CENA 1/ ESTRADA/ NOITE/ EXT.
Plano americano; Uma mulher de salto alto preto anda
lentamente em uma rua deserta. A câmera vai subindo e vemos seu rosto. Loira,
olhos azuis, e cabelos lisos.
Letreiro:
REBECCA PASTEUR.
SOMBRAS
começam a atravessar pelos grandes prédios na rua. Rebecca olha em volta de
tudo, apreensiva, e continua a caminhar.
Um
HOMEM sai lentamente de trás de um prédio, e posiciona o revólver em direção a
Rebecca, que continua caminhando. Ela sorri, e vai tirando lentamente do bolso
seu revólver.
Rebecca
VIRA para o homem e realiza vários disparos nele. O homem CAI MORTO no chão.
Ela se aproxima dele, pisando em cima de seu corpo /
Ela se aproxima dele, pisando em cima de seu corpo /
FADE
OUT.
CENA
2/ LABORATÓRIO/ NOITE/ INT.
Vários
aparelhos. O mesmo homem da cena anterior sendo analisado por especialistas,
que observam seu corpo, deitado em uma maca. Todos os especialistas vestidos
com uma roupa toda branca.
Rebecca
ENTRA no laboratório, e os homens se afastam. Ela observa, friamente, o corpo
do homem morto/
REBECCA - Quero que retirem todos os
órgãos que ainda estiverem funcionando nesse corpo, estão me ouvindo?! Não
demorem muito, façam tudo antes que desse corpo só reste cheiro de carniça...
Agora eu preciso ir para minha casa. Passar bem!
Rebecca
se retira do local. Os especialistas continuam a mexer no tal corpo.
CORTA PARA/
CENA
3/ SALÃO DE FESTAS/ NOITE/ INT.
Várias
pessoas elegantes conversando entre si. Um grande palanque armado, com um
microfone em cima.
Um
homem (aproximadamente uns cinquenta anos, cabelos escuros, gordo, terno
branco) sobe no palanque, e fica a frente do microfone.
HOMEM - E é com muito orgulho que
entrego esse prêmio tão ilustre a uma pessoa tão ilustre! Desejo que suba ao
palco o vencedor da categoria Empresa do Ano... Orlando Pasteur!
Todos
APLAUDEM.
Orlando
(cabelos grisalhos, aproximadamente uns cinquenta anos, terno preto, barba
feita) sobe ao palanque. Uma mulher elegante, negra e de vestido azul, sobe
logo atrás dele com um troféu na mão e o entrega.
ORLANDO - Muito obrigado, muito
obrigado! Estou muito feliz de estar aqui, de poder receber esse prêmio tão
importante... É uma pena que minha esposa não esteja aqui para ver como a nossa
empresa só progride! Eu também queria aproveitar a oportunidade, e anunciar que
serei pai pela primeira vez, o que me enche de orgulho... Novamente agradeço a
todos vocês, e tenham uma ótima festa!
Cliques
de fotógrafos em Orlando. Ele desce as escadas do palanque, e segue em direção
à saída da festa.
CORTA PARA/
CENA
4/ SALÃO DE FESTAS/ NOITE/ GARAGEM/ INT.
Orlando
vai em direção a sua caminhonete 4x4 preta. Ele olha para o relógio, desarma o
alarme do carro, e abre a sua porta. Um fotógrafo o segue.
FOTÓGRAFO - Será que o senhor poderia
me conceder uma foto?
ORLANDO - Bom, caro rapaz... A hora
de tirar foto já acabou. Como você deve estar percebendo, agora eu estou me
retirando da festa para ir a um lugar que você nem queira saber!
FOTÓGRAFO - (deboche) Xi... Eu querer
saber?! Isso já não é mais novidade para ninguém, doutor... Todos nós sabemos
que os ricos também frequentam esses bordéis de mulheres da vida!
Orlando
se enfurece, aproxima-se do fotógrafo e o pega pela gola da camisa.
ORLANDO - Escuta aqui, rapaz... Você
não me conhece, não sabe do que eu sou capaz de fazer quando alguém me
incomoda... É melhor você ficar bem quietinho, sair daqui e ir direto pra sua
casa! Agora vai, vai... Babaca!
O
fotógrafo sai correndo, assustado. Orlando se recompõe, arruma seu terno e
ENTRA no carro. Em seguida, ele vai embora.
CORTA
PARA/
CENA
5/ MANSÃO DOS PASTEUR/ NOITE/ SALA DE ESTAR.
SALA
pouco iluminada. Um grande silêncio. Rebecca com um longo vestido vermelho, a
colocar vinho em sua taça. Ela toma o vinho aos poucos. Senta-se no sofá, e
cruza as pernas. Uma empregada – vestida com o típico uniforme utilizado por
elas, chega à sala. Rebecca percebe, e encara a empregada/
REBECCA - (furiosa) O
que você quer? Eu já não te falei que quero ficar sozinha, no mais completo
silêncio, na mais profunda solidão!
EMPREGADA - É que o Dr. Orlando deseja
falar com a senhora... Ele está no telefone!
REBECCA - Está bem! Pode deixar que
eu atendo aqui, e, por favor, não me incomode mais!
EMPREGADA - Sim senhora!
A
empregada se retira. Rebecca se levanta, e vai em direção ao telefone no
criado-mudo ao lado direito do sofá.
REBECCA - (tel.) Pode falar! O que
você quer?
ORLANDO - (tel./ off) Consegui
uma mulher linda... Stefanny é o nome dela! Daquele jeito que você gosta...
Novinha, olhos bem arregalados, bem sadia! Nos daria uma boa grana!
REBECCA - (tel./ friamente) Só
isso?!
ORLANDO - (tel./ off) Só...
Está acontecendo alguma coisa que eu não saiba?
REBECCA - (tel.) Não... Eu só quero
descansar... Tive um longo dia, e o que eu mais quero é poder me deitar em
minha cama, e acordar apenas amanhã, e de preferência bem tarde!
Rebecca
desliga o telefone, sentando-se novamente no sofá. Ela cruza as pernas, e fica
pensativa. FLASHS de uma mulher sendo largada no altar/
CORTA PARA/
FLASHBACK/
CENA 6/ MANSÃO DOS FONSECA/ DIA/ INT/ QUARTO DE REBECCA.
Rebecca,
aparentemente mais nova, aproximadamente vinte anos, mas com os mesmos traços
de quando mais velha – nas sequências anteriores em 1995.
Ela
vestida de noiva, de frente ao espelho, sendo arrumada por Virgínia
(aparentemente uns sessenta anos, cabelos grisalhos, rouba típica à época)
arruma os detalhes de seu longo vestido.
VIRGÍNIA - Você está linda, minha
filha! Eu chego até a me emocionar em vê-la tão linda, tão elegante!
Alegre,
Rebecca se vira a Virgínia, dando um beijo em sua testa.
REBECCA - Eu estou muito feliz...
Mas muito mesmo! Obrigada!
Rebecca
e Virgínia ficam em silêncio, se encarando com carinho. Elas começam a se
emocionar/
VIRGÍNIA - Agora vamos... Vamos
embora se não esse chororô nunca para!
Rebecca
e Virgínia, abraçadas, saem do cômodo.
CORTA PARA/
FLASHBACK/
CENA 7/ MANSÃO DOS AMARAL/ DIA/ INT./ QUARTO DE RAFAEL.
LOCAL
bem masculino. Rafael (jovem bonito, olhos azuis, cabelos loiros, forte, alto,
aproximadamente uns vinte e cinco anos, vestido com um terno de casório) dá os
últimos ajustes na gravata. Lúcio (cabelos negros, olhos arregalados e negros,
pele branca, terno branco, mesma idade de Rafael) está sentado na cama, que
fica em frente ao guarda-roupa, que ocupa toda uma parede do quarto.
Rafael
se observa no espelho/
RAFAEL - Fala aí... Eu to lindo, ou
não to?!
LÚCIO - Se você ta dizendo! Vem
cá, você tem certeza que é isso mesmo que você quer?
RAFAEL - O que? Me casar com
Rebecca? É claro!
LÚCIO - Não é o que parece... Você
ama mesmo essa moça?
RAFAEL - Amar! (ri com deboche)
Você ta de brincadeira... Só pode! Eu não amo ninguém, Lúcio... Quer dizer, eu
me amo, mas isso é um caso a parte!
LÚCIO - (preocupado) Acho
que você ainda não sabe onde está se metendo... A família Fonseca é poderosa,
podem mandar te apagar em poucos segundos!
Rafael
fecha a cara. Lúcio se levanta da cama. Os dois se encaram.
RAFAEL - A família Fonseca é tão
poderosa quanto a minha família! Nas minhas veias correm o sangue da família
Amaral, e eu, como um Amaral, não vou desistir por nada de me casar com a
gostosinha!
Rafael
sai do quarto. Lúcio, pensativo, sai em seguida/
CORTA PARA/
FLASHBACK/
CENA 8/ IGREJA/ DIA/ INT.
VÁRIAS
pessoas entrando na igreja, outras já sentadas nos bancos. Rafael em seu devido
lugar. Lúcio a seu lado direto, junto com uma mulher – cabelos castanhos,
vestido azul, desconhecida, sua mãe, Luana (cabelos brancos, aproximadamente
sessenta e poucos anos, vestido simples rosa).
Ao
lado esquerdo, Virgínia e mais duas pessoas desconhecidas. Rebecca aparece na
porta da igreja ao lado de seu pai Manoel (cabelos brancos, aproximadamente uns
setenta anos, terno branco e olhos azuis). Ela sorri. Todos se levantam, e toca
o hino. Lúcio, angustiado, olhando as expressões cínicas de Rafael. Ela segue
até ao lado de Rafael, emocionada. As pessoas em volta sorrindo. Manoel entrega
Rebecca aos braços de seu noivo.
PADRE - É com fins matrimoniais
que nos reunimos aqui, para realizar mais uma união, repleta de amor, de
sentimento... É aqui, na presença de Deus, que lhes pergunto... Rebecca
Fonseca, a senhora aceita o senhor Rafael Amaral como seu legítimo esposo?
Rebecca,
apaixonada, olha para Rafael.
REBECCA - Aceito!
PADRE - Rafael Amaral, o senhor
aceita a senhora Rebecca Fonseca como sua legítima esposa?
RAFAEL - Sim!
PADRE - Então vos declaro...
Marido e mulher!
Os
dois se olham, e se beijam em seguida. Todos aplaudem.
Sonoplastia: PURGAÇAO.
Os
dois saem da igreja. Pessoas jogam grãos de arroz neles, que entram em um
carro. Nas portas estão escritas: RECÉM-CASADOS.
Eles,
já dentro do carro, acenam para todos, e seguem.
CORTA IMEDIATAMENTE PARA/
FLASHBACK/
CENA 9/ HOTEL/ NOITE/ INT/ QUARTO.
Rebecca
deitada na cama, com os seios a mostra, e com uma coberta até a altura do
umbigo. Rafael, também nu, com a bunda a mostra, de costas a Rebecca, serve
duas taças de champanhe. Ele se vira a Rebecca, e entrega uma nas mãos dela.
Rebecca
fica sentada na cama. Rafael também se senta. Os dois brindam e bebem a taça
inteira. Eles se beijam calorosamente.
RAFAEL - E aí? Gostou?
REBECCA - Sim... Amei! Me senti nas
nuvens!
RAFAEL - Que bom! E o que está
achando do hotel que nossos pais nos deram?
REBECCA - Também maravilhoso! Está
tudo incrível, meu amor!
RAFAEL - Olha... Eu sei que está
muito bom, mas eu preciso sair... Resolver umas coisas, e ainda passar no banco
pra tirar mais dinheiro! Afinal, precisamos aproveitar nossa lua de mel.
Rebecca
estranha, mas afirma com a cabeça.
Rafael
e Rebecca se beijam novamente. Ele começa a se vestir, e sai.
O
telefone, que fica ao lado esquerdo da cama em um criado-mudo, toca. Rebecca,
surpresa, atende.
VOZ
FEMININA- (tel./ em off) Alô... Anda amor! Já estou te
esperando há muito tempo, e nada de você chegar!(ninguém responde/ silêncio de
Rebecca) Alô?! Amor? Você está aí! Não se esqueça, hein?! Rua... [não escutamos
o que ela diz].
Com
os olhos cheios de lágrimas, Rebecca desliga o telefone, e vai em direção à
cômoda. Ela pega uma blusa preta e uma calça jeans.
Rebecca
coloca a mão na gaveta, e sente algo estranho. Ao tirar, vê um revólver.
REBECCA - (com ódio) Hoje eu acabo com a vida desse desgraçado!
Rebecca
enfia o revólver por dentro da calça e sai do hotel/
CORTA PARA/
FLASHBACK/
CENA 10/ RUA/ NOITE/ EXT.
Rebecca
chora. Ela segue o caminho com raiva. FLASHS da voz feminina ouvida no
telefone/
CORTA PARA/
FLASHBACK/
CENA 11/ CASA/ NOITE/ EXT./ FACHADA.
Rebecca
parada na fachada da CASA (velha, cor branca, mas já desgastada, janelas de
madeira).
REBECCA - Pronto... Cheguei! É aqui!
Rebecca
tenta forçar o portão, que abre. Ela entra no quintal da casa.
Fade Out.
FLASHBACK/
CENA 12/ CASA/ INT/ SALA DE ESTAR.
Casa
ANTIGA com características bem brasileiras. Sofás vermelhos no meio da sala,
televisão preto e branco antiga. Rebecca entra na casa. O ranger da porta a
espanta, mas ela segue. Altos gemidos são escutados. Rebecca, angustiada, tira
o revólver da calça, e sobe as escadas.
Com
a arma apontada para frente, ela olha pelo buraco da fechadura. A mulher
(cabelos ruivos, olhos azuis e profundos, completamente nua) geme e quica em
cima de Rafael, que também geme de prazer. Ela abre a porta, e aponta a arma
para eles, que se espantam e ficam paralisados.
RAFAEL - (desesperado/ mãos ao alto) Por
favor... Não cometa uma loucura... Eu te amo!
REBECCA - (com ódio/ apontando a arma) Você
já cometeu uma loucura ao me trair... Ao trair uma mulher que antes era ingênua
e agora conhece muito bem o homem com quem se casou! Como eu posso ter me
enganado tanto com um homem como você!
A
mulher também desesperada. Rafael, desesperado, começa a chorar.
REBECCA - (grita/ com ódio) VÁ
PRO INFERNO!
A
câmera foca no lado externo da casa, especificamente na janela. Escuta-se o
barulho de quatro tiros, e quatro grandes clarões.
A
câmera volta novamente para dentro da casa. Rafael e a mulher mortos com os
olhos abertos em cima da cama. Rebecca toda ensanguentada fecha os olhos dos
dois. Orlando (também mais jovem aproximadamente trinta anos, cabelos
castanhos, vestido com um elegante terno referente à época) entra no quarto com
várias sacolas na mão, se assusta ao ver a cena.
ORLANDO - (assustado) Quem
é você?
Rebecca
se vira para trás, com olhos carregados de ódio e tristeza. Orlando encara-a
como se estivesse gostando da situação.
REBECCA - (com medo) Por
favor, não me denuncie! Eu não sei o que aconteceu!
ORLANDO - Calma... Não tenha medo!
Eu não vou fazer nada com você!
REBECCA - Minha família tem
dinheiro... Me diga... Quanto o senhor quer para compensar o que fiz?
Orlando
sorri cinicamente, e se aproxima de Rebecca.
ORLANDO - Eu quero você!
REBECCA - (confusa) Ham?!
ORLANDO - (friamente) Eu
sou dono de uma empresa muito famosa... Meu nome é Orlando Pasteur... Essa era
a minha mulher Cecília... Me traía há muito tempo, e ainda estava me ameaçando!
Você me fez foi um grande favor mandando essa maldita direto para o inferno! A
minha empresa é detentora de grandes ações... Digamos que somos críticos da
moda, se tratando de modelos de coisas matrimoniais! Você é linda! Só que além
da grana alta que eu consigo com a empresa, eu tenho uma clínica... As modelos
vão lá, se consultam, vemos como estão os seus órgãos, e pá! Matamos e vendemos
seus órgãos e sangue!
REBECCA - (assustada) E
você quer que eu me envolva nesse processo criminoso? É isso?
Orlando
se aproxima ainda mais de Rebecca, e a rouba um beijo.
ORLANDO - Digamos que sim! Pense
bem... Afinal, qual é o seu nome?
REBECCA - Rebecca... Rebecca
Fonseca!
ORLANDO - Iremos nos casar, vamos
viver felizes, e além de tudo, você passará a assinar o nome Rebecca Pasteur!
Imagine o luxo, a fama que você não teria! Seria destemida, seria uma
verdadeira primeira dama da moda!
Rebecca
fica pensativa. Silêncio por segundos/
REBECCA - (firme) Está bem! Em nome
da vingança... Eu aceito!
Rebecca
estende as mãos para Orlando, que a cumprimenta.
REBECCA - (cont.) E os corpos? O que
fazemos com eles?
ORLANDO - Fique tranquila... Eu
resolvo isso!
Orlando
e Rebecca se beijam calorosamente. A câmera vai se afastando, e ao fundo os
corpos e muito sangue.
Sonoplastia: Secret.
VOLTA PARA O TEMPO ATUAL.
CENA
13/ MANSÃO DOS PASTEUR/ NOITE/ INT/ SALA DE ESTAR.
Continuação
imediata da cena 5.
Rebecca
ainda sentada no sofá. Ela começa a chorar.
REBECCA - Dezessete anos... Já se
passaram dezessete anos desse ocorrido! Por que fizestes isso comigo, Rafael?!
Por quê?!
Uma
lágrima de Rebecca cai dentro da taça, que é quebrada por ela. Um pouco de
sangue escorre das mãos dela.
Rebecca
pega sua bolsa ao seu lado no sofá, e se retira da casa.
CORTA PARA/
CENA
14/ STOCK-SHOTS/ NOITE.
Imagens
de Londres. Carros circulando a cidade. Uma chuva se aproximando.
CENA
15/ CASA DE PROSTITUIÇÃO/ NOITE/ INT/ SALÃO.
Panorâmica. Local escuro, iluminado apenas por
luzes vermelhas. Várias mulheres seminuas dançando em volta de homens que,
sentados em sofás, fazem insinuações de prazer, mordendo os lábios, e apalpando
a bunda das mulheres. Mulheres realizando sexo oral em homens no meio do salão.
Rebecca
ENTRA no local, e observa. Ela segue em direção a uma garota (olhos claros,
cabelos loiros, aproximadamente uns vinte anos, semi-nua) que dança sozinha no
meio do salão. TERESA (cafetina, cabelos negros e cacheados, aproximadamente
sessenta anos, olhos escuros, vestida com um longo vestido azul e um intenso
batom vermelho) se aproxima de Rebecca, que fica parada em um canto do salão.
As duas ficam frente a frente. Um garçom passa por perto e Teresa pega duas
taças de champanhe, entregando uma nas mãos de Rebecca.
TERESA - Como vão os seus negócios
particulares, amiga?
REBECCA - Estão indo muito bem... Eu
nunca pensei que poderia ficar tão rica lidando com algo tão diferente assim!
Teresa
dá uma golada no champanhe.
TERESA - (apontando para tudo em volta) Está
vendo tudo isso? Eu não consegui toda essa fama de uma hora para outra, Rebecca.
Tudo em seu tempo! O dinheiro que ganho é consequência da minha luta diária
para encontrar mulheres que estejam dispostas a tudo! Então esse dinheiro que
eu ganho é justo sim... Você deveria pensar da mesma forma, sabia?!
Rebecca
continua a observar a menina, e Teresa percebe.
TERESA - (cont.) Por
que você tanto olha pra essa moça? Você...
REBECCA - (corta Teresa) Quanto?
TERESA - Ham?
REBECCA - Quanto você quer nessa
moça? Eu quero levá-la comigo...
TERESA - Quem? A Stefanny? (ri com
deboche) Aquela ali nunca iria aceitar ir com você... Só pra se ter uma ideia,
Stefanny veio para cá pra pagar o tratamento da mãe, que parece ter um câncer
muito raro! Ah, e não se engane muito! Pelo o que me contaram ela está grávida,
e nem sabe quem possa ser o pai!
Rebecca
dá a última golada no champanhe, e joga a taça no chão, que se quebra em vários
pedaços. Teresa assustada.
REBECCA - Mas quem te disse que ela
precisa saber para onde vai!
Rebecca
vai até Stefanny, que se espanta com ela.
REBECCA - Será que nós poderíamos
ter uma breve conversa?
Stefanny,
com a cabeça, faz sinal de afirmação. As duas sobem as escadas do salão.
CORTA
PARA/
CENA
16/ CASA DE PROSTITUIÇÃO/ NOITE/ INT/ QUARTO.
Local
simplório. Uma grande cama de casal no meio do quarto, e um guarda-roupa no
canto esquerdo. Stefanny se senta na cama, Rebecca continua de pé.
STEFANNY - Eu só queria deixar claro
de uma vez que eu não faço trabalho para mulheres, somente para homens!
REBECCA - Não é pra isso que eu te
trouxe até aqui!
STEFANNY - Então pra quê? Fala logo,
eu não posso perder muitos clientes!
Rebecca
começa a andar de um lado para o outro no quarto.
REBECCA - Creio que você já deve ter
visto ou ouvido falar no meu nome... Rebecca Pasteur!
STEFANNY - Sim! Eu conheço a senhora,
sei que tem uma empresa que patrocina desfiles de moda, relacionados a
casamentos... Inclusive já acompanhei alguns pela TV quando eu era pequena! Mas
o que isso tem a ver?
REBECCA - Eu estou realizando uma
nova seleção de garotas para trabalharem comigo, porém devem ser bonitas, isso
chama atenção em Londres, sabia?! Me interessei muito por você... Faz o tipo da
firma!
Stefanny
se levanta, vai em direção à porta, e fica de costas para Rebecca, que,
disfarçadamente, esboça um sorriso cínico.
STEFANNY - Não sei! Não sei!
REBECCA - O que você não sabe?! É
uma oportunidade única, querida... Você vai ficar rica, vai ficar milionária. A
Teresa me disse que você precisa de dinheiro pra pagar o tratamento de sua
mãe... Pois bem, eu adianto o seu pagamento, você paga o tratamento de sua mãe
e pronto... Depois só vai mesmo trabalhar em benefício próprio, sem se
preocupar com ninguém! Claro, além de seu filho, que eu vou dar casa, comida,
além de escola e tudo mais. E aí, posso contar com você?
Rebecca
estende a mão para Stefanny, que se vira para Rebecca, e fica pensativa. As
duas trocam olhares. Rebecca com um sorriso no rosto. Stefanny aperta a mão
dela.
FADE
OUT.
CENA
17/ STOCK-SHOTS/ DIA-NOITE.
CENA
18/ HOSPITAL/ DIA/ INT/ SALA DE PARTO.
Rebecca
e Stefanny de mãos dadas, as duas deitadas em macas gritando para o parto.
Vários enfermeiros, devidamente vestidos, realizam o parto duplo. Orlando, do
lado de fora, olhando pela janela, observa toda movimentação. Nascem duas
crianças, seguradas respectivamente por duas enfermeiras.
ENFERMEIRA
1 – (a Stefanny) É uma menina!
ENFERMEIRA
2 – (a Rebecca) Também é uma menina!
Stefanny
vai definhando, ficando pálida, e morre. Todos ficam desesperados, tentando
reanimá-la. Rebecca, assustada, encara os enfermeiros.
REBECCA - What's going on? What
happened? (O que
está acontecendo? O que foi que aconteceu?)
ENFERMEIRO - Unfortunately it was too
late! The patient is dead! (Infelizmente foi tarde demais! A paciente está morta!)
TENSÃO!!!
REBECCA - (nervosa/ fraca) Please
give me this child ... I will pay a lot for it! Tell that woman is my sister,
and who were born twins of my uterus, but do not say anything for this child is
the daughter of this woman! (Por favor, me deem essa criança... Eu pagarei muito bem por
isso! Digam que essa mulher é minha irmã, e que nasceram gêmeos do meu útero,
mas não digam por nada que essa criança é filha dessa mulher!)
Os
enfermeiros se assustam, e se encaram.
CORTA PARA/
CENA
19/ HOSPITAL/ DIA/ INT/ QUARTO.
Um
médico brasileiro, vestido de branco, vai com Orlando até o quarto de Rebecca.
Eles entram no quarto, e ela força choro.
Orlando
beija sua testa/
REBECCA - Creio que já deve ter
ficado sabendo da morte da Stefanny, não é mesmo?!
ORLANDO - Uma perda lastimável! O
doutor acaba de me falar!
DOUTOR - Bom, eu vou deixar vocês
conversarem em paz e vou passar em outros quartos... Até já!
O
médico se retira. Orlando, sem entender, encara Rebecca, que limpa as falsas
lágrimas.
ORLANDO - Que história é essa de ser
irmã da tal Stefanny?!
REBECCA - (falando baixo) Se
liga, Orlando! Se eu declarar que sou parente da garota, o que será fácil, pois
fiz um acordo com os enfermeiros, o corpo será nosso, e mais lucro e dinheiro
pra gente, e o melhor, não precisamos mexer um dedo para que isso aconteça!
Orlando
abaixa a cabeça. Rebecca olha para ele, assustada e confusa.
REBECCA - (falando baixo) Ou
eu estou errada?!
ORLANDO - (falando baixo) Tá
bem, tá bem! Eu coloquei veneno no soro que levaram para fazer o parto... Por
sorte a criança nasceu bem!
REBECCA - (espantada) Eu
não acredito! Você foi inteligente pelo menos uma vez na vida... Mas, enfim,
quanto à criança eu criarei ela como irmã da nossa filha verdadeira... Eu posso
ser o que for, mas eu não vou fazer mal a uma criança!
CORTE IMEDIATO PARA/
CENA
20/ STOCK-SHOTS/ DIA-NOITE
CENA
21/ LAGO/ EXT.
Maya
(verdadeira filha de Rebecca – cabelos ondulados e negros, olhos arregalados e
negros. Boca pequena, magra, com um vestido rosa) e Carolina (filha de Stefanny
– cabelos cacheados e loiros, olhos azuis da cor do mar. Boca pequena, com um
vestido azul) brincam de pique-pega em volta do lago. Orlando de terno e
Rebecca com um vestido azul colado e com óculos escuros, observam as crianças.
Sonoplastia – MESMA LUZ (Carol Celico e Cláudia Leitte)
As
duas se cansam e ficam ofegantes, se abraçando em seguida.
MAYA - Você é a melhor irmã do
mundo, Carol!
CAROLINA - Você que é Maya! Eu te
amo! Amo mais que chocolate!
As
duas começam a rir, e corre em direção ao carro. Todos entram no carro, e seguem
viagem.
CORTA PARA/
CENA
22/ CARRO/ DIA/ INT/ DENTRO DO CARRO.
Orlando
dirige o carro. Rebecca a seu lado. As crianças atrás.
Ele,
aparentemente, nervoso. Rebecca, disfarçadamente, olha para Orlando.
REBECCA - Está bem... Já chega! O
que está acontecendo?!
ORLANDO - Uma grande crise,
Rebecca... A situação da nossa empresa está ficando cada vez mais complicada e
eu já não sei mais o que fazer!
REBECCA - Venda ações... Procure
novos aliados!
ORLANDO - As coisas não são tão
fáceis como você imagina!
REBECCA - Está bem, mas, por favor,
pare de reclamar!
Orlando,
por nervosismo, acelera o carro. Um caminhão segue rapidamente a sua frente.
Rebecca se assusta. Orlando também.
REBECA - OLHA O CAMINHÃOO!!!
O
caminhão colide com o carro, fazendo um imenso barulho. A câmera se aproxima do
carro. Todos desmaiados. O motorista do caminhão sai do veículo, vai até o
carro, coloca a mão na cabeça, e retorna ao caminhão. Ele liga o rádio do
veículo.
MOTORISTA - Pelo amor de Deus,
patrão... Acabou de acontecer um grave acidente aqui em Londres... Eu estou
perdido!
Minutos
depois, chegam várias ambulâncias. Paramédicos transportam os acidentados em
uma maca, e saem rapidamente com a sirene ligada, em seguida.
CORTA PARA/
CENA
23/ HOSPITAL/ DIA/ INT/ QUARTO DE INTERNAÇÃO.
Orlando
abrindo os olhos lentamente. Os barulhos fortes dos aparelhos marcam sua
pressão arterial e coração. Rebecca, Maya e Carolina, um pouco acidentadas,
ficam de pé em volta de Orlando. O médico ao lado com uma cara não tão
agradável.
ORLANDO - (fraco) O que aconteceu?
Vocês estão bem?
REBECCA - Estamos!
ORLANDO - Então por que vocês estão
me olhando com essas caras de bunda?
Todos
em silêncio por segundos/
ORLANDO - (cont.) Hein?! Agora pra
piorar não vão me responder... É isso?!
MÉDICO - O senhor sofreu um
acidente muito grave, Dr. Orlando... Poderia não ter aguentado!
ORLANDO - Então é por isso? Está
bem, doutor, sermãozinho a essa hora da manhã já é um pouco demais!
MÉDICO - É parece que pelo menos em
organismo você está melhor, mas há um problema... Digamos que uma sequela
causada pela grave lesão que você sofreu!
ORLANDO - (grita) ANDAA!!! FALAA!!!
EU VOU FICAR ALEIJADO?!!
MÉDICO - O senhor está paraplégico!
Não pode se mover da cintura para baixo! Eu sinto muito!
ORLANDO - (grita/ chora) Eu
estou aleijado e é só isso que o senhor tem pra me falar?! Eu sinto muito! O
senhor não sente não, porque se realmente sentisse eu tenho certeza que teria
me curado! Eu vou processar essa espelunca!
Rebecca
tenta acalmar Orlando. Maya e Carolina abraçadas, chorando e com medo/
REBECCA - Tente se controlar,
Orlando! Por favor, tente se controlar! Pense no que não poderia ter
acontecido... (grita) VOCÊ PODERIA ESTAR MORTO!
ORLANDO - (grita) EU PREFERIA ESTAR
MORTO, DO QUE ESTAR ALEIJADO!!!
A
câmera, de longe, registra Maya e Carolina abraçadas. O médico e Rebecca
tentando controlar Orlando.
FADE OUT.
CENA
24/ MANSÃO DOS PASTEUR/ DIA/ INT./ QUARTO DO CASAL.
Rebecca
empurra Orlando, que fica com a cara fechada. Ele se olha no espelho.
ORLANDO - Olha como eu estou... Um
velho, um aleijado, um inútil!
REBECCA - Vou deixar você se
humilhar um pouco mais, e vou trabalhar! Tchau!
Rebecca
se retira do cômodo/
CORTA PARA/
CENA
25/ MANSÃO DOS PASTEUR/ DIA/ INT./ SALA DE ESTAR.
Rebecca
desce as escadas rapidamente. Uma redonda mesa de vidro transparente localizada
no canto direito da sala de estar/
REBECCA - (grita) Silene! Tem alguma
carta? (espera alguns segundos) Ué? Será que a Silene não veio hoje?!
Rebecca
vai até a mesa, e vê uma carta em cima da mesma. Ela pega-a e abre-a.
Querido sobrinho,
Eis que não poderia partir sem
o brinde de lhe deixar uma parcela, mesmo que pequena, de toda minha fortuna, a
qual seu pai me ajudou a construir. Fiquei sabendo que você agora tem filhas
gêmeas, pelo o que me falaram se chamam Maya e Carolina... Nomes lindos e
angelicais! Oh meu sobrinho, como eu queria ter o desfrute de conhecê-las, mas
não será possível. O maldito câncer me pegou de jeito, tão forte, que nem mesmo
os médicos me deram esperanças. Quando se vê a morte de perto, tenha certeza
sobrinho, é muito mais sereno. Eu sei que vou partir a qualquer momento, e eu
sei do que vivi ao lado daqueles que amo aqui na Terra. Se existe vida pós-morte,
se existe reencarnação, eu queria muito poder voltar como sua tia novamente, em
poder cuidar de você, em poder sentir seu doce olhar quando criança. Enfim, na
minha conta estão depositadas 50 milhões de dólares. Fique à vontade para
tirar, a senha é 1408. Te amo muito, eu e lá do céu, o seu tio Edgar.
Assinado: Maria Fernanda Medeiros.
Rebecca
se assusta, e guarda a carta entre os peitos. A câmera se aproxima em seu
rosto.
REBECCA - Essa mulher não é rica...
Essa mulher é milionária! Eu preciso dar um jeito nisso! Dessa vez eu não vou
apenas pegar esse dinheiro, essa é a parte mais fácil... Eu vou limpar minha
honra, e ainda vou sair por cima e me tornar ainda mais poderosa!
Rebecca
ajeita seus cabelos com as mãos, e sai da casa.
CORTA PARA/
CENA
26/ STOCK-SHOTS/ NOITE.
Imagens do anoitecer em Londres/
CENA
27/ MANSÃO DOS PASTEUR/ NOITE/ INT/ SALA DE JANTAR.
TODA
família sentada em volta de uma longa mesa. Rebecca na ponta da mesa, e Orlando
ao seu lado direito. Maya e Carolina em silêncio. Empregados de pé ao lado de
seus patrões.
REBECCA - Vim anunciar que vamos
morar no Brasil!
Todos
espantados/
REBECCA - (cont.) É isso mesmo! O
Orlando não está muito bem, e nada melhor do que voltar para lá! Quero respirar
ares brasileiros!
Orlando
ri ironicamente/
REBECCA - (cont.) Qual é a graça...
Me conte... Eu também quero rir!
ORLANDO - A graça é você falando que
quer respirar ares brasileiros... Conta outra, Rebecca... Você sempre odiou o
Brasil!
REBECCA - Lembra que eu disse que
apesar de tudo sou um ser humano?! Então, isso também vale para o fato de se
mudar de ideia. Ok? Arrumem suas malas... Partiremos amanhã!
Rebecca
limpa sua boca com um guardanapo e se retira da mesa. Os outros ainda continuam
a comer.
CORTA PARA/
CENA
28/ STOCK-SHOTS/ NOITE-DIA.
Imagens do amanhecer em Londres.
CENA
29/ EMPRESA PASTEUR/ DIA/ INT./ HELIPONTO.
Maya,
Carolina, e Rebecca empurrando Orlando na cadeira de rodas entram no jatinho.
Rebecca
com uns óculos escuros observa tudo a sua volta através do vidro do jatinho.
O
jatinho começa a voar, e segue viagem/
CORTA PARA/
CENA
30/ EMPRESA PASTEUR BRASIL/ TARDE/ INT./ HELIPONTO.
Maya,
Carolina, Orlando e Rebecca descem respectivamente do jatinho. A câmera
aproxima a Rebecca, que tira os óculos.
REBECCA - Chegamos!
Panorâmica; TODA família Pasteur em cima do
Heliponto, observando tudo a volta com malas na mão/
ESCRITO POR
João Carvalho Netto
COM A COLABORAÇÃO DOS ESCRITORES
Cristina Ravela
Wesley Alcântara
Vitor Abou
Rynaldo Nascimento
ESCRITA COM
Isabelle Carvalho
Joyce Cardoso
DIRIGIDA POR
Guilherme Pereira
Vitor Abou
Rennan Lopes
Wesley Alcântara
Isa Nota
DIREÇÃO DE ARTE
Guilherme Pereira
DIREÇÃO GERAL
Vitor Abou
DIREÇÃO GERAL DE DRAMATURGIA
Wesley Alcântara
Isa Nota
Ambos pertencentes ao Fórum Dramatúrgico.
"Essa novela é uma produção fictícia, qualquer semelhança a realidade terá sido mera coincidência"
REALIZAÇÃO












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