CENA
01. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.
Continuação
do capítulo anterior. Joaquim se encontra com Henrique e Sônia. Ele está
totalmente surpreso.
JOAQUIM: - O que está acontecendo aqui?
MATILDE: - Está aí a pessoa que eu queria que
você visse, Joaquim. A sua filha, Sônia.
JOAQUIM: - Filha? Eu não tenho mais filha.
Minha filha morreu. E há muito tempo.
MATILDE: - Não fale assim, Joaquim!
JOAQUIM: - Vamos embora, Matilde, agora! Essa
brincadeirinha já acabou aqui!
HENRIQUE: - Você vai fugir novamente, seu
Joaquim?
JOAQUIM: - Quem é você para falar em fugir,
Henrique? Pelo o que eu saiba, o fujão da história é você e não eu!
SÔNIA: - Calma, gente! Vamos resolver isso
tudo de uma forma mais calma, por favor!
JOAQUIM: - Não há mais nada para resolver!
SÔNIA: - Claro que há, papai!... Eu tive que
abandonar uma vida e recomeçar outra, deixei para trás uma filha e uma família
que eu amava muito. Eu não posso mais continuar vivendo assim, longe disso
tudo. E você vai ter que ficar para ouvir tudo o que eu e o Henrique temos a
dizer. Essa história vai ser resolvida aqui e agora.
Sônia
e Joaquim se encaram.
CENA
02. SÃO PAULO. HOTEL. QUARTO. INT. NOITE.
Rúbia
e Patrícia conversam no quarto. Patrícia deitada na cama, observando Rúbia que
veste novamente a barriga falsa.
PATRÍCIA: - Rúbia, é muito perfeito! Parece
grávida mesmo!
RÚBIA (vira-se séria para Patrícia): - Ei,
ei... Já falei para o Cadu e vou falar para você também. Eu não pareço uma
grávida. Eu sou uma grávida!
PATRÍCIA: - Tudo bem, foi só modo de dizer...
Mas ficou muito bom mesmo.
RÚBIA: - Ficou ótimo!... E o Cadu ainda me
deu os outros tamanhos para usar conforme vai passando os meses.
PATRÍCIA: - Mas Rúbia, como você vai fazer
para esconder a barriga da sua família, da família do César? Porque eles vão
querer ver a barriga, tocar, sentir, sei lá!... E aí, como você vai fazer para
que ninguém saiba da verdade...?
RÚBIA: - Sei lá, ainda não pensei nisso.
PATRÍCIA; - Mas você precisa pensar, porque
isso será algo praticamente inevitável. Todo mundo vai querer tocar, sentir o
bebê...
RÚBIA: - Ninguém vai tocar na minha barriga,
ninguém!
PATRÍCIA: - Nem o César?
RÚBIA: - Nem o César...
Rúbia
caminha de um lado a outro do quarto, pensando.
PATRÍCIA: - O que foi? O que você está pensando?
RÚBIA: - Você vai saber... Só deixa eu
amadurecer a minha ideia aqui, quietinha, com a minha barriga, com o meu
bebê...
CENA
03. CASA BRENDA. QUARTO ALICE. INT. NOITE.
Alice
fica a olhar o dinheiro que Helena lhe oferece.
HELENA: - Vamos garota! Pega logo esse
dinheiro e acaba com essa história de uma vez. Vamos, pega logo!
Alice permanece sem nenhuma
reação. Helena fica a olhar para ela.
HELENA: - Você está pensando ainda se vai
querer ou não o dinheiro, é isso? Ah, meu Deus! Mas gente pobre é dose, viu?...
Não tem que pensar em nada não, menina! Você é uma coitada, não tem onde cair
morta, mal pode sustentar a si mesma, quem dirá uma criança!... Pega logo esse
envelope, procura um lugar pra tirar essa criança, mas, olha só, tem que ser um
lugar bom! Não pode ir em qualquer lugar, que não faz o serviço direito... Mas
pela sua cara, qualquer açougueiro que você for já está de bom tamanho, não é?
Batarinho, não gasta todo esse dinheiro, ainda sobre pra comprar uma
roupinha... Não é assim que você faz?
Alice fica a olhar para Helena,
séria. Helena continua segurando o envelope, oferecendo para Alice, que não se
manifesta.
HELENA (deixando o envelope sobre a cama): -
Bom, eu sei que você deve estar com vergonha de aceitar o meu presente. Então
eu vou deixar aqui, aí você pega e faz o que deve ser feito. Vai ser melhor
para você, para o Matheus e para mim, obviamente.
Helena vai saindo do quarto.
ALICE: - Eu não quero seu dinheiro.
Helena para e vira-se para Alice.
ALICE: - Pode levar embora o seu dinheiro
sujo.
HELENA: - Você sabe quantas pessoas podem
estar precisando desse dinheiro e você recusando?
ALICE: - Se há outras pessoas precisando, dê
para elas esse dinheiro, se você faz tanta questão de ajudar alguém.
HELENA: - Ainda por cima é atrevida...
ALICE: - Atrevida é a senhora que vem até
aqui a minha casa, me oferecer dinheiro para abortar o meu filho, coisa que
nunca, nunca eu vou fazer!
HELENA: - Você só pode estar louca! Essa
criança não terá futuro nenhum!
ALICE: - Louca é a senhora que tenta
controlar a vida do seu filho e atrapalhar a felicidade das outras pessoas.
Essa criança terá tudo o que uma criança precisa e merece para crescer feliz e
com dignidade.
HELENA: - Que palavras lindas, Alice... Mas
totalmente fora de contexto. Onde há a possibilidade de uma criança crescer
feliz e digna vivendo nos fundos de um restaurante vagabundo?
ALICE: - Eu sou a prova disso.
HELENA: - Ah, você?
ALICE; - Sim, eu mesma. E também tenho aqui
em minha frente a prova de que dinheiro não molda caráter nem respeito e
humildade.
Helena fica sem reação.
ALICE: - O seu dinheiro não vai impedir que
eu seja feliz, Helena. A sua vontade não vai prevalecer sobre a felicidade do
Matheus nem sobre a minha felicidade e a do nosso filho, que eu terei o maior
prazer em conceber. E pode apostar, que eu farei de tudo para que essa criança
seja um ser humano de valores e boas virtudes, que irá ensinar muito sobre o
viver para todos. Principalmente para você.
HELENA: - Sua ordinária, sem vergonha.
ALICE: - Pegue o seu dinheiro e saia daqui.
Agora!
Helena se aproxima de Alice.
HELENA: - Você vai se arrepender de não ter
aceito o meu dinheiro e de ter me dito todos esses desaforos.
ALICE: - A senhora pode ter certeza que não.
Helena se afasta, pega o envelope
de dinheiro e sai rapidamente. Alice permanece no quarto, forte, satisfeita da
sua atitude.
CENA
04. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. NOITE.
Helena
entra rapidamente no salão, indo em direção à saída. Guto tenta falar com ela.
GUTO: - A senhora precisa de alguma coisa?
HELENA: - Eu preciso ir embora desse moquifo
antes que eu tenha um ataque cardíaco diante de tanta sujeira e gente pobre,
como você!
Helena vai embora. Guto fica a
olhar.
GUTO: - Mas que mulher louca!... Vai embora
mesmo!... Eu hein!
CENA
05. CASA BRENDA. QUARTO ALICE. INT. NOITE.
Alice
olha o céu pela janela, enquanto acaricia sua barriga.
ALICE; - Ninguém vai atrapalhar a nossa felicidade,
meu filho. Ninguém!
CENA
06. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.
Sônia,
Matilde, Joaquim, Henrique e Adriano conversam.
JOAQUIM: - Isso é uma afronta à minha
pessoa...
SÔNIA: - Não estamos afrontando ninguém,
papai. Só queremos resolver essas pendências do passado, que mudaram a história
das nossas vidas.
ADRIANO: - Vamos sentar, conversar
calmamente.
Matilde e Joaquim sentam-se lado
a lado. Henrique senta-se de um outro lado, próximo a Adriano. Sônia permanece
de pé.
MATILDE; - Não vai sentar também, querida?
SÔNIA: - Não, mamãe. Eu não vou conseguir
ficar sentada...
HENRIQUE: - Eu começo ou você começa, Sônia?
JOAQUIM (irônico): - Ah, vocês não ensaiaram?
SÔNIA (a Joaquim) - Não, papai. Ninguém
ensaiou coisa alguma aqui, até porque não há nada para ser ensaiado. (a
Henrique) Eu começo Henrique, não vou conseguir me segurar por muito tempo.
HENRIQUE: - Tudo bem.
SONIA: - Mas eu gostaria de conversar a sós
com você, papai.
Todos ficam surpresos.
MATILDE: - A sós?
SÔNIA; - Sim, apenas eu e ele. Vamos?
CENA
07. CASA SONIA. ESCRITÓRIO. INT. NOITE.
Sonia
conversa a sós com Joaquim.
JOAQUIM: - O que você tem de tão revelador
para me contar que precisa ser a sós?
SÔNIA: - Não há nada de revelador na história
que você já sabe...
JOAQUIM: - Eu não sei de história alguma.
SÔNIA: - Sabe sim, papai. Não minta para você
mesmo.
JOAQUIM: - Por que você insiste em me chamar
de pai?
SÔNIA; - Porque você é o meu pai! Você faz
parte da minha família, me criou, me ensinou tantas coisas... E me forçou a aprender
tantas outras nas durezas da vida.
JOAQUIM: - Você sabe muito bem que eu fiz o
que era certo.
SÔNIA: - Certo para quem? Para mim ou para
você?... Você nem me deu a oportunidade de explicar, de expor os meus
sentimentos, as minhas razões!... Você não se deu o direito de ouvir aquilo que
eu tinha para dizer!
JOAQUIM: - Você era mãe solteira!
SÔNIA; - Mas isso não pode ser uma
justificativa para o seu ato de me expulsar de casa, sob as acusações de ser
uma prostituta!
Fica
um silêncio, por instantes.
SÔNIA: -Eu e a Cláudia éramos amigas, mas eu
não fazia o que ela fazia. Eu não vendia o meu corpo.
JOAQUIM: - Mas se atirou nos braços desse sem
vergonha do Henrique, que só te iludiu e fugiu da responsabilidade de assumir
você e a criança!
SÔNIA: - O Henrique foi embora sem saber que
eu estava grávida! Ele não sabia!... Eu e ele já conversamos sobre isso. Ele me
falou tudo...
JOAQUIM: - E você novamente acreditou nele,
como sempre.
SÔNIA; - Não se trata de acreditar ou não. É
aceitar, papai! É a verdade que está ali, na frente dos seus olhos... Não há
como negá-la, escondê-la, enterrá-la, como você fez durante mais de vinte anos!
JOAQUIM; - Eu fiz isso para proteger as
meninas! Elas não mereciam viver essa tragédia toda, essa vergonha de pais
desconhecidos, de família desestruturada!
SÔNIA: - Mas agora elas podem, papai!... Elas
podem saber que a história do acidente é uma mentira, que elas não são irmãs,
que seus pais estão vivos...
JOAQUIM; - Que a vida delas, durante todos
esses anos, foi uma mentira...
SÔNIA (emocionada): - Mas que será
transformada em verdade, para que elas possam viver mais felizes, para que elas
possam buscar um amanhã mais alegre, mais amoroso e prazeroso de viver... Assim
como eu estou buscando.
Sônia
e Joaquim se olham. Os dois estão visivelmente emocionados.
SÔNIA; - Eu só quero reencontrar a minha
vida, papai, só isso.
JOAQUIM: - Eu também quero... Minha filha.
Os
dois se aproximam e se abraçam fortemente.
JOAQUIM: - Você me perdoa? Me perdoa por tudo
o que eu fiz para você, meu amor? Você me perdoa?
SÔNIA; - Perdôo sim, papai. Para a nossa
felicidade.
Os
dois permanecem abraçados.
CENA
08. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. NOITE.
Brenda
está no balcão do caixa, quando recebe uma ligação de César.
BRENDA; - Alô?
(T)
BRENDA; - oi meu amor!...
(T)
BRENDA: - Sim... Estou com saudades de você.
Guto, de longe, observa a
conversa e deduz que é César quem está falando com Brenda. Nesse instante,
Sérgio se aproxima dele.
SÉRGIO: - Ei, rapaz, bola pra frente cara!
GUTO: - Vai ser difícil, Sérgio. Não sei
não...
SÉRGIO: - Pode ser difícil, mas não é
impossível. Você precisa viver a sua vida agora. A Brenda vai viver a dela.
Sérgio se afasta. Enquanto isso,
Brenda conversa com César ao telefone.
BRENDA; - Amanhã de manhã?
(T)
BRENDA; - Ah, acho que dá sim...
(T)
BRENDA: - Está bom, eu vou encontrar você
sim, pode me esperar.
(T)
BRENDA; - Também amo você.
(T)
BRENDA; - Tchauzinho.
Brenda desliga o telefone. Ela
percebe que Guto está olhando. Ele encara Brenda. Brenda tenta disfarçar. Guto
vai atender uma mesa. Brenda fica um pouco sem jeito. Nesse instante, Alice se
aproxima dela.
ALICE; - O que foi, porque está com essa
cara?
BRENDA; - O César acabou de me ligar, me
convidando para sair.
ALICE: - Mas isso não é motivo para ficar
feliz?
BRENDA: - É, mas o Guto viu tudo... Estou me
sentindo péssima...
ALICE; - Ai amiga, não fica assim não. Logo
logo ele vai entender que é do César que você gosta e vai encontrar outra
pessoa, você vai ver.
BRENDA; - Tomara... Mas e aí, o que a mãe do
Matheus veio falar com você?
ALICE; - Ai, nem me fala! Essa mulher é
totalmente louca... Mas depois eu te conto, agora não dá!
BRENDA: - Não dá mesmo. Tem uma mesa chamando
lá!
Alice vai atender a mesa,
enquanto Brenda fica pensativa no balcão.
CENA
09. CASA TOMÁS. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.
Cristina
chega em casa um pouco atordoada, com o pensamento longe... Atira a bolsa no
sofá, senta-se na poltrona e fica a pensar.
Em OFF, os dizeres de Vera, da
conversa que elas tiveram no carro. (“Você
precisa se tratar. Você está doente!... Você está doente e está fazendo com que
todo mundo a sua volta fique com os nervos a flor da pele!... Foi no seu
aniversário, foi com a Zoraide na boutique, foi na festa de reinauguração da
Cia de Navegação do Henrique... Você precisa saber o que se passa com você mesma,
Cristina. É para o seu bem e para o bem da sua família”).
Cristina fica pensativa, sozinha,
na sala.
CENA
10. CASA SÔNIA. ESCRITÓRIO. INT. NOITE.
Sônia
e Joaquim estão frente a frente, sorridentes um para outro.
SÔNIA: - Você nem imagina o quanto eu estive
ansiosa por esse abraço... Por ver o seu sorriso novamente, papai.
JOAQUIM: - E eu então?!
Os dois riem.
SÔNIA: - Agora que nós estamos juntos
novamente, não vamos mais nos separar... Nunca mais!
JOAQUIM: - Nunca mais, jamais, em qualquer
hipótese!
Os dois se abraçam felizes.
CENA
11. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.
Matilde,
Adriano e Henrique aguardam ansiosos na sala.
MATILDE: - Oh, meu Deus, o que será que está
acontecendo lá dentro?
HENRIQUE: - Eles estão se entendendo, dona
Matilde.
MATILDE: - Mas durante todo esse tempo? Eu já
estou ficando preocupada!
ADRIANO: - Fique calma, dona Matilde. Está
tudo bem.
Adriano se aproxima da mesa e
serve um copo com água e oferece para Matilde.
ADRIANO: - Beba, vai fazer bem.
MATILDE: - Obrigada querido.
Adriano retorna à mesa para
servir mais água para si. Henrique se aproxima.
HENRIQUE: - Está sabendo agradar bem a sogra,
Adriano.
ADRIANO: - Está falando isso porquê? Está com
ciúmes, é?
HENRIQUE; - Não, nem um pouco... Só estou,
digamos assim, admirado com todo esse carinho entre vocês.
ADRIANO: - Pois saiba que eu dispenso a sua
admiração... e seu eu fosse você, ao invés de ficar perdendo tempo com esse
tipo de coisa, se preocupava em contar a verdade para a sua esposa.
HENRIQUE: - Da minha vida cuido eu.
ADRIANO: - Pois então trate de cuidá-la e
parar de ficar secando a minha vida com a Sônia e a família dela.
Adriano se afasta. Henrique fica
pensativo.
CENA
12. CASA HENRIQUE. QUARTO HENRIQUE. INT. NOITE.
Silvana
abre as portas do guarda-roupas de Henrique e vasculha cada peça de roupa dele.
Ela olha todos os bolsos de calças, camisas. Olha as gavetas, cheira as roupas,
procura marcas de batom nas camisas.
CENA
13. APTO FELIPE. QUARTO. INT. NOITE.
Felipe está ao celular, de frente
para a janela do seu quarto, olhando a vista da cidade à noite.
FELIPE: - Eu quero o melhor e o mais que
vocês têm aí.
(T)
FELIPE: - Isso mesmo. Eu quero serviço de
qualidade.
(T)
FELIPE: - Tudo bem. Obrigado.
Felipe desliga o telefone e
continua a olhar a vista da cidade.
CENA
14. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.
Adriano,
Matilde e Henrique estão na sala, quando Sônia e Joaquim entram no local.
Matilde levanta-se do sofá ansiosa. Adriano e Henrique também demonstram
ansiedade.
MATILDE: - E então?
Joaquim
e Sônia se olham e sorriem. Matilde se emociona e abraça a filha. Joaquim
abraça as duas.
MATILDE: - Vocês não sabem o quanto eu rezei
para que Deus me desse de presente esse momento. Minha filha e meu marido, se
entendendo finalmente.
SÔNIA: - Ele atendeu não só você mamãe, mas a
mim também.
ADRIANO: - Que bom que vocês se entenderam.
Eu torci muito por isso!
Joaquim
se aproxima de Henrique. Os dois se olham. Joaquim estende a mão para Henrique,
que o encara por um instante. Adriano, Sônia e Matilde ficam apreensivos.
JOAQUIM: - Aceite meu compromisso, Henrique.
É um gesto para que possamos recomeçar essa nossa relação, esquecendo os
desafetos do passado que tivemos.
HENRIQUE: - Eu sei que o senhor nunca gostou
de mim, ainda mais depois da gravidez da Sônia. Mas agora, depois de tanto
tempo e com essa ligação entre nós, que é a Brenda, não cabe mesmo desafetos.
Henrique
cumprimenta Joaquim. Matilde e Sônia ficam felizes. Adriano busca na cozinha, champanhe
e taças, para brindarem.
MATILDE: - Enfim, paz!
Adriano
abre o champanhe. Serve a todos.
ADRIANO: - Isso merece um brinde!
Todos
pegam as taças.
HENRIQUE: - Brindemos então!
MATILDE: - À família!
JOAQUIM: - À união!
SÔNIA: - A um recomeço!
Todos
brindam felizes.
CENA
15. CASA VIRGÍNIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.
Marina conversa com a mãe,
deitada no sofá com a cabeça sobre o colo de Virgínia.
VIRGÍNIA: - Oh, minha filha... Não gosto de
ver você assim, tristonha... Você é sempre cheia de vida, de luz, de luxo e
glamour... Agora está tão sem cor...
MARINA: - Eu sei mamãe, mas eu realmente
estou pra baixo, viu... Nossa,
aconteceram tantas coisas comigo... Coisas que me fazem sentir culpada, sabe?
VIRGÍNIA: - Como assim, meu amor?
MARINA; - Primeiro lá na empresa... Eu
apresentei um dossiê para os diretores da empresa, mostrando possíveis fraudes
nas finanças, mas o Felipe conseguiu provar que não era verdade... Depois, o
Felipe vai embora da mansão...
VIRGÍNIA: - Como é que é? O Felipe foi embora
da mansão?
MARINA: - Foi mamãe, me fazendo ser acusada
de perseguir ele...
VIRGÍNIA; - Como assim? Ele te acusou de
perseguição?
MARINA; - Sim, mamãe. Ele disse que não dava
mais para viver na mansão com alguém que não gosta dele, que o persegue...
VIRGÍNIA; - Mas, meu bem, desde o enterro da
Olga que eu percebo que você anda com desconfiança para cima do Felipe.
MARINA: - De certa forma ele tem razão nessa
história, mamãe. Eu andei mesmo perseguindo ele, mas não para derrubá-lo, tirar
o lugar dele da empresa. Mas é que queria entender alguns processos lá dentro,
que ele não me mostrava, que ele se negava a me explicar. Aí eu busquei por mim
mesma até que encontrei uns documentos que eram diferentes daqueles que ele
mostrava como sendo verdadeiros, corretos... Isso me deixou encucada, curiosa
em saber mais e aí...
VIRGÍNIA; - E aí você não descansou enquanto
não descobrir o que realmente aconteceu... Conheço bem você, Marina... Gênio
difícil!
MARINA: - Mas o que pesa mais em mim é que
eu, mesmo sem a intenção, fiz o Felipe sair da casa onde ele sempre morou,
cresceu, sabe?
VIRGÍNIA: - Ah, Marina... Felipe já é bem
grandinho. Sabe bem o que quer. Se ele
saiu da mansão, foi porque quis, por conta própria! Você não precisa se
preocupar com isso não...
Nesse
instante, Carvalho chega em casa, trazendo pizza.
CARVALHO; - Prontinho! Está aqui o nosso
jantar!
VIRGÍNIA (um tanto decepcionada): - Pizza,
Carvalho?
CARVALHO: - Foi o que deu pra comprar, meu
bem! Com os trocados que você me deu...
MARINA: - Por que trocados? Vocês já
utilizaram todo aquele dinheiro que eu dei?
CARVALHO: - A sua mãe gastou quase tudo,
Marina, comprando um vestido novo.
MARINA: - Mamãe!
VIRGÍNIA: - Como você é Carvalho! Não tinha
que falar nada não! Dar com a língua nos dentes!
MARINA; - Tinha que falar sim, Carvalho. Você
fez muito bem... Mamãe! Você precisa poupar o dinheiro! É para a casa, para as
contas...
VIRGÍNIA: - Eu sei, eu sei, mas é que eu não
resisti! O vestido é lindo!... Ah, Marina, você sabe como eu sou...
MARINA: - Claro que sei, mãezinha, por isso
eu te perdôo... (abraçando Virgínia). Mas promete que não faz isso novamente!
VORGÍNIA: - Prometo!
CARVALHO (sentado à mesa): - E eu prometo que
como toda essa pizza sozinho se as senhoritas não vierem jantar comigo!
MARINA; - Opa, já estamos indo!
As
duas sentam-se à mesa junto com Carvalho.
CENA
16. SÃO PAULO. HOTEL. QUARTO. INT. NOITE.
Rúbia e Patrícia estão se
preparando para dormir, quando alguém bate à porta do quarto.
PATRÍCIA: - Quem será?
RÚBIA: - Não faço a mínima ideia. Deve ser
algum empregado do hotel... Ah, Paty, atende lá, vê o que ele quer...
Patrícia vai atender a porta. Ela
abre e se surpreende.
PATRÍCIA; - Cadu?!
CADU: - A Rúbia está aí?
PATRÍCIA: - Está sim. Aconteceu alguma coisa?
CADU (entrando no quarto): - Eu preciso falar
com ela.
RÚBIA (surpresa): - Cadu?! O que você está
fazendo aqui?
CADU: - Eu preciso falar com você, Rúbia.
Rúbia se surpreende com Cadu.
CENA
17. APTO FELIPE. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.
Felipe serve champanhe em duas
taças, quando a campainha toca. Ele atende. É um garoto de programa.
GAROTO DE PROGRAMA: - Foi daqui que chamaram
o serviço?
FELIPE: - Foi sim. Entra.
O
rapaz entra. Felipe fecha a porta. O rapaz o aguarda. Felipe pega as taças e
oferece uma para ele. Os dois ficam a se olhar.
GAROTO DE PROGRAMA: - Será só nós dois?
FELIPE: - Tem diferença no serviço?
GAROTO DE PROGRAMA: - O preço aumenta um
pouco.
FELIPE: - Quanto?
GAROTO DE PROGRAMA (bebe um gole do
champanhe): - Mil reais.
FELIPE: - Eu pago.
GAROTO DE PROGRAMA: - E onde está a outra
pessoa?
FELIPE: - Não há outra pessoa.
O
rapaz fica um pouco surpreso.
FELIPE (bebe um gole do champanhe): - Eu pago
os mil reais para você. Não me importo.
Felipe
pega as taças e coloca sobre a mesa de centro. Pega na mão do rapaz e o leva
para o interior do apartamento.
CENA
18. APTO FELIPE. QUARTO. INT. NOITE.
Felipe
entra com o rapaz dentro de seu quarto. Felipe empurra o rapaz, que cai sobre a
cama. Felipe abre um sorriso sacana no rosto. O rapaz olha para ele, malicioso.
Felipe tira a camisa e se joga sobre o rapaz. Os dois se olham cheios de desejo
e se beijam.
CENA
19. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.
Sônia, Adriano, Henrique, Matilde
e Joaquim comemoram.
ADRIANO: - Bom, agora que está tudo
esclarecido, já se pode pensar em quando falar com as meninas, não?
SONIA: - Podemos sim... O que você acha,
papai?
JOAQUIM; - Já podemos pensar sim, mas num
outro momento, pessoal... Meu coração já sofreu emoções demais por hoje.
MATILDE: - É mesmo. Melhor conversarmos sobre
isso uma outra hora.
JOAQUIM: - Já podemos ir embora, Matilde. As
meninas devem estar preocupadas conosco lá no restaurante.
MATILDE: - É mesmo querido! Vamos sim.
HENRIQUE: - Bom, eu também já vou indo...
SÔNIA: - Eu acompanho vocês até a porta.
Adriano se despede de Matilde e
Joaquim, e de Henrique. Sônia os acompanha até a porta. Abraça fortemente
Matilde e Joaquim, que vão embora. Ficam apenas Sônia e Henrique na porta.
SÔNIA: - Obrigada por estar aqui presente
hoje.
HENRIQUE: - Só fiz isso por você... Sabe
disso.
SÔNIA: - Obrigada.
HENRIQUE; - Não me agradeça agora... Teremos
outras oportunidades para você me agradecer. Quando estiver apenas eu e você.
SÔNIA: - Prefiro agradecer agora, pois não
haverá oportunidades como esta que você disse.
Henrique fica um pouco sem jeito
e vai embora. Sônia fecha a porta e volta para a sala. Adriano se aproxima
dela.
ADRIANO; - Missão cumprida.
SÔNIA: - Sonho realizado. Essas são as
palavras certas... Sonho realizado!
Adriano e Sônia se beijam,
felizes.
CENA
20. SÃO PAULO. HOTEL. QUARTO-VARANDA. INT. NOITE.
Cadu e Rúbia conversam na varanda
do quarto.
RÚBIA: - Você é louco em vir até aqui numa
hora dessas...
CADU: - Eu precisava vir falar com você.
RÚBIA: - Falar o quê? É alguma coisa sobre a
barriga falsa? Não precisa se preocupar, porque eu consigo usar ela
direitinho...
CADU (interrompendo Rúbia): - Não, não é
sobre a barriga.
RÚBIA: - Então...?
CADU: - É sobre a gente.
RÚBIA; - Sobre a gente? Como assim, Cadu?
CADU: - Desde que eu conheci você, não consegui
te tirar da minha cabeça, Rúbia. Não paro de pensar em você num só instante...
Eu estou atraído, alucinado, encantado... Eu estou apaixonado por você!
Rúbia fica surpresa com a
declaração de Cadu.
CADU: - Eu estou apaixonado por você, Rúbia!
Nunca senti isso antes por ninguém, nenhuma pessoa!
RÚBIA: - Nossa, Cadu! Nem sei o que dizer!
CADU: - Não vai embora não. Fica comigo aqui
em São Paulo!
RÚBIA (decidida): - Não, Cadu! Eu não posso
ficar aqui!
CADU: - Mas você não vai nem pensar no meu
pedido, em tudo o que eu disse para você?
RÚBIA: - Não, Cadu. Não vou pensar em nada...
Eu não posso deixar a minha vida toda e viver aqui com você. Não dá, não tem
como.
Cadu fica totalmente
decepcionado.
RÚBIA; - Desculpa. Eu sei que essa não era a
resposta que você queria ouvir, mas é a única que eu posso te dar.
CADU: - Mas Rúbia...
RÚBIA: - Não Cadu... Não insista...
CADU; - Eu amo você!
RÚBIA; - Mas eu não amo você... E agora, se
você puder ir embora daqui...
Cadu vai embora chateado. Rúbia
fica pensativa.
CENA
21. TRANSIÇÃO DO TEMPO. AMANHECER / LONDRES. UNIVERSIDADE. INT. DIA.
Imagens
de Praia Real ao amanhecer. Imagens de Londres, ao dia. Corta para a
universidade onde Willian trabalha. Matheus e Willian caminham no campus.
Matheus observando tudo. O campus está movimentado.
WILLIAN: - Você vai gostar daqui, Matheus. A
universidade é bonita, moderna e bem conceituada. Vai ser ótimo para os seus
estudos.
MATHEUS: - Realmente é bem bonita. E tem
muita gente, não é?
WILLIAN: - Ah, que é nesta semana está sendo
realizado o festival acadêmico, onde os alunos apresentam seus trabalhos... Uma
feira multidisciplinar, digamos assim.
MATHEUS: - Que maneiro! Deve ter coisas bem
interessantes!
WILLIAN: - Sempre tem coisas boas, mas também
há trabalhos que não acrescentam em nada... Porém, o importante é deixar o
aluno se exercitar, expor as suas ideias, seus projetos em prol da comunidade,
do mundo... E dependendo do projeto, há empresas que patrocinam.
Os
dois seguem caminhando pelo campus.
CENA
22. CASA BRENDA. SALA. INT. DIA.
Matilde,
Joaquim, Alice, Brenda, Guto e Sérgio tomam café da manhã. Estão animados,
menos Guto, que está quieto.
BRENDA: - Vocês demoraram ontem, hein, vovó?
ALICE: - É mesmo! Dona Matilde, seu
Joaquim... Namorando então?
JOAQUIM: - Ei, ei... que conversa é essa
agora?... Não podemos namorar, é?
BRENDA: - Claro que podem sim, vovô!
MATILDE: - Foi um passeio muito proveitoso
mesmo. Fazia tempo que não fazíamos um programa juntos assim, não é querido?
JOAQUIM: - É mesmo...
SÉRGIO: - E vocês fazem muito bem. Não se
pode deixar a chama do amor se apagar com o tempo...
ALICE: - Olha só, o Sérgio está inspirado!
Todos riem, menos Guto, que
permanece quieto.
MATILDE; - O que foi Guto? Está tão
quietinho...
JOAQUIM: - Aconteceu alguma coisa?
Alice e Brenda se olham.
GUTO: - Nada não, dona Matilde, seu
Joaquim... Só acordei um pouco mais tranqüilo hoje, só isso...
JOAQUIM: - E cansado também... O restaurante
deu bastante movimento ontem?
SÉRGIO: - Foi um movimento tranqüilo, seu
Joaquim. Deu para administrar legal.
BRENDA (levantando-se da mesa): - Bom
pessoal, a conversa está boa, mas eu vou ter que dar uma saída.
MATILDE: - E vai aonde, Brenda?
BRENDA: - Resolver uns compromissos, vovó.
Não se preocupe.
JOAQUIM: - Vá com Deus, minha filha.
Brenda beija Matilde e Joaquim.
Guto a observa.
BRENDA: - Tchau gente, bom dia para todos!
Brenda sai.
MATILDE: - Resolver compromissos... O que
será hein?
JOAQUIM: - Você não vai com ela, Guto?
Guto não responde. Ele se levanta
rapidamente da mesa e sai apressado da sala.
JOAQUIM: - Guto! Guto!... Mas o que deu nesse
garoto?
MATILDE; - Saiu rápido, cara fechada feito um
touro bravo!...
ALICE; - Acontece, seu Joaquim, dona Matilde,
que ontem, a Brenda e o Guto terminaram o namoro.
MATILDE: - Oh, que pena!
SÉRGIO: - E ele ficou muito sentido com tudo
isso...
JOAQUIM: - Ah, se eu soubesse disso antes,
não teria perguntado para ele...
ALICE: - Não tem problema, seu Joaquim. Ele
vai se conformar, aos poucos...
CENA
23. RESTAURANTE MARESIA. EXT. DIA.
Guto está parado, em frente ao
restaurante, pensando em Brenda. Ele chora, mas logo seca as lágrimas, tentando
ser forte.
CENA
24. CASA HENRIQUE. QUARTO HENRIQUE. INT. DIA.
Henrique
está no quarto se arrumando para ir trabalhar, quando Silvana entra no local.
Henrique está terminando de se vestir.
SILVANA: - Você chegou tarde ontem...
HENRIQUE (vestindo a camisa): - É, não deu
para vir mais cedo...
SILVANA: - O problema deve ter sido sério lá
na companhia...
HENRIQUE (em frente ao espelho): - Foi, foi bem
complicado.
SILVANA: - E o que era?
HENRIQUE: - Ah, problema na listagem de
documentos de algumas lanchas. O pessoal se confundiu e aí eu tive que ir lá
para ajudar.
SILVANA (desconfiada): - E demorou tanto
assim para organizar documentos?
HENRIQUE: - Silvana, essas coisas demoram...
(vira-se para Silvana). Você acha que não?
SILVANA: - A única coisa que eu acho é que
você demorou demais, só isso...
HENRIQUE: - Acontece, meu amor... Problemas,
quando surgem, a gente precisa resolver na hora, senão, fica impossível
contornar tudo.
SILVANA: - Hum...
HENRIQUE: - Você está desconfiando de mim?
SILVANA: - Eu?
HENRIQUE: - É. Está me enchendo de perguntas,
um interrogatório.
SILVANA: - Só achei estranho surgir um
problema àquela hora da noite, e você demorar tanto tempo para resolver isso.
Convenhamos, não é normal.
HENRIQUE (elevando a voz): - Claro que é
normal! Já falei que problemas acontecem!
SILVANA: - Não precisa levantar a voz comigo.
Não há necessidade para isso, Henrique.
HENRIQUE: - Desculpa, desculpa. Não queria me
exaltar com você. Eu vou pra companhia. Nos falamos mais tarde.
Henrique
beija a testa de Silvana e sai. Ela fica pensativa dentro do quarto.
CENA
25. SÃO PAULO. HOTEL. QUARTO. INT. DIA.
Rúbia
pega o celular e liga para César, mas não consegue falar com ele, pois a
ligação cai na caixa posta.
RÚBIA: - Caixa postal? Droga, o César
desligou o celular!... Vou ligar para casa dele.
Rúbia
liga para a mansão.
RÚBIA: - Alô?!
(T)
RÚBIA: - É a Rúbia. Eu quero falar com o
César., agora.
(T)
RÚBIA: - Oi Clarisse... Eu quero falar com o
César, agora!
(T)
RUBIA: - Ah, ele não está?
(T)
RÚBIA: - Sei... Saiu é?
(T)
RÚBIA: - E você não sabe pra onde ele foi? Se
foi para o projeto ambiental, para a Best Fish...?
(T)
RÚBIA: - ele não disse nada?
(T)
RÚBIA: - Certo. Tchau.
Rúbia
desliga o telefone, desconfiada.
RÚBIA: - Aonde será que ele está?... Deve
estar com os caretas do Fredy e da Lílian...
CENA
26. CENTRO PRAIA REAL. PRAÇA CENTRAL. EXT. DIA.
Brenda
e César se encontram na praça. Os dois se beijam.
CÉSAR: - Sentiu saudades?
BRENDA; - Muita! Muita saudade!
CÉSAR: - E aí, como foi?
BRENDA: - Foi difícil, César... Terminar com
o Guto foi mais difícil do que eu pensava. Ele é um cara muito especial para
mim, entende? Uma pessoa única, que está sempre do meu lado... Praticamente um
irmão. Mas eu expliquei para ele que é você que eu amo e é com você que eu vou
ficar.
CÉSAR: - É mesmo?
BRENDA; - Sim. Para o resto da minha vida!
Os dois se abraçam e se beijam
novamente.
CÉSAR: - Ah, pensei num programa bem bom para
a gente, já que hoje você vai ficar o dia todo comigo...
BRENDA; - Nossa, que ótimo!
CÉSAR: - Vou te levar num lugar que você vai
gostar muito.
BRENDA; - Ai, meu Deus! Para onde você vai me
levar, hein? Já estou ansiosa!
CÉSAR: - Você, aliás, será a primeira pessoa
a ir nesse local.
BRENDA: - Quanta honra...
CÉSAR: - Te amo.
BRENDA; - Também te amo, César.
Os dois se beijam apaixonados.
CENA
27. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. DIA.
O
pessoal atende os clientes no restaurante. Alice está no balcão do caixa. Guto
se aproxima.
ALICE: - Eu sei que você está chateado com
tudo o que aconteceu, Guto. Mas você vai conseguir superar essa tristeza aí
dentro do seu coração.
GUTO: - Espero que sim, Alice, porque está
difícil. Está muito difícil esquecer a Brenda. Ela é o amor da minha vida. Eu a
amo demais!
ALICE; - Eu sei disso, mas pensa bem... Ela
não estava se sentindo bem estando com você gostando de outra pessoa. Ninguém
ficaria bem numa situação dessas. Foi melhor assim. E pode acreditar, a Brenda
tem um carinho muito grande por você.
GUTO: - Mas aqui no meu coração ainda ficou
uma pontinha de esperança, de que ela um dia ainda sinta amor por mim...
Alice
olha um pouco consentida para Guto.
GUTO: - Eu vou trabalhar. É o melhor que se
pode fazer agora.
Guto
vai atender os clientes.
CENA
28. APTO FELIPE. QUARTO. INT. DIA.
Imagens
do quarto de Felipe. Há roupas espalhadas pelo chão. CAM percorre a cama, dos
pés à cabeceira. Felipe e o garoto de programa estão deitados, seminus,
dormindo. Felipe, aos poucos, se acorda. Ele percebe que o garoto de programa
continua em sua cama.
FELIPE (acordando o garoto): - Ei, acorda.
O
rapaz não responde. Felipe chama novamente.
FELIPE: - Ei, acorda aí!
O
rapaz aos poucos, se acorda.
FELIPE (levantando-se): - Pega as suas coisas
e vai embora.
GAROTO DE PROGRAMA: - Eu ainda não recebi
pelo serviço.
Felipe
vai até uma mesinha, pega sua carteira, retira o dinheiro e joga sobre a cama.
O garoto fica a observá-lo.
FELIPE: - Está tudo aí. Eu pro banho e quando
eu sair, não quero ver nenhum vestígio seu aqui dentro. Entendeu?
GAROTO DE PROGRAMA: - Entendi sim.
FELIPE: - Ah! E nem ouse em pegar alguma
coisa aqui do apartamento. Eu conheço seu chefe e já tenho todas as informações
sobre você. Eu te acho nem que seja no inferno.
GAROTO DE PROGRAMA: - Não precisa se
preocupar. Não sou desses aí não.
FELIPE: - Tudo bem. Agora vai. Sai fora!
O
rapaz levanta-se da cama e começa a catar suas roupas pelo quarto. Felipe fica
a observá-lo. O rapaz recolhe todas as peças.
FELIPE: - Acabou?
GAROTO DE PROGRAMA: - Acho que sim.
Felipe
se aproxima e beija intensamente o garoto de programa. Ele termina o beijo e dá
dois tapinhas na cara o rapaz.
FELIPE: - Assim que eu gosto.
Felipe
vai para o banheiro. O rapaz fica surpreso. Veste-se rapidamente, pega o
dinheiro sobre a cama e vai embora.
CENA
29.APTO FELIPE. BANHEIRO. INT. DIA.
Felipe
toma banho. CAM acompanha a água que cai sobre o seu corpo. Felipe relaxa.
Sente-se realizado.
CENA
30. SÃO PAULO. HOTEL. QUARTO. INT. DIA.
Rúbia
e Patrícia arrumam as coisas para a viagem.
PATRÍCIA; - Então, conseguiu falar com o
César?
RÚBIA: - Não consegui. Liguei para o celular
e caiu na caixa postal. Liguei para a casa dele e a empregadinha atendeu,
dizendo que ele tinha saído, não disse para onde ia... Deve estar com os
amiguinhos do projeto ambiental.
PATRÍCIA: - Pode ser. Aquela sem graça da
Lílian e aquele pão de mel do Fredy...
RÚBIA: - O Fredy? Pão de mel?! (risos)
PATRÍCIA (se abanando com uma peça de roupa):
- Ah, eu acho ele lindo! Um deus grego, bonitão, gostoso!... Nossa!
RÚBIA: - É, pensando bem, pra feio ele não
serve. Mas também não é essa coisa toda que você está falando...
PATRÍCIA: - Ah, eu acho... E por falar em
homem bonito, o que foi a visita do Cadu aqui ontem?!
RÚBIA: - Ai, Paty, nem me fala!... Você
acredita que ele veio aqui e se declarou para mim!
PATRÍCIA: - Sério?!
RÚBIA: - Se declarou totalmente! Disse que
está apaixonado por mim e tudo. Pediu até para mim deixar o César, minha vida
lá em Praia Real e ficar aqui em São Paulo com ele, acredita?
PATRÍCIA: - E você?
RÚBIA: - Disse não, né Paty! Não posso largar
tudo e me jogar nos braços do Cadu assim... Ele é rico, carinhoso, bonito, mas
não há como isso acontecer. Imagina, eu deixar o César logo agora que estou com
um pé no altar?
PATRÍCIA: - É mesmo, seria muita loucura...
RÚBIA: - Loucura total... Coitadinho do Cadu,
até me deu uma peninha depois sabe?
PATRÍCIA: - Peninha?
RÚBIA: - É... ele saiu daqui tão triste...
Mas fazer o quê? A vida é assim mesmo. Nem sempre se consegue o que quer.
PATRÍCIA: - É verdade... No momento eu quero
fechar essa mala aqui e não consigo. Você ajuda aqui, afinal, isso tudo aqui é
seu!
RÚBIA: - Claro! Cuidado para não estragar
meus vestidos!
Rúbia
e Patrícia tentam fechar a mala, lotada de roupas.
CENA
31. CLÍNICA CADU. SALA CADU. INT. DIA.
Cadu
fica pensando em Rúbia. Em OFF, os dizeres de Rúbia. (“Não, Cadu. Não vou pensar em nada... Eu não posso deixar a minha vida
toda e viver aqui com você. Não dá, não tem como... Desculpa. Eu sei que essa
não era a resposta que você queria ouvir, mas é a única que eu posso te dar.”)
CADU: - Rúbia, Rúbia... Você arrebatou meu
coração... O que eu faço, meu Deus! O que eu faço?!
Cadu
fica pensativo.
CENA
32. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.
A
campainha da casa de Sônia toca. Sônia entra na sala para atender a porta. Ela
abre a porta e se surpreende ao ver Silvana.
SÔNIA: - Silvana?!
SILVANA: - Oi Sônia. Desculpa eu vir assim na
sua casa, sem avisar. Mas é que eu preciso muito falar com alguém e, bem, eu
posso entrar?
As
duas ficam a olhar.
CENA
33. CASA ALBERTO. ESCRITÓRIO. INT. DIA.
Tânia
entra no escritório e tranca a porta. Ela pega o telefone e liga. Alternar
imagens entre Tânia e Heraldo.
TÂNIA: - Alô? Heraldo? Sou eu, Tânia.
HERALDO: - Pensei que tivesse esquecido de
mim. Não deu mais sinal de vida.
TÂNIA: - Eu sei querido, mas é aconteceram
tantas coisas aqui em casa... Mas eu estou ligando para te falar que você vai
precisar trocar de hotel.
HERALDO: - Trocar de hotel? Mas por que?
TÂNIA; - Porque está ficando arriscada a sua
permanência nesse hotel.
HERALDO: - Tudo bem, mas eu vou para onde
agora?
TÂNIA: - Anota aí o endereço que eu vou
dizer.
HERALDO: - Mas não é uma pensão vagabunda
não, né?
TÂNIA: - Não se preocupe, Heraldo. Eu não
iria fazer isso com você... Agora anota aí o endereço do hotel.
Tânia
segue conversando com Heraldo.
CENA
34. SHOPPING PRAIA REAL. INT. DIA.
Imagens
de César e Brenda passeando no shopping, fazendo compras, se divertindo na seção
dos games, tomando sorvete na praça de alimentação. Os dois estão visivelmente
felizes e apaixonados.
CENA
35. BEST FISH. SALA LEANDRO. INT. DIA.
Tomás
e Leandro conversam.
LEANDRO: - Levei a Mônica até o aeroporto
sim.
TOMÁS: - Quanta gentileza, Leandro...
LEANDRO: - Coisa de amigo só isso...
TOMÁS: - Mas você está afim mesmo é de uma
amizade colorida então, porque eu já percebi várias vezes as trocas de olhares
entre você e a Mônica.
LEANDRO: - pshii!!! Fala baixo! Se alguém
escuta isso e sai entendendo tudo errado, já viu... E você também está enganado
quanto a minha relação com a Mônica. Somos apenas amigo e pronto.
TOMÁS: - Eu só vou te dar um conselho, ô
gavião: toma cuidado com esse seu lance com a Mônica... A menina é jovem,
bonita, está com toda vitalidade do mundo...
LEANDRO: - Ei, ta dizendo que eu não tenho
capacidade pra segurar um avião como a Mônica, é isso?
TOMÁS: - Não é isso. Só estou falando pra
você abrir seu olho, porque essa história pode não acabar bem...
LEANDRO: - Iiiih Tomás! Pode parar com esse
papo aí... Não tem história nenhuma, não tem, e tudo vai acabar bem, certo?...
Vamos deixar isso pra lá... E a Cristina, como está?
TOMÁS: - Está bem, tranqüila... Ontem chegou
em casa, conversando tranqüila...
LEANDRO: - É, mas a Vera me falou que as duas
tiveram uma discussão daquelas na boutique.
TOMÁS (surpreso): - É mesmo? A Cristina não
me disse nada disso.
LEANDRO: - Pois é. Mas parece que depois se
entenderam. Ainda bem, não é? Seria terrível ver as duas irmãs brigadas.
TOMÁS: - É mesmo...
Tomás
fica pensativo.
CENA
36. BOUTIQUE POEME. INT. DIA.
Cristina
está atendendo uma cliente, enquanto Vera a observa do balcão. Zoraide se
aproxima.
ZORAIDE: - Está tudo bem dona Vera? A senhora
está aí parada já há um bom tempo, olhando pro nada.
VERA: - Estou observando a Cristina, Zoraide.
Ela parece tão bem, sensata...
ZORAIDE: - Parece mesmo. Nem de longe lembra
aquela fera que gritava ontem no escritório, discutindo com a senhora.
Vera
olha surpresa para Zoraide.
ZORAIDE: - Desculpa, dona Vera, mas não teve
quem aqui na boutique ouvisse a discussão de vocês. A sorte é que a loja estava
vazia naquele instante, senão as clientes todas iriam ouvir.
VERA: - Eu sei. Foi uma discussão pesada
mesmo. Não deveria ter acontecido, mas aconteceu... Mas agora já está tudo bem
e eu espero que não aconteça novamente.
ZORAIDE: - Que bom, dona Vera.Bom, vou lá
dentro arrumar minhas coisas.
VERA: - Arrumar suas coisas?
ZORAIDE: - É dona Vera! Esqueceu que hoje eu
tenho dentista?
VERA: - Claro, Zoraide. Pode ir, desculpe.
ZORAIDE: - Vou lá então. Bom dia para a
senhora.
Zoraide
se afasta. Vera volta-se para o serviço.
CENA
37. LONDRES. UNIVERSIDADE. INT. DIA.
Matheus
caminha pela universidade, observando tudo, distraído, quando esbarra num
rapaz.
MATHEUS: - Oh, desculpe! Quero dizer, sorry!
NATANAEL: - Não tem nada não.
MATHEUS: - Brasileiro?
NATANAEL: - Sou sim.
MATHEUS; - E faz o que aqui?
NATANAEL: - Eu estudo aqui na universidade.
(estendo a mão) Me chamo Natanael. E você?
MATHEUS (cumprimentando): - Matheus.
Os
dois se cumprimentam.
NATANAEL: - Nossa, é bom encontrar
brasileiros aqui. Não há quase ninguém!
MATHEUS: - Bom, eu mesmo não vi nenhum
brasileiro aqui, quero dizer, agora estou vendo você.
NATANAEL: - Veio estudar aqui também?
MATHEUS: - É... Estou conhecendo a
universidade. Ainda não sei certo se vou ficar ou não. Você é de onde?
NATANAEL: - Rio de Janeiro, a cidade
maravilhosa! E você?
MATHEUS: - Praia Real.
NATANAEL: - Praia Real! Nossa! Aquilo lá é um
paraíso na terra! Não há lugar mais bonito!
MATHEUS; - É
uma cidade muito linda mesmo.
NATANAEL: - Já passei por lá várias vezes.
MATHEUS: - Como assim? A trabalho?
NATANAEL: - Não, a passeio mesmo. De avião.
Eu tenho um ultraleve e aí gosto de viajar por aí voando.
MATHEUS: - E está estudando o que aqui?
Engenharia aeroespacial?
NATANAEL: - Não! Administração.
MATHEUS: - Mas por que, se você gosta mesmo é
de voar?
NATANAEL: - Meus pais. Na verdade só o meu
velho. Minha família é dona de empresas, temos negócios em todo o Estado do Rio
e também em outros lugares do Brasil.
MATHEUS: - E aí seu pai quer que você
controle os negócios da família...
NATANAEL: - Isso mesmo. E para isso, ele
suspendeu meus vôos. Só deixaria eu pilotar novamente depois que me formasse em
algo que me fizesse crescer, ser alguém na vida... então eu aceitei em estudar
aqui... Mas não pretendo seguir carreira não. Em pouco tempo eu termino a
graduação, entro no meu aviãozinho e faço uma viagem pelo mundo...
MATHEUS: - Nossa, que legal!
NATANAEL: - Mas você veio para cá porque
afinal?
MATHEUS: - É uma longa história...
NATANAEL: - Não tem problema cara. Minhas
aulas hoje já encerraram. Tenho tempo de sobra... Bora lá pra cantina. Aí você
me fala essa sua história aí.
Matheus e Natanael seguem
conversando.
CENA
38. CASA PETRÔNIO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.
Helena
está tensa, sentada no sofá da sala. Petrônio e Samantha descem as escadas, com
roupas de banho. Os dois estão animados.
SAMANTHA: - Eu quero é pegar um bom bronzeado
hoje!
PETRÔNIO: - Com esse sol bonito, vocÊ
consegue rapidinho! Só não esqueça do protetor solar!
SAMANTHA: - Claro que não vou esquecer! Já
está tudo lá fora!
Petrônio percebe que Helena está
apreensiva.
Petrônio: - Vá indo Samantha, que eu quero
falar com a Helena, coisa rápida. Já estou indo.
SAMANTHA: - Está bom, Pepê!
Samantha e Petrônio dão uma
bitoquinha. Samantha sai. Petrônio se aproxima de Helena.
PETRÔNIO: - Aconteceu alguma coisa, Helena?
HELENA: - Hã?
PETRÔNIO: - Te perguntei se aconteceu alguma
coisa? Você está sentada aí no sofá, com uma cara tensa, parece preocupada com
algo...
HELENA: - Não, tem nada não papai, não
precisa se preocupar.
PETRONIO: - Tem certeza que não tem nada
mesmo?
HELENA; - Tenho sim. Está tudo bem comigo. Só
estou pensando numas coisas aqui, concentrada... Nada demais.
PETRÔNIO: - Tudo bem então. Não quer ir tomar
um sol, um banho de piscina conosco? Eu e a Samantha vamos aproveitar esse dia
lindo!
HELENA: - Não, papai, obrigada. Pode ir,
aproveitar. Eu vou ficar por aqui mesmo.
Petrônio beija Helena e sai. Ela
continua na sala pensativa.
CENA
39. OBRAS RESORT. INT. DIA.
Adriano e Diogo caminham pelos
espaços construídos no resort.
DIOGO: - Meu amigo, que história maluca é
essa!
ADRIANO: - Isso mesmo. Mas agora já está tudo
resolvido. A Sônia está de bem com seu pai. O Henrique também ficou em paz.
DIOGO: - Mas vocês já conversaram com as
meninas? Já falaram a verdade para elas?
ADRIANO: - Ainda não. Elas não sabem de nada,
mas logo saberão. Seu Joaquim pediu um tempinho para se recuperar, né? É muita
coisa acontecendo...
DIOGO; - Mas vai dar tudo certo, com certeza.
ADRIANO: - Se Deus quiser... E o seu filho, o
Matheus, como está indo lá em Londres?
DIOGO; - Acho que está bem, ainda não me
mandou notícias...
ADRIANO: - Mas você não falou com a sua ex-mulher?
DIOGO: - Buscar alguma notícia com a Helena é
a mesma coisa de falar com as paredes. Ela não vai me dar satisfação nenhuma do
Matheus.
ADRIANO: - Não tem jeito de vocês se
acertarem mesmo?
DIOGO: - Nada, nenhuma. Helena nunca vai
deixar de ser arrogante. Uma pena... Vai aprender na marra, com a vida...
ADRIANO: - E a Clarisse? Não viu mais ela
não?
DIOGO: - Nada! Nenhuma notícia!...
ADRIANO: - Diogo, você não pode ficar parado!
Vai atrás dela!
DIOGO: - Você acha que eu não tenho vontade?
Isso é o que eu mais quero... Mas ela é casada, Adriano. E o marido dela é um
cavalo, troglodita!
ADRIANO: - Enfrenta ele!
DIOGO (risos): - Você não pode estar falando
sério...
ADRIANO: - Mas estou sim! Se você gosta mesmo
da Clarisse, cara, não pode deixar ela escapar fácil assim...
Diogo
fica pensativo.
CENA
40. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.
Sônia
e Silvana conversam.
SILVANA: - Eu sei que é ruim receber alguém
assim, sem avisar, mas acontece que eu estou me sentindo sufocada, Sônia.
SÔNIA: - Calma Silvana, me explica isso
direito. Está se sentindo sufocada com o quê?
SILVANA: - Com a atual situação do meu
casamento.
SÔNIA: - Desculpa perguntar, mas... O que
está acontecendo?
SILVANA: - Eu estou desconfiada de que o
Henrique esteja me traindo.
Sônia
fica surpresa.
SÔNIA: - O Henrique? Traindo você?
SILVANA; - Isso mesmo, Sônia. Eu não sei, mas
algo me diz que ele está tendo um caso com outra pessoa.
SÔNIA: - Como assim? De onde você tirou essa
ideia, Silvana?
SILVANA: - Não vem de hoje essa minha desconfiança...
Nós já passamos por uma pequena crise, ainda mais depois da descoberta de que
eu não posso ter filhos... Mas ontem... Ontem aconteceu algo que eu fiquei
extremamente intrigada.
SÔNIA (disfarçando): - Mas o que aconteceu
ontem?
SILVANA: - Já era noite, horário que ele
sempre está em casa, quando ele avisou que iria sair para resolver um problema
na companhia. Eu achei estranho, mas até então, tudo bem...
SÔNIA: - Mas se estava tudo bem, não há
problema nenhum.
SILVANA: - Há sim. O Henrique chegou em casa
já era tarde da noite em casa... E hoje, quando eu questionei ele, ele levantou
a voz para mim. Ficou totalmente exaltado comigo!
SÔNIA: - Mas Silvana, isso não significa que
ele esteja traindo você...
SILVANA (um tanto perturbada): - Ai, Sônia! Eu
estou tão insegura... Na verdade eu estou com medo! Estou com medo de perder o
Henrique!
Sônia
fica apreensiva com Silvana.
SILVANA: - Eu não sei o que pode acontecer
comigo se eu perder o Henrique para outra mulher...
SÔNIA: - Silvana, não diga isso...
SILVANA: - Eu sou capaz de uma loucura por
esse homem, Sônia! Uma loucura!
Sônia
se impressiona com os dizeres de Silvana.
CENA
41. CAFETERIA. INT. DIA.
Brenda
e César conversam.
BRENDA; - Estou me sentindo uma princesa, com
você me paparicando assim com tanta coisa boa!
CÉSAR: - Você é uma princesa, Brenda. A minha
princesa! Linda! Linda!
Os
dois se beijam.
CÉSAR: - Já terminou seu café?
BRENDA: - Aham.
CÉSAR: - Então agora eu vou te levar para
aquele lugar que eu falei pra você, lembra?
BRENDA; - Claro que lembro! O lugar onde eu
serei a primeira pessoa a ir... Estou ansiosa!
CÉSAR: - Então vamos lá!
Os
dois saem da cafeteria animados.
CENA
42. BEST FISH. SALA FELIPE/ MARINA. INT. DIA.
Felipe
e Marina trabalham sozinhos na sala, mas não trocam uma palavra. O silêncio
prevalece no local. Marina sente-se incomodada com a situação e tenta falar com
Felipe.
MARINA: - Você viu os arquivos que eu mandei
para você por e-mail?
Felipe não responde.
MARINA: - Mandei também umas planilhas que
achei interessante você dar uma olhada.
Felipe permanece quieto, na
frente do seu computador.
MARINA: - Felipe, se você não quiser falar
comigo por causa de assuntos pessoais, eu até entendo. Mas aqui, a gente
precisa conversar sobre os assuntos da empresa!
Felipe
continua sem responder, nem sequer olha para Marina. Marina levanta-se da sua
mesa e vai até a mesa de Felipe.
MARINA: - Quando é que você vai parar com
essa birra, com essa guerra contra mim, hein?
FELIPE: - Isso só vai ter fim, quando você
for embora daqui, Marina.
MARINA; - Como é que é?
FELIPE: - Essa guerra só vai terminar quando
você for embora daqui! Deixar essa empresa e voltar para a Noruega, de onde
você nunca deveria ter saído.
MARINA: - Como você é frio... Fique você bem
avisado que eu não irei embora daqui. Eu voltei e voltei para ficar, você
querendo ou não! E outra! Estou cansada das suas grosserias e intimidações,
Felipe. Chega! Acabou! Fique você com esse seu joguinho bobo aí. Se não quiser
colaborar, não tem problema, eu mesma faço todo o serviço sozinha. Mas depois
não venha reclamar se os louros da vitória vierem para mim.
FELIPE: - Louros da vitória?! Você acha que
vai conseguir alguma coisa, Marina?
MARINA: - Pode apostar que eu vou. Palavra de
Marina Rosenberg Walker.
Marina volta para a sua mesa. Felipe fica
surpreso com a atitude dela.
CENA
43. APTO CÉSAR. INT. DIA.
César
abre a porta do apartamento.
CÉSAR: - Seja bem-vinda ao meu apartamento.
BRENDA (entrando / surpresa): - César! É
lindo!
CAM mostra uma visão geral do
apartamento de César, totalmente decorado numa temática ambiental. A janela da
varanda de frente para o mar. É possível ver também um morro, e também uma
parte da cidade.
BRENDA; - Você nunca me falou que tinha um
apartamento!
CÉSAR: - Eu não falei para ninguém. Ninguém
sabe... Eu comprei esse apartamento já tem um tempo. Na época, eu estava
amadurecendo a ideia de sair da mansão, de ir morar sozinho. Uma forma de
conquistar a minha independência. Mas aí, surgiu o projeto ambiental e eu me
dediquei totalmente à ele. Aí o apartamento foi ficando para trás e eu acabei
ficando na mansão. Mas não me desfiz dele.
BRENDA; - Fez muito bem... É um lugar lindo
com uma vista maravilhosa! Da pra ver tudo daqui!
CÉSAR (abraçando Brenda): - E é aqui que eu
pretendo viver com você, meu amor.
BRENDA: - Eu iria adorar viver com você.
CÉSAR: - Eu já disse que te amo hoje?
BRENDA: - Já... Várias vezes!... Mas eu
adoraria ouvir mais uma vez, ou melhor, quantas vezes você achar que deve me
dizer... Sabe por quê? Porque eu também amo você. Amo muito!
CÉSAR: - Eu te amo!
Os
dois se beijam apaixonadamente. César pega Brenda nos braços e a leva para o
interior do apartamento.
CENA
44. APTO CÉSAR. QUARTO. INT. DIA.
César
entra com Brenda nos braços e a deita sobre a cama. Os dois se olham
profundamente. César acaricia o rosto de Brenda e sua mão percorre todo o corpo
dela. Brenda sorri, carinhosamente.
BRENDA: - Eu esperei muito tempo por esse
momento.
CÉSAR: - Então vamos vivê-lo com todo o amor
e carinho.
César
e Brenda se beijam. Aos poucos, vão se despindo de suas roupas, enquanto trocam
carícias e beijos. César e Brenda fazem amor, apaixonadamente.
FIM DO CAPÍTULO

Nenhum comentário:
Postar um comentário