segunda-feira, 6 de julho de 2015

Reaper: Episódio 6

Down the Rabbit Hole

Meu corpo se enrijece. Toda a minha vida começa a passar diante dos meus olhos e as minhas preocupações sobre a guerra fazem meu coração bater mais rápido que o normal. Lillith continua me encarando, e seu silêncio é o que torna toda essa situação ainda mais desconfortável e medonha.
Seu exército continua gritando o seu nome, e seus guardas ainda estão parados ao seu lado, prontos para aniquilar-me a qualquer momento, se isso for necessário. Lillith desce do pedestal e caminha em minha direção. Meu nervosismo faz a cena passar em câmera lenta diante dos meus olhos, e tenho tempo de observar bastante coisa. Lilith está abatida, certamente levou alguma surra das boas quando foi sugada pelo portal, e isso acabou deixando várias feridas em seu rosto, no entanto, nenhuma profunda. Seus guardas são metamorfos, pois todos eles são exatamente iguais, o que chega a ser macabro, até mesmo para Lillith.
Começo a processar o discurso que ela estava dando. Tomar o que é do nosso mestre por direito. Lillith está trabalhando para alguém, ou então está fazendo tudo isso para recuperar alguém. Ela está finalmente cara a cara comigo, e quando eu penso que receberei um confronto, mesmo que verbal, ela passa pelo meu lado e continua caminhando direto. Seus guardas fazem o mesmo.
Viro para trás e vejo Kitana sendo segurada por dois guardas, na saída do elevador. Meu medo cresce exponencialmente, e os gritos do exército de Lillith não ajudam. Corro um pouco até me aproximar o suficiente para conseguir ouvir a conversa.
— Você é uma Winchester, não é? Eu ouvi muito sobre o seu clã de caçadores. Me diga, como vai Milena? – Lillith diz em tom irônico.
— Vá para o Inferno! – Kitana grita.
— Oh querida, eu já estive lá. Vamos parar a conversa afiada e ir direto ao assunto: Com quem você veio?
— Vá. Para. O. Inferno! – Kitana grita, mais uma vez.
Lillith fica com uma expressão de desgosto. Ela recompõe a postura e toma os leques de Kitana. Ela caminha até o pedestal, novamente passando por mim sem perceber a minha presença, e então, os joga para o seu exército. Ela se volta para os guardas.
— Joguem-na lá dentro. Eu tenho coisas mais importantes a resolver.
Lillith caminha sozinha até o elevador enquanto Kitana é arrastada para o pedestal. Minha mente se divide. Eu poderia correr atrás de Lillith para descobrir qual é o seu plano, mas isso significaria sacrificar Kitana. Se eu atacar os guardas para soltá-la, ambos morreremos, pois eles estão em maior número e só eu estou armado. Os guardas a erguem, eu corro até o pedestal e me jogo ao mesmo tempo em que eles a arremessam no ar.
Por sorte, consigo agarrar Kitana e a tornar invisível pouco antes de atingirmos o chão, e uso minha telecinese para manter-nos içados no ar. Os guardas olham desconfiados, mas logo tornam a dar meia volta e caminhar em direção ao elevador. Dou um impulso e jogo-nos de volta ao pedestal, onde corremos de mãos dadas até o elevador.
— Se nos soltarmos, você ficará visível. – Sussurro.
— Eu sei. – Ela sussurra de volta.

[...]

Os guardas saem e nós permanecemos no elevador. Kitana aperta o botão 48 do elevador e logo as portas se fecham. Estamos subindo, o que eu acreditava ser impossível, já que a Area 51 é um local secreto, é de se esperar que tudo seja no subsolo.
— Para onde estamos indo?
— Resgatar Ryan. Chase, eles só acharam ele. Nada de E.D. ou Íris.
— Ou Katherine. – Digo, sentido.
— Sinto muito. – Ela diz, com pesar. – Nós temos uma fonte aqui, por isso descobrimos o paradeiro de E.D., Íris e Ryan, mas se Katherine não foi trazida para cá, então ela conseguiu escapar.
— Você provavelmente está certa.
— Olha, eu fui capturada tentando seguir os dois raptados, na esperança de encontrar nossos amigos, mas fui rendida por um detetive, Gabriel Ross, eu acho, e então um dos guardas de Lillith me capturou das mãos dele. Os dois brigaram, Chase. Não sei o que está acontecendo aqui, mas esse pessoal definitivamente não sabe da existência ou plano de Lillith.
Não respondo.
A porta do elevador se abre e logo nos deparamos com um corredor imenso. Kitana e eu caminhamos até a porta ao final do corredor. Certamente tem algo do outro lado das paredes desse corredor, mas não vejo nenhum meio de acessá-las sem chamar atenção, então abrimos a porta.
A cena que eu vejo é horripilante. Várias celas de um material transparente e incrivelmente resistente – já que eu vejo uma calda de dragão batendo e ricocheteando – repleto de prisioneiros. Kitana e eu caminhamos na direção de Ryan e logo conseguimos enxergar Luna, Jared e Syndel.
— Não temos como tirá-lo daqui. – Syndel diz, nervosa.
— Vamos pensar em algo. – Jared responde.
— Lillith tem um exército. – Digo – Precisamos pegar Ryan e tirá-lo daqui o mais rápido possível.
— Chase, eu creio que há mais celas por aqui, do outro lado das paredes do corredor, mas não tenho como hackear o sistema, se tiverem códigos.
— Então vamos nós dois. Alguém tem que ficar segurando a Kitana, senão ela fica visível. – Digo, e Jared rapidamente segura a mão dela. Luna e eu voltamos ao corredor.
Ela ergue sua mão no ar e as paredes simplesmente desaparecem, mostrando diversos leitos, numa espécie de labirinto sem fim. Provavelmente é aqui que os outros estão, mas não tem jeito de conseguirmos olhar todos os leitos. Pego a mão de Luna e concentro-me o máximo que posso, depois, nos jogo contra a parede e atravessamos para o outro lado.
Caio no chão com o cansaço, e Luna parece estar bastante atordoada. Não sei se terei energia para fazer isso de novo, mas com sorte, eu não precisarei. Logo, nos separamos e começamos a vasculhar os leitos.

[...]

Já devo ter passado por uns cem leitos e não encontrei nenhum rosto familiar. Dói-me saber que, mesmo que eu encontre meus amigos, terei que deixar essas pessoas aqui. De repente, ouço um barulho.
Paro.
— Ei! – A garota diz mais uma vez. – Eu posso te ver.
Dou-me conta que estou visível e logo me desespero. A garota faz um sinal com as mãos, como se dissesse para me acalmar. Olho ao redor e não vejo câmeras de segurança, e isso me anima um pouco. Caminho até o material transparente na cela dela.
— Meu nome é Meghan Yukimura. – Ela diz. – Você deve ser o ceifeiro que todos estão falando. Olha, Lillith pegou minha família e matou todos eles de uma maneira que não tem como trazê-los de volta. Ajude-me a sair daqui e eu te ajudo a acabar com ela.
— Desculpa, mas não tem como você ajudar. – Retruco, seco, e dou meia volta.
— Eu sou uma fênix. Não tenho como morrer. Bom, tenho como morrer, mas não em circunstâncias normais. E eu sei o código e segurança.
Viro-me para ela e me aproximo o máximo que posso da cela. Olho em seus olhos e tento ler sua mente, mas toda informação que consigo obter é a de que ela não está mentindo. Posso ouvir seu coração batendo e ele está em ritmo normal, o que sugere que ela está me dizendo a verdade.
— Tudo bem. Eu acredito em você. Qual é o código e onde eu posso acessá-lo?
— Primeiro de tudo, Peter, é com você. – Ela diz, e se encosta à parede de sua cela.
Olho para o lado e vejo um rapaz da sua cela vizinha, aparentemente dezoito anos de idade, levemente forte e de cabelos castanhos, se aproximando da extremidade da cela. Ele murmura algumas palavras e minha visão se escurece.
Por alguns segundos, meu corpo todo está maluco e mal consigo me mover direito. Apenas consigo ouvir vozes.
— Isso só vai durar por alguns minutos, Meghan. Você tem que ser rápida para nos tirar daqui, ou ambos morrerão.
Minha visão volta ao normal.
Fico perplexo.

Eu vendo a mim mesmo. 

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