domingo, 12 de julho de 2015

Capítulo 34: Mar da vida

Personagens deste capítulo


Adriano
Alberto
Alice
Bento
Brenda
Carvalho
César
Charles
Clarisse
Cristina
Diogo
Felipe
Fredy
Guto
Helena
Henrique
Joaquim
Leandro
Lílian
Marina
Matheus
Matilde
Mônica
Noêmia
Olga
Patrícia
Petrônio
Rogério
Rúbia
Sérgio
Silvana
Sônia
Tânia
Tomás
Vera
Virgínia



Participação Especial














CENA 01. SÃO PAULO. HOTEL. BANHEIRO QUARTO. INT. DIA.

     Continuação do capítulo anterior. Rúbia sente fortes dores e percebe que está tendo sangramento. Ela se desespera.

RÚBIA: - Meu Deus do céu! Não! Isso não!... Patrícia! Patrícia!

     Patrícia entra no banheiro.

PATRÍCIA: - O que foi Rúbia? Pra quê ficar gritando desse jeito?
RÚBIA (apavorada): - Eu estou sangrando, Paty!
PATRÍCIA (preocupada): - Calma! Fica calma!
RÚBIA: - Eu não posso perder esse bebê, Paty! Eu não posso!

     Rúbia senta-se no chão, sentindo fortes dores.

PATRÍCIA: - Aguenta aí! Eu vou ligar pro Cadu! Espera! Fica calma!...

     Patrícia vai para o quarto ligar para Cadu, enquanto Rúbia fica desesperada, chorando muito.

CENA 02. CIA DE NAVEGAÇÃO. ESCRITÓRIO. INT. DIA.

     Sônia questiona Henrique.

SÔNIA: - Então, você vai ir não vai?
HENRIQUE: - Não sei.
SÔNIA: - Como não sabe? Que história é essa? Nós já conversamos sobre isso, Henrique! Já está tudo certo!
HENRIQUE: - Não está tudo certo não!...
SÔNIA: - Claro que está certo! Como não estaria?
HENRIQUE: - Não está poxa!... Essa conversa, essa reunião, reencontro, sei lá o quê, não vai trazer benefícios nenhum para mim. Eu não vou ganhar nada com isso.
SÔNIA: - Como não Henrique?! É a oportunidade de corrigir todos os erros do passado!
HENRIQUE: - Em nenhum momento eu errei no passado, Sônia. Me diz um erro que eu tenha cometido, um só!
SÔNIA (gritando): - Você me abandonou grávida!
HENRIQUE (gritando mais alto): - Eu não sabia!

     Os dois ficam em silêncio por um tempo.

HENRIQUE: - Eu já falei que não sabia.
SÔNIA: - Que seja, mas meu pai não acreditou em mim. E agora eu vou ter a oportunidade de resgatar a minha família, a minha vida novamente e dependendo de você para isso.
HENRIQUE: - Da minha solidariedade para ir lá e falar com seu paizinho que de tanto amor, te expulsou de casa, chamando de prostituta...
SÔNIA: - Por que você está dizendo isso? Por que está falando assim comigo, Henrique? Esse cinismo todo...
HENRIQUE: - Porque eu estou de saco cheio dessa história, Sônia!... Você vai reconstruir a sua vida, mas eu, vou continuar na mesma coisa... E nem a minha filha eu vou conhecer!
SÔNIA: - Vai, claro que vai conhecer! Depois dessa conversa toda, nós vamos falar com a Brenda e...
HENRIQUE: - Brenda!... O nome dela é Brenda?
SÔNIA: - É...
HENRIQUE: - Brenda...
SÔNIA: - Depois de tudo resolvido entre nós, a gente conversa com ela, Henrique. Aí ela vai conhecer o pai e a mãe, que ela também não sabe quem é. Mas para que tudo isso aconteça, eu vou precisar da sua colaboração.

     Os dois ficam a se olhar. Henrique se levanta, caminha pela sala.

SÔNIA: - Então?
HENRIQUE: - Tudo bem. Eu vou.

CENA 03. SÃO PAULO. HOTEL. SAGUÃO. INT. DIA.

     Cadu busca Rúbia e Patrícia. O pessoal no hotel fica olhando eles saírem.

CADU (carregando Rúbia nos braços): - Tenta ficar calma, Rúbia!
RÚBIA: - Eu não consigo, Cadu! Eu não posso perder esse filho, não posso, me ajuda por favor!
PATRÍCIA: - Calma, amiga, vai ficar tudo bem!

CENA 04. CASA ALBERTO. ESCRITÓRIO. INT. DIA.

     Clarisse entra no escritório. Alberto já está lá.

CLARISSE: - Bom dia, doutor Alberto.
ALBERTO: - Bom dia, Clarisse! Como vai?
CLARISSE: - Tudo bem. O senhor pelo visto está com bom humor.
ALBERTO: - Hoje acordei alegre!
CLARISSE: - Que bom doutor! É ótimo acordar assim, de bem com a vida!
ALBERTO: - Pois então Clarisse, eu chamei você aqui porque quero te fazer uma proposta.
CLARISSE: - Uma proposta?
ALBERTO: - Sim. Fiquei sabendo que você está sem emprego...
CLARISSE: - Estou, infelizmente...
ALBERTO: - Pois então. Com a morte da Olga, a casa ficou sem uma governanta para comandar os outros empregados, para realizar tarefas mais especiais, digamos assim. Eu gostaria de saber se você não aceita trabalhar como governanta aqui da casa?
CLARISSE (surpresa): - Eu doutor?! Eu?! Nossa! Nem sei o que dizer!... Claro que eu aceito! Nossa! Será um prazer!...
ALBERTO: - Como eu sei que você não tem muita experiência nisso, eu já falei com a Maria, que vai te ensinar como funciona tudo.
CLARISSE: - Claro, doutor. Mas, porque o senhor não chamou a Maria, já que ela está a mais tempo aqui?
ALBERTO: - A Maria infelizmente não pode morar no serviço por causa da família, dos filhos, da mãe que ela também cuida... Então fica difícil para ela.
CLARISSE: - Claro, ela comentou comigo outro dia.
ALBERTO: - Então, você aceita a minha proposta?
CLARISSE: - Aceito sim, doutor. Muito obrigada!
ALBERTO: - Eu é que agradeço a você.

CENA 05. CLÍNICA PSIQUIÁTRICA. SALA DE ESPERA. INT. DIA.

     Tomás está na sala de espera da clínica psiquiátrica. Ele aguarda por uns instantes, quando dra. Marília o chama.

CENA 06. CLÍNICA PSIQUIÁTRICA. CONSULTÓRIO. INT. DIA.

     Tomás e Dra. Marília conversam.

DRA. MARÍLIA: - Novas crises então?
TOMÁS; - Sim. E dessa, não sei porque, eu fiquei muito mais preocupado. Nós estávamos felizes, alegres, conversando, dando risada, assistindo a um filme. Aí eu fui na cozinha pegar uma bebida e quando eu voltei ela já estava totalmente diferente...
DRA. MARÍLIA: - Diferente como?
TOMÁS: - Entristecida, cabisbaixa, triste mesmo, quase que como deprimida. Disse que sentia vazia, sozinha, que estava com medo... Eu fiquei muito preocupado.
DRA. MARÍLIA; - Isso é mais um caso típico de transtorno bipolar de humor. Mudança repentina. De alegria para a tristeza, quase que profunda.
TOMÁS; - Isso mesmo. Eu nunca tinha presenciado algo assim com a Cristina. Geralmente as crises dela são de explosão, irritabilidade, sabe?
DRA. MARÍLIA: - Sei sim.
TOMÁS; - Doutora, o que eu faço? Eu não sei mais como agir... Me sinto de mãos atadas, sem saber como lidar com essa situação, com essa doença da Cristina... Eu nem sei como conversar com ela direito, porque tenho medo dela ter uma crise dessas, ficar totalmente irritada ou deprimida!
DRA. MARÍLIA: - Eu sei que é complicado, Tomás, mas você não pode desistir. Vamos marcar um dia e você traz ela aqui para a gente conversar.
TOMÁS: - Eu já falei para ela procurar algum tratamento.
DRA. MARÍLIA:- E o que ela disse?
TOMÁS: - Relutou. Disse que não está doente, que não é louca, que não precisa de médico nenhum.
DRA. MARÍLIA: - Geralmente as pessoas com doenças desse tipo demoram um pouco para assumir que está doente e que precisa de tratamento... Eu sei que você não pode obrigá-la, mas insista, Tomás. Vai ser bom para ela começar o tratamento logo, antes que a doença se agrave cada vez mais.
TOMÁS: - O que pode acontecer, doutora?
DRA. MARÍLIA: - Você acabou de me relatar que ela teve um quadro de tristeza, abatimento... Isso pode ficar pior, provocar uma grande depressão... Ou voltar a ter grande irritabilidade, hostilidade, chegar a provocar algum acidente, ferir outras pessoas...
TOMÁS: - Minha Nossa Senhora!... Pode levar a morte também, doutora?

     Marília fica um pouco sem jeito diante da pergunta de Tomás.

DRA. MARÍLIA: - Não vamos desistir, Tomás. Você sabe que pode contar comigo.
TOMÁS; - Você não me respondeu, doutora... Isso pode levar a morte?
DRA. MARÍLIA: - Num quadro de depressão profunda, o suicídio é uma possibilidade que não pode ser descartada.

     Tomás fica visivelmente abalado, preocupado.

DRA. MARÍLIA: - Mas não se preocupe, Tomás. Vai dar tudo certo com a sua esposa. Tenha fé e confie.

CENA 07. CASA PETRÔNIO. EXT. DIA.

     Alice vai até a casa de Matheus. Ela toca a campainha, no portão. Bento vai recepcioná-la.

BENTO: - Sim moça?
ALICE: - Oi! Eu sou a Alice, a namorada do Matheus. Ele está em casa?
BENTO: - Não, o Matheus não está não... ele viajou hoje.
ALICE (decepcionada): - Ah, ele já viajou...
BENTO: - Sim, ele embarcou hoje de manhã para Londres.
ALICE: - Ai meu Deus e agora?
BENTO: - Desculpe perguntar, mas aconteceu alguma coisa? Algum problema?
ALICE: - Não, nada não...

Nesse instante, Helena aparece.

HELENA: - Quem é Bento?
BENTO: - A namorada do Matheus, dona Helena.

Helena se aproxima, encara Alice.

HELENA: - Pode ir Bento.

Bento se afasta.

HELENA: - Se você veio aqui atrás do Matheus, perdeu seu tempo.
ALICE: - Eu sei, ele foi viajar.
HELENA; - Isso mesmo. Por tanto, pode ir dando meia volta e ir embora.
ALICE: - Eu já estava de saída mesmo.
HELENA: - É bom mesmo.

Alice vai saindo. Helena fica a observá-la.

HELENA: - Ah, menina!

Alice para e se vira.

HELENA: - Não quero saber de você batendo ponto aqui em frente a minha casa, está ouvindo? Lugar de vadia não é aqui não!

Alice vai embora. Helena ri.

HELENA: - Vadiazinha de beira de praia, cadelinha... Ainda bem que o Matheus já foi. E se Deus quiser não volta, pra não precisar ter essa sem vergonha correndo atrás dele, do meu filho querido...

CENA 08. CASA VIRGÍNIA. SALA. INT. DIA.

     Carvalho e Virgínia conversam.

VIRGÍNIA: - A Tânia no hotel...
CARVALHO: - Mas você não esqueceu essa história, não hein?
VIRGÍNIA: - Eu tento esquecer, mas não consigo!... Não consigo parar de pensar no que aquela bruxa foi fazer naquele hotel...
CARVALHO: - Faz o seguinte... Ao invés de você ficar aí pensando nisso de barriga vazia, aceita ir comigo almoçar num restaurante?
VIRGÍNIA (surpresa / animada): - Almoçar num restaurante?! Ai que tudo, Carvalho! Finalmente vamos almoçar num lugar diferente do quiosque!
CARVALHO: - É... Não é de primeiro mundo não, mas o lugar serve a melhor comida de Praia Real!
VIRGÍNIA; - E onde fica?
CARVALHO: - Aqui na prainha mesmo.
VIRGÍNIA: - Ta, mas como vamos pagar? Nem você e nem eu temos dinheiro!
CARVALHO: - Eu sou amigo dos donos...
VIRGÍNIA: - Lá vai o fiado novamente... Já estou vendo que quando você ganhar nessa loteria, vai gastar todo dinheiro pagando os fiados que você tem por aí!
CARVALHO: - Tudo não, só uma partezinha... Então, vamos lá almoçar?
VIRGÍNIA; - Claro! Vamos sim! Eu só me arrumar.
CARVALHO: - Ih, já vi que vai demorar...
VIRGÍNIA: - Eu preciso me produzir, querido! Afinal de contas, é a primeira vez que você me leva para comer num restaurante! Tudo bem que é fiado, mas é uma ocasião importante!

Virgínia dá uma bitoquinha em Carvalho.

VIRGÍNIA (saindo): - Prometo que não demoro!

Carvalho senta-se no sofá esperando.

CENA 09. SÃO PAULO. CLÍNICA CADU. INT. DIA.

     Cadu entra às pressas na clínica, levando Rúbia nos braços. Alguns funcionários se aproximam dele.

CADU: - Para a sala de emergência! Rápido!

Cadu e os outros funcionários se encaminham para o local. Patrícia fica na sala de espera, nervosa.

CENA 10. BEST FISH. SALA LEANDRO. INT. DIA.

     Leandro está em sua sala quando Mônica entra e tranca a porta.

LEANDRO (surpreso): - Mônica? O que você está fazendo?
MÔNICA;- Tranquei a porta pra gente ficar mais a vontade...
LEANDRO (gostando): - Hum... É mesmo? E vamos ficar mais a vontade para quê?
MÔNICA (se aproximando de Leandro): - Para a minha despedida... Eu vou viajar logo mais, mas passei aqui na empresa pra me despedir do pessoal e de você, principalmente...
LEANDRO (abraçando Mônica): - Ah, é mesmo?
MÔNICA: - Sim...
LEANDRO: - Então não vamos perder tempo, não é?

Os dois se beijam.

CENA 11. CASA VERA. QUARTO SABRINA. INT. DIA.

     Sabrina está deitada na cama, entristecida, agarrada num urso de pelúcia. Vera bate à porta.

SABRINA; - Pode entrar.

Vera entra no quarto.

VERA: - Oh, minha filha. Vim aqui ver como você está?
SABRINA: - Estou bem mãe...
VERA (sentando-se na cama): - com essa carinha triste você vem me dizer que está bem?
SABRINA: - É...
VERA: - Não quer conversar com sua mãe? Desabafar?

Sabrina deita sua cabeça no colo de Vera.

VERA (acariciando Sabrina): - Oh, meu amor...
SABRINA; - Ai mãe... Estou me sentindo um pouco sozinha, sabe?... Meus amigos todos estão longe. Eu não tenho ninguém aqui!
VERA: - Como não tem ninguém? E eu aqui, não sou alguém?
SABRINA: - Ah, mãe, você não conta...
VERA: - Eu sei, você fala dos seus amigos da sua idade... Mas eu também posso ser sua amiga, não posso?
SABRINA; - Claro que pode.
VERA: - Então, agora você não está sozinha. Está comigo. E eu, sendo sua amiga, farei de tudo para que você fique feliz e transforme esse rostinho triste aí em um rosto alegre, com um sorrisão, de orelha a orelha!

     Vera faz cócegas em Sabrina, que sorri.

SABRINA (rindo): - Não mãe! Para! Para!

     Vera para de fazer cócegas. As duas se olham felizes.

VERA; - Eu só quero que você saiba que pode contar comigo para tudo e sempre. Nas horas ruins e nas horas boas, como mãe, amiga, companheira, tudo.
SABRINA: - Valeu mãe.

     Vera se levanta e vai saindo do quarto.

SABRINA; - Mãe!

Vera volta. Sabrina se levanta e abraça Vera.

SABRINA: - Amo você.
VERA; - Também amo muito você! Muito! Muito! Muito!

     As duas se abraçam fortemente.  

CENA 12. SÃO PAULO. CLÍNICA CADU. SALA DE ESPERA. INT. DIA.

     Patrícia está na sala de espera, nervosa, andando de um lado a outro, orando. De repente, Cadu entra na sala.

PATRÍCIA (apreensiva): - E então, Cadu?!

Cadu demonstra uma certa tristeza.

PATRÍCIA: - Como está a Rúbia, Cadu?! Fala logo!
CADU: - Ela está bem.
PATRÍCIA: - E o bebê?
CADU: - Infelizmente...
PATRÍCIA: - Meu Deus, ela vai ficar arrasada!...
CADU: - Não tinha muito o que fazer. O aborto foi forte...
PATRÍCIA: - Ela vai poder engravidar novamente?
CADU: - Ainda não sei. Vai ser preciso aguardar os exames.
PATRÍCIA: - E agora?
CADU: - Agora é esperar. Ela está no quarto, dormindo. Mas creio que vai ser preciso avisar o pai da criança, os familiares dela.
PATRÍCIA; - Isso não, com certeza ela não gostaria disso. Se o jeito é esperar, vamos esperar. Eu falo com ela para saber o que ela vai fazer.

CENA 13. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. DIA.

     Carvalho e Virgínia chegam ao restaurante Maresia. Eles escolhem uma mesa e se sentam. Joaquim os vê.

JOAQUIM: - Ih, o Carvalho aqui no restaurante... Sérgio! Sérgio!

Sérgio se aproxima.

SÉRGIO: - Sim, seu Joaquim?
JOAQUIM: - Por favor, atenda o casal daquela mesa, eles acabaram de chegar.
SÉRGIO; - Claro, já estou indo.

Sérgio vai até a mesa de Carvalho, que enquanto isso, conversa com Virgínia.

CARVALHO: - Aqui é o restaurante dos avós da Rúbia e da Brenda.
VIRGÍNIA; - Que bacana! Não tem luxo, mas eu gostei daqui...
CARVALHO: - Espera só para ver a comida! Dos deuses!

Sérgio se aproxima dos dois.

SÉRGIO: - Bom dia senhores, aqui está o menu com as nossas opções de pratos e bebidas.
VIRGÍNIA (surpresa): - Sérgio?!
SÉRGIO (surpreso): - Virgínia?!

Os dois se abraçam felizes. Carvalho os observa, surpreso.

CENA 14. CASA ALBERTO. SALA DE JANTAR. INT. DIA.

     Alberto, César, Tânia e Marina almoçam. Clarisse está próxima a eles. Felipe entra na sala.

TÂNIA; - Felipe, não vai almoçar conosco?
FELIPE: - Infelizmente não tia. Eu só gostaria de avisar vocês que eu irei me mudar daqui.

Todos ficam surpresos.

ALBERTO: - Se mudar?
TÂNIA; - Mas assim, de repente?
FELIPE: - Sim, tios... Eu pensei muito para tomar essa decisão. Mas eu não posso ficar em uma casa onde não sou bem aceito por todos.
CÉSAR: - Mas do que você está falando, Felipe? Aqui ninguém tem nada contra você.
FELIPE: - Aí é que você se engana, César. Infelizmente, aqui dentro há pessoas que não gostam de mim e isso me deixa extremamente chateado.
TÂNIA; - Mas quem, Felipe?
FELIPE: - A Marina.
MARINA: - Eu? Mas Felipe, você está confundindo as coisas...
FELIPE; - Não estou não, Marina. Desde que você chegou, está desconfiando de mim. E ontem, depois daquela humilhação que você me fez passar na frente do meu tio e de todos os outros diretores da empresa, continuar convivendo, pelo menos aqui com você, é algo insustentável...
ALBERTO: - Felipe, por favor, pense bem...
FELIPE: - Eu já pensei tio. Eu vou embora.

Felipe se retira. Tânia levanta-se da mesa e vai atrás dele. O clima fica péssimo.

TÂNIA: - Felipe, você não está falando sério, não é?
FELIPE: - Eu nunca falei tão sério em toda minha vida, tia Tânia.
TÂNIA: - Mas Felipe!
FELIPE: - Não dá, tia! Ficar na mesma casa com essa infeliz me perseguindo? Não há como!
TÂNIA; - Eu sabia! Eu sabia que a volta da Marina para esta casa não seria boa coisa...
FELIPE: - E não está sendo mesmo. Eu vou embora antes que eu cometa uma loucura contra essa vadia... E não vale a pena eu sujar minhas mãos com ela. Ainda mais que as pessoas já sabem da nossa pequena desavença.
TÂNIA; - Querido, eu vou sentir sua falta aqui nessa casa... Aliás, para onde você vai?
FELIPE: - Vou para um apartamento novo, no centro. Já andei dando uma olhada. Gostei, fechei negócio.

Tânia abraça Felipe.

TÂNIA; - Você sabe que eu tenho você no meu coração, não sabe?
FELIPE; - Sei sim.
TÂNIA: - Pode contar comigo para o que você precisar... Principalmente se for para colocar a Marina no lugar dela.
FELIPE: - Bom saber disso, pois eu vou precisar da sua ajuda sim.

Os dois se olham.

TYÂNIA: - O que você está planejando?
FELIPE (sorriso cínico): - Logo logo você saberá, tia... Logo logo...

Os dois se olham cúmplices.
                       
CENA 15. SÃO PAULO. CLÍNICA CADU. QUARTO. INT. DIA.

Patrícia entra no quarto para ver a amiga. Ela se aproxima da cama, onde Rúbia está deitada. Rúbia aos poucos se acorda.

RÚBIA: - Paty...
PATRÍCIA: - Oi amiga.
RÚBIA; - Que bom ver você...
PATRÍCIA: - Não fala nada não, procura ficar quieta, calma...
RÚBIA; - Calma porque?
PATRÍCIA (tentando segurar as lágrimas): - Para você se recuperar logo, só isso...
RÚBIA: - Porque você está assim, Paty? O que aconteceu comigo? Fala...
PATRÍCIA; - Nada, Rúbia, está tudo bem, fique calma...
RÚBIA: - Fala Paty, o que aconteceu? Eu sei que aconteceu alguma coisa? O que aconteceu com meu filho? É com meu filho o problema, não é? Fala Paty!

Patrícia começa a chorar e se abraça em Rúbia. Cadu observa tudo do lado de fora, pela janela.

RÚBIA (apreensiva): - Porque você está chorando Paty? Me responde, o que aconteceu com meu filho?...

Patrícia não responde, continua abraçada a Rúbia, que aos poucos também começa a chorar.

RÚBIA; - O meu filho Paty... Eu... Eu perdi meu filho, Paty?.. É isso? Eu não tenho mais meu filho aqui, dentro de mim?... Não, fala para mim que não é verdade! Fala para mim que isso não aconteceu, Paty! Fala!
PATRÍCIA; - Você precisa ser forte, Rúbia...
RÚBIA: - Não! O meu bebê! Meu e do César, Paty... Eu perdi meu filho, Paty!

Patrícia permanece abraça em Rúbia, confortando a amiga, que fica em prantos. Cadu observa tudo isso da janela do corredor e também lamenta.

CENA 16. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. DIA.

     Virgínia e Sérgio conversam.

VIRGÍNIA: - Sérgio! Que bom ver você, querido! Como vai?
SÉRGIO: - Estou ótimo Virgínia! E você também, está ótima!
VIRGÍNIA: - Obrigada!
CARVALHO: - Vocês já se conhecem?
VIRGÍNIA: - Sim, há muitos anos. O Sérgio foi casado com a irmã do Alberto, meu ex-marido.
CARVALHO: - Ah é mesmo?
SÉRGIO: - Fui sim... Bons tempos aqueles.
VIRGÍNIA: - É mesmo. Quando eu ainda namorava o Alberto, o Sérgio já estava noivo da Beatriz, não é mesmo?
SÉRGIO: - Isso mesmo. Depois nos casamos, e aí, pouco tempo depois, você e o Alberto se separaram.
VIRGÍNIA: - É, e ele casou com aquela víbora!
SÉRGIO: - Nem me fala... Que mulher intragável!
CARVALHO: - Nossa, pelo o que vocês falam dessa mulher, eu já estou ficando até com medo de conhecê-la!
SÉRGIO: - Não precisa ter medo não, é bom ter muito cuidado... E Marina, Virgínia, como está?
VIRGÍNIA: - Marina está ótima, está no Brasil, trabalhando na Best Fish.
SÉRGIO: - Que maravilha!
VIRGÍNIA: - Sim... Trabalha lá, junto com o Felipe.
SÉRGIO: - Nem me fale... Felipe está cada vez pior...
CARVALHO: - Desculpe atrapalhar a conversa de vocês, mas acontece que eu estou com fome...
VIRGÍNIA; - Ah, claro!... Faça o pedido querido.
CARVALHO: - Eu vou querer o prato do dia.
SÉRGIO: - Arroz, feijão, bife, batata frita...
VIRGÍNIA: - Hum, comida bem brasileira!
SÉRGIO: - Para os dois?
VIRGÍNIA: - Sim, também vou querer o mesmo.
SÉRGIO: - Deixou de lado os luxos da vida?
VIRGÍNIA: - Por pouco tempo, Sérgio. No momento as condições não estão favoráveis, mas se Deus quiser, eu volto para a high socity linda e poderosa!
SÉRGIO: - Já trago os pratos.

     Sérgio se afasta.

CARVALHO: - Então vocês já se conheciam. Que bacana.
VIRGÍNIA: - Sérgio é uma ótima pessoa. Um homem honesto, batalhador, mas que sofreu um grande baque na vida... Torço muito por ele.

CENA 17. PASSAGEM DO TEMPO. CASA ALBERTO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

     Imagens da movimentação na cidade de Praia Real. Trânsito de carros, pessoas. As horas a passar. Corta para a casa de Alberto. Tânia está na sala quando Marina entra no local.

TÂNIA: - Depois falam que eu sou a insensível, a fria, a insana...
MARINA: - Do que você está falando, Tânia?
TÂNIA: - Não se faça de sonsa, Marina. Estou falando da armação que você fez contra o Felipe. vocÊ não pensa nas coisas não, nas conseqüências?
MARINA: - Ei, não fale daquilo que você não sabe! O que aconteceu lá na empresa foi na verdade uma prestação de contas! Havia dúvidas sobre as finanças e eu exigi explicações, só isso.
TÂNIA: - Mas quem você pensa que é para exigir explicações de alguém, Marina?... Voce não é ninguém, uma garota mesquinha e fútil!
MARINA: - Fútil? Eu sou fútil! Realmente Tânia, você não me conhece...
TÂNIA: - Conheço. Te conheço e muito bem. Sei que vocÊ é venenosa, a ponto de provocar a saída do Felipe dessa casa! Lugar onde morou desde criança!
MARINA: - Ele foi embora porque quis, eu não provoquei nada!
TÂNIA: - Provocou! E não me espanta nada se você um dia tomar o lugar dele na empresa, porque pelo visto, é isso mesmo que você quer! Ou dele ou do César, porque você não suporta ver o sucesso das pessoas...
MARINA: - Eu quero tomar o lugar de ninguém! Eu só quero que as coisas sejam feitas com clareza e justiça! Só isso.
TÂNIA: - Você só pensa em você mesma. Não sei como o seu pai atura essas suas atitudes infantis!
MARINA: - Meu pai já aturou coisas piores nessa vida, Tânia. E você sabe muito bem. Aliás, tem coisas que eu tenho até medo que ele saiba, pois eu não consigo nem imaginar o que pode acontecer.
TÂNIA: - Não fuja do assunto, sua sonsa!
MARINA: - Não estou fugindo do assunto... Ou você pensa que eu esqueci de tudo o que eu vi naquela festa, aquele dia aqui nesta casa?

     Tânia fica surpresa, um pouco apreensiva.

MARINA: - Você, no escritório, com aquele outro homem...
TÂNIA: - Você não está falando coisa com coisa. Está ficando louca!... Eu vou subir para não cometer uma loucura contra você!
MARINA; - Você diz mais uma loucura, não é?
TÂNIA: - Chega! Chega! Eu não quero mais ouvir a sua voz!
MARINA: - Eu sei que você esconde um segredo, Tânia. Eu sei... A minha ida para a Noruega não foi a toa, você não programou tudo isso pensando na minha educação, na minha formação. Eu até te agradeço por isso. Aprendi muito lá, mas eu também voltei para conseguir atingir o meu objetivo.
TÂNIA: - Que objetivo?
MARINA: - Desmascarar você!

     Tânia parte para cima de Marina, porém, ela não avança, pois Clarisse entra na sala.

CLARISSE: - Gente, o que está acontecendo aqui? Dá para ouvir os gritos lá da cozinha!
TÂNIA: - E você deveria ter ficado lá, sua insolente!
MARINA: - Tânia, não fale assim com a Clarisse!
TÂNIA (saindo): - Eu falo como eu quiser, com quem eu quiser! Bando de idiotas!

     Tânia sobe as escadas, irritada.

MARINA: - Desculpa Clarisse, por esse comportamento totalmente irracional da Tânia.
CLARISSE: - Nossa, dona Marina, ela estava muito irritada!
MARINA: - Ela pensa que é a dona do mundo, não gosta de ser contrariada... Pode ir Clarisse, voltar para o seu serviço.
CLARISSE: - Você não quer um copo d’água, um chazinho para se acalmar? Eu faço num instantinho...
MARINA: - Não precisa não, Clarisse, obrigada. Eu estou bem.
CLARISSE: - Com licença.

     Clarisse sai. Marina fica na sala, pensativa.

CENA 18. CASA ALBERTO. QUARTO ALBERTO. INT. DIA.

     Tânia entra no quarto apressada, irritada. Caminha de um lado a outro. Derruba todos os objetos da penteadeira, empurra a cadeira no chão.

TÂNIA: - Essa desgraçada! Ela me paga, essa... Essa... Vagabunda!...

     Tânia está visivelmente com raiva.

CENA 19. APTO FELIPE. INT. DIA.

     Felipe abre a porta do apartamento. Um local totalmente sofisticado, grande. Ele entra, fecha a porta, fica a observar o local. Abre um sorriso de satisfação.

FELIPE: - Eu fui embora da mansão, mas por pouco tempo... Um dia, aquilo tudo lá vai me pertencer... Ou eu não me chamo Felipe Cardoso Walker.

CENA 20. TRANSIÇÃO DO TEMPO. ANOITECER / CASA PETRÔNIO. EXT. NOITE.

     Imagens de Praia Real ao anoitecer. Imagens do pôr-do-sol, da cidade já noite. Corta para a frente da casa de Petrônio. Alice retorna até o local. Toca a campainha inúmeras vezes.


CENA 21. CASA PETRÔNIO. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Helena, Petrônio, Samantha estão na sala, quando a campainha toca incessantemente.

SAMANTHA: - Nossa, realmente tem alguém com pressa de ser atendido!
PETRÔNIO: - É, mesmo. E agora, à noite ainda? Pra que tanta pressa?...
SAMANTHA: - Será que é alguma coisa urgente?
HELENA; - Eu vou atender.
PETRÔNIO: - Calma, minha filha! Não é melhor chamar o Bento para ir com você?
HELENA: - Não precisa não papai, pode deixar que não vai acontecer nada. Eu vejo quem é e dependendo de quem seja eu já mando catar coquinho na rua. (saindo) Vê se isso é hora de tocar campainha na casa dos outros e ainda mais desse jeito...

     Helena sai para atender ao chamado na rua.

CENA 22. CASA PETRÔNIO. EXT. NOITE.

     Helena aparece e vai falar com Alice.

HELENA: - Eu não acredito, meu Deus! Mas você não desiste mesmo, hein, menina!
ALICE: - Eu não quero brigar não, Helena.
HELENA: - Dona Helena, para você!... Se não veio aqui para brigar, veio para quê então? Pedir dinheiro? Mendigar um prato de comida?
ALICE: - Não, eu não vim aqui fazer nada disso... Já que você não deixa eu falar com o Matheus, eu quero que você um recado meu para ele.
HELENA: - Ta bom... Você acha que eu sou pombo correio agora? Acorda menina... (fechando o portão e saindo)
ALICE: - Eu acho melhor a senhora me ouvir e dar o recado à ele, é importante.

Helena retorna e abre o portão novamente.

HELENA: - Fala logo o que é que eu tenho mais o que fazer!
ALICE: - Eu estou grávida.
HELENA (surpresa): - Como é que é?
ALICE; - Isso mesmo Helena. Eu estou grávida do Matheus.

Helena fica totalmente sem reação, incrédula.

CENA 23. CASA SÔNIA. QUARTO SÔNIA. INT. NOITE.

     Adriano e Sônia estão deitados, ela com a cabeça sobre o peito dele.

SÔNIA: - Por um momento e pensei que não iria dar certo, depois que o Henrique disse que não viria. Mas no final, acabou tudo bem e ele aceitou.
ADRIANO: - Seria estranho ele não vir. Afinal, ele também faz parte dessa história, tem papel fundamental em tudo isso. Ele é o pai da sua filha.
SÔNIA: - Pois é... Mas agora eu já estou um pouco mais confiante. Com certeza vai dar tudo certo.
ADRIANO: - Vai sim. E tem mais: eu quero estar junto nessa conversa.
SÔNIA; - Como assim?
ADRIANO: - Eu quero estar presente neste dia. Quero estar junto de você, para poder te dar força, te apoiar. Quero muito ajudar e torço para que tudo termine bem.
SÔNIA: - Muito obrigado pelo apoio, querido. Amo você. Vai ser bom ter você do meu lado sim.
ADRIANO: - Também te amo muito, Sônia.

Os dois se beijam.

CENA 24. SÃO PAULO. CLÍNICA CADU. QUARTO. INT. NOITE.

     Cadu vai ver Rúbia. Patrícia está no quarto. Rúbia está deitada na cama. Cadu se aproxima.

CADU: - Então Rúbia, como você se sente?
RÚBIA: - Péssima... A pior pessoa do mundo.
PATRÍCIA: - Rúbia, não diga isso...
RÚBIA; - Mas é assim que eu me sinto mesmo. E agora? Como vai ser a minha vida sem esse filho?
CADU: - Você poderá tentar engravidar novamente, Rúbia. Sem problemas.
RÚBIA: - Não dá Cadu! Essa criança era tudo de mais precioso que eu tinha para continuar com o César! Se eu chegar lá sem bebê, ele me deixa! Adeus casamento, adeus vida de rica, adeus todos os meus sonhos!
CADU: - Esse filho era só para segurar um casamento é isso? Não era nada por amor?
RÚBIA; - Claro que tinha amor! O César é um homem lindo, perfeito... Mas eu não quero ser pobre a vida toda, Cadu! Eu não nasci para isso! Eu nasci para ser rica, poderosa! Mas agora... Como eu vou fazer...
PATRÍCIA; - Calma, Rúbia, pensa nisso depois, agora você precisa descansar.
CADU: - A Paty tem razão, Rúbia, não pense nisso agora.
RÚBIA (irritada): - É o meu futuro, caramba! Como é que não vou pensar nisso, gente?!

Fica um silêncio na sala, por um instante.

RÚBIA (sussurrando): - O César não vai me deixar... O César não vai me deixar... Eu vou ser rica... Eu vou ser rica...
CADU: - O que é isso? Um mantra? (risos)
RÚBIA: - É isso!
PATRÍCIA; - O que foi Rúbia?
RÚBIA; - Como eu não pensei nisso antes!
CADU: - Não pensou no quê, garota?
RÚBIA; - Cadu, você precisa me ajudar. Ou melhor, você vai me ajudar.

     Rúbia olha confiante para Cadu.

CENA 25. APTO LÍLIAN. SALA. INT. NOITE.

     César conversa com Fredy e Lílian.

CÉSAR: - Amanhã mesmo nós vamos até as obras do projeto ambiental.
LÍLIAN: - Eu estou tão ansiosa!
FREDY: - Eu também, só de pensar de vamos ter tudo novo, nossos planos sendo realizados, tudo como pensamos... É muito bom!
CÉSAR: - É possível até que a gente amplie os nosso programas de trabalho, firmando novas parcerias.
LÍLIAN: - Como assim?
CÉSAR: - Eu já andei vendo algumas coisas sobre a reserva ambiental da zona leste. Soube que há um projeto de um condomínio a ser construído lá. É possível que nós façamos uma parceria com a imobiliária e também com os outros moradores que já moram nas redondezas para que ajudem na preservação do local.
FREDY: - Podemos também realizar uma nova campanha de limpeza da praia, com apoio de escolas, promovendo o contato das crianças com o meio ambiente.
LÍLIAN: - Gente, quanta coisa nova! E sabe o que eu pensei também? Nas novas dependências, é possível fornecer cursos, palestras, dentro do próprio projeto. E até para outras empresas.
CÉSAR: - Esse novo projeto vai ser um sucesso! Está tudo dando certo agora... O projeto ambiental prestes a ficar pronto, e eu me entendo com a Brenda...
LÍLIAN: - Hum... está num mar de rosas, então?
CÉSAR: - Acho que agora estou, Lílian. Perdidamente apaixonado!
FREDY (fazendo graça): - Oh, que bonitinho!

     Os três riem.

CENA 26. SÃO PAULO. CLÍNICA CADU. QUARTO. INT. NOITE.

     Cadu e Patrícia ficam surpresos com Rúbia.

PATRÍCIA: - Ai, meu Deus do céu, Rúbia! O que você está pensando em fazer?
RÚBIA: - Vai dar certo, gente! Tem que dar certo!
CADU: - Mas fala, Rúbia, o que você quer fazer?
RÚBIA: - Cadu, você vai ter que conseguir uma coisa muito importante para mim.
CADU: - O quê?
RÚBIA: - Uma barriga falsa.
CADU (surpreso): - Barriga falsa?
PATRÍCIA: - Mas como isso? Pra quê isso?
RÚBIA: - Claro... Vai ser essa barriga falsa que vai me manter junto ao César até o casamento.

Cadu e Patrícia se olham surpresos.

RÚBIA: - Eu vou fingir a gravidez até o fim. Assim o César casa comigo e eu fico linda, rica e poderosa!

Rúbia se mostra confiante em seu plano.

CENA 27. CASA ALBERTO. QUARTO ALBERTO. INT. NOITE.

     Tânia entra no quarto apressada, um tanto ansiosa, angustiada. Alberto está sentado numa poltrona, lendo um livro. Tânia caminha de um lado a outro no quarto. Alberto percebe a apreensão da esposa.

ALBERTO: - O que foi Tânia? Aconteceu alguma coisa?
TÂNIA (andando de um lado a outro): - Não, não aconteceu nada não...

     Alberto retoma a leitura, mas não consegue, pois Tânia continua andando de um lado a outro.

ALBERTO: - Tem certeza de que nada aconteceu mesmo?
TÂNIA (andando de um lado a outro): - Tenho sim querido.
ALBERTO: - Mas você não para de andar de um lado a outro, como se estivesse preocupada com alguma coisa. Eu não consigo nem me concentrar na leitura aqui.
TÂNIA (para e senta-se ao lado de Alberto): - Desculpa querido, não queria tirar a sua concentração.
ALBERTO: - Porque você não fala o que está acontecendo? Quem sabe eu possa ajudar.
TÂNIA: - Eu não quero aborrecer você com as minhas preocupações, minhas angústias...
ALBERTO: - Você não me aborrece em nada. O que está angustiando você?
TÂNIA: - A Marina.
ALBERTO: - A Marina? Como assim?
TÂNIA: - Eu sei que ela é sua filha, que você tem um carinho muito grande por ela. Eu também, gosto muito da Marina, mas...
ALBERTO: - Mas...?
TÂNIA: - Mas a permanência dela aqui nesta casa está ficando insustentável, querido. Desde que ela voltou da Noruega, as coisas aqui não vão nada bem. Principalmente com o Felipe! Parece que ela chegou para atrapalhar o caminho do rapaz!
ALBERTO (surpreso): - Tânia, eu nem sei o que dizer!...
TÂNIA: - Pois não diga nada, apenas escute. A Marina está perseguindo o coitado do Felipe, que sempre trabalhou honestamente na empresa! Ela fez ele passar uma verdadeira humilhação perante todos os diretores! E tem mais! Fez ele ir embora desta casa!
ALBERTO: - Mas o Felipe saiu daqui por vontade própria, Tânia!
TÂNIA: - Não Alberto! Ele saiu daqui por causa da Marina, que não para de infernizar a vida dele!
ALBERTO: - Mas a troco de que ela faria isso?
TÂNIA: - Inveja. Pura inveja.
ALBERTO: - Não, Tânia. A Marina não é, nunca foi uma pessoa invejosa.
TÂNIA: - Você fala isso porque você é pai dela. Eu, como uma simples madrasta, vejo nos olhos dela como ela tem inveja do Felipe, pela posição importante que ele tem na empresa... Inveja até do César!
ALBERTO: - Não sei não, Tânia... Isso tudo é muito confuso... Onde você quer chegar com toda essa conversa?
TÂNIA: - Eu quero que você manda a Marina embora daqui.
ALBERTO (surpreso): - O quê?!
TÂNIA: - Isso mesmo, Alberto. A Marina precisa sair dessa casa o mais rápido possível. Caso contrário, nossa vida se transformará num inferno.

     Alberto fica totalmente surpreso com o pedido de Tânia.

CENA 28. SÃO PAULO. CLÍNICA CADU. QUARTO. INT. NOITE.

     Continuação do capítulo anterior. Rúbia se mostra plenamente confiante em seu plano.

RÚBIA: - Não tem como dar errado, gente, não tem!
PATRÍCIA: - Não sei não, Rúbia... Eu acho isso muito arriscado... Uma barriga falsa? Será que o César vai cair nesse golpe?
CADU: - Arriscado é mesmo... Eu nunca fiz isso antes na minha vida. Nunca imaginei isso!...
PATRÍCIA: - E como você vai fazer para que não descubram a barriga? Para que ninguém encoste, ninguém veja?
RÚBIA: - Gente, eu já tenho tudo armado aqui, na minha cabeça... Esse plano não vai sair errado! Mas pra isso eu preciso que vocês me ajudem!... Cadu, você consegue ou não a barriga falsa para mim?
CADU: - Acho que consigo sim.
RÚBIA: - O mais rápido possível, pra ontem!
CADU: - Vai ser um pouco complicado, mas acho que vai dar sim.
PATRÍCIA: - E eu, o que eu faço?
RÚBIA: - Por enquanto, você só me dá, digamos assim, uma assessoria...
PATRÍCIA: - Como assim?
RÚBIA: - Enquanto o Cadu arruma a barriga falsa, eu quero que você termine de fazer as compras da lista do enxoval para mim. Nós vamos voltar para Praia Real o quanto antes. Esse casamento vai sair o mais rápido possível.
CADU: - Como você conseguiu tramar tudo isso, Rúbia? Como? E num momento tão delicado, complicado como esse?
RÚBIA: - Eu preciso continuar a minha vida. E essa é a forma mais certa de se fazer isso. Não nasci para ficar na pobreza, Cadu. Eu vou ser rica e feliz. Muito rica e feliz! E também grata, a você e a Paty, pelo apoio que vocês estão me dando.

     Patrícia se aproxima de Rúbia, segura a mão dela.

PATRÍCIA: - Você pode contar comigo sempre.
CADU: - Comigo também.
RÚBIA: - Bom ouvir isso de vocês. Me conforta muito.

     Rúbia sorri para Cadu e Patrícia. Os trÊs unem-se de mãos dadas, num sinal de cumplicidade.

CENA 29. CASA PETRÔNIO. EXT. NOITE.

     Helena fica totalmente perplexa com a revelação de Alice.

HELENA: - O que foi que você disse, sua vadia?
ALICE: - Eu estou grávida do Matheus.
HELENA (saindo na calçada e pegando Alice pelo braço): - Você só pode estar brincando comigo, sua infeliz! Fala! Fala logo, sua biscate, sem vergonha, vagabunda!
ALICE (soltando-se de Helena): - Não estou brincando nada! É tudo verdade! O Matheus vai ser pai, você vai ser avó...
HELENA; - Eu não vou ser nada, sua biscate!
ALICE: - Eu só vim até aqui para falar isso com você. Espero que você dê o recado para o Matheus. É importante para ele saber.
HELENA (gritando): - Vagabunda! Saia daqui! Piranha! Sai!

Alice vai embora, firme. Helena, transtornada, cai sentada na calçada, incrédula. Bento vê quando Helena cai na calçada e vai ajudá-la.

BENTO (preocupado): - Dona Helena! Está tudo bem?!
HELENA (um pouco zonza): - Não sei, eu não sei...
BENTO (ajudando Helena a levantar): - Vem comigo, dona Helena, vamos para dentro.

Bento carrega Helena para dentro de casa.

CENA 30. CASA PETRÔNIO. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

     Bento entra na sala com Helena cambaleando. Petrônio e Samantha ficam preocupados.

SAMANTHA: - Mas o que aconteceu?
BENTO: - Eu vi o momento em que ela caiu sentada na calçada, um pouco zonza.
PETRÔNIO: - Helena, o que houve?
HELENA: - Acho que foi apenas uma vertigem, queda de pressão, sei lá...
PETRÔNIO: - É bom chamarmos um médico.
HELENA: - Não, papai, eu não preciso de médico nenhum. Eu vou subir pro meu quarto, me deitar um pouco, logo logo essa tontura passa...
SAMANTHA; - Eu vou com você.
HELENA: - Não! Não quero ninguém atrás de mim. Já falei que vai passar!

Helena sobe as escadas vagarosamente. Petrônio fica um pouco apreensivo.

CENA 31. LONDRES. AEROPORTO INTERNACIONAL. SAGUÃO. INT. NOITE.

     Matheus chega no saguão do aeroporto. Ele caminha por entre as pessoas e para em frente a uma agência bancária. Willian se aproxima dele.

WILLIAN: - Bem vindo a Londres, Matheus.
MATHEUS: - Você deve ser o Willian?
WILLIAN: - Isso mesmo. Muito prazer.

Os dois se cumprimentam.

MATHEUS: - Como sabe que sou eu?
WILLIAN: - Instruções de sua mãe... Chegar no aeroporto, parar em frente a esse banco... Você é o único jovem por aqui.
MATHEUS; - É, parece um pouco óbvio mesmo.
WILLIAN: - Bem, vamos andando. Você deve estar com fome, ou não?
MATHEUS: - Estou sim, com uma fome de leão!
WILLIAN: - Vamos jantar e depois eu levo você para o apartamento onde você vai ficar durante sua estada aqui.

CENA 32. CASA HENRIQUE. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

     Silvana e Henrique estão jantando.

SILVANA: - Que bom que a gente está voltando a se entender.

     Henrique apenas sorri.

SILVANA: - Eu já estava ficando com medo disso, sabe?
HENRIQUE: - Medo do quê?
SILVANA: - Da gente se separar.

     Fica um silêncio no local por um instante.

SILVANA: - Eu não sei como viveria sem você do meu lado.
HENRIQUE: - Porque você está falando disso agora, Silvana? Não vamos falar em coisas ruins, não é?
SILVANA: - Tem razão, desculpa. Só falei porque isso era um temor que eu tinha guardado em mim, muito forte... De ser abandonada, trocada... Traída.
HENRIQUE: - Ninguém vai te abandonar, ninguém... Agora vamos encerrar esse assunto, está certo? Vamos apreciar esse jantar que você preparou com tanto carinho e que está delicioso!
SILVANA: - Você gostou mesmo?
HENRIQUE: - Está divino!
SILVANA (feliz): - Que bom meu amor!

     Os dois seguem o jantar.

CENA 33. CASA BRENDA. QUARTO ALICE. INT. NOITE.

     Alice conversa com Brenda.

ALICE: - Eu falei, Brenda. Falei tudo o que eu tinha para falar para aquela mulher. Desabafei.
BRENDA: - Fez muito bem, Alice. Ela também, uma hora ou outra, saberia da gravidez.
ALICE; - É mesmo... Mas ainda assim eu me sinto com um vazio, sabe? Tenho medo de que ela não diga para o Matheus que ele vai ser pai... Ou pior, que invente alguma coisa, sabe?
BRENDA: - Você acha que ela faria isso?
ALICE: - Ela é capaz de tudo! Lembra do episódio da pulseira, que ela me acusou de roubar?... Essa mulher é louca! Tenho medo que ela atrapalhe minha vida com o Matheus.

     Alice se abraça em Brenda, que a consola.

CENA 34. TRANSIÇÃO DO TEMPO. AMANHECER / CASA ALBERTO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

     Imagens de Praia Real ao amanhecer. Corta para casa de Alberto. César, Alberto, Tânia, Marina, Clarisse e Charles estão na sala de estar, um pouco tensos. Felipe vai descendo as escadas, carregando uma mala nas mãos. Tânia está com expressão um pouco triste.

FELIPE: - Em outra hora eu volto para buscar o resto das coisas... Ou então peço para alguém pegar para mim. Não precisam se preocupar quanto a isso.
ALBERTO: - Felipe, pense bem!...
FELIPE: - Eu já pensei, tio. Não há como continuar aqui, infelizmente. (encarando Marina)
TÂNIA (abraçando Felipe): - Meu querido!
FELIPE; - Vai ficar tudo bem, tia Tânia, não se preocupe.
TÂNIA: - Sentirei muito sua falta... Essa casa vai ficar tão vazia sem você!
FELIPE: - Prometo que venho visitá-la. Sempre.

Felipe cumprimenta Alberto.

FELIPE; - Obrigado por tudo, tio.
ALBERTO: - Não precisa agradecer nada não, Felipe. Também não é o fim! Você continua trabalhando na empresa, nos veremos sempre, todos os dias, não é mesmo?

Os dois se abraçam. Felipe se aproxima de Tânia, que novamente abraça o rapaz.

TÂNIA (sussurrando): - Ela vai pagar por tudo isso, querido. Não se preocupe.
FELIPE (sussurrando): - Eu sei... Ah, avisarei o Charles que você irá no apartamento mais tarde.
TÂNIA: - Pode deixar. Eu irei sim.

Felipe se aproxima de César.

FELIPE: - Adeus César.
CÉSAR: - Sabe que quando acordei hoje, fiquei lembrando do tempo em que éramos criança e brincávamos nessa escada aí, no jardim, na piscina.
FELIPE: - Foram momentos bons, não é?
CÉSAR: - Sentirei sua falta aqui em casa, Felipe. De verdade.

Os dois se abraçam. Felipe se aproxima de Marina. Os dois se encaram, olhos nos olhos, expressões sérias.

MARINA: - Você sabe muito bem que não precisava fazer isso.
FELIPE: - Eu só estou evitando o pior. Pra você. Pode ter certeza disso.

Felipe se afasta.

FELIPE: - Charles, pode pegar minha mala.
CHARLES: - Claro.

Charles pega a mala e sai da casa. Felipe se despede de todos novamente e sai também..

CENA 35. CASA ALBERTO. EXT. DIA.

     Charles coloca a mala no carro. Felipe embarca no carro com Charles e vai embora. Tânia e Alberto observam na porta da casa. Tânia emocionada. Alberto a abraça.

CENA 36. SÃO PAULO. CASA CADU. INT. DIA.

     Cadu chega com Rúbia em casa.

RÚBIA (impressionada): - É aqui que você mora? Que lindo Cadu! Casa maravilhosa!
CADU: - Obrigado.
RÚBIA; - Você mora sozinho aqui?
CADU: - Moro sim. Meus pais moram em outra casa, noutro bairro... Pois então, vamos lá em cima, quero te mostrar a barriga falsa.
RÚBIA: - Claro, vamos sim.

CENA 37. SÃO PAULO. CASA CADU. QUARTO CADU. INT. DIA.

Rúbia faz a prova da barriga falsa. Ela coloca o objeto, enquanto se observa diante do espelho.

RÚBIA: - Então, como ficou?
CADU: - Baixa o vestido, acho que dá pra ver melhor...

Rúbia baixa o vestido, que cobre a barriga.

CADU: - Agora sim, parece uma grávida de verdade.
RÚBIA: - Como assim, parece uma grávida de verdade? Eu sou uma grávida de verdade!
CADU (confuso): - Você é?
RÚBIA (alisando a barriga/ de frente para o espelho): - Claro que sou! Não está vendo a minha barriga?
CADU: - Você mergulhou de cabeça nisso tudo, hein?
RÚBIA (alisando a barriga / de frente para o espelho): - Meu futuro, Cadu, está todo aqui, nesta barriga, neste meu filho...
CADU: - A Paty está perdendo isso tudo.
RÚBIA (alisando a barriga / de frente para o espelho): - Ela está fazendo as compras que eu preciso levar para Praia Real. Está me dando uma força daquelas.
CADU: - Que bom mesmo. Mas Rúbia tem uma coisa que eu queria que você me explicasse.
RÚBIA (vira-se para Cadu): - Que coisa?
CADU: - Se você conseguir levar a diante essa história, como fazer para essa criança nascer?
RÚBIA: - Como assim?
CADU: - A criança, Rúbia. Como você vai fazer para conseguir essa criança, esse bebê?
RÚBIA (olhando-se no espelho): - Eu vou pegar uma criança no hospital.
CADU (surpreso): - O quê?!
RÚBIA: - Isso mesmo. Eu pegarei uma criança num hospital, em qualquer maternidade... Tem tantos casos aí de bebês que são pegos, que somem de hospitais, berçários... Não deve ser tão difícil fazer isso.
CADU: - Eu não posso acreditar, nisso, Rúbia! Isso é crime, sabia?
RÚBIA: - Crime é não permitir que uma moça como eu seja privada do direito de ter um filho com o homem que ama.
CADU: - Mas você vai roubar o filho de outra pessoa! Isso é justo?
RÚBIA: - Justo talvez não seja... Mas eu sou rica! Essa criança terá oportunidades ímpares na vida, em todos os sentidos! Terá uma educação privilegiada, conforto, tudo do bom e do melhor. Coisa que ela não terá se nascer num barraco imundo, numa favela!

Cadu fica impressionado com a frieza com que Rúbia raciocina seu plano. Rúbia fica a observar-se no espelho, envaidecida com a barriga.Ela prova a barriga falsa. (Patrícia está fazendo as compras que ainda restam)

CENA 38. SÃO PAULO. LOJAS. INT. DIA.

     Imagens de Patrícia fazendo compras nas lojas. Ela vê berços, roupinhas de bebê, roupas de gestantes, brinquedos, carrinhos de bebê.

CENA 39. LONDRES. APTO MATHEUS. INT. DIA.

     Matheus está olhando a cidade pela janela do seu apartamento. Observa as pessoas caminhando nas calçadas, toda movimentação de Londres. Alguém bate à porta. Ele vai atender. É Willian.

WILLIAN: - Good morning!
MATHEUS: - Hy, teacher!
WILLIAN: - Alone in the home?
MATHEUS: - Yes.
WILLIAN: - Não vai me convidar para entrar?
MATHEUS; - Em inglês ou português?
WILLIAN: - Pode ser em português.
MATHEUS: - Pode entrar!

Os dois riem. Willian entra.

WILLIAN: - Então, está se adaptando?
MATHEUS: - Estou. Está tudo bem tranqüilo.
WILLIAN (olhando na janela): - Tem uma vista bem bonita da cidade daqui...
MATHEUS: - Tem sim. Eu estava inclusive olhando...
WILLIAN: - Já falou com a sua mãe?
MATHEUS: - Ainda não! Esqueci completamente!
WILLIAN: - Bom, então, mãos a obra! Pegue o telefone, liga para ela. Depois a gente vai sair, quero mostrar a cidade para você e depois a faculdade onde você vai estudar. Também será preciso fazer algumas compras, não é mesmo? Abastecer o apartamento.
MATHEUS: - Certo. Vamos lá.

Matheus pega o telefone e começa a discar.

CENA 40. CASA PETRÔNIO. QUARTO HELENA. INT. DIA.

Helena conversa no celular com Matheus.

HELENA: - Que bom meu filho que está tudo bem com você!
(T)
HELENA: - Está gostando aí?
(T)
HELENA: - E o Willian? Está ajudando você?
(T)
HELENA: - Ele é uma ótima pessoa. Com certeza vocês vão se dar muito bem.
(T)
HELENA: - Quem? A Alice?
(T)
HELENA: - Não, não a vi não...
(T)
HELENA: - Não, ela nem passou por aqui.
(T)
HELENA: - Dar o telefone para ela? Claro, assim que eu a ver eu darei seu telefone sim, pode deixar meu filho.
(T)
HELENA: - É... Mas se preocupe com seus estudos aí, meu filho. Estou muito feliz por você.
(T)
HELENA: - Está bem, pode deixar que darei o recado para seu avô, para a Samantha, para o seu pai...
(T)
HELENA: - Abraço meu filho. Amo você.

Helena desliga o telefone.

HELENA: - Que bom que está tudo bem... Logo logo ele se ajeita em Londres, fica por lá, não volta para o Brasil e não vê mais aquela vagabunda que quer dar o golpe do baú.

CENA 41. CASA ALBERTO. QUARTO MARINA. INT. DIA.

     Marina está deitada na cama, um pouco cabisbaixa. César entra no quarto.

CÉSAR: - Olá! Posso entrar?
MARINA: - Claro, César. Fica a vontade.

     César entra no quarto e senta-se na cama.

CÉSAR: - O que é que você tem?
MARINA: - Estou me sentindo um pouco culpada, sabe? Com essa história do Felipe sair daqui de casa, por minha causa...
CÉSAR: - Não é culpa sua não, Marina, relaxa...
MARINA: - Eu vou relaxar, não precisa se preocupar comigo não.
CÉSAR: - Você vai sim, eu confio em você.
MARINA (segurando a mão de César): - Obrigada, meu irmão... É bom poder contar com você.
CÉSAR: - Quando precisar, eu estarei sempre aqui.
MARINA: - Aliás, falando em estar sempre aqui, eu ando percebendo que você tem saído bastante, tem estado mais alegre... Será que são as obras do projeto ambiental?
CÉSAR: - Não, Marina, não é isso...
MARINA: - Então só pode ser a ansiedade em rever a noiva?
CÉSAR: - Também não é isso.
MARINA: - Mas então é o quê?
CÉSAR: - Lembra que eu falei para você da irmã da Rúbia?
MARINA: - Sim, você comentou algo comigo sim, faz tempo já... É Brenda o nome dela, não é?
CÉSAR: - É, isso mesmo.
MARINA: - E o que tem ela?
CÉSAR: - Pois então... Nós resolvemos que... Nós vamos ficar juntos.
MARINA: - Ei, espera um pouco. Agora eu não entendi nada! Me explica melhor essa história, por favor.

     César conta para Marina sobre seu relacionamento com Brenda.

CENA 42. BOUTIQUE POEME. ESCRITÓRIO. INT. DIA.

     Cristina, Vera e Glória Colombo conversam.

VERA: - Glória, as peças que você fez foram um verdadeiro sucesso aqui na loja.
CRISTINA: - Não sobrou uma para contar a história!
GLÓRIA COLOMBO: - Nossa meninas, fico muito feliz por isso.
CRISTINA; - Nós é que estamos felizes. Você com seu talento elevou as vendas aqui da boutique.
VERA: - É verdade. Nunca tivemos tantas vendas como agora.
GLÓRIA COLOMBO: - Bom, sendo assim, eu fico mais segura em oferecer para vocês as peças da minha nova coleção. O que vocês acham?
CRISTINA: - Eu acho maravilhoso!
VERA: - Eu também, Glória. Confio plenamente no seu trabalho.
GLÓRIA COLOMBO: - É uma coleção inspirada em Praia Real.
VERA: - É mesmo? Que legal Glória!
GLÓRIA COLOMBO: - Eu ainda estou em fase de conclusão de alguns crookies e também já iniciei a confecção de algumas peças, mas quando tudo estiver pronto, eu trago para vocês analisarem.
VERA: - Claro, faremos tudo como da outra vez.
CRISTINA: - Gente, sabe o que seria bom a gente fazer para essa nova coleção?
VERA; - O que?
CRISTINA: - Um coquetel de lançamento da nova coleção de Glória Colombo! Um evento bem bacana, com a presença da imprensa, convidados vips, tudo o que tem direito. O que acham?
VERA: - Eu gostei da ideia. E você, Glória?
GLÓRIA COLOMBO: - Eu amei!
CRISTINA: - Então está decidido. A nova coleção de Glória Colombo, inspirada em Praia Real, terá um lançamento para ninguém colocar defeito!
VERA: - Isso merece um brinde!

     Vera se aproxima do frigobar e pega uma garrafa de champanhe e algumas taças. Cristina abre o champanhe e serve a todas. Elas brindam, felizes.

CENA 43. APTO FELIPE. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

     Tânia conversa com Felipe. Os dois estão sentados no sofá, na sala.

TÂNIA: - Que ótimo esse apartamento, Felipe. Que bom gosto você tem, menino!
FELIPE: - Aprendi com você, tia.
TÂNIA: - Oh, meu amor... Obrigada. Modéstia a parte, eu ensinei muitas coisas a você mesmo.
FELIPE: - Principalmente as coisas más!

Os dois riem, enquanto brindam com wiski.

TÂNIA: - Mas vamos ao que interessa, Felipe.
FELIPE: - Marina?
TÂNIA; - Não, agora eu não pretendo falar sobre ela não.
FELIPE: - Então sobre o quê?
TANIA: - Sobre a Mônica.
FELIPE: - O que tem a Mônica?
TÂNIA: - Seu tio entregou para ela uma caixa, fechada com cadeado e tudo. Essa caixa era da Olga.
FELIPE: - E o que tinha nessa caixa?
TÂNIA: - Não sei e é isso que eu quero descobrir. Eu tentei impedir que seu tio desse a caixa para a Mônica, mas não consegui...
FELIPE: - Mas você me parece um tanto preocupada com o conteúdo dessa caixa, tia Tânia.
TÂNIA; - Do que você está falando? Eu não estou preocupada com nada.
FELIPE: - Então porque tanto interesse nessa caixa?
TÂNIA: - Ora Felipe, curiosidade. Apenas isso.
FELIPE: - VocÊ não me engana, tia... Essa caixa tem alguma coisa que preocupa você sim. Do que você tem medo? Essa caixa esconde algum segredo que você não quer que descubram, é isso?

Felipe fica a encarar Tânia.

CENA 44. CASA ALBERTO. QUARTO MARINA. INT. DIA.

     Marina fica surpresa com a história de César.

MARINA: - César, eu estou chocada com tudo isso!
CÉSAR; - É de ficar surpreso mesmo.
MARINA; - E a Rúbia? Como ela fica nessa história?
CÉSAR: - Pois é. Eu estou me preparando para me abrir com ela e falar toda a verdade. Eu não posso continuar com ela, gostando da Brenda. Não é bom nem pra ela nem para mim... Não é bom para ninguém.
MARINA; - Isso é verdade. Mas você tem que pensar também no seu filho.
CÉSAR: - Eu sei. Eu serei um pai presente, estarei sempre por perto dele, dando tudo o que ele precisa. Amor, carinho, educação, tudo.
MARINA: - bom, só me resta desejar para você coragem e força para enfrentar tudo isso. E pode contar comigo também, para o que der e vier.
CÉSAR; - Obrigado, Marina.

     Os dois se abraçam, carinhosamente.

CENA 45. CASA PETRÔNIO. QUARTO HELENA. INT. DIA.

     Helena caminha de um lado a outro dentro de seu quarto, perplexa. Em OFF, a voz de Brenda, anunciando a gravidez (“Isso mesmo Helena. Eu estou grávida do Matheus”).

HELENA: - Que vadia essa menina... Ela acha que eu vou entregar o patrimônio do meu filho para ela de mãos beijadas... Mas eu já sei o que fazer. Essa história vai terminar o mais rápido possível.

CENA 46. CASA BREDA. QUARTO BRENDA. INT. DIA.

     Brenda conversa com Alice.

ALICE: - Você vai fazer isso mesmo? Tem certeza?
BRENDA: - Tenho Alice. Você chama ele para mim?
ALICE: - Chamo claro.

     As duas se abraçam.

ALICE: - Boa sorte. E força.
BRENDA: - Obrigada.

     Alice sai do quarto. Brenda fica pensativa.

CENA 47. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. DIA.

     Guto está conversando com Sérgio. O movimento no restaurante está calmo. Alice entra no salão e se aproxima dos dois.

ALICE: - Guto!
GUTO: - Fala Alice.
ALICE: - A Brenda está chamando você lá no quarto dela.
SÉRGIO: - Eu acho que ela está com saudades do namorado... (risos)
GUTO: - Então é bom eu ir rapidinho!

     Guto sai animado.

SÉRGIO: - Ela gosta mesmo dele, não é? Que lindo isso...
ALICE: - É Sérgio, mas eu acho que desta vez a história vai mudar um pouco...
SÉRGIO: - Por quê?
ALICE: - É melhor esperar...

     Sérgio fica um pouco confuso, não entendo muito o que está para acontecer.

CENA 48. CASA BRENDA. QUARTO BRENDA. INT. DIA.

Guto entra no quarto. Brenda está olhando na janela. Guto se aproxima de Brenda e a abraça por trás. Dá um beijo no pescoço dela.

GUTO: - Me chamou, meu amor?
BRENDA (se afastando um pouco): - Chamei sim, Guto.

Guto percebe que Brenda está um pouco séria.

GUTO: - Então, o que foi? Você me parece um pouco séria, preocupada talvez...
BRENDA: - Eu nem sei como dizer, por onde começar.
GUTO: - Dizer o quê?
BRENDA; - Guto... Você é um cara muito especial na minha vida, uma pessoa sem igual. Eu tenho por você um carinho que não tenho por mais ninguém, algo inexplicável.
GUTO: - Porque você está me dizendo isso, Brenda?
BRENDA; - Eu juro que eu nunca quis magoar você. Nunca quis usar você. Tudo o que eu passei com você e o que eu senti por você, foi verdadeiro e muito bom. Mas...
GUTO: - Mas...?
BRENDA: - Mas eu não posso mais continuar namorando com você.
GUTO: - Como é que é?
BRENDA; - Eu estou terminando o nosso namoro, Guto. Eu não posso mais namorar com você.

     Guto fica surpreso / entristecido diante de Brenda.

               FIM DO CAPÍTULO



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