Personagens deste capítulo
Adriano
Alberto
Alice
Bento
Brenda
Carvalho
César
Charles
Clarisse
Cristina
Diogo
Felipe
Fredy
Guto
Helena
Henrique
Joaquim
Leandro
Lílian
Marina
Matheus
Matilde
Mônica
Noêmia
Olga
Patrícia
Petrônio
Rogério
Rúbia
Sérgio
Silvana
Sônia
Tânia
Tomás
Vera
Virgínia
Participação Especial
CENA
01. PRAÇA DO CENTRO DA CIDADE. EXT. DIA.
Continuação
do capítulo anterior. César fica feliz ao ver Brenda na praça.
CÉSAR: - Brenda!
Brenda sorri. César vai ao
encontro dela.
BRENDA: - Estava indo embora?
CÉSAR: - Pensei que você não viria mais.
BRENDA: - Eu não iria vir mesmo... Mas eu
pensei bem e decidi vir, porque é como você disse. A gente precisa resolver
essa nossa história de uma vez por todas.
CÉSAR: - Vamos sentar mais ali.
Os dois seguem até um banco,
próximo à uma grande árvore, bonita.
BRENDA: - Poucas vezes eu vim aqui nessa
praça e nunca tinha reparado como ela é bonita. Esse espaço todo, as árvores,
os pássaros.
CÉSAR: - Você.
BRENDA: - Como assim?
CÉSAR: - Você, Brenda. Você é tão linda
quanto essa natureza toda aqui.
Os
dois se olham. César se aproxima de Brenda, como se fosse beijá-la, mas ela se
levanta rapidamente.
BRENDA: - Não vai ser assim que nós vamos
resolver as coisas.
CÉSAR: - Será mesmo?
BRENDA: - Sim, César. Não adianta nada nós
ficarmos aqui, aos beijos, se há várias pessoas envolvidas nisso. O Guto e
principalmente, a Rúbia.
CÉSAR: - Eu já falei para você que eu estou
disposto a terminar o casamento.
BRENDA; - Isso seria uma loucura...
CÉSAR: - Loucura é eu ter que afogar esse
amor que eu sinto por você aqui dentro do meu peito. Eu não posso mais fazer
isso, Brenda! Sufoca! Dói!
BRENDA: - A Rúbia não vai suportar...
CÉSAR: - Ela vai ter que entender que é de
você que eu gosto, que é você que eu amo!
BRENDA: - Mas e o filho de vocês? Como é que
fica?
CÉSAR: - O nosso filho vai ter todo carinho,
amor, atenção que ele merece. Eu não preciso estar junto, casado com a Rúbia
para ser um bom pai.
BRENDA; - Mas...
CÉSAR; - Brenda, agora eu quero te fazer uma
pergunta.
BRENDA: - Faça.
CÉSAR: - É impressão minha ou você está
inventando todas essas desculpas para não ficar comigo?
BRENDA: - Como é que é?
CÉSAR: - Eu já falei para você inúmeras vezes
que estou disposto a largar tudo para ficar com você, mas você cada vez mais
cria mais desculpas, mais empecilhos para que isso não aconteça!... Você vai
ter que escolher, definitivamente. Vai querer ficar junto comigo, vivendo esse
amor, ou não? Ou vai preferir sucumbir todo esse sentimento que há entre a
gente, para sempre?
César
e Brenda se encaram. Ela surpresa com o questionamento de César.
CENA
02. SÃO PAULO. HOTEL. QUARTO. INT. DIA.
Rúbia
acorda de ressaca.
PATRÍCIA (arrumando os cabelos): - Até que
enfim, hein, moça!
RÚBIA: - Nossa... Minha cabeça está pesada.
PATRÍCIA; - Também pudera, né Rúbia! Você
bebeu todas ontem!
RÚBIA: - Nem lembro disso não... Só lembro
que a festa estava ótima... Como é que a gente veio embora hein?
PATRÍCIA: - Cadu trouxe a gente.
RÚBIA: - Ah, o Cadu.
PATRÍCIA: - Ele ainda me ajudou a colocar
você na cama. E ainda no final, você acabou beijando ele.
RÚBIA: - Eu beijei o Cadu?
PATRÍCIA: - E não foi qualquer beijinho não!
Ele colocou você na cama, você puxou ele e deu um beijo de cinema na boca dele!
RÚBIA: - Meu Deus do céu, que loucura!
PATRICIA: - Loucura mesmo, amiga...
RÚBIA; - E ele? O que ele fez?
PATRÍCIA; - Não fez nada... Saiu daqui um
pouco sem graça.
RÚBIA: - Sem graça estou eu, agora... Mas
olha só, quando a gente encontrar ele, ou melhor, se a gente encontrar ele
hoje, nada de falar nesse assunto, ta legal?
PATRÍCIA: - Tudo bem... Agora levanta daí!
Está um dia lindo lá fora, ótimo para gente fazer umas compras, sair...
RÚBIA: - Tudo bem, tudo bem... Nada melhor do
que compras para esquecer uma noite de porre...
PATRÍCIA; - Ou um beijo de cinema!
RÚBIA: - Paty!
PATRICIA: - Tudo bem, não está aqui quem
falou... Agora vamos logo, Rúbia!
Rúbia
se levanta da cama e vai para o banheiro, enquanto Patrícia termina de se
arrumar.
CENA
03. BEST FISH. SALA DE REUNIÕES. INT. DIA.
Na
sala de reuniões, todos aguardam Alberto para o início da reunião.
LEANDRO: - O que será que vão falar nessa
reunião?
TOMÁS: - Pra ser de urgência, só pode ser
algo muito importante mesmo.
LEANDRO: - Estranho é que não foi adiantado
nada! Nem uma pontinha de assunto, nada!
Num outro ponto da sala, Marina
organiza suas coisas quando vê Felipe entrando na sala. Os dois se encaram
ferozmente. Felipe ainda abre um sorriso de deboche. Pouco tempo depois,
Alberto chega na sala, acompanhado de Mônica.
ALBERTO: - Desculpem-me senhores. Já podemos
começar a reunião.
Todos
se organizam para o início da reunião.
CENA
04. CASA PETRÔNIO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.
Noêmia,
Italvino, Samantha e Petrônio conversam.
PETRÔNIO: - Então Noêmia, estava sumida, não
tinha mais aparecido...
NOÊMIA: - Pois é, Petrônio, fiquei mais
caseira, ainda mais agora, com um partidão como o Italvino... Mas porque a
pergunta? Sentiu saudades de mim? Quero dizer, estranhou a minha ausência pela
redondeza...?
PETRÔNIO: - Confesso que sim, porque sempre
via você, ou na feira, ou passeando com a Matilde... Falando em Matilde, como
ela está?
NOÊMIA: - A Matilde?
PETRÔNIO: - É, ela sim. Faz tanto tempo que
não a vejo...
NOÊMIA (um pouco irritada): - A Matilde está
bem. E muito bem casada com o Joaquim.
PETRÔNIO: - Ah...
SAMANTHA: - Então, seu Italvino, o senhor é
aposentado?
ITALVINO (de olho nas pernas de Samantha): -
Eu... Bem, eu...
NOÊMIA: - Fala Italvino, para a moça, o
grande emprego que você tem...
ITALVINO (impressionado com Samantha): - Meu
Pai do céu...
SAMANTHA: - Você é padre?
NOÊMIA: - Claro que não garota! Padre não
pode casar!... Italvino é coveiro.
SAMANTHA: - Coveiro?
NOÊMIA: - Sim, coveiro, lá em Pixirica da
Serra... Não sei porque as pessoas ficam surpresas quando eu digo que ele é
coveiro. Hoje, coveiro ganha muito bem! Uma grana preta!
PETRÔNIO: - Claro, claro... E é um emprego
como outro qualquer.
ITALVINO: - E por incrível que pareça, é um
serviço muito tranqüilo...
PETRÔNIO: - Tem tido muito trabalho lá?
ITALVINO: - Não muito. Tem morrido pouca
gente lá, viu? Não tem mais acidente, mais assassinatos, gente adoecendo, como
antigamente... Assim também prejudica um pouco, sabe? Tem digas que dá uma
fadiga que só vendo...
SAMANTHA: - Desculpa aí, mas dá pra gente
mudar um pouco de assunto, porque essa história de morte, cemitério, me dá
arrepios!
NOÊMIA: - Queridinha, você pode buscar um
pouco de água para mim? Essa caminhada até aqui me deu uma sede!
ITALVINO: - Eu também desejo um pouco
d’água...
SAMANTHA: - Claro, eu vou pegar.
NOÊMIA (empurrando Italvino): - Vai lá ajudar
a moça Italvino!
ITALVINO: - Ajudar em quê? Se é só trazer
dois copos d’água!
NOÊMIA: - Para mostrar que você é um
cavalheiro...
SAMANTHA: - Não precisa se preocupar não, eu
trago tudo sozinha...
NOÊMIA: - Ah, mas precisa sim. Italvino se
preocupa tanto, tanto! Claro que vai ajudar você sim... Vai Italvino, ajuda a
moça.
ITALVINO: - Eu faço questão.
SAMANTHA: - Tudo bem, então... Me acompanhe.
Samantha
sai com Italvino. Noêmia e Petrônio ficam sozinhos na sala.
CENA
05. CASA VIRGÍNIA. QUARTO. INT. DIA.
Virgínia
abre seu guarda-roupas e retira lá de dentro um porta-jóias. Ela senta-se na
cama com a peça. Ela abre a caixinha cuidadosamente e retira um pequeno fundo
falso. Dentro da caixa, está uma boa quantia de dinheiro.
VIRGÍNIA; - Ai, meu Deus, se não fosse a
Marina me ajudar, eu não teria esse rico dinheirinho...
Virgínia
começa a contar o dinheiro.
VIRGÍNIA; - Hum, com isso aqui já dá para
comprar um bom vestido...
Nesse
instante, ouve-se a voz de Carvalho, chamando Virgínia, se aproximando do
quarto. Ela rapidamente pega o dinheiro e coloca dentro de uma bolsa. A caixa,
ela guarda dentro do guarda-roupas. Nesse instante, Carvalho entra no quarto.
CARVALHO: - Virgínia, meu amor, não ouviu eu
chamar você?
VIRGÍNIA (disfarçando): - Não ouvi querido,
estava aqui, entretida com as minhas roupas...
CARVALHO: - Vai sair?
VIRGÍNIA: - Pois é, estou pensando em ir até
o centro da cidade, dar uma olhadinha nas vitrines...
CARVALHO (desconfiado): - Dar uma olhadinha,
é?
VIRGÍNIA: - É, só uma olhadinha sim, sem
grandes pretensões...
CARVALHO: - É só isso mesmo?
VIRGÍNIA; - Claro que é Carvalho! Não tenho
dinheiro nem pra comprar um lápis de olho!
CARVALHO: - Tudo bem... Eu vou para a beira
da praia, o mar hoje está belíssimo!
VIRGÍNIA: - Só isso mesmo?
CARVALHO: - Sim, só isso... O que mais eu
poderia fazer na beira da praia?
VIRGÍNIA; - Sei lá... Olhar as outras
mulheres, por exemplo...
CARVALHO: - Meu amor, a única mulher que meus
olhos vêem é você!
Carvalho
abraça Virgínia. Os dois se beijam.
CENA
06. PRAÇA DO CENTRO DA CIDADE. EXT. DIA.
César
questiona Brenda.
CÉSAR: - Então Brenda, você não vai me
responder?
BRENDA; - César, não é assim...
CÉSAR; - Claro que é assim! Poxa, eu já fiz
de tudo, já te dei a minha confiança, já provei que você pode confiar em mim
para tudo, já te declarei meu amor inúmeras vezes, mas você, Brenda... Você não
faz nada, você não fala nada! Não diz que sim nem que não! Fica difícil para
mim!
BRENDA: - E para mim? Você não acha que é
difícil para mim, trair a minha irmã desse jeito?
CÉSAR: - Não é traição.
BRENDA; - Claro que é. Nós saímos, nos
beijamos, nos envolvemos enquanto você namorava ela. Ela descobriu e passou a
me ver como ameaça para vocês. Imagina se a gente assume tudo isso? Como é que
eu fico com ela? E com meus avós?
CÉSAR: - Você vai estar sendo sincera,
honesta, mostrando seus sentimentos de coração aberto. E outra, você não é
única nesse dilema. Eu também estou nele e também irei assumir tudo junto com
você. Mas para isso, basta que você queira...
BRENDA: - Mas eu quero, César!
CÉSAR: - Então se entrega, Brenda! Se
entrega! Deixa o seu coração falar mais alto, deixa o amor prevalecer aí dentro
de você!... Você não será feliz se privando de amar pensando no que os outros
vão dizer, falar, pensar, agir... Se permita amar, ser amada, ser feliz, Brenda!
A vida, é uma só! Se você não aproveitar as oportunidades, elas não
voltarão!...
César se aproxima de Brenda e
segura a mão dela. Os dois se olham carinhosamente.
CÉSAR: - Aproveita essa oportunidade de amar
comigo.
Os dois, aos poucos se aproximam
cada vez mais. Seus olhares se encontram. Brenda se afasta, solta-se das mãos
de César. Ela dá alguns passos para trás, vira-se, olha a praça em volta. César
fica parado, esperando alguma atitude dela. Brenda olha em volta, fecha os
olhos, como se estivesse pensando. César permanece no mesmo lugar, esperando
por ela. Brenda abre os olhos, vira-se para César. Os dois ficam a se olhar.
BRENDA: - Eu amo você, César.
César
sorri. Ele se aproxima de Brenda rapidamente e os dois se beijam,
apaixonadamente, de forma intensa, emocionante.
CÉSAR: - Eu também te amo, Brenda, eu também
amo você!
BRENDA: - Eu vou viver esse amor com você!
CÉSAR: - E nós seremos felizes!
Os
dois se abraçam fortemente.
CENA
07. CASA BRENDA. QUARTO GUTO. INT. DIA.
Guto
e Sérgio conversam.
GUTO: - Sérgio, desculpa perguntar assim, mas
é uma curiosidade que eu tenho.
SÉRGIO: - Pode perguntar Guto, não tem
problema.
GUTO: - Mas se você não quiser responder,
tudo bem, eu vou entender...
SÉRGIO: - Guto, eu já falei que não tem
problema. Pode perguntar. O que é que te deixa curioso?
GUTO: - Você não tem família, ninguém?
Sérgio fica com expressão séria,
um “ar” um tanto cabisbaixo. Guto percebe.
GUTO: - Viu? Por isso que eu não queria
perguntar...
SÉRGIO: - Não se preocupe Guto, eu estou
bem... Mas você me perguntando sobre família, me pegou de surpresa.
GUTO: - Não queria deixar você triste,
Sérgio. Desculpa aí.
SÉRGIO: - Não estou triste não. Estou,
digamos assim, lembrando com saudades de um tempo bom da minha vida, que eu não
viverei mais... Eu já tive uma família feliz, muito feliz. Uma esposa linda,
amorosa, carinhosa, bela, por dentro e por fora...
GUTO: - Como ela se chamava?
SÉRGIO: - Beatriz.
GUTO: - Nome lindo.
SÉRGIO: - E ela era linda, Guto. Nunca havia
conhecido mulher tão linda e tão formosa como ela.
GUTO: - Ela foi seu grande amor?
SÉRGIO: - Foi...
GUTO: - Sei como é isso, de se ter um grande
amor. Sinto isso pela Brenda.
SÉRGIO: - Pela Brenda?
GUTO: - Sim. Nós somos namorados. E eu a amo
loucamente.
SÉRGIO: - Ah, esse amor de juventude... Se
bem cuidado, você levará para a vida toda.
GUTO: - Assim como você levou o seu?
SÉRGIO: - Quase... Infelizmente, o destino
não foi tão bom comigo... A Beatriz adoeceu, veio a falecer. E desde então, a
minha família feliz desapareceu da minha vida.
GUTO: - Mas vocês não tiveram filhos, mais
parentes, ninguém?
SÉRGIO: - Tivemos um único filho, mas ele não
se dá muito bem comigo.
GUTO: - Nossa... Se eu tivesse a sorte de ter
um pai, nunca que iria brigar com ele. É duro você crescer sem ter mãe, pai,
alguém. A minha sorte é que encontrei o seu Joaquim, a dona Matilde, que me
criaram feito um filho. Eu e a Alice, que chegamos aqui quase que na mesma
época e tivemos o mesmo carinho que a Brenda e a Rúbia, que são as netas deles.
SÉRGIO: - Eles têm mais uma neta?
GUTO: - Têm sim. A Rúbia. Ela não mora mais
aqui. É noiva de um rapaz aí, rico, filho de gente grande... Agora mora lá com
eles, mas está viajando. Comprando as coisas para o casamento.
SÉRGIO: - Que legal! Tomara que ela seja
feliz.
GUTO: - É mesmo.
Nesse instante, Alice bate na
porta e entra no quarto.
ALICE: - Com licença rapazes, mas precisamos
de ajuda lá no restaurante! Dona Matilde saiu e não posso dar conta de tudo
sozinha! Vão ficar de conversa fiada aí até quando? (risos)
GUTO: - Já estamos indo!
SÉRGIO: - É pra já!
Os três saem.
CENA
08. BEST FISH. SALA DE REUNIÕES. INT. DIA.
A
reunião começa. Marina põe-se de pé.
MARINA: - Senhores, essa reunião de caráter
de urgência foi convocada por mim, com o aval do presidente Alberto, para que
se possa ser esclarecidos alguns pontos de extrema necessidade aqui na empresa.
TOMÁS: - Que pontos são esses Marina?
LEANDRO: - Estamos um pouco perdidos, pois
não nos foi adiantado nada sobre do que exatamente seria tratado na reunião...
MARINA: - Sei disso e eu mesma fiz questão de
que nada fosse adiantado, para não houvessem comentários desnecessários ou
tomadas de decisões precipitadas.
Marina dirige-se até o computador
da sala, que mostra no projetor, gráficos do cenário financeiro da empresa.
MARINA: - Como os senhores podem ver, esse é
um dos gráficos que registra o total de faturamento mensal da empresa, nos
últimos meses.
TOMÁS: - Claro, inclusive, esses meses foram
os melhores em resultado com relação a períodos anteriores.
MARINA: - Pois bem, e se eu lhes disser que
tudo isso é uma mentira? Que esses gráficos não valem nada, que são todos
falsos?
Todos ficam espantados,
surpresos.
ALBERTO: - Como assim, Marina?! Como não
podem ser verdadeiros?
MARINA; - Não são verdadeiros. Esses
gráficos, fornecidos pelo doutor Felipe, diretor financeiro, estão adulterados,
contendo informações inválidas sobre a situação financeira da empresa.
LEANDRO: - Fraudados?!
TOMÁS; - Isso quer dizer então que...
MARINA: - Que a empresa faturou muito mais
que isso.
ALBERTO: - Há valores que não estão inclusos
aí, é isso?
MARINA: - Isso mesmo. Estão faltando valores,
e grandes valores, aí nesses gráficos e também em diversos relatórios
elaborados pelo departamento financeiro. A Best Fish ganhou muito mais
dinheiro, teve um rendimento muito maior do que esses gráficos mostram, mas
esses resultados não estão sendo apresentados. Esse dinheiro, não está nos
cofres da empresa.
O burburinho na sala é grande.
Felipe mantém-se calado.
ALBERTO: - Senhores, por favor! Vamos manter
a calma...
LEANDRO: - Isso é muito grave, doutor
Alberto! Trata-se de uma perda significativa então?
MARINA: - Segundo meus cálculos, entre 15 e
25 por cento.
TOMÁS; - Meu Deus, isso é um absurdo!
ALBERTO: - Completamente!... Felipe, o que
você tem a dizer sobre isso? Afinal, você é o responsável pelo setor financeiro
da empresa. Como você explica esse déficit nas nossas finanças?
Felipe fica a encarar Alberto.
Todos olham para Felipe, esperando uma resposta. Felipe encara Marina.
CENA
09. SÃO PAULO. RUAS. EXT. DIA.
Imagens
da cidade de São Paulo. Corta para Rúbia e Patrícia, que passeiam pelas ruas da
cidade. Entram em várias lojas, fazendo compras, provando roupas, olhando
acessórios, jóias.
CENA
10. CASA PETRÔNIO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.
Petrônio
e Noêmia estão sozinhos na sala. O silêncio toma conta do lugar. Noêmia fica a
olhar para Petrônio, mas quando ele olha para ela, ela disfarça. Os dois ficam
nessa situação por alguns instantes.
PETRÔNIO: - Então Noêmia, você está
namorando, quem diria...
NOÊMIA: - É, estou... Mas, como assim, quem
diria? Você acha que uma mulher, na flor da idade, como eu, não pode arranjar
um namorado?
PETRÔNIO: - Não, eu não quis dizer isso,
longe de mim!
NOÊMIA; - Ah bom...
PETRÔNIO: - Falei por realmente estar
surpreso e feliz, por você ter encontrado a sua alma gêmea.
NOÊMIA; - É, mas eu ainda não encontrei minha
alma gêmea.
PETRÔNIO: - Ah não?
NOÊMIA: - Não, Petrônio... Eu e o Italvino
nos gostamos, mas, não é aquele amor fulminante, sabe?
PETRÔNIO: - Não...
Noêmia
se levanta do sofá e aproxima-se de Petrônio, devagar.
NOÊMIA; - Amor fulminante, é aquele que
consome a gente todinha... Nos deixa arrepiada, nos leva ao céu, por vezes ao
inferno, nos faz arder em delírios calorosos de amor, de desejo, de paixão!
Noêmia
se aproxima cada vez mais de Petrônio, que, sentado no sofá, tenta se esquivar.
NOÊMIA (sentando-se ao lado de Petrônio, indo
para cima dele): - Amor fulminante, é aquele amor que dá um calor forte, sabe?
Como está acontecendo agora... (abrindo um pouco mais o decote da roupa)
PETRÔNIO: - Ah, você está com calor, é?
NOÊMIA: - Eu sempre sinto esse fogo quando
estou perto de você, Petrônio!
PETRÔNIO (tentando se esquivar): - Ah, é
mesmo? Puxa, que interessante, não é?
NOÊMIA (indo para cima dele): - Muito
interessante... Você não tem vontade de tentar apagar esse meu fogo?!
PETRÔNIO: - Como é?!
Noêmia
fica a encarar Petrônio, com olhar de desejo. Ele, visivelmente apavorado com a
situação.
CENA
11. SEQ. CENA 10. CASA PETRÔNIO. COZINHA. INT. DIA.
Samantha
está preparando uma bandeja com alguns biscoitos para degustarem. Enquanto ela
organiza as coisas, Petrônio fica prestando atenção nas curvas da moça e em
suas pernas.
SAMANTHA: - Então seu Italvino, o que você
disse para a dona Noêmia logo que vocês se conheceram?
ITALVINO (distraído, olhando para as pernas
de Samantha): - isso é a obra mais divina da natureza...
SAMANTHA: - Você falou isso para ela? Nossa,
que cantada maneira!
ITALVINO: - O que? Como foi?
SAMANTHA: - E dona Noêmia, respondeu o quê?
ITALVINO: - A Noêmia?
SAMANTHA: - Sim! Quando você disse que ela
era a obra mais divina da natureza, o que ela falou? O que ela fez?
ITALVINO: - Ah, ela... Ela... Não fez nada
não.
SAMANTHA: - Nada?
ITALVINO: - Nada! Não deu tempo. Eu falei e
logo já dei um beijão nela! Desses de cinema.
SAMANTHA: - Nossa, que direto que o senhor é,
seu Italvino... Estou surpresa!
ITALVINO: - É, comigo não tem moleza. Não é à
toa que me chamam de garanhão da Pixirica.
SAMANTHA: - Ah, você é conhecido assim?
ITALVINO: - Sou, claro! Sou ótimo com as
mulheres... (se aproximando de Samantha) Você, por acaso, não gostaria de
conhecer meus dons?
SAMANTHA: - Não, não, sue Italvino, muito
obrigada, mas acho que meu marido não iria gostar nada disso... É melhor a
gente levar isso lá pra eles, não é? Vamos indo...
Samantha
pega a bandeja e sai. Italvino a segue, admirando a moça.
CENA
12. SEQ. CENA 11. CASA PETRÔNIO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.
Samantha
e Italvino chegam na sala. Rapidamente, Noêmia, que estava tentando agarrar
Petrônio, sai de cima dele, enquanto ele tenta se recompor.
SAMANTHA: - Demoramos, mas chegamos! Fiz um
chazinho, com biscoitos, mas tem uma aguinha aqui, pra quem quiser!
PETRÔNIO: - A Noêmia! A Noêmia quer água sim!
NOÊMIA: - Quero?
PETRÔNIO: - Claro que quer! Ela está sentindo
muito calor! Um calor infernal!
SAMANTHA: - É mesmo? Mas está tudo bem com a
senhora, dona Noêmia? Será que não é problema de pressão?
NOÊMIA: - Não, não querida, está tudo bem
mesmo.
ITALVINO: - Você é muito prestativa,
senhorita Samantha.
SAMANTHA: - Obrigada, seu Italvino. Só estou
atendendo bem as visitas. Espero que estejam se sentindo a vontade.
ITALVINO (passando o braço pelo ombro de
Samantha, abraçando-a): - Eu estou completamente à vontade! PETRÔNIO: - Até
demais, não é, seu Italvino?
Italvino
tira o braço de Samantha.
ITALVINO: - Eu vou comer um biscoitinho...
PETRÔNIO: - Isso, seu Italvino... Belisque
outra coisa...
CENA
13. IMOBILIÁRIA. SALA DIOGO. INT. DIA.
Diogo
está trabalhando, quando Matheus bate à porta da sala.
DIOGO (surpreso): - Matheus!
MATHEUS: - Oi pai. Estou atrapalhando?
DIOGO: - Claro que não, entra!
Diogo
vai até o encontro de Matheus. Abraça forte o filho.
DIOGO: - Surpresa boa ver você aqui! Como é
que está?
MATHEUS: - Tudo bem, ou melhor, quase.
DIOGO: - Ei, como assim? Senta aí, vamos
conversar.
Os
dois sentam-se nas poltronas da sala.
DIOGO: - Me explica isso direito. Como assim,
quase tudo bem?
MATHEUS: - Com certeza você já deve estar
sabendo da minha viagem para Londres...
DIOGO: - Viagem para Londres? Eu não estou
sabendo de nada, filho.
MATHEUS; - A mamãe não falou com você?
DIOGO: - Ah, sim. Você acha mesmo que sua mãe
iria me contar alguma coisa?... Mas enfim, você vai ir para Londres fazer o
que?
MATHEUS: - A mamãe falou com um amigo dela
que mora lá, um tal de Willian. Você conhece?
DIOGO: - Não me é estranho... Mas acho que
sei quem é. Ele foi namoradinho dela na juventude.
MATHEUS; - Foi mesmo?
DIOGO: - Sim, antes da gente se conhecer...
Mas isso não vem ao caso. Continue.
MATHEUS: - Bom, ela falou com esse Willian e
ele conseguiu uma bolsa de estudos numa faculdade que ele dá aula, em Londres.
DIOGO: - Isso é realmente genial, Matheus!
MATHEUS: - É, eu sei, mas...
DIOGO: - Qual o problema? Você não parece tão
animado assim...
MATHEUS: - E não estou mesmo, pai. Eu vou
fazer essa viagem mais porque a mamãe insistiu, porque se fosse por mim mesmo,
eu não iria.
DIOGO: - Mas por que meu filho? E perder essa
oportunidade que pode ser única? Uma bolsa de estudos em Londres!
MATHEUS: - Eu sei pai, mas acontece que eu
não queria sair daqui... Pelo menos agora, nesse período. Poxa, eu finalmente
estou em paz com a Alice e...
DIOGO: - Claro, a Alice. Você não quer se
afastar dela agora, é isso?
MATHEUS: - É pai. Mas não é apenas isso... Eu
não sei explicar, mas tem alguma coisa a mais que me faz pensar em não ir
viajar.
DIOGO: - Mas o que?
MATHEUS: - Não sei, pai, eu não sei... Eu só
sei que vou viajar, mas a minha cabeça vai ficar aqui. Eu não irei plenamente
pra lá.
DIOGO: - Mas quanto tempo você vai ficar lá?
MATHEUS: - Poucos dias. Eu falei para a mamãe
que eu iria, ficaria alguns dias e voltaria logo... Também não quero dizer não
sem antes ter ido lá para ver como funcionam as coisas, entende?
DIOGO: - Claro, e faz muito bem pensar
assim... Olha só, filho. Você é o meu maior tesouro, o que eu mais tenho de
precioso nessa vida.
MATHEUS: - Que isso, pai...
DIOGO: - Eu sei que não fui um pai muito
presente na sua vida, mas eu me esforço o máximo para ser o melhor pai do
mundo.
MATHEUS; - Você é o melhor pai do mundo.
DIOGO: - Pode contar comigo. Sempre.
Os
dois se abraçam fortemente.
MATHEUS; - Valeu pai.
DIOGO: - Meu filho! Foi bom mesmo você vir
aqui...
MATHEUS: - Ah é?
DIOGO: - Claro! Como eu não pensei nisso
antes...
MATHEUS: - O que foi pai? Fala!
DIOGO: - Você não quer vir trabalhar aqui
comigo?
MATHEUS; - O quê?
DIOGO: - Isso mesmo, trabalhar aqui, na
imobiliária.
MATHEUS; - Nossa, pai, seria muito bacana!
DIOGO: - Estou sem uma funcionária
importante, então eu acumulo serviços aqui. Estou precisando de alguém que me
ajude em algumas tarefas. Está afim?
MATHEUS: - Claro que estou! Topo na hora!
Estou mesmo querendo trabalhar, ganhar meu dinheiro com meu serviço, sem ficar
na mesada do vovô...
DIOGO: - Então está combinado. Depois da sua
viagem, você começa a trabalhar aqui!
MATHEUS: - Valeu pai!
DIOGO: - Se quiser, já posso te mostrar
algumas coisas aqui da imobiliária. Quer conhecer?
MATHEUS: - Claro que quero!
DIOGO: - Então vamos!
Os
dois saem da sala animados.
CENA
14. CENTRO PRAIA REAL. EXT. DIA.
Virgínia
caminha pelo centro, carregando sacolas de compras. Ela passa próximo a um
hotel, quando vê Tânia se aproximando do hotel.
VIRGÍNIA (surpresa): - Tânia?! Ninguém merece
encontrar essa mulher...
Virgínia
fica a observar. Tânia não vê Virgínia e entra no hotel.
VIRGÍNIA: - Mas, o que a Tânia vai fazer
nesse hotel?
Virgínia
fica curiosa.
CENA
15. SEQ. CENA 14. HOTEL. QUARTO HERALDO. INT. DIA.
Tânia
e Heraldo estão no quarto, aos beijos.
HERALDO: - Pensei que não viria mais me
ver...
TÂNIA: - Esqueceu que eu sou uma mulher
casada, com casa e filho para cuidar? Não é tão fácil assim sair...
HERALDO: - Mas você é rica! Nem precisa fazer
tanto esforço! Tem empregados para fazer os serviços!
TÂNIA; - Mas agora não está tão fácil... A
Olga, a governanta, morreu.
HERALDO: - Morreu?
TÂNIA; - É, morreu, mataram, foi atropelada,
virou panqueca de asfalto.
HERALDO: - Coitada...
TÂNIA: - Coitada de mim, que tive que aturar
aquela velha durante todos esses anos!... Já foi é tarde, isso sim... Mas agora
eu não quero falar dela não. Quero falar da gente... Falar não, fazer...
Tânia
agarra Heraldo. Os dois se beijam e caem na cama, aos amassos.
CENA
16. BEST FISH. SALA DE REUNIÕES. INT. DIA.
Todos
na sala de reuniões aguardam uma explicação de Felipe.
ALBERTO: - Então Felipe, como você explica
isso?
FELIPE; - Como eu explico?
ALBERTO: - Sim! Esses documentos
possivelmente alterados, esses dados fraudulentos... Como isso tudo?
FELIPE: - Isso, doutor Alberto e demais
diretores, não passa de acusações sem fundamentos.
MARINA; - Como assim, acusações sem
fundamentos? Eu tenho aqui, as provas! Relatórios alterados, valores que não
batem!
FELIPE; - Marina, querida, quantas vezes eu
falei para você que esse assunto das finanças da empresa eram de inteira
responsabilidade minha? Inúmeras, não é? Pois então, eu tenho o controle de tudo
e posso garantir que está tudo em ordem com a empresa! Não há motivos para se
preocupar!
TOMÁS: - Então nos mostre, Felipe, por favor.
FELIPE: - Claro.
Felipe organiza seu material no
projetor e começa a mostrar relatórios, dados, gráficos, ao mesmo tempo em que
os explica.
FELIPE: - Estes valores aqui, que a senhora
Marina disse ser alterado, não foi. Ele é assim, mais baixo, devido aos
impostos cobrados pelas taxas de exportação.
LEANDRO: - E os outros relatórios dos últimos
meses? A empresa ganhou muito dinheiro com o contrato com os norte-americanos.
FELIPE; - Estão todos aqui, Leandro.
Felipe mostra o material.
FELIPE; - Como vocês podem ver, está tudo aí
descrito, as taxas de câmbio, os gastos com todo o projeto do contrato, e não
sei se todos vocês sabem, mas nesse contrato, que eu mesmo participei da
criação, mostra a aquisição de máquinas, equipamentos, implementação de novas
tecnologias para a empresa. E isso, caros colegas, custa dinheiro.
TOMÁS; - Tudo isso consta no contrato mesmo?
FELIPE: - Consta, Tomás. O foco deste
contrato é, lógico, a parceria com os norte-americanos, na expansão dos nossos
serviços, mas para que esses serviços cheguem com qualidade até eles, é preciso
investir. Por isso, senhores, esses valores parecem ser mais baixos do que
deviam, mas os gastos foram inevitáveis!... E para que isso não fique assim,
como palavras ditas ao vento, eu trouxe aqui também, todas as notas dos
equipamentos comprados pela Best Fish, além dos projetos tecnológicos,
assinados por seus responsáveis.
Todos os diretores observam o
material enviado por Felipe. Ele, com ar de satisfação, encara Marina. Ela está
visivelmente inconformada.
ALBERTO: - Realmente, está tudo muito bem
registrado, muito bem explicado, Felipe.
FELIPE; - Modéstia à parte, meu trabalho
sempre foi bem feito aqui dentro da empresa.
Felipe encara Marina.
LEANDRO: - é, nada de erros como Marina
apontou.
TOMÁS: - Realmente, está tudo muito bem
explicado.
Os outros diretores presentes na
sala também comentam.
ALBERTO: - Marina, tem algo a dizer?
MARINA; - Não, papai. Nada mais.
ALBERTO: - Senhores, acho que já está tudo
esclarecido. O que ocorreu foi um erro, um equívoco.
MARINA: - Peço desculpas aos senhores pelo
transtorno.
ALBERTO: - A reunião está encerrada.
Os
diretores começam a se retirar. Marina e Felipe se encaram. Ele sorri,
sarcástico.
CENA
17. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.
Sônia
e Matilde conversam.
MATILDE: - Deixei o restaurante lá cheio para
vir aqui, mas tem que ser rápido desta vez!
SÔNIA; - Tudo bem, mamãe.
MATILDE; - E então, o que é que aconteceu?
SÔNIA: - Não aconteceu nada, mãe. Eu só
chamei a senhora aqui para a gente combinar o grande encontro.
MATILDE: - O encontro com o Joaquim, eu,
você, Henrique...
SÔNIA: - É, isso mesmo.
MATILDE; - Ih, minha filha, só de pensar
nisso, minhas pernas ficam bambas!
SÔNIA; - Eu sei que é difícil, mamãe, mas não
podemos adiar.
MATILDE: - Eu sei...
SÔNIA: - Olha só, eu pensei no seguinte...
Sônia começa a explicar seu plano
para Matilde.
CENA
18. PRAÇA CENTRAL. EXT. DIA.
Brenda
e César conversam, sentados no banco, tomando sorvete.
CÉSAR: - Eu sempre sonhei com esse dia, onde
nós estaríamos juntos, felizes...
BRENDA: - E tomando sorvete!
Os
dois riem.
BRENDA; - Eu também sempre quis isso, César.
Essa sensação de paz, no meu coração. Embora eu saiba que é preciso tomar
decisões muito importantes para que isso permaneça por mais tempo.
CÉSAR: - O que, por exemplo?
BRENDA; - O Guto. Eu preciso falar com ele.
CÉSAR: - Tem razão.
BRENDA: - Só de pensar me dá dó no coração,
mas eu não poderei levar adiante. Agora que a gente se acertou, eu vou com
você, César, até o fim!
Os
dois se beijam.
CENA
19. BOUTIQUE POEME. INT. DIA.
Cristina
e Vera conversam.
VERA: - Médico?
CRISTINA: - Você acredita? O Tomás me dizendo
que eu preciso me tratar com um médico!
VERA: - E você? O que você falou?
CRISTINA: - Lógico que eu discordei, né Vera?
Eu não preciso de médico nenhum!
VERA; - Sei lá... Talvez seja bom, Cristina,
ir num analista, psicólogo, de vez em quando...
CRISTINA: - Mas pra quê, Vera? Eu não estou
doente! Não preciso de médico nenhum!
VERA: - Mas você tem tido um comportamento
bem radical, digamos assim... Coisas que vão aos extremos.
CRISTINA: - Você também, Vera? Ah não! Aí já
é demais... Eu vou até o escritório, ver se chegaram os e-mails das empresas,
vou ver os meus também, procurar aliviar a cabeça! Esse assunto de médico não
está me deixando legal.
Cristina sai. Vera fica
pensativa.
CENA
20. CIA DE NAVEGAÇÃO. DECK. EXT. DIA.
Henrique
está dentro de uma das lanchas, ancoradas no deck da Cia de Navegação. Silvana
aparece por lá. Henrique, de dentro da lancha, observa Silvana, que está
parada, observando ele também. Henrique sai da lancha e se aproxima dela.
HENRIQUE: - Meu amor, que surpresa boa!
Os
dois se beijam.
SILVANA: - Estou atrapalhando?
HENRIQUE: - Claro que não.
SILVANA: - Está tendo muito serviço por aí?
HENRIQUE: - Não, não... Já estou terminando a
vistoria nessa lancha, depois estou livre.
SILVANA; - Perfeito. Depois que você
terminar, poderíamos dar uma volta pela cidade, no centro, nas praças, que tal?
Está um dia tão bonito, vai fazer um entardecer mais bonito ainda. A gente
poderia terminar nosso passeio na beira da praia.
HENRIQUE: - Um roteiro e tanto! Combinado!
Prometo que não demoro!
SILVANA: - Tudo bem. Eu vou esperar lá na sua
sala, está bom?
HENRIQUE: - Claro, me espere lá.
Os dois se beijam, se despedem.
Henrique volta para a lancha. Silvana vai para dentro do prédio da Cia de
Navegação.
CENA
21. SEQ. CENA 20. CIA DE NAVEGAÇÃO. ESCRITÓRIO. INT. DIA.
Silvana
entra na sala, observa todos os detalhes do local. Ela vai até a mesa de
Henrique. Olha os papéis em cima da mesa, olha os livros e arquivos na estante
atrás dela. Após, senta-se na cadeira de Henrique, abre as gavetas da mesa,
vasculha os papéis guardados lá dentro. Não encontra o que quer. Ela avista o
casaco ce Henrique sobre uma das poltronas da sala. Ela pega o casaco, vasculha
bolso por bolso, mas não encontra nada.
SILVANA: - Nenhum vestígio de mulher... Já é
um bom sinal.
CENA
22. SÃO PAULO. RUA. EXT. DIA.
Patrícia
e Rúbia caminham pela rua, quando encontram Cadu.
CADU; - Olá meninas!
RÚBIA; - Cadu? Você aqui?
PATRÍCIA; - Andou nos seguindo, é?
CADU: - Não não... Digamos que foi obra do
destino.
RÚBIA: - Ta bom, conta outra vai...
CADU: - Eu fui até uma loja de noivas de uma
amiga e como eu sabia que vocês estavam fazendo compras, perguntei para ela se
ela não tinha atendido duas lindas mulheres, praticamente duas Afrodites! Ela
disse que sim, então eu tratei de procurar por vocês por aqui.
PATRÍCIA; - E o que você foi fazer numa loja
de noivas?
CADU: - A minha amiga, é dona da loja e o
namorado dela é sócio de uma nova casa noturna que abriu aqui na cidade. Coisa
de outro mundo!
RÚBIA: - Ah! Que tudo!
CADU: - Pois então, fui lá saber com ela para
a gente entrar nessa aí.
PATRÍCIA: - E aí?
CADU: - Tudo confirmado, né gente!
Patrícia
e Rúbia comemoram.
PATRÍCIA; - Que máximo! Mais uma balada
fantástica, com certeza!
RÚBIA; - Mal posso esperar para essa também!
Quero me acabar!
CADU: - Mas agora, o que vocês vão fazer?
Mais compras?
PATRÍCIA: - Sei não... Estou com uma fome!
RÚBIA: - Ai, eu também... Não sabia que
escolher enxoval de bebê, de casamento, festa, tudo, dava tanto trabalho!
CADU: - Perfeito... Eu conheço uma cafeteria
aqui perto mesmo. Servem lanches ótimos, bebidas deliciosas.
PATRÍCIA: - Vamos pra lá então.
RÚBIA: - Isso mesmo. Depois a gente continua
a nossa maratona de compras!
Os
três seguem animados.
CENA
23. CASA BRENDA. QUARTO BRENDA. INT. DIA.
Brenda
e Alice conversam.
ALICE: - E então, como foi?
BRENDA; - Fi mágico, Alice! Foi tudo o que eu
queria! A gente conversou, se entendeu... Nós vamos ficar juntos!
ALICE: - Como assim?!
BRENDA: - O César vai esperar a Rúbia voltar
de viagem e vai falar tudo para ela.
ALICE; - Ele vai desmanchar o noivado?
BRENDA; - Vai. E eu vou falar com o Guto
também.
ALICE: - Vocês ficaram loucos!
BRENDA: - Loucos um pelo outro, amiga! Desta
vez vai dar certo! Tenho certeza que vai!
ALICE: - Fico muito feliz por você, sabe
disso, não sabe?
BRENDA: - Claro que sei.
ALICE: - Só fico triste pelo Guto... Ele
gosta muito de você. Vai ser difícil para ele ver você com César.
BRENDA: - Eu sei, mas eu não posso ficar com
ele gostando de outra pessoa. Será ruim agora, no início, mas depois vai ser
melhor para nós dois, sem sofrimento, sabe?
ALICE: - Sei sim... Agora me dá um abraço!
As
duas se abraçam, felizes.
ALICE: - Boa sorte na sua vida, amiga!
CENA
24. CENTRO PRAIA REAL. EXT. DIA.
Tânia
vai saindo do hotel. Ela caminha alguns metros quando é surpreendida por
Virgínia.
VIRGÍNIA; - Comprou um pacote de viagem pela
cidade, Tânia?
TÂNIA (surpresa): - Virgínia?!
VIRGÍNIA: - Eu mesma, querida!
TÂNIA: - Do que você está falando? Que
conversa maluca é essa?
VIRGÍNIA; - Perguntei porque vi você entrando
nesse hotel aí...
Tânia fica surpresa.
VIRGÍNIA (irônica): - Não sabia que você
gostava de se hospedar pela cidade.
Tânia encara Virgínia.
FIM DO CAPÍTULO

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