domingo, 7 de junho de 2015

Capítulo 17: Mar da vida

Personagens deste capítulo


Alberto
Alice
Brenda
Charles
Clarisse
César
Diogo
Felipe
Fredy
Guto
Henrique
Leandro
Lílian
Marina
Matheus
Matilde
Patrícia
Petrônio
Rúbia
Sabrina
Silvana
Tânia
Vera
Virgínia



Participação Especial









CENA 01. HOSPITAL. SALA DE ESPERA. INT. NOITE.

Continuação do capítulo anterior. O médico revela que Rúbia está grávida. Brenda e César se olham surpresos.

MATILDE: - A Rúbia está grávida?! Meu Deus, mas eu nem sabia!
GUTO: - Pelo visto ninguém sabia, dona Matilde... Nem mesmo o possível pai da criança... (olhando para César)
CÉSAR: - Nossa, não sei o que dizer!
MÉDICO: - Com licença, tenho outros pacientes para atender.
BRENDA: - Quando a gente vai poder ver ela, doutor?
MÉDICO: - Os enfermeiros irão avisar. No momento ela precisa de um pouco de repouso. Com licença (saindo)
MARINA: - Ela estava grávida e não falou nada para ninguém?
CÉSAR: - Então era isso!
BRENDA; - Isso o que?
CÉSAR: - Ela esteve lá no projeto ambiental, dizendo que iria me dar uma notícia muito importante, mas no final acabou indo para a casa da Patrícia e não me falou nada.
BRENDA: - Claro! Ela havia sentido enjôos dias atrás também... E nós nem desconfiamos!
GUTO: A Patrícia está chegando aqui também.

     Patrícia chega no local, acompanhada de Tomás e Cristina.

PATRÍCIA: - Oi pessoal! Como ela está?
TOMÁS: - Viemos para cá assim que soubemos do acidente.
CRISTINA: - É notícia em quase todos os noticiários... Como vai dona Matilde? (abraçando Matilde)

     Enquanto Cristina e Tomás conversam com Matilde e Guto, Brenda conversa com Patrícia. Marina conversa com César.

BRENDA: - Ela está bem, de repouso...
PATRÍCIA: - Coitada da minha amiga.
BRENDA: - Patrícia, você sabia da gravidez da Rúbia?
PATRÍCIA (fingindo): - Gravidez? Não! A Rúbia não me falou nada! Ela está grávida do César?
BRENDA; - Parece que sim... O médico nos contou... Não sei porque ela escondeu isso.
PATRÍCIA: - É mesmo...

     Brenda se afasta, indo até Matilde.

PATRÍCIA (em voz baixa) - Santinha do pau oco!

CENA 02. HOSPITAL. SALA DE ESPERA. INT. NOITE.

César conversa com Marina.

CÉSAR (incrédulo / surpreso): - Eu nunca poderia imaginar que ela estivesse grávida!
MARINA: - Mas vocês não se protegeram, César?
CÉSAR: - Algumas vezes não, mas...
MARINA: - Pois é, agora deu no que deu!... Mas a gravidez é o de menos... Você tem que se preocupar agora é com o estado de saúde dela, se ela está bem, se não ficou com nenhuma seqüela...

     Nesse instante, César observa Brenda indo em direção à Matilde e a intercepta.

CÉSAR (segurando o braço de Brenda): - Brenda, espera!
BRENDA (olhando firme para César): - Solta o meu braço, César.

     César solta Brenda.

CÉSAR: - A gente precisa conversar...
BRENDA: - Agora não César, não é hora nem lugar...
CÉSAR: - Mas Brenda, é importante.
BRENDA: - O que importa agora é a Rúbia... E o estado de saúde do seu filho.

     Brenda vai saindo e César lamenta.

CENA 03. CASA HENRIQUE. SALA. INT. NOITE.

Henrique e Silvana chegam em casa após o jantar. Ele serve uma dose de wiski, senta-se no sofá e bebe. Silvana tira os sapatos dos pés e senta-se ao lado dele no sofá.

SILVANA: - Nossa, meus pés estão doloridos... Esses sapatos apertam demais!
HENRIQUE: - Não entendo vocês mulheres...
SILVANA (massageando os pés): - Não entende o quê?
HENRIQUE: - Se o sapato aperta, dói e tudo mais, por que vocês colocam?
SILVANA: - Ditadura da beleza, meu amor! A gente tem que sofrer alguns sacrifícios para ficar bonita...
HENRIQUE: - E satisfazer os homens...
SILVANA: - Não, eu não ouvi isso, Henrique! Quem te disse que a gente se produz para satisfazer os homens?
HENRIQUE: - E não é?
SILVANA: - Ta, algumas até fazem isso... Mas a grande maioria, é para se sentir bem mesmo. Auto-estima!... Até porque, quem tem que satisfazer são as mulheres com os homens!
HENRIQUE: - Ah, é mesmo?
SILVANA: - É isso mesmo... E você pode começar me satisfazendo, massageando os meus pezinhos, que tal?

     Henrique deixa o copo no mezanino. Silvana deita-se no sofá, com as pernas sobre o colo de Henrique, que massageia carinhosamente os pés dela. Após alguns instantes, Silvana ergue-se e beija Henrique. Os dois ficam a se beijar intensamente no sofá, deitando-se logo depois sobre ele.

CENA 04. CASA PETRÔNIO. CORREDOR. INT. NOITE.

Samantha vai andando em direção ao quarto de Petrônio, quando é surpreendida pela presença de Helena, que sai da porta de seu quarto.

HELENA: - Estava boa a festinha, hein.
SAMANTHA (surpresa): - Que susto Helena!... Estava boa sim...
HELENA: - Pois é, pela hora que você está chegando...
SAMANTHA: - Sim, nós ficamos nos divertindo e aí perdemos a hora.
HELENA: - Você e suas amigas?
SAMANTHA: - Sim, eu e as meninas.
HELENA: - Sei o tipo de meninas que você chama de amigas e posso até imaginar o tipo de diversão que vocês fizeram...

     Samantha olha séria para Helena, que continua a falar.

HELENA: - Meu pai deveria estar louco quando te colocou aqui dentro... E mais louca deveria estar eu, que não fiz nada para impedir!
SAMANTHA: - Você ainda está louca, falando essas coisas!... Você não tem respeito, não tem coração, não Helena?
HELENA: - Quem você pensa que é para falar em respeito, para falar em coração?!
SAMANTHA: - Eu sou uma pessoa que respeita as pessoas, que se preocupa com outros.
HELENA: - Não venha dar uma de boazinha pra cima de mim que a mim você não engana... Você quer mesmo é dar o golpe do baú no meu pai!... E já começou a praticar o plano... Você pensa que eu não vi você e o Bento chegando juntos agora a pouco?
SAMANTHA: - E o que tem de mais nisso? Nós nos encontramos na rua e voltamos para casa juntos! Só isso! Você não tem o direito de insinuar alguma coisa, Helena!
HELENA: - E você acha pouco? Se o meu pai visse a cena que eu vi...
SAMANTHA: - E o que foi que você viu, hein Helena? O que foi que você viu?
HELENA: - Eu vi uma prostituta sem vergonha se oferecendo para o motorista bonitão do marido! Uma vagabunda se oferecendo para o amante!

     Samantha parte para dar um tapa na cara de Helena, mas Helena consegue segurar sua mão.

HELENA (segurando Samantha): - Você ia me bater, Samantha? Por um acaso eu falei alguma mentira? Acho que não...
SAMANTHA (chorando): - Você é um monstro, Helena! Não é uma pessoa sã, não é!

     Helena solta Samantha.

HELENA: - Você cala essa boca, sua piranha. Você é a legítima praticante da teoria “o meu passado me condena”...
SAMANTHA: - E o que você tem a ver com isso? O meu passado diz respeito só a mim e a mais ninguém!
HELENA: - Tenho a ver sim, tenho a ver! Afinal, você infelizmente está namorando o meu pai e está usufruindo de uma riqueza, de um patrimônio que não é seu! Você não tem direito a nada, Samantha! Nada disto que está aqui nessa casa, os outros terrenos, os outros patrimônios... Nada disso aqui é teu!
SAMANTHA: - E você acha que eu estou afim do dinheiro do seu pai? Eu não quero o dinheiro do Petrônio, eu amo ele e ele me ama... Isso já basta para mim.
HELENA (rindo debochadamente): - Não me faça rir Samantha, com essa fala de mocinha boazinha. (ficando séria) Os seus dias aqui estão contados. Pode escrever isso.

     Helena entra para o seu quarto, enquanto Samantha, ainda chorando, segue pelo corredor.

CENA 05. CASA PETRÔNIO. QUARTO. INT. NOITE.

Samantha entra num dos quartos de hóspedes e deita-se sobre a cama, chorando. Em off, os dizeres de Helena: “Eu vi uma prostituta sem vergonha se oferecendo para o motorista bonitão do marido”. Samantha chora.

CENA 06. CASA BRENDA. SALA. INT. NOITE.

Joaquim está preocupado por ainda não receber notícias do hospital. Ele caminha de um lado a outro da sala. Alice entra no local trazendo um copo com água.

ALICE (oferecendo água): - Beba seu Joaquim, um pouco d’água.
JOAQUIM: - Não quero água não, Alice... Estou preocupado porque ninguém ainda ligou, não deram notícias!
ALICE: - Mas o senhor tem que ficar calmo, logo elas vão ligar...
JOAQUIM: - Será que aconteceu algo grave com a Rúbia?
ALICE: - Claro que não! Não pensa no pior, seu Joaquim! Temos que pensar positivo e torcer para que ela não sofra nada!

     Nesse instante, o telefone toca e Alice atende. Do outro lado da linha, é Brenda.

ALICE: - Alô?
BRENDA: - Oi Alice.
ALICE (à Joaquim): - É a Brenda.
JOAQUIM: - Pergunta pra ela da Rúbia, eu quero saber como ela está!
ALICE (à Brenda, no telefone):: - Brenda, seu avô quer saber notícias da Rúbia, como ela esta?
BRENDA: - Ela está na UTI ainda, mas logo já irá para o quarto. Está tudo bem com ela, mas é por precaução.
ALICE (à Joaquim): - Ela está na UTI, mas depois irá para o quarto. Mas está tudo bem com ela.
JOAQUIM: - Menos mal...
ALICE (à Brenda, no telefone): - Que bom que não foi nada grave então...
BRENDA: - Não, não foi... Mas tem mais uma coisa.
ALICE: - O que foi?
BRENDA: - A Rúbia está grávida, Alice.
ALICE: - Não brinca, Brenda!
JOAQUIM (preocupado): - O que houve, Alice?! O que está acontecendo?
ALICE (à Joaquim): - A Rúbia está grávida, seu Joaquim!
JOAQUIM (surpreso): - Grávida?! A Rúbia está grávida,  é isso?
ALICE: - Isso mesmo. (à Brenda, no telefone) Nossa, uma surpresa atrás da outra!... O César está aí no hospital também?
BRENDA: - Está sim, ele quis falar comigo, mas não estou com cabeça... Bom, liguei só para dar notícias... Eu vou ficar aqui no hospital, com o Guto. A Patrícia e os pais dela também estão aqui e vão levar a vovó para casa, para ela descansar um pouco, mas amanhã ela volta pra cá. Acho melhor assim...
ALICE: - Isso mesmo, faz certo.
BRENDA: - Acalma o vovô aí, amiga.
ALICE: - Pode deixar, eu vou cuidar dele direitinho.
BRENDA: - Obrigada. Beijo.
ALICE: - Beijo.
    
     Alice desliga o telefone.

ALICE: - Os pais da Patrícia estão trazendo a dona Matilde. A Brenda e o Guto vão ficar lá no hospital esta noite.
JOAQUIM: - Tudo bem... Mas eu ainda não consigo acreditar que a minha neta está grávida... A Rúbia está grávida.
ALICE: - Isso mesmo, seu Joaquim. O senhor vai ser bisavô!

     Joaquim senta-se no sofá e fica a olhar para Alice, nostálgico.

CENA 07. CASA CÉSAR. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Alberto, Tânia e Felipe estão sentados na sala. Olga encontra-se próxima a eles.

ALBERTO (preocupado): - Será que houve algo muito grave? Até agora não deram notícias...
OLGA: - Eu vou pro meu quarto, acender uma vela e orar por essa menina.
ALBERTO: - Faz bem Olga, faz bem...
TÂNIA: - Mas é bom só orar mesmo... Nada de mandingas, macumbas por aqui! Essas coisas você faz numa esquina e bem longe daqui.
ALBERTO: - Tânia! O que é isso que você está dizendo? Cada um tem sua crença, seu credo e devem ser respeitados!
TÂNIA: - Mas eu estou respeitando, só quero que fiquem longe de mim.
ALBERTO: - Desculpe, Olga...
OLGA: - Não precisa se desculpar não, doutor Alberto, já estou acostumada... Com licença (saindo).

     Olga sai.

ALBERTO: - Você vive implicando com ela, Tânia!
TÂNIA: - Ela é que não está bem certa, Alberto... Olga não está se coordenando mais, ela já é uma senhora!
FELIPE: - É mesmo, esses dias ela trocou minhas camisas pelas camisas do César... E olha que as minhas camisas são inconfundíveis!
ALBERTO: - Ela já trabalha comigo há anos...
TÂNIA: - Talvez seja mesmo a hora de dar um descanso para ela, querido...
FELIPE: - Também concordo. Existem umas casas de repouso muito boas aqui na cidade...
ALBERTO: - Não, não.... Não quero falar sobre isso. Deixamos isso para depois, está bem? Agora quero saber notícias da minha nora, da Rúbia...

     O telefone toca e Felipe atende.

FELIPE: - Alô?
(T)
FELIPE: - Oi Marina. E aí, como estão as coisas?
(T)
FELIPE: - Sei....

     Alberto e Tânia ficam atentos à conversa de Felipe.

FELIPE (surpreso): - O quê?!
TÂNIA: - O que houve, Felipe?
FELIPE: - Não me diga!...
ALBERTO: - Vamos Felipe, fala logo!
FELIPE: - Tudo bem, pode deixar que aviso eles sim... Boa noite! (desligando o telefone)
ALBERTO (apreensivo): - Então, o que aconteceu?
FELIPE (sorriso sarcástico): - Parabéns! Vocês serão avós!
TÂNIA (surpresa): - O que?
FELIPE: - A Rúbia está grávida do César.
ALBERTO (contente): - Meu Deus! Que notícia incrível! Eu, avô?!
TÂNIA: - Lastimável! Poderia ter acontecido tudo, menos isso...
ALBERTO: - Por que, Tânia?
TÂNIA: - Agora essa menina vai querer vir pra cá, morar aqui, viver no luxo, não é? Sabe-se lá se não era isso que ela queria fazer... Como o César foi idiota em cair na lábia dessa menina, meu Deus!
ALBERTO: - Deixe de falar bobagens, Tânia! A Rúbia é uma moça boa... E outra, não vejo nada de errado ela vir pra cá... Se ela não tem estrutura para ficar com a criança, nada melhor do que oferecermos nossa casa para o nosso neto.
TÂNIA: - Você não pode estar falando sério, Alberto!
ALBERTO: - E porque não estaria?... E se depender de mim, isso poderá ser o mais breve possível.
FELIPE: - Nossa, tio.. Pro senhor parece até que eles já devem casar.
ALBERTO: - Felipe, meu caro, você leu meus pensamentos.
FELIPE: - Você está pensando em casar o César e a Rúbia?
TÂNIA: - Pronto, ele ficou louco agora...
ALBERTO: - Meu Deus do céu, vocÊs parecem até que estão com medo das coisas! O César e a Rúbia se gostam, se amam, vão ter um filho... Nada melhor do que um casamento para selar essa união. Poderemos pensar nisso depois que ela sair do hospital... E por falar nisso, quando ela recebe alta?
FELIPE: - A Marina falou que ela vai ficar no hospital por alguns dias, para observação. O César ficará por lá. Marina também.
ALBERTO: - Ótimo. Tânia, amanhã iremos visitá-la.
TÂNIA: - O que? Ah não Alberto... Você sabe que eu não gosto de hospital...
ALBERTO: - Faça um esforço, querida, para ver sua nora, mãe do seu primeiro netinho! Bom, vou subindo. Boa noite para vocês!

     Alberto vai para o quarto. Tânia e Felipe ficam na sala. Tânia senta-se no sofá. Felipe senta-se ao lado dela.

FELIPE: - Por essa eu não esperava... O César casando com a Rúbia, tão rápido...
TÂNIA: - O Alberto só pode estar brincando... Só pode!...

CENA 08.  TRANSIÇÃO DO TEMPO. EXTERNAS PRAIA REAL. AMANHECER.

Imagens da beira da praia, pássaros voando. Sol, dia bonito. Na casa de Petrônio, ele está em seu quarto, deitado, dormindo. Ele acorda e vê que Samantha não está na cama com ele. Ele se levanta, veste o roupão e sai do quarto.

CENA 09. CASA PETRÔNIO. CORREDOR/QUARTO. INT. DIA.

Petrônio caminha pelo corredor quando passa em frente ao quarto de hóspedes. Ele observa que a porta está entreaberta. Ele entra no quarto e vê Samantha deitada sobre a cama. Ele se aproxima dela.

PETRÔNIO (sentando-se na cama): - Samantha? (T) Samantha?
SAMANTHA (acordando / surpresa): - Pepê! O que você está fazendo aqui?
PETRÔNIO: - Eu é que pergunto isso para você... Por que não dormiu comigo na nossa cama?
SAMANTHA: - Eu cheguei um pouco tarde ontem da festa das minhas amigas... Não quis te acordar.
PETRÔNIO: - Ora, que bobagem... Sabe muito bem que não me importo com isso... Gosto de dormir com você do meu lado. (beijando a testa de Samantha).
SAMANTHA: - Pepe, me responda uma coisa.
PETRÔNIO (sorrindo): - Estou só ouvidos.
SAMANTHA: - Você gosta mesmo de mim?
PETRÔNIO (surpreso): - Mas é claro que gosto! Por que essa pergunta agora?
SAMANTHA: - Sei lá, de repente me bateu uma insegurança, sabe?
PETRÔNIO: - Coisa boba, não pensa nisso não... Eu não estou aqui com você? Nós não estamos juntos? Então...
SAMANTHA: - É que às vezes, tenho medo que algumas coisas do meu passado possam atrapalhar a nossa vida.
PETRÔNIO: - Samantha, meu amor, o seu passado não me importa. O que me interessa é você desde o dia em que eu te conheci, naquela avenida, sentada naquela parada de ônibus, triste, cabisbaixa... A partir dali é que começou o meu interesse por você. A sua vida antes disso eu não preciso saber. São coisas suas e que, se foram ruins para você, jogue essas fora. Não guarde nada que for te fazer sofrer.
SAMANTHA: - É bom saber que eu posso contar com você.
PETRÔNIO: - Sempre.

     Os dois trocam um selinho meigo e singelo.

PETRÔNIO: - Agora vamos nos arrumar, descer, para tomar um bom café da manhã, o que acha?
SAMANTHA: - Adorei! Estou morrendo de fome! (risos)

CENA 10. HOSÍTAL. SALA DE ESPERA. INT. DIA.

Brenda, Guto, César, Marina e Patrícia estão dormindo nos sofás e poltronas da sala de espera. Brenda acorda, se espreguiça um pouco, levanta-se e sai da sala. César, acorda, observa que Brenda saiu da sala e resolve segui-la.

CENA 11. HOSPITAL. CANTINA. INT. DIA.

Brenda sai do balcão com uma xícara de café e senta-se em uma mesa. Logo depois, César se aproxima e senta à mesa com ela.

CÉSAR: - Bom dia, Brenda.
BRENDA: - Bom dia.
CÉSAR: - Dormiu bem?
BRENDA: - Um pouco...

     Os dois ficam em silêncio por um instante. O ambiente do hospital também está calmo.

CÉSAR (segurando a mão de Brenda): - Brenda, a gente precisa conversar.
BRENDA (soltando-se de César): - Não César, nós não temos nada para conversar. Aqui também não é hora nem lugar para isso.
CÉSAR: - Eu só quero que você saiba que eu não sabia desse filho que a Rúbia está esperando.
BRENDA: - Mas agora já sabe. E isso prova mais uma vez que a gente não pode ficar junto.
CÉSAR: - Isso não influencia em nada.
BRENDA: - Claro que influencia! A Rúbia agora não vai estar sozinha. Ela vai ficar com um filho seu! E isso vai pesar muito mais...Não adianta César, não dá mais.
CÉSAR: - Você está pensando em desistir do nosso amor, é isso?
BRENDA: - Vai ser melhor para todos nós, assim ninguém sofre.
CÉSAR: - Eu vou sofrer e você também vai. Você acha justo?
BRENDA: - Eu já não sei o que eu acho. O que eu não quero é ver minha irmã sofrer...
CÉSAR: - Então você vai terminar tudo entre a gente?
BRENDA: - Eu não posso terminar uma coisa que nem começou, César. E por um lado, até foi bom... Assim a gente não comete erros mais graves...
CÉSAR: - Brenda, eu te amo!
BRENDA: - Chega César. A partir de hoje, a gente não fala mais sobre isso, está bem? Vamos viver cada um a sua vida. Por favor, não me procura mais, ta?

     Brenda levanta-se e sai. César fica na mesa, entristecido.

CENA 12. BOUTIQUE POEME. ESCRITÓRIO. INT. DIA.

Glória Colombo, Vera e Cristina estão reunidas, conversando.

VERA (entregando os documentos para Glória): - Está aqui Glória, o seu contrato. Se quiser, não precisa assinar nada agora. Pode levar, ler com calma e a gente assina amanhã.
GLÓRIA (recebendo / olhando os documentos): - Claro que não! Confio no trabalho e na seriedade de vocês. Já tem fama aqui na cidade e também no Rio.
CRISTINA: - Glória, eu estou tão contente dessa nossa parceria! Suas peças são fantásticas! Você já tem um trabalho brilhante, mesmo sendo nova.
GLÓRIA: - Eu só faço o que o gosto, Cristina. E isso já é mais da metade do meu esforço, do meu sucesso.

     Glória assina os documentos. Repassa para Vera, que também assina. Em seguida, Cristina também assina.

VERA: - Pronto. Agora é só trabalhar! (risos)
GLÓRIA: - Isso mesmo!
CRISTINA: - Almoça com a gente, Glória?
VERA: - Isso, vamos almoçar juntas!
GLÓRIA: - Infelizmente vou ter que recusar o convite. Estou indo para o Rio agora, tenho que dar uma passada no atelier e resolver mais algumas coisinhas... Mas combinamos um outro almoço sim, com certeza.
CRISTINA: - Eu vou cobrar, hein!
GLÓRIA: - Pode cobrar!
VERA: - Ah, Glória! Você não conhece essa daí... A Cristina quando quer uma coisa, ela não desiste!
CRISTINA: - Mas tem que ser assim, não acha? A gente não pode desistir das coisas assim, facilmente. Tem que insistir!
GLÓRIA: - Concordo plenamente!
VERA: - Ih, já vi que se fecharam as duas! (risos)

     As três seguem rindo e conversando.

CENA 13. IMOBILIÁRIA. SALA DIOGO. INT. DIA.

Diogo está na sua mesa, em frente ao computador, realizando o seu serviço, quando alguém bate na porta.

DIOGO (olhando para o computador): - Entra!

     A porta se abre. Clarisse vai entrando na sala. Diogo continua a fazer seu serviço no computador, concentrado.

CLARISSE: - Com licença, Diogo.
DIOGO (surpreso): - Clarisse? Entre, fique a vontade!
CLARISSE: - Eu vim aqui apenas pedir desculpas pelo incidente.
DIOGO (levantando-se da mesa, indo até Clarisse): - Não precisa se desculpar de nada, Clarisse.
CLARISSE: - É que o Charles é um rapaz muito ciumento. Ele disse aquelas coisas, aquelas insinuações sobre nós dois, coisas que não existem e eu fiquei muito chateada com isso...
DIOGO: - Mas eu também teria ciúmes de uma mulher como você, bonita e inteligente.
CLARISSE: - Diogo, por favor, assim você me deixa sem jeito.
DIOGO: - Desculpe, Clarisse, não foi a intenção.
CLARISSE: - Eu só vim mesmo pedir desculpas. De coração.
DIOGO: - Não precisa se desculpar. Já passou.
CLARISSE: - mas você ficou com um arranhão aí no seu rosto... (alisando o rosto de Diogo)

     Diogo se aproxima de Clarisse, que alisando o rosto de Diogo, vai deslizando sua mão lentamente sobre a face do rapaz. Os dois se olham profundamente. De repente, uma funcionária bate na porta. Diogo e Clarisse rapidamente se afastam.

DIOGO: - Entra.
FUNCIONÁRIA: - senhor Diogo, o doutor Fernando está na linha.
DIOGO: - Pode passar a ligação. Obrigado.

     A funcionária sai da sala. Diogo e Clarisse se olham.

CLARISSE: - Bom, eu vou deixar você trabalhar.
DIOGO: - Passa aqui outra hora para a gente continuar a nossa conversa.
CLARISSE: - Tudo bem. Bom dia.
DIOGO: - Bom dia.

     Clarisse sai da sala. O telefone toca e Diogo vai até sua mesa para atendê-lo.

DIOGO: - Alô? Como vai doutor Fernando, tudo bem com o senhor?
(T)
DIOGO: - Claro, a documentação está toda aqui, coincidentemente na minha mesa.
(T)
DIOGO: - Certo, vamos lá então.

     Diogo segue conversando pelo telefone em sua mesa.





CENA 14. CALÇADÃO DE PRAIA REAL. EXT. DIA.

Imagens do mar de Praia Real. Alguns barcos de pescadores. No calçadão, as pessoas caminhando. Entre elas, Matheus, Sabrina e Ricardo, conversam, enquanto passeiam pela beira da praia.

SABRINA: - Então, Matheus, você vai convidar a garota...
MATHEUS: - A Alice...
SABRINA: - Isso, você vai convidar ela para o seu aniversário?
MATHEUS: - Vou sim Sabrina. Eu até já falei com ela sobre isso, ela hesitou um pouco, mas acho que vai ir sim.
RICARDO: - Sua mãe é que é o problema, não é?
MATHEUS: - Infelizmente sim. Ela não vai aceitar o meu lance com a Alice nunca, só porque ela não é rica como eu...
RICARDO: - Meu camarada, me desculpa, mas a sua mãe é muito chata!
SABRINA: - Ricardo! Respeita aí, né?
MATHEUS: - Deixa Sabrina... Acho que o Ricardo está certo mesmo. Minha mãe é muito chata para essas coisas... Se a Alice fosse rica...
SABRINA: - Você teria sinal verde.
RICARDO: - E seu avô, seu pai, o que acham disso tudo?
MATHEUS: - É tranqüilo... Meu avô me dá a maior força em tudo. Meu pai eu quase não o vejo muito, mas ele é cara bacana também. Com certeza, os dois me apoiariam.
SABRINA: - Seu pai vai ir no seu aniversário?
MATHEUS: - É lógico que sim! Presença obrigatória! E minha mãe sabe que sem ele não tem festa... E vai ser bom ele ir. Ele vai ficar feliz de me ver com a Alice.
RICARDO: - Então, em resumo, só falta sua mãe saber da novidade.
MATHEUS: - E a dona Helena vai ter que aceitar a Alice.

     Os três seguem caminhando pelo calçadão.

CENA 15. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. DIA.

Noêmia vai visitar Matilde.

NOÊMIA: - Amiga! Vim o mais rápido que eu pude!
MATILDE: - Que bom que você está aqui, Noêmia!... Hoje eu nem abri o restaurante.
NOÊMIA: - Fez bem, Matilde. Você e o Joaquim devem se preocupar com a neta de vocês. O Joaquim, como ele está?
MATILDE: - Está no banhO... Está bem... Pensei que ele também não iria suportar, mas graças a Deus ficou tudo bem.
NOÊMIA: - E a Rúbia?
MATILDE: - Está se recuperando bem. Os ferimentos não foram tão graves...
NOÊMIA: - Que bom. Assim fico mais aliviada em saber que ela está fora de perigo.
MATILDE: - Mas você não sabe da surpresa maior!
NOÊMIA: - Ai Matilde! Fala logo, não faz rodeios!
MATILDE: - Vou ser bisavó!
NOÊMIA (surpresa): - O quê? A Brenda está grávida?!
MATILDE: - Não! Eu vou ser bisavó, mas o filho não é da Brenda, é da Rúbia!
NOÊMIA: - Minha Nossa Senhora! No meio de tudo isso, uma notícia boa!... É boa, não é?
MATILDE: - Claro que é! Nada como uma criança para alegrar a vida da gente...
NOÊMIA: - É mesmo... Mas a Rúbia e o namorado dela são tão jovens...
MATILDE: - Tem razão. Mas são responsáveis. O César então, é um moço de ouro! Eu estou tão feliz!
NOÊMIA: - Que bom amiga, que bom!

     As duas se abraçam felizes.

CENA 16. CENTRO DA CIDADE. EXT. DIA

Caminhando, olhando as vitrines das lojas, Sônia distraída, esbarra em Henrique.

SÔNIA (surpresa): - Henrique!
HENRIQUE: - Foi bom te encontrar aqui, Sônia. A gente precisa conversar e você não vai fugir de mim.

     Os dois se olham fixamente.

CENA 17. CAFETERIA. INT. DIA.

Henrique e Sônia estão sentados em uma das mesas, conversando.

SÔNIA: - Fale logo o que você tem para me dizer porque eu não posso ficar aqui o dia inteiro.
HENRIQUE: - Para quem esperou mais de 20 anos, alguns minutos não farão mal, não acha?

     Os dois ficam a se olhar por um instante.

SÔNIA: - Por que, Henrique? Por que isso comigo?
HENRIQUE: - Tudo bem, eu sei que eu errei. Mas era a minha chance de crescer, de conseguir um emprego melhor...
SÔNIA: - E de me abandonar...
HENRIQUE: - Sônia, não...
SÔNIA: - Sim Henrique! Você me deixou, não respondeu mais as minhas cartas, não dava mais notícias... Eu perdi muito, Henrique.
HENRIQUE: - Eu posso imaginar...
SÔNIA: - Não, você não pode. Eu tive que suportar a dor de ter o homem, que eu considerava o homem da minha vida, longe de mim.
HENRIQUE: - E eu tive que suportar a dor de não ver meu filho.

     Sônia olha surpresa para Henrique, que a encara.

CENA 18. CASA ALBERTO. SALA. INT. DIA.

Olga sai rapidamente de casa, levando uma sacola com frutas, verduras, legumes... Felipe a observa, escondido. Ele fica curioso em saber onde Olga vai com tanta pressa. Felipe decide seguir Olga.

CENA 19. RESTAURANTE DO CENTRO. INT. DIA.

Leandro e Mônica entram no restaurante para almoçarem juntos.

MÔNICA: - Coisa boa esse restaurante, Leandro! Você nunca me trouxe aqui antes... Primeiro, essas flores... Agora esse restaurante chiquérrimo!
LEANDRO: - Eu estava esperando uma ocasião especial
MÔNICA: - E que ocasião especial é essa?
LEANDRO: - Você esqueceu que agora eu sou o novo diretor de marketing da Best Fish? Então, te trouxe aqui para gente comemorar a minha conquista!
Mônica: - Que lindo meu amor!

     Os dois se beijam calorosamente. Nesse instante, Vera e Cristina entram no restaurante. Leandro vê as duas e fica surpreso e nervoso, interrompendo o beijo.

MÔNICA: - O que foi Leandro? Parece que viu um fantasma!
LEANDRO: - A Vera está aqui no restaurante!
MÔNICA: - A sua esposa?
LEANDRO: - Ela mesma! Aliás, ela e a Cristina, a irmã dela!
MÔNICA (procurando, olhando para os lados): - Que bacana! Me apresenta? Onde elas estão?
LEANDRO: - Você está louca?! Vamos trocar de mesa agora!
MÔNICA: - Ah não, Leandro! Que bobagem! Se ela te ver aqui e vier perguntar, é só dizer que vocÊ está almoçando com a sua secretária!
LEANDRO: - Mônica, por favor! Deixa de loucura!

     Os dois tentam achar outro lugar enquanto Vera e Cristina se acomodam em uma das mesas.

CENA 20. RESTAURANTE DO CENTRO. INT. DIA.

Vera e Cristina conversam.

CRISTINA: - Eu fiquei tão animada Vera com essa parceria com a Glória Colombo!
VERA: - Estou vendo! Você está com um sorriso de orelha a orelha! Eu também fiquei animada. As peças dela são um escândalo!
CRISTINA: - Lindíssimas!
VERA: - Mas eu também estou animada por outros motivos...
CRISTINA: - Hum... Essa sua carinha não me engana, Vera. O que você e o Leandro estão aprontando?
VERA: - Lembra da viagem para Petrópolis?
CRISTINA: - Lembro sim, o que tem?
VERA: - Pois é, nós vamos nos próximos dias!
CRISTINA: - Que maravilha! Estou muito contente por você, minha irmã.
VERA: - Obrigada! Eu também estou muito feliz.
CRISTINA: - Uma viagem dessas assim, românticas, é boa para aumentar a família... (risos)
VERA: - Essa possibilidade está totalmente descartada, porque eu já fechei a fábrica faz tempo, viu! (risos)

     As duas riem. O garçom se aproxima e entrega o menu para elas, que olham o cardápio, enquanto seguem conversando.

CENA 21. HOSPITAL. SALA DE ESPERA. INT. DIA.

Brenda, César, Guto, Marina e Patrícia estão na sala de espera, quando Alberto e Tânia chegam no local.

ALBERTO: - Meu filho!
CÉSAR – Pai! (abraçando Alberto). Oi mãe! (beijando Tânia)
TÂNIA: - Como você está meu filho?
CÉSAR: - Estou bem.
ALBERTO: - E Rúbia?
BRENDA: - Ela está no quarto, está bem, mas ainda precisa de repouso.
TÂNIA (à Brenda): - Você quem é?
CÉSAR: - Ela é a Brenda, irmã da Rúbia. E esse é o Guto, amigo delas.
GUTO (estendendo a mão para Tânia): - Prazer senhora.

     Tânia ignora Guto e vai falar com Marina.

TÂNIA: - E você Marina, não deveria estar no serviço? Não fica bem uma empregada recém contratada ficar faltando assim... Não acha?
MARINA: - Meu pai me liberou para ficar aqui com o César. Mas não se preocupe Tânia, porque meu serviço está sendo bem feito.
PATRÍCIA: - Olá doutor Alberto, olá Tânia.
ALBERTO: - Você é a filha do Tomás, não é?
PATRÍCIA: - Sou eu sim.
TÂNIA: - Você conhece a Rúbia?
PATRÍCIA: - Somos muito amigas.
ALBERTO: - E nós já podemos ver a Rúbia?
BRENDA: - Ainda não. O médico disse que avisaria quando fosse possível vê-la, mas ainda não deu notícias.
GUTO: - O médico está chegando ali.

     O médico se aproxima do grupo na sala, acompanhado de uma enfermeira.

MEDICO: - Nós estávamos com a Rúbia no quarto.
CÉSAR: - E como ela está doutor?
MÉDICO: - Está bem, está acordada... Consciente.
GUTO: - Que bom!
MÉDICO: - Ela quer saber se o César está aqui.
CÉSAR: - Sou eu.
MÉDICO: - Ela quer falar com você.
CÉSAR: - Claro, eu vou sim.
MÉDICO: - Eu tenho que ver outro paciente, mas a enfermeira leva você até o quarto dela. Com licença.

     O médico sai e César acompanha a enfermeira até o quarto de Rúbia.

CENA 22. HOSPITAL. QUARTO DE RÚBIA. INT. DIA.

A enfermeira abre a porta e entra, acompanhada de César. Rúbia, deitada na cama, abre um sorriso ao ver César. A enfermeira se retira, deixando os dois a sós no quarto.

RÚBIA: - Chega mais perto de mim.

     César se aproxima de Rúbia.

RÚBIA: - Eu sei que devo estar um pouco feia, por causa dos arranhões e dos ferimentos, mas você não precisa ficar com medo de mim não. Isso logo vai passar.
CÉSAR: - Eu não estou com medo de você. E você está linda, como sempre. (acariciando o rosto de Rúbia).

     Rúbia segura a mão de César e a coloca sobre sua barriga. Os dois ficam a se olhar.

RÚBIA: - Eu estou tão feliz!
CÉSAR: Que bom, Rúbia. Eu também estou feliz.
RÚBIA: - Eu queria ter te falado antes, mas...
CÉSAR: - Não tem problema, já passou... Agora é pensar na sua recuperação.
RÚBIA: - Agora a gente vai ser feliz de verdade. Eu, você e o nosso filho.

     Rúbia olha para César, feliz e sorridente.

CENA 23. CAFETERIA. INT. DIA.

Sônia fica surpresa com os dizeres de Henrique.

SÔNIA: - O que foi que você disse?
HENRIQUE: - Isso mesmo, Sônia. Eu sofri por não ver meu filho.
SÔNIA: - Como você descobriu isso? Você partiu antes que eu pudesse dizer que estava grávida! E mesmo depois, você nunca deu importância!
HENRIQUE: - Não importa como eu descobri. E você sempre soube que meu sonho era ter um filho, Sônia.
SÔNIA (levantando-se da mesa): - Eu vou embora, Henrique. Essa conversa não vai dar em nada.
HENRIQUE (segurando o braço de Sônia): - Você vai fugir novamente, é isso?
SÔNIA: - Quem sempre fugiu nessa história foi você (soltando-se de Henrique). Eu só quero é colocar um ponto final nessa história, que acabou faz tempo.
HENRIQUE: - Não Sônia, ainda não acabou.

     Os dois se olham fixamente.

HENRIQUE: - Eu nunca consegui te esquecer.
SÔNIA: - Chega Henrique. Você agora está com a Silvana, eu estou feliz com o Adriano. Vamos continuar seguindo cada um a sua vida, vai ser melhor assim.
HENRIQUE: - Melhor para quem? Eu não vou conseguir ficar negando o que eu estou sentindo aqui no meu peito por muito tempo, ainda mais agora que a gente se reencontrou. Eu te amo, Sônia! E admita que você ainda me ama também!
SÔNIA: - Henrique, por favor!
HENRIQUE (aproxima-se de Sônia): - Vamos Sônia, diga...

     Nesse instante, Silvana entra na cafeteria e se aproxima dos dois.

SILVANA: - Henrique, Sônia, o que vocês estão fazendo aqui?

     Henrique e Sônia se olham surpresos.

CENA 24. CASA PETRÔNIO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Petrônio, Helena e Samantha estão na sala, quando Matheus chega no local.

PETRÔNIO: - Matheus, meu filho...
MATHEUS: - Oi vovô.
HELENA (lendo uma revista): - Onde você esteve Matheus? Liguei para o seu celular e nada de você atender.
MATHEUS: - Estava dando um passeio com a Sabrina e com o Ricardo. Não ouvi tocar o telefone.
PETRÔNIO: - São seus amigos, Matheus?
MATHEUS: - Amigões, vovô. Pra toda hora!
HELENA: - A Sabrina é uma bela moça, linda, educada. O pai dela é diretor da Best Fish. Já esse Ricardo...
SAMANTHA: - O que tem o Ricardo?
HELENA: - É um moreninho que não estuda, não trabalha...
MATHEUS: - Em primeiro lugar, ele não é moreninho não, mãe. Ele é negro e com orgulho. Em segundo lugar, ele estuda sim.
PETRÔNIO: - Calma pessoal! Não vamos discutir...
MATHEUS: - Eu não quero discutir não, vó... Na verdade, eu só quero dizer para todos que a Alice, a minha namorada, vai estar presente aqui no meu aniversário.
HELENA (surpresa): - Como é que é? Eu ouvi direito? Você convidou aquela desleixada para a sua festa?
MATHEUS: - Ouviu sim. Essa menina que diz ser desleixada, é a garota que eu amo e ela vai vir na minha festa sim, como minha convidada especial.

     Helena fica séria diante dos dizeres de Matheus.

CENA 25. HOSPITAL. QUARTO DE RÚBIA. INT. DIA.

Rúbia está sozinha no quarto quando Brenda entra no local.

BRENDA (feliz): - Com licença! O médico disse que eu poderia vir aqui te ver.
RÚBIA: - Vem, chega mais perto.

     Brenda se aproxima de Rúbia e senta-se na cama.

BRENDA: - Então, como você está?
RÚBIA: - Não estou me sentindo cem por cento, só deitada nessa cama, mas estou bem.
BRENDA: - Faz parte, mas por pouco tempo... Mas eu fiquei tão feliz de te ver. Ainda mais agora que você vai ser mamãe! (com a mão sobre a barriga de Rúbia)
RÚBIA: - Você está feliz mesmo?
BRENDA: - Claro! Muito feliz!
RÚBIA: - Estranho...
BRENDA: - Estranho por quê?
RÚBIA: - Porque eu estou grávida do homem que você ama, não é?

     Brenda fica séria, surpresa, olhando para Rúbia, que a encara com uma certa frieza.


                FIM DO CAPÍTULO

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