Down the Rabbit Hole
Meu corpo se
enrijece. Toda a minha vida começa a passar diante dos meus olhos e as minhas
preocupações sobre a guerra fazem meu coração bater mais rápido que o normal.
Lillith continua me encarando, e seu silêncio é o que torna toda essa situação
ainda mais desconfortável e medonha.
Seu exército
continua gritando o seu nome, e seus guardas ainda estão parados ao seu lado,
prontos para aniquilar-me a qualquer momento, se isso for necessário. Lillith
desce do pedestal e caminha em minha direção. Meu nervosismo faz a cena passar
em câmera lenta diante dos meus olhos, e tenho tempo de observar bastante
coisa. Lilith está abatida, certamente levou alguma surra das boas quando foi sugada
pelo portal, e isso acabou deixando várias feridas em seu rosto, no entanto,
nenhuma profunda. Seus guardas são metamorfos, pois todos eles são exatamente
iguais, o que chega a ser macabro, até mesmo para Lillith.
Começo a
processar o discurso que ela estava dando. Tomar
o que é do nosso mestre por direito. Lillith está trabalhando para alguém,
ou então está fazendo tudo isso para recuperar alguém. Ela está finalmente cara
a cara comigo, e quando eu penso que receberei um confronto, mesmo que verbal,
ela passa pelo meu lado e continua caminhando direto. Seus guardas fazem o
mesmo.
Viro para trás e
vejo Kitana sendo segurada por dois guardas, na saída do elevador. Meu medo
cresce exponencialmente, e os gritos do exército de Lillith não ajudam. Corro
um pouco até me aproximar o suficiente para conseguir ouvir a conversa.
— Você é uma
Winchester, não é? Eu ouvi muito sobre o seu clã de caçadores. Me diga, como
vai Milena? – Lillith diz em tom irônico.
— Vá para o
Inferno! – Kitana grita.
— Oh querida, eu
já estive lá. Vamos parar a conversa afiada e ir direto ao assunto: Com quem
você veio?
— Vá. Para. O.
Inferno! – Kitana grita, mais uma vez.
Lillith fica com
uma expressão de desgosto. Ela recompõe a postura e toma os leques de Kitana.
Ela caminha até o pedestal, novamente passando por mim sem perceber a minha
presença, e então, os joga para o seu exército. Ela se volta para os guardas.
— Joguem-na lá
dentro. Eu tenho coisas mais importantes a resolver.
Lillith caminha
sozinha até o elevador enquanto Kitana é arrastada para o pedestal. Minha mente
se divide. Eu poderia correr atrás de Lillith para descobrir qual é o seu
plano, mas isso significaria sacrificar Kitana. Se eu atacar os guardas para
soltá-la, ambos morreremos, pois eles estão em maior número e só eu estou
armado. Os guardas a erguem, eu corro até o pedestal e me jogo ao mesmo tempo
em que eles a arremessam no ar.
Por sorte,
consigo agarrar Kitana e a tornar invisível pouco antes de atingirmos o chão, e
uso minha telecinese para manter-nos içados no ar. Os guardas olham
desconfiados, mas logo tornam a dar meia volta e caminhar em direção ao
elevador. Dou um impulso e jogo-nos de volta ao pedestal, onde corremos de mãos
dadas até o elevador.
— Se nos
soltarmos, você ficará visível. – Sussurro.
— Eu sei. – Ela
sussurra de volta.
[...]
Os guardas saem
e nós permanecemos no elevador. Kitana aperta o botão 48 do elevador e logo as
portas se fecham. Estamos subindo, o que eu acreditava ser impossível, já que a
Area 51 é um local secreto, é de se esperar que tudo seja no subsolo.
— Para onde
estamos indo?
— Resgatar Ryan.
Chase, eles só acharam ele. Nada de E.D. ou Íris.
— Ou Katherine.
– Digo, sentido.
— Sinto muito. –
Ela diz, com pesar. – Nós temos uma fonte aqui, por isso descobrimos o
paradeiro de E.D., Íris e Ryan, mas se Katherine não foi trazida para cá, então
ela conseguiu escapar.
— Você
provavelmente está certa.
— Olha, eu fui
capturada tentando seguir os dois raptados, na esperança de encontrar nossos
amigos, mas fui rendida por um detetive, Gabriel Ross, eu acho, e então um dos
guardas de Lillith me capturou das mãos dele. Os dois brigaram, Chase. Não sei
o que está acontecendo aqui, mas esse pessoal definitivamente não sabe da
existência ou plano de Lillith.
Não respondo.
A porta do
elevador se abre e logo nos deparamos com um corredor imenso. Kitana e eu
caminhamos até a porta ao final do corredor. Certamente tem algo do outro lado
das paredes desse corredor, mas não vejo nenhum meio de acessá-las sem chamar
atenção, então abrimos a porta.
A cena que eu
vejo é horripilante. Várias celas de um material transparente e incrivelmente
resistente – já que eu vejo uma calda de dragão batendo e ricocheteando –
repleto de prisioneiros. Kitana e eu caminhamos na direção de Ryan e logo
conseguimos enxergar Luna, Jared e Syndel.
— Não temos como
tirá-lo daqui. – Syndel diz, nervosa.
— Vamos pensar
em algo. – Jared responde.
— Lillith tem um
exército. – Digo – Precisamos pegar Ryan e tirá-lo daqui o mais rápido
possível.
— Chase, eu
creio que há mais celas por aqui, do outro lado das paredes do corredor, mas
não tenho como hackear o sistema, se tiverem códigos.
— Então vamos
nós dois. Alguém tem que ficar segurando a Kitana, senão ela fica visível. –
Digo, e Jared rapidamente segura a mão dela. Luna e eu voltamos ao corredor.
Ela ergue sua
mão no ar e as paredes simplesmente desaparecem, mostrando diversos leitos,
numa espécie de labirinto sem fim. Provavelmente é aqui que os outros estão,
mas não tem jeito de conseguirmos olhar todos os leitos. Pego a mão de Luna e
concentro-me o máximo que posso, depois, nos jogo contra a parede e
atravessamos para o outro lado.
Caio no chão com
o cansaço, e Luna parece estar bastante atordoada. Não sei se terei energia
para fazer isso de novo, mas com sorte, eu não precisarei. Logo, nos separamos
e começamos a vasculhar os leitos.
[...]
Já devo ter
passado por uns cem leitos e não encontrei nenhum rosto familiar. Dói-me saber
que, mesmo que eu encontre meus amigos, terei que deixar essas pessoas aqui. De
repente, ouço um barulho.
Paro.
— Ei! – A garota
diz mais uma vez. – Eu posso te ver.
Dou-me conta que
estou visível e logo me desespero. A garota faz um sinal com as mãos, como se
dissesse para me acalmar. Olho ao redor e não vejo câmeras de segurança, e isso
me anima um pouco. Caminho até o material transparente na cela dela.
— Meu nome é
Meghan Yukimura. – Ela diz. – Você deve ser o ceifeiro que todos estão falando.
Olha, Lillith pegou minha família e matou todos eles de uma maneira que não tem
como trazê-los de volta. Ajude-me a sair daqui e eu te ajudo a acabar com ela.
— Desculpa, mas
não tem como você ajudar. – Retruco, seco, e dou meia volta.
— Eu sou uma
fênix. Não tenho como morrer. Bom, tenho como morrer, mas não em circunstâncias
normais. E eu sei o código e segurança.
Viro-me para ela
e me aproximo o máximo que posso da cela. Olho em seus olhos e tento ler sua
mente, mas toda informação que consigo obter é a de que ela não está mentindo.
Posso ouvir seu coração batendo e ele está em ritmo normal, o que sugere que
ela está me dizendo a verdade.
— Tudo bem. Eu
acredito em você. Qual é o código e onde eu posso acessá-lo?
— Primeiro de
tudo, Peter, é com você. – Ela diz, e se encosta à parede de sua cela.
Olho para o lado
e vejo um rapaz da sua cela vizinha, aparentemente dezoito anos de idade,
levemente forte e de cabelos castanhos, se aproximando da extremidade da cela.
Ele murmura algumas palavras e minha visão se escurece.
Por alguns
segundos, meu corpo todo está maluco e mal consigo me mover direito. Apenas
consigo ouvir vozes.
— Isso só vai
durar por alguns minutos, Meghan. Você tem que ser rápida para nos tirar daqui,
ou ambos morrerão.
Minha visão
volta ao normal.
Fico perplexo.
Eu vendo a mim
mesmo.

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