CONTINUAÇÃO
IMEDIATA DO CAPÍTULO ANTERIOR.
CELINA COBRA UMA EXPLICAÇÃO, EXULTANDO. FRANKLIN
TOMA A FRENTE DE FERNANDA.
FRANKLIN – Ora, o
que tá acontecendo? Você enlouqueceu Celina? Essa é Fernanda, a nossa
veterinária. Você sabe disso!
CELINA –
Veterinária ou sua babá? Porque onde você está, ela está junto. Não desgruda.
FERNANDA –
Desculpa, dona Celina. Eu não queria causar nenhum./
CELINA –
(Irritada) Ai, garota. Desmonta esse papel de santinha pra cima de mim, porque
eu sei muito bem o que mulherzinha da sua espécie quer com homem casado. Vai me
dizer agora que tava fazendo as unhas? Procura a Fabíola, que esse papo não
cola mais!
FERNANDA EXULTA. FRANKLIN E CELINA SE ENCARAM.
FRANKLIN – Você
tá falando besteira. Coisa que não sabe.
CELINA – Será
que eu não sei mesmo, Franklin? Olha que eu sei de mais coisas do que você
acha.
FRANKLIN – Então
fala. Sabe do que?
CELINA ENCARA. INSTANTES. ELA RECUA.
CELINA – Aqui
não é hora e nem lugar pra isso.
CELINA OLHA FERNANDA COM CARA DE POUCOS AMIGOS. SAI
DO ESCRITÓRIO.
FERNANDA –
(Lívida) Você acha que ela./
FRANKLIN – Se ela
sabe que nós dois temos algo?
FERNANDA ASSENTE.
FRANKLIN – Acho
que não. Não sei. Pouco importa. (Pausa) Eu vou pedir o divórcio à Celina logo
que voltarmos das festas de fim de ano pro Rio. Já decidi isso.
FERNANDA – (Vai
se aproximar) Meu amor.
FRANKLIN BARRA SUA INVESTIDA COM O BRAÇO.
FRANKLIN – Mas
por enquanto é melhor mantermos isso em off. Ok?
FERNANDA CONCORDA COM A CABEÇA, SE ENCAMINHANDO
PARA A PORTA.
FERNANDA –
Precisando de mim, você sabe onde me encontrar.
FRANKLIN SORRI LEVE, CONCORDA. FERNANDA SAI.
FRANKLIN SENTA-SE NA POLTRONA, NERVOSO.
CORTA
PARA:
CENA 02.
HARAS DONA CAROLINA. CASA GRANDE. FRENTE. EXTERIOR. DIA
CELINA VEM CAMINHANDO POR ALI, ESPUMANDO DE RAIVA.
CELINA – Se
eles acham que vão continuar me enganando por muito tempo, eles estão muito
enganados. Eu não sou a idiota dessa novela! Pelo contrário! Eles vão se
arrepender!
EM CELINA, COM RAIVA.
CORTA
PARA:
CENA 03.
APARTANENTO DE ÁUREA E EDGAR. SALA DE JANTAR. INTERIOR. DIA
ÁUREA E EDGAR À MESA. TOMAM CAFÉ EM SILÊNCIO. INÊS
DESPONTA DO INTERIOR DO APARTAMENTO. SENTA-SE, SEM CUMPRIMENTAR.
ÁUREA –
(olhando) Bom dia pra você também.
INÊS – Bom
dia, mãe.
EDGAR E INÊS SE ENCARAM POR ALGUNS INSTANTES. ÁUREA
PERCEBE.
ÁUREA – Será
que algum dos dois pode me dizer o que tá acontecendo que eu não sei?
EDGAR –
Acontecendo? Não tá acontecendo nada.
INÊS QUASE RI, DEBOCHADA.
INÊS – É, se
o seu marido diz que não tá acontecendo nada, acredite! Ele nunca mente!
ÁUREA – E esse
tom debochado, Inês?! Vocês tão me escondendo alguma coisa sim. Podem ir
falando o que é.
INÊS OLHA EDGAR POR ALGUNS SEGUNDOS. ELE NERVOSO.
INÊS –
(Encara a mãe) Não é nada.
INÊS VOLTA A COMER, SEM OLHAR PARA NENHUM DOS DOIS,
QUE TROCAM OLHARES. ÁUREA ACUSADORA, NÃO SE CONVENCE. EDGAR ACUADO, VOLTA A
TOMAR CAFÉ.
CORTA
PARA:
CENA 04.
APARTAMENTO DE ALBERICO. SALA. INTERIOR. DIA
PAULINA E FÁTIMA TERMINAM DE COLOCAR UMA ESTRELA
DOURADA SOBRE A ÁRVORE DE NATAL. JULIANA ALI, GUARDANDO ALGUNS ENFEITES EM UMA
CAIXA DE PAPELÃO.
PAULINA – Ficou
bom demais, dona Fátima.
FÁTIMA – Ficou,
não ficou? Essas bolinhas novas deram uma outra cara pra árvore de natal. E
olha que eu já tenho essa árvore desde que a Áurea e a Carminha eram crianças.
JULIANA – E
nunca pensou em mudar, dona Fátima?
FÁTIMA – Claro.
Mas eu gosto de manter a tradição das coisas. Essa árvore já fez parte de
tantos Natais com a nossa família.
ELA SENTA-SE NO SOFÁ.
FÁTIMA – Ás
vezes é difícil nos desapegarmos de alguma coisa, Juliana.
JULIANA PENSATIVA, MELANCÓLICA.
PAULINA – Mas é
preciso, dona Fátima.
FÁTIMA – Enfim.
O que eu lamento de verdade é não estarmos em uma boa situação financeira pra
fazer aquela ceia de todo o ano. É uma pena.
PAULINA – O que
a dona Fátima mais gosta nessa época do ano é encher a mesa em volta da
família, dos amigos...
FÁTIMA – Tem
coisa mais importante que a família, Juliana?
JULIANA –
(Melancólica) Não tem não, dona Fátima.
FÁTIMA – A
família, não só nessa época, mas como o resto do ano, é o nosso maior tesouro,
ou pelo menos, deveria ser. Eu lamento muito não poder dar uma ceia decente à
nossa família e principalmente à você.
JULIANA – Á mim?
FÁTIMA – Claro,
minha filha. Você é a minha terceira menina. Já te considero uma filha, igual a
Áurea e a Carminha.
JULIANA EMOCIONADA ABRAÇA FÁTIMA.
JULIANA – Eu não
sei nem o que dizer pra senhora.
FÁTIMA – Não
precisa dizer nada. Só continuar conosco durante muito tempo.
JULIANA SECA AS LÁGRIMAS, ENCARA FÁTIMA E SORRI.
JULIANA – Eu
acho que posso ajudar nessa questão da ceia.
AS TRÊS SE ENTREOLHAM. JULIANA SORRI MAROTA.
CORTA
PARA:
CENA 05.
APARTAMENTO DE ALBERICO. SALA DE REFEIÇÕES. INTERIOR. DIA
ALBERICO NA PONTA DA MESA, EM VOLTA ESTÃO CARMINHA,
JAMIL, PAULINA E VITÓRIA. TODOS FALAM AO MESMO TEMPO. ALBERICO ENTEDIADO.
JULIANA E FÁTIMA VEM DO INTERIOR DO APARTAMENTO.
FÁTIMA – (Tom
alto) Gente, silêncio!
FALATÓRIO CONTINUA. FÁTIMA SOBE EM UMA CADEIRA.
FÁTIMA –
(Berra) Silêncio!
TODOS VÃO PARANDO E OLHAM PARA FÁTIMA, QUE RI.
ALBERICO – O que
é isso, meu amor? Enlouqueceu?
FÁTIMA – Eu
preciso do silêncio de vocês nesse momento, porque a Juliana tem algo
importante a nos dizer.
CARMINHA – O que
foi, Jú? Aconteceu alguma coisa?]
JAMIL – Não me
diz que você contou que./
FÁTIMA –
Contou?
JULIANA –
(Rápida) Não contei nada não. Loucura do Jamil. (Fuzila com o olhar) Eu tenho
outro comunicado.
PAULINA –
(Animada) Acho que eu já sei o que é.
VITÓRIA – Conta,
gente, to ansiosa.
ALBERICO – Bom,
se vocês deixarem a garota falar (Ri). Fale, minha filha. O que você tem a nos
dizer?
JULIANA – Bom,
hoje, nós montamos a tradicional árvore de Natal da família de vocês. Quer
dizer, (olha Fátima) da nossa família. Agora também faço parte dela.
CARMINHA –
(Concorda) Completamente.
JULIANA – Então,
é por vocês terem me colocado tão bem aqui dentro, me acolhendo como parte da
família de vocês, parte desse mundo maravilhoso e meio caótico.
TODOS RIEM.
JULIANA – A dona
Fátima me disse que todos os anos, vocês tem a tradição de fazer uma ceia farta
para o Natal.
VITÓRIA – Como
sempre a titia adora exagerar na comida, mas ela pode, comida dos deuses!
JULIANA – E ela
também me disse que esse ano, não iria conseguir dar essa ceia de Natal, por
conta da situação financeira do seu Alberico.
ALBERICO –
(Lamenta/ Vergonha) Eu sinto extrema culpa por isso. Quero me desculpar com
todos vocês.
FÁTIMA –
(Acarinha os cabelos) Não precisa se desculpar. Nós já passamos por crises
iguais à essa e sempre continuamos juntos.
JULIANA – Essa
família me ensinou o que é união, mesmo nos momentos mais difíceis. Me acolheu
como ninguém mais me acolheu. Talvez nem a minha própria família me
acolheria... Enfim. O que eu quero mesmo é dizer à todos vocês que a Ceia de
Natal vai sair sim!
CARMINHA – Sair?
Sair como, Juliana?
TODOS SE ENTREOLHAM, CURIOSOS.
FÁTIMA – O que
a Juliana tá querendo dizer./
JULIANA – (Por
cima) É que a Ceia de Natal será um presente meu à todos vocês.
JAMIL –
(Sorri) Jú! Que lindo!
ALBERICO SE LEVANTA, ENCARA JULIANA.
ALBERICO – Eu não
aceito!
OS DOIS SE ENCARAM. CLIMA TENSO. CLOSES ALTERNADOS.
EM ALBERICO, INCISIVO.
CORTA
PARA:
CENA 06. MANSÃO
FAMÍLIA PRATINI. SUÍTE DE DANTE. INTERIOR. DIA
SUÍTE COM A CAMA DESARRUMADA. AMANDA ENTRA. DANTE
EM OFF, CANTA ALGUMA MÚSICA. BARULHO DE ÁGUA CAINDO NO CHUVEIRO DO BANHEIRO.
AMANDA OLHA EM VOLTA.
AMANDA – Dante?
DANTE – (Tom/
Off) No banho.
AMANDA – (Tom)
Nós marcamos com aquele DJ de Floripa na Baronesa de manhã. Vamos nos atrasar.
DANTE – (Off)
Vai na frente, querida. Depois eu chego. O importante é você fechar com ele.
AMANDA OLHA EM VOLTA. DO SEU PV: UMA GRAVATA AOS
PÉS DA CAMA. FREEZE NA GRAVATA. TENSÃO. AMANDA SE APROXIMA, PEGA. ENCARA.
FLASHES
DE HENRIQUE, USANDO A MESMA GRAVATA NA NOITE ANTERIOR.
DANTE VEM ENROLADO EM UM ROUPÃO.
DANTE –
Amanda?
AMANDA SE VIRA COM A GRAVATA EM MÃOS. DANTE SE
APROXIMA. AMANDA NERVOSA, O ENCARA.
DANTE – De
quem é essa gravata? (Pensativo) É do Henrique!
AMANDA LÍVIDA. DANTE ENCARA.
DANTE – Porque
essa gravata do Henrique estava com você? (Pausa) Ele veio aqui essa noite?
AMANDA ENGOLE SECO.
DANTE –
(Acusador) Amanda, você e o Henrique transaram? Vocês têm um caso, é isso?
CLOSES ALTERNADOS. AMANDA EXULTA.
CORTA
PARA:
CENA 07.
BISTROT CASTRO MAISON. FRENTE. EXTERIOR. DIA
SONOPLASTIA:
“TECNOPAPIRO” – MARIA GADÚ.
CÂM FOCA NA FRENTE DO BISTROT. MOVIMENTAÇÃO EM
FRENTE À AVENIDA.
CORTA
PARA:
CENA 08.
BISTROT CASTRO MAISON. ÁREA ADMINISTRATIVA. INTERIOR. DIA
EMÍLIA VERIFICA A CONTABILIDADE. SOLANGE ALI, VENDO
UMA PEÇA DE ARTE. SONOPLASTIA OFF.
SOLANGE – É
lindo esse Picasso, Emília!
EMÍLIA – (Volta
sua atenção) Não é?! Eu acho Picasso um deleite em qualquer momento do dia.
Durante as refeições, então, é um verdadeiro manjar.
EMÍLIA SORRI. SOLANGE VOLTA SUA ATENÇÃO.
SOLANGE – E o
Raulzinho? Como tá?
EMÍLIA RESPIRA FUNDO.
EMÍLIA – Você é
minha amiga de anos, então eu posso confessar. Eu to extremamente preocupada
com o Raul, Solange.
SOLANGE SENTA-SE PERTO DA AMIGA.
SOLANGE – Porque
essa preocupação?
EMÍLIA – O Raul
não está bem, eu sinto isso. Eu pensei que a Inês e o namoro dos dois fosse
fazer bem ao meu filho, mas hoje eu vejo que foi um erro.
SOLANGE – Eles
brigam muito? A Inês me parece tão boa menina.
EMÍLIA – Ela é.
O problema não é e nunca foi a Inês. Nessa parte, Deus me mandou uma garota de
ouro. O problema é justamente com o Raulzinho. Ele é possessivo, ciumento, eles
vivem em pé de guerra por causa do ciúme controlador dele.
SOLANGE – Isso é
horrível, Emília. Você já sugeriu uma terapia pro Raul?
EMÍLIA – E você
acha realmente que o Raul vai aceitar fazer uma terapia por causa do ciúme? Ele
nem sequer admite que tem esse sentimento horrível dentro dele.
SOLANGE – Que
complicado, amiga.
EMÍLIA CONCORDA. SOLANGE, PENSATIVA.
EMÍLIA –
Mudando de assunto, Solange, eu quero saber uma coisa. Você pode ser sincera
comigo?
SOLANGE – E
quando eu não fui?
EMÍLIA – Então
me responde. Aquele cara com quem você sempre anda, o tal dono da academia.
SOLANGE – O
Urbano?
EMÍLIA – Exato.
Eu sempre vejo vocês dois almoçarem ou jantarem aqui, os dois, sozinhos. Esse
Urbano e você têm alguma coisa?
SOLANGE ENCARA, SEM ENTENDER. EMÍLIA SORRI IRÔNICA.
EMÍLIA – Ah,
você sabe... Alguma coisa de homem e mulher. Vocês tão transando?
SOLANGE EXULTA, LEVANTA-SE, RAPIDAMENTE.
SOLANGE – Tá
doida, amiga?
EMÍLIA – Ué,
seria compreensível. Você é uma mulher muito bonita, sexy, atraente... E ele
também, é um homem charmoso. Não entendo o seu susto.
SOLANGE – O
Urbano é apenas um amigo. Só isso. Um amigo muito querido.
EMÍLIA – Sei.
Cuidado pra não enganar á você mesmo. É péssimo quando tentamos jogar com os
nossos sentimentos contra nós mesmos.
SOLANGE NEGA CONTRARIADA. EMÍLIA RI.
CORTA
PARA:
CENA 09.
APARTAMENTO DE ALBERICO. SALA DE REFEIÇÕES. INTERIOR. DIA
Continuação
cena 05/ Cap. 12.
JULIANA CHATEADA.
JULIANA – Poxa,
seu Alberico. É um presente meu, em forma de agradecimento, não só ao senhor
que sempre me tratou como uma filha, mas à todos vocês, que me acolheram.
CARMINHA –
Juliana, é um gesto lindo, é grandioso.
CARMINHA LEVANTA-SE E ABRAÇA JULIANA. ALBERICO OLHA
FÁTIMA.
FÁTIMA – É de
coração, seu velho rabugento.
ALBERICO – Só não
acho certo. Claro que acho um gesto maravilhoso, mas Juliana... Minha filha,
você vai gastar conosco.
JULIANA – Gastar
com a nossa família. Não é assim que vocês fazem questão que eu me sinta? Da
família? Família ajuda um ao outro quando precisa. E eu quero.
JAMIL – Mas
Jú, pra você não vai ficar apertado financeiramente?
JULIANA – Eu
quero fazer isso. Por favor.
ALBERICO PENSATIVO.
PAULINA – Poxa,
seu Alberico. Deixa a Juliana pagar o rega-bofe. Quero comer bem pelo menos uma
vez no ano.
FÁTIMA –
Paulina!
PAULINA FAZ ZÍPER COM A BOCA. JULIANA RI.
ALBERICO – Minha
filha. (Emocionado) Hoje você já deu o melhor presente do ano pra esse velho
aqui. Desculpem a Áurea que não tá aqui presente, à Carminha, mas hoje você me
deu algo que nenhuma das minhas filhas deu. Você deu amor, gratidão, e se
preocupou com uma data tão significativa pra nós todos.
JULIANA – Poxa,
seu Alberico. Quê isso.
ALBERICO – Eu
quero muito te dar um abraço. Posso?
JULIANA – Claro.
Que pergunta!
ALBERICO ABRAÇA JULIANA E TODOS APLAUDEM,
EMOCIONADOS.
JULIANA –
(Rindo) Vou me sentir uma Camila Pitanga com tanto aplauso.
ALBERICO – (Ri) E
eu um Marcos Caruso.
TODOS RIEM.
JULIANA –
Carminha, dona Fátima e Paulina, então, vou precisar da ajuda de vocês, pra irmos
hoje ao mercado comprar tudo o que a Ceia vai precisar. Vocês podem?
PAULINA – Ôpa, mercadão
é comigo mesmo!
FÁTIMA – Menos,
Paulina. Claro que podemos.
VITÓRIA – Podem
contar comigo também! Faço questão de te ajudar, Juliana!
CARMINHA – Eu
queria muito, Jú, mas tenho aula na academia hoje quase a tarde inteira.
Desculpa.
JULIANA –
Imagina.
JAMIL – Mas eu
posso ajudar. Afinal, só trabalho à noite na boate. Posso ajudar vocês com as
compras sem problemas.
JULIANA SORRI, AGRADECENDO.
FÁTIMA – Nós
vamos ter uma noite única.
ALBERICO –
Obrigado mais uma vez, minha filha.
JULIANA E ALBERICO TROCAM OLHARES CARINHOSOS E
FRATERNOS. EM JULIANA.
CORTA
PARA:
CENA 10.
MANSÃO FAMÍLIA PRATINI. SUÍTE DE DANTE. INTERIOR. DIA
Continuação
cena 06/ Cap.11
AMANDA ENCARA DANTE, FINGINDO INDIGNAÇÃO.
AMANDA – Como
você pode me acusar de uma coisa dessas, Dante? Te trair com o Henrique? Você
enlouqueceu?
DANTE – Então
o que essa gravata tava fazendo com você?
AMANDA – Eu
achei essa gravata agora no escritório. Ela não é sua?
DANTE – Não.
Eu lembro muito bem do Henrique estar usando essa gravata ontem na reunião com
os empresários chineses que vão investir na Baronesa.
AMANDA NERVOSA, ANDA DE UM LADO AO OUTRO.
DANTE –
Amanda!
AMANDA – Eu não
sei, Dante. Como eu posso saber? Eu encontrei essa gravata no escritório agora
de manhã. Vim entregar pensando ser sua. Eu não sei quem é, caramba!
DANTE – Você
tá nervosa!
AMANDA – É
claro. Como você quer que eu esteja, se você tá me acusando de estar te traindo
com o seu sócio?
DANTE ENCARA, CONCORDA.
DANTE – É
talvez eu esteja errado mesmo. Deixa essa gravata comigo e eu entrego ao
Henrique.
AMANDA SORRI AMARELO, CONCORDA.
AMANDA – Te
espero lá em baixo pra irmos pra boate.
DANTE CONCORDA. AMANDA SAI BATENDO A PORTA. DANTE PEGA
A GRAVATA, ENCARA.
DANTE – Vamos
ver se a sua reação também será assim tão nervosa pra quem não tá escondendo
nada, Henrique.
EM DANTE, DESCONFIADO.
CORTA
PARA:
CENA 11.
RIO DE JANEIRO. EXTERIOR. DIA
SONOPLASTIA: “MODO
AVIÃO” – NX ZERO.
TAKES RÁPIDOS DA PASSAGEM DO DIA NO RIO DE JANEIRO.
TERMINA NAS PLATAFORMAS DO METRÔ.
CORTA
PARA:
CENA 12.
PLATAFORMA METROVIÁRIA. INTERIOR. DIA
LÉO E LEILA POR ALI. CORTES DESCONTÍNUOS DOS DOIS
EM MAIS UM SURF FERROVIÁRIO. ARRISCAM-SE ENTRE OS VAGÕES. O METRÔ PARTE, LEVANDO
OS DOIS, QUE FAZEM UM “SURF” POR CIMA DOS VAGÕES DO METRÔ. ELES SE DIVERTEM,
RIEM DA SITUAÇÃO.
CORTES
DESCONTÍNUOS DOS DOIS CORRENDO DO GUARDA NA ESTAÇÃO. EM
DETERMINADO PONTO, LÉO ACABA TROPEÇANDO E CAINDO. LEILA VOLTA E O AJUDA A
LEVANTAR. ELE CORRE CAMBALEANTE.
CORTA
PARA:
CENA 13.
RIO DE JANEIRO. BARZINHO. EXTERIOR. DIA
LÉO COM A PERNA SOBRE UMA CADEIRA. FRENTE DE UM BAR
DECADENTE. LEILA COM UMA COMPRESSA DE GELO SOBRE A PERNA DE LÉO.
SONOPLASTIA OFF.
LÉO – (Geme)
Tá doendo, Leila!
LEILA – Calma,
gato. É assim mesmo. Você machucou, calma que daqui a pouco melhora. E se não
melhorar, partiu UPA.
LÉO A ENCARA. OS DOIS RIEM.
LÉO – Porque
é sempre tão divertido quando você tá por perto?
SONOPLASTIA: “MIRACLES”
– COLDPLAY.
OS DOIS SE OLHAM FIRMES. ROSTOS PRÓXIMOS.
LEILA – Porque
você tá dizendo essas coisas?
LÉO – É o
que eu sinto. Fora que...
LEILA – Que?
LÉO – Fora
que eu acho que essa amizade tá na hora de se transformar em algo maior.
LEILA – Léo.
LEILA TENTA FALAR, MAS LÉO A PUXA PARA SI.
SLOW-MOTION: OS ROSTOS, DE VÁRIOS ÂNGULOS, VÃO SE APROXIMANDO E FINALIZANDO EM
UM BEIJO ARREBATADOR. OS DOIS SE BEIJAM COM PAIXÃO. INSTANTES ALI.
LEILA –
(Afastando) Chega!
LÉO – Mas./
LEILA – Acho
que você não machucou a perna não. Acho que você bateu a cabeça. Vem, vambora.
LÉO ENCARA LEILA, CONCORDA, FRUSTRADO. NELA. FADE-OUT.
CORTA
PARA:
CENA 14.
RIO DE JANEIRO. EXTERIOR. NOITE
FADE-IN. RIO DE
JANEIRO NOTURNO. BALADAS LOTANDO NO INÍCIO DA NOITE. MOVIMENTAÇÃO COMUM DA
CIDADE. MESMA SONOPLASTIA.
LEILA – (Off)
Mas isso é loucura!
FACHADA DA MANSÃO PRATINI, ILUMINADA PELAS LUZES
ARTIFICIAIS DO JARDIM.
CORTA
PARA:
CENA 15.
MANSÃO FAMÍLIA PRATINI. SUÍTE DE MARIANA. INTERIOR. NOITE
SONOPLASTIA OFF. MARIANA DE FRENTE À UM ESPELHO,
SE MAQUIANDO. LEILA, AO LADO, JÁ PRONTA, COM VESTIDO CURTO, COLO À MOSTRA.
CONVERSA Á MEIO.
MARIANA – Deixa
de bobagem, amiga. Claro, você e o Léo são amigos há anos. É estranho mesmo,
mas vai, o Léo é gatinho, você também é linda, gata, garota, tudo de bom.
Então, qual o problema?
LEILA – O
problema é que eu me sinto estranha, Mari. O Léo é meu melhor amigo. Mais amigo
que o próprio Bruno. É como se tivesse pegando o meu irmão.
MARIANA COMEÇA A GARGALHAR. LEILA INCOMODADA.
MARIANA – Um
incesto à lá Nelson Rodrigues não cairia tão mal assim à essa altura da trama.
LEILA – Pára.
Não brinca com essas coisas. Eu to me sentindo mal, poxa.
MARIANA PARA DE SE MAQUIAR E ENCARA LEILA.
MARIANA – Não
faz tempestade em copo d água, sua boba. Abstrai! Aconteceu o beijo entre você
e o Léo? Paciência! Encare o garoto e siga em frente.
LEILA PENSATIVA. BATIDAS NA PORTA. MARIANA VOLTA A
SUA ATENÇÃO. AMANDA ENTRA.
AMANDA – Ainda
estão assim? Bora que a Baronesa já abriu à essa hora.
MARIANA – Me
admira muito você em me deixar ir pra balada.
AMANDA –
(Comemora) Noite de despedida, meu bem. Véspera de Natal e última noite no Rio.
Amanhã partimos pra Petrópolis.
LEILA – Vocês
vão passar mesmo o Natal com a família Linhares?
AMANDA – As
malas já estão prontas, queridinha. Sua mãe que é uma boba, não quis ir.
LEILA – Dona
Bibi não tá muito pra festas.
AMANDA – Enfim,
vou me divertir por nós duas. E também espero que você engate logo um romance
com o Bruno. Trata de arrancar um pedido de namoro.
MARIANA BUFA.
MARIANA – Espero
que você se comporte na casa da família do Bruno, dona Amanda Pratini.
AMANDA – Me
comportar? Nunca pensei! Eu vou é lacrar, querida. Esse Natal vai ser
inesquecível!
CLOSES ALTERNADOS. EM AMANDA, SORRIDENTE.
CORTA
PARA:
EFEITO
FINAL: A TELA CONGELA EM EFEITO VITRAL.
FIM DO CAPÍTULO 12
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