Personagens deste capítulo
Adriano
Alberto
Alice
Bento
Brenda
Carvalho
César
Charles
Clarisse
Cristina
Diogo
Felipe
Fredy
Guto
Helena
Henrique
Joaquim
Leandro
Lílian
Marina
Matheus
Matilde
Mônica
Noêmia
Olga
Patrícia
Petrônio
Rogério
Rúbia
Sérgio
Silvana
Sônia
Tânia
Tomás
Vera
Virgínia
Participação Especial
CENA
01. CALÇADÃO PRAIA REAL. QUIOSQUE. EXT. DIA.
Continuação
do capítulo anterior. Sônia fica emocionada em ver Brenda.
CARVALHO: - Está ali, Sônia. A sua filha.
SÔNIA: - Brenda... Linda! Linda, Brenda!
Chama ela aqui, Carvalho! Eu quero falar com ela! Chama ela aqui, por favor!
CARVALHO: - Tudo bem, mas você precisa se
controlar... Não pode demonstrar nada ainda, entendeu?
SÔNIA; - Sim, eu entendi...
CARVALHO: - Brenda! Brenda!
Brenda,
que estava passando, para ao ver Carvalho chamar.
BRENDA; - O que foi Carvalho?
CARVALHO: - Venha até aqui. Quero te
apresentar uma pessoa...
Brenda
se aproxima, enquanto Sônia enxuga as lágrimas.
CARVALHO: - Brenda, essa aqui é a minha
amiga...
SÔNIA: - Lorena... Lorena, muito prazer.
Sônia
e Carvalho trocam olhares.
BRENDA; - Muito prazer, Lorena. Eu me chamo
Brenda.
SÔNIA: - Muito bonita, você, Brenda.
BRENDA: - Obrigada...
CARVALHO: - A Lorena é uma grande amiga
minha, que voltou para Praia Real. Vai morar aqui por uns tempos.
BRENDA: - Que bom! Vai gostar da cidade. É
muito bonita.
SÔNIA: - É mesmo...
BRENDA: - Bom, se vocês me dão licença, eu
preciso ir. Tenho que entregar essas compras para o meu avô...
CARVALHO: - Manda um abraço para o seu
Joaquim.
BRENDA: - Pode deixar.
SÔNIA: - Espero te ver mais vezes, Brenda.
Pretendo fazer bastante amigos por aqui, nessa minha volta...
BRENDA: - Claro, nos encontraremos mais vezes
sim. Leva ela lá no restaurante qualquer dia desses, Carvalho. Ela vai adorar.
CARVALHO: - Levarei sim, com certeza. A
família da Brenda tem um restaurante. Um dos melhores da cidade.
SôNIA: - É mesmo? Que bom!
BRENDA: - Bem, vou indo lá. Prazer em
conhecê-la, Lorena.
SÔNIA: - O prazer é todo meu...
CARVALHO: - Ah, Brenda! Notícias da Rúbia e
do bebê?
BRENDA: - A Rúbia está em São Paulo,
Carvalho.
CARVALHO: - São Paulo? Mas como...?
BRENDA: - Ela viajou, com a Patrícia. Foram
fazer as compras do enxoval do bebê e também do casamento dela com o César.
CARVALHO: - Mas ela sai assim e nem para me
avisar...
BRENDA: - Você conhece bem a sua filha... Vou
indo lá. Abraços!
Brenda
sai.
SÔNIA; - Que linda é essa menina!
Encantadora!
CARVALHO: - A Brenda é um anjo. Quem me dera
se a Rúbia tivesse uma coisinha só parecida com a Brenda... Elas foram criadas
juntas, a mesma educação, os meus conceitos de vida, mas elas são completamente
diferentes.
SÔNIA: - Mas a Rúbia com certeza deve ter
suas virtudes, Carvalho.
CARVALHO: - Eu também espero, Sônia...
CENA
02. SÃO PAULO. SHOPPING. PRAÇA ALIMENTAÇÃO. INT. DIA.
Rúbia
e Patrícia chegam na praça de alimentação, carregando várias sacolas. Elas vão
ao encontro de Cadu, que está esperando por elas numa das mesas.
CADU: - Nossa! Ainda sobraram roupas aqui no
shopping para as outras pessoas comprarem?
RÚBIA: - Ah, Cadu, não exagera... Nós
compramos apenas coisas básicas!
PATRÍCIA: - E a Rúbia ainda comprou o vestido
para usar hoje à noite...
CADU: - Ah é mesmo?
RÚBIA; - Claro! Tenho que estar lindíssima no
meu debut na noite paulistana!
CADU: - Gostei de ver...
Patrícia
olha o seu celular e vê que há uma chamada perdida.
PATRÍCIA: - Ih, tem uma chamada perdida aqui
no meu celular... É da minha mãe.
RÚBIA (também olhando o seu celular): - No
meu tem uma chamada do César.
CADU: - César?
RÚBIA; - Meu noivo...
CADU: - Ah, sim...
PATRÍCIA; - Você talvez já deve ter ouvido
falar nele, Cadu... Ele é filho do Alberto Walker, dono da Best Fish.
CADU: - Já ouvi falar nele sim. Então você é
noiva de César Walker, o almofadinha...
RÚBIA: - Ei, como assim, almofadinha?
CADU: - Desculpe a expressão, mas era assim
que ele era chamado antigamente. Riquinho, só queria saber de coisas cultas,
livros, estudos... Não era de curtir a vida, sabe? Festas, baladas, namoros.
RÚBIA: - É, ele é bem mais reservado.
CADU: - Ou careta também.
Rúbia
olha séria para Cadu.
CADU: - Desculpe, não quero causar nenhum mal
estar... Mas então, preparadas para logo mais à noite?
PATRÍCIA; - Eu estou contando os minutos!
RÚBIA; - Eu também não vejo a hora...
CENA
03. CASA ALBERTO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.
César,
Felipe e Marina chegam em casa.
MARINA; - Você chegou a avisar a Rúbia sobre
o que aconteceu, César?
CÉSAR: - Eu liguei para ela, mas só chamou...
Por um lado até foi bom. Não quero atrapalhar a viagem dela.
FELIPE; - Bom, eu vou para o meu quarto
descansar...
Felipe
sobe. Marina fica a encará-lo. César percebe.
CÉSAR: - O que foi Marina? Algum problema com
o Felipe?
MARINA; - Não, ou melhor, ainda não.
CÉSAR: - Como assim? Do que você está
falando?
MARINA: - Nada não, deixa pra lá... eu também
vou subir, tomar um banho, procurar relaxar. Você deveria fazer o mesmo, sabia?
CÉSAR; - É, depois eu faço isso.
Marina
sobe. César deita-se no sofá, pensativo.
CENA
04. CASA PETRÔNIO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.
Petrônio
e Samantha estão na sala, assistindo um filme, quando Helena chega animada.
PETRÔNIO: - Ué? Mas vocês não haviam ido num
enterro? Agora você chega animada desse jeito...
SAMANTHA; - Eu ia dizer a mesma coisa
agora... o que aconteceu Helena para que você ficasse tão animada?
HELENA; - Eu recebi a melhor notícia de todos
os tempos!
PETRÔNIO: - Então diga Helena! Eu e a
Samantha estamos curiosos!
HELENA: - O Matheus decidiu que vai ir para
Londres!
PETRÔNIO: - O Matheus vai ir mesmo para a
Europa?
HELENA: - Vai sim papai... Disse isso com
todas as letras!
SAMANTHA: - Nossa, estou surpresa, porque ele
relutou tanto essa ideia...
HELENA: - Pois é, mas ele pensou melhor,
refletiu sobre o futuro dele e decidiu ir.
PETRÔNIO: - E onde está ele agora?
HELENA: - Ele ficou no caminho. Queria contar
a novidade para aquela indigente com quem ele diz estar namorando.
SAMANTHA: - Helena! Não fale assim da moça...
HELENA: - Desculpe, força do hábito... Mas
hoje nada estraga a minha alegria, mesmo depois de ter vindo direto de um
velório!
PETRÔNIO: - Falando nisso, como foi lá?
HELENA: - Ué, papai, nada fora do normal de
um enterro... Os familiares da morta chorando, as pessoas tristes, enfim... o
diferencial foi as maioria dos presentes era da alta sociedade, já que a
falecida era a governanta dos Walker.
PETRÔNIO: - O amiguinho do Matheus, o
Ricardo, deveria estar arrasado...
HELENA: - Estava mesmo, tristinho... Mas
agora ele vai ter que tomar um rumo na vida! Porque a irmã dele, querendo ou
não, tem um bom emprego na Best Fish... Bom, eu vou subir, tomar um banho para
tirar esse cheiro de cemitério.
Helena
sai, cantarolando.
SAMANTHA: - Ela está animada mesmo com essa
ida do Matheus para Londres.
PETRÔNIO: - Eu só espero que ele esteja
fazendo isso por vontade própria, meu bem.
CENA
05. RESTAURANTE MARESIA. EXT. DIA.
Matheus
e Alice conversam do lado de fora do restaurante.
ALICE: - Então você vai ir para Londres...
MATHEUS: - Eu vou sim.
ALICE; - Faz bem, Matheus. Vai ser muito bom
para você.
MATHEUS: - Eu sei... Mas sei lá, eu irei,
mesmo tendo a sensação de que não deveria ir.
ALICE: - Como assim?
MATHEUS: - Não sei explicar, Alice... Tem
alguma coisa em mim dizendo para eu ficar aqui, algo que de certa forma, me
prende, sabe?
ALICE: - Deve ser coisa da sua cabeça,
Matheus... O que poderia prender você aqui? Não há nada que impeça você de
viajar.
MATHEUS: - Ainda sim eu vou com uma pulga
atrás da orelha...
ALICE; - Deixa de bobagem... Você vai, viaja
traquilo e depois volta, que eu vou estar aqui, louquinha de saudade, esperando
por você!
Os
dois se beijam apaixonadamente.
CENA
06. IMOBILIÁRIA. SALA DIOGO. INT. DIA.
Adriano
e Diogo conversam.
DIOGO: - Adriano, é difícil acreditar nisso
que você está me dizendo... A Sônia e o Henrique têm uma filha?
ADRIANO: - Isso mesmo, Diogo. Eles já se
conhecem há muito tempo. A Sônia morou aqui em Praia Real. Os dois foram
namorados. Namoro proibido. Ela engravidou, ele foi embora sem saber da
gravidez...
DIOGO: - Que história! Parece coisa de
novela!
ADRIANO: - Mas o pior talvez nem seja isso...
DIOGO: - E o que é então?
ADRIANO: - O Henrique me confessou que ainda
é apaixonado pela Sônia.
DIOGO (surpreso): - Como assim, cara?! Ele
disso isso para você, na sua cara?
ADRIANO: - Com todas as letras... E ele ainda
afirmou que a Sônia só não está com ele porque ela não desistiu de mim.
DIOGO: - Meu Deus!... Eu nem sei o que dizer.
ADRIANO: - Meu mundo caiu depois da nossa
conversa, Diogo. Eu tinha planos com ele, de uma parceria entre a companhia de
navegação e o resort, mas depois disso tudo, não há como continuar junto nessa,
sabe?
DIOGO: - Eu entendo... Mas, mudando o rumo da
conversa, você tocou no resort... Como andam as coisas?
ADRIANO: - Mais rápido do que eu esperava, Diogo.
Pelo menos isso para alegrar minha vida. O resort vai estar pronto bem antes do
previsto.
DIOGO: - Mas que maravilha, Adriano!
ADRINO: - Se você quiser, eu posso te levar
lá para ver como andam as obras.
DIOGO: - Mas é claro que eu quero!
ADRIANO: - Quando vamos?
DIOGO: - Agora, meu amigo! Vamos lá!
Os
dois saem da sala animados, conversando.
CENA
07. APTO VERA. SALA DE ESTAR .INT. DIA.
Leandro
e Vera estão na sala.
VERA (vendo uma revista): - Nossa, que
modelito lindo dessa mulher!... Olha aqui meu amor!
Vera se aproxima de Leandro e
mostra a revista.
VERA: - Não é linda essa roupa?
LEANDRO: - É, bem bonita sim... E essa modelo
também.
VERA: - É, a modelo dá todo um charme a mais
para o vestido.
LEANDRO: - Essa modelo parece a Mônica...
VERA: - Mônica?
LEANDRO: - É, a Mônica. A secretária lá da
empresa.
VERA: - Você achou essa modelo parecida com a
Mônica, é?
LEANDRO: - Achei... A Mônica também é bonita assim... Coitadinha... Deve estar
arrasada com a morte da madrinha dela.
VERA (pontinha de ciúmes): - Você está
pensando em levar flores para ela também?
LEANDRO: - Para quem? Para a Mônica ou para a
Olga?
VERA: - Para a Mônica, para a Olga, para
todas as mulheres que você acha bonitinha!
LEANDRO: - Calma, meu amor, não precisa ficar
com ciúmes não...
VERA: - Eu com ciúmes? E dessa Mônica aí?
Ha-ha-ha! Eu me garanto, meu bem! Eu me garanto!
Saindo. Leandro fica na sala,
pensativo.
CENA
08. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. DIA.
Sérgio
conversa com o pessoal do restaurante, Matilde, Guto, Alice e Joaquim.
SÉRGIO: - Então, com quinze, dezesseis anos,
eu cheguei aqui em Praia Real, para estudar.
GUTO: - Mas você, morando no Rio, veio
estudar logo aqui? Por que, se lá tem colégios muito melhores?
SÉRGIO: - Meus pais não tinham condições de
pagar as escolas de lá, Guto. A situação não estava fácil lá em casa. Eu também
precisava trabalhar, mas não conseguia nada. Minha mãe tinha uma velha amiga,
que morava aqui em Praia Real. Ela conseguiu uma bolsa de estudos para mim. Aí
eu vim para cá. Comecei a estudar e logo já consegui emprego, numa padaria.
MATILDE: - Mas você não continuou?
SÉRGIO: - O dono da padaria faleceu e a
família decidiu fechar a padaria e se mudar da cidade. Eu já tinha terminados
os estudos, mas estava sem trabalho.
ALICE: - E como você fez para se virar?
SÉRGIO; - Corri atrás, Alice. Sempre. Nunca
desisti. Conheci outro emprego, de engraxate numa barbearia, fazia bicos
vendendo jornal, limpando jardins. Eu tinha que ganhar a vida...
JOAQUIM: - Isso sim é que é persistência. E
exemplo de vida também.
SÉRGIO: - Que isso, seu Joaquim...
Nesse instante, Brenda chega no
restaurante.
MATILDE: - Brenda! Por que demorou tanto,
minha filha?
BRENDA: - Desculpe, vovô, mas é que o mercado
estava cheio... E na volta, encontrei o Carvalho. Me apresentou uma nova amiga.
JOAQUIM: - O Carvalho cheio de amizades...
Espero que seja coisa boa...
BRENDA; - Mas ela era uma pessoa bem legal,
vovô. Bonita, elegante. Lorena, é o nome dela. Ele disse que vai trazer ela
aqui qualquer dias desses.
GUTO: - Brenda, essa aqui é o Sérgio. Ele é o
novo funcionário do restaurante.
BRENDA: - Ah, contrataram então?
MATILDE: - Sim... Vimos que o Sérgio é uma
boa pessoa e pode nos ajudar aqui.
SÉRGIO: - Prazer em conhecê-la.
Brenda
e Sérgio se cumprimentam.
BRENDA: - Seja bem vindo, Sérgio.
MATILDE: - Então, fez as compras direitinho?
BRENDA; - Fiz sim... Ah, vovô, só não sei se
o anzol está no tamanho certo.
MATILDE: - Anzol? Mas você não iria comprar
coisas para a dispensa lá de casa?
BRENDA: - Não, vovó, eu comprei as coisas
dessa lista que o vovô me deu. (entregando a lista para Matilde)
MATILDE (lendo a lista): - Anzol, linha...
Joaquim! Você comprou material para a pescar?
JOAQUIM: - Matilde! Eu estava precisando!
MATILDE: - Você sabe que eu não quero que
você volte para o mar, Joaquim!...
Joaquim
e Matilde entram em casa, ela reclamando, ele resmungando.
SÉRGIO: - Não é melhor acalmá-los? Eles estão
brigando...
BRENDA; - Não se preocupa, Sérgio.
ALICE: - É melhor você se acostumar. Quando o
assunto é pescaria aqui, é sempre a mesma coisa.
CENA
09. CASA ALBERTO. QUARTO CÉSAR. INT. DIA.
César
está em seu quarto, deitado, pensando. Alguém bate à porta.
CÉSAR: - Pode entrar.
Tânia
abre a porta e entra no quarto.
TÂNIA; - Oi, meu amor.
CÉSAR: - Oi, mamãe.
TÂNIA (sentando-se na cama): - Vim ver como
você está...
CÉSAR: - Estou bem.
TÂNIA: - Tem certeza, meu filho?
CÉSAR: - Tenho sim, mãe. Está tudo bem
comigo...
TÂNIA; - Ai, César... Mas eu estou preocupada
com você, meu filho.
CÉSAR: - Mas preocupada porque mãe?
TÂNIA: - Há dias que eu noto que você não
anda mais com aquela alegria, com aquele entusiasmo de antes... Aliás, há muito
tempo que eu não vejo você feliz, sorridente... Desde que você e a Rúbia
começaram a se envolver e aí ela ficou grávida.
CÉSAR: - Mamãe, isso não tem a ver.
Aconteceram outras coisas muito mais sérias... Teve o incêndio do projeto
ambiental, agora a morte da Olga.
TÂNIA: - Eu sei, querido, mas nada me tira da
cabeça que a Rúbia transformou a sua vida.
CÉSAR: - Mas ela transformou mesmo. Eu, de
certa forma, me sinto um pouco mais responsável, com o fato de ser pai agora.
TÂNIA: - É aí que eu queria chegar...
(levantando-se)
CÉSAR: - Como assim?
TÂNIA: - Será mesmo que você está feliz com
esse filho que ela diz ser seu?
CÉSAR: - Estou sim, mãe. Mas, porque a
senhora está me perguntando isso?
TÂNIA: - Estou te perguntando porque eu não
quero que você se iluda, meu filho!... Ainda mais com essa história de
casamento que seu pai arrumou e que eu acho o fim da picada!
CÉSAR: - Bem, mãe, eu vou casar com a mãe do
meu filho.
TÂNIA: - Se a mãe do seu filho fosse outra
pessoa...
CÉSAR: - Mamãe!
TÂNIA: - Ai, César! Eu nunca fui com a cara
dessa Rúbia. E eu acho que você está jogando uma vida, um futuro brilhante no
lixo, se casando e sustentando essa mulher.
CÉSAR: - Desculpa, mãe, mas eu não estou com
cabeça para discutir isso... Eu não quero brigar, por favor.
TÂNIA: - Tudo bem, tudo bem... Me desculpa.
(se aproximando de César) Eu também não quero brigar com você, meu tesouro.
Tânia
abraça César.
TÂNIA: - Você é tudo de mais precioso que eu
tenho, além da minha pulseira de brilhantes...
CÉSAR (risos): - Você está me comparando com
a sua pulseira, então?
TÂNIA: - Não é isso que eu quis dizer, meu
bebê... Eu amo você, muito. Só quero o seu bem.
CÉSAR: - Eu sei disso, mãe. Também amo você.
TÂNIA: - Agora vou deixar você descansar
então. Fica bem. (beijando César)
CÉSAR: - Você também. Obrigado.
Tânia
se afasta. César fica pensativo.
CENA
10. RESTAURANTE MARESIA. COZINHA. INT. DIA.
Alice
ajuda Matilde na cozinha do restaurante, preparando alguns pratos.
MATILDE (cozinhando no fogão): - Alice, mexe
aqui esse molho para mim enquanto eu vou ali na dispensa pegar o resto dos
ingredientes?
ALICE: - Claro, dona Matilde.
Alice começa a mexer o molho,
enquanto Matilde sai. Alice sente um enjôo com o cheiro do molho. Matilde entra
e percebe que Alice não está bem.
MATILDE: - Alice, o que estás acontecendo?
VocÊ está bem?
ALICE (se afastando, indo até a janela): -
Está tudo bem, dona Matilde. Foi só em enjôo.
MATILDE: - Ih, minha filha... VocÊ se
alimentou direito? Não andou comendo porcarias por aí/ Às vezes isso estraga a
pessoa...
ALICE: - É, talvez tenha sido... Eu ao
banheiro.
MATILDE: - Não quer tomar um chazinho depois,
Alice, pra ver se passa?
ALICE: - Não, dona Matilde, acho que não vai
precisar. Obrigada.
Alice sai e Matilde continua a
cozinhar, sem desconfiar de nada.
CENA
11. CASA BRENDA. BANHEIRO. INT. DIA.
Alice
entra no banheiro, tranca a porta. Abre a torneira, lava o rosto várias vezes.
Fecha a torneira, respira um pouco ofegante, como se estivesse exausta,
cansada. Alice alisa a barriga. Ela se olha no espelho e chora entristecida.
CENA
12. TRANSIÇÃO DO TEMPO. ANOITECER / SÃO PAULO. HOTEL. QUARTO. INT. NOITE
Imagens
da cidade de São Paulo ao anoitecer. Corta para a fachada do hotel onde Rúbia e
Patrícia estão hospedadas. Já é noite. No quarto do hotel, Rúbia e Patrícia se
preparam para sair.
PATRÍCIA (arrumando os cabelos): - Onde será
que o Cadu vai nos levar hein?
RÚBIA (fazendo maquiagem): - Espero que seja
num lugar bem legal, fantástico, maravilhoso!
PATRÍCIA: - Isso aí!
RÚBIA: - Eu quero é me acabar!
PATRÍCIA: - Quem diria hein... Se
estivéssemos em Praia Real, à essa hora estaríamos numa baladinha qualquer, sem
glamour, sem brilho nenhum. Mas agora estamos nos preparando para ir nos
melhores lugares da noite paulistana!
RÚBIA: - Falou tudo amiga!... Aliás, você
falou em Praia Real. Vou ligar para o César. Desde que cheguei não falei com
ele...
Rúbia
pega o telefone e liga para César. (Flashes alternados durante a conversa)
CÉSAR: - Alô?
RÚBIA: - Oi meu amor!
CÉSAR: - Rúbia! Que bom que você ligou...
Como você está?
RÚBIA: - Estou bem, meu amor... Morrendo de
saudades de você.
CÉSAR: - Eu também estou com saudades.
RÚBIA: - Eu vi que você tinha me ligado
antes, mas eu não consegui atender, estava vendo uns bercinhos para o nosso
filho.
CÉSAR: - Que legal.
RÚBIA: - Queria falar algo importante?
CÉSAR: - Não, não era nada não. Era mais para
saber como você está, como está sendo o passeio, as compras...
RÚBIA: - Está tudo muito bom, César. Vou
levar coisas lindas! A Patrícia está me ajudando bastante.
Patrícia
faz sinal, como se estivesse mandando beijo para ele.
RÚBIA: - Ela está te mandando um beijo.
CÉSAR: - Obrigado! Manda outro para ela.
RÚBIA: - Pode deixar...
CÉSAR: - Eu estive no restaurante dos seus
avós.
RÚBIA (fica séria): - Ah é mesmo? Foi fazer o
que lá?
CÉSAR: - Fui visitá-los. Avisei que você
tinha ido viajar. Eles ficaram felizes.
RÚBIA: - E a minha irmãzinha querida estava
lá?
CÉSAR: - Rúbia, não fale assim...
RÚBIA: - Ela estava ou não estava, César?!
CÉSAR: - Não estava. Tinha saído, com o Guto.
RÚBIA: - Ah bom... E onde você está agora?
Fazendo o quÊ? Com quem vocÊ está?
CÉSAR: - Estou em casa, no meu quarto,
sozinho, descansando.
RÚBIA: - Descansando do quê?
CÉSAR: - Tive um dia cheio hoje...
RÚBIA; - Ah sim, trabalhos para recuperar o
projeto ambiental...
CÉSAR: - Isso mesmo.
RÚBIA: - Bom, então eu também vou deixar você
descansar. Nós vamos descer para jantar e depois dormir, porque amanhã pretendo
levantar cedo para ver as coisas do nosso casamento.
CÉSAR: - Então está bom.
PATRÍCIA: - Ah, Rúbia, pede para o César
ligar para os meus pais, avisar que eu estou bem...
RÚBIA: - César!
CÉSAR: - Fala.
RÚBIA: - A Pty pediu para você ligar para os
pais dela, avisar que ela está bem.
CÉSAR: - Ok, pode deixar que eu ligo para
eles.
RÚBIA: - Tenha uma boa noite, meu amor. Fica
com Deus.
CÉSAR: - Você também, Rúbia.
RÚBIA: - Fala que me ama...
CÉSAR (um pouco sem jeito): - Eu te amo...
RÚBIA: - Você é o melhor homem que uma mulher
poderia ter... Eu também te amo muito, muito, muito! Beijos e se cuida!
CÉSAR: - Beijos para você também.
César
desliga o telefone, fica pensativo. Rúbia desliga o telefone, também fica pensativa.
PATRÍCIA: - E aí, como ele está?
RÚBIA: - Está bem...
PATRÍCIA: - E por que você está com essa
cara?
RÚBIA: - Ele foi visitar meus avós no
restaurante.
PATRÍCIA: - Ih, ele fez isso mesmo?
RÚBIA; - Fez, mas a Brenda não estava. Ainda
bem, porque se eu souber que ela chegou perto dele, eu torço o pescoço daquela
idiota!
PATRÍCIA: - Ei, sem raiva, baixo astral
agora! Vamos terminar de se preparar para a festa! Daqui a pouco o Cadu chega e
nós não estamos prontas.
RÚBIA: - Isso mesmo. Vamos sim.
CENA
13. CASA HENRIQUE. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.
Silvana
está sentada na sala, sozinha, um pouco entristecida pela situação do seu
casamento. Henrique chega em casa.
HENRIQUE (passando): Boa noite.
SILVANA (levantando-se): - Henrique, espera!
Henrique
para. Volta para ouvir Silvana.
SILVANA: - Vamos conversar.
HENRIQUE: - Depois Silvana. Eu estou cansado
do trabalho, vou tomar um banho...
SILVANA: - Agora. Agora Henrique. Por favor.
HENRIQUE: - Tudo bem.
Henrique
senta-se no sofá. Silvana se aproxima dele e ajoelha-se.
HENRIQUE: - O que você está fazendo, Silvana?
SILVANA: - Estou te pedindo perdão.
HENRIQUE: - Mas, perdão do quê?
SILVANA: - Perdão pelas coisas que eu te
disse outro dia, perdão por não ter sido uma boa esposa nos últimos dias...
Perdão por não ter conseguido te dar um filho.
HENRIQUE: - Silvana, levanta por favor...
SILVANA: - Eu não sei mais o que fazer para
que a gente tenha de volta a alegria de antes, Henrique. A gente era feliz, meu
amor! A gente era muito feliz, mas agora, tudo parece cair... Parece um castelo
de areia que a onda do mar vem e leva embora... Eu não quero mais isso para a
gente, Henrique. Eu quero voltar a ter aquele casamento feliz! Aquele casamento
cheio de amor, de desejo, tesão! Eu quero aquele casamento de paz, Henrique. De
paz.
HENRIQUE: - Levanta, Silvana... Senta aqui do
meu lado.
Silvana,
emocionada, senta-se ao lado de Henrique.
HENRIQUE: - Eu também não quero mais esse
clima aqui, para a gente. Eu também desejo voltar a ter aquela época de paz,
aquele ar de felicidade que invadia essa casa.
SILVANA: - Nós podemos voltar a ser assim,
Henrique! Nós podemos encher essa casa de felicidade!
HENRQUE: - Claro que podemos, Silvana.
Afinal, foi para isso que nós casamos. Para sermos felizes...
SILVANA: - Eu prometo para você que vou ser
uma mulher melhor daqui em diante.
HENRIQUE: - Não precisa prometer nada não.
Vamos viver sem ficar presos à promessas.
SILVANA: - Eu amo você!
HENRIQUE: - Eu também... Gosto muito de você.
Silvana
beija Henrique. Depois, os dois se abraçam fortemente. Ela sente-se um pouco
mais aliviada. Ele, parece preso a tudo isso, sem ter saída.
CENA
14. CASA ALBERTO. QUARTO FELIPE. INT. NOITE.
Felipe
planeja, em seu computador, todo o material para se defender de Marina na
reunião da Best Fish.
FELIPE: - Essa infeliz está achando que eu
sou bobo... Mas eu não sou bobo não, Marina... Você vai ver...
CENA
15. RESTAURANTE MARESIA. SALAO. INT. NOITE.
O
restaurante Maresia está atendendo os clientes. Sérgio começa seu trabalho.
Guto o auxilia algumas vezes. Brenda e Alice também atendem as pessoas. Nesse
instante, Noêmia e Italvino entram no restaurante.
NOÊMIA: - Boa noite Brenda.
BRENDA: - Dona Noêmia! Que surpresa boa!
Fazia tempo que a senhora não aparecia por aqui.
NOÊMIA: - Eu sei... Como dizem vocês, jovens,
eu estava em outras bandas...
Guto
se aproxima.
GUTO: - Dona Noêmia!
NOÊMIA: - Como vai Guto?
GUTO: - Muito bem e a senhora?
NOÊMIA: - Melhor impossível! Ainda mais agora
que eu estou namorando esse deus grego!
Guto
e Brenda se olham.
GUTO: - Que legal...
NOÊMIA; - Deixa eu apresentá-lo... Esse aqui
é o Italvino.
ITALVINO: - Prazer em conhecê-los.
BRENDA: - Muito prazer, seu Italvino. Seja
bem vindo ao restaurante.
ITALVINO: - Muito obrigado.
Nesse
instante, Matilde e Joaquim se aproximam.
MATILDE: - Noêmia!
NOÊMIA: - Matilde, minha amiga, como vai?
As
duas se abraçam.
MATILDE; - Tudo bem e você, querida?
NOÊMIA: - Eu estou ótima, namorando esse pão
de homem!
JOAQUIM: - Você, está namorando?
NOÊMIA: - Claro! Com o Italvino!
ITALVINO:- Muito prazer.
MATILDE: - O prazer é meu, italvino, em
receber vocÊs aqui no meu restaurante.
JOAQUIM: - Esse mundo está virado... Até a
Noêmia arrumando namorado...
MATILDE: - Então vocês estão namorando?
NOÊMIA: - Estamos sim e estamos muito felizes!
MATILDE: - Que maravilha, minha amiga.
NOÊMIA: - Matilde, eu poderia falar com você,
um instantinho?
MATILDE: - Claro! Vamos lá na cozinha, a
gente conversa melhor. Brenda, Guto, ajudam a Alice a atender as mesas! Ela
está sozinha aí!
BRENDA; - Claro vovó! Vamos Guto.
GUTO: - Vamos sim.
Matilde
e Noêmia vão para a cozinha. Brenda e Guto atendem os clientes. Joaquim e
Italvino ficam parados, se olhando. Os dois ficam em silêncio por um instante.
JOAQUIM: - Então, Italvino, você faz o que da
vida?
ITALVINO: - Eu? Sou coveiro lá na minha
cidade, Pixirica da Serra.
JOAQUIM: - Coveiro é? Que interessante...
Os
dois continuam a se olhar.
CENA
16. RESTAURANTE MARESIA. COZINHA. INT. NOITE.
Matilde
e Noêmia conversam.
MATILDE: - Então vocês não são namorados?
NOÊMIA; - Claro que não! Esse aí é meu primo
só, lá de Pixirica da Serra!
MATILDE: - Bem que ele não me parecia
estranho... Acho que você já tinha me mostrado ele, numa foto...
NOÊMIA: - É, talvez...
MATILDE: - Mas por que você está inventando
essa história toda de namoro?
NOÊMIA: - Faz parte do meu plano.
MATILDE; - Que plano, mulher? O que você está
aprontando?
NOÊMIA: - Eu vou fazer ciúmes no Petrônio com
o Italvino.
MATILDE: - Como é que é?
NOÊMIA: - Isso mesmo! Eu vou até a casa do
Petrônio, apresento o Italvino como meu namorado. Com certeza o Petrônio vai
ficar com ciúmes, vai deixar aquela boneca loura sem sal dele e vai vir
correndo atrás de mim!
MATILDE: - E você acha que isso vai dar
certo?
NOÊMIA; - Claro que vai! Qualquer homem
sentiria ciúmes de ver sua mulher ou alguém por quem se interessa próxima do
Italvino. Ele é um partidão!
MATILDE: - Ah, claro, com certeza, um
partidão...
NOÊMIA: - Então! Meu plano tem tudo para dar
certo. Escreve ai o que eu estou te dizendo...
CENA
17. CASA TOMÁS. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.
Cristina
está na sala, lendo umas revistas, enquanto Tomás está ao telefone.
TOMÁS: - É mesmo César? Que bom!
(T)
TOMÁS: - Certo então. Obrigado por ligar!
(T)
TOMÁS: - Boa noite.
Tomás
desliga o telefone. Se aproxima de Cristina.
CRISTINA; - O César ligando para cá?
TOMÁS: - Sim, para dar notícias das meninas.
CRISTINA (animada): - E como elas estão?
TOMÁS: - César disse que estão bem, fizeram
compras, passearam bastante. Agora estavam indo jantar e amanhã sairão novamente
para comprar as coisas do casamento.
CRISTINA: - Que ótimo! É tão bom saber que
elas estão se divertindo, se dando bem, aproveitando tudo...
TOMÁS: - Que bom mesmo... a Rúbia é uma boa
menina, e agora vai se casar com um rapaz de um coração enorme, responsável.
CRISTINA: - Ai, esse furor dos preparativos
para o casamento... Me traz lembranças tão boas da época em que eu estava para
me casar.
TOMÁS: - É mesmo querida?
CRISTINA: - Eu estava tão feliz! Tão feliz
quanto eu estou agora. Lembro como se fosse hoje... Minha mãe me ajudando com o
vestido de noiva, enquanto a Vera me dando conselhos sobre o que fazer na
lua-de-mel!
Os
dois riem, felizes.
TOMÁS: - A Vera sempre impagável!
CRISTINA: - Totalmente!... E lembra da nossa
lua-de-mel, que inesquecível?
TOMÁS: - Lembro sim. Foi sensacional. Em
todos os sentidos...
CRISTINA: - Tomás, que safado que você é!...
(risos)
TOMÁS: - Eu vou pegar um champanhe.
CRISTINA: - Champanhe?
TOMÁS: - Sim. Vamos brindar essa época linda
das nossas vidas, a nossa felicidade.
CRISTINA: - Tomás...
TOMÁS: - Espera aí que eu vou pegar...
Tomás
sai, vai para a cozinha. Cristina fica na sala, pensativa, com sorriso nos
lábios. Mas, aos poucos, sua expressão alegre começa a se fechar. Sua aparência
feliz dá lugar à uma sensação de tristeza, baixo astral. Cristina levanta-se do
sofá. Caminha lentamente pela sala com ar entristecido. Tomás chega na sala
sorridente, com a garrafa de champanhe e taças. Ao ver Cristina cabisbaixa, se
surpreende.
TOMÁS (surpreso): - O que foi Cristina? Está
se sentindo bem?
CRISTINA; - Estou, quero dizer, não sei...
TOMÁS: - Agora a pouco você estava tão feliz,
radiante!
CRISTINA; - Mas agora eu estou vazia,
Tomás... Estou me sentindo tão vazia...
Tomás
deixa as taças e a garrafa na mesa de centro e se aproxima de Cristina.
CRISTINA: - Parece que a minha alegria foi
embora...
TOMÁS: - Cristina, não diga isso... O que há
com você, meu amor! Estávamos dando risada há alguns minutos atrás!
Cristina
senta-se no sofá e chora.
CRISTINA: - Não me culpa, Tomás. Eu não tenho
culpa de nada...
TOMÁS: - Meu amor, eu não estou culpando
você! Só quero saber o que está acontecendo! Por que você fica assim, de uma
hora para outra? Por quê?
CRISTINA: - Me abraça Tomás, me protege... Eu
não quero ficar sozinha, Tomás, eu não quero. Não me deixa sozinha, Tomás, por
favor! Não me abandona aqui... Está escuro, Tomás. Eu não quero ficar sozinha,
na solidão, nesse vazio...
TOMÁS (apreensivo / abraçando Cristina): -
Calma, meu amor, calma! Você não está sozinha, não vai ficar sozinha. Calma,
fica calma...
Tomás
abraça Cristina. Ele está totalmente preocupado com ela.
CENA
18. SÃO PAULO. HOTEL SAGUÃO. INT. NOITE.
Rúbia
e Patrícia esperam por Cadu no saguão do hotel, enquanto conversam.
RÚBIA: - Mas a sua mãe me pareceu tão bem no
aeroporto aquele dia...
PATRÍCIA: - Pois é, mas nem sempre é assim,
Rúbia. As vezes ela alterna de comportamento de uma hora para outra, sem motivo
algum praticamente.
RÚBIA: - Nossa, que estranho... Será que não
é coisa da idade, menopausa, sei lá?
PATRÍCIA: - Sei lá também, viu... Só sei que
meu pai procurou até uma clínica psiquiátrica para saber o que está acontecendo
com ela.
RÚBIA: - Clínica psiquiátrica? Mas isso é
coisa para louco! Será que a sua mãe está ficando louca?
PATRÍCIA: - Não quero nem pensar nisso,
sabia!
RÚBIA: - Ah, então não vamos mais falar nesse
assunto por aqui, Paty, que é para não baixar o astral no ambiente! Daqui a
pouco o Cadu está chegando para a gente cair na gandaia!
PATRÍCIA: - Falando nele, chegou...
Cadu chega no hotel. Se aproxima
das meninas.
CADU: - Boa noite meninas.
RÚBIA: - Boa noite Cadu!
PATRÍCIA: - Gostou do nosso visual?
CADU: - Duas gatas lindíssimas!
RÚBIA: - Adoro isso!
CADU: - Vamos lá então?
PATRÍCIA: - Só se for agora!
Os
três saem animados.
CENA
19. CASA PETRÔNIO. QUARTO MATHEUS. INT. NOITE.
Helena
e Matheus conversam.
HELENA: - Então, meu filho, você está mesmo
disposto a ir para Londres?
MATHEUS: - Estou mamãe. Eu já não falei para
a senhora que eu vou? Então...
HELENA: - Você não sabe como isso me deixa
feliz! Vai ser ótimo para o seu futuro, meu amor!
MATHEUS: - Eu sei disso, mas olha só, eu não
vou ficar muito tempo lá não, hein? Vai ser só alguns dias e depois eu volto!
HELENA: - Claro, eu entendi perfeitamente.
MATHEUS: - Não quero ficar muito tempo longe
daqui, da Alice...
HELENA: - Essa va...
MATHEUS (interrompendo Helena): - Mãe! Por
favor! Respeita!
HELENA: - Desculpa, desculpa... Vou deixar
você descansar.
Helena
sai.
CENA
20. CASA PETRÔNIO. QUARTO HELENA. INT. NOITE.
Helena
entra em seu quarto, fecha a porta. Ela pega o telefone e liga para Willian,
seu amigo da Inglaterra.
HELENA: - Alô? Willian?
(T)
HELENA: - Sou eu, Helena, querido!
(T)
HELENA: - Estou ligando para confirmar a ida
do meu filho, o Matheus, para Londres.
(T)
HELENA: - Isso mesmo, consegui convencê-lo a
ir.
(T)
HELENA: - É, eu falei para você que
conseguiria, não falei?
(T)
HELENA: - Pois então, nos próximos dias ele
embarca nos próximos dias e eu quero que você receba ele aí, com todo carinho e
atenção que ele merece...
(T)
HELENA: - Claro que eu sei que posso contar
com você, principalmente para que você faça aquilo que eu te pedi, lembra?
(T)
HELENA: - Isso mesmo, aquele nosso pequeno
plano...
(T)
HELENA: - Você acredita que ele está querendo
ir e voltar logo em seguida? (risos)
(T)
HELENA: - Você por favor, não deixe esse
menino sair daí nem em sonho!
(T)
HELENA: - Isso mesmo, cerco total! Se
depender de mim, ele não volta tão cedo para o Brasil. Eu quero ele longe dessa
vagabunda com ele anda se envolvendo.
(T)
HELENA: - Isso mesmo. Ele vai para Londres e
não volta mais! (risos)
Helena fica satisfeita em
conseguir realizar seu plano.
CENA
21. CASA ALBERTO. QUARTO CÉSAR. INT. NOITE / CASA BRENDA. QUARTO BRENDA. INT.
NOITE.
César
liga para Brenda. (flashes alternados durante a conversa)
BRENDA: - Alô?
CÉSAR: - Sou eu Brenda, o César.
BRENDA: - César, você me ligando...
CÉSAR: - Eu disse que iria ligar para você.
Vai dizer que você não acreditou?
BRENDA; - Acreditei sim. Você é louco
mesmo...
CÉSAR: - Louco por você!
BRENDA; - Mas fala rápido, alguém pode entrar
aqui e ver eu falando com você.
CÉSAR: - Eu quero te ver, Brenda.
BRENDA: - Mas me ver como? Eu já disse que
não posso!
CÉSAR: - Claro que você pode! Faz um esforço!
BRENDA: - Ah César, eu não sei não...
CÉSAR: - Amanhã eu estarei na praça central,
esperando por você.
BRENDA; - Mas César...
CÉSAR: - Vê se vai, por favor! Eu vou ficar
esperando por você. Vai ser o nosso encontro decisivo. Se você for, eu terei
certeza que o nosso destino é ficar junto.
BRENDA: - E se for o contrário? E se eu não
for?
CÉSAR: - Eu entenderei que nós nunca mais nos
veremos. Você que escolhe, Brenda.
BRENDA: - Eu vou ter que desligar.
CÉSAR: - Vou te esperar amanhã.
BRENDA; - Boa noite, César.
Brenda
desliga o telefone, fica pensativa. César desliga o telefone, com uma certa
expectativa de que Brenda aceite seu convite.
CENA
22.SÃO PAULO. DANCETERIA. INT. NOITE.
Imagens
gerais de uma grande danceteria, totalmente movimentada. Rúbia, Cadu e Patrícia
entram no local. Rúbia está encantada com tudo. Cadu leva elas até o balcão,
onde são preparados vários drinks.
RÚBIA; - Cadu! Isso aqui é incrível!
CADU: - Estão gostando?
PATRÍCIA: - Fantástico!
A
música é agitada. As pessoas dançam na pista.
PATRÍCIA: - Gente, eu vou pra pista. Essa
música é maravilhosa!
Patrícia
vai para pista dançar. Cadu e Rúbia ficam no balcão.
RÚBIA: - E você, Cadu, não vai dançar?
CADU; - Só se você for comigo. Vamos?
Rúbia
aceita o pedido de Cadu. Os dois se juntam à Patrícia e dançam na pista,
animados, alegres.
CENA
23. CASA ALBERTO. GARAGEM. INT. NOITE.
Charles
está na garagem, terminando de organizar o local, quando Felipe se aproxima.
FELIPE: - Espero não estar atrapalhando o seu
serviço.
CHARLES: - Doutor Felipe, não percebi que o
senhor estava aí. Desculpe.
FELIPE; - Não tem problemas. Eu só passei
aqui para te deixar o seu presentinho. Afinal, você conseguiu fazer bem o que
eu mandei, mesmo deixando alguns furos.
Felipe retira do bolso um bolinho
de dinheiro. Nesse mesmo instante, Tânia se aproxima da garagem e vê a cena.
FELIPE: - Pode pegar, Charles. É tudo seu.
Felipe entrega o dinheiro para
Charles, que está surpreso com a quantia.
CHARLES: - Nossa, doutor, é muita grana!
FELIPE: - E eu posso te dar muito mais. É só
você continuar do meu lado, não abrir o bico para ninguém, que todo mundo sai
ganhando...
CHARLES: - Pode deixar, eu não falo nada não.
FELIPE: - Bom rapaz. Agora eu vou lá para
dentro.
CHARLES: - Boa noite para o senhor.
FELIPE: - Para você também.
Felipe sai da garagem. Quando ele
vai se aproximando da porta da cozinha, é interceptado por Tânia.
TÂNIA: - Visitando a garagem, Felipe?
FELIPE (surpreso): - Tia Tânia! Que susto a
senhora me deu!... É, eu fui falar com o Charles. Vou precisar dos serviços
dele amanhã.
TÂNIA: - Só isso?
FELIPE: - Só isso... Por que a desconfiança?
TÂNIA: - Porque eu posso ser mais velha que
você, mas não sou boba, nem burra ou uma idiota qualquer. Eu tenho experiência,
querido.
FELIPE: - Eu não estou entendendo, tia, onde
você quer chegar.
TÂNIA: - Então eu vou direto ao assunto. Por
que você estava dando dinheiro ao Charles?
Felipe fica apreensivo.
TÂNIA: - Me responde Felipe? Que dinheiro é
esse que você deu para o Charles? E não foi pouco que eu vi... Então, vai falar
ou não?
Os dois ficam a se encarar.
TÂNIA: - Então, Felipe, vai falar ou não?
FELIPE: - Eu não dei dinheiro nenhum, tia, a
senhora está precisando de óculos talvez (saindo)
Tânia segura Felipe pelo braço,
fortemente.
TÂNIA: - Eu preciso de óculos e você de mais
alguns anos de experiência para querer me enganar. O que há com você, Felipe?
Acha por um acaso que eu sou trouxa, uma panaca, é isso?
FELIPE: - Fala baixo, tia, por favor! Alguém
pode ouvir!
Tânia
solta Felipe.
TÂNIA: - Anda, fala logo.
FELIPE; - Tia, não tem nada.
TÂNIA: - Você não me engana! Estava dando
dinheiro para o Charles, que eu vi... Há tempos você anda de segredos,
mistérios... agora deu dinheiro para o Charles. Na morte da Olga, você pouco se
comoveu.
FELIPE: - Assim como a senhora.
TÂNIA: - Cale-se! Não está em jogo aqui as
minhas atitudes e sim as suas!
FELIPE; - As minhas atitudes são tão
misteriosas quanto as suas, tia Tânia.
TÂNIA: - Então eu posso deduzir muito bem que
você e o Charles andam tramando coisas por aí... Aí, eu vou até ele, uso meus
métodos nada convencionais, arranco a verdade dele e ainda tenho você nas mãos.
Não esqueça Felipe que eu sou uma mulher poderosa, que eu também sei jogar e
muito bem.
FELIPE: - Não há jogo nenhum, não há segredo
nenhum, eu já falei!
TÂNIA: - Ah não, tudo bem... Mas vocÊ não me
convenceu. Eu vou falar com o Charles para confirmar mesmo se eu preciso ou não
de óculos, se eu estou ficando louca, se eu sou mesmo uma idiota como você está
pensando. Mas se for provado o contrário, Felipe...
FELIPE: - Tudo bem, tudo bem. Não precisa ir
até o Charles não. Eu falo o que aconteceu.
TÂNIA; - Anda, fala logo.
FELIPE: - Eu paguei ele sim, porque ele fez
um serviço para mim.
TÂNIA: - Que serviço foi esse?
FELIPE: - Foi ele quem atropelou a Olga.
TÂNIA; - Eu sabia que você estava envolvido
nessa história! Seu comportamento sempre frio!
FELIPE: - Era para ele ter feito isso com o
verme do Sérgio, mas Olga acabou se intrometendo nos meus planos, no meu
caminho. Eu tive que fazer isso com ela.
TÂNIA: - Felipe... Você é mais ousado, mais
audacioso do que eu pensava... Confesso que estou surpresa.
FELIPE: - Para a senhora ver que eu também
sei jogar bem. Não quero ter uma inimiga aqui dentro, tia. Não seria bom nem
para mim, nem para você.
TÂNIA: - Claro, querido, claro.
FELIPE: - Agora vamos entrando. Está tarde.
TÂNIA: - Tem razão.
Os dois entram em casa,
conversando, como se nada tivesse acontecido.
CENA
24. CASA PETRÔNIO. QUARTO BENTO. INT. NOITE.
Bento
está deitado em sua cama, lendo um livro, quando de repente, Helena entra no
quarto. Bento fica totalmente surpreso.
BENTO: - Dona Helena? O que faz aqui?
HELENA (se aproximando de Bento): - Ai,
Bento! Eu estou tão feliz! O Matheus finalmente entendeu que é melhor para ele
ir para Londres!
BENTO: - Que bom, dona Helena, que bom...
HELENA; - Eu já falei, Bento, que você não
precisa ficar me chamando de dona Helena... Me chama só de Helena...
Helena
senta-se próxima a ele na cama. Sua mão acaricia a perna do rapaz, que as
recolhe.
BENTO: - Desculpe, dona Helena. É força do
hábito. Mas, a senhora precisa dos meus serviços agora? Vai a algum lugar?
HELENA; - Preciso de você sim, mas não
precisamos sair daqui não...
Helena
começa a desabotoar a blusa, revelando um belo decote. Bento tenta resistir.
HELENA: - Eu quero repetir aquela noite...
BENTTO: - Por favor, dona Helena! Alguém pode
entrar aqui!
HELENA: - Não fala nada não, Bento... Ninguém
vai nos atrapalhar. Ninguém.
Helena
se aproxima aos poucos do corpo de Bento. Os dois se beijam.
CENA
25. CASA BRENDA. QUARTO BRENDA. INT. NOITE.
Brenda
conversa com Alice.
ALICE; - E então, você vai ao encontro dele?
BRENDA; - Não sei Alice. Eu já me arrisquei
demais me envolvendo com o César.
ALICE: - Mas é dele que você gosta, correr
riscos seria o mínimo para se viver esse amor!
BRENDA: - Eu sei, mas agora, com o Guto. Eu
não quero magoar ninguém.
ALICE: - Mas assim, desse jeito, você vai
acabar magoando a si mesma... Pensa bem, Brenda. Pensa bem mesmo no que você
vai fazer. Como o César disse, será o encontro decisivo de vocês. Não haverá
outra chance.
Alice
abraça Brenda e sai. Brenda fica pensativa.
CENA
26. CALÇADÃO PRAIA REAL. QUIOSQUE. INT. NOITE.
Heraldo
está no quiosque. Carvalho o vê novamente e se lembra dele, do passado.
CENA
27. FLASHBACK. RUAS DA PRAIANHA. PONTO DE PROSTITUIÇÃO. EXT. NOITE.
Carvalho
e Cláudia estão juntos. Os dois se abraçam e se beijam, encostados numa parede
de um prédio velho. Um pouco mais adiante, a casa de prostituição, onde estão
várias mulheres.
CLÁUDIA: - Nossa, querido, hoje você está com
tudo!
CARVALHO: - É você que me deixa assim,
Cláudia! Louco, louco, louco!
Os dois se beijam. Enquanto isso,
na porta da casa de prostituição, Margot aparece, linda, toda produzida. As
outras mulheres olham, algumas comentam. Cláudia também vê.
CLÁUDIA: - Olha lá, Margot já está pronta.
Deve estar esperando o homem dela.
CARVALHO: - Homem dela?
CLÁUDIA: - Sim, agora ela tem um cliente
fixo. Um tal de Heraldo.
Nesse instante, Heraldo chega na
casa para se encontrar com Margot. Os dois se beijam intensamente na porta da
casa. Depois, entram para dentro do local.
CENA
28. VOLTA AOS DIAS ATUAIS. CALÇADÃO PRAIA REAL. QUIOSQUE. INT. NOITE.
CARVALHO:
- Heraldo, Margot, casa de prazeres... É daí que eu conheço você, malandro...
Heraldo vai embora do quiosque.
Carvalho fica a observar Heraldo sair.
CENA
29. CASA SÔNIA. QUARTO SÔNIA. INT. NOITE.
Adriano
e Sônia conversam.
ADRIANO: - Sônia, eu estava aqui pensando...
SÔNIA; - No que, querido?
ADRIANO: - Quando você vai me apresentar sua
mãe?
SÔNIA: - Minha mãe?
ADRIANO: - É, sua mãe. Você mesma disse que
ela é sua amiga... Queria conhecê-la também. Minha sogra!
SôNIA (feliz): - Claro, meu amor! Eu
apresento você à ela sim o quanto antes! Ela é adorável!
ADRIANO: - Se ela for amorosa e linda assim
como você, eu vou adorar ela mesmo, de montão!
Os
dois se beijam.
CENA
30. SÃO PAULO. DANCETERIA. INT. NOITE.
Rúbia,
Cadu e Patrícia se divertem na danceteria. Rúbia bebe muito na balada. Cadu
também. A música é animada. Rúbia se aproxima de Cadu.
RÚBIA (pegando o copo de Cadu): - Para de
beber um pouco e vem dançar comigo.
CADU: - Mas você também está bebendo...
Rúbia
pega o seu copo e o copo de Cadu e entrega para o barman.
RÚBIA: - Pronto, agora nada nos impede.
Cadu
e Rúbia dançam. Ela dança totalmente sensual. De repente, a música muda para
uma balada mais romântica. Rúbia e Cadu se olham. Ele a tira para dançar.
Patrícia é tirada para dançar com um outro rapaz. Rúbia e Cadu dançam juntos,
bem envolvidos. Os estão atraídos um pelo outro. Aos poucos, eles se olham,
profundamente. Rúbia abre um sorriso sacana, sensual, provocador. Cadu não
resiste. Os dois se beijam intensamente.
CENA
31. CASA ALBERTO. QUARTO OLGA. INT. NOITE.
Alberto
e Clarisse estão organizando o quarto de Olga.
CLARISSE: - O senhor já sabe o que vai fazer
com o quarto, doutor Alberto?
ALBERTO: - Ainda não sei, Clarisse... Por
enquanto, eu vou esvaziá-lo, entregar o que era mais importante para a Olga aos
sobrinhos dela e as roupas e outros objetos vou doá-los.
CLARISSE: - Faz muito bem, doutor. Com
certeza as pessoas que receberão essas doações ficaram felizes. A Olga era
muito caprichosa.
ALBERTO: - Era mesmo. Veja só, está tudo bem
cuidado, bem organizado...
Clarisse organiza o
guarda-roupas, quando encontra uma caixa lacrada com um pequeno cadeado.
CLARISSE: - Doutor, olha aqui o que eu achei?
ALBERTO: - O que é isso, Clarisse?
ALBERTO: - Uma caixa, lacrada... Estava ali
dentro do guarda-roupas.
Clarisse entrega a caixa para
Alberto, que a analisa. Nesse instante, Tânia entra no quarto.
TÂNIA: - Querido, já posso servir o
jantar?... O que é isso, Alberto?
ALBERTO: - Uma caixa lacrada, com cadeado...
CLARISSE: - Era da Olga.
TÂNIA: - Da Olga... E o que tem aí dentro?
ALBERTO: - Não sabemos Tânia. Clarisse, a
chave está por aí também?
Clarisse procura por entre as
gavetas do guarda-roupas, até que encontra.
CLARISSE: - Está aqui, doutor! (entregando a
chave para Alberto)
Tânia fica curiosa para saber o
que há na caixa. Alberto pega a chave e se prepara para abrir a caixa, mas
desiste.
TÂNIA: - Vamos Alberto! Abra a caixa logo!
ALBERTO: - Não irei abrir não.
TÂNIA: - Não?! Como não?!
ALBERTO: - Se essa caixa estava escondida aí
dentro e lacrada, era para não ser aberta por qualquer pessoa.
CLARISSE: - E o que o senhor vai fazer?
Alberto: - Vou entregá-la para a Mônica. Ela
saberá o que fazer.
TÂNIA: - Mas Alberto, pode ter algo
importante aí dentro!
ALBERTO: - Por isso mesmo que entregarei para
a Mônica. Ela ficará com essa caixa.
Alberto sai do quarto levando a
caixa.
TÂNIA (falando consigo mesma) - O que será
que tem lá dentro...?
CLARISSE: - Não se sabe mesmo...
TÂNIA: - Eu não falei com você, Clarisse.
CLARISSE: - Desculpe, dona Tânia, eu pensei
que...
TÂNIA: - Pensou errado. Aliás, você não está
aqui para ficar pensando. Termine de arrumar essas tralhas aqui.
Tânia sai do quarto.
CLARISSE: - Meu Deus! Que bicho mordeu essa
mulher?...
Clarisse continua arrumando as
coisas.
CENA
32. CASA TOMÁS. QUARTO TOMÁS. INT. NOITE.
Tomás
consola Cristina. Os dois estão deitados na cama. Ela, visivelmente triste, um
tanto deprimida. Ele a abraça, acaricia, como se a estivesse protegendo. Tomás
está visivelmente preocupado com ela.
CENA
33. SÃO PAULO. DANCETERIA. INT. NOITE.
Imagens
da danceteria. Muitas pessoas dançando, a música é agitada. Patrícia, Cadu e
Rúbia dançam animados. Rúbia e Cadu sempre trocando olhares, carícias. Patrícia
se liberta totalmente dançando. Vários rapazes ficam olhando para ela, que dá
show de sensualidade na pista.
CENA
34. CASA ALBERTO. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.
Felipe
vai descendo as escadas, quando encontra Marina na sala. Os dois se encaram.
FELIPE: - O que foi, Marina? Nunca me viu?
MARINA: - Nada não, Felipe.
FELIPE: - Ah bom... (saindo)
MARINA: - Não vai se perder na noite. Amanhã
teremos uma reunião importante na empresa.
FELIPE: - Eu sei bem dos meus compromissos,
priminha. Mesmo assim, obrigado pela sua preocupação.
Felipe sai.
CENA
35. CASA PETRÔNIO. QUARTO BENTO. INT. NOITE.
Bento
e Helena se beijam por um instante. Mas ele a empurra.
HELENA: - O que foi, Bento?
BENTO: - Desculpe, dona Helena, mas a senhora
vai ter que sair daqui.
HELENA (indo ao encontro dele): - Mas Bento,
que bobagem é essa...
Bento segura Helena firmemente,
olhando sério nos olhos dela. Os dois se encaram.
BENTO: - Por favor, dona Helena. Saia daqui.
HELENA: - Eu sei que você está nervoso,
querido...
BENTO: - Eu não quero ser grosseiro com a
senhora. Por favor.
Bento solta Helena aos poucos.
Ela se recompõe.
HELENA: - Tudo bem. Hoje não precisa. Mas nem
pense me rejeitar da próxima vez.
Helena sai. Bento fica pensativo.
CENA
36. CASA PETRÔNIO. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.
Samantha
e Matheus conversam na sala.
SAMANTHA: - Então, Matheus, como você está se
sentindo, com essa viagem?
MATHEUS: - Estou bem, Samantha.
SAMANTHA: - Tem certeza?
MATHEUS: - Tenho sim, está tudo legal comigo.
SAMANTHA: - Você sabe que pode contar comigo
sempre que precisar, né?
MATHEUS: - Claro que sei. Valeu mesmo.
Helena entra na sala.
SAMANTHA: - Tinha saído, Helena?
HELENA; - Não é da sua conta, metida.
(subindo as escadas)
MATHEUS: - Mamãe!
SAMANTHA: - Deixa, Matheus, não tem
problema... Já estou acostumada com o tratamento dela.
MATHEUS: - Mas não deveria, Samantha. Minha
mãe às vezes passa dos limites.
CENA
37. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. NOITE.
Sérgio
arruma suas coisas para ir dormir. Guto chega no salão.
GUTO: - Então Sérgio, vai dormir onde?
SÉRGIO: - Eu?
GUTO; - Sim.
SÉRGIO: - Sinceramente, não sei não, Guto.
Talvez num banco aí no calçadão.
GUTO: - Você não tem para onde ir agora?
SÉRGIO: - Não tenho não. Eu morava num lugar
aí, mas não posso voltar para lá. Muito barra pesada, sabe? Então, vou ter que
me virar agora. Dormir por aí...
GUTO: - Que isso, não vai não. Você fica aí.
SÉRGIO: - Não mesmo, Guto, não quero
atrapalhar não.
GUTO: - Não atrapalha em nada não, Sérgio.
Você pode dormir lá no meu quarto, comigo. O lugar não é tão grande, mas dá pra
fazer uma caminha no chão, tem um colchãozinho... a gente dá um jeito, mas você
na rua não dorme não.
Sérgio
fica contente.
CENA
38. SÃO PAULLO. DANCETERIA. INT. NOITE.
Cadu
conversa com Patrícia. Rúbia dança exaustivamente na pista.
CADU: - Será que não está na hora de levar
ela embora?
PATRÍCIA; - Eu também acho. Aliás, já é tarde
mesmo. Eu estou podre de cansada... Andamos muito hoje, fazendo compras.
CADU: - Eu pegar a Rúbia.
Cadu se aproxima de Rúbia.
RÚBIA (dançando): - Vem Cadu, dança comigo!
CADU; - Eu vim aqui te pegar para gente ir
embora, Rúbia.
RÚBIA; - Ir embora? Agora? De jeito nenhum! A
música está boa, a festa bombando!
CADU: - Pois é, mas a Patrícia já está
cansada e eu também...
RÚBIA: - Tudo bem, vamos... Mas da próxima
vez, nós vamos ficar até o fim, entendeu?
CADU: - Entendi, entendi...
Rúbia sai da pista, se
desequilibra. Cadu a segura. Rúbia está visivelmente tomada pelo álcool.
CENA
39. SÃO PAULO. HOTEL. QUARTO. INT. NOITE.
Cadu
entra carregando Rúbia e a deita na cama.
CADU: - Você bebeu todas hoje, hein!
RÚBIA: - Eu mereço, Cadu... A noite foi
fantástica! Assim como você...
Rúbia puxa Cadu, que cai sobre
ela. Os dois se olham e se beijam. Patrícia disfarça. Cadu, sem jeito, se
levanta.
CADU: - Bom, acho que já vou indo...
PATRÍCIA: - Pois é, Cadu, eu também acho que
já está na hora, já é tarde...
RÚBIA: - Ih, Paty! Cortando o barato dos
outros!... Nada a ver isso, hein!
PATRÍCIA: - Não estou cortando o barato de
ninguém não, mas gente, já é tarde mesmo... Daqui a pouco o sol está nascendo.
RÚBIA: - O sol nascendo é tão lindo...
Rúbia cai no sono.
CADU: - A gente se fala amanhã.
PATRÍCIA: - Pode deixar, Cadu. Valeu pela
noite.
Rúbia acompanha Cadu até a porta.
Ele vai embora.
CENA
40. TRANSIÇÃO DO TEMPO. AMANHECER / CASA TOMÁS. SALA DE JANTAR. INT. DIA.
Tomás
e Cristina tomam café da manhã.
TOMÁS: - Já está melhor, meu bem?
CRISTINA; - Melhor do quê?
TOMÁS: - De ontem à noite... Você estava tão
triste.
CRISTINA: - Ah, foi só um momento de
carência, nada de mais... Você anda se preocupando à toa, Tomás.
TOMÁS: - Será Cristina? Quem sabe não é a
hora de você procurar um médico, alguém para ajudá-la...
CRISTINA; - Médico, Tomás? Eu não preciso de
médico! Eu estou muito bem!
TOMÁS: - Mas ontem você também estava bem de
depois ficou totalmente diferente, assim como em outros dias... Cristina, eu só
quero ajudar você.
CRISTINA: - Você já me ajuda não enchendo a
minha cabeça com essas coisas, com essa história de médico, que eu preciso de
ajuda... Eu não preciso de ajuda, Tomás! Eu estou bem!
TOMÁS: - Tudo bem, desculpe... Desculpe...
CRISTINA; - Eu não quero brigar com você,
querido.
TOMÁS: - Eu também não quero brigar mais com
você. Eu vou deixar isso de lado.
CRISTINA: - É melhor assim...
Cristina
sorri carinhosamente para Tomás e volta a tomar seu café. Tomás fica pensativo.
CENA
41. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.
A
campainha toca. Sônia vai atender. É Matilde.
SÔNIA: - Mamãe! Que bom que você veio...
MATILDE; - Eu tive que sair escondida de
novo, mas não faz mal.
SÔNIA: - Eu queria lhe apresentar uma pessoa.
MATILDE: - Quem?
Sônia
leva Matilde até o centro da sala, ao encontro de Adriano.
SôNIA: - Mamãe, esse é o Adriano, meu marido.
ADRIANO: - Muito prazer, dona Matilde.
MATILDE; - O prazer é todo meu querido...
Desculpe a indiscrição, mas que homem bonito você é!
ADRIANO: - Muito obrigado! A senhora também é
muito bonita. Assim como a filha.
MATILDE: - Ainda por cima é galanteador!
Minha filha, vocÊ tirou a sorte grande!
SÔNIA: - Eu não falei, Adriano, que a mamãe
era adorável?
ADRIANO: - É sim, uma ótima pessoa!
MATILDE; - Que bom ver que vocês estão
felizes. Isso só me deixa mais aliviada e contente, podem ter certeza disso.
CENA
42. PRAÇA DO CENTRO DA CIDADE. EXT. DIA.
César
chega na Praça Central. Ele olha em volta para ver se acha Brenda, mas não a
encontra. Ele senta-se num banco e espera.
CENA
43. CASA PETRÔNIO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.
Petrônio
e Samantha estão na sala de estar, quando a campainha toca.
SAMANTHA: - Ih, quem será, Pepê?
PETRÔNIO: - Não sei, mas vou até lá fora
descobrir...
Petrônio
sai.
CENA
44. CASA PETRÔNIO. EXT. DIA.
Petrônio
abre o portão da casa e dá de cara com Noêmia e Italvino.
PETRÔNIO (surpreso): - Noêmia?
NOÊMIA: - Oi Petrônio!
Petrônio
fica a observá-la.
NOÊMIA: - Então, Petrônio, não vai me
convidar para entrar?
Ela se agarra fortemente nos
braços de Italvino, que faz pose de galã.
CENA
45. PRAÇA DO CENTRO DA CIDADE. EXT. DIA.
César
caminha pela praça. Há crianças brincando, mulheres conversando, idosos
passeando. Ele observa um casal de namorados, trocando carícias e beijos. César
olha para o relógio, ansioso. Senta-se no banco novamente, espera mais um
pouco.
CENA
46. APTO LÍLIAN. SALA. INT. DIA.
Fredy
e Lílian conversam.
LÍLIAN: - Fredy, o César já falou com você
quando é que nós vamos visitar as obras do projeto ambiental?
FREDY: - Ainda não, meu amor. Mas deve ser em
breve.
LÍLIAN; - Tomara, viu? Eu estou morrendo de
ansiedade de ver como andam as coisas...
FREDY: - Vai dar tudo certo, Lílian.
LÍLIAN: - Tem que dar! Porque eu estou com
aqueles pescadores ilegais aqui na garganta, trancados!
FREDY: - Ei Lílian! Calma, muita calma! Não
vá se meter com essa gente... Eles são perigosos!
LÍLIAN; - Eu sei, mas me dá uma agonia ficar
aqui de braços cruzados e nada acontece! A Polícia Ambiental não dá notícias, o
incêndio do projeto aconteceu e nada foi resolvido. Dá vontade de fazer tudo
com as próprias mãos.
FREDY: - Você ficou louca? Tira isso da
cabeça!... Deixa a justiça fazer o trabalho dela e a gente faz o nosso, que é
cuidar para o projeto ambiental voltar a funcionar. E só!
CENA
47. SÃO PAULO. APTO CADU. SALA. INT. DIA.
Cadu
está na sala de seu apartamento. Um amplo espaço, com vista panorâmica de
praticamente toda cidade de São Paulo. Ele se aproxima da janela e pensa no
beijo que deu em Rúbia.
CADU: - Rúbia, Rúbia... Você está mexendo comigo,
garota...
CENA
48. PRAÇA DO CENTRO DA CIDADE. INT. DIA.
César
olha para o relógio, vê que já se passou bastante tempo. Ele se levanta do
banco, um pouco desanimado pelo fato de Brenda não ter ido encontrá-lo. César
vai saindo da praça, cabeça baixa, em direção ao seu carro, quando alguém o
chama. Ele se vira rapidamente. É Brenda.
CÉSAR (surpreso): - Brenda!
César
fica feliz ao ver Brenda na praça.
FIM DO CAPÍTULO

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