Música: My imortal –
Evanescence.
Seis pessoas observam
a cena, assustados, além dos policias e peritos. Um homem, de jaleco branco,
tira diversas fotos do crime. A delegada conversa com um dos peritos.
- Foi um crime
premeditado. Apesar do ferimento estar em uma região que a própria vítima
poderia ter atingido por descuido, a arma do crime não foi encontrada. O
assassino enforcou-a para não ter chance de sobrevivência. – Disse a delegada.
Seus olhos acompanhavam o corpo da mulher, que fora colocado em um saco preto e
em seguida levada para fora do evento.
- Boa noite. O que aconteceu aqui? – Eva
aproximou-se da delegada. As duas apertaram-se as mãos. – Eu sou a dona do
salão.
- Um assassinato. – Massageou seus cabelos. – A
senhora deverá comparecer na delegacia em uma hora.
- Delegacia? Mas eu não sabia de nada! – Gritara.
Os convidados olhavam para ela assustados. – Eu só vim aqui porque suspeitei...
- De qualquer maneira a senhora seria chamada. Tem
muita gente que não tem nada a ver com o crime, mas será conduzido a delegacia
para prestar depoimento. – Andou alguns passos para frente. – Até mais.
***
Música:
Rihanna – Diamonds
Adentram na delegacia todos os convidados. Eles
depositam os celulares em um saco plástico. Em seguida, se sentam nas cadeiras
estofadas.
Guilherme, de pé, observa a mulher que vira
anteriormente entrando numa sala. Em ordem, os policiais chamam um a um em
intervalo de quatro minutos aproximadamente para prestar depoimento com a
delegada.
Após aproximadamente três horas, restam apenas
Guilherme, Iolanda, Carla, Margot, Vivian, Maria Paula e Carlos Henrique. Eva
acabara de deixar a sala. Sua expressão facial indicava nervosismo.
Encaminhou-se para fora do ambiente, estendeu o braço e com o dedo indicador,
parara um táxi.
- Por favor, Guilherme Steffens. – O policial
olhara a lista de convidados. – É a sua vez.
Guilherme adentrara na sala. Vira a mulher pela
terceira vez. O policial fechara a porta e permanecera ao lado de fora. A
delegada enviava uma mensagem pelo seu celular, sem perceber que havia uma
pessoa ali.
- Com licença. Mandou me chamar... Doutora? –
Guilherme permanecia em pé, olhando para os belos pares de olhos verdes.
- Você? – Pôs o celular no bolso e relembrara o
momento em que o vira pela primeira vez.
- Está se sentindo melhor? – Ele perguntou,
fitando-a.
- Sim, sim... Foi um mal-estar passageiro. – Olhara
para a janela que dava para o corredor da delegacia. O policial havia dado duas
batidas e mostrando o relógio para ela, um pouco nervoso. – Então. Vamos ao
depoimento? Meu nome é Bruna Muniz, delegada responsável pelo caso. É algo
rápido. Preciso que me diga a sua relação com a vítima, onde estava na hora do
crime e qual foi a última vez que a viu antes do crime.
- Eu e a Lana éramos casados há doze anos. Temos um
filho de sete anos. Um pouco antes do crime, eu encontrei a Lana aparentemente
bêbada e discuti com ela. Depois, eu segui ela até a fonte de água.
- E o que aconteceu depois? – Os dois foram
interrompidos por um policial. – O que houve?
- Doutora, tem uma mulher no telefone chamando por
ele. – Olhara para Guilherme. – Ela disse se chamar Rosa.
- É a babá do meu filho...
- Transfere a ligação para mim, por favor. – Pediu
educadamente. O policial assentira fechara a porta. – Pode usar.
- Rosa? O que aconteceu? – A voz do outro lado da
linha poderia ser ouvida.
- Senhor, eu tentei ligar para o celular da dona
Lana e para o seu também. Mas nenhum atendeu e disseram que estavam na
delegacia... Acontece que o Arthur teve um pesadelo com a morte da mãe e eu não
sei o que fazer. Ele não quer dormir!
- Rosa... – Limpava as lágrimas que escorriam de
seu rosto. – Dê um copo de leite morno para ele, dorme com ele, tudo bem? Eu
volto para casa de manhã cedo. – Terminara a conversa e colocara o telefone no
gancho.
- E aí? – Perguntou.
- Parece que o Arthur previu a morte da mãe. A Rosa
disse que teve um pesadelo. – Olhou para a delegada. – Como se explica para uma
criança que a mãe morreu?
- Diga a verdade. – Aproximou sua mão ao braço de
Guilherme, mas puxara de volta para seu colo. – Não alimente esperanças nele. E
faça isso o mais rápido possível. – Olhara o relógio. Eram aproximadamente 03h45.
– Você está liberado, pode voltar para casa.
- Obrigado. – Olhou para a delegada e abrira a
porta.
***
Carla fora chamada em seguida. Bruna fazia as
perguntas e ela balançava a cabeça de acordo com a resposta. A delegada ficava
cada vez mais nervosa, e andara de um lado para o outro, repetindo as
perguntas.
- Qual o seu parentesco com a vítima? – Perguntou,
colocando sua cabeça ao lado de Carla.
- Sou prima, assim como a Margot. – Sorriu. –
Poderia ter nos chamados juntas, pouparia seu mísero trabalho.
- Onde estava na hora do crime?
- No banheiro. – A resposta não convencera Bruna.
- Qual foi a última vez que a viu?
- Ela tinha saído do banheiro e ido para a fonte de
água.
- Pode sair. – Disse.
***
Iolanda, Maria Paula, Margot e Carlos Henrique
foram chamados individualmente a sala da delegada. Porém, nenhuma resposta que
ouvira agradara Bruna. O relógio marcava 06h40 quando terminara de ouvir a irmã
da vítima, Maria Paula.
- Então doutora? Alguma pista? – O inspetor
invadira a sala.
- NADA! – Gritara. – Desculpe-me. Mas provavelmente
apenas as últimas sete pessoas que conversei estão envolvidas de fato no crime.
- E o marido?
- Creio que não seja ele o assassino. Mas se é,
frequentou ótimas aulas de teatro. – Pegara sua bolsa. – Vou para casa,
descansar e mais tarde eu volto, ok?
- Tudo certo. – Parou-a no caminho. – E se houver
alguma denúncia?
- Você anota, grava, dita. Mas não quero ser
incomodada com isso até quatro horas da tarde, ok? Tenha um bom dia.
***
Música: American Authors - Best Day Of My Life.
Iolanda, Margot, Carla e Vivian se encontram num
bar, afastado da cidade. Elas bebem cerveja enquanto conversam.
- O que foi a festa ontem? – Carla bebia o sexto
copo de cerveja. – Terminou em grande estilo!
- Realmente. Quem fez o serviço se saiu ótimo! –
Iolanda rira. – Agora temos a delegadinha para cuidar.
- Não! -
Margot, um pouco bêbada interrompera Iolanda. – Ouvi dizer que nos deixaram por
último por suspeitar da gente. Então, se a delegada for apagada, vão suspeitar
da gente num piscar de olhos.
- Mas... – Vivian tentara falar.
- O que importa é que a Lana morreu. Está ardendo no
inferno nesse exato momento. – Margot levantou-se e pagara a conta no caixa.
Carla, bêbada, tomara o último copo de bebida alcoólica.
- Onde vocês vão?
- Vamos sair do país pela fronteira. Alguém quer ir
junto?
- Não, não... – Responderam, observando as dezesseis
garrafas em cima da mesa. – Vamos ficar por aqui.
As duas, cambaleando, saem do bar e adentram num
veículo roubado. Carla senta no banco do motorista e Margot acena sentando-se
no assento de carona. Elas passariam para a Colômbia e lá pegariam um jatinho
para a França com identidades falsas.
Um homem, funcionário do bar, observa as quatro
mulheres e disfarçadamente telefona para uma pessoa:
- As quatro estavam aqui, chefe. Mas duas, Carla e
Margot saíram dizendo que iriam sair do país pela fronteira. – Cochichava, para
ninguém ouvir. Iolanda e Vivian continuavam sentadas, bebendo a cerveja em
pouca quantidade.
***
Guilherme está sentado na porta da delegacia. Bruna
mexe no celular quando percebe o homem. Ela olha para trás e senta-se ao lado
esquerdo.
- Achei que já tivesse ido embora. – Guardara o
celular na bolsa. – Tudo bem?
- Eu fiquei aqui, pensando. A Lana reclamava que eu
não cuidava do nosso filho direito. E era verdade. Agora que ela morreu, não
sei o que será dele. De certa forma ele era apegado a mãe.
- Como assim? Você não quer cuidar do seu filho?
- Não. Não é isso. – Olhara para a delegada. – Mas
eu não sei como fazer isso. Ele pode me acusar.
- Isso é normal, Guilherme. Como você disse, o seu
relacionamento com a sua mulher não era dos melhores e por isso as brigas, não?
- Sim.
- Você precisa encarar essa situação de frente. O
seu filho também é vítima. Se ele souber ainda hoje, melhor. – Levantou-se. –
Venha, vou te levar para casa.
***
Eram sete horas da manhã. Rosa, trajando seu
uniforme de babá, uma calça e blusa branca segura na mão de Arthur. Ela carrega
sua mochila de rodinhas. O menino caminha sem pronunciar uma palavra.
- Tia... Onde está a minha mãe? Ela não apareceu
ainda!
- Eu não sei, Arthur. O seu pai vai vir te pegar e
vocês conversam na saída, tudo bem?
- Sim. – Disse com a cabeça baixa. Ele pegara a sua
mochila e aproximara-se da escada. – Tchau.
A babá saíra rapidamente da frente da escola, sem
olhar para trás. Virara para a esquerda e Arthur, sem ninguém perceber, correra
para o lado direito da escola. O portão fora fechado. Enquanto isso, Arthur
corria com a sua mochila, aos prantos.
- Eu quero a minha mãe... – Disse, parando num banco
e ficara ali por horas.
***
Música: La Plata
– Jota Quest
“JUÍZA CRIMINAL DO RIO DE JANEIRO É MISTERIOSAMENTE
EXECUTADA DURANTE EVENTO EM RENOMADO ESPAÇO”. Maria Paula servia-se de café e
lera o jornal.
- Sua vida durou muito irmãzinha. MUITO! – Jogara a
xícara de café contra um espelho, que caíra no chão em pequenos pedaços.
Rachel descera das escadas, com uma cara cansada.
Sentara-se na ponta da mesa e lera o jornal, em seguida para Maria Paula.
- Você tem alguma coisa a ver com isso, Maria Paula?
– Dobrou o jornal e jogou em sua cara. – Acabou de sair da prisão por um crime
imperdoável. Se você tiver algo a ver com isso eu não respondo por mim.
- NUNCA MAIS REPITA ISSO! – Batera na mesa. – A
senhora sabe da verdade e o quanto eu sofri com isso. A Lana viveu muito mais
do que devia. Se eu fui a responsável ou não, só a polícia vai dizer.
- O que aconteceu entre as duas não vem ao caso
agora. – Conteve-se. – Se você matou ou não também não importa. Mas pelo menos
faça a imagem de boa tia com o Arthur. Se eu o conheço, vai acusar o Guilherme
e se negará a conversar com ele.
- E por que eu faria isso? O Arthur deve ser farinha
do mesmo saco.
- Ele é único herdeiro da Lana. Então, se ele ficar com
nós, temos grandes chances de mexer no valor. – Rachel rira, enquanto Maria
Paula olhara para o lado preocupada.
***
Música: De
Janeiro a Janeiro – Roberta Campos e Nando Reis.
O carro de Bruna parara em frente a um condomínio,
onde Guilherme residia. Os dois se entreolharam, um pouco tímidos. Eles queriam
saber algo um do outro, mas ambos transpareciam nervosismo.
- Não entendo o porquê de
a senhorita estar se preocupando comigo, pelo menos por enquanto. Eu sou um
suspeito e você uma delegada que pode me prender a qualquer momento.
- Não. Estas enganado. A minha
profissão não é só prender. É ajudar também. Pelo fato de ser uma delegada, todos acham que eu sou fechada carrancuda.
Sou totalmente ao contrário. Mas me responda. Como amigo: você tem envolvimento
com a morte da sua mulher?
- Não. – Respirou fundo e olhara para Bruna. – Mas
todos os convidados dizem que fui eu. – Sorriu e permaneceram em silêncio. –
Até mais.
- Até. – Mostrou um sorriso com os lábios. – Ah.
Fique com o meu cartão. – Pegara a sua carteira grande Louis Vitton. - Qualquer
coisa que precisar, me telefone com esse número. Acho meio difícil, fiquei com
todos os celulares. Mas em breve eu devolvo, não se preocupe.
- Eu tenho outro pessoal, dou...
- Bruna. Dentro da delegacia é doutora e fora apenas
Bruna. – Fitaram-se. Guilherme aproximara-se cada vez mais do rosto da bela
mulher e dera um beijo carinhoso na bochecha. – Eu confio em você, Guilherme. –
Ele saíra do carro, balançando a mão de um lado para o outro. Por fim, abrira o
portão e adentrara no condomínio.
***
Carla, muito bêbada dirige em alta velocidade.
Margot, bebendo mais uma garrafa de bebida alcoólica, ri sozinha. O carro anda
em ziguezague.
- Viva a vida! Viva a felicidade! Viva... – Margot
gritava, colocando sua cabeça para fora da janela. Carla cutucara Margot. – O
que foi, hein?
- A minha bolsa, Margot. Pega a minha bolsa!
- Já peguei...
- Tira dela o saco plástico. E coloca no porta
luvas.
- Isso... Isso é uma faca enrolada num pano! –Pegara
o pacote.
- Sim. Agora põe onde eu disse. Anda!
Assim que coloca o saco plástico dentro do porta
luvas, Margot olha para frente. Carla joga sua bolsa para o banco de trás.
- CARLA! – O grito sucede um acidente. O carro
atropela uma mulher loira, nas mesmas características de Carla. O carro capota
quatro vezes e Margot é arremessada para fora do veículo, enquanto Carla, que
usava o cinto de segurança permanece desacordada, com sangue escorrendo em seu
corpo.
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