é rica... Essa mulher é milionária! Eu preciso dar um jeito nisso! Dessa vez eu não vou apenas pegar esse dinheiro, essa é a parte mais fácil... Eu vou limpar minha honra, e ainda vou sair por cima e me tornar ainda mais poderosa!
Rebecca ajeita seus cabelos com as mãos, e sai da casa.
CORTA PARA/
CENA 26/ STOCK-SHOTS/ NOITE.
Imagens do anoitecer em Londres/
CENA 27/ MANSÃO DOS PASTEUR/ NOITE/ INT/ SALA DE JANTAR.
TODA família sentada em volta de uma longa mesa. Rebecca na ponta da mesa, e Orlando ao seu lado direito. Maya e Carolina em silêncio. Empregados de pé ao lado de seus patrões.
REBECCA    - Vim anunciar que vamos morar no Brasil!
Todos espantados/
REBECCA    - (cont.) É isso mesmo! O Orlando não está muito bem, e nada melhor do que voltar para lá! Quero respirar ares brasileiros!
Orlando ri ironicamente/
REBECCA    - (cont.) Qual é a graça... Me conte... Eu também quero rir!
ORLANDO    - A graça é você falando que quer respirar ares brasileiros... Conta outra, Rebecca... Você sempre odiou o Brasil!
REBECCA    - Lembra que eu disse que apesar de tudo sou um ser humano?! Então, isso também vale para o fato de se mudar de ideia. Ok? Arrumem suas malas... Partiremos amanhã!
Rebecca limpa sua boca com um guardanapo e se retira da mesa. Os outros ainda continuam a comer.
CORTA PARA/
CENA 28/ STOCK-SHOTS/ NOITE-DIA.
Imagens do amanhecer em Londres.
CENA 29/ EMPRESA PASTEUR/ DIA/ INT./ HELIPONTO.
Maya, Carolina, e Rebecca empurrando Orlando na cadeira de rodas entram no jatinho.
Rebecca com uns óculos escuros observa tudo a sua volta através do vidro do jatinho.
O jatinho começa a voar, e segue viagem/
CORTA PARA/
CENA 30/ EMPRESA PASTEUR BRASIL/ TARDE/ INT./ HELIPONTO.
Maya, Carolina, Orlando e Rebecca descem respectivamente do jatinho. A câmera aproxima a Rebecca, que tira os óculos.
REBECCA    - Chegamos!
Panorâmica; TODA família Pasteur em cima do Heliponto, observando tudo a volta com malas na mão/


ESCRITO POR
João Carvalho Netto

COM A COLABORAÇÃO DOS ESCRITORES
Cristina Ravela
Wesley Alcântara
Vitor Abou
Rynaldo Nascimento

ESCRITA COM
Isabelle Carvalho
Joyce Cardoso

DIRIGIDA POR
Guilherme Pereira
Vitor Abou
Rennan Lopes
Wesley Alcântara
Isa Nota

DIREÇÃO DE ARTE
Guilherme Pereira

DIREÇÃO GERAL
Vitor Abou

DIREÇÃO GERAL DE DRAMATURGIA
Wesley Alcântara
Isa Nota

Ambos pertencentes ao Fórum Dramatúrgico.

"Essa novela é uma produção fictícia, qualquer semelhança a realidade terá sido mera coincidência" 

REALIZAÇÃO


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