segunda-feira, 6 de julho de 2015

Conto: Perdido no tempo

        ATO I
FADE IN
CENA 01. VILAREJO. RUA DE PIÇARRA. EXT. NOITE.
Em VICENTE de 17 anos, pele branca, olhos pretos, cabelos cacheados, usando uma calça jeans e uma camisa gola polo azul. Ele caminha lentamente pela rua mal iluminada.
Logo atrás, um grupo de cinco adolescentes bêbados, rindo alto.
ADOLESCENTE #1- (CANTA) Um viadinho andando na rua até que o seu lobo não vem, não é galera?
ADOLESCENTES- (TODOS) SIM!
VOLTA em Vicente com os olhos lacrimejando e apressando os passos.
ADOLESCENTE #2- Ei frutinha volta aqui!
Os olhos dele se enchem de lágrimas que descem a face, mas ele as limpa rapidamente. 
Vicente corre envergonhado.
ADOLESCENTE #1- A bichona fugiu!
(V.O.) RISADAS DOS ADOLESCENTES.
CÂMERA FOCA em Vicente sumindo em meio a escuridão da rua.
CORTA PARA:
FADE TO BLACK
TEXTO INVADE A TELA:
São poucos os passos os quais dou, que não esbarro na mesma pedra, a pedra das minhas angústias, do meu repetido, porém crescente sofrimento. O sofrimento de querer ser algo que não sou, de sentir a solidão que tanto rejeito, mas que em minhas palavras a idolatria. Depois, tudo é sucumbido num sorriso falso, daqueles de canto, mal sabem do que sofro.
FADE OUT. FADE IN.
CENA 02. FRENTE DA CASA DA FAMÍLIA FERNÁNDEZ. EXT. NOITE.
Plano geral da fachada da casa simples, pintada de um azul claro. Uma lâmpada florescente ilumina a frente da casa, onde vemos um pequeno jardim.
A rua está deserta, exceto por Vicente que caminha em direção a ENTRADA DA CASA DA FAMÍLIA FERNÁNDEZ.
Vicente para em frente a porta. Chorando, ele a abre.    
CENA 03. CASA DA FAMÍLIA FERNÁNDEZ. SALA. INT. NOITE.
FÁTIMA, uma mulher de 40 anos, pele parda, olhos castanhos, usando um vestido. Se balança em uma cadeira. É possível OUVIR chiados, em cada movimento.
Ela levanta-se da cadeira e olha da janela da sala, mas não vê ninguém. E nesse instante OUVIMOS a batida de uma porta.
Assustada, vira-se e vê o filho, Vicente. Chorando, Vicente a encara.
Fátima aproxima-se dele e o abraça.
FÁTIMA- O que houve? Por que tá chorando? Aconteceu alguma coisa? Conta pra mamãe.
Vicente a em empurra, e Fátima quase cai.
VICENTE- (TOM) O que houve? É só isso que a senhora sabe perguntar? Quer saber de verdade o porquê do meu choro? (TEMPO/ ELEVA MAIS A VOZ) Porque desde os sete anos sofro com os mesmos apelidos, as mesmas brincadeiras de mal gosto. Eu não aguento mais chorar pelas mesmas ofensas... Por tudo.
FÁTIMA- Eu te entendo Vicente, mas quem pode mudar essa situação é só você.
Vicente endurece a expressão e mostra-se indignado.
VICENTE- É uma namorada que a senhora quer, não é isso?
FÁTIMA- Não é bem assim.
VICENTE- (REPETINDO) É uma namorada, não é?
Fátima abraça Vicente, mas ele a afasta.
VICENTE- Se a senhora quer uma namorada, eu vou ter. (P) Mas se eu for infeliz, dona Fátima, a culpa é sua. (PRETENCIOSO) Pois eu  vou te dá netos, uma família de fachada!
FÁTIMA- Filho quero sua felicidade, não ao contrário.
Vicente vira de costas, indo para PORTA DA SALA.
Fátima vai atrás dele, aproximando-se.
FÁTIMA- Eu te amo, filho.
Vicente coloca a mão na maçaneta e abre a porta. Depois, volta-se para Fátima.
VICENTE- A senhora tentou me abortar, não foi?
FÁTIMA- Por que agora? Se você quer saber sim, mas eu me arrependo, pronto! Eu te dei amor, o amor que o seu pai te negou!
VICENTE- Você entende que nem tudo foi culpa minha? Eu sinto um vazio tão grande. Eu queria ele do meu lado, só do meu lado.   
FÁTIMA- Eu não te culpo.
VICENTE- (TOM) Como não? Eu sinto a indiferença, sinto a falta da senhora, por mais que diga que me ama, eu sei que existe essa indiferença.
Fátima fica calada e abaixa a cabeça.
VICENTE- Dizer que existe amor é fácil, provar é difícil.
Vicente vira-se para a porta e vai embora.
EM FÁTIMA.
CENA 04. ORLA DO VILAREJO. EXT. NOITE.
PLANO GERAL da Orla com uma calçada extensa, barcos encostados no cais, a maré está enchendo. Ao fundo, uma área de manguezal.
De costas, vemos Vicente, sentado na calçada, de frente para o mar. Levanta-se, caminhando.
VICENTE- (GRITANDO) Por que, vida? Por que faz isso comigo? Já não basta eu ter sofrido? Já não é o suficiente pra você?
Ao fundo, um homem de 62 anos, pele parda, olhos pretos, usando uma capa azul, caminha olhando firme para Vicente, sem que seja percebido.  
NARRADOR- (V.O) O sofrimento dele se faz diante de tudo. Eu acompanhei o nascimento, o crescimento, e essa fase, que sinceramente, está sendo a mais difícil. Ele sofreu e esses sofrimentos, não são de hoje, mas sim da infância. As marcas que poucos conseguem arrancar de sua memória.  
FADE OUT.
FUNDE COM:
== FLASHBACKS ==
CENA 05. CASA DA FAMÍLIA FERNÁNDEZ. QUARTO DO CASAL. INT. DIA.
FADE IN em Fátima diante de um Homem (40 anos, pele morena), ele  está extremamente furioso. Homem anda de um lado a outro. Fátima tenta acalmá-lo.
FÁTIMA- Tenta ficar calmo, Fernando.
FERNANDO- Como? Você deveria ter me tido que o seu filho era gay! Porque a única culpada dele ter ficado assim é você.
FÁTIMA- (TOM) O Vicente não é gay, entende isso! Ele é só uma criança, procura entender.
FERNANDO- Eu já fui criança, mas nem por isso andava me rebolando, para cima e para baixo, feito um boiola.
FÁTIMA- Não fala desse jeito do seu filho. Ele é sangue do seu sangue.
FERNANDO- Não é mais. Eu vou embora. Não quero passar vergonha tendo um filho viado.
Fernando abre o guarda-roupa e tira algumas roupas de lá. Depois, joga em cima da cama.
FÁTIMA- Eu te amo, Fernando. Não vai embora, por favor.
FERNANDO- Mas, eu não te amo. Acabou no dia em que o Vicente nasceu.
Em Vicente (Com seus 12 anos) que entra no lugar, muito abalado.
Fátima se assusta ao ver o filho, Vicente. Assustada, Fátima vai até ele.
FÁTIMA- Você não deveria ter vindo até aqui,  Vicente! Eu mandei você ficar lá na sala.
Em Fernando que se aproxima de Vicente, é quando ele dá-lhe um soco no filho, fazendo-o cair.
FERNANDO- Isso é pra você aprender a ser homem! (TOM) Boiola!
Fátima ajoelha-se perante Vicente no chão. O lábio superior do adolescente sangra.
FÁTIMA- Como pode fazer isso com o seu próprio filho?
FERNANDO- Ele não é meu filho e nunca vai ser.
NARRADOR- (V.O) Foi nesse momento que tudo, exatamente tudo em que o Vicente acreditava começava-se a ruir. 
E Fernando vai embora, furioso.
VICENTE- Me perdoa, mãe.
FÁTIMA- Fica calmo filho.
EM LÚCIA.
CENA 06. PRAÇA DO VILAREJO. INT. DIA.
LEGENDA: ALGUM TEMPO DEPOIS.
A praça é rodeada por árvores de médio porte, e grandes arbustos, canteiros de rosas, tanto brancas, quanto vermelhas. Alguns brinquedos, como: Escorrega bunda, balanço, gangorra. Crianças se divertem nos brinquedos. Muita movimentação. 
Em uma criança de mais ou menos cinco meses, muito gordinha, pele parda, cabelos cacheados, sendo segurada por mãos masculinas, até revelar Isaque (29 anos, pele morena, olhos castanhos) brinca com a criança, sorridente.
Ao lado, Fátima e Vicente, ele puxa o braço dela.
VICENTE- Deixa eu ir brincar, mãe.
FÁTIMA- Eu já disse que não e pronto!
ISAQUE- Vai lá garoto, deixa que eu me entendo com a fera.
Vicente sorri, correndo em direção as outras crianças. Fátima olha com desagrado para Isaque, que ignora.
ISAQUE- (P/ O BEBÊ) E bebezão lindo. Quem é o Lucas, hein? Fala pro papai?
Lucas faz um grunhido. E Isaque ri.
Na corrente enferrujada, que segura um dos bancos do balanço.
Vicente se balança, para um lado e outro. De repente, ele para e vê uma mulher de 28 anos, pele branca, olhos castanhos, cabelo liso, indo até Fátima e Isaque.
VICENTE- (O.S) Ela não pode chegar perto da mamãe. (GRITANDO) Mãe! Mãe!
Em Fátima de braços cruzados, com a fralda de pano de Lucas no ombro.
ISAQUE- Me dá a fralda.
Fátima pega a fralda e entrega.
MULHER- (O.S) Que beleza, não é? A puta do meu marido, junto com ele.
Fátima vira-se encarando a mulher.
MULHER- Sua desgraçada! Pilantra! Vagabunda! Sua miserável!
FÁTIMA- Eu acho melhor você abaixar o tom.
Em pés masculinos que correm sobre a areia da praça, revelando Vicente.  
Ele corre até a mãe, Fátima, e a abraça.
VICENTE- Mãe, por favor, não briga, eu tô te pedindo.
FÁTIMA- Eu não vou brigar, filho.
MULHER- E você? Não vai falar nada, Isaque? Eu sou sua mulher. A única!
ISAQUE- (RÍSPIDO) Vamos pra casa, Jaqueline.
JAQUELINE- Eu não vou pra canto algum. Vou ficar e ninguém vai me tirar daqui, entendeu Isaque?
ISAQUE- Você vai se arrepender de ter vindo atrás de mim.
Lucas começa a chorar e ao mesmo tempo a gritar.
JAQUELINE- Cê vai me bater? Hein? Eu tô cansada, cansada de você, cansada de tudo! Cansada de ser traída por qualquer uma, feito essa daí!
FÁTIMA- (TOM) Olha bem como você fala comigo, Jaqueline.
Chorando, Vicente abraça mais forte Fátima.
VICENTE- Papai do céu, por favor, não deixa eles brigarem. Eu te peço. Pai nosso que estais no céu, santificado seja vosso nome.
E Isaque entrega Lucas para Fátima que abraça o filho.
Isaque vai até Jaqueline, puxando-a pelo braço.
ISAQUE- (TOM) Vamos embora! Vai, anda!
EM VICENTE.
CORTA PARA:
== FIM DOS FLASHBACKS ==   
CENA 07. CASA DA FAMÍLIA FERNÁNDEZ. QUARTO DE FÁTIMA. INT. NOITE.
MÚSICA SOBE: OCEANO- DJAVAN.
Fátima, sentada sobre uma cama, chorando. Ela segura um envelope e o abre, aos poucos.
O quarto é simples, um abajur ilumina o ambiente, os móveis são de madeira, como: Guarda-roupa, penteadeira, cama.
ENCADEADO entre os detalhes do quarto, e Fátima lendo a carta, chorando. 
FÁTIMA- (O.S) Eu sei que te amei e sei também que esse amor foi recíproco. Quando eu vi você eu sabia que era amor. Quando nossos olhos se encontraram pela primeira vez, eu sentir... Sentir algo forte. Se manifestava todas as vezes em que te via. Era intenso, perigoso. (P) Eu tô indo embora, porque te amo. Não quero prejudicar a sua vida, com a minha bebedeira, talvez esse vício foi o que nos afastou. Esse talvez, foi pretencioso. Eu te amo, Fátima. (VOZ EMBARGADA) Cuida do nosso filho, o Lucas. Trata ele bem. Nunca fique com raiva de mim, algum dia eu volto e nós nos amamos. O sentimento é algo que fica, então... Eu te amo. Do seu amor, Isaque.
Chorando, Fátima se abraça a carta.
MÚSICA CONTINUA.
CORTA PARA:
CENA 08. CIDADE NOVA. BOTECO. INT. NOITE.
Há muitas pessoas sentadas nas mesas do ambiente.
No balcão, vemos Isaque, sentado em uma cadeira, segurando uma garrafa de cachaça pelo meio.
Ele coloca o litro na boca, bebendo o líquido por um longo tempo. Do seu rosto desce uma lágrima, que ele a limpa com a mão esquerda rapidamente. Música off.
Isaque tira um nota de cinquenta do bolso, e coloca sobre o balcão. Ele levanta da cadeira e SAI cambaleante do lugar, levando a garrafa.
CENA 09. CIDADE NOVA. ESTACIONAMENTO DO BOTECO. INT. NOITE.
Isaque tira do bolso uma chave e, ao mesmo tempo bebe a cachaça.
Ele coloca a chave na porta e não consegue abrir. Indignado, Isaque chuta o carro.
ISAQUE- Caralho! Que inferno é esse agora, hein? Nem esse diabo dessa porta abre?
Furioso, Isaque começa a dá socos no vento.
P.V de uma pessoa, observando Isaque, e aproximando-se aos poucos.
Isaque coloca a chave novamente na porta do carro, e dessa vez consegue destrancá-la. Pelo vidro da janela, Isaque percebe, logo atrás dele, um homem negro de 30 anos, alto, usando um macacão. Isaque vira-se e encara o Homem.
HOMEM- Precisa de alguma coisa?
ISAQUE- Não, não.
E Isaque entra no carro, fechando a porta. O homem continua parado, enquanto Isaque liga o carro e sai.
CENA 10. RODOVIA. EXT. NOITE.
O carro de Isaque segue por uma rodovia vazia.
INSERT- CARRO DE ISAQUE.
Uma foto de Fátima, sobre o banco do carona. É retirado de lá, por mãos masculinas, até revelar Isaque.
Ele está sem o cinto de segurança e com a garrafa de cachaça na mão esquerda.
ISAQUE- Eu te amei, Fátima. Mas, eu não quero mais viver. (GRITA) Não quero!
E Isaque abre a janela do carro, e coloca a cabeça para FORA DO VEÍCULO.
ISAQUE- (TOM) Eu te odeio Deus, te odeio!
(Instrumental de emoção, on).
VOLTA À CENA.
ÂNGULO AÉREO do carro rodopiando na estrada, indo em direção a uma ribanceira.
NARRADOR- (V.O) O ser humano tem todo direito de escolha, mas toda escolha tende a ter um preço a ser pago.     
OUVIMOS o grito de Isaque.
INSERT- CARRO DE ISAQUE.
Isaque segura o litro de cachaça e o coloca na boca, bebendo o líquido. Depois, joga-o no banco do carona e limpa a boca.
ISAQUE- Vai se fuder, caralho! Todos nós vamos para o paraíso, pois do inferno iremos nos livrar.
VOLTA À CENA.
O carro se aproxima da ribanceira, em alta velocidade. O veículo deixa marcas de pneus na estrada.  
CÂMERA ABRE e vemos o CARRO DE ISAQUE, descendo a ribanceira. O veículo capota várias vezes, e quando para se explode.
CÂMERA fica ali, por alguns segundos, e FUNDE COM: 
(Instrumental continua).
CENA 11. COMPILAÇÃO DE CENAS. INT. EXT. NOITE.
[EFEITO CÂMERA LENTA]
1. Casa da família Fernández. Quarto de Lucas. Int.
Em Lucas (Com 5 anos), usando um pijama da cor azul, com listras brancas. Ele está enrolado, até o pescoço. Está sobre a cama. Mãos femininas arrumam a coberta, revelando Fátima.
FÁTIMA- Te amo filho.
2. Casa de Jaqueline. Sala. Int.
Em uma aliança, sendo segurada por mãos femininas, até revelar Jaqueline.
Ela está deitada sobre o sofá, chorando.
PLANO SEQUÊNCIA:
1. De porta-retratos do casamento de Jaqueline e Isaque, sobre uma prateleira.
2. Em um exame sobre o chão, próximo ao sofá. Câmera foca nele e lê-se: Positivo.
Ela coloca as mãos, sobre a barriga. Sorri, deixando escapar uma lágrima.
(Instrumental off).
[FIM DO EFEITO CÂMERA LENTA].
FADE OUT.
         FIM DO ATO I
            ATO II
FADE IN.
CENA 12. ORLA DO VILAREJO. EXT. NOITE.
Música sobe FACE THE SUN- JAMES BLUNT.
Nos pés de Vicente, dentro da água.
Ele abre os braços, enquanto o vento sopra o seu rosto.
VICENTE- (O.S) Eu estive dos dois lados: Dos que criticam, apontam dedos na cara dos outros, e os do que foram criticados, receberam as dedadas na cara. Eu quis experimentar os dois, por quê? Eu chorei até que meus olhos tiveram pena do meu ser, mas eles não tiveram, minha vida não passou de um mar de lamúrias, tudo fora tristeza até o momento. Quando cansei de sofrer decidir de uma vez por todas fazer o outros sofrerem. (SOLUÇANDO) Um mar de verdades, por quê? Eu me pergunto, porque os homens sofrem com a verdade? Se a verdade é a pregação divina?
Câmera faz um giro completo entorno de Vicente, captando cada gesto, cada lágrima que lhe desce a face.
VICENTE- (Close) A verdade deixa marcas na alma. Na minha alma deixou marcas profundas, as mesmas que o escravos, quando eram amarrados em um tronco, levavam, sem dó, mais de cem chibatadas. Eu sentir a dor, gritei, chorei, me desesperei, tudo fora tristeza, tudo.
(MÚSICA OFF).
FUNDE COM:
== FLASHBACK ==
CENA 13. FRENTE DA CASA DE DAVID. EXT. ENTARDECER.
Em Vicente diante de David (16 anos, pele parda, olhos pretos, cabelo crespo)- usa uma calça jeans e está sem camisa. Clima de discussão.
VICENTE- Então quer dizer que você, meu melhor amigo, vai deixar de falar comigo pelas conversas que ouve por aí?
DAVID- Não é só por isso. É pelo que você demonstra ser. É só isso.
VICENTE- Cê sabe muito bem, que eu não sou o que eles falam. Nós éramos amigo, poxa!
DAVID- Vai embora. Some! Podem falar besteira se verem você aqui.
VICENTE- Tudo bem. Só não se arrepende.
E Vicente sai correndo e olha pra trás, chorando.
FADE OUT.
CORTA PARA:
== FIM DO FLASHBACK ==
FADE IN.
CENA 14. CASA DE DAVID. QUARTO. INT. NOITE.
Música sobe: Legião urbana- Metal contra as nuvens.
Em David, encolhido no canto do ambiente, chorando.
Ao lado, várias cartelas de remédios, algumas completas e outras vazias.
David abre a mão direita e percebemos que ela treme. Ele a segura com a mão esquerda, gritando.
DAVID- (TOM) Que maldição! A vida é desgraçada, maldita!
ÂNGULO ALTO de David levantando-se do chão, caminhando pelo ambiente bagunçado.
CÂMERA SUBJETIVA acompanha David, até a cama, onde está uma mochila. David a abre. Retira algo e se abaixa encostando-se no móvel.
Na mão de David, aberta, vemos duas pedras de cocaína.
CORTE DESCONTÍNUO PARA/
David, caído no chão do quarto.
Ele segura um cigarro de cocaína aceso. Aos poucos, ele vai adormecendo, e o cigarro cai no chão do ambiente.
CÂMERA DETALHA uma garrafa de álcool aberta sobre o chão. O líquido escorre em direção ao cigarro.
(MÚSICA OFF).  
NARRADOR- (V.O) Eu posso ser tão vítima do teu sofrimento, quanto tu é da tua dor. Enquanto, tu de alivia em anestésicos, é uma parte de mim que tiras. A dor é horrível, mas é necessária.             
O fogo cresce rapidamente, e as chamas vão tomando conta de todo o quarto. A garrafa de álcool se explode. A fumaça toma conta do ambiente.   
EM DAVID.
CENA 15. ORLA DO VILAREJO. EXT. NOITE.
Em Vicente, sentado na areia.
VOZ MASCULINA- (O.S) Tudo bem, Vicente?
Vicente vira o rosto e vê um adolescente de 18 anos, pele parda, olhos castanhos, usando uma camisa regata e uma calça branca, feita de pano fino. O adolescente aproxima-se e senta ao lado de Vicente.
VICENTE- Por que você veio atrás de mim, Eduardo?
EDUARDO- Talvez, porque eu gosto de você. Eu não sei, mas parece que nós dois juntos funcionamos bem, entende?
VICENTE- (SORRI) Entendo.
EDUARDO- Por que tá fugindo dos seus sentimentos?
VICENTE- Simplesmente, porque tenho medo. Medo de errar, medo de me sentir repudiado pelas outras pessoas, e também, medo de não ser isso que eu quero para minha vida.
EDUARDO- Me fala, você sente algo por mim?
VICENTE- Por que você quer saber disso? Eu não quero, entende?
EDUARDO- Eu não te entendo. Se você quer, porque não? Vai te fazer feliz, vai te completar.
Eduardo pega na mão de Vicente, e sorri.
EDUARDO- (CHORANDO) Eu te amo, Vicente. Eu sei que isso é bom, e se você deixar, eu te mostro.
VICENTE- Eu tenho medo de saber. Tudo isso pode ser um engano, uma ilusão.
EDUARDO- Mesmo se for, é uma ilusão boa, pois tá deixando você feliz. E não adianta dizer que não, pois eu sei que é verdade.
VICENTE- (TEMPO) Eu aceito. (CHORANDO) Eu quero tentar.
EDUARDO- Te amo.
E Eduardo coloca as mãos no rosto de Vicente, e se aproximam. Os lábios encontram-se, beijando-se.
As lágrimas descem dos olhos de Vicente.   
CORTA PARA:
== FLASHBACK ==
CENA 16. FLORESTA. LAGO. EXT. DIA.
Música sobe: One direction- Little things.
De costas, vemos Vicente, somente de sunga. Ao lado, uma jovem de 15 anos, pele branca, cabelos loiros, ela o abraça.
Vicente solta-a, correndo para o lago, logo a frente. Ela fica parada, observando-o.
VICENTE- Vamos, Cecília!
Vicente se joga na água clara do lago e joga para cima, risonho.
Cecília sorri e começa a correr em direção ao lago, jogando-se.
CÂMERA SUBMARINA de Cecília e Vicente, nadando debaixo d'água. Cecília faz um coração com a mão para Vicente. Ele se aproxima dela e a beija.
CORTE DESCONTÍNUO PARA/
Cecília e Vicente, sentados no chão. Ela deita-se sobre a perna dele. Ele sorri.
CECÍLIA- Eu te amo, Vicente.
VICENTE- (SORRI) Eu gosto muito de você, Cecília.
(Música off).
CORTA PARA:
== FIM DO FLASHBACK ==
CENA 17. CASA DE CECÍLIA. QUARTO. INT. NOITE.
Música sobe: De janeiro a janeiro- Roberta Campos part. Nando Reis.
Cecília encostada na parede do quarto, sobre a cama. Os seus olhos estão vermelhos.
O ambiente é pequeno, uma cama de canto perto da parede, um tapete grande no chão, a luz está desligada. A iluminação é feita por uma luz vinda de uma pequena janela.
CECÍLIA- (O.S) Por que você disse que me amava? Se não era verdade, por quê? Pra quê me ver sofrer? Eu não entendo! Não!
Cecília roça as unhas, na pele, se auto flagelando. Ela chora e ao mesmo tempo grita. O sangue jorra aos poucos do braço.    
NARRADOR- (V.O) Nós devemos ter amor próprio, antes de amar as outras pessoas. Devemos saber sentir esse amor, porque amor não é dor. Amor é vida.
Cecília segura uma faca, firme, e passa o objeto sobre a pele do rosto. E, pouco a pouco, vai rasgando a própria pele.  
NARRADOR- (V.O) Ame a ti próprio, faz-te eterno. Sinta o amor, mas o amor verdadeiro, o amor da alma.
Na faca suja de sangue, sobre a colcha da cama. 
Cecília, com os olhos fechados e encostada na parede. O rosto sangra. (Música off). 
CORTA PARA:
FADE OUT.
        FIM DO ATO II
           ATO III
FADE IN
CENA 18. BAR QUALQUER. INT. NOITE.
Mãos masculinas apanham um copo de cerveja e levam até a boca. Vemos que é Fernando (Com seus 45 anos) quem bebe a cerveja.
Ao lado, alguns homens de mais ou menos 40 anos, bebem junto a Fernando. Eles riem.
Fernando abaixa a cabeça, pensativo.
OUVIMOS VAIAS.
Fernando levanta a cabeça, olhando bem a frente e VEMOS dois homens de mãos dadas, na entrada do bar.
HOMEM 1- Aqui é bar de homem, não de boiola!
TODOS-(GRITAM) Vão embora daqui, sumam!
FADE OUT. FADE IN.
Um bolo de aniversário segurado, por mãos femininas, sendo colocado sobre uma pequena mesa.
Uma criança, em silhueta, corre até a mesa, batendo palmas. CAM sobe e nos revelado que é Vicente (Com seus cinco anos).
Logo atrás, Fátima e Fernando, riem abraçados.
FADE OUT. FADE IN.
Irritado, Fernando levanta, batendo o copo forte na mesa. Os presentes se espantam.
HOMEM 1- O que é isso amigo?
FERNANDO- Eu tenho que ir. Até.
Fernando SAI, atordoado do ambiente.
CENA 19. CASA DE EDUARDO. QUARTO. INT. NOITE.
TOCANDO: ED SHEERAN- THINKING OUT LOUD.
Em Vicente ajoelhado sobre uma cama, à frente Eduardo, ambos sem camisa.    
EDUARDO- Você quer isso mesmo?
VICENTE- O querer é relativo. Mas sinceramente, é o que eu mais desejo.
Eduardo sorri. Vicente o abraça. Os dois beijam-se.
Nas mãos de Eduardo, desabotoando a calça de Vicente, deixando-o somente de cueca.
Vicente beija o cangote de Eduardo.
De costas, Eduardo beija o corpo de Vicente.
Eduardo coloca as mãos sobre a coxa de Vicente, que se entrega.
SUPER ZOOM nos pelos do braço de Vicente, arrepiado.
ÂNGULO ALTO dos dois enrolados por um lençol de cetim branco, beijando-se.
(Música off).
NARRADOR - (V.O) Amar talvez seja um pecado, mas um pecado que com certeza é perdoado por Deus. Quando se ama, tudo é fantasia, tudo é único, até eterno. Meus caros, eternidade é o tempo que se leva para se conquistar o amor, é o tempo que se faz relativo, perante o homem. Amar é desejar, é viver. E viver o amor, é está perdido no tempo. No tempo, em que tudo, exatamente tudo é um simples nada, que muito tem para oferecer. 
CORTA PARA:
CENA 20. CASA DA FAMÍLIA FERNÁNDEZ. SALA. INT. NOITE.
Em Fátima, sentada no sofá. Ela aparenta está ansiosa.
FÁTIMA- Onde você tá, Vicente? Por que tá fazendo isso comigo, filho? Eu te amo.
Fátima pensa em alguma coisa e levanta-se do sofá.
FÁTIMA- Preciso ir atrás de você.
Fátima anda até a porta e a abre. Surpreendendo-se ao vê Fernando, segurando uma arma.
FÁTIMA- O que você tá fazendo aqui?
FERNANDO- Vim te ver, Fátima.     
FÁTIMA- (TOM) Vai embora! Você não tem mais chance nessa casa, não tem!
FERNANDO- E quem disse que eu quero voltar? Eu quero grana. Grana! Dinheiro, entendeu?
FÁTIMA- Eu não tenho nada.
Fátima empurra a porta para fechar, mas Fernando a segura.
Fernando entra na sala e aponta a arma para Fátima.
FERNANDO- Onde ele tá?
FÁTIMA- Você tá falando de quem?
FERNANDO- Daquele viado. O seu filho, o Vicente.
FÁTIMA- Você perdeu um filho de ouro, um cara honesto, um homem de verdade, tem caráter, coisa que você não tem.
FERNANDO- (RI) Eu prefiro não ser pai de nenhum gayzinho, como o Vicente.
Fátima avança em Fernando, dando-lhe uma bofetada.
FÁTIMA- Não fala desse jeito do meu filho!
Fernando passa a mão no rosto e se aproxima de Fátima. Ele roça a arma no rosto dela, engatilhando-a.
FERNANDO- Sua vagabunda! Nenhuma mulher me bate, nenhuma!
Fernando empurra Fátima, que cai sobre o sofá. Ela chora.
FERNANDO- Anda, levanta! Eu quero grana, se não eu te mato. Levanta!
FÁTIMA- Como pude me casar com um homem igual a você? Como? Você é um ordinário, vagabundo! Eu te odeio!        
FERNANDO- (APROXIMANDO-SE DELA) Me beija, Fátima.
NARRADOR- (V.O) Amor e obsessão caminham lado a lado na linha do ódio. Quando não pode ter o que quer, você obriga.
Fernando abraça Fátima, que tenta empurrá-lo. Resistindo, ele beija o pescoço de Fátima, e desliza a mão sobre o braço dela.  
FERNANDO- Que saudade, Fátima. Eu quero tanto o seu corpo, quero te ter de novo.
FÁTIMA- Me solta! Me larga!
Fernando, ainda segurando a arma, abraça Fátima, e coloca a mão sobre o seio dela, amassando-o. Fátima tenta se soltar, mas Fernando não deixa.
FERNANDO- Eu quero você só pra mim.
CORTA PARA:
CENA 21. CASA DE EDUARDO. QUARTO. INT. NOITE.
Música sobe: ED SHEERAN- THINKING OUT LOUD.
FADE IN em Vicente, sentado na beirada da cama. Ele deixa escapar uma lágrima.
De costas, Eduardo dorme, de cueca.
Vicente levanta da cama, e pega a sua camisa do chão. Eduardo se vira e encara Vicente.
EDUARDO- Você já vai?
VICENTE- Sim. Eu tenho que ir pra casa, eu briguei com a minha mãe e ela deve está preocupada comigo.
EDUARDO- Tudo bem?
VICENTE- Tá sim.
Eduardo levanta da cama e vai até Vicente.
EDUARDO- Qual é o problema? Você tá sério. O que tá havendo?
VICENTE- Eu sinto que fiz a coisa errada. Por mais, que eu queira, é difícil pra mim assumir que gosto das pessoas do mesmo sexo. (PAUSA) Que eu sou gay.
EDUARDO- Mais amar não é errado. Eu te amo desde o dia que nos encontramos pela primeira vez.
VICENTE- Eu preciso ir embora. Tchau.
Vicente anda até a porta e abre. Eduardo pega na mão de Vicente.
EDUARDO- Não faz isso com você.
VICENTE- Eu preciso. (RESPIRA FUNDO) Tchau.     
Vicente vai embora. Eduardo fica segurando a porta, chorando. (Música off).
NARRADOR- (V.O) Vicente sempre foi mal resolvido. Ele tem medo de mostrar o que ele é de verdade. Dentro do seu coração, ele morre a cada negação do que é. Ele sofre, mas sofrer é muito ruim, perto do esclarecer.
FADE TO BLACK
       FIM DO ATO III
        CENAS FINAIS
FADE IN
CENA 22. CASA DA FAMÍLIA FERNÁNDEZ. SALA. INT. NOITE.    
Música sobe: Animals- Maroon 5.
Continuação da cena 20.
Fernando, de pé, ao lado de Fátima. Ele a abraça.
FÁTIMA- (CHORANDO) Me larga, por favor. Não faz isso comigo.
FERNANDO- Eu quero tanto te ter, que eu não posso te largar.
FÁTIMA- (Para si) Meu Deus, por favor. Me tira dos braços desse homem.
Fernando coloca a arma na nuca de Fátima. Enquanto, desce a mão para a perna dela. (Música off).
NARRADOR- (V.O) A arma representa o amor doentio, que se divide em cinco partes: 1. A maldade que se faz presente, em todos os momentos, e desde o princípio de segurar a arma, 2. A obsessão de desejar algo que é impossível, o procurar, o caçar, 3. Eles seguem a regra de Maquiavel: "Não importa os meios, mas sim, os fins", 4. Ame o próximo, e sinta ódio de você mesmo, 5. Matar é importante, mate se te menosprezarem, mate e chore.
A porta se abre e Vicente entra na sala. Fernando o percebe e solta Fátima. Aponta a arma para o filho, Vicente.
PLANO DETALHE dos olhos de Vicente, enchendo-se de lágrimas que descem a face.
Vicente limpa o rosto rapidamente, aproximando-se de Fernando.
FÁTIMA- (Close) Meu filho.
Fátima corre até Vicente, e o abraça. Solta-o em seguida. Vicente se aproxima de Fernando, que continua a apontar a arma para o primeiro.
VICENTE- O que você tá fazendo aqui? (TOM) Por que voltou?
FERNANDO- Eu não voltei por sua causa.
VICENTE- E por que tá aqui?
FERNANDO- Porque eu quero dinheiro.
VICENTE- Quem você acha que engana? Você tá aqui, porque não pode ter uma família. Porque tudo na sua vida não passa de lixo! Porque você é egoísta, arrogante, mentiroso! É um incapaz! Foi embora, porque não foi homem suficiente para ter um filho gay. (P/ Fátima) Me desculpa, mas a verdade não pode ser mais negada. Eu sou gay.
FÁTIMA- (CHORANDO) Meu filho. (PAUSA) Eu te amo.
FERNANDO- Eu sabia que você era gay. Que você é a desonra da família.
VICENTE- Que família? Essa você destruiu. Não bastou destruir só a sua vida, teve que destruir as dos outros. (CHORANDO) Você consegue entender, o quanto eu precisei de um pai? (TOM) De um homem para me ajudar nas minhas decisões! (TEMPO) Já parou para pensar, no quanto você me destruiu? Olha bem fundo nos meus olhos, e vê se encontra felicidade.
FERNANDO- (DESNORTEADO) Cala a sua boca!
VICENTE- (TOM) Você é um idiota! Um orgulhoso, que mais parece um pateta!
(Música sobe: James Blunt- Face The Sun).
E Fernando aponta a arma para Vicente, que recua para trás.
VICENTE- (TOM) Vai tirar a minha vida? (P) Vai ser mais fácil pra você, não é?
Fernando deixa uma lágrima escorregar a face, tremendo a arma na mão.
FADE OUT. FADE IN no gatilho da arma sendo puxado.
OUVIMOS UM DISPARO.
FADE OUT. FADE IN na trajetória da bala, até Vicente.
FÁTIMA- (O.S) Meu filho!
FADE OUT. FADE IN em Vicente, caindo no chão do lugar.
SLOW MOTION da arma caindo no chão da sala.
Chorando, Fernando sai correndo da casa.
NARRADOR- (V.O) Quem ordena, julga e pune? Quem é culpado e inocente? Na mesma cova do tempo cai o castigo e o perdão.
Fátima coloca a cabeça de Vicente sobre seu colo, chorando.
FÁTIMA- Me perdoa, Vicente. Meu filho! Eu te amo, sempre te amei.
Fátima coloca o corpo desfalecido do filho, Vicente, no chão. Enquanto, bate no rosto dele, tentando reanimá-lo.
FÁTIMA- Você não merecia! Você era o que menos merecia!  
MÚSICA CONTINUA.
FUSÃO PARA:
CENA 23. ORLA DO VILAREJO. EXT. NOITE.
PLANO DISTANTE no homem (Cena 03), segurando uma rosa vermelha.
NARRADOR- (O.S) Vou fazer da minha dor munição, e essa munição será usada na minha arma, da qual tiros de dor serão lançados ao alto. Ribombaram no céu azul, cairão na cabeça de quem mais sofrer de desilusão.
SLOW MOTION do homem, soltando a rosa, até ela cair no chão.
(Música off).
                FADE OUT. FADE IN.
CENA 24. CASA FAZENDA. EXTERIOR. DIA.
LEGENDA NA TELA: Alguns anos depois...
De costas, vemos, um senhor sentado em uma cadeira de balanço, de frente para o sol.
Uma criança de seis anos,  corre em direção ao senhor, muito alegre.
A criança aproxima-se e sob seu P.V, reconhecemos que é Fernando, mais velho. Ele sorri ao ver a criança e o abraça forte.
CRIANÇA- Vô o papai tá ai, e veio de desejar parabéns.
FERNANDO- (SOLTANDO A CRIANÇA) Eu fico feliz em te ver, meu Vicente.
CRIANÇA- Parabéns vovôzão!
Ao longe, Eduardo (Com seus 30 anos) abraçado com Letícia, vinte e nove anos, pele clara, olhos castanhos, rindo.
FERNANDO- (O.S) Como está, meu filho?
Eduardo vai até o pai, Fernando, bem a frente, abraçando-o.
EDUARDO- Feliz aniversário pai, quero que o senhor tenha muitos anos de vida, porque eu te amo.
FERNANDO- Obrigado, Eduardo. Eu também te amo muito.
LETÍCIA- Parabéns, meu sogro.
Eduardo solta o pai, Fernando, chorando.
LETÍCIA- Vou deixar vocês dois conversando.
Letícia caminha em direção a criança, sentada na grama.
Eduardo sorri, enxugando as lágrimas.
EDUARDO- Eu sinto tão feliz por todos esses anos você está ao meu lado, sempre me apoiando.
FERNANDO- Você me deu orgulho filho, é um homem de verdade. Eu quero ter muitos anos ainda para está ao seu lado.
Eles se abraçam novamente.
EDUARDO- Bom, como é o seu aniversário, que tal irmos passear?
FERNANDO- Sim, vamos.
EDUARDO- Vai vestir uma roupa nova, que eu espero aqui fora, tá bem?
FERNANDO- Tá sim. Já volto.
Fernando ENTRA na casa.
CENA 25. CASA FAZENDA. QUARTO. INT. DIA.
(Instrumental de suspense)
Em vários cacos de vidro quebrados no chão do quarto. Até que neles se reflete Fernando, segurando uma arma.
NARRADOR- (V.O) A culpa é uma arma poderosa, ainda mais quando essa arma é material, física.
Fernando se senta na beirada da cama, colocando a arma bem próxima da sua cabeça, engatilhando-a.
VICENTE (V.O)- (TOM) Vai tirar a minha vida? (P) Vai ser mais fácil pra você, não é?
Fernando abaixa a arma e levanta-se da cama. Ele anda até o guarda-roupa, caindo de joelhos no chão. Os olhos não piscam.           
A arma cai, lentamente, no chão.
CÂMERA faz um giro em 360 graus, envolta de Fernando, detalhando as suas mãos entortando, aos poucos.
NARRADOR- (V.O) O maior castigo da vida, é o sofrimento.
CÂMERA se afasta e SAI pela porta do quarto.
(Instrumental, off).
FADE TO BLACK.  
NOTA DO AUTOR:
Antes de finalizar a primeira pré-edição do episódio, eu liguei a TV e em um canal, emissora qualquer, falava sobre a morte do grande ator, entrevistador, Antônio Abujamra. Bom, apesar da série não ser uma obra da televisão, eu escalei um narrador, e o escolhido fora Abujamra. Resolvi deixar o nome, pois é como se fosse uma homenagem.
Obrigado a todos que leram.  
ESCRITA E CRIADA            POR:
      THIAGO DOS SANTOS.
             "NARRADOR" na voz de:
Antônio Abujamra.
          PERSONAGENS DO EPISÓDIO:
VICENTE
FÁTIMA
FERNANDO
ISAQUE
JAQUELINE
LUCAS
DAVID
CECÍLIA
EDUARDO
LETÍCIA
             
   

















      

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