segunda-feira, 6 de julho de 2015

Capítulo 33: Mar da vida

Personagens deste capítulo


Adriano
Alberto
Alice
Bento
Brenda
Carvalho
César
Charles
Clarisse
Cristina
Diogo
Felipe
Fredy
Guto
Helena
Henrique
Joaquim
Leandro
Lílian
Marina
Matheus
Matilde
Mônica
Noêmia
Olga
Patrícia
Petrônio
Rogério
Rúbia
Sérgio
Silvana
Sônia
Tânia
Tomás
Vera
Virgínia



Participação Especial




CENA 01. CENTRO PRAIA REAL. EXT. DIA.

     Continuação do capítulo anterior. Tânia e Virgínia ficam a se encarar.

TÂNIA: - Me deixe fora dessas suas loucuras, Virgínia!
VIRGÍNIA: - Ah, então eu estou louca? Então eu não vi você saindo desse hotel aí, onde, aliás, você demorou um bom tempo lá dentro...
TÂNIA: - Eu não te devo satisfações da minha vida, Virgínia... O que é que foi? Está trabalhando para uma revista de fofocas agora?
VIRGÍNIA; - Calma, Tânia, não precisa ficar nervosa...
TÂNIA: - Não estou nervosa. Na verdade, estou me segurando para não voar nesse seu pescoço enrugado, sua estelionatária barata!
VIRGÍNIAS: - Eu? Estelionatária?
TÂNIA: - Você mesma! Vivendo às custas do meu marido! Agora da sua filha, aquela garota pé no saco!
VIRGÍNIA; - Não fale assim da minha família, sua desqualificada! A Marina é uma ótima pessoa! Eu tenho é pena dela, por ter que morar na mesma casa que você!
TÂNIA: - Ah, você tem pena dela? Então leva ela para a sua casa! Eu iria adorar esse presente!... Agora me deixa em paz, sua perua falida!
VIRGÍNIA; - Eu deixo sim... Deixo até porque não vale a pena eu baixar meu nível para falar com você.
TÂNIA: - Entenda de uma vez por todas que você não tem autonomia nenhuma para falar em nível, Virgínia! Você está no mais baixo de todos!... Eu sou Tânia Walker, a mulher mais poderosa dessa cidade! Eu poderia até mandar te prender, por todos os impropérios que você me disse.
VIRGÍNIA: - Mandar prender, uma ova! Eu não tenho medo de você, Tânia! Não tenho medo não!

     Tânia se aproxima de Virgínia.

TÂNIA: - Saia do meu caminho, Virgínia, não ouse ficar me seguindo por aí. Você não sabe do que eu sou capaz.
VIRGÍNIA: - Não sei, mas posso imaginar...
TÂNIA; - Pois então vá imaginando e também se preparando. Aquilo de pior que você achar, é o que vai acontecer com você!
VIRGÍNIA: - Está me ameaçando, por acaso?
TÂNIA: - Não, imagina... É só um pequeno recadinho... você já está na lama. Para mim te enterrar de vez é só uma questão de tempo.

     Tânia se afasta e vai embora. Virgínia fica a observá-la.

VIRGÍNIA: - Vai indo ratazana! Cobra peçonhenta... Acha que eu tenho medo de ameaças? Não tenho medo não! E se precisar, eu meto a mão na cara! Com classe, é claro!... Sou uma mulher fina...

CENA 02. CASA PETRÔNIO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

     Petrônio, Samantha, Italvino e Noêmia estão sentados na sala. Ninguém fala uma palavra. O silêncio permanece no ar. Apenas trocas de olhares. Italvino fica cuidando as pernas de Samantha. Noêmia se insinua para Petrônio, que por sua vez, fica de olho em Italvino. Samantha nem percebe nada, entretida mexendo em seus cabelos. Após algum tempo, Helena desce as escadas, na sala.

HELENA: - Dona Noêmia, a senhora aqui?
NOÊMIA: - Olá Helena! Pensei que nem estivesse em casa.
HELENA: - Eu estava no meu quarto, repousando um pouquinho... fiquei por lá um bom tempo.
PETRÔNIO: - Bastante tempo mesmo, aliás, já está tarde, não está?
SAMANTHA: - Está?
ITALVINO (olhando na janela): - Mais ainda tem sol lá fora...
PETRÔNIO: - Não, mas já está ficando tarde... E eu também preciso descansar.
NOÊMIA: - Precisa é?
PETRÔNIO: - Preciso, Noêmia. Hoje levantei tão cedo, que agora me bateu uma canseira...
NOÊMIA: - Se vocÊ quiser, eu posso te mostrar uma massagem que eu aprendi, que tira o cansaço em dois toques!
PETRÔNIO: - Obrigado, Noêmia, mas o meu cansaço só vai sair depois de um bom repouso, na minha cama. Se vocês não se importam, eu pediria para que se retirassem...
ITALVINO: - Mas assim, sem mais uma chá, um bolinho, pernas, quero dizer, biscoitos?
PETRÔNIO: - infelizmente ficará para a próxima, seu Italvino. A Samantha acompanha vocês até a porta.
NOÊMIA: - Tudo bem, Petrônio. Já é tarde mesmo. Bom, deixa eu me despedir de você...

     Noêmia se aproxima de Petrônio, pronta para beijá-lo, mas ele desvia e ela cai no sofá. Helena a ajuda.

NOÊMIA: - Opa! Tropecei ali no tapete...

     Italvino abraça Samantha.

ITALVINO: - Foi um prazer conhecê-la, menina.
SAMANTHA: - O prazer é meu, seu Italvino.

     Italvino não solta Samantha e ela aos poucos vai empurrando o senhor, que a solta.

PETRÔNIO: - Tenham um bom dia.
NOÊMIA: - Vocês também, abraços!... Vamos Italvino. Vamos embora.
SAMANTHA: - Eu os acompanho até a porta.

     Samantha acompanha Italvino e Noêmia até a porta. Os dois saem.

HELENA: - Papai, o que foi isso? Nunca vi você mandar visita embora?
PETRÔNIO: - Sempre tem a primeira vez, minha filha... sempre tem a primeira vez.
SAMANTHA: - Você viu, Helena? Dona Noêmia namorando...
HELENA: - Esse mundo está virado mesmo... Dona Noêmia, com toda essa idade, namorando... era o que me faltava.
PETRÔNIO – Todos tem direito de ser feliz, Helena. Não há idade para isso.
HELENA: - É, talvez idade não haja mesmo, mas bom senso é sempre bom ter, papai... Eu vou tomar um sol na piscina.

     Helena sai.

PETRÔNIO: - Vou pro meu quarto, meu bem, assistir um filminho.
SAMANTHA: - Eu te acompanho, Pepê!

     Samantha e Petrônio sobem as escadas.

CENA 03. SEQ. CENA 02. CASA PETRÔNIO. EXT. DIA.

     Noêmia e Italvino conversam na calçada.

ITALVINO: - Foi uma visita muito agradável...
NOÊMIA: - Agradável não sei pra quem... Eu não consegui nem arrancar uma bitoquinha do Petrônio!
ITALVINO: - Eu gostei bastante, me senti no paraíso, sabia?
NOÊMIA: - Sei em qual o paraíso que você estava... Eu sei bem... Pensa que eu não vi, você de olho nas pernas daquela loirinha sem sal?
ITALVINO: - Eu? Eu nem olhei nada!
NOÊMIA: - Eu não nasci ontem, Italvino!... Masdeixa assim... Da próxima vez, eu pego o Petrônio de jeito! E aí, ele não vai escapar como escapou hoje.
ITALVINO: - Ta, ta bom... Mas agora a gente pode ir numa lanchonete? Aqueles biscoitos e bolinhos não me encheram o estômago...
NOÊMIA: - Vamos sim, vamos sim. Assim você come e para um pouco de pensar naquela ameixa azeda e me ajuda a bolar um jeito de agarrar o Petrônio!

     Noêmia e Italvino seguem caminhando.



CENA 04. APTO LÍLIAN. SALA. INT. DIA.
       
     César conversa com Fredy e Lílian.

LÍLIAN: - Você vai jogar seu casamento pro alto, é isso mesmo?
CÉSAR: - Vou sim.
FREDY: - Amigo, que coragem, hein!
CÉSAR: - Eu preciso fazer isso para ser feliz de verdade! Eu não posso mais enganar a Rúbia e me enganar também. Não é justo.
LÍLIAN: - Nisso você tem razão, mas você não acha um pouco tarde para tomar essa atitude não?
CÉSAR: - Se tratando de amor, nunca é tarde. E eu estou disposto a enfrentar todas as conseqüências disso.
FREDY: - E o que os seus pais acham disso?
CÉSAR: - Eu não falei com eles ainda. Só espero que eles me entendam, que entendam que eu só estou buscando ser feliz, só isso... Ser feliz.

CENA 05. SORVETERIA. INT. DIA.

     Imagens internas de uma sorveteria. O lugar está com um bom movimento. Casais de namorados, amigos, crianças. Em uma das mesas, Henrique e Silvana. Os dois tomam sorvete, alegres. Conversam, trocam carícias e beijos. Visivelmente felizes.

CENA 06. SÃO PAULO. CAFETERIA. INT. DIA.

     Rúbia, Cadu e Patrícia conversam.

RÚBIA; - Então nós vamos mesmo nessa nova danceteria aí?
CADU: - Claro, já confirmei com minha amiga, temos entrada liberada e tudo.
PATRÍCIA: - Como é bom ter amigos influentes assim.
RÚBIA: - É maravilhoso. Já estou pegando experiência, pois quando eu sair com o César vai ser assim mesmo. Entra de graça ali, ganha um outro agrado aqui... E eu só aproveitando!

Cadu olha a hora no relógio.

CADU: - Bom meninas, preciso voltar para a clinica, ainda tenho um paciente para atender. Mas à noite eu passo lá no hotel e pego vocês, ok?
RÚBIA; - Combinado.

Cadu se levanta, se despede das meninas e sai.

PATRÍCIA; - E nós amiga, o que a gente faz agora?
RÚBIA: - Vamos numa loja que eu vi, tem umas roupinhas de bebê lindinhas!
PATRÍCIA: - Não te dá uma agonia de não poder comprar tudo rosa ou tudo azul?
RÚBIA: - Não dá não... Eu só quero saber o sexo do bebê quando nascer. Estou gostando de comprar amarelinho, verdinho, branco...
PATRÍCIA; - Vamos lá então?
RÚBIA; - Vamos sim.
PATRÍCIA: - Vou chamar o atendente para trazer a conta.

     Patrícia chama o atendente, que vai até a mesa.

PATRÍCIA: - Você pode trazer a conta da nossa mesa, por favor?
ATENDENTE: - A conta da mesa de vocês já foi paga, moça.
RÚBIA: - Já? Mas por quem?
ATENDENTE: - Um rapaz pagou a conta antes de ir embora.
RÚBIA: - Cadu...
PATRÍCIA; - Obrigada moço.

     O atendente sai.

RÚBIA: - Esse Cadu é um máximo, viu!
PATRÍCIA: - É mesmo.
RÚBIA: - Vamos lá fazer as nossas compras!
PATRÍCIA: - Vamos sim!

     As duas saem.

CENA 07. CASA PETRÔNIO. EXT. DIA.

     Diogo deixa Matheus em casa. Helena observa por entre o cercado do jardim.

MATHEUS: - Valeu pai, por tudo.
DIOGO: - Não precisa agradecer não, meu filho. E já está combinado, eu vou esperar por você lá na imobiliária quando você voltar da viagem.
MATHEUS: - Negócio fechado!

Os dois se abraçam. Matheus desce do carro. Helena vai até ele.

HELENA: - Onde você esteve, meu filho?
MATHEUS: - Fui falar com o papai, mãe.
HELENA: - Poderia ter me avisado, não é? Fico preocupada quando você sai assim, sem avisar.

Diogo desce do carro.

DIOGO: - Não precisa ficar aflita, Helena. O garoto está bem.
HELENA: - Sou mãe, tenho minhas preocupações.
MATHEUS; - Eu vou entrar.

Matheus abana para Diogo, despedindo-se e entra.

DIOGO: - Por que você não me disse que o Matheus iria viajar?
HELENA: - Porque você não precisa saber disso.
DIOGO: - Claro que preciso! O Matheus é meu filho também.
HELENA: - Infelizmente sim. Mas quem sabe o que é melhor para ele, sou eu! Ele vive comigo, eu conheço ele muito melhor do que você. Eu é que sei o que é melhor para ele.
DIOGO: - Deixa de ser mesquinha Helena, com essa história! Você vive evitando que o garoto me veja, que conviva comigo. Mas saiba que você não vai conseguir nos afastar.
HELENA: - Ah não?
DIOGO: - Não mesmo. Ele vai trabalhar comigo na imobiliária depois da viagem.
HEENA: - O quê?! O Matheus, trabalhando naquela porcaria? Naquele lixo? Mas nem morta que eu permito isso!
DIOGO: - Você não tem que permitir nada! O Matheus já é maior de idade, já sabe muito bem o que quer. E vai ser bom para ele sim, começar a trabalhar, para não ficar com cabeça cheia de ideias e pensamentos fúteis e preconceituosos como a mãe.
HELENA: - Se você veio aqui para me ofender pode ir embora. E pode ir tirando essa ideia de que o Matheus vai trabalhar com você, porque ele não vai!
DIOGO: - Não é você quem decide, Helena. É ele. E ele já decidiu.
HELENA: - Não me interessa. Não quero saber dessas suas baboseiras. Vá embora.

Helena entra em casa. Diogo entra no carro.

DIOGO: - Ela acha que pode controlar a vida dos outros... Mas com a vida do meu filho ela não vai fazer isso.

Diogo liga o carro e vai embora.

CENA 08. BEST FISH. SALA FELIPE / MARINA. INT. DIA.

     Felipe entra na sala. Marina entra logo em seguida.

MARINA: - Você conseguiu se safar direitinho, Felipe.
FELIPE; - Meu Deus do céu, garota chata! Você ainda insiste nesse assunto? Eu já mostrei lá que está tudo certo com a empresa e você deu com a cara na parede! Pronto, acabou!
MARINA: - Não acabou não, Felipe. Você não me engana. Tem coisa errada aí e eu vou até o fim para descobrir o que é.
FELIPE: - Você vai perder seu tempo, só isso.
MARINA: - Como você é cínico!
FELIPE: - E você é muito metida! Ao invés de cuidar da sua vida, fica se metendo onde não é chamada, procurando o que não deve... Marina, quem procura acha, viu?
MARINA; - Sabe o que você merece, Felipe? Você merece ser desmascarado na frente de todo mundo, de toda a empresa, isso sim. Pra todo mundo ver o tipo de profissional, o tipo de pessoa que você é!
FELIPE: - Você está me atacando, me acusando pela segunda vez e sem provas! Quem é você para falar de profissional, de tipo de pessoa? Você não é ninguém, Marina! Não fede nem cheira aqui dentro! Deveria ter ficado lá, na Noruega, virado picolé, sei lá!... Ah, e sabe do que eu preciso? Pelo menos um pedido de desculpas formal, pois querendo ou não, tive meu trabalho e minha dignidade postos à prova aqui, para toda a empresa.
MARINA: - Pedido de desculpas formal? Você não merece nada!
FELIPE: - Desisto de falar com você. Não quero me estressar a toa. Tenha um bom dia, Marina.

Felipe pega sua maleta e sai. Marina fica na sala, irritada.

CENA 09. BEST FISH. SALA ALBERTO. INT. DIA.

     Alberto está em sua sala, quando Mônica entra.

MÔNICA: - Com licença. O senhor quer falar comigo, doutor Alberto?
ALBERTO: - Sim Mônica. Feche a porta e sente-se aqui.

     Mônica entra na sala, fecha a porta e senta-se à mesa de Alberto.

ALBERTO: - Ontem, organizando o quarto que era da Olga, lá na mansão, eu encontrei isso aqui.
MÔNICA; - E o que é isso?
ALBERTO: - Me parece um baú, e como você pode ver, está lacrado... Creio que a Olga guardava coisas importantes aqui dentro.
MÔNICA; - É, talvez seja. Senão não estaria lacrado... Mas por que o senhor está me mostrando essa caixa?
ALBERTO: - Não estou apenas mostrando para você. Estou te dando essa caixa.
MÔNICA (surpresa): - Para mim?!
ALBERTO: - Sim Mônica. A Olga era sua madrinha, uma pessoa muito querida. E ela tinha um carinho muito especial por você. Eu também tenho uma admiração por você, que é competente, uma boa moça... Não é justo eu ficar com isso. Então eu estou entregando para você.
Mônica: - Nossa, doutor Alberto. Muito obrigada. Eu nem sei o que dizer.
ALBERTO: - Não precisa dizer nada não, Mônica. Só quero que você aceite. E aí fica a seu critério, abrir a caixa ou não, ver o que há dentro...

     Mônica fica a observar a caixa.

ALBERTO: - É tudo seu.
MÔNICA; - Obrigada.
ALBERTO: - E então, já decidiu quando vai viajar?
MÔNICA; - Nós próximos dias, doutor.
ALBERTO: - E você e o Ricardo já escolheram o destino?
MÔNICA: - Vamos para Nova York.
ALBERTO: - Uma boa escolha. É uma cidade moderna, sempre em movimento. A capital do mundo, como dizem. Vamos vão gostar.
MÔNICA; - É, espero que sim. Vai ser bom, principalmente para o Ricardo. Eu já viajei outras vezes, a serviço pela empresa, mas o Ricardo nem isso. Nunca saiu daqui de Praia Real. Foi no máximo até o Rio de Janeiro.
ALBERTO: - Vai ser bom sim, com certeza.
MÔNICA: - O senhor vai precisar de mim ainda?
ALBERTO: - Não, no momento era só isso. Pode voltar para a sua mesa.
MÔNICA: - Obrigada doutor Alberto por tudo que o senhor está fazendo e pelo o que já fez por mim e pelo meu irmão. Muito obrigada mesmo.
ALBERTO: - Não há de quê.
MÔNICA; - Com licença.

     Mônica pega a caixa e sai. Albero abre uma das gavetas de sua mesa e retira uma foto antiga, onde ele, jovem, está abraçado em Olga.

ALBERTO: - Olga, minha companheira. Eu fiz a coisa certa.

     Alberto fica a olhar a foto.

CENA 10. CALÇADÃO PRAIA REAL. EXT. DIA.

     Henrique e Silvana caminham pelo calçadão, abraçados, conversando felizes. Passam por entre as pessoas, param num quiosque. Henrique compra uma água de côco, enquanto Silvana senta-se num banco, de frente para o mar. Ela fica a observar a paisagem, já de tardinha. Henrique se aproxima, oferece o côco para ela. Os dois estão sentados, olhando o mar.

SILVANA: - Eu nunca tinha parado para apreciar essa beleza da natureza, essa obra prima divinal... Olha só que lindo, Henrique, esse mar, esse sol se pondo...
HENRIQUE: - É lindo mesmo. Não há comparação...

     Os dois seguem observando a paisagem. Silvana aponta alguns barcos no mar, Henrique mostra as gaivotas voando. Os dois permanecem apreciando o mar.

CENA 11. CASA VIRGÍNIA. SALA. INT. DIA.

     Virgínia e Carvalho conversam.

CARVALHO: - Para quem tinha me dito que não tinha dinheiro para nada, você fez o quê para comprar esse vestido? Mágica? Tirou dinheiro da carteira como se tira coelho da toca?
VIRGÍNIA: - Ai, não foi nada disso... A Marina, tinha me dado uns troquinhos há um tempo. E aí eu achei esses troquinhos e resolvei comprar um vestido novo, é isso.
CARVALHO: - E a conta da luz? E a água, como é que fica? Já vieram avisar que qualquer hora vão cortar tudo aqui!
VIRGÍNIA; - Ah, com isso a gente dá um jeito depois... O que está me preocupando é outra coisa... Ou melhor, não é nem preocupando. Está me deixando curiosa, intrigada...
CARVALHO: - O quê?
VIRGÍNIA: - Hoje eu vi a mulher do Alberto, a Tânia, entrando num hotel no centro. Ela demorou bastante tempo lá dentro. Depois saiu e desconversou quando eu falei com ela.
CARVALHO: - Mas o que você quer falando com essa mulher? Você mesma não disse que ela é o diabo na terra?
VIRGÍNIA: - É, mas que é estranho ela indo em hotel assim, por nada... Só se há alguma coisa muito importante nesse hotel para ela ir lá.
CARVALHO: - Deixa pra lá, Virgínia. Vai ver é só uma amiga que ela foi visitar, sei lá. Olha só o que eu tenho aqui.

     Carvalho mostra para Virgínia o bilhete de loteria.

VIRGÍNIA; - Meu Deus do céu, Carvalho! De novo você com esse bilhete de loteria! Isso já não foi sorteado não?
CARVALHO (animado): - Não! Esse ainda não!
VIRGÍNIA; - Mas porque você compra isso, meu amor, você nunca ganha!
CARVALHO (desanimado): - Muito obrigado pelo apoio.
VIRGÍNIA (abraçando Carvalho): - Oh, não fique triste comigo não, pelo o que eu disse... Eu só acho que você poderia guardar esse dinheiro que você usa nessas apostas para comprar outra coisa!
CARVALHO: - Mas o quê?
VIRGÍNIA: - Ah, sei lá... Uma bolsa para mim?
CARVALHO: - Ah claro, eu vou conseguir comprar uma bolsa para você com o dinheiro que eu compro o bilhete da loteria.
VIRGÍNIA: - Mas deixando de comprar, uns mil bilhetes, você consegue comprar a minha bolsa.
CARVALHO: - Mil bilhetes? Nossa! Com mil bilhetes eu tenho é mais chances de ganhar!
VIRGÍNIA: - Tudo bem, Carvalho. Tudo bem, eu desisto!... Vou subir e tentar achar um espaço no meu guarda-roupas para colocar esse vestido novo...

     Virgínia vai para o quarto, enquanto Carvalho fica observando o bilhete da loteria, confiante.




CENA 12. TRANSIÇÃO DO TEMPO. ANOITECER. / CASA ALBERTO. SALA DE JANTAR. INT. NOITE.

     Imagens de Praia Real ao anoitecer. Imagens da cidade já à noite. Corta para casa de Alberto. Tânia, César, Alberto e Marina jantam.

CÉSAR: - E então papai, como foi a reunião de urgência hoje lá na empresa?
TÂNIA; - Você não foi, César?
CÉSAR: - Não, mamãe, tive que resolver uns outros assuntos...
TÂNIA: - Que assuntos?
CÉSAR: - Coisas minhas, mãe, coisas minhas...
MARINA: - A reunião foi na verdade um equívoco, César. Eu me enganei nas minhas análises, sobre a situação financeira da empresa... Achei que era uma coisa, mas no final, acabou tudo bem.
ALBERTO: - É, foi um grande equívoco mesmo, minha filha. Instaurou-se um clima tenso, chato na sala de reuniões. O Felipe se saiu muito bem diante da pressão que caiu sobre ele.
TÂNIA: - Felipe é muito competente. Não deve nada a ninguém com relação ao seu trabalho, ao seu profissionalismo... Está na cara que querem derrubá-lo.
ALBERTO: - Tânia, de onde você tirou essa ideia maluca?
MARINA: - Em nenhum momento isso foi falado, nem se passou pela cabeça de ninguém!
TÂNIA: - Mas eu estou bem atenta a tudo isso.
CÉSAR: - Eu acho que não tem nada disso não, mãe... E por falar em Felipe, ele não vem jantar?
ALBERTO: - Eu não o vi nem em casa...
MARINA: - Eu falei com ele na empresa, a última vez, depois não o vi mais também.

CENA 13. BOATE GLS. INT. NOITE.

     Imagens de uma boate GLS. Ainda há pouco movimento. Felipe está no balcão do bar, tomando um drink. Ao fundo, pessoas conversando, alguns travestis, transformistas. Felipe bebe, parece tentar relaxar. Ao seu lado, senta-se uma drag queen, não totalmente “montada”.

DRAG QUEEN (ao barman): - Um Martini, por favor.

     Felipe nem nota a presença da drag ao seu lado. Ela, por sua vez, olha para Felipe.

DRAG QUEEN: - Perdido por aqui?
FELIPE: - Falou comigo?
DRAG QUEEN: - Louca eu não sou. E estamos só eu e você aqui nesse balcão, bebendo...

     O barman entrega o drink para a drag, que bebe alguns goles.

DRAG QUEEN: - Perguntei se está perdido por aqui.
FELIPE: - Por que perguntou isso?
DRAG QUEEN: - Porque aqui é uma boate GLS.
FELIPE: - Eu sei.
DRAG QUEEN: - Então você não está perdido...
FELIPE: - Não, não estou.
DRAG QUEEN: - Veio por diversão?

     Enquanto conversa com Felipe, a drag arruma sua vestimenta, seus acessórios, cabelo, unhas, brilhos...

FELIPE: - Eu vim para tentar relaxar um pouco de um dia de trabalho estressante.
DRAG QUEEN: - E está conseguindo?
FELIPE: - Se você parar de me interrogar talvez eu consiga.

     Fica um silêncio por um instante.

DRAG QUEEN: - Desculpa. Não quis atrapalhar. Só perguntei porque eu também tive um dia de trabalho totalmente estressante.
FELIPE: - Você trabalha?
DRAG QUEEN: - Claro. Você acha que eu vivo disso?
FELIPE: - Sei lá... Vocês se vestem feito palhaços... Deve ter alguém que paga para isso.
DRAG QUEEN: - Eu me visto porque gosto disso. É uma diversão, minha válvula de escape...
FELIPE: - E trabalha aonde?
DRAG QUEEN: - Sou gerente de um banco.

     Ficam em silêncio novamente. A drag termina de se arrumar. Ela se aproxima de Felipe, que a encara. A drag estende a mão, num cumprimento.

DRAG QUEEN: - Jairo Rodrigues. Mas agora, você pode me chamar de Lauren Lopez.
FELIPE: - Prazer.
DRAG QUEEN: - Não sei se vai ficar por aqui ou não. Mas se ficar, tenta se divertir e esquecer o estresse do trabalho.
FELIPE: - Obrigado.
DRAG QUEEN: - Eu farei um show logo mais. Se ficar, espero que goste.

     A drag se afasta. Felipe continua no balcão, pensativo.

CENA 14. APTO MÔNICA. QUARTO MÔNICA. INT. NOITE.

     Mônica pega a caixa que era de Olga. Senta-se na cama.Ela observa a caixa atenciosamente. Ela pega a chave e abre a caixa para ver o que há dentro. Porém, quando vai observar os objetos guardados na caixa, Ricardo entra no quarto.

RICARDO: - Mônica, eu preciso de ajuda aqui com as minhas malas.
MONICA (fechando a caixa): - Ajuda para quê, garoto?
RICARDO: - Com as minhas coisas! Eu não sei o que levar nessa viagem! Não sei se Nova York é frio, é quente...
MÔNICA: - Tudo bem, eu te ajudo a ver as roupas. Vamos lá.

     Os dois saem do quarto. A caixa fica fechada sobre a cama.

CENA 15. SÃO PAULO. CARRO CADU. INT./EXT. NOITE.

     Cadu dirige pelas ruas da cidade. Patrícia, sentada no banco da frente e Rúbia no banco de trás. Os três estão bem animados, indo para a balada.

CENA 16. CASA PETRÔNIO. QUARTO MATHEUS. INT. NOITE.

     Matheus arruma as malas. Helena entra no quarto.

HELENA: - Está precisando de ajuda, meu filho?
MATHEUS: - Obrigado mãe, mas não precisa não. Estou conseguindo organizar tudo direitinho.
HELENA; - Que bom. Leve roupas quentes, Matheus! Lá é frio!
MATHEUS: - Eu sei, dona Helena, estou levando casacos, agasalhos bem quentes. Não precisa se preocupar.
HELENA: - Seu pai me falou que convidou você para trabalhar com ele na imobiliária.
MATHEUS: - Sim, ele me convidou e eu aceitei.
HELENA: - Por quê?
MATHEUS: - Como assim, por quê? Porque eu gostei do cnvite, achei legal a ideia, a experiência de trabalhar.
HELENA: - Matheus, não pense pequeno! vocÊ está indo para Londres, terá um mundo de oportunidades lá, experiências diversas e riquíssimas! E você vai deixar tudo para vir trabalhar com seu pai naquela porcaria?
MATHEUS: - Mãe, eu não quero discutir com a senhora. Então, por favor...
HELENA: - Tudo bem, tudo bem... Não vamos brigar. Mas saiba que eu não aprovo essa sua decisão. Não aprovo.
MATHEUS: - Ok, posso continuar arrumando minhas coisas em paz? Senão eu desisto de tudo agora e nem vou viajar!
HELENA: - Tudo bem, eu vou sair.
MATHEUS: - Obrigado.

Helena sai.

MATHEUS: - Não posso deixar de ligar pra Alice, avisar ela que eu viajo já amanhã... Mas antes, eu preciso organizar isso daqui...

     Matheus continua a arrumar suas coisas.

CENA 17. CASA ALBERTO. SALA DE JANTAR. INT. NOITE.

     Alberto, Tânia, Marina e César terminam o jantar.

ALBERTO: - César, eu estive pensando, inclusive já falei com sua mãe sobre isso...
CÉSAR: - Sobre o que papai?
ALBERTO: - Eu pretendo fazer um almoço, ou jantar, com a família da Rúbia, para que possamos conversar mais a respeito do casamento.

     César fica sério, um pouco desconfortável.

ALBERTO: - O que você acha?
TÂNIA: - Eu já falei para o seu pai que acho tudo ainda um pouco rápido demais, desnecessário isso tudo aqui...
ALBERTO: - Tânia, desnecessário não pode ser. O casamento precisa ser planejado, conversado e todos os familiares devem estar a par dos acontecimentos.
CÉSAR: - Eu concordo com a mamãe, papai. Acho que ainda é um pouco cedo.
MARINA: - Você acha mesmo?
TÂNIA: - Até que enfim alguém concorda comigo! E não é ninguém mais nem menos do que o noivo!
ALBERTO: - Sem gracinhas, Tânia... Mas meu filho, você não acha que...
CÉSAR: - Eu prefiro esperar a Rúbia voltar de viagem, organizar as coisas por aqui e depois sim conversarmos sobre isso. E outra, eu não quero fazer as coisas de forma atropelada, sabe? Tem ainda a reconstrução do projeto ambiental, que ainda não está pronto e eu prefiro que isso seja feito primeiro.
TÂNIA: - Esse projeto ambiental também complica toda sua vida, meu filho! Se você trabalhe lá na empresa, no escritório com seu pai...
CÉSAR: - Não, mãe! Nós já falamos sobre isso... Enfim, pai, eu acho que fica melhor assim. A gente termina o projeto ambiental e aí sim, a Rúbia e eu, principalmente, entramos com tudo no casamento. Agora eu não tenho cabeça para isso não.
ALBERTO: - Tudo bem, meu filho. Façamos assim então.

CENA 18. SÃO PAULO. DANCETERIA. INT. NOITE.

     Imagens da danceteria. Rúbia se acaba na pista de dança. Cadu e Patrícia comentam.

CADU: - Ela nem parece que está grávida. Tem muita energia.
PATRÍCIA: - É mesmo. Mas às vezes eu fico preocupada, sabia? Sei lá. Não faz mal tudo isso não, pra ela?
CADU: - Pode fazer sim. Ela bebeu demais na outra vez. Álcool faz mal para qualquer grávida.
PATRÍCIA: - Pois é, mas ela nem se preocupa. Se bem que ela se alimenta bem, tudo direitinho, mas ainda sim eu fico preocupada com ela. Ela sofreu um acidente de carro logo no início da gravidez.
CADU: - Nossa!
PATRÍCIA: - É. Sorte que não aconteceu nada com o feto, mas mesmo assim, acho que o corpo fica com um certo trauma.
CADU: - Com certeza. Uma acidente de carro, no início de gravidez, poderia ter sido fatal para o bebê. Ela teve uma sorte grande.
PATRÍCIA: - E ela abusa dessa sorte sempre...
CADU: - Lá vem ela.

     Rúbia se aproxima de Cadu e Patrícia.

RÚBIA: - Eu me nego a acreditar que vocês vieram para cá para ficar de papo furado! Vamos dançar gente! Vem!
PATRÍCIA: - Vamos sim. Vem Cadu!

     Patrícia puxa Cadu pela mão. Rúbia os leva para o meio da pista de dança. Os três dançam animados.

CENA 19. CASA BRENDA. QUARTO MATILDE. INT. NOITE.

     Matilde e Joaquim estão deitados na cama. Ela lendo um livro. Ele, assistindo TV.

MATILDE; - Joaquim, eu estava aqui pensando... Há quanto tempo que a gente não sai?
JOAQUIM: - Só nós dois?
MATILDE; - É, só a gente...
JOAQUIM: - Não me lembro, Matilde... Mas por que está perguntando isso? Está sentindo falta de passear?
MATILDE: - Estou sim... às vezes quando vou à feira, vejo os casais de idosos, fazendo seus passeios, namorando...
JOAQUIM: - Namorando?
MATILDE; - Sim, namorando... Não são apenas os jovens que namoram, Joaquim... Me deu uma saudade disso...
JOAQUIM: - Pois é, mas fica ruim a gente sair assim, Matilde. Agora temos o restaurante para cuidar. Não dá para deixá-lo parado ou fechar.
MATILDE: - Mas tem as meninas, a Brenda, a Alice... O Guto também. E agora com a chegada do Sérgio, acho que eles dão conta do recado.
JOAQUIM: - É, pode ser... Mas vamos deixar isso para amanhã? Está me dando um sono...
MATILDE: - Claro, querido.
JOAQUIM: - Boa noite para você.
MATILDE: - Boa noite meu bem.

     Joaquim vira para o lado e dorme. Matilde fica pensativa.

CENA 20. RESTAURANTE NO CENTRO. INT. NOITE.

     Vera e Leandro jantam num restaurante do centro da cidade, com um bom movimento, sofisticado.

VERA: - Fazia muito tempo que você não me trazia num restaurante tão lindo.
LEANDRO: - Eu sei, mas agora eu estou pagando minha dívida com você. Aliás, seria com você e com a Sabrina.
VERA; - Eu falei com ela, insisti, mas ela não quis não...
LEANDRO: - Estou achando ela tão cabisbaixa nos últimos dias. VocÊ não acha não?
VERA: - Acho sim, querido. Sei lá, talvez essas histórias todas dos amigos dela...
LEANDRO: - Que histórias?
VERA: - O Ricardo perdeu a tia, vai viajar com a irmã por tempo indeterminado. O Matheus vai para Londres, estudar. A Patrícia está em São Paulo. Todo mundo, por motivos bons ou não, estão fazendo algo. E ela ficou aqui, sozinha.
LEANDRO: - É, deve estar sendo complicado para ela isso.
VERA: - É mesmo. Eu quero conversar com ela, um papo de mãe e filha, sabe? Isso sempre ajuda.
LEANDRO: - E você, sendo uma ótima mãe, vai conseguir sim.

     Os dois se beijam.

CENA 21. BOATE GLS. INT. NOITE.

     A boate já está movimentada. As pessoas dançam, animadas. Felipe permanece no balcão, bebendo. De repente, ele avista um jovem rapaz, que também fica de olho nele. Os dois trocam olhares por alguns instantes.

CENA 22. SEQ. CENA 21. BOATE GLS. EXT. NOITE.

     Num beco ao lado da boate GLS, Felipe está aos beijos e abraços com o jovenzinho. Os dois se beijam e se agarram de forma intensa.

JOVEM RAPAZ: - Espera um pouco. Tenho uma coisa aqui para melhorar esse nosso encontro.

     O jovem tira do bolso algumas pílulas.

FELIPE: - O que é isso?
JOVEM RAPAZ: - É só pra dar uma viajada legal. Vai, pega uma aí.

     Felipe se afasta do rapaz. Fica sério.

JOVEM RAPAZ: - O que foi?

     Felipe vai indo embora, saindo do beco.

JOVEM RAPAZ: - Ei, o que aconteceu com você? Espera!
FELIPE: - Não uso essas porcarias.
JOVEM RAPAZ: - Deixa de ser careta! Isso aqui vai te ajudar, dá mais gás!
FELIPE: - Não preciso de gás nenhum. Vai de danar, inútil, imprestável!

     Felipe vai embora. O jovenzinho fica um pouco triste, sozinho, no beco. Ele toma uma das pílulas e volta para a boate.

CENA 23. CASA BRENDA. QUARTO BRENDA. INT. NOITE.

     Brenda e Alice conversam.

ALICE: - E aí, quando você vai falar com o Guto?
BRENDA: - Ainda não sei, mas quero falar o mais breve possível.
ALICE: - É bom mesmo. Assim evita essa sua agonia.
BRENDA: - Eu só não quero que ele sofra.
ALICE: - Sofrer, infelizmente, ele vai sofrer, Brenda. Não tem jeito.

Alice de repente, parece sentir um mal estar.

BRENDA: - O que foi Alice? Você está bem?
ALICE: - Estou sim...
BRENDA: - Tem certeza?
ALICE: - Aham, tenho.

Alice não agüenta e corre para o banheiro. Brenda vai atrás dela.

CENA 24. SÃO PAULO. DANCETERIA. INT. NOITE.

     Imagens gerais da danceteria. As pessoas dançam animadas. Seqüências de cenas, onde Rúbia bebe vários drinks. Ela dança à exaustão, já também influenciada pela bebida.

CENA 25. CASA BRENDA. BANHEIRO. INT. NOITE.

Alice lava o rosto na pia. Brenda está escorada na porta do banheiro, observando.

BRENDA: - Enjôo e vômito novamente... Alice, você já falou com o Matheus?
ALICE: - Ainda não.
BRENDA: - Mas você precisa falar com ele sobre a sua gravidez! Ele precisa saber!
ALICE: - Eu sei, Brenda, eu sei. Eu vou falar com ele.
BRENDA: - E você já foi ao médico para saber se está tudo bem com você?
ALICE; - Ainda não. Mas eu marquei para a próxima semana uma consulta...
BRENDA: - Eu sei que é difícil, Alice, mas você não pode esconder isso por muito tempo.
ALICE: - Imagina o que seus avós vão dizer quando descobrirem que eu estou grávida!
BRENDA: - Não pensa nisso agora não. Pensa na sua saúde, e também no Matheus. Ele precisa saber disso e te apoiar! Ele não pode abandonar você num momento desses.
ALICE: - Ele nunca faria isso comigo, eu tenho certeza. Eu vou falar com ele sim. E quero fazer isso antes que ele viaje. Eu não ia contar com medo que ele desistisse de tudo, mas acho que vai ser bom para ele saber o quanto antes.

     Brenda e Alice se abraçam.

BRENDA: - Eu estarei sempre do seu lado.

CENA 26. TRANSIÇÃO DO TEMPO. AMANHECER. / AEROPORTO RIO DE JANEIRO. SAGUÃO INT. DIA.

     Imagens gerais da cidade do Rio de Janeiro ao amanhecer. Aparecem o Cristo Redentor, as praias, Copacabana, Ipanema. Imagens da Pedra da Gávea. Close num avião partindo. Corta para o saguão do aeroporto. Helena, Petrônio, Samantha, Bento e Diogo acompanham Matheus no embarque para Londres.

HELENA (abraçando o filho): - Boa viagem meu filho. E assim que chegar lá, avisa a mamãe!
MATHEUS: - Pode deixar mãe.

Matheus se aproxima, abraça Samantha, cumprimenta Bento. Abraça Petrônio.

PETRÔNIO: - Faça boa viagem, meu filho e aproveite bem tudo lá.
MATHEUS: - Obrigado vovô. Obrigado pela força.

Matheus se aproxima de Diogo. Os dois se abraçam fortemente.

 DIOGO: - Vai lá filhão, boa viagem. E não esquece que estarei esperando por você na volta!
MATHEUS: - Pode deixar, pai.

Matheus fecha um pouco o sorriso.

DIOGO: - O que foi meu filho?
MATHEUS: - Esqueci de avisar a Alice. Dormi tarde ontem, acabei esquecendo de ligar para ela. Queria me despedir.
DIOGO: - Não se preocupa, meu filho. Se eu encontrar ela eu aviso que você deixou um abraço bem grande.
MATHEUS: - Valeu pai.

Helena se aproxima dos dois.

HELENA: - Chega de papo furado, meu filho! Vai lá senão você perde o vôo!

Matheus se despede de todos. Helena o abraçam mais uma vez. Matheus vai para a fila de embarque.

PETRÔNIO: - Vai ser bom para ele.
HELENA: - Vai ser ótimo para ele!
BENTO: - Viajar para Londres deve ser muito bom mesmo.
SAMANTHA: - É sim, Bento.
PETRÔNIO: - Bem, vamos indo então?
HELENA: - Vamos sim, claro.
PETRÔNIO: - Diogo, quer uma carona?
DIOGO: - Obrigado, seu Petrônio. Eu estou de carro, não precisa não.
HELENA: - Que bom, não é mesmo? Agora vamos papai.

Helena sai na frente. Diogo se despede do pessoal que também vão saindo.

CENA 27. SÃO PAULO. HOTEL. QUARTO. INT. DIA.

     Rúbia acorda. Conversa com Patrícia, que está escolhendo uma roupa para vestir.

RÚBIA: - Ai meu Deus, que horas são?
PATRÍCIA: - Dez horas.
RÚBIA: - Nossa, tudo gira, tudo é alto, o som está alto...
PATRÍCIA: - Que alto, que som garota? Está louca?... Também só pode, depois de beber e dançar todas ontem!
RÚBIA: - Nem me fala! A festa estava ótima!... Mas, eu não consigo me lembrar como nós fomos embora...
PATRÍCIA: - Pra variar, só um pouquinho, o Cadu me ajudou a trazer você de volta para o hotel.
RÚBIA: - Ah, só eu, né? Sempre sobra tudo para mim...
PATRÍCIA: - Ah, nem reclama, vai? O Cadu está caidinho por você, nem se importa de trazer você de volta, mesmo bêbada.
RÚBIA: - Bêbada, não... Vestida de garrafa...
PATRÍCIA (risos): - Vestida de garrafa?! De onde você tirou essa?
RÚBIA; - Sei lá... Fica menos feio... Melhor do que bêbada... Ai, deixa eu levantar, tomar um banho...
PATRÍCIA: - Faz isso mesmo, depois a gente sai para fazer um lanche, porque o café do hotel a gente já perdeu.

Rúbia levanta-se com um pouco de preguiça e aos poucos vai indo para o banheiro.


CENA 28. CIA DE NAVEGAÇÃO. ESCRITÓRIO. INT. DIA.

     Henrique está trabalhando quando Sônia entra no escritório. Ele não percebe, estando concentrado.

SÔNIA: - Henrique?
HENRIQUE (surpreso): - Sônia? Pensei que nunca mais quisesse me ver.
SÔNIA: - Infelizmente, eu tive que mudar meus planos.
HENRIQUE: - Bom, fala logo o que você quer, porque eu estou cheio de serviço, como você está vendo...
SONIA: - Eu sei, não pretendo demorar muito não.
HENRIQUE: - Então...?
SÔNIA: - Já está marcado o nosso encontro com meu pai. Você vai, não vai?

     Henrique e Sônia ficam a se olhar.

CENA 29. SÃO PAULO. HOTEL. BANHEIRO DO QUARTO. INT. DIA.

     Rúbia está no Box, tomando banho. CAM mostra a água correndo pelo corpo dela. Rúbia se mostra totalmente relaxada enquanto se banha. De repente, sua aparência muda e ela sente algumas fisgadas na barriga. As fisgadas ficam cada vez mais fortes e Rúbia sente muita dor. Ela olha para o chão do Box e percebe que está com sangramento. Rúbia fica totalmente transtornada.

               FIM DO CAPÍTULO



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