segunda-feira, 6 de julho de 2015

Capítulo 32: Mar da vida


Personagens deste capítulo


Adriano
Alberto
Alice
Bento
Brenda
Carvalho
César
Charles
Clarisse
Cristina
Diogo
Felipe
Fredy
Guto
Helena
Henrique
Joaquim
Leandro
Lílian
Marina
Matheus
Matilde
Mônica
Noêmia
Olga
Patrícia
Petrônio
Rogério
Rúbia
Sérgio
Silvana
Sônia
Tânia
Tomás
Vera
Virgínia



Participação Especial




CENA 01. PRAÇA DO CENTRO DA CIDADE. EXT. DIA.

     Continuação do capítulo anterior. César fica feliz ao ver Brenda na praça.

CÉSAR: - Brenda!

Brenda sorri. César vai ao encontro dela.

BRENDA: - Estava indo embora?
CÉSAR: - Pensei que você não viria mais.
BRENDA: - Eu não iria vir mesmo... Mas eu pensei bem e decidi vir, porque é como você disse. A gente precisa resolver essa nossa história de uma vez por todas.
CÉSAR: - Vamos sentar mais ali.

Os dois seguem até um banco, próximo à uma grande árvore, bonita.

BRENDA: - Poucas vezes eu vim aqui nessa praça e nunca tinha reparado como ela é bonita. Esse espaço todo, as árvores, os pássaros.
CÉSAR: - Você.
BRENDA: - Como assim?
CÉSAR: - Você, Brenda. Você é tão linda quanto essa natureza toda aqui.

     Os dois se olham. César se aproxima de Brenda, como se fosse beijá-la, mas ela se levanta rapidamente.

BRENDA: - Não vai ser assim que nós vamos resolver as coisas.
CÉSAR: - Será mesmo?
BRENDA: - Sim, César. Não adianta nada nós ficarmos aqui, aos beijos, se há várias pessoas envolvidas nisso. O Guto e principalmente, a Rúbia.
CÉSAR: - Eu já falei para você que eu estou disposto a terminar o casamento.
BRENDA; - Isso seria uma loucura...
CÉSAR: - Loucura é eu ter que afogar esse amor que eu sinto por você aqui dentro do meu peito. Eu não posso mais fazer isso, Brenda! Sufoca! Dói!
BRENDA: - A Rúbia não vai suportar...
CÉSAR: - Ela vai ter que entender que é de você que eu gosto, que é você que eu amo!
BRENDA: - Mas e o filho de vocês? Como é que fica?
CÉSAR: - O nosso filho vai ter todo carinho, amor, atenção que ele merece. Eu não preciso estar junto, casado com a Rúbia para ser um bom pai.
BRENDA; - Mas...
CÉSAR; - Brenda, agora eu quero te fazer uma pergunta.
BRENDA: - Faça.
CÉSAR: - É impressão minha ou você está inventando todas essas desculpas para não ficar comigo?
BRENDA: - Como é que é?
CÉSAR: - Eu já falei para você inúmeras vezes que estou disposto a largar tudo para ficar com você, mas você cada vez mais cria mais desculpas, mais empecilhos para que isso não aconteça!... Você vai ter que escolher, definitivamente. Vai querer ficar junto comigo, vivendo esse amor, ou não? Ou vai preferir sucumbir todo esse sentimento que há entre a gente, para sempre?

     César e Brenda se encaram. Ela surpresa com o questionamento de César.

CENA 02. SÃO PAULO. HOTEL. QUARTO. INT. DIA.

     Rúbia acorda de ressaca.

PATRÍCIA (arrumando os cabelos): - Até que enfim, hein, moça!
RÚBIA: - Nossa... Minha cabeça está pesada.
PATRÍCIA; - Também pudera, né Rúbia! Você bebeu todas ontem!
RÚBIA: - Nem lembro disso não... Só lembro que a festa estava ótima... Como é que a gente veio embora hein?
PATRÍCIA: - Cadu trouxe a gente.
RÚBIA: - Ah, o Cadu.
PATRÍCIA: - Ele ainda me ajudou a colocar você na cama. E ainda no final, você acabou beijando ele.
RÚBIA: - Eu beijei o Cadu?
PATRÍCIA: - E não foi qualquer beijinho não! Ele colocou você na cama, você puxou ele e deu um beijo de cinema na boca dele!
RÚBIA: - Meu Deus do céu, que loucura!
PATRICIA: - Loucura mesmo, amiga...
RÚBIA; - E ele? O que ele fez?
PATRÍCIA; - Não fez nada... Saiu daqui um pouco sem graça.
RÚBIA: - Sem graça estou eu, agora... Mas olha só, quando a gente encontrar ele, ou melhor, se a gente encontrar ele hoje, nada de falar nesse assunto, ta legal?
PATRÍCIA: - Tudo bem... Agora levanta daí! Está um dia lindo lá fora, ótimo para gente fazer umas compras, sair...
RÚBIA: - Tudo bem, tudo bem... Nada melhor do que compras para esquecer uma noite de porre...
PATRÍCIA; - Ou um beijo de cinema!
RÚBIA: - Paty!
PATRICIA: - Tudo bem, não está aqui quem falou... Agora vamos logo, Rúbia!

     Rúbia se levanta da cama e vai para o banheiro, enquanto Patrícia termina de se arrumar.

CENA 03. BEST FISH. SALA DE REUNIÕES. INT. DIA.

     Na sala de reuniões, todos aguardam Alberto para o início da reunião.

LEANDRO: - O que será que vão falar nessa reunião?
TOMÁS: - Pra ser de urgência, só pode ser algo muito importante mesmo.
LEANDRO: - Estranho é que não foi adiantado nada! Nem uma pontinha de assunto, nada!

Num outro ponto da sala, Marina organiza suas coisas quando vê Felipe entrando na sala. Os dois se encaram ferozmente. Felipe ainda abre um sorriso de deboche. Pouco tempo depois, Alberto chega na sala, acompanhado de Mônica.

ALBERTO: - Desculpem-me senhores. Já podemos começar a reunião.

     Todos se organizam para o início da reunião.

CENA 04. CASA PETRÔNIO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

     Noêmia, Italvino, Samantha e Petrônio conversam.

PETRÔNIO: - Então Noêmia, estava sumida, não tinha mais aparecido...
NOÊMIA: - Pois é, Petrônio, fiquei mais caseira, ainda mais agora, com um partidão como o Italvino... Mas porque a pergunta? Sentiu saudades de mim? Quero dizer, estranhou a minha ausência pela redondeza...?
PETRÔNIO: - Confesso que sim, porque sempre via você, ou na feira, ou passeando com a Matilde... Falando em Matilde, como ela está?
NOÊMIA: - A Matilde?
PETRÔNIO: - É, ela sim. Faz tanto tempo que não a vejo...
NOÊMIA (um pouco irritada): - A Matilde está bem. E muito bem casada com o Joaquim.
PETRÔNIO: - Ah...
SAMANTHA: - Então, seu Italvino, o senhor é aposentado?
ITALVINO (de olho nas pernas de Samantha): - Eu... Bem, eu...
NOÊMIA: - Fala Italvino, para a moça, o grande emprego que você tem...
ITALVINO (impressionado com Samantha): - Meu Pai do céu...
SAMANTHA: - Você é padre?
NOÊMIA: - Claro que não garota! Padre não pode casar!... Italvino é coveiro.
SAMANTHA: - Coveiro?
NOÊMIA: - Sim, coveiro, lá em Pixirica da Serra... Não sei porque as pessoas ficam surpresas quando eu digo que ele é coveiro. Hoje, coveiro ganha muito bem! Uma grana preta!
PETRÔNIO: - Claro, claro... E é um emprego como outro qualquer.
ITALVINO: - E por incrível que pareça, é um serviço muito tranqüilo...
PETRÔNIO: - Tem tido muito trabalho lá?
ITALVINO: - Não muito. Tem morrido pouca gente lá, viu? Não tem mais acidente, mais assassinatos, gente adoecendo, como antigamente... Assim também prejudica um pouco, sabe? Tem digas que dá uma fadiga que só vendo...
SAMANTHA: - Desculpa aí, mas dá pra gente mudar um pouco de assunto, porque essa história de morte, cemitério, me dá arrepios!
NOÊMIA: - Queridinha, você pode buscar um pouco de água para mim? Essa caminhada até aqui me deu uma sede!
ITALVINO: - Eu também desejo um pouco d’água...
SAMANTHA: - Claro, eu vou pegar.
NOÊMIA (empurrando Italvino): - Vai lá ajudar a moça Italvino!
ITALVINO: - Ajudar em quê? Se é só trazer dois copos d’água!
NOÊMIA: - Para mostrar que você é um cavalheiro...
SAMANTHA: - Não precisa se preocupar não, eu trago tudo sozinha...
NOÊMIA: - Ah, mas precisa sim. Italvino se preocupa tanto, tanto! Claro que vai ajudar você sim... Vai Italvino, ajuda a moça.
ITALVINO: - Eu faço questão.
SAMANTHA: - Tudo bem, então... Me acompanhe.

     Samantha sai com Italvino. Noêmia e Petrônio ficam sozinhos na sala.

CENA 05. CASA VIRGÍNIA. QUARTO. INT. DIA.

     Virgínia abre seu guarda-roupas e retira lá de dentro um porta-jóias. Ela senta-se na cama com a peça. Ela abre a caixinha cuidadosamente e retira um pequeno fundo falso. Dentro da caixa, está uma boa quantia de dinheiro.

VIRGÍNIA; - Ai, meu Deus, se não fosse a Marina me ajudar, eu não teria esse rico dinheirinho...

     Virgínia começa a contar o dinheiro.

VIRGÍNIA; - Hum, com isso aqui já dá para comprar um bom vestido...

     Nesse instante, ouve-se a voz de Carvalho, chamando Virgínia, se aproximando do quarto. Ela rapidamente pega o dinheiro e coloca dentro de uma bolsa. A caixa, ela guarda dentro do guarda-roupas. Nesse instante, Carvalho entra no quarto.

CARVALHO: - Virgínia, meu amor, não ouviu eu chamar você?
VIRGÍNIA (disfarçando): - Não ouvi querido, estava aqui, entretida com as minhas roupas...
CARVALHO: - Vai sair?
VIRGÍNIA: - Pois é, estou pensando em ir até o centro da cidade, dar uma olhadinha nas vitrines...
CARVALHO (desconfiado): - Dar uma olhadinha, é?
VIRGÍNIA: - É, só uma olhadinha sim, sem grandes pretensões...
CARVALHO: - É só isso mesmo?
VIRGÍNIA; - Claro que é Carvalho! Não tenho dinheiro nem pra comprar um lápis de olho!
CARVALHO: - Tudo bem... Eu vou para a beira da praia, o mar hoje está belíssimo!
VIRGÍNIA: - Só isso mesmo?
CARVALHO: - Sim, só isso... O que mais eu poderia fazer na beira da praia?
VIRGÍNIA; - Sei lá... Olhar as outras mulheres, por exemplo...
CARVALHO: - Meu amor, a única mulher que meus olhos vêem é você!

     Carvalho abraça Virgínia. Os dois se beijam.

CENA 06. PRAÇA DO CENTRO DA CIDADE. EXT. DIA.

     César questiona Brenda.

CÉSAR: - Então Brenda, você não vai me responder?
BRENDA; - César, não é assim...
CÉSAR; - Claro que é assim! Poxa, eu já fiz de tudo, já te dei a minha confiança, já provei que você pode confiar em mim para tudo, já te declarei meu amor inúmeras vezes, mas você, Brenda... Você não faz nada, você não fala nada! Não diz que sim nem que não! Fica difícil para mim!
BRENDA: - E para mim? Você não acha que é difícil para mim, trair a minha irmã desse jeito?
CÉSAR: - Não é traição.
BRENDA; - Claro que é. Nós saímos, nos beijamos, nos envolvemos enquanto você namorava ela. Ela descobriu e passou a me ver como ameaça para vocês. Imagina se a gente assume tudo isso? Como é que eu fico com ela? E com meus avós?
CÉSAR: - Você vai estar sendo sincera, honesta, mostrando seus sentimentos de coração aberto. E outra, você não é única nesse dilema. Eu também estou nele e também irei assumir tudo junto com você. Mas para isso, basta que você queira...
BRENDA: - Mas eu quero, César!
CÉSAR: - Então se entrega, Brenda! Se entrega! Deixa o seu coração falar mais alto, deixa o amor prevalecer aí dentro de você!... Você não será feliz se privando de amar pensando no que os outros vão dizer, falar, pensar, agir... Se permita amar, ser amada, ser feliz, Brenda! A vida, é uma só! Se você não aproveitar as oportunidades, elas não voltarão!...

César se aproxima de Brenda e segura a mão dela. Os dois se olham carinhosamente.

CÉSAR: - Aproveita essa oportunidade de amar comigo.

Os dois, aos poucos se aproximam cada vez mais. Seus olhares se encontram. Brenda se afasta, solta-se das mãos de César. Ela dá alguns passos para trás, vira-se, olha a praça em volta. César fica parado, esperando alguma atitude dela. Brenda olha em volta, fecha os olhos, como se estivesse pensando. César permanece no mesmo lugar, esperando por ela. Brenda abre os olhos, vira-se para César. Os dois ficam a se olhar.

BRENDA: - Eu amo você, César.

     César sorri. Ele se aproxima de Brenda rapidamente e os dois se beijam, apaixonadamente, de forma intensa, emocionante.

CÉSAR: - Eu também te amo, Brenda, eu também amo você!
BRENDA: - Eu vou viver esse amor com você!
CÉSAR: - E nós seremos felizes!

     Os dois se abraçam fortemente.


CENA 07. CASA BRENDA. QUARTO GUTO. INT. DIA.

     Guto e Sérgio conversam.

GUTO: - Sérgio, desculpa perguntar assim, mas é uma curiosidade que eu tenho.
SÉRGIO: - Pode perguntar Guto, não tem problema.
GUTO: - Mas se você não quiser responder, tudo bem, eu vou entender...
SÉRGIO: - Guto, eu já falei que não tem problema. Pode perguntar. O que é que te deixa curioso?
GUTO: - Você não tem família, ninguém?

Sérgio fica com expressão séria, um “ar” um tanto cabisbaixo. Guto percebe.

GUTO: - Viu? Por isso que eu não queria perguntar...
SÉRGIO: - Não se preocupe Guto, eu estou bem... Mas você me perguntando sobre família, me pegou de surpresa.
GUTO: - Não queria deixar você triste, Sérgio. Desculpa aí.
SÉRGIO: - Não estou triste não. Estou, digamos assim, lembrando com saudades de um tempo bom da minha vida, que eu não viverei mais... Eu já tive uma família feliz, muito feliz. Uma esposa linda, amorosa, carinhosa, bela, por dentro e por fora...
GUTO: - Como ela se chamava?
SÉRGIO: - Beatriz.
GUTO: - Nome lindo.
SÉRGIO: - E ela era linda, Guto. Nunca havia conhecido mulher tão linda e tão formosa como ela.
GUTO: - Ela foi seu grande amor?
SÉRGIO: - Foi...
GUTO: - Sei como é isso, de se ter um grande amor. Sinto isso pela Brenda.
SÉRGIO: - Pela Brenda?
GUTO: - Sim. Nós somos namorados. E eu a amo loucamente.
SÉRGIO: - Ah, esse amor de juventude... Se bem cuidado, você levará para a vida toda.
GUTO: - Assim como você levou o seu?
SÉRGIO: - Quase... Infelizmente, o destino não foi tão bom comigo... A Beatriz adoeceu, veio a falecer. E desde então, a minha família feliz desapareceu da minha vida.
GUTO: - Mas vocês não tiveram filhos, mais parentes, ninguém?
SÉRGIO: - Tivemos um único filho, mas ele não se dá muito bem comigo.
GUTO: - Nossa... Se eu tivesse a sorte de ter um pai, nunca que iria brigar com ele. É duro você crescer sem ter mãe, pai, alguém. A minha sorte é que encontrei o seu Joaquim, a dona Matilde, que me criaram feito um filho. Eu e a Alice, que chegamos aqui quase que na mesma época e tivemos o mesmo carinho que a Brenda e a Rúbia, que são as netas deles.
SÉRGIO: - Eles têm mais uma neta?
GUTO: - Têm sim. A Rúbia. Ela não mora mais aqui. É noiva de um rapaz aí, rico, filho de gente grande... Agora mora lá com eles, mas está viajando. Comprando as coisas para o casamento.
SÉRGIO: - Que legal! Tomara que ela seja feliz.
GUTO: - É mesmo.

Nesse instante, Alice bate na porta e entra no quarto.

ALICE: - Com licença rapazes, mas precisamos de ajuda lá no restaurante! Dona Matilde saiu e não posso dar conta de tudo sozinha! Vão ficar de conversa fiada aí até quando? (risos)
GUTO: - Já estamos indo!
SÉRGIO: - É pra já!

Os três saem.

CENA 08. BEST FISH. SALA DE REUNIÕES. INT. DIA.

     A reunião começa. Marina põe-se de pé.

MARINA: - Senhores, essa reunião de caráter de urgência foi convocada por mim, com o aval do presidente Alberto, para que se possa ser esclarecidos alguns pontos de extrema necessidade aqui na empresa.
TOMÁS: - Que pontos são esses Marina?
LEANDRO: - Estamos um pouco perdidos, pois não nos foi adiantado nada sobre do que exatamente seria tratado na reunião...
MARINA: - Sei disso e eu mesma fiz questão de que nada fosse adiantado, para não houvessem comentários desnecessários ou tomadas de decisões precipitadas.

Marina dirige-se até o computador da sala, que mostra no projetor, gráficos do cenário financeiro da empresa.

MARINA: - Como os senhores podem ver, esse é um dos gráficos que registra o total de faturamento mensal da empresa, nos últimos meses.
TOMÁS: - Claro, inclusive, esses meses foram os melhores em resultado com relação a períodos anteriores.
MARINA: - Pois bem, e se eu lhes disser que tudo isso é uma mentira? Que esses gráficos não valem nada, que são todos falsos?

Todos ficam espantados, surpresos.

ALBERTO: - Como assim, Marina?! Como não podem ser verdadeiros?
MARINA; - Não são verdadeiros. Esses gráficos, fornecidos pelo doutor Felipe, diretor financeiro, estão adulterados, contendo informações inválidas sobre a situação financeira da empresa.
LEANDRO: - Fraudados?!
TOMÁS; - Isso quer dizer então que...
MARINA: - Que a empresa faturou muito mais que isso.
ALBERTO: - Há valores que não estão inclusos aí, é isso?
MARINA: - Isso mesmo. Estão faltando valores, e grandes valores, aí nesses gráficos e também em diversos relatórios elaborados pelo departamento financeiro. A Best Fish ganhou muito mais dinheiro, teve um rendimento muito maior do que esses gráficos mostram, mas esses resultados não estão sendo apresentados. Esse dinheiro, não está nos cofres da empresa.

O burburinho na sala é grande. Felipe mantém-se calado.

ALBERTO: - Senhores, por favor! Vamos manter a calma...
LEANDRO: - Isso é muito grave, doutor Alberto! Trata-se de uma perda significativa então?
MARINA: - Segundo meus cálculos, entre 15 e 25 por cento.
TOMÁS; - Meu Deus, isso é um absurdo!
ALBERTO: - Completamente!... Felipe, o que você tem a dizer sobre isso? Afinal, você é o responsável pelo setor financeiro da empresa. Como você explica esse déficit nas nossas finanças?

Felipe fica a encarar Alberto. Todos olham para Felipe, esperando uma resposta. Felipe encara Marina.

CENA 09. SÃO PAULO. RUAS. EXT. DIA.

     Imagens da cidade de São Paulo. Corta para Rúbia e Patrícia, que passeiam pelas ruas da cidade. Entram em várias lojas, fazendo compras, provando roupas, olhando acessórios, jóias.

CENA 10. CASA PETRÔNIO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

     Petrônio e Noêmia estão sozinhos na sala. O silêncio toma conta do lugar. Noêmia fica a olhar para Petrônio, mas quando ele olha para ela, ela disfarça. Os dois ficam nessa situação por alguns instantes.

PETRÔNIO: - Então Noêmia, você está namorando, quem diria...
NOÊMIA: - É, estou... Mas, como assim, quem diria? Você acha que uma mulher, na flor da idade, como eu, não pode arranjar um namorado?
PETRÔNIO: - Não, eu não quis dizer isso, longe de mim!
NOÊMIA; - Ah bom...
PETRÔNIO: - Falei por realmente estar surpreso e feliz, por você ter encontrado a sua alma gêmea.
NOÊMIA; - É, mas eu ainda não encontrei minha alma gêmea.
PETRÔNIO: - Ah não?
NOÊMIA: - Não, Petrônio... Eu e o Italvino nos gostamos, mas, não é aquele amor fulminante, sabe?
PETRÔNIO: - Não...

     Noêmia se levanta do sofá e aproxima-se de Petrônio, devagar.

NOÊMIA; - Amor fulminante, é aquele que consome a gente todinha... Nos deixa arrepiada, nos leva ao céu, por vezes ao inferno, nos faz arder em delírios calorosos de amor, de desejo, de paixão!

     Noêmia se aproxima cada vez mais de Petrônio, que, sentado no sofá, tenta se esquivar.

NOÊMIA (sentando-se ao lado de Petrônio, indo para cima dele): - Amor fulminante, é aquele amor que dá um calor forte, sabe? Como está acontecendo agora... (abrindo um pouco mais o decote da roupa)
PETRÔNIO: - Ah, você está com calor, é?
NOÊMIA: - Eu sempre sinto esse fogo quando estou perto de você, Petrônio!
PETRÔNIO (tentando se esquivar): - Ah, é mesmo? Puxa, que interessante, não é?
NOÊMIA (indo para cima dele): - Muito interessante... Você não tem vontade de tentar apagar esse meu fogo?!
PETRÔNIO: - Como é?!

     Noêmia fica a encarar Petrônio, com olhar de desejo. Ele, visivelmente apavorado com a situação.

CENA 11. SEQ. CENA 10. CASA PETRÔNIO. COZINHA. INT. DIA.

     Samantha está preparando uma bandeja com alguns biscoitos para degustarem. Enquanto ela organiza as coisas, Petrônio fica prestando atenção nas curvas da moça e em suas pernas.

SAMANTHA: - Então seu Italvino, o que você disse para a dona Noêmia logo que vocês se conheceram?
ITALVINO (distraído, olhando para as pernas de Samantha): - isso é a obra mais divina da natureza...
SAMANTHA: - Você falou isso para ela? Nossa, que cantada maneira!
ITALVINO: - O que? Como foi?
SAMANTHA: - E dona Noêmia, respondeu o quê?
ITALVINO: - A Noêmia?
SAMANTHA: - Sim! Quando você disse que ela era a obra mais divina da natureza, o que ela falou? O que ela fez?
ITALVINO: - Ah, ela... Ela... Não fez nada não.
SAMANTHA: - Nada?
ITALVINO: - Nada! Não deu tempo. Eu falei e logo já dei um beijão nela! Desses de cinema.
SAMANTHA: - Nossa, que direto que o senhor é, seu Italvino... Estou surpresa!
ITALVINO: - É, comigo não tem moleza. Não é à toa que me chamam de garanhão da Pixirica.
SAMANTHA: - Ah, você é conhecido assim?
ITALVINO: - Sou, claro! Sou ótimo com as mulheres... (se aproximando de Samantha) Você, por acaso, não gostaria de conhecer meus dons?
SAMANTHA: - Não, não, sue Italvino, muito obrigada, mas acho que meu marido não iria gostar nada disso... É melhor a gente levar isso lá pra eles, não é? Vamos indo...

     Samantha pega a bandeja e sai. Italvino a segue, admirando a moça.

CENA 12. SEQ. CENA 11. CASA PETRÔNIO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

     Samantha e Italvino chegam na sala. Rapidamente, Noêmia, que estava tentando agarrar Petrônio, sai de cima dele, enquanto ele tenta se recompor.

SAMANTHA: - Demoramos, mas chegamos! Fiz um chazinho, com biscoitos, mas tem uma aguinha aqui, pra quem quiser!
PETRÔNIO: - A Noêmia! A Noêmia quer água sim!
NOÊMIA: - Quero?
PETRÔNIO: - Claro que quer! Ela está sentindo muito calor! Um calor infernal!
SAMANTHA: - É mesmo? Mas está tudo bem com a senhora, dona Noêmia? Será que não é problema de pressão?
NOÊMIA: - Não, não querida, está tudo bem mesmo.
ITALVINO: - Você é muito prestativa, senhorita Samantha.
SAMANTHA: - Obrigada, seu Italvino. Só estou atendendo bem as visitas. Espero que estejam se sentindo a vontade.
ITALVINO (passando o braço pelo ombro de Samantha, abraçando-a): - Eu estou completamente à vontade! PETRÔNIO: - Até demais, não é, seu Italvino?

     Italvino tira o braço de Samantha.

ITALVINO: - Eu vou comer um biscoitinho...
PETRÔNIO: - Isso, seu Italvino... Belisque outra coisa...




CENA 13. IMOBILIÁRIA. SALA DIOGO. INT. DIA.

     Diogo está trabalhando, quando Matheus bate à porta da sala.

DIOGO (surpreso): - Matheus!
MATHEUS: - Oi pai. Estou atrapalhando?
DIOGO: - Claro que não, entra!

     Diogo vai até o encontro de Matheus. Abraça forte o filho.

DIOGO: - Surpresa boa ver você aqui! Como é que está?
MATHEUS: - Tudo bem, ou melhor, quase.
DIOGO: - Ei, como assim? Senta aí, vamos conversar.

     Os dois sentam-se nas poltronas da sala.

DIOGO: - Me explica isso direito. Como assim, quase tudo bem?
MATHEUS: - Com certeza você já deve estar sabendo da minha viagem para Londres...
DIOGO: - Viagem para Londres? Eu não estou sabendo de nada, filho.
MATHEUS; - A mamãe não falou com você?
DIOGO: - Ah, sim. Você acha mesmo que sua mãe iria me contar alguma coisa?... Mas enfim, você vai ir para Londres fazer o que?
MATHEUS: - A mamãe falou com um amigo dela que mora lá, um tal de Willian. Você conhece?
DIOGO: - Não me é estranho... Mas acho que sei quem é. Ele foi namoradinho dela na juventude.
MATHEUS; - Foi mesmo?
DIOGO: - Sim, antes da gente se conhecer... Mas isso não vem ao caso. Continue.
MATHEUS: - Bom, ela falou com esse Willian e ele conseguiu uma bolsa de estudos numa faculdade que ele dá aula, em Londres.
DIOGO: - Isso é realmente genial, Matheus!
MATHEUS: - É, eu sei, mas...
DIOGO: - Qual o problema? Você não parece tão animado assim...
MATHEUS: - E não estou mesmo, pai. Eu vou fazer essa viagem mais porque a mamãe insistiu, porque se fosse por mim mesmo, eu não iria.
DIOGO: - Mas por que meu filho? E perder essa oportunidade que pode ser única? Uma bolsa de estudos em Londres!
MATHEUS: - Eu sei pai, mas acontece que eu não queria sair daqui... Pelo menos agora, nesse período. Poxa, eu finalmente estou em paz com a Alice e...
DIOGO: - Claro, a Alice. Você não quer se afastar dela agora, é isso?
MATHEUS: - É pai. Mas não é apenas isso... Eu não sei explicar, mas tem alguma coisa a mais que me faz pensar em não ir viajar.
DIOGO: - Mas o que?
MATHEUS: - Não sei, pai, eu não sei... Eu só sei que vou viajar, mas a minha cabeça vai ficar aqui. Eu não irei plenamente pra lá.
DIOGO: - Mas quanto tempo você vai ficar lá?
MATHEUS: - Poucos dias. Eu falei para a mamãe que eu iria, ficaria alguns dias e voltaria logo... Também não quero dizer não sem antes ter ido lá para ver como funcionam as coisas, entende?
DIOGO: - Claro, e faz muito bem pensar assim... Olha só, filho. Você é o meu maior tesouro, o que eu mais tenho de precioso nessa vida.
MATHEUS: - Que isso, pai...
DIOGO: - Eu sei que não fui um pai muito presente na sua vida, mas eu me esforço o máximo para ser o melhor pai do mundo.
MATHEUS; - Você é o melhor pai do mundo.
DIOGO: - Pode contar comigo. Sempre.

     Os dois se abraçam fortemente.

MATHEUS; - Valeu pai.
DIOGO: - Meu filho! Foi bom mesmo você vir aqui...
MATHEUS: - Ah é?
DIOGO: - Claro! Como eu não pensei nisso antes...
MATHEUS: - O que foi pai? Fala!
DIOGO: - Você não quer vir trabalhar aqui comigo?
MATHEUS; - O quê?
DIOGO: - Isso mesmo, trabalhar aqui, na imobiliária.
MATHEUS; - Nossa, pai, seria muito bacana!
DIOGO: - Estou sem uma funcionária importante, então eu acumulo serviços aqui. Estou precisando de alguém que me ajude em algumas tarefas. Está afim?
MATHEUS: - Claro que estou! Topo na hora! Estou mesmo querendo trabalhar, ganhar meu dinheiro com meu serviço, sem ficar na mesada do vovô...
DIOGO: - Então está combinado. Depois da sua viagem, você começa a trabalhar aqui!
MATHEUS: - Valeu pai!
DIOGO: - Se quiser, já posso te mostrar algumas coisas aqui da imobiliária. Quer conhecer?
MATHEUS: - Claro que quero!
DIOGO: - Então vamos!

     Os dois saem da sala animados.

CENA 14. CENTRO PRAIA REAL. EXT. DIA.

     Virgínia caminha pelo centro, carregando sacolas de compras. Ela passa próximo a um hotel, quando vê Tânia se aproximando do hotel.

VIRGÍNIA (surpresa): - Tânia?! Ninguém merece encontrar essa mulher...

     Virgínia fica a observar. Tânia não vê Virgínia e entra no hotel.

VIRGÍNIA: - Mas, o que a Tânia vai fazer nesse hotel?

     Virgínia fica curiosa.

CENA 15. SEQ. CENA 14. HOTEL. QUARTO HERALDO. INT. DIA.

     Tânia e Heraldo estão no quarto, aos beijos.

HERALDO: - Pensei que não viria mais me ver...
TÂNIA: - Esqueceu que eu sou uma mulher casada, com casa e filho para cuidar? Não é tão fácil assim sair...
HERALDO: - Mas você é rica! Nem precisa fazer tanto esforço! Tem empregados para fazer os serviços!
TÂNIA; - Mas agora não está tão fácil... A Olga, a governanta, morreu.
HERALDO: - Morreu?
TÂNIA; - É, morreu, mataram, foi atropelada, virou panqueca de asfalto.
HERALDO: - Coitada...
TÂNIA: - Coitada de mim, que tive que aturar aquela velha durante todos esses anos!... Já foi é tarde, isso sim... Mas agora eu não quero falar dela não. Quero falar da gente... Falar não, fazer...

     Tânia agarra Heraldo. Os dois se beijam e caem na cama, aos amassos.

CENA 16. BEST FISH. SALA DE REUNIÕES. INT. DIA.

     Todos na sala de reuniões aguardam uma explicação de Felipe.

ALBERTO: - Então Felipe, como você explica isso?
FELIPE; - Como eu explico?
ALBERTO: - Sim! Esses documentos possivelmente alterados, esses dados fraudulentos... Como isso tudo?
FELIPE: - Isso, doutor Alberto e demais diretores, não passa de acusações sem fundamentos.
MARINA; - Como assim, acusações sem fundamentos? Eu tenho aqui, as provas! Relatórios alterados, valores que não batem!
FELIPE; - Marina, querida, quantas vezes eu falei para você que esse assunto das finanças da empresa eram de inteira responsabilidade minha? Inúmeras, não é? Pois então, eu tenho o controle de tudo e posso garantir que está tudo em ordem com a empresa! Não há motivos para se preocupar!
TOMÁS: - Então nos mostre, Felipe, por favor.
FELIPE: - Claro.

Felipe organiza seu material no projetor e começa a mostrar relatórios, dados, gráficos, ao mesmo tempo em que os explica.

FELIPE: - Estes valores aqui, que a senhora Marina disse ser alterado, não foi. Ele é assim, mais baixo, devido aos impostos cobrados pelas taxas de exportação.
LEANDRO: - E os outros relatórios dos últimos meses? A empresa ganhou muito dinheiro com o contrato com os norte-americanos.
FELIPE; - Estão todos aqui, Leandro.

Felipe mostra o material.

FELIPE; - Como vocês podem ver, está tudo aí descrito, as taxas de câmbio, os gastos com todo o projeto do contrato, e não sei se todos vocês sabem, mas nesse contrato, que eu mesmo participei da criação, mostra a aquisição de máquinas, equipamentos, implementação de novas tecnologias para a empresa. E isso, caros colegas, custa dinheiro.
TOMÁS; - Tudo isso consta no contrato mesmo?
FELIPE: - Consta, Tomás. O foco deste contrato é, lógico, a parceria com os norte-americanos, na expansão dos nossos serviços, mas para que esses serviços cheguem com qualidade até eles, é preciso investir. Por isso, senhores, esses valores parecem ser mais baixos do que deviam, mas os gastos foram inevitáveis!... E para que isso não fique assim, como palavras ditas ao vento, eu trouxe aqui também, todas as notas dos equipamentos comprados pela Best Fish, além dos projetos tecnológicos, assinados por seus responsáveis.

Todos os diretores observam o material enviado por Felipe. Ele, com ar de satisfação, encara Marina. Ela está visivelmente inconformada.

ALBERTO: - Realmente, está tudo muito bem registrado, muito bem explicado, Felipe.
FELIPE; - Modéstia à parte, meu trabalho sempre foi bem feito aqui dentro da empresa.

Felipe encara Marina.

LEANDRO: - é, nada de erros como Marina apontou.
TOMÁS: - Realmente, está tudo muito bem explicado.

Os outros diretores presentes na sala também comentam.

ALBERTO: - Marina, tem algo a dizer?
MARINA; - Não, papai. Nada mais.
ALBERTO: - Senhores, acho que já está tudo esclarecido. O que ocorreu foi um erro, um equívoco.
MARINA: - Peço desculpas aos senhores pelo transtorno.
ALBERTO: - A reunião está encerrada.

     Os diretores começam a se retirar. Marina e Felipe se encaram. Ele sorri, sarcástico.

CENA 17. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

     Sônia e Matilde conversam.

MATILDE: - Deixei o restaurante lá cheio para vir aqui, mas tem que ser rápido desta vez!
SÔNIA; - Tudo bem, mamãe.
MATILDE; - E então, o que é que aconteceu?
SÔNIA: - Não aconteceu nada, mãe. Eu só chamei a senhora aqui para a gente combinar o grande encontro.
MATILDE: - O encontro com o Joaquim, eu, você, Henrique...
SÔNIA: - É, isso mesmo.
MATILDE; - Ih, minha filha, só de pensar nisso, minhas pernas ficam bambas!
SÔNIA; - Eu sei que é difícil, mamãe, mas não podemos adiar.
MATILDE: - Eu sei...
SÔNIA: - Olha só, eu pensei no seguinte...

Sônia começa a explicar seu plano para Matilde.

CENA 18. PRAÇA CENTRAL. EXT. DIA.

     Brenda e César conversam, sentados no banco, tomando sorvete.

CÉSAR: - Eu sempre sonhei com esse dia, onde nós estaríamos juntos, felizes...
BRENDA: - E tomando sorvete!

     Os dois riem.

BRENDA; - Eu também sempre quis isso, César. Essa sensação de paz, no meu coração. Embora eu saiba que é preciso tomar decisões muito importantes para que isso permaneça por mais tempo.
CÉSAR: - O que, por exemplo?
BRENDA; - O Guto. Eu preciso falar com ele.
CÉSAR: - Tem razão.
BRENDA: - Só de pensar me dá dó no coração, mas eu não poderei levar adiante. Agora que a gente se acertou, eu vou com você, César, até o fim!

     Os dois se beijam.

CENA 19. BOUTIQUE POEME. INT. DIA.

     Cristina e Vera conversam.

VERA: - Médico?
CRISTINA: - Você acredita? O Tomás me dizendo que eu preciso me tratar com um médico!
VERA: - E você? O que você falou?
CRISTINA: - Lógico que eu discordei, né Vera? Eu não preciso de médico nenhum!
VERA; - Sei lá... Talvez seja bom, Cristina, ir num analista, psicólogo, de vez em quando...
CRISTINA: - Mas pra quê, Vera? Eu não estou doente! Não preciso de médico nenhum!
VERA: - Mas você tem tido um comportamento bem radical, digamos assim... Coisas que vão aos extremos.
CRISTINA: - Você também, Vera? Ah não! Aí já é demais... Eu vou até o escritório, ver se chegaram os e-mails das empresas, vou ver os meus também, procurar aliviar a cabeça! Esse assunto de médico não está me deixando legal.

Cristina sai. Vera fica pensativa.




CENA 20. CIA DE NAVEGAÇÃO. DECK. EXT. DIA.

     Henrique está dentro de uma das lanchas, ancoradas no deck da Cia de Navegação. Silvana aparece por lá. Henrique, de dentro da lancha, observa Silvana, que está parada, observando ele também. Henrique sai da lancha e se aproxima dela.

HENRIQUE: - Meu amor, que surpresa boa!

     Os dois se beijam.

SILVANA: - Estou atrapalhando?
HENRIQUE: - Claro que não.
SILVANA: - Está tendo muito serviço por aí?
HENRIQUE: - Não, não... Já estou terminando a vistoria nessa lancha, depois estou livre.
SILVANA; - Perfeito. Depois que você terminar, poderíamos dar uma volta pela cidade, no centro, nas praças, que tal? Está um dia tão bonito, vai fazer um entardecer mais bonito ainda. A gente poderia terminar nosso passeio na beira da praia.
HENRIQUE: - Um roteiro e tanto! Combinado! Prometo que não demoro!
SILVANA: - Tudo bem. Eu vou esperar lá na sua sala, está bom?
HENRIQUE: - Claro, me espere lá.

Os dois se beijam, se despedem. Henrique volta para a lancha. Silvana vai para dentro do prédio da Cia de Navegação.


CENA 21. SEQ. CENA 20. CIA DE NAVEGAÇÃO. ESCRITÓRIO. INT. DIA.

     Silvana entra na sala, observa todos os detalhes do local. Ela vai até a mesa de Henrique. Olha os papéis em cima da mesa, olha os livros e arquivos na estante atrás dela. Após, senta-se na cadeira de Henrique, abre as gavetas da mesa, vasculha os papéis guardados lá dentro. Não encontra o que quer. Ela avista o casaco ce Henrique sobre uma das poltronas da sala. Ela pega o casaco, vasculha bolso por bolso, mas não encontra nada.

SILVANA: - Nenhum vestígio de mulher... Já é um bom sinal.

CENA 22. SÃO PAULO. RUA. EXT. DIA.

     Patrícia e Rúbia caminham pela rua, quando encontram Cadu.

CADU; - Olá meninas!
RÚBIA; - Cadu? Você aqui?
PATRÍCIA; - Andou nos seguindo, é?
CADU: - Não não... Digamos que foi obra do destino.
RÚBIA: - Ta bom, conta outra vai...
CADU: - Eu fui até uma loja de noivas de uma amiga e como eu sabia que vocês estavam fazendo compras, perguntei para ela se ela não tinha atendido duas lindas mulheres, praticamente duas Afrodites! Ela disse que sim, então eu tratei de procurar por vocês por aqui.
PATRÍCIA; - E o que você foi fazer numa loja de noivas?
CADU: - A minha amiga, é dona da loja e o namorado dela é sócio de uma nova casa noturna que abriu aqui na cidade. Coisa de outro mundo!
RÚBIA: - Ah! Que tudo!
CADU: - Pois então, fui lá saber com ela para a gente entrar nessa aí.
PATRÍCIA: - E aí?
CADU: - Tudo confirmado, né gente!

     Patrícia e Rúbia comemoram.

PATRÍCIA; - Que máximo! Mais uma balada fantástica, com certeza!
RÚBIA; - Mal posso esperar para essa também! Quero me acabar!
CADU: - Mas agora, o que vocês vão fazer? Mais compras?
PATRÍCIA: - Sei não... Estou com uma fome!
RÚBIA: - Ai, eu também... Não sabia que escolher enxoval de bebê, de casamento, festa, tudo, dava tanto trabalho!
CADU: - Perfeito... Eu conheço uma cafeteria aqui perto mesmo. Servem lanches ótimos, bebidas deliciosas.
PATRÍCIA: - Vamos pra lá então.
RÚBIA: - Isso mesmo. Depois a gente continua a nossa maratona de compras!

     Os três seguem animados.

CENA 23. CASA BRENDA. QUARTO BRENDA. INT. DIA.

     Brenda e Alice conversam.

ALICE: - E então, como foi?
BRENDA; - Fi mágico, Alice! Foi tudo o que eu queria! A gente conversou, se entendeu... Nós vamos ficar juntos!
ALICE: - Como assim?!
BRENDA: - O César vai esperar a Rúbia voltar de viagem e vai falar tudo para ela.
ALICE; - Ele vai desmanchar o noivado?
BRENDA; - Vai. E eu vou falar com o Guto também.
ALICE: - Vocês ficaram loucos!
BRENDA: - Loucos um pelo outro, amiga! Desta vez vai dar certo! Tenho certeza que vai!
ALICE: - Fico muito feliz por você, sabe disso, não sabe?
BRENDA: - Claro que sei.
ALICE: - Só fico triste pelo Guto... Ele gosta muito de você. Vai ser difícil para ele ver você com César.
BRENDA: - Eu sei, mas eu não posso ficar com ele gostando de outra pessoa. Será ruim agora, no início, mas depois vai ser melhor para nós dois, sem sofrimento, sabe?
ALICE: - Sei sim... Agora me dá um abraço!

     As duas se abraçam, felizes.

ALICE: - Boa sorte na sua vida, amiga!

CENA 24. CENTRO PRAIA REAL. EXT. DIA.

     Tânia vai saindo do hotel. Ela caminha alguns metros quando é surpreendida por Virgínia.

VIRGÍNIA; - Comprou um pacote de viagem pela cidade, Tânia?
TÂNIA (surpresa): - Virgínia?!
VIRGÍNIA: - Eu mesma, querida!
TÂNIA: - Do que você está falando? Que conversa maluca é essa?
VIRGÍNIA; - Perguntei porque vi você entrando nesse hotel aí...

Tânia fica surpresa.

VIRGÍNIA (irônica): - Não sabia que você gostava de se hospedar pela cidade.

Tânia encara Virgínia.

               FIM DO CAPÍTULO


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