Nenhum de nós move
um músculo. Kratos, Íris e Jared estão desacordados. Olho para Luna e Kitana,
que foram arremessadas na mesma direção, e ambas permanecem imóveis por alguns
segundos. Não vejo Syndel ou Ryan, mas ignoro por um tempo.
Morte continua com
a arma apontada para Chloe e isso é como se fosse uma estaca no coração de cada
um de nós. Estávamos indo atrás de Ariel para impedir uma aliança com Morte, e
ele acabou nos encontrando primeiro. Levanto-me e fico cara a cara com ele.
— Deixe-a ir. –
Digo. – Você só precisa de mim.
— Isso é verdade.
– Ele suspira – Mas seria mais interessante se alguns de vocês viessem comigo,
não seria?
Minha visão se
escurece por alguns minutos. Quando recupero os meus sentidos, olho ao redor e
vejo Luna, Ryan e Syndel ao meu lado, também desnorteados. Morte caminha em
direção a uma porta e nós o seguimos.
Ele abre a porta e
consigo ver uma espécie de cabana abandonada. Não tenho a menor ideia de onde
estamos, mas tento não questionar por um momento. Ele entra na cabana e nós
fazemos o mesmo. Luna parece estar desconfiada – assim como eu – mas seja lá o
que Morte quer, precisa de mais de uma pessoa para conseguir.
— A essa altura
você já deve saber que o homem que derrotou no labirinto não era Eu. O que você
não sabe, era o que eu estava fazendo enquanto vocês batalhavam no labirinto. –
Ele senta numa cadeira velha de madeira e nos observa – Lillith é um demônio,
assim como eu, só que mais velha. Na realidade, ela é um dos primeiros
demônios, porém, é a primeira boa alma que foi corrompida, e isso trouxe com
ela, uma missão altamente perigosa.
— Aonde você quer
chegar com isso? – Luna pergunta.
— Você é burra ou
se faz? – Morte retruca. – Estou propondo uma aliança, ao menos por hora. O que
Lillith quer fazer é maior do que eu ou Ariel, e nenhum de nós conseguirá
impedi-la individualmente. Precisamos unir forças para isso.
— Não somos
idiotas. – Syndel diz. – Você destruiu uma cidade inteira.
— E se nós não nos
aliarmos. Lillith destruirá o mundo.
— Eu não sou
obrigado. – Ryan implica. – Depois de tudo o que você fez, é sério que acredita
na possibilidade de uma aliança?
— Diga o seu
plano. – Todos me encaram.
[...]
Fomos liberados de
volta ao castelo de Sara assim que terminamos de conversar com Morte. Todos
estão me olhando torto, mas eu precisei ganhar tempo para que pudéssemos
adquirir a confiança dele e assim, podermos criar um plano de contingência.
Sara nos guia até
uma sala enorme de reunião, e cada um de nós senta-se em uma cadeira. Estão
todos aqui: Chloe, Íris, Jared, Katherine, Kitana, Kratos, Luna, Meghan, Peter,
Ryan, Sara e alguns outros aliados de Chloe e Sara. Todos eles ficam em
silêncio por alguns minutos e então, eu quebro o gelo.
— Morte queria
propor uma aliança. – Termino a frase e já ouço conversas altas de desprezo.
— Silêncio! – Sara
grita, e todos cessam as discussões. – Deixem-no terminar.
— Obrigado. –
Continuo. – O que nós estamos enfrentando é algo maior do que podemos imaginar.
Até algumas horas atrás, acreditávamos que Lillith queria se tornar a Senhora
do Universo, mas estávamos enganados. A informação que foi passada a mim, Luna,
Ryan e Syndel era a de que Lillith pretendia liberar algo na Terra que
separados, seria impossível de combater.
— E o que seria
isso? – Jared pergunta.
— Lillith quer
libertar Lúcifer.
O choque deixa
todos em completo silêncio. Os olhares deles indicam que todos estão bastante
assustados com a notícia, e eles nem ouviram a segunda parte ainda.
— Para isso, ela
precisava de algumas coisas. Primeiro, completar um ciclo de matanças num
território neutro de modo que este formasse um pentagrama; isso foi o massacre
dentro do inferno em que alguns de nossos aliados se foram. Depois, erradicar
todas as almas más do inferno, o que vocês conhecem como o portal por onde
todos nós voltamos ao mundo mortal. O último passo é conseguir algo que
represente elementos naturais: Água, Ar, Fogo e Terra.
— O amuleto de
Ariel. – Katherine diz, preocupada.
— Exato. Nós
acreditávamos que Ariel estava indo formar uma aliança com Morte, mas a
realidade é que ela foi alertá-lo do que estava por vir. Lillith já tem tudo o
que precisa, e com o exército que ela tem, será impossível vencê-la se
estivermos sozinhos. – Termino de falar.
— Comunicarei à
Morte que ele terá a sua aliança, mas no momento em que Lillith for carta fora
do baralho, essa aliança estará terminada. Todo aquele que não concordar que se
retire imediatamente do meu castelo e busque por outro refúgio. Isso é tudo. –
Sara sai da sala assim que termina o discurso.
Pouco a pouco
todos vão saindo da sala de reunião, até que só restam Chloe, Luna, Peter e eu.
— Isso é loucura.
– Peter diz. – Não podemos confiar em Morte.
— Peter está
certo. Morte... – Interrompo Chloe.
— Eu não confio
nele, mas é necessário ter seus amigos próximos e seus inimigos mais próximos
ainda. Se tudo correr bem, poderemos aniquilar Lillith e Morte na mesma semana.
– Digo.
— Mas Chase, isso
é suicídio! – Luna diz.
— Não Luna, isso é
guerra. – Respondo.

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