terça-feira, 14 de julho de 2015

Capítulo 36: Mar da Vida



CENA 01. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

     Continuação do capítulo anterior. Joaquim se encontra com Henrique e Sônia. Ele está totalmente surpreso.

JOAQUIM: - O que está acontecendo aqui?
MATILDE: - Está aí a pessoa que eu queria que você visse, Joaquim. A sua filha, Sônia.
JOAQUIM: - Filha? Eu não tenho mais filha. Minha filha morreu. E há muito tempo.
MATILDE: - Não fale assim, Joaquim!
JOAQUIM: - Vamos embora, Matilde, agora! Essa brincadeirinha já acabou aqui!
HENRIQUE: - Você vai fugir novamente, seu Joaquim?
JOAQUIM: - Quem é você para falar em fugir, Henrique? Pelo o que eu saiba, o fujão da história é você e não eu!
SÔNIA: - Calma, gente! Vamos resolver isso tudo de uma forma mais calma, por favor!
JOAQUIM: - Não há mais nada para resolver!
SÔNIA: - Claro que há, papai!... Eu tive que abandonar uma vida e recomeçar outra, deixei para trás uma filha e uma família que eu amava muito. Eu não posso mais continuar vivendo assim, longe disso tudo. E você vai ter que ficar para ouvir tudo o que eu e o Henrique temos a dizer. Essa história vai ser resolvida aqui e agora.

     Sônia e Joaquim se encaram.





CENA 02. SÃO PAULO. HOTEL. QUARTO. INT. NOITE.

     Rúbia e Patrícia conversam no quarto. Patrícia deitada na cama, observando Rúbia que veste novamente a barriga falsa.

PATRÍCIA: - Rúbia, é muito perfeito! Parece grávida mesmo!
RÚBIA (vira-se séria para Patrícia): - Ei, ei... Já falei para o Cadu e vou falar para você também. Eu não pareço uma grávida. Eu sou uma grávida!
PATRÍCIA: - Tudo bem, foi só modo de dizer... Mas ficou muito bom mesmo.
RÚBIA: - Ficou ótimo!... E o Cadu ainda me deu os outros tamanhos para usar conforme vai passando os meses.
PATRÍCIA: - Mas Rúbia, como você vai fazer para esconder a barriga da sua família, da família do César? Porque eles vão querer ver a barriga, tocar, sentir, sei lá!... E aí, como você vai fazer para que ninguém saiba da verdade...?
RÚBIA: - Sei lá, ainda não pensei nisso.
PATRÍCIA; - Mas você precisa pensar, porque isso será algo praticamente inevitável. Todo mundo vai querer tocar, sentir o bebê...
RÚBIA: - Ninguém vai tocar na minha barriga, ninguém!
PATRÍCIA: - Nem o César?
RÚBIA: - Nem o César...

     Rúbia caminha de um lado a outro do quarto, pensando.

PATRÍCIA: - O que foi? O que você está pensando?
RÚBIA: - Você vai saber... Só deixa eu amadurecer a minha ideia aqui, quietinha, com a minha barriga, com o meu bebê...


CENA 03. CASA BRENDA. QUARTO ALICE. INT. NOITE.

     Alice fica a olhar o dinheiro que Helena lhe oferece.

HELENA: - Vamos garota! Pega logo esse dinheiro e acaba com essa história de uma vez. Vamos, pega logo!

Alice permanece sem nenhuma reação. Helena fica a olhar para ela.

HELENA: - Você está pensando ainda se vai querer ou não o dinheiro, é isso? Ah, meu Deus! Mas gente pobre é dose, viu?... Não tem que pensar em nada não, menina! Você é uma coitada, não tem onde cair morta, mal pode sustentar a si mesma, quem dirá uma criança!... Pega logo esse envelope, procura um lugar pra tirar essa criança, mas, olha só, tem que ser um lugar bom! Não pode ir em qualquer lugar, que não faz o serviço direito... Mas pela sua cara, qualquer açougueiro que você for já está de bom tamanho, não é? Batarinho, não gasta todo esse dinheiro, ainda sobre pra comprar uma roupinha... Não é assim que você faz?

Alice fica a olhar para Helena, séria. Helena continua segurando o envelope, oferecendo para Alice, que não se manifesta.

HELENA (deixando o envelope sobre a cama): - Bom, eu sei que você deve estar com vergonha de aceitar o meu presente. Então eu vou deixar aqui, aí você pega e faz o que deve ser feito. Vai ser melhor para você, para o Matheus e para mim, obviamente.

Helena vai saindo do quarto.

ALICE: - Eu não quero seu dinheiro.

Helena para e vira-se para Alice.

ALICE: - Pode levar embora o seu dinheiro sujo.
HELENA: - Você sabe quantas pessoas podem estar precisando desse dinheiro e você recusando?
ALICE: - Se há outras pessoas precisando, dê para elas esse dinheiro, se você faz tanta questão de ajudar alguém.
HELENA: - Ainda por cima é atrevida...
ALICE: - Atrevida é a senhora que vem até aqui a minha casa, me oferecer dinheiro para abortar o meu filho, coisa que nunca, nunca eu vou fazer!
HELENA: - Você só pode estar louca! Essa criança não terá futuro nenhum!
ALICE: - Louca é a senhora que tenta controlar a vida do seu filho e atrapalhar a felicidade das outras pessoas. Essa criança terá tudo o que uma criança precisa e merece para crescer feliz e com dignidade.
HELENA: - Que palavras lindas, Alice... Mas totalmente fora de contexto. Onde há a possibilidade de uma criança crescer feliz e digna vivendo nos fundos de um restaurante vagabundo?
ALICE: - Eu sou a prova disso.
HELENA: - Ah, você?
ALICE; - Sim, eu mesma. E também tenho aqui em minha frente a prova de que dinheiro não molda caráter nem respeito e humildade.

Helena fica sem reação.

ALICE: - O seu dinheiro não vai impedir que eu seja feliz, Helena. A sua vontade não vai prevalecer sobre a felicidade do Matheus nem sobre a minha felicidade e a do nosso filho, que eu terei o maior prazer em conceber. E pode apostar, que eu farei de tudo para que essa criança seja um ser humano de valores e boas virtudes, que irá ensinar muito sobre o viver para todos. Principalmente para você.
HELENA: - Sua ordinária, sem vergonha.
ALICE: - Pegue o seu dinheiro e saia daqui. Agora!

Helena se aproxima de Alice.

HELENA: - Você vai se arrepender de não ter aceito o meu dinheiro e de ter me dito todos esses desaforos.
ALICE: - A senhora pode ter certeza que não.

Helena se afasta, pega o envelope de dinheiro e sai rapidamente. Alice permanece no quarto, forte, satisfeita da sua atitude.

CENA 04. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. NOITE.

     Helena entra rapidamente no salão, indo em direção à saída. Guto tenta falar com ela.

GUTO: - A senhora precisa de alguma coisa?
HELENA: - Eu preciso ir embora desse moquifo antes que eu tenha um ataque cardíaco diante de tanta sujeira e gente pobre, como você!

Helena vai embora. Guto fica a olhar.

GUTO: - Mas que mulher louca!... Vai embora mesmo!... Eu hein!

CENA 05. CASA BRENDA. QUARTO ALICE. INT. NOITE.

     Alice olha o céu pela janela, enquanto acaricia sua barriga.

ALICE; - Ninguém vai atrapalhar a nossa felicidade, meu filho. Ninguém!

CENA 06. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

     Sônia, Matilde, Joaquim, Henrique e Adriano conversam.

JOAQUIM: - Isso é uma afronta à minha pessoa...
SÔNIA: - Não estamos afrontando ninguém, papai. Só queremos resolver essas pendências do passado, que mudaram a história das nossas vidas.
ADRIANO: - Vamos sentar, conversar calmamente.

Matilde e Joaquim sentam-se lado a lado. Henrique senta-se de um outro lado, próximo a Adriano. Sônia permanece de pé.

MATILDE; - Não vai sentar também, querida?
SÔNIA: - Não, mamãe. Eu não vou conseguir ficar sentada...
HENRIQUE: - Eu começo ou você começa, Sônia?
JOAQUIM (irônico): - Ah, vocês não ensaiaram?
SÔNIA (a Joaquim) - Não, papai. Ninguém ensaiou coisa alguma aqui, até porque não há nada para ser ensaiado. (a Henrique) Eu começo Henrique, não vou conseguir me segurar por muito tempo.
HENRIQUE: - Tudo bem.
SONIA: - Mas eu gostaria de conversar a sós com você, papai.

Todos ficam surpresos.

MATILDE: - A sós?
SÔNIA; - Sim, apenas eu e ele. Vamos?

CENA 07. CASA SONIA. ESCRITÓRIO. INT. NOITE.

     Sonia conversa a sós com Joaquim.

JOAQUIM: - O que você tem de tão revelador para me contar que precisa ser a sós?
SÔNIA: - Não há nada de revelador na história que você já sabe...
JOAQUIM: - Eu não sei de história alguma.
SÔNIA: - Sabe sim, papai. Não minta para você mesmo.
JOAQUIM: - Por que você insiste em me chamar de pai?
SÔNIA; - Porque você é o meu pai! Você faz parte da minha família, me criou, me ensinou tantas coisas... E me forçou a aprender tantas outras nas durezas da vida.
JOAQUIM: - Você sabe muito bem que eu fiz o que era certo.
SÔNIA: - Certo para quem? Para mim ou para você?... Você nem me deu a oportunidade de explicar, de expor os meus sentimentos, as minhas razões!... Você não se deu o direito de ouvir aquilo que eu tinha para dizer!
JOAQUIM: - Você era mãe solteira!
SÔNIA; - Mas isso não pode ser uma justificativa para o seu ato de me expulsar de casa, sob as acusações de ser uma prostituta!

     Fica um silêncio, por instantes.

SÔNIA: -Eu e a Cláudia éramos amigas, mas eu não fazia o que ela fazia. Eu não vendia o meu corpo.
JOAQUIM: - Mas se atirou nos braços desse sem vergonha do Henrique, que só te iludiu e fugiu da responsabilidade de assumir você e a criança!
SÔNIA: - O Henrique foi embora sem saber que eu estava grávida! Ele não sabia!... Eu e ele já conversamos sobre isso. Ele me falou tudo...
JOAQUIM: - E você novamente acreditou nele, como sempre.
SÔNIA; - Não se trata de acreditar ou não. É aceitar, papai! É a verdade que está ali, na frente dos seus olhos... Não há como negá-la, escondê-la, enterrá-la, como você fez durante mais de vinte anos!
JOAQUIM; - Eu fiz isso para proteger as meninas! Elas não mereciam viver essa tragédia toda, essa vergonha de pais desconhecidos, de família desestruturada!
SÔNIA: - Mas agora elas podem, papai!... Elas podem saber que a história do acidente é uma mentira, que elas não são irmãs, que seus pais estão vivos...
JOAQUIM; - Que a vida delas, durante todos esses anos, foi uma mentira...
SÔNIA (emocionada): - Mas que será transformada em verdade, para que elas possam viver mais felizes, para que elas possam buscar um amanhã mais alegre, mais amoroso e prazeroso de viver... Assim como eu estou buscando.

     Sônia e Joaquim se olham. Os dois estão visivelmente emocionados.

SÔNIA; - Eu só quero reencontrar a minha vida, papai, só isso.
JOAQUIM: - Eu também quero... Minha filha.

     Os dois se aproximam e se abraçam fortemente.

JOAQUIM: - Você me perdoa? Me perdoa por tudo o que eu fiz para você, meu amor? Você me perdoa?
SÔNIA; - Perdôo sim, papai. Para a nossa felicidade.

     Os dois permanecem abraçados.

CENA 08. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. NOITE.

     Brenda está no balcão do caixa, quando recebe uma ligação de César.

BRENDA; - Alô?
(T)
BRENDA; - oi meu amor!...
(T)
BRENDA: - Sim... Estou com saudades de você.

Guto, de longe, observa a conversa e deduz que é César quem está falando com Brenda. Nesse instante, Sérgio se aproxima dele.

SÉRGIO: - Ei, rapaz, bola pra frente cara!
GUTO: - Vai ser difícil, Sérgio. Não sei não...
SÉRGIO: - Pode ser difícil, mas não é impossível. Você precisa viver a sua vida agora. A Brenda vai viver a dela.

Sérgio se afasta. Enquanto isso, Brenda conversa com César ao telefone.

BRENDA; - Amanhã de manhã?
(T)
BRENDA; - Ah, acho que dá sim...
(T)
BRENDA: - Está bom, eu vou encontrar você sim, pode me esperar.
(T)
BRENDA; - Também amo você.
(T)
BRENDA; - Tchauzinho.

Brenda desliga o telefone. Ela percebe que Guto está olhando. Ele encara Brenda. Brenda tenta disfarçar. Guto vai atender uma mesa. Brenda fica um pouco sem jeito. Nesse instante, Alice se aproxima dela.

ALICE; - O que foi, porque está com essa cara?
BRENDA; - O César acabou de me ligar, me convidando para sair.
ALICE: - Mas isso não é motivo para ficar feliz?
BRENDA: - É, mas o Guto viu tudo... Estou me sentindo péssima...
ALICE; - Ai amiga, não fica assim não. Logo logo ele vai entender que é do César que você gosta e vai encontrar outra pessoa, você vai ver.
BRENDA; - Tomara... Mas e aí, o que a mãe do Matheus veio falar com você?
ALICE; - Ai, nem me fala! Essa mulher é totalmente louca... Mas depois eu te conto, agora não dá!
BRENDA: - Não dá mesmo. Tem uma mesa chamando lá!

Alice vai atender a mesa, enquanto Brenda fica pensativa no balcão.

CENA 09. CASA TOMÁS. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

     Cristina chega em casa um pouco atordoada, com o pensamento longe... Atira a bolsa no sofá, senta-se na poltrona e fica a pensar.
Em OFF, os dizeres de Vera, da conversa que elas tiveram no carro. (“Você precisa se tratar. Você está doente!... Você está doente e está fazendo com que todo mundo a sua volta fique com os nervos a flor da pele!... Foi no seu aniversário, foi com a Zoraide na boutique, foi na festa de reinauguração da Cia de Navegação do Henrique... Você precisa saber o que se passa com você mesma, Cristina. É para o seu bem e para o bem da sua família”).
Cristina fica pensativa, sozinha, na sala.

CENA 10. CASA SÔNIA. ESCRITÓRIO. INT. NOITE.

     Sônia e Joaquim estão frente a frente, sorridentes um para outro.

SÔNIA: - Você nem imagina o quanto eu estive ansiosa por esse abraço... Por ver o seu sorriso novamente, papai.
JOAQUIM: - E eu então?!

Os dois riem.

SÔNIA: - Agora que nós estamos juntos novamente, não vamos mais nos separar... Nunca mais!
JOAQUIM: - Nunca mais, jamais, em qualquer hipótese!

Os dois se abraçam felizes.

CENA 11. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

     Matilde, Adriano e Henrique aguardam ansiosos na sala.

MATILDE: - Oh, meu Deus, o que será que está acontecendo lá dentro?
HENRIQUE: - Eles estão se entendendo, dona Matilde.
MATILDE: - Mas durante todo esse tempo? Eu já estou ficando preocupada!
ADRIANO: - Fique calma, dona Matilde. Está tudo bem.

Adriano se aproxima da mesa e serve um copo com água e oferece para Matilde.

ADRIANO: - Beba, vai fazer bem.
MATILDE: - Obrigada querido.

Adriano retorna à mesa para servir mais água para si. Henrique se aproxima.

HENRIQUE: - Está sabendo agradar bem a sogra, Adriano.
ADRIANO: - Está falando isso porquê? Está com ciúmes, é?
HENRIQUE; - Não, nem um pouco... Só estou, digamos assim, admirado com todo esse carinho entre vocês.
ADRIANO: - Pois saiba que eu dispenso a sua admiração... e seu eu fosse você, ao invés de ficar perdendo tempo com esse tipo de coisa, se preocupava em contar a verdade para a sua esposa.
HENRIQUE: - Da minha vida cuido eu.
ADRIANO: - Pois então trate de cuidá-la e parar de ficar secando a minha vida com a Sônia e a família dela.

Adriano se afasta. Henrique fica pensativo.

CENA 12. CASA HENRIQUE. QUARTO HENRIQUE. INT. NOITE.

     Silvana abre as portas do guarda-roupas de Henrique e vasculha cada peça de roupa dele. Ela olha todos os bolsos de calças, camisas. Olha as gavetas, cheira as roupas, procura marcas de batom nas camisas.

CENA 13. APTO FELIPE. QUARTO. INT. NOITE.

Felipe está ao celular, de frente para a janela do seu quarto, olhando a vista da cidade à noite.

FELIPE: - Eu quero o melhor e o mais que vocês têm aí.
(T)
FELIPE: - Isso mesmo. Eu quero serviço de qualidade.
(T)
FELIPE: - Tudo bem. Obrigado.

Felipe desliga o telefone e continua a olhar a vista da cidade.

CENA 14. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

     Adriano, Matilde e Henrique estão na sala, quando Sônia e Joaquim entram no local. Matilde levanta-se do sofá ansiosa. Adriano e Henrique também demonstram ansiedade.

MATILDE: - E então?

     Joaquim e Sônia se olham e sorriem. Matilde se emociona e abraça a filha. Joaquim abraça as duas.

MATILDE: - Vocês não sabem o quanto eu rezei para que Deus me desse de presente esse momento. Minha filha e meu marido, se entendendo finalmente.
SÔNIA: - Ele atendeu não só você mamãe, mas a mim também.
ADRIANO: - Que bom que vocês se entenderam. Eu torci muito por isso!

     Joaquim se aproxima de Henrique. Os dois se olham. Joaquim estende a mão para Henrique, que o encara por um instante. Adriano, Sônia e Matilde ficam apreensivos.

JOAQUIM: - Aceite meu compromisso, Henrique. É um gesto para que possamos recomeçar essa nossa relação, esquecendo os desafetos do passado que tivemos.
HENRIQUE: - Eu sei que o senhor nunca gostou de mim, ainda mais depois da gravidez da Sônia. Mas agora, depois de tanto tempo e com essa ligação entre nós, que é a Brenda, não cabe mesmo desafetos.

     Henrique cumprimenta Joaquim. Matilde e Sônia ficam felizes. Adriano busca na cozinha, champanhe e taças, para brindarem.

MATILDE: - Enfim, paz!

     Adriano abre o champanhe. Serve a todos.

ADRIANO: - Isso merece um brinde!

     Todos pegam as taças.

HENRIQUE: - Brindemos então!
MATILDE: - À família!
JOAQUIM: - À união!
SÔNIA: - A um recomeço!

     Todos brindam felizes.

CENA 15. CASA VIRGÍNIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Marina conversa com a mãe, deitada no sofá com a cabeça sobre o colo de Virgínia.

VIRGÍNIA: - Oh, minha filha... Não gosto de ver você assim, tristonha... Você é sempre cheia de vida, de luz, de luxo e glamour... Agora está tão sem cor...
MARINA: - Eu sei mamãe, mas eu realmente estou pra baixo, viu...  Nossa, aconteceram tantas coisas comigo... Coisas que me fazem sentir culpada, sabe?
VIRGÍNIA: - Como assim, meu amor?
MARINA; - Primeiro lá na empresa... Eu apresentei um dossiê para os diretores da empresa, mostrando possíveis fraudes nas finanças, mas o Felipe conseguiu provar que não era verdade... Depois, o Felipe vai embora da mansão...
VIRGÍNIA: - Como é que é? O Felipe foi embora da mansão?
MARINA: - Foi mamãe, me fazendo ser acusada de perseguir ele...
VIRGÍNIA; - Como assim? Ele te acusou de perseguição?
MARINA; - Sim, mamãe. Ele disse que não dava mais para viver na mansão com alguém que não gosta dele, que o persegue...
VIRGÍNIA; - Mas, meu bem, desde o enterro da Olga que eu percebo que você anda com desconfiança para cima do Felipe.
MARINA: - De certa forma ele tem razão nessa história, mamãe. Eu andei mesmo perseguindo ele, mas não para derrubá-lo, tirar o lugar dele da empresa. Mas é que queria entender alguns processos lá dentro, que ele não me mostrava, que ele se negava a me explicar. Aí eu busquei por mim mesma até que encontrei uns documentos que eram diferentes daqueles que ele mostrava como sendo verdadeiros, corretos... Isso me deixou encucada, curiosa em saber mais e aí...
VIRGÍNIA; - E aí você não descansou enquanto não descobrir o que realmente aconteceu... Conheço bem você, Marina... Gênio difícil!
MARINA: - Mas o que pesa mais em mim é que eu, mesmo sem a intenção, fiz o Felipe sair da casa onde ele sempre morou, cresceu, sabe?
VIRGÍNIA: - Ah, Marina... Felipe já é bem grandinho. Sabe bem  o que quer. Se ele saiu da mansão, foi porque quis, por conta própria! Você não precisa se preocupar com isso não...

     Nesse instante, Carvalho chega em casa, trazendo pizza.

CARVALHO; - Prontinho! Está aqui o nosso jantar!
VIRGÍNIA (um tanto decepcionada): - Pizza, Carvalho?
CARVALHO: - Foi o que deu pra comprar, meu bem! Com os trocados que você me deu...
MARINA: - Por que trocados? Vocês já utilizaram todo aquele dinheiro que eu dei?
CARVALHO: - A sua mãe gastou quase tudo, Marina, comprando um vestido novo.
MARINA: - Mamãe!
VIRGÍNIA: - Como você é Carvalho! Não tinha que falar nada não! Dar com a língua nos dentes!
MARINA; - Tinha que falar sim, Carvalho. Você fez muito bem... Mamãe! Você precisa poupar o dinheiro! É para a casa, para as contas...
VIRGÍNIA: - Eu sei, eu sei, mas é que eu não resisti! O vestido é lindo!... Ah, Marina, você sabe como eu sou...
MARINA: - Claro que sei, mãezinha, por isso eu te perdôo... (abraçando Virgínia). Mas promete que não faz isso novamente!
VORGÍNIA: - Prometo!
CARVALHO (sentado à mesa): - E eu prometo que como toda essa pizza sozinho se as senhoritas não vierem jantar comigo!
MARINA; - Opa, já estamos indo!

     As duas sentam-se à mesa junto com Carvalho.

CENA 16. SÃO PAULO. HOTEL. QUARTO. INT. NOITE.

Rúbia e Patrícia estão se preparando para dormir, quando alguém bate à porta do quarto.

PATRÍCIA: - Quem será?
RÚBIA: - Não faço a mínima ideia. Deve ser algum empregado do hotel... Ah, Paty, atende lá, vê o que ele quer...

Patrícia vai atender a porta. Ela abre e se surpreende.

PATRÍCIA; - Cadu?!
CADU: - A Rúbia está aí?
PATRÍCIA: - Está sim. Aconteceu alguma coisa?
CADU (entrando no quarto): - Eu preciso falar com ela.
RÚBIA (surpresa): - Cadu?! O que você está fazendo aqui?
CADU: - Eu preciso falar com você, Rúbia.

Rúbia se surpreende com Cadu.

CENA 17. APTO FELIPE. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Felipe serve champanhe em duas taças, quando a campainha toca. Ele atende. É um garoto de programa.

GAROTO DE PROGRAMA: - Foi daqui que chamaram o serviço?
FELIPE: - Foi sim. Entra.

     O rapaz entra. Felipe fecha a porta. O rapaz o aguarda. Felipe pega as taças e oferece uma para ele. Os dois ficam a se olhar.

GAROTO DE PROGRAMA: - Será só nós dois?
FELIPE: - Tem diferença no serviço?
GAROTO DE PROGRAMA: - O preço aumenta um pouco.
FELIPE: - Quanto?
GAROTO DE PROGRAMA (bebe um gole do champanhe): - Mil reais.
FELIPE: - Eu pago.
GAROTO DE PROGRAMA: - E onde está a outra pessoa?
FELIPE: - Não há outra pessoa.

     O rapaz fica um pouco surpreso.

FELIPE (bebe um gole do champanhe): - Eu pago os mil reais para você. Não me importo.

     Felipe pega as taças e coloca sobre a mesa de centro. Pega na mão do rapaz e o leva para o interior do apartamento.

CENA 18. APTO FELIPE. QUARTO. INT. NOITE.

     Felipe entra com o rapaz dentro de seu quarto. Felipe empurra o rapaz, que cai sobre a cama. Felipe abre um sorriso sacana no rosto. O rapaz olha para ele, malicioso. Felipe tira a camisa e se joga sobre o rapaz. Os dois se olham cheios de desejo e se beijam.  

CENA 19. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Sônia, Adriano, Henrique, Matilde e Joaquim comemoram.

ADRIANO: - Bom, agora que está tudo esclarecido, já se pode pensar em quando falar com as meninas, não?
SONIA: - Podemos sim... O que você acha, papai?
JOAQUIM; - Já podemos pensar sim, mas num outro momento, pessoal... Meu coração já sofreu emoções demais por hoje.
MATILDE: - É mesmo. Melhor conversarmos sobre isso uma outra hora.
JOAQUIM: - Já podemos ir embora, Matilde. As meninas devem estar preocupadas conosco lá no restaurante.
MATILDE: - É mesmo querido! Vamos sim.
HENRIQUE: - Bom, eu também já vou indo...
SÔNIA: - Eu acompanho vocês até a porta.

Adriano se despede de Matilde e Joaquim, e de Henrique. Sônia os acompanha até a porta. Abraça fortemente Matilde e Joaquim, que vão embora. Ficam apenas Sônia e Henrique na porta.

SÔNIA: - Obrigada por estar aqui presente hoje.
HENRIQUE: - Só fiz isso por você... Sabe disso.
SÔNIA: - Obrigada.
HENRIQUE; - Não me agradeça agora... Teremos outras oportunidades para você me agradecer. Quando estiver apenas eu e você.
SÔNIA: - Prefiro agradecer agora, pois não haverá oportunidades como esta que você disse.

Henrique fica um pouco sem jeito e vai embora. Sônia fecha a porta e volta para a sala. Adriano se aproxima dela.

ADRIANO; - Missão cumprida.
SÔNIA: - Sonho realizado. Essas são as palavras certas... Sonho realizado!

Adriano e Sônia se beijam, felizes.

CENA 20. SÃO PAULO. HOTEL. QUARTO-VARANDA. INT. NOITE.

Cadu e Rúbia conversam na varanda do quarto.

RÚBIA: - Você é louco em vir até aqui numa hora dessas...
CADU: - Eu precisava vir falar com você.
RÚBIA: - Falar o quê? É alguma coisa sobre a barriga falsa? Não precisa se preocupar, porque eu consigo usar ela direitinho...
CADU (interrompendo Rúbia): - Não, não é sobre a barriga.
RÚBIA: - Então...?
CADU: - É sobre a gente.
RÚBIA; - Sobre a gente? Como assim, Cadu?
CADU: - Desde que eu conheci você, não consegui te tirar da minha cabeça, Rúbia. Não paro de pensar em você num só instante... Eu estou atraído, alucinado, encantado... Eu estou apaixonado por você!

Rúbia fica surpresa com a declaração de Cadu.

CADU: - Eu estou apaixonado por você, Rúbia! Nunca senti isso antes por ninguém, nenhuma pessoa!
RÚBIA: - Nossa, Cadu! Nem sei o que dizer!
CADU: - Não vai embora não. Fica comigo aqui em São Paulo!
RÚBIA (decidida): - Não, Cadu! Eu não posso ficar aqui!
CADU: - Mas você não vai nem pensar no meu pedido, em tudo o que eu disse para você?
RÚBIA: - Não, Cadu. Não vou pensar em nada... Eu não posso deixar a minha vida toda e viver aqui com você. Não dá, não tem como.

Cadu fica totalmente decepcionado.

RÚBIA; - Desculpa. Eu sei que essa não era a resposta que você queria ouvir, mas é a única que eu posso te dar.
CADU: - Mas Rúbia...
RÚBIA: - Não Cadu... Não insista...
CADU; - Eu amo você!
RÚBIA; - Mas eu não amo você... E agora, se você puder ir embora daqui...

Cadu vai embora chateado. Rúbia fica pensativa.

CENA 21. TRANSIÇÃO DO TEMPO. AMANHECER / LONDRES. UNIVERSIDADE. INT. DIA.

     Imagens de Praia Real ao amanhecer. Imagens de Londres, ao dia. Corta para a universidade onde Willian trabalha. Matheus e Willian caminham no campus. Matheus observando tudo. O campus está movimentado.

WILLIAN: - Você vai gostar daqui, Matheus. A universidade é bonita, moderna e bem conceituada. Vai ser ótimo para os seus estudos.
MATHEUS: - Realmente é bem bonita. E tem muita gente, não é?
WILLIAN: - Ah, que é nesta semana está sendo realizado o festival acadêmico, onde os alunos apresentam seus trabalhos... Uma feira multidisciplinar, digamos assim.
MATHEUS: - Que maneiro! Deve ter coisas bem interessantes!
WILLIAN: - Sempre tem coisas boas, mas também há trabalhos que não acrescentam em nada... Porém, o importante é deixar o aluno se exercitar, expor as suas ideias, seus projetos em prol da comunidade, do mundo... E dependendo do projeto, há empresas que patrocinam.

     Os dois seguem caminhando pelo campus.



CENA 22. CASA BRENDA. SALA. INT. DIA.

     Matilde, Joaquim, Alice, Brenda, Guto e Sérgio tomam café da manhã. Estão animados, menos Guto, que está quieto.

BRENDA: - Vocês demoraram ontem, hein, vovó?
ALICE: - É mesmo! Dona Matilde, seu Joaquim... Namorando então?
JOAQUIM: - Ei, ei... que conversa é essa agora?... Não podemos namorar, é?
BRENDA: - Claro que podem sim, vovô!
MATILDE: - Foi um passeio muito proveitoso mesmo. Fazia tempo que não fazíamos um programa juntos assim, não é querido?
JOAQUIM: - É mesmo...
SÉRGIO: - E vocês fazem muito bem. Não se pode deixar a chama do amor se apagar com o tempo...
ALICE: - Olha só, o Sérgio está inspirado!

Todos riem, menos Guto, que permanece quieto.

MATILDE; - O que foi Guto? Está tão quietinho...
JOAQUIM: - Aconteceu alguma coisa?

Alice e Brenda se olham.

GUTO: - Nada não, dona Matilde, seu Joaquim... Só acordei um pouco mais tranqüilo hoje, só isso...
JOAQUIM: - E cansado também... O restaurante deu bastante movimento ontem?
SÉRGIO: - Foi um movimento tranqüilo, seu Joaquim. Deu para administrar legal.
BRENDA (levantando-se da mesa): - Bom pessoal, a conversa está boa, mas eu vou ter que dar uma saída.
MATILDE: - E vai aonde, Brenda?
BRENDA: - Resolver uns compromissos, vovó. Não se preocupe.
JOAQUIM: - Vá com Deus, minha filha.

Brenda beija Matilde e Joaquim. Guto a observa.

BRENDA: - Tchau gente, bom dia para todos!

Brenda sai.

MATILDE: - Resolver compromissos... O que será hein?
JOAQUIM: - Você não vai com ela, Guto?

Guto não responde. Ele se levanta rapidamente da mesa e sai apressado da sala.

JOAQUIM: - Guto! Guto!... Mas o que deu nesse garoto?
MATILDE; - Saiu rápido, cara fechada feito um touro bravo!...
ALICE; - Acontece, seu Joaquim, dona Matilde, que ontem, a Brenda e o Guto terminaram o namoro.
MATILDE: - Oh, que pena!
SÉRGIO: - E ele ficou muito sentido com tudo isso...
JOAQUIM: - Ah, se eu soubesse disso antes, não teria perguntado para ele...
ALICE: - Não tem problema, seu Joaquim. Ele vai se conformar, aos poucos...




CENA 23. RESTAURANTE MARESIA. EXT. DIA.

Guto está parado, em frente ao restaurante, pensando em Brenda. Ele chora, mas logo seca as lágrimas, tentando ser forte.

CENA 24. CASA HENRIQUE. QUARTO HENRIQUE. INT. DIA.

     Henrique está no quarto se arrumando para ir trabalhar, quando Silvana entra no local. Henrique está terminando de se vestir.

SILVANA: - Você chegou tarde ontem...
HENRIQUE (vestindo a camisa): - É, não deu para vir mais cedo...
SILVANA: - O problema deve ter sido sério lá na companhia...
HENRIQUE (em frente ao espelho): - Foi, foi bem complicado.
SILVANA: - E o que era?
HENRIQUE: - Ah, problema na listagem de documentos de algumas lanchas. O pessoal se confundiu e aí eu tive que ir lá para ajudar.
SILVANA (desconfiada): - E demorou tanto assim para organizar documentos?
HENRIQUE: - Silvana, essas coisas demoram... (vira-se para Silvana). Você acha que não?
SILVANA: - A única coisa que eu acho é que você demorou demais, só isso...
HENRIQUE: - Acontece, meu amor... Problemas, quando surgem, a gente precisa resolver na hora, senão, fica impossível contornar tudo.
SILVANA: - Hum...
HENRIQUE: - Você está desconfiando de mim?
SILVANA: - Eu?
HENRIQUE: - É. Está me enchendo de perguntas, um interrogatório.
SILVANA: - Só achei estranho surgir um problema àquela hora da noite, e você demorar tanto tempo para resolver isso. Convenhamos, não é normal.
HENRIQUE (elevando a voz): - Claro que é normal! Já falei que problemas acontecem!
SILVANA: - Não precisa levantar a voz comigo. Não há necessidade para isso, Henrique.
HENRIQUE: - Desculpa, desculpa. Não queria me exaltar com você. Eu vou pra companhia. Nos falamos mais tarde.

     Henrique beija a testa de Silvana e sai. Ela fica pensativa dentro do quarto.

CENA 25. SÃO PAULO. HOTEL. QUARTO. INT. DIA.

     Rúbia pega o celular e liga para César, mas não consegue falar com ele, pois a ligação cai na caixa posta.

RÚBIA: - Caixa postal? Droga, o César desligou o celular!... Vou ligar para casa dele.

     Rúbia liga para a mansão.

RÚBIA: - Alô?!
(T)
RÚBIA: - É a Rúbia. Eu quero falar com o César., agora.
(T)
RÚBIA: - Oi Clarisse... Eu quero falar com o César, agora!
(T)
RUBIA: - Ah, ele não está?
(T)
RÚBIA: - Sei... Saiu é?
(T)
RÚBIA: - E você não sabe pra onde ele foi? Se foi para o projeto ambiental, para a Best Fish...?
(T)
RÚBIA: - ele não disse nada?
(T)
RÚBIA: - Certo. Tchau.

     Rúbia desliga o telefone, desconfiada.

RÚBIA: - Aonde será que ele está?... Deve estar com os caretas do Fredy e da Lílian...

CENA 26. CENTRO PRAIA REAL. PRAÇA CENTRAL. EXT. DIA.

     Brenda e César se encontram na praça. Os dois se beijam.

CÉSAR: - Sentiu saudades?
BRENDA; - Muita! Muita saudade!
CÉSAR: - E aí, como foi?
BRENDA: - Foi difícil, César... Terminar com o Guto foi mais difícil do que eu pensava. Ele é um cara muito especial para mim, entende? Uma pessoa única, que está sempre do meu lado... Praticamente um irmão. Mas eu expliquei para ele que é você que eu amo e é com você que eu vou ficar.
CÉSAR: - É mesmo?
BRENDA; - Sim. Para o resto da minha vida!

Os dois se abraçam e se beijam novamente.

CÉSAR: - Ah, pensei num programa bem bom para a gente, já que hoje você vai ficar o dia todo comigo...
BRENDA; - Nossa, que ótimo!
CÉSAR: - Vou te levar num lugar que você vai gostar muito.
BRENDA; - Ai, meu Deus! Para onde você vai me levar, hein? Já estou ansiosa!
CÉSAR: - Você, aliás, será a primeira pessoa a ir nesse local.
BRENDA: - Quanta honra...
CÉSAR: - Te amo.
BRENDA; - Também te amo, César.

Os dois se beijam apaixonados.

CENA 27. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. DIA.

     O pessoal atende os clientes no restaurante. Alice está no balcão do caixa. Guto se aproxima.

ALICE: - Eu sei que você está chateado com tudo o que aconteceu, Guto. Mas você vai conseguir superar essa tristeza aí dentro do seu coração.
GUTO: - Espero que sim, Alice, porque está difícil. Está muito difícil esquecer a Brenda. Ela é o amor da minha vida. Eu a amo demais!
ALICE; - Eu sei disso, mas pensa bem... Ela não estava se sentindo bem estando com você gostando de outra pessoa. Ninguém ficaria bem numa situação dessas. Foi melhor assim. E pode acreditar, a Brenda tem um carinho muito grande por você.
GUTO: - Mas aqui no meu coração ainda ficou uma pontinha de esperança, de que ela um dia ainda sinta amor por mim...

     Alice olha um pouco consentida para Guto.

GUTO: - Eu vou trabalhar. É o melhor que se pode fazer agora.

     Guto vai atender os clientes.

CENA 28. APTO FELIPE. QUARTO. INT. DIA.

     Imagens do quarto de Felipe. Há roupas espalhadas pelo chão. CAM percorre a cama, dos pés à cabeceira. Felipe e o garoto de programa estão deitados, seminus, dormindo. Felipe, aos poucos, se acorda. Ele percebe que o garoto de programa continua em sua cama.

FELIPE (acordando o garoto): - Ei, acorda.

     O rapaz não responde. Felipe chama novamente.

FELIPE: - Ei, acorda aí!

     O rapaz aos poucos, se acorda.

FELIPE (levantando-se): - Pega as suas coisas e vai embora.
GAROTO DE PROGRAMA: - Eu ainda não recebi pelo serviço.

     Felipe vai até uma mesinha, pega sua carteira, retira o dinheiro e joga sobre a cama. O garoto fica a observá-lo.

FELIPE: - Está tudo aí. Eu pro banho e quando eu sair, não quero ver nenhum vestígio seu aqui dentro. Entendeu?
GAROTO DE PROGRAMA: - Entendi sim.
FELIPE: - Ah! E nem ouse em pegar alguma coisa aqui do apartamento. Eu conheço seu chefe e já tenho todas as informações sobre você. Eu te acho nem que seja no inferno.
GAROTO DE PROGRAMA: - Não precisa se preocupar. Não sou desses aí não.
FELIPE: - Tudo bem. Agora vai. Sai fora!

     O rapaz levanta-se da cama e começa a catar suas roupas pelo quarto. Felipe fica a observá-lo. O rapaz recolhe todas as peças.

FELIPE: - Acabou?
GAROTO DE PROGRAMA: - Acho que sim.

     Felipe se aproxima e beija intensamente o garoto de programa. Ele termina o beijo e dá dois tapinhas na cara o rapaz.

FELIPE: - Assim que eu gosto.

     Felipe vai para o banheiro. O rapaz fica surpreso. Veste-se rapidamente, pega o dinheiro sobre a cama e vai embora.

CENA 29.APTO FELIPE. BANHEIRO. INT. DIA.

     Felipe toma banho. CAM acompanha a água que cai sobre o seu corpo. Felipe relaxa. Sente-se realizado.

CENA 30. SÃO PAULO. HOTEL. QUARTO. INT. DIA.

     Rúbia e Patrícia arrumam as coisas para a viagem.

PATRÍCIA; - Então, conseguiu falar com o César?
RÚBIA: - Não consegui. Liguei para o celular e caiu na caixa postal. Liguei para a casa dele e a empregadinha atendeu, dizendo que ele tinha saído, não disse para onde ia... Deve estar com os amiguinhos do projeto ambiental.
PATRÍCIA: - Pode ser. Aquela sem graça da Lílian e aquele pão de mel do Fredy...
RÚBIA: - O Fredy? Pão de mel?! (risos)
PATRÍCIA (se abanando com uma peça de roupa): - Ah, eu acho ele lindo! Um deus grego, bonitão, gostoso!... Nossa!
RÚBIA: - É, pensando bem, pra feio ele não serve. Mas também não é essa coisa toda que você está falando...
PATRÍCIA: - Ah, eu acho... E por falar em homem bonito, o que foi a visita do Cadu aqui ontem?!
RÚBIA: - Ai, Paty, nem me fala!... Você acredita que ele veio aqui e se declarou para mim!
PATRÍCIA: - Sério?!
RÚBIA: - Se declarou totalmente! Disse que está apaixonado por mim e tudo. Pediu até para mim deixar o César, minha vida lá em Praia Real e ficar aqui em São Paulo com ele, acredita?
PATRÍCIA: - E você?
RÚBIA: - Disse não, né Paty! Não posso largar tudo e me jogar nos braços do Cadu assim... Ele é rico, carinhoso, bonito, mas não há como isso acontecer. Imagina, eu deixar o César logo agora que estou com um pé no altar?
PATRÍCIA: - É mesmo, seria muita loucura...
RÚBIA: - Loucura total... Coitadinho do Cadu, até me deu uma peninha depois sabe?
PATRÍCIA: - Peninha?
RÚBIA: - É... ele saiu daqui tão triste... Mas fazer o quê? A vida é assim mesmo. Nem sempre se consegue o que quer.
PATRÍCIA: - É verdade... No momento eu quero fechar essa mala aqui e não consigo. Você ajuda aqui, afinal, isso tudo aqui é seu!
RÚBIA: - Claro! Cuidado para não estragar meus vestidos!

     Rúbia e Patrícia tentam fechar a mala, lotada de roupas.

CENA 31. CLÍNICA CADU. SALA CADU. INT. DIA.

     Cadu fica pensando em Rúbia. Em OFF, os dizeres de Rúbia. (“Não, Cadu. Não vou pensar em nada... Eu não posso deixar a minha vida toda e viver aqui com você. Não dá, não tem como... Desculpa. Eu sei que essa não era a resposta que você queria ouvir, mas é a única que eu posso te dar.”)

CADU: - Rúbia, Rúbia... Você arrebatou meu coração... O que eu faço, meu Deus! O que eu faço?!

     Cadu fica pensativo.

CENA 32. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

     A campainha da casa de Sônia toca. Sônia entra na sala para atender a porta. Ela abre a porta e se surpreende ao ver Silvana.

SÔNIA: - Silvana?!
SILVANA: - Oi Sônia. Desculpa eu vir assim na sua casa, sem avisar. Mas é que eu preciso muito falar com alguém e, bem, eu posso entrar?

     As duas ficam a olhar.

CENA 33. CASA ALBERTO. ESCRITÓRIO. INT. DIA.

     Tânia entra no escritório e tranca a porta. Ela pega o telefone e liga. Alternar imagens entre Tânia e Heraldo.

TÂNIA: - Alô? Heraldo? Sou eu, Tânia.
HERALDO: - Pensei que tivesse esquecido de mim. Não deu mais sinal de vida.
TÂNIA: - Eu sei querido, mas é aconteceram tantas coisas aqui em casa... Mas eu estou ligando para te falar que você vai precisar trocar de hotel.
HERALDO: - Trocar de hotel? Mas por que?
TÂNIA; - Porque está ficando arriscada a sua permanência nesse hotel.
HERALDO: - Tudo bem, mas eu vou para onde agora?
TÂNIA: - Anota aí o endereço que eu vou dizer.
HERALDO: - Mas não é uma pensão vagabunda não, né?
TÂNIA: - Não se preocupe, Heraldo. Eu não iria fazer isso com você... Agora anota aí o endereço do hotel.

     Tânia segue conversando com Heraldo.

CENA 34. SHOPPING PRAIA REAL. INT. DIA.

     Imagens de César e Brenda passeando no shopping, fazendo compras, se divertindo na seção dos games, tomando sorvete na praça de alimentação. Os dois estão visivelmente felizes e apaixonados.

CENA 35. BEST FISH. SALA LEANDRO. INT. DIA.

     Tomás e Leandro conversam.

LEANDRO: - Levei a Mônica até o aeroporto sim.
TOMÁS: - Quanta gentileza, Leandro...
LEANDRO: - Coisa de amigo só isso...
TOMÁS: - Mas você está afim mesmo é de uma amizade colorida então, porque eu já percebi várias vezes as trocas de olhares entre você e a Mônica.
LEANDRO: - pshii!!! Fala baixo! Se alguém escuta isso e sai entendendo tudo errado, já viu... E você também está enganado quanto a minha relação com a Mônica. Somos apenas amigo e pronto.
TOMÁS: - Eu só vou te dar um conselho, ô gavião: toma cuidado com esse seu lance com a Mônica... A menina é jovem, bonita, está com toda vitalidade do mundo...
LEANDRO: - Ei, ta dizendo que eu não tenho capacidade pra segurar um avião como a Mônica, é isso?
TOMÁS: - Não é isso. Só estou falando pra você abrir seu olho, porque essa história pode não acabar bem...
LEANDRO: - Iiiih Tomás! Pode parar com esse papo aí... Não tem história nenhuma, não tem, e tudo vai acabar bem, certo?... Vamos deixar isso pra lá... E a Cristina, como está?
TOMÁS: - Está bem, tranqüila... Ontem chegou em casa, conversando tranqüila...
LEANDRO: - É, mas a Vera me falou que as duas tiveram uma discussão daquelas na boutique.
TOMÁS (surpreso): - É mesmo? A Cristina não me disse nada disso.
LEANDRO: - Pois é. Mas parece que depois se entenderam. Ainda bem, não é? Seria terrível ver as duas irmãs brigadas.
TOMÁS: - É mesmo...

     Tomás fica pensativo.

CENA 36. BOUTIQUE POEME. INT. DIA.

     Cristina está atendendo uma cliente, enquanto Vera a observa do balcão. Zoraide se aproxima.

ZORAIDE: - Está tudo bem dona Vera? A senhora está aí parada já há um bom tempo, olhando pro nada.
VERA: - Estou observando a Cristina, Zoraide. Ela parece tão bem, sensata...
ZORAIDE: - Parece mesmo. Nem de longe lembra aquela fera que gritava ontem no escritório, discutindo com a senhora.

     Vera olha surpresa para Zoraide.

ZORAIDE: - Desculpa, dona Vera, mas não teve quem aqui na boutique ouvisse a discussão de vocês. A sorte é que a loja estava vazia naquele instante, senão as clientes todas iriam ouvir.
VERA: - Eu sei. Foi uma discussão pesada mesmo. Não deveria ter acontecido, mas aconteceu... Mas agora já está tudo bem e eu espero que não aconteça novamente.
ZORAIDE: - Que bom, dona Vera.Bom, vou lá dentro arrumar minhas coisas.
VERA: - Arrumar suas coisas?
ZORAIDE: - É dona Vera! Esqueceu que hoje eu tenho dentista?
VERA: - Claro, Zoraide. Pode ir, desculpe.
ZORAIDE: - Vou lá então. Bom dia para a senhora.

     Zoraide se afasta. Vera volta-se para o serviço.

CENA 37. LONDRES. UNIVERSIDADE. INT. DIA.

     Matheus caminha pela universidade, observando tudo, distraído, quando esbarra num rapaz.

MATHEUS: - Oh, desculpe! Quero dizer, sorry!
NATANAEL: - Não tem nada não.
MATHEUS: - Brasileiro?
NATANAEL: - Sou sim.
MATHEUS; - E faz o que aqui?
NATANAEL: - Eu estudo aqui na universidade. (estendo a mão) Me chamo Natanael. E você?
MATHEUS (cumprimentando): - Matheus.

     Os dois se cumprimentam.

NATANAEL: - Nossa, é bom encontrar brasileiros aqui. Não há quase ninguém!
MATHEUS: - Bom, eu mesmo não vi nenhum brasileiro aqui, quero dizer, agora estou vendo você.
NATANAEL: - Veio estudar aqui também?
MATHEUS: - É... Estou conhecendo a universidade. Ainda não sei certo se vou ficar ou não. Você é de onde?
NATANAEL: - Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa! E você?
MATHEUS: - Praia Real.
NATANAEL: - Praia Real! Nossa! Aquilo lá é um paraíso na terra! Não há lugar mais bonito!
MATHEUS; - É  uma cidade muito linda mesmo.
NATANAEL: - Já passei por lá várias vezes.
MATHEUS: - Como assim? A trabalho?
NATANAEL: - Não, a passeio mesmo. De avião. Eu tenho um ultraleve e aí gosto de viajar por aí voando.
MATHEUS: - E está estudando o que aqui? Engenharia aeroespacial?
NATANAEL: - Não! Administração.
MATHEUS: - Mas por que, se você gosta mesmo é de voar?
NATANAEL: - Meus pais. Na verdade só o meu velho. Minha família é dona de empresas, temos negócios em todo o Estado do Rio e também em outros lugares do Brasil.
MATHEUS: - E aí seu pai quer que você controle os negócios da família...
NATANAEL: - Isso mesmo. E para isso, ele suspendeu meus vôos. Só deixaria eu pilotar novamente depois que me formasse em algo que me fizesse crescer, ser alguém na vida... então eu aceitei em estudar aqui... Mas não pretendo seguir carreira não. Em pouco tempo eu termino a graduação, entro no meu aviãozinho e faço uma viagem pelo mundo...
MATHEUS: - Nossa, que legal!
NATANAEL: - Mas você veio para cá porque afinal?
MATHEUS: - É uma longa história...
NATANAEL: - Não tem problema cara. Minhas aulas hoje já encerraram. Tenho tempo de sobra... Bora lá pra cantina. Aí você me fala essa sua história aí.

Matheus e Natanael seguem conversando.


CENA 38. CASA PETRÔNIO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

     Helena está tensa, sentada no sofá da sala. Petrônio e Samantha descem as escadas, com roupas de banho. Os dois estão animados.

SAMANTHA: - Eu quero é pegar um bom bronzeado hoje!
PETRÔNIO: - Com esse sol bonito, vocÊ consegue rapidinho! Só não esqueça do protetor solar!
SAMANTHA: - Claro que não vou esquecer! Já está tudo lá fora!

Petrônio percebe que Helena está apreensiva.

Petrônio: - Vá indo Samantha, que eu quero falar com a Helena, coisa rápida. Já estou indo.
SAMANTHA: - Está bom, Pepê!

Samantha e Petrônio dão uma bitoquinha. Samantha sai. Petrônio se aproxima de Helena.

PETRÔNIO: - Aconteceu alguma coisa, Helena?
HELENA: - Hã?
PETRÔNIO: - Te perguntei se aconteceu alguma coisa? Você está sentada aí no sofá, com uma cara tensa, parece preocupada com algo...
HELENA: - Não, tem nada não papai, não precisa se preocupar.
PETRONIO: - Tem certeza que não tem nada mesmo?
HELENA; - Tenho sim. Está tudo bem comigo. Só estou pensando numas coisas aqui, concentrada... Nada demais.
PETRÔNIO: - Tudo bem então. Não quer ir tomar um sol, um banho de piscina conosco? Eu e a Samantha vamos aproveitar esse dia lindo!
HELENA: - Não, papai, obrigada. Pode ir, aproveitar. Eu vou ficar por aqui mesmo.

Petrônio beija Helena e sai. Ela continua na sala pensativa.

CENA 39. OBRAS RESORT. INT. DIA. 

Adriano e Diogo caminham pelos espaços construídos no resort.

DIOGO: - Meu amigo, que história maluca é essa!
ADRIANO: - Isso mesmo. Mas agora já está tudo resolvido. A Sônia está de bem com seu pai. O Henrique também ficou em paz.
DIOGO: - Mas vocês já conversaram com as meninas? Já falaram a verdade para elas?
ADRIANO: - Ainda não. Elas não sabem de nada, mas logo saberão. Seu Joaquim pediu um tempinho para se recuperar, né? É muita coisa acontecendo...
DIOGO; - Mas vai dar tudo certo, com certeza.
ADRIANO: - Se Deus quiser... E o seu filho, o Matheus, como está indo lá em Londres?
DIOGO; - Acho que está bem, ainda não me mandou notícias...
ADRIANO: - Mas você não falou com a sua ex-mulher?
DIOGO: - Buscar alguma notícia com a Helena é a mesma coisa de falar com as paredes. Ela não vai me dar satisfação nenhuma do Matheus.
ADRIANO: - Não tem jeito de vocês se acertarem mesmo?
DIOGO: - Nada, nenhuma. Helena nunca vai deixar de ser arrogante. Uma pena... Vai aprender na marra, com a vida...
ADRIANO: - E a Clarisse? Não viu mais ela não?
DIOGO: - Nada! Nenhuma notícia!...
ADRIANO: - Diogo, você não pode ficar parado! Vai atrás dela!
DIOGO: - Você acha que eu não tenho vontade? Isso é o que eu mais quero... Mas ela é casada, Adriano. E o marido dela é um cavalo, troglodita!
ADRIANO: - Enfrenta ele!
DIOGO (risos): - Você não pode estar falando sério...
ADRIANO: - Mas estou sim! Se você gosta mesmo da Clarisse, cara, não pode deixar ela escapar fácil assim...

     Diogo fica pensativo.

CENA 40. CASA SÔNIA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

     Sônia e Silvana conversam.

SILVANA: - Eu sei que é ruim receber alguém assim, sem avisar, mas acontece que eu estou me sentindo sufocada, Sônia.
SÔNIA: - Calma Silvana, me explica isso direito. Está se sentindo sufocada com o quê?
SILVANA: - Com a atual situação do meu casamento.
SÔNIA: - Desculpa perguntar, mas... O que está acontecendo?
SILVANA: - Eu estou desconfiada de que o Henrique esteja me traindo.

      Sônia fica surpresa.

SÔNIA: - O Henrique? Traindo você?
SILVANA; - Isso mesmo, Sônia. Eu não sei, mas algo me diz que ele está tendo um caso com outra pessoa.
SÔNIA: - Como assim? De onde você tirou essa ideia, Silvana?
SILVANA: - Não vem de hoje essa minha desconfiança... Nós já passamos por uma pequena crise, ainda mais depois da descoberta de que eu não posso ter filhos... Mas ontem... Ontem aconteceu algo que eu fiquei extremamente intrigada.
SÔNIA (disfarçando): - Mas o que aconteceu ontem?
SILVANA: - Já era noite, horário que ele sempre está em casa, quando ele avisou que iria sair para resolver um problema na companhia. Eu achei estranho, mas até então, tudo bem...
SÔNIA: - Mas se estava tudo bem, não há problema nenhum.
SILVANA: - Há sim. O Henrique chegou em casa já era tarde da noite em casa... E hoje, quando eu questionei ele, ele levantou a voz para mim. Ficou totalmente exaltado comigo!
SÔNIA: - Mas Silvana, isso não significa que ele esteja traindo você...
SILVANA (um tanto perturbada): - Ai, Sônia! Eu estou tão insegura... Na verdade eu estou com medo! Estou com medo de perder o Henrique!

      Sônia fica apreensiva com Silvana.

SILVANA: - Eu não sei o que pode acontecer comigo se eu perder o Henrique para outra mulher...
SÔNIA: - Silvana, não diga isso...
SILVANA: - Eu sou capaz de uma loucura por esse homem, Sônia! Uma loucura!

      Sônia se impressiona com os dizeres de Silvana.

CENA 41. CAFETERIA. INT. DIA.

     Brenda e César conversam.

BRENDA; - Estou me sentindo uma princesa, com você me paparicando assim com tanta coisa boa!
CÉSAR: - Você é uma princesa, Brenda. A minha princesa! Linda! Linda!

     Os dois se beijam.

CÉSAR: - Já terminou seu café?
BRENDA: - Aham.
CÉSAR: - Então agora eu vou te levar para aquele lugar que eu falei pra você, lembra?
BRENDA; - Claro que lembro! O lugar onde eu serei a primeira pessoa a ir... Estou ansiosa!
CÉSAR: - Então vamos lá!

     Os dois saem da cafeteria animados.

CENA 42. BEST FISH. SALA FELIPE/ MARINA. INT. DIA.

     Felipe e Marina trabalham sozinhos na sala, mas não trocam uma palavra. O silêncio prevalece no local. Marina sente-se incomodada com a situação e tenta falar com Felipe.

MARINA: - Você viu os arquivos que eu mandei para você por e-mail?

Felipe não responde.

MARINA: - Mandei também umas planilhas que achei interessante você dar uma olhada.

Felipe permanece quieto, na frente do seu computador.

MARINA: - Felipe, se você não quiser falar comigo por causa de assuntos pessoais, eu até entendo. Mas aqui, a gente precisa conversar sobre os assuntos da empresa!

     Felipe continua sem responder, nem sequer olha para Marina. Marina levanta-se da sua mesa e vai até a mesa de Felipe.

MARINA: - Quando é que você vai parar com essa birra, com essa guerra contra mim, hein?
FELIPE: - Isso só vai ter fim, quando você for embora daqui, Marina.
MARINA; - Como é que é?
FELIPE: - Essa guerra só vai terminar quando você for embora daqui! Deixar essa empresa e voltar para a Noruega, de onde você nunca deveria ter saído.
MARINA: - Como você é frio... Fique você bem avisado que eu não irei embora daqui. Eu voltei e voltei para ficar, você querendo ou não! E outra! Estou cansada das suas grosserias e intimidações, Felipe. Chega! Acabou! Fique você com esse seu joguinho bobo aí. Se não quiser colaborar, não tem problema, eu mesma faço todo o serviço sozinha. Mas depois não venha reclamar se os louros da vitória vierem para mim.
FELIPE: - Louros da vitória?! Você acha que vai conseguir alguma coisa, Marina?
MARINA: - Pode apostar que eu vou. Palavra de Marina Rosenberg Walker.

 Marina volta para a sua mesa. Felipe fica surpreso com a atitude dela.

CENA 43. APTO CÉSAR. INT. DIA.

     César abre a porta do apartamento.

CÉSAR: - Seja bem-vinda ao meu apartamento.
BRENDA (entrando / surpresa): - César! É lindo!

CAM mostra uma visão geral do apartamento de César, totalmente decorado numa temática ambiental. A janela da varanda de frente para o mar. É possível ver também um morro, e também uma parte da cidade.

BRENDA; - Você nunca me falou que tinha um apartamento!
CÉSAR: - Eu não falei para ninguém. Ninguém sabe... Eu comprei esse apartamento já tem um tempo. Na época, eu estava amadurecendo a ideia de sair da mansão, de ir morar sozinho. Uma forma de conquistar a minha independência. Mas aí, surgiu o projeto ambiental e eu me dediquei totalmente à ele. Aí o apartamento foi ficando para trás e eu acabei ficando na mansão. Mas não me desfiz dele.
BRENDA; - Fez muito bem... É um lugar lindo com uma vista maravilhosa! Da pra ver tudo daqui!
CÉSAR (abraçando Brenda): - E é aqui que eu pretendo viver com você, meu amor.
BRENDA: - Eu iria adorar viver com você.
CÉSAR: - Eu já disse que te amo hoje?
BRENDA: - Já... Várias vezes!... Mas eu adoraria ouvir mais uma vez, ou melhor, quantas vezes você achar que deve me dizer... Sabe por quê? Porque eu também amo você. Amo muito!
CÉSAR: - Eu te amo!

     Os dois se beijam apaixonadamente. César pega Brenda nos braços e a leva para o interior do apartamento.

CENA 44. APTO CÉSAR. QUARTO. INT. DIA.

     César entra com Brenda nos braços e a deita sobre a cama. Os dois se olham profundamente. César acaricia o rosto de Brenda e sua mão percorre todo o corpo dela. Brenda sorri, carinhosamente.

BRENDA: - Eu esperei muito tempo por esse momento.
CÉSAR: - Então vamos vivê-lo com todo o amor e carinho.

     César e Brenda se beijam. Aos poucos, vão se despindo de suas roupas, enquanto trocam carícias e beijos. César e Brenda fazem amor, apaixonadamente.

               FIM DO CAPÍTULO


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