domingo, 12 de julho de 2015

Capítulo 35: Mar da vida

Personagens deste capítulo


Adriano
Alberto
Alice
Bento
Brenda
Carvalho
César
Charles
Clarisse
Cristina
Diogo
Felipe
Fredy
Guto
Helena
Henrique
Joaquim
Leandro
Lílian
Marina
Matheus
Matilde
Mônica
Noêmia
Olga
Patrícia
Petrônio
Rogério
Rúbia
Sérgio
Silvana
Sônia
Tânia
Tomás
Vera
Virgínia



Participação Especial









CENA 01. CASA BRENDA. QUARTO BRENDA. INT. DIA.

     Continuação do capítulo anterior. Brenda termina seu namoro com Guto.

GUTO: - Você está brincando comigo, não está? Porque se isso é uma brincadeira, é de péssimo gosto, Brenda!
BRENDA: - Eu nunca brincaria com uma coisa dessas, Guto!...

Guto senta-se na cama, chorando. Brenda se aproxima dele.

BRENDA; - Eu queria fazer você sofrer.
GUTO: - Eu sabia, Brenda. Eu nunca conseguiria fazer você esquecer o César.

Brenda fica sem palavras.

GUTO: - Eu desejo do fundo do meu coração que vocês sejam muito infelizes! Muito infelizes!

Guto sai correndo do quarto. Brenda fica a chorar.

CENA 02. SEQ. CENA 01. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. DIA.

     Guto passa correndo pelo salão. Sérgio tenta falar com ele.

SÉRGIO: - Guto! Guto!

Sérgio fica confuso. Alice se aproxima de Sérgio.

SÉRGIO: - O que será que aconteceu?
ALICE: - Pelo visto, eles terminaram o namoro.
SÉRGIO: - Oh, meu Deus!... E eu ainda elogiei o amor dos dois!
ALICE: - Eu vou lá no quarto ver como a Brenda está. Você toma conta aqui, Sérgio?
SÉRGIO: - Claro, pode ir.

     Alice sai.

CENA 03. SEQ. CENA 02. CALÇADÃO PRAIA REAL. EXT. DIA.

     Guto caminha chorando pelo calçadão. Ele está visivelmente arrasado, entristecido pelo fim do namoro.

CENA 04. CASA BRENDA. QUARTO BRENDA. INT. DIA.

     Brenda chora no quarto. Alice entra no local. As duas se abraçam fortemente.

ALICE: - Agora já passou, Brenda. Você fez o que achou melhor fazer.
BRENDA; - É tão difícil, Alice... Eu não queria que ele sofresse.
ALICE: - Mas vai passar, Brenda. Vai passar e vai ficar tudo bem.

Alice consola Brenda.




CENA 05. APTO FELIPE. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

     Felipe pressiona Tânia sobre a caixa.

FELIPE; - Então, tia Tânia? Não vai me falar o seu segredo?
TÂNIA: - Não há segredo nenhum Felipe! Eu já falei que tenho apenas curiosidade em descobrir o que a Olga guardava na caixa, só isso!...
FELIPE: - Bom, mas se é só isso mesmo, vai até o apartamento da Mônica e pega a caixa.
TÂNIA: - Ah, e você acha é fácil assim?
FELIPE; - Fácil não é. Mas você vai até lá, pede ver a caixa, ela mostra para você, você abre a caixa, vê o que tem lá dentro e pega o que interessa... Ah, tia, você inventa qualquer coisa para a Mônica e acabou. Ela é bobinha, vai aceitar qualquer história...
TÂNIA: - Pois então é isso mesmo que eu vou fazer. Vou até o apartamento da Mônica.

CENA 06. CASA SÔNIA. EXT. DIA.

     Matilde e Joaquim caminham pelas ruas da prainha até chegarem em frente à casa de Sônia.

MATILDE: - Pronto, chegamos.
JOAQUIM: - Chegamos aonde? Aqui?
MATILDE: - Sim, Joaquim, aqui nesta casa. Quero que conheça uma pessoa.

     Os dois ficam a observar a casa. Matilde um pouco ansiosa.

CENA 07. BOUTIQUE POEME. ESCRITÓRIO. INT. DIA.

     Vera e Cristina conversam. Vera mostra para Cristina alguns desenhos, imagens de como ela pensou em decorar a boutique para o coquetel.

VERA: - Então, Cristina, eu pensei em usar para decoração esse tom de azul, que tal?
CRISTINA: - Sei lá... Não sei se ficará bom nesse tom...
VERA: - Ah, eu gostei. Praia Real é bastante conhecida pelo seu mar, as águas...
CRISTINA (interrompendo Vera): - Eu sei, mas é sempre a mesma coisa! A gente precisa fazer algo diferente dessa mesmice de água, água, água!
VERA: - Mas é a marca da cidade...
CRISTINA (irritada): - Ai Vera, chega disso! Eu já falei que não e pronto. Não vai ser esse tom de azul! Não vai ter azul! Não vai ter azul em nada!
VERA: - Por que você está assim comigo? Fica calma, vamos conversar direito!
CRISTINA: - Eu estou calma! Mas você insiste em me irritar com essas coisinhas idiotas que não acrescentam em nada no evento.
VERA: - Que coisinhas, Cristina?! Estamos falando da decoração!
CRISTINA: - Decoração que você quer deixar uma droga, é isso? Não tem uma ideia criativa! Nada! Não sai nada da sua cabeça!
VERA (saindo da sala): - Chega. Eu não vou ficar aqui discutindo com você.
CRISTINA: - Está fugindo porquê? Só porque eu falei que você não pensa, não raciocina, não faz nada que preste aqui dentro!
VERA (para, volta): - Não faço nada que preste? Você não sabe  o que está dizendo, Cristina.
CRISTINA: - Claro que sei, Vera! Você acha que pode fazer tudo aqui dentro, mas na verdade, você não faz nada, não sabe nada!
VERA: - Eu?! Cristina, eu carrego isso aqui nas costas, praticamente! Sou eu q uem ralo para deixar a boutique no lugar de destaque que ela tem hoje, enquanto você fica tendo essas crises de temperamento!
CRISTINA (gritando): - Eu não tenho crise nenhum! Quem tem crise aqui é você!
VERA: - Não grita! Você não está na sua casa!
CRISTINA: - Eu grito! Falo como eu quiser! Essa droga aqui também é minha, Vera! Sou tão dona quanto você, que é uma grande incompetente, isso sim!

     Vera não consegue se conter e dá um tapa na cara de Cristina, que se apóia na mesa. As duas estão à exaustão devido a discussão. Cristina vira-se para Vera, coloca a mão no rosto. Vera fica a encarar a irmã.

VERA: - Eu estou cansada, Cristina. Cansada...

     Vera sai da sala, desanimada. Cristina fica sozinha no local. Ela começa a chorar.

CENA 08. PRÉDIO MÔNICA. PORTARIA. INT. DIA.

     Tânia vai até o prédio de Mônica. Ela entra na portaria do local.

PORTEIRO: - Posso ajudar, senhora?
TÂNIA; - Sim, eu gostaria de falar com Mônica Caetano. Ela é moradora aqui do prédio... Você sabe o número do apartamento dela?
PORTARIA: - Claro que sei sim, a dona Mônica. Mas ela não está em casa não.
TÂNIA; - Ah, não está? Ela deu uma saidinha então?
PORTEIRO: - Na verdade ela foi viajar. Ela e o irmão.
TÂNIA: - Ela viajou é? Que bom...
PORTARIA: - É mesmo.
TÂNIA: - E o senhor sabe para onde ela foi?
PORTARIA: - Isso eu não sei não, senhora. Mas se quiser deixar algum recado... É muito importante?
TÂNIA: - Não, nada de mais. Apenas uma visita de amigas, só isso. Obrigada.

Tânia sai do prédio insatisfeita.

TÂNIA: - Droga! Agora só Deus sabe quando eu vou conseguir pegar a caixa...

CENA 09. RIO DE JANEIRO. AEROPORTO. SAGUÃO. INT. DIA.

     Mônica e Leandro se despedem no aeroporto.

LEANDRO: - Faça boa viagem, meu bem.
MÔNICA: - Obrigada, querido.

     Os dois dão uma bitoquinha.

LEANDRO: - Temos que cuidar. Não podemos dar mancada. Seu irmão é amigo da minha filha. Ele não pode nem desconfiar da gente...
MÔNICA: - Pode deixar que ele não sabe de nada não.
LEANDRO: - E onde ele está?
MÔNICA: - Foi comprar uma revista para ler no vôo. Já deve estar voltando.
LEANDRO: - Então dá tempo de mais uma bitoquinha.

     Os dois se beijam novamente. Mônica avista Ricardo e faz sinal para Leandro. Ricardo se aproxima e os dois disfarçam.

LEANDRO: - Bom, então, façam boa viagem.
MONICA: - Obrigado, doutor Leandro, por poder nos trazer até o aeroporto.
LEANDRO: - Não há o que agradecer, Mônica... Boa viagem, Ricardo. A Sabrina também mandou um forte abraço para você.
RICARDO: - Valeu tio.
MÔNICA: - Vamos, senão perdemos o vôo.

     Mônica e Ricardo seguem para a fila de embarca. Leandro fica a observá-los, principalmente as curvas de Mônica.

LEANDRO: - Ai, meu Deus... Vou ter que ficar longe desse monumento de mulher por quanto tempo, hein?

CENA 10. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

     Adriano recepciona Matilde e Joaquim.

ADRIANO: - Dona Matilde! Prazer em vê-la!
MATILDE; - Como vai Adriano, tudo bem?
ADRIANO: - Tudo bem, com a paz de Deus.
JOAQUIM (a Matilde): - É ele a pessoa que você queria me apresentar?
MATILDE: - Não... Quero dizer, ele também, mas não é a pessoa ainda.
ADRIANO: - O senhor deve ser o seu Joaquim?
JOAQUIM: - Sou sim.
ADRIANO: - Bem, vamos entrando. Fiquem a vontade.

     Matilde e Joaquim entram na sala, sentam-se no sofá.

ADRIANO; - Aceitam um suco, uma água, um cafezinho?
MATILDE: - Eu aceito uma água... Essa caminhada me deu uma sede!
ADRIANO: - E o senhor, seu Joaquim?
JOAQUIM: - Um café, não muito forte, por favor.
ADRIANO: - Certo. Eu vou preparar tudo, num instantinho. Fiquem a vontade.

     Adriano sai.

JOAQUIM: - Afinal, quem é a pessoa, Matilde?
MATILDE: - Calma, Joaquim! Ela deve estar lá em cima. Daqui a pouco ela desce.

     Joaquim fica um pouco desconfiado.

CENA 11. SÃO PAULO. CASA CADU. SALA. INT. DIA.

     Rúbia e Cadu conversam.

CADU: - Dentro dessa sacola, tem os outros tamanhos da barriga, para os próximos meses. Aí você só troca quando precisar.
RÚBIA; - Obrigada, Cadu. Você está sendo um amigão! Nunca vou esquecer o que você está fazendo por mim.
CADU: - Não precisa agradecer não. E eu é que não vou esquecer o que você está fazendo por mim.
RÚBIA; - E o que eu estou fazendo por você?
CADU: - Está mexendo com a minha cabeça e com o meu coração.
RÚBIA (surpresa): - que conversa é essa Cadu? Não estou entendo nada...
CADU: - Claro que está... (se aproximando de Rúbia) Você é esperta, decidida, sabe bem o que quer. E isso me cativou. Me sinto completamente atraído por você.
RÚBIA: - Calma aí, Cadu... Vamos conversar...
CADU: - Eu tenho uma coisa melhor para a gente fazer...

     Cadu beija Rúbia.

CENA 12. BEST FISH. CORREDOR. INT. DIA.

     Marina e Felipe se cruzam no corredor. Ele passa por ela como se não tivesse a visto. Marina também tenta fazer o mesmo, mas não consegue.

MARINA: - Felipe!

Felipe para e vira-se para Marina.

MARINA: - Vamos conversar.
FELIPE; - Eu não tenho o que conversar com você, Marina.
MARINA; - Mas eu tenho uma coisa para falar com você...
FELIPE; - E o que é? Fala logo porque eu estou cheio de serviço.
MARINA; - Eu queria te pedir desculpas por tudo o que eu fiz. Minha intenção nunca foi te prejudicar. Eu só queria entender melhor como as coisas funcionavam aqui dentro na empresa...

Felipe começa a rir, debochando de Marina.

MARINA: - Você está rindo do que?
FELIPE; - Estou rindo da sua cara patética de mocinha arrependida.

Felipe se aproxima de Marina sério, aparência fria, com um certo ódio no olhar.

FELIPE: - Eu sei muito bem que você tentou me ferrar aqui dentro. Mas você não conseguiu. Não me venha com essas desculpinhas esfarrapadas porque eu não acredito em nada que saia dessa sua boca suja.
MARINA; - Assim você está me ofendendo, Felipe. Isso eu não admito!
FELIPE! - Dane-se o que você admite ou não. Eu não tenho confiança nenhuma em você depois de tudo o que você me fez. Não me interessa o que você pensa ou não pensa, Marina. Tanto faz ou tanto fez se você está aqui, se existe ou não existe... Você não é nada para mim, nada, não me interessa!
MARINA: - Porque você está me falando essas coisas, Felipe? Eu estou sendo sincera com você e é isso que eu recebo em troca? Grosserias?
FELIPE: - Você merece coisa pior. Você jogou baixo comigo e é assim que eu vou fazer com você. Jogar como você joga.
MARINA: - Eu não jogo baixo com ninguém, Felipe. Comigo a coisa é justa e clara, muito clara. Gosto da verdade e das coisas ocultas.
FELIPE: - Ok, boa samaritana. Fique com a sua claridade que eu fico com o meu modo de ver e fazer as coisas. Veremos quem se dá melhor nessa disputa.
MARINA: - Não há disputa nenhuma, Felipe! Aqui não é lugar de disputa! Estamos aqui para defender um bem comum, que é a Best Fish.
FELIPE: - Pra mim é. A partir de agora, é guerra Marina. Guerra. Cada um por si.

     Felipe vai embora. Marina fica pensativa no corredor.

CENA 13. OBRAS DO PROJETO AMBIENTAL. INT. DIA.

     Alberto, César, Fredy e Lílian acompanham a reforma do projeto ambiental. Eles caminham por vários ambientes do local, o novo viveiro das aves, a área reservada para os peixes e a estufa das plantas.

CENA 14. SEQ. CENA 13. OBRAS DO PROJETO AMBIENTAL. EXT. DIA.

Alberto, César, Fredy e Lílian conversam do lado de fora das obras.

LÍLIAN: - Está ficando muito bonito. Será bem melhor do que o espaço anterior, com certeza.
ALBERTO: - Sem dúvidas, Lílian. Está muito lindo mesmo.
CÉSAR: - Não vejo a hora de ficar tudo pronto novamente. Não agüento mais ficar sem trabalhar nesse projeto!
FREDY: - Somos dois, meu amigo!
ALBERTO: - Calma rapazes, tudo tem seu tempo. Logo logo isso tudo vai ficar pronto e aí vocês poderão continuar o trabalho de vocês.
LÍLIAN: - E pelo andar das coisas, isso será breve mesmo.
ALBERTO: - Claro, as obras estão bem adiantadas.
FREDY: - Será que ainda dá tempo de colocar uma hidromassagem na minha sala?
ALBERTO: - Hidromassagem?
CÉSAR: - Pra que uma hidromassagem na sua sala, Fredy? Isso aqui é um projeto ambiental e não um spa! (risos)
FREDY: - Eu sei, mas é que eu vou precisar ter meus momentos relaxantes!
ALBERTO (rindo): - Essa é boa, Fredy!
LÍLIAN: - Mas pode deixar que eu relaxo você, com uns bons tapas!

     Lílian dá uns tapinhas em Fredy. Todos riem da brincadeira.
    
CENA 15. SÃO PAULO. CASA CADU. SALA. INT. DIA.

     Rúbia e Cadu se beijam. Rúbia se afasta.

RÚBIA: - Cadu! A gente não pode fazer isso, menino! Ta louco?
CADU: - Louco por quê? A gente já fez isso várias vezes nas baladas!
RÚBIA; - Eu sei, mas agora não dá mais. Aquilo já passou...
CADU: - Mas eu não consegui esquecer, nenhum momento.

Cadu beija Rúbia novamente. Nesse instante, Patrícia entra na casa, pegando Cadu e Rúbia de surpresa.

CADU: - Paty!
RÚBIA: - Como você entrou aqui, assim?!
PATRÍCIA: - Ué gente, a porta estava aberta e eu entrei. Por que o espanto?
CADU: - Por nada não...
RÚBIA: - E aí, comprou tudo o que faltava?
PATRÍCIA: - Tudo o que você me pediu. Mas a gente precisa ir agora, porque o táxi está la fora esperando.
RÚBIA: - Claro, vamos sim.

Rúbia se aproxima de Cadu.

RÚBIA: - Tchau, Cadu. Obrigado mais uma vez.

Os dois se abraçam. Rúbia sai.

PATRÍCIA: - Tchauzinho amigo! Valeu por tudo!
CADU: - Mas vocês já vão embora hoje mesmo?
PATRÍCIA: - Não, partiremos amanhã.
CADU: - Humm...
PATRÍCIA; - Deixa eu ir senão o taxista vai embora e me deixa!
CADU: - Tchau Paty!

Patrícia sai. Cadu fica na sala, pensativo.

CENA 16. CALÇADÃO PRAIA REAL. QUIOSQUE. INT. DIA.

     Sérgio caminha pelo calçadão procurando por Guto, até encontrá-lo num quiosque. Carvalho se aproxima de Guto, que está abatido, sentado numa mesa, bebendo cerveja.

SÉRGIO: - Não sabia que você bebia.
GUTO; - Bebo para esquecer minhas mágoas.
SÉRGIO: - Esquecer não basta. É preciso enfrentá-las e vencê-las... Posso sentar.
GUTO: - Pode.

     Sérgio senta-se.

GUTO: - Ela terminou comigo.
SÉRGIO: - Pois é, eu soube...
GUTO: - Ela não gosta mais de mim. Nunca gostou. Ela sempre gostou daquele playboy. Ela terminou comigo porque quer ficar com ele, Sérgio!
SÉRGIO: - Você gosta muito dela, não é?
GUTO: - Eu amo a Brenda. Amo muito. Não sei o que eu faço agora. Acordei do meu sonho, Sérgio. Minha vida acabou.
SÉRGIO: - Ei, não fale assim! A vida não termina por causa de uma desilusão amorosa. E falo isso por experiência própria rapaz, pode ter certeza disso. Eu sei que é difícil você perder a pessoa amada, mas, tenta ver por outro lado essa história toda... A Brenda terminou com você agora para não te fazer sofrer logo ali adiante. Ela foi corajosa em se abrir com você, em ser sincera. Certamente, ela não conseguiria ser feliz e nem fazer você feliz.
GUTO: - Mas eu era feliz, Sérgio! Eu era!
SÉRGIO: - Mas você gostaria de ter ao seu lado alguém que não está feliz só para que você se sinta bem?

     Guto olha para Sérgio, consentindo com o que ele lhe disse.

SÉRGIO: - Acredite, meu amigo. Por mais duro que tenha sido, foi melhor assim.

CENA 17. TRANSIÇÃO DO TEMPO. ANOITECER / CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

     Imagens de Praia Real ao anoitecer. Corta para casa de Sônia. Joaquim está impaciente.

JOAQUIM (impaciente): - Vamos embora, Matilde! Olha lá! Já está anoitecendo e nada dessa pessoa que você quer me apresentar! Vamos embora!
ADRIANO: - Espere mais um pouco, seu Joaquim. Ela já deve estar chegando.
MATILDE: - É, Joaquim! Vamos esperar mais um pouco!
JOAQUIM: - Só mais um pouquinho, viu? O restaurante está sozinho lá!
MATILDE: - Não está sozinho, não... A Brenda, a Alice e os meninos estão tomando conta dele direitinho. Fica calmo... Daqui a gente já vai.

Joaquim aceita ficar mais um pouco. Adriano e Matilde se olham cúmplices e aliviados.

CENA 18. LONDRES. APTO MATHEUS. INT. NOITE.

     Matheus e Willian chegam ao apartamento.

WILLIAN; - Gostou do passeio, Matheus?
MATHEUS; - Gostei muito, Willian. A cidade, a faculdade, é tudo muito bonito, diferente...
WILLIAN; - Bom que você gostou. Fico feliz. Amanhã a gente conhece melhor a universidade. Hoje eu te mostrei de um modo mais geral.
MATHEUS; - Sem problemas...

Matheus pega o telefone e começa a discar.

WILLIAN; - Está ligando para sua mãe?
MATHEUS: - Não. Vou ligar para a Alice, minha namorada.

Rapidamente, Willian pega o telefone das mãos de Matheus, que fica surpreso pela atitude de Willian.

MATHEUS: - O que foi Willian? O que você está fazendo?
WILLAIN; - Você não pode ligar para o Brasil a essa hora, rapaz!
MATHEUS: - Mas porque não? O fuso horário não impede em nada...
WILLIAN: - Eu sei, mas há uma pequena tarifa cobrada para ligações internacionais depois de um certo horário aqui. Coisas bobas da lei, mas é bom não gastar não é?
MATHEUS; - Não sabia disso não... Nunca ouvi falar disso. Coisa boba mesmo.
WILLIAN: - Pois é, coisas de Londres. Há tantas outras coisas que você ainda vai saber sobre essa cidade... Bom, agora trate de dormir, porque amanhã será um dia longo.
MATHEUS: - Pode deixar. Valeu Willian. Boa noite.
WILLIAN: - Boa noite.

Willian sai do apartamento.

MATHEUS: - Bom, então amanhã de manhã eu ligo para Alice. Estou morrendo de saudade dela!



CENA 19. SEQ. CENA 18. LONDRES. PORTARIA PRÉDIO. INT. NOITE.

     Willian pede para que a linha telefônica do apartamento de Matheus seja bloqueada. O funcionário faz o serviço. Willian agradece e vai embora.

CENA 20. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. NOITE.

     Guto chega com Sérgio no restaurante. Ele encontra Brenda, que está no balcão do caixa. Os dois se olham, mas Guto não fala com ela. Ele pega o avental e vai atender os clientes. Alice também está atendendo. Sérgio se aproxima dela.

SÉRGIO: - Conversei com ele. Acho que ele vai superar.
ALICE: - Tomara, Sérgio. Ele não merece sofrer não. Agora vamos trabalhar, porque o movimento está começando a aumentar.
SÉRGIO: - Vamos sim. Bora lá!

Sérgio e Alice atendem os clientes.

CENA 21. BOUTIQUE POEME. EXT. NOITE.

     Vera parada na frente da loja, quando Cristina para com seu carro.

CRISTINA; - Quer uma carona?
VERA: - Eu estou esperando o táxi. Obrigada.
CRISTINA: - Aceita, Vera, por favor! Vamos conversar!

Vera pensa um pouco e aceita o pedido de Cristina. Vera entra no carro e as duas partem.

CENA 22. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. NOITE.

     Alice está atendendo um cliente quando vê Helena na porta do restaurante. Helena vê Alice. As duas se aproximam.

ALICE; - Dona Helena, a senhora aqui?
HELENA; - Tive que fazer esse sacrifício. Eu preciso falar com você. É importante e do seu interesse, certamente.
ALICE: - Claro.
HELENA: - Num lugar mais calmo, de preferência. Só eu e você.
ALICE; - Tudo bem. Vem comigo.

     Alice e Helena seguem para dentro de casa. Alice faz sinal para Brenda avisando que irá falar com Helena. Brenda compreende.

CENA 23. PRÉDIO VERA. EXT. NITE.

Cristina para o carro em frente ao prédio onde Vera mora. No carro, as duas conversam.

CRISTINA: - Olha só Vera, eu sei que eu fui um pouco hostil com você hoje... Eu sei que você entende, não é? É muito trabalho, muita coisa para se resolver e...
VERA (interrompendo Cristina): - Não, Cristina. Eu não entendo. Eu estou cansada! Estou cheia dessas suas crises, desses seus ataques!
CRISTINA; - Me desculpa! Eu sei que às vezes eu exagero, me desculpa!
VERA: - Eu só vou desculpar você, depois que você se tratar.
CRISTINA: - Como assim, Vera? Você acha que eu preciso de médico também, é isso?
VERA: - Acho. Concordo plenamente com o Tomás, Cristina. Você precisa se tratar. Você está doente!

Cristina fica surpresa com os dizeres de Vera.

VERA: - Você está doente e está fazendo com que todo mundo a sua volta fique com os nervos a flor da pele!
CRISTINA: - Eu não estou doente, Vera! Eu não preciso de médico nenhum!
VERA: - Precisa sim! Como não? Você vai querer me dizer que esses seus ataques, esse seu comportamento se alterando de uma hora para outra é normal?

Cristina fica calada.

VERA: - Foi no seu aniversário, foi com a Zoraide na boutique, foi na festa de reinauguração da Cia de Navegação do Henrique... Você precisa saber o que se passa com você mesma, Cristina. É para o seu bem e para o bem da sua família.

Cristina se emociona.

VERA; - Eu não estou falando isso para te julgar de alguma coisa, para prejudicar você, te ferir. É porque eu quero que você fique bem, que você não precise ficar se alterando, da raiva à tristeza repentina, que você não passe a ser uma pessoa intolerável, Cristina. Eu amo você, querida! Você é minha irmã! Eu só quero o seu bem.

Vera abraça Cristina, que chora. As duas estão muito emocionadas. Vera desce do carro. Cristina fica pensativa. Liga o carro e vai embora.

CENA 24. CASA HENRIQUE. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

     Silvana está lendo uma revista na sala, quando Henrique entra apressado no local.

SILVANA: - Vai sair, Henrique?
HENRIQUE: - Vou, Silvana. Me ligaram lá da companhia, aconteceu um problema lá e eu preciso ir lá resolver.
SILVANA: - À essa hora?
HENRIQUE: - Pra você ver como são as coisas. Prometo não demorar.
SILVANA; - Tudo bem, não tem problema.

Henrique vai saindo.

SILVANA; - Ei, não esqueceu de nada?
HENRIUQE; - Acho que não.
SILVANA: - Meu beijo, Henrique!

Henrique se aproxima de Silvana e dá um selinho nela.

SILVANA; - Só isso, Henrique? Um selinho?

Henrique a beija intensamente.

HENRIQUE: - Assim está bom?
SILVANA: - Nossa, bem melhor!

Henrique sai rapidamente. Silvana fica na sala, impressionada com o beijo.

SILVANA: - Esse foi demais!... Nossa, meu Deus!...

CENA 25. SEQ. CENA 24. RUA PRAINHA. EXT. NOITE.

     Sonia espera Henrique, ansiosa. Ele chega.

HENRIQUE: - Desculpa a demora, mas eu tive que inventar uma boa desculpa para a Silvana.
SÔNIA; - Não tem problema. Agora vamos logos que eles devem estar esperando a gente.

Os dois partem para a casa de Sônia.

CENA 26. CASA BRENDA. QUARTO ALICE. INT. NOITE.

     Alice entra no quarto com Helena, que observa tudo com desdém.

HELENA: - Então é aqui que você mora...
ALICE: - Sim, é aqui sim. E moro muito bem.
HELENA: - Posso imaginar.
ALICE; - Mas você veio aqui para reparar na minha casa ou veio para falar comigo?
HELENA: - Para falar com você, é claro... Bem, eu vou ir direto ao assunto.

Helena abre a bolsa e retira um envelope. Ela oferece o envelope para Alice.

ALICE: - O que é isso?
HELENA; - Aqui dentro tem uma boa quantia de dinheiro para que você aborte essa criança.

Alice fica completamente surpresa com a atitude de Helena.

HELENA: - Vamos, pega logo esse dinheiro.

As duas ficam a se olhar.

CENA 27. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

     Joaquim está decidido a ir embora da casa de Sônia. Adriano e Matilde tentam contê-lo.

JOAQUIM: - Já chega, Matilde. Eu não vou mais ficar aqui esperando alguém que não vem!
MATILDE: - Por favor, Joaquim! Espere só mais um pouco!
JOAQUIM: - Não, Matilde, eu já esperei demais!... Por favor, moço, pode abrir a porta para nós, porque nós já estamos de saída.

Nesse instante, Henrique e Sônia chegam em casa e se encontram com Joaquim. Ele fica a olhar incrédulo para Sônia.

               FIM DO CAPÍTULO


     

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