quinta-feira, 23 de julho de 2015

Episódio 10: Reaper


Nenhum de nós move um músculo. Kratos, Íris e Jared estão desacordados. Olho para Luna e Kitana, que foram arremessadas na mesma direção, e ambas permanecem imóveis por alguns segundos. Não vejo Syndel ou Ryan, mas ignoro por um tempo.
Morte continua com a arma apontada para Chloe e isso é como se fosse uma estaca no coração de cada um de nós. Estávamos indo atrás de Ariel para impedir uma aliança com Morte, e ele acabou nos encontrando primeiro. Levanto-me e fico cara a cara com ele.
— Deixe-a ir. – Digo. – Você só precisa de mim.
— Isso é verdade. – Ele suspira – Mas seria mais interessante se alguns de vocês viessem comigo, não seria?
Minha visão se escurece por alguns minutos. Quando recupero os meus sentidos, olho ao redor e vejo Luna, Ryan e Syndel ao meu lado, também desnorteados. Morte caminha em direção a uma porta e nós o seguimos.
Ele abre a porta e consigo ver uma espécie de cabana abandonada. Não tenho a menor ideia de onde estamos, mas tento não questionar por um momento. Ele entra na cabana e nós fazemos o mesmo. Luna parece estar desconfiada – assim como eu – mas seja lá o que Morte quer, precisa de mais de uma pessoa para conseguir.
— A essa altura você já deve saber que o homem que derrotou no labirinto não era Eu. O que você não sabe, era o que eu estava fazendo enquanto vocês batalhavam no labirinto. – Ele senta numa cadeira velha de madeira e nos observa – Lillith é um demônio, assim como eu, só que mais velha. Na realidade, ela é um dos primeiros demônios, porém, é a primeira boa alma que foi corrompida, e isso trouxe com ela, uma missão altamente perigosa.
— Aonde você quer chegar com isso? – Luna pergunta.
— Você é burra ou se faz? – Morte retruca. – Estou propondo uma aliança, ao menos por hora. O que Lillith quer fazer é maior do que eu ou Ariel, e nenhum de nós conseguirá impedi-la individualmente. Precisamos unir forças para isso.
— Não somos idiotas. – Syndel diz. – Você destruiu uma cidade inteira.
— E se nós não nos aliarmos. Lillith destruirá o mundo.
— Eu não sou obrigado. – Ryan implica. – Depois de tudo o que você fez, é sério que acredita na possibilidade de uma aliança?
— Diga o seu plano. – Todos me encaram.

[...]

Fomos liberados de volta ao castelo de Sara assim que terminamos de conversar com Morte. Todos estão me olhando torto, mas eu precisei ganhar tempo para que pudéssemos adquirir a confiança dele e assim, podermos criar um plano de contingência.
Sara nos guia até uma sala enorme de reunião, e cada um de nós senta-se em uma cadeira. Estão todos aqui: Chloe, Íris, Jared, Katherine, Kitana, Kratos, Luna, Meghan, Peter, Ryan, Sara e alguns outros aliados de Chloe e Sara. Todos eles ficam em silêncio por alguns minutos e então, eu quebro o gelo.
— Morte queria propor uma aliança. – Termino a frase e já ouço conversas altas de desprezo.
— Silêncio! – Sara grita, e todos cessam as discussões. – Deixem-no terminar.
— Obrigado. – Continuo. – O que nós estamos enfrentando é algo maior do que podemos imaginar. Até algumas horas atrás, acreditávamos que Lillith queria se tornar a Senhora do Universo, mas estávamos enganados. A informação que foi passada a mim, Luna, Ryan e Syndel era a de que Lillith pretendia liberar algo na Terra que separados, seria impossível de combater.
— E o que seria isso? – Jared pergunta.
— Lillith quer libertar Lúcifer.
O choque deixa todos em completo silêncio. Os olhares deles indicam que todos estão bastante assustados com a notícia, e eles nem ouviram a segunda parte ainda.
— Para isso, ela precisava de algumas coisas. Primeiro, completar um ciclo de matanças num território neutro de modo que este formasse um pentagrama; isso foi o massacre dentro do inferno em que alguns de nossos aliados se foram. Depois, erradicar todas as almas más do inferno, o que vocês conhecem como o portal por onde todos nós voltamos ao mundo mortal. O último passo é conseguir algo que represente elementos naturais: Água, Ar, Fogo e Terra.
— O amuleto de Ariel. – Katherine diz, preocupada.
— Exato. Nós acreditávamos que Ariel estava indo formar uma aliança com Morte, mas a realidade é que ela foi alertá-lo do que estava por vir. Lillith já tem tudo o que precisa, e com o exército que ela tem, será impossível vencê-la se estivermos sozinhos. – Termino de falar.
— Comunicarei à Morte que ele terá a sua aliança, mas no momento em que Lillith for carta fora do baralho, essa aliança estará terminada. Todo aquele que não concordar que se retire imediatamente do meu castelo e busque por outro refúgio. Isso é tudo. – Sara sai da sala assim que termina o discurso.
Pouco a pouco todos vão saindo da sala de reunião, até que só restam Chloe, Luna, Peter e eu.
— Isso é loucura. – Peter diz. – Não podemos confiar em Morte.
— Peter está certo. Morte... – Interrompo Chloe.
— Eu não confio nele, mas é necessário ter seus amigos próximos e seus inimigos mais próximos ainda. Se tudo correr bem, poderemos aniquilar Lillith e Morte na mesma semana. – Digo.
— Mas Chase, isso é suicídio! – Luna diz.

— Não Luna, isso é guerra. – Respondo.

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