segunda-feira, 6 de julho de 2015

Reaper: Episódio 7

Loyal

— O que você fez?! – Grito.
Minha voz está fina. Olho para baixo e vejo que estou no corpo de uma garota. Estou no corpo de Meghan e ela está no meu corpo. Sei que Peter foi o responsável por isso ter acontecido, mas não tenho a mínima ideia de como ele fez o que fez.
— Meghan, lembre-se: Você só tem alguns minutos. – Peter diz.
Meghan, em meu corpo, corre como se fosse a última coisa que ela fosse fazer em sua vida. Não sei o que vai acontecer dentro dos próximos minutos, mas estou torcendo para que ela não encontre com Luna, pois a situação ficaria muito complicada. Volto a minha atenção para Peter, que está sentado no chão, contraindo as sobrancelhas.
— O que você está fazendo? – Pergunto.
— Mantendo a conexão entre vocês dois. Não me distraia, ou ambos morrem.
Começo a me irritar e em questão de segundos, eu sinto o meu corpo – bom, o corpo dela – aquecer de uma maneira inimaginável. Olho para as palmas das mãos e elas estão vermelhas. Não avermelhadas, vermelhas. Eu não tenho a menor ideia do que está acontecendo, mas o interior do organismo dela começa a esquentar bastante, até que caio no chão com a dor.
Minha visão desaparece e logo eu entro em desespero. O que diabos está acontecendo comigo? Se eu estiver morrendo, isso significa que Meghan também está morrendo? Olho para as pernas e as vejo pegando fogo.
Estou literalmente pegando fogo.
O fogo se alastra pelo meu corpo inteiro até que estou coberto de chamas. Em questão de segundos, entro em combustão.

[...]

Acordo com a porta invisível abrindo. Meghan está diante de mim, como se nada tivesse acontecido. Olho para minhas mãos e percebo que estou no meu corpo novamente. Isso é um alívio. Olho para o chão da cela de Meghan e percebo uma grande quantidade de cinzas.
— É claro! Uma fênix! – Penso, e logo me sinto envergonhado de ter feito aquele escândalo todo.
— Olha, ceifeiro, não temos muito tempo. Como você entrou aqui? – Peter pergunta.
— Pelas paredes, e pode me chamar de Chase. – Digo. – Você abriu todas as celas?!
Meghan e Peter começam a correr e eu corro atrás deles. Está um caos nesses leitos, e começo a ficar nervoso por não ver Luna em nenhum lugar. Grito seu nome por alguns minutos, até que vejo uma luz vermelha à minha direita, no alto.
Sigo a luz com Meghan e Peter no meu encalço, mas, quando estou prestes a virar ao lado, esbarro com alguém e nós dois caímos no chão. Meghan e Peter continuam correndo.
— Olhe por onde anda! – Diz uma voz familiar.
Levanto-me e encaro a pessoa em quem eu acabei de me esbarrar.
— Katherine! – Minha voz sai com um tom bastante animado.
— Temos que ir embora, e rápido!
Katherine e eu continuamos a correr na direção da luz vermelha, e logo estou diante de Luna, Meghan, Peter e Íris. Abraço Íris com todas as minhas forças, e ela me dá uns choques pequenos como aviso de que estou apertando ela demais. Quero soltá-la, mas estou tão alegre em vê-la que isso é praticamente impossível. A voz de Luna me desperta para a realidade.
— Chase! Você acha que consegue fazer isso de novo? – Ela indaga.
— Creio que sim, mas não com todos de uma vez.
— Fazer o quê? – Katherine parece preocupada.
— Meghan, Peter, vocês vão atravessar primeiro. Quando estiverem do outro lado, entrem pela porta e procurem pelo dragão na jaula. Receio que não teremos muito tempo para escapar. Quando eu disser já, corram em direção à parede.
Concentro-me. Levanto as mãos numa posição horizontal, e deixo as palmas abertas. Meus olhos estão fechados, e estou tentando utilizar todo o espaço possível da minha mente. Conto até três.
— Já! – Exclamo.
Meghan e Peter correm e se jogam na parede. Eles atravessam e eu desabo no chão. Luna vem até mim e põe as mãos na minha cabeça. Katherine e Íris estão chocadas com o que acabou de acontecer.
— Como você fez isso? – Íris pergunta.
— Vibração. Eu vibrei os organismos deles num nível molecular, e isso possibilitou que eles atravessassem. – Sorrio um pouco. – Eu quebrei as leis da física.
— Onde você aprendeu isso?!
— Ué Katherine, nunca assistiu Fringe não? – Pergunto em tom irônico.
Luna tira as mãos da minha cabeça e tenta me imitar. Eu mal consigo ficar de pé, mas observo atentamente a tentativa dela de fazer algo um pouco diferente do que eu fiz. Luna está mirando na parede, e logo é possível observar uma espécie de transparência. Katherine corre primeiro, e Íris segue em seu encalço. As duas atravessam. Luna também desaba no chão.
Ouço muitos tiros. Estamos fritos. Não vamos conseguir escapar. Por todos os lados, pessoas e criaturas caem mortas no chão. Consigo ouvir muitas explosões, e me desespero por não conseguir sequer me mover.
As luzes do ambiente estão vermelhas, como quando eles viram Luna e Jared da primeira vez. Vários soldados passam direto por nós, pois, como estamos no chão, devem pensar que já estamos mortos. Estou prestes a me dar por vencido quando Luna segura a minha mão. Ela está de olhos fechados, mas sei que está consciente, pois a sinto passando sua energia para mim. Luna está se sacrificando para que eu consiga sair daqui ileso.
Levanto-me, mesmo sabendo que tenho pouca energia, e apoio-a no meu ombro. Tento fazer a mesma coisa que Luna fez, e miro na parede. Antes que eu consiga vibrá-la com a minha telecinese, um baque faz aquela parte da parede ser derrubada e, uma vez que a fumaça se dissipa, vejo Jared e Syndel do outro lado, esperando por mim.
Olho para trás e não vejo ninguém vivo, mas posso ouvir os soldados se aproximando rapidamente. Atravesso com Luna e Syndel coloca uma espécie de pulseira no meu pulso e no de Luna. Não vejo os outros.
Os soldados entram no corredor atirando, e nós corremos o mais rápido que é possível correr, dada a nossa situação. Estamos armados, isso é verdade, mas não podemos arriscar um combate agora.
— Kratos, anda! – Syndel grita.
Enquanto corremos, Syndel e Luna simplesmente desaparecem. Jared e eu paramos e somos cercados por mais ou menos vinte soldados. Dois policiais aparecem diante da confusão e ficam cara a cara conosco.
— Ora, ora, ora. – Um deles diz. – Finalmente capturamos dois de vocês. Vocês não tem ideia do tamanho da dor de cabeça que estão causando no governo americano. CIA, NSA, Pentágono... Todos estão querendo as suas cabeças. Acredite rapazinho, vocês não vão viver para ver o fim dessa guerra.
Olho para o meu lado e Jared desapareceu. Os soldados voltam as armas para mim imediatamente, e logo começo a rir histericamente porque eu ainda estou com o broche de invisibilidade.
— Só um aviso, tenentes, detetives, ou seja lá o que vocês forem: Eu já estive no inferno por um ano. Eu lutei contra morte duas vezes e venci. Eu vi deuses gregos e estive no Olimpo por um tempo. Eu vi meus amigos morrerem e voltarem à vida por uma guerra que não é nem deles. Se você tem que capturar alguém, procure por Lillith. Desça até o último andar no elevador e você vai encontrar o exército dela, talvez até a própria, se bobear, mas uma coisa eu tenho certeza. Se eu passei por isso tudo, não vai ser um bando de agentes ignorantes que me capturará. – Aperto o broche e fico invisível.
Todos os soldados continuam com as armas apontadas, mas estão mais dispersos. Estão me procurando nos arredores. Quando vejo um espaço grande o suficiente para sair, corro como se não houvesse amanhã, pois, se eles pegarem óculos de calor, certamente não haverá um amanhã para mim.
O andar em que eu me encontro está completamente selado. Ninguém entra ou sai – ao menos não pelas portas – e me desespero ao saber que estou preso aqui dentro. Não tenho energia para atravessar a parede e correr até o carro. Um estrondo chama a minha atenção, e de todos os outros no andar.
E.D.
Um lobisomem sai atacando todos ali e recebe a maior saraivada de tiros que já consegui ouvir desde o cemitério. Eu sei que é E.D., eu sei que ele só está ganhando tempo para mim, e o pior de tudo, é que eu não posso fazer nada por ele. Exceto uma coisa.
Quando E.D. abre a boca para gritar de dor, arremesso a minha pulseira dentro da boca dele e ele desaparece diante dos meus olhos. Eu poderia ter escapado, mas preferi salvar o meu amigo. Eu sei que ele faria a mesma coisa por mim, mas se é para eu morrer dentro de uma base do governo, ao menos eu morrerei sabendo que salvei todos os meus amigos.

Alguém me segura por trás e eu desapareço como fumaça.

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