Personagens deste capítulo
Alberto
Alice
Brenda
Charles
Clarisse
César
Diogo
Felipe
Fredy
Guto
Henrique
Leandro
Lílian
Marina
Matheus
Matilde
Patrícia
Petrônio
Rúbia
Sabrina
Silvana
Tânia
Vera
Virgínia
Participação Especial
CENA
01. HOSPITAL. SALA DE ESPERA. INT. NOITE.
Continuação do capítulo anterior.
O médico revela que Rúbia está grávida. Brenda e César se olham surpresos.
MATILDE: - A Rúbia está grávida?! Meu Deus,
mas eu nem sabia!
GUTO: - Pelo visto ninguém sabia, dona
Matilde... Nem mesmo o possível pai da criança... (olhando para César)
CÉSAR: - Nossa, não sei o que dizer!
MÉDICO: - Com licença, tenho outros pacientes
para atender.
BRENDA: - Quando a gente vai poder ver ela,
doutor?
MÉDICO: - Os enfermeiros irão avisar. No
momento ela precisa de um pouco de repouso. Com licença (saindo)
MARINA: - Ela estava grávida e não falou nada
para ninguém?
CÉSAR: - Então era isso!
BRENDA; - Isso o que?
CÉSAR: - Ela esteve lá no projeto ambiental,
dizendo que iria me dar uma notícia muito importante, mas no final acabou indo
para a casa da Patrícia e não me falou nada.
BRENDA: - Claro! Ela havia sentido enjôos
dias atrás também... E nós nem desconfiamos!
GUTO: A Patrícia está chegando aqui também.
Patrícia
chega no local, acompanhada de Tomás e Cristina.
PATRÍCIA: - Oi pessoal! Como ela está?
TOMÁS: - Viemos para cá assim que soubemos do
acidente.
CRISTINA: - É notícia em quase todos os
noticiários... Como vai dona Matilde? (abraçando Matilde)
Enquanto
Cristina e Tomás conversam com Matilde e Guto, Brenda conversa com Patrícia.
Marina conversa com César.
BRENDA: - Ela está bem, de repouso...
PATRÍCIA: - Coitada da minha amiga.
BRENDA: - Patrícia, você sabia da gravidez da
Rúbia?
PATRÍCIA (fingindo): - Gravidez? Não! A Rúbia
não me falou nada! Ela está grávida do César?
BRENDA; - Parece que sim... O médico nos
contou... Não sei porque ela escondeu isso.
PATRÍCIA: - É mesmo...
Brenda
se afasta, indo até Matilde.
PATRÍCIA (em voz baixa) - Santinha do pau
oco!
CENA
02. HOSPITAL. SALA DE ESPERA. INT. NOITE.
César conversa com Marina.
CÉSAR (incrédulo / surpreso): - Eu nunca
poderia imaginar que ela estivesse grávida!
MARINA: - Mas vocês não se protegeram, César?
CÉSAR: - Algumas vezes não, mas...
MARINA: - Pois é, agora deu no que deu!...
Mas a gravidez é o de menos... Você tem que se preocupar agora é com o estado
de saúde dela, se ela está bem, se não ficou com nenhuma seqüela...
Nesse
instante, César observa Brenda indo em direção à Matilde e a intercepta.
CÉSAR (segurando o braço de Brenda): -
Brenda, espera!
BRENDA (olhando firme para César): - Solta o
meu braço, César.
César
solta Brenda.
CÉSAR: - A gente precisa conversar...
BRENDA: - Agora não César, não é hora nem lugar...
CÉSAR: - Mas Brenda, é importante.
BRENDA: - O que importa agora é a Rúbia... E
o estado de saúde do seu filho.
Brenda
vai saindo e César lamenta.
CENA
03. CASA HENRIQUE. SALA. INT. NOITE.
Henrique e Silvana chegam em casa
após o jantar. Ele serve uma dose de wiski, senta-se no sofá e bebe. Silvana
tira os sapatos dos pés e senta-se ao lado dele no sofá.
SILVANA: - Nossa, meus pés estão doloridos...
Esses sapatos apertam demais!
HENRIQUE: - Não entendo vocês mulheres...
SILVANA (massageando os pés): - Não entende o
quê?
HENRIQUE: - Se o sapato aperta, dói e tudo
mais, por que vocês colocam?
SILVANA: - Ditadura da beleza, meu amor! A
gente tem que sofrer alguns sacrifícios para ficar bonita...
HENRIQUE: - E satisfazer os homens...
SILVANA: - Não, eu não ouvi isso, Henrique!
Quem te disse que a gente se produz para satisfazer os homens?
HENRIQUE: - E não é?
SILVANA: - Ta, algumas até fazem isso... Mas
a grande maioria, é para se sentir bem mesmo. Auto-estima!... Até porque, quem
tem que satisfazer são as mulheres com os homens!
HENRIQUE: - Ah, é mesmo?
SILVANA: - É isso mesmo... E você pode
começar me satisfazendo, massageando os meus pezinhos, que tal?
Henrique
deixa o copo no mezanino. Silvana deita-se no sofá, com as pernas sobre o colo
de Henrique, que massageia carinhosamente os pés dela. Após alguns instantes,
Silvana ergue-se e beija Henrique. Os dois ficam a se beijar intensamente no
sofá, deitando-se logo depois sobre ele.
CENA
04. CASA PETRÔNIO. CORREDOR. INT. NOITE.
Samantha vai andando em direção
ao quarto de Petrônio, quando é surpreendida pela presença de Helena, que sai
da porta de seu quarto.
HELENA: - Estava boa a festinha, hein.
SAMANTHA (surpresa): - Que susto Helena!...
Estava boa sim...
HELENA: - Pois é, pela hora que você está
chegando...
SAMANTHA: - Sim, nós ficamos nos divertindo e
aí perdemos a hora.
HELENA: - Você e suas amigas?
SAMANTHA: - Sim, eu e as meninas.
HELENA: - Sei o tipo de meninas que você
chama de amigas e posso até imaginar o tipo de diversão que vocês fizeram...
Samantha
olha séria para Helena, que continua a falar.
HELENA: - Meu pai deveria estar louco quando
te colocou aqui dentro... E mais louca deveria estar eu, que não fiz nada para
impedir!
SAMANTHA: - Você ainda está louca, falando
essas coisas!... Você não tem respeito, não tem coração, não Helena?
HELENA: - Quem você pensa que é para falar em
respeito, para falar em coração?!
SAMANTHA: - Eu sou uma pessoa que respeita as
pessoas, que se preocupa com outros.
HELENA: - Não venha dar uma de boazinha pra
cima de mim que a mim você não engana... Você quer mesmo é dar o golpe do baú
no meu pai!... E já começou a praticar o plano... Você pensa que eu não vi você
e o Bento chegando juntos agora a pouco?
SAMANTHA: - E o que tem de mais nisso? Nós
nos encontramos na rua e voltamos para casa juntos! Só isso! Você não tem o
direito de insinuar alguma coisa, Helena!
HELENA: - E você acha pouco? Se o meu pai
visse a cena que eu vi...
SAMANTHA: - E o que foi que você viu, hein
Helena? O que foi que você viu?
HELENA: - Eu vi uma prostituta sem vergonha
se oferecendo para o motorista bonitão do marido! Uma vagabunda se oferecendo
para o amante!
Samantha
parte para dar um tapa na cara de Helena, mas Helena consegue segurar sua mão.
HELENA (segurando Samantha): - Você ia me
bater, Samantha? Por um acaso eu falei alguma mentira? Acho que não...
SAMANTHA (chorando): - Você é um monstro,
Helena! Não é uma pessoa sã, não é!
Helena
solta Samantha.
HELENA: - Você cala essa boca, sua piranha.
Você é a legítima praticante da teoria “o meu passado me condena”...
SAMANTHA: - E o que você tem a ver com isso?
O meu passado diz respeito só a mim e a mais ninguém!
HELENA: - Tenho a ver sim, tenho a ver!
Afinal, você infelizmente está namorando o meu pai e está usufruindo de uma riqueza,
de um patrimônio que não é seu! Você não tem direito a nada, Samantha! Nada
disto que está aqui nessa casa, os outros terrenos, os outros patrimônios...
Nada disso aqui é teu!
SAMANTHA: - E você acha que eu estou afim do
dinheiro do seu pai? Eu não quero o dinheiro do Petrônio, eu amo ele e ele me
ama... Isso já basta para mim.
HELENA (rindo debochadamente): - Não me faça
rir Samantha, com essa fala de mocinha boazinha. (ficando séria) Os seus dias
aqui estão contados. Pode escrever isso.
Helena
entra para o seu quarto, enquanto Samantha, ainda chorando, segue pelo
corredor.
CENA
05. CASA PETRÔNIO. QUARTO. INT. NOITE.
Samantha entra num dos quartos de
hóspedes e deita-se sobre a cama, chorando. Em off, os dizeres de Helena: “Eu
vi uma prostituta sem vergonha se oferecendo para o motorista bonitão do
marido”. Samantha chora.
CENA
06. CASA BRENDA. SALA. INT. NOITE.
Joaquim está preocupado por ainda
não receber notícias do hospital. Ele caminha de um lado a outro da sala. Alice
entra no local trazendo um copo com água.
ALICE (oferecendo água): - Beba seu Joaquim,
um pouco d’água.
JOAQUIM: - Não quero água não, Alice... Estou
preocupado porque ninguém ainda ligou, não deram notícias!
ALICE: - Mas o senhor tem que ficar calmo,
logo elas vão ligar...
JOAQUIM: - Será que aconteceu algo grave com
a Rúbia?
ALICE: - Claro que não! Não pensa no pior,
seu Joaquim! Temos que pensar positivo e torcer para que ela não sofra nada!
Nesse
instante, o telefone toca e Alice atende. Do outro lado da linha, é Brenda.
ALICE: - Alô?
BRENDA: - Oi Alice.
ALICE (à Joaquim): - É a Brenda.
JOAQUIM: - Pergunta pra ela da Rúbia, eu
quero saber como ela está!
ALICE (à Brenda, no telefone):: - Brenda, seu
avô quer saber notícias da Rúbia, como ela esta?
BRENDA: - Ela está na UTI ainda, mas logo já
irá para o quarto. Está tudo bem com ela, mas é por precaução.
ALICE (à Joaquim): - Ela está na UTI, mas
depois irá para o quarto. Mas está tudo bem com ela.
JOAQUIM: - Menos mal...
ALICE (à Brenda, no telefone): - Que bom que
não foi nada grave então...
BRENDA: - Não, não foi... Mas tem mais uma
coisa.
ALICE: - O que foi?
BRENDA: - A Rúbia está grávida, Alice.
ALICE: - Não brinca, Brenda!
JOAQUIM (preocupado): - O que houve, Alice?!
O que está acontecendo?
ALICE (à Joaquim): - A Rúbia está grávida,
seu Joaquim!
JOAQUIM (surpreso): - Grávida?! A Rúbia está
grávida, é isso?
ALICE: - Isso mesmo. (à Brenda, no telefone)
Nossa, uma surpresa atrás da outra!... O César está aí no hospital também?
BRENDA: - Está sim, ele quis falar comigo, mas
não estou com cabeça... Bom, liguei só para dar notícias... Eu vou ficar aqui
no hospital, com o Guto. A Patrícia e os pais dela também estão aqui e vão
levar a vovó para casa, para ela descansar um pouco, mas amanhã ela volta pra
cá. Acho melhor assim...
ALICE: - Isso mesmo, faz certo.
BRENDA: - Acalma o vovô aí, amiga.
ALICE: - Pode deixar, eu vou cuidar dele
direitinho.
BRENDA: - Obrigada. Beijo.
ALICE: - Beijo.
Alice
desliga o telefone.
ALICE: - Os pais da Patrícia estão trazendo a
dona Matilde. A Brenda e o Guto vão ficar lá no hospital esta noite.
JOAQUIM: - Tudo bem... Mas eu ainda não
consigo acreditar que a minha neta está grávida... A Rúbia está grávida.
ALICE: - Isso mesmo, seu Joaquim. O senhor
vai ser bisavô!
Joaquim
senta-se no sofá e fica a olhar para Alice, nostálgico.
CENA
07. CASA CÉSAR. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.
Alberto, Tânia e Felipe estão
sentados na sala. Olga encontra-se próxima a eles.
ALBERTO (preocupado): - Será que houve algo
muito grave? Até agora não deram notícias...
OLGA: - Eu vou pro meu quarto, acender uma
vela e orar por essa menina.
ALBERTO: - Faz bem Olga, faz bem...
TÂNIA: - Mas é bom só orar mesmo... Nada de
mandingas, macumbas por aqui! Essas coisas você faz numa esquina e bem longe
daqui.
ALBERTO: - Tânia! O que é isso que você está
dizendo? Cada um tem sua crença, seu credo e devem ser respeitados!
TÂNIA: - Mas eu estou respeitando, só quero
que fiquem longe de mim.
ALBERTO: - Desculpe, Olga...
OLGA: - Não precisa se desculpar não, doutor
Alberto, já estou acostumada... Com licença (saindo).
Olga
sai.
ALBERTO: - Você vive implicando com ela,
Tânia!
TÂNIA: - Ela é que não está bem certa,
Alberto... Olga não está se coordenando mais, ela já é uma senhora!
FELIPE: - É mesmo, esses dias ela trocou
minhas camisas pelas camisas do César... E olha que as minhas camisas são
inconfundíveis!
ALBERTO: - Ela já trabalha comigo há anos...
TÂNIA: - Talvez seja mesmo a hora de dar um
descanso para ela, querido...
FELIPE: - Também concordo. Existem umas casas
de repouso muito boas aqui na cidade...
ALBERTO: - Não, não.... Não quero falar sobre
isso. Deixamos isso para depois, está bem? Agora quero saber notícias da minha
nora, da Rúbia...
O
telefone toca e Felipe atende.
FELIPE: - Alô?
(T)
FELIPE: - Oi Marina. E aí, como estão as
coisas?
(T)
FELIPE: - Sei....
Alberto
e Tânia ficam atentos à conversa de Felipe.
FELIPE (surpreso): - O quê?!
TÂNIA: - O que houve, Felipe?
FELIPE: - Não me diga!...
ALBERTO: - Vamos Felipe, fala logo!
FELIPE: - Tudo bem, pode deixar que aviso
eles sim... Boa noite! (desligando o telefone)
ALBERTO (apreensivo): - Então, o que
aconteceu?
FELIPE (sorriso sarcástico): - Parabéns!
Vocês serão avós!
TÂNIA (surpresa): - O que?
FELIPE: - A Rúbia está grávida do César.
ALBERTO (contente): - Meu Deus! Que notícia
incrível! Eu, avô?!
TÂNIA: - Lastimável! Poderia ter acontecido
tudo, menos isso...
ALBERTO: - Por que, Tânia?
TÂNIA: - Agora essa menina vai querer vir pra
cá, morar aqui, viver no luxo, não é? Sabe-se lá se não era isso que ela queria
fazer... Como o César foi idiota em cair na lábia dessa menina, meu Deus!
ALBERTO: - Deixe de falar bobagens, Tânia! A
Rúbia é uma moça boa... E outra, não vejo nada de errado ela vir pra cá... Se
ela não tem estrutura para ficar com a criança, nada melhor do que oferecermos
nossa casa para o nosso neto.
TÂNIA: - Você não pode estar falando sério,
Alberto!
ALBERTO: - E porque não estaria?... E se
depender de mim, isso poderá ser o mais breve possível.
FELIPE: - Nossa, tio.. Pro senhor parece até
que eles já devem casar.
ALBERTO: - Felipe, meu caro, você leu meus
pensamentos.
FELIPE: - Você está pensando em casar o César
e a Rúbia?
TÂNIA: - Pronto, ele ficou louco agora...
ALBERTO: - Meu Deus do céu, vocÊs parecem até
que estão com medo das coisas! O César e a Rúbia se gostam, se amam, vão ter um
filho... Nada melhor do que um casamento para selar essa união. Poderemos
pensar nisso depois que ela sair do hospital... E por falar nisso, quando ela
recebe alta?
FELIPE: - A Marina falou que ela vai ficar no
hospital por alguns dias, para observação. O César ficará por lá. Marina
também.
ALBERTO: - Ótimo. Tânia, amanhã iremos
visitá-la.
TÂNIA: - O que? Ah não Alberto... Você sabe
que eu não gosto de hospital...
ALBERTO: - Faça um esforço, querida, para ver
sua nora, mãe do seu primeiro netinho! Bom, vou subindo. Boa noite para vocês!
Alberto
vai para o quarto. Tânia e Felipe ficam na sala. Tânia senta-se no sofá. Felipe
senta-se ao lado dela.
FELIPE: - Por essa eu não esperava... O César
casando com a Rúbia, tão rápido...
TÂNIA: - O Alberto só pode estar brincando...
Só pode!...
CENA
08. TRANSIÇÃO DO TEMPO. EXTERNAS PRAIA
REAL. AMANHECER.
Imagens da beira da praia,
pássaros voando. Sol, dia bonito. Na casa de Petrônio, ele está em seu quarto,
deitado, dormindo. Ele acorda e vê que Samantha não está na cama com ele. Ele
se levanta, veste o roupão e sai do quarto.
CENA
09. CASA PETRÔNIO. CORREDOR/QUARTO. INT. DIA.
Petrônio caminha pelo corredor
quando passa em frente ao quarto de hóspedes. Ele observa que a porta está entreaberta.
Ele entra no quarto e vê Samantha deitada sobre a cama. Ele se aproxima dela.
PETRÔNIO (sentando-se na cama): - Samantha?
(T) Samantha?
SAMANTHA (acordando / surpresa): - Pepê! O
que você está fazendo aqui?
PETRÔNIO: - Eu é que pergunto isso para
você... Por que não dormiu comigo na nossa cama?
SAMANTHA: - Eu cheguei um pouco tarde ontem
da festa das minhas amigas... Não quis te acordar.
PETRÔNIO: - Ora, que bobagem... Sabe muito
bem que não me importo com isso... Gosto de dormir com você do meu lado.
(beijando a testa de Samantha).
SAMANTHA: - Pepe, me responda uma coisa.
PETRÔNIO (sorrindo): - Estou só ouvidos.
SAMANTHA: - Você gosta mesmo de mim?
PETRÔNIO (surpreso): - Mas é claro que gosto!
Por que essa pergunta agora?
SAMANTHA: - Sei lá, de repente me bateu uma
insegurança, sabe?
PETRÔNIO: - Coisa boba, não pensa nisso
não... Eu não estou aqui com você? Nós não estamos juntos? Então...
SAMANTHA: - É que às vezes, tenho medo que
algumas coisas do meu passado possam atrapalhar a nossa vida.
PETRÔNIO: - Samantha, meu amor, o seu passado
não me importa. O que me interessa é você desde o dia em que eu te conheci,
naquela avenida, sentada naquela parada de ônibus, triste, cabisbaixa... A
partir dali é que começou o meu interesse por você. A sua vida antes disso eu
não preciso saber. São coisas suas e que, se foram ruins para você, jogue essas
fora. Não guarde nada que for te fazer sofrer.
SAMANTHA: - É bom saber que eu posso contar
com você.
PETRÔNIO: - Sempre.
Os
dois trocam um selinho meigo e singelo.
PETRÔNIO: - Agora vamos nos arrumar, descer,
para tomar um bom café da manhã, o que acha?
SAMANTHA: - Adorei! Estou morrendo de fome!
(risos)
CENA
10. HOSÍTAL. SALA DE ESPERA. INT. DIA.
Brenda, Guto, César, Marina e
Patrícia estão dormindo nos sofás e poltronas da sala de espera. Brenda acorda,
se espreguiça um pouco, levanta-se e sai da sala. César, acorda, observa que
Brenda saiu da sala e resolve segui-la.
CENA
11. HOSPITAL. CANTINA. INT. DIA.
Brenda sai do balcão com uma
xícara de café e senta-se em uma mesa. Logo depois, César se aproxima e senta à
mesa com ela.
CÉSAR: - Bom dia, Brenda.
BRENDA: - Bom dia.
CÉSAR: - Dormiu bem?
BRENDA: - Um pouco...
Os
dois ficam em silêncio por um instante. O ambiente do hospital também está
calmo.
CÉSAR (segurando a mão de Brenda): - Brenda,
a gente precisa conversar.
BRENDA (soltando-se de César): - Não César,
nós não temos nada para conversar. Aqui também não é hora nem lugar para isso.
CÉSAR: - Eu só quero que você saiba que eu
não sabia desse filho que a Rúbia está esperando.
BRENDA: - Mas agora já sabe. E isso prova
mais uma vez que a gente não pode ficar junto.
CÉSAR: - Isso não influencia em nada.
BRENDA: - Claro que influencia! A Rúbia agora
não vai estar sozinha. Ela vai ficar com um filho seu! E isso vai pesar muito
mais...Não adianta César, não dá mais.
CÉSAR: - Você está pensando em desistir do
nosso amor, é isso?
BRENDA: - Vai ser melhor para todos nós,
assim ninguém sofre.
CÉSAR: - Eu vou sofrer e você também vai.
Você acha justo?
BRENDA: - Eu já não sei o que eu acho. O que
eu não quero é ver minha irmã sofrer...
CÉSAR: - Então você vai terminar tudo entre a
gente?
BRENDA: - Eu não posso terminar uma coisa que
nem começou, César. E por um lado, até foi bom... Assim a gente não comete
erros mais graves...
CÉSAR: - Brenda, eu te amo!
BRENDA: - Chega César. A partir de hoje, a
gente não fala mais sobre isso, está bem? Vamos viver cada um a sua vida. Por
favor, não me procura mais, ta?
Brenda
levanta-se e sai. César fica na mesa, entristecido.
CENA
12. BOUTIQUE POEME. ESCRITÓRIO. INT. DIA.
Glória Colombo, Vera e Cristina
estão reunidas, conversando.
VERA (entregando os documentos para Glória):
- Está aqui Glória, o seu contrato. Se quiser, não precisa assinar nada agora.
Pode levar, ler com calma e a gente assina amanhã.
GLÓRIA (recebendo / olhando os documentos): -
Claro que não! Confio no trabalho e na seriedade de vocês. Já tem fama aqui na
cidade e também no Rio.
CRISTINA: - Glória, eu estou tão contente
dessa nossa parceria! Suas peças são fantásticas! Você já tem um trabalho
brilhante, mesmo sendo nova.
GLÓRIA: - Eu só faço o que o gosto, Cristina.
E isso já é mais da metade do meu esforço, do meu sucesso.
Glória
assina os documentos. Repassa para Vera, que também assina. Em seguida, Cristina
também assina.
VERA: - Pronto. Agora é só trabalhar! (risos)
GLÓRIA: - Isso mesmo!
CRISTINA: - Almoça com a gente, Glória?
VERA: - Isso, vamos almoçar juntas!
GLÓRIA: - Infelizmente vou ter que recusar o
convite. Estou indo para o Rio agora, tenho que dar uma passada no atelier e
resolver mais algumas coisinhas... Mas combinamos um outro almoço sim, com
certeza.
CRISTINA: - Eu vou cobrar, hein!
GLÓRIA: - Pode cobrar!
VERA: - Ah, Glória! Você não conhece essa
daí... A Cristina quando quer uma coisa, ela não desiste!
CRISTINA: - Mas tem que ser assim, não acha?
A gente não pode desistir das coisas assim, facilmente. Tem que insistir!
GLÓRIA: - Concordo plenamente!
VERA: - Ih, já vi que se fecharam as duas!
(risos)
As
três seguem rindo e conversando.
CENA
13. IMOBILIÁRIA. SALA DIOGO. INT. DIA.
Diogo está na sua mesa, em frente
ao computador, realizando o seu serviço, quando alguém bate na porta.
DIOGO (olhando para o computador): - Entra!
A
porta se abre. Clarisse vai entrando na sala. Diogo continua a fazer seu
serviço no computador, concentrado.
CLARISSE: - Com licença, Diogo.
DIOGO (surpreso): - Clarisse? Entre, fique a
vontade!
CLARISSE: - Eu vim aqui apenas pedir
desculpas pelo incidente.
DIOGO (levantando-se da mesa, indo até
Clarisse): - Não precisa se desculpar de nada, Clarisse.
CLARISSE: - É que o Charles é um rapaz muito
ciumento. Ele disse aquelas coisas, aquelas insinuações sobre nós dois, coisas
que não existem e eu fiquei muito chateada com isso...
DIOGO: - Mas eu também teria ciúmes de uma
mulher como você, bonita e inteligente.
CLARISSE: - Diogo, por favor, assim você me
deixa sem jeito.
DIOGO: - Desculpe, Clarisse, não foi a
intenção.
CLARISSE: - Eu só vim mesmo pedir desculpas.
De coração.
DIOGO: - Não precisa se desculpar. Já passou.
CLARISSE: - mas você ficou com um arranhão aí
no seu rosto... (alisando o rosto de Diogo)
Diogo
se aproxima de Clarisse, que alisando o rosto de Diogo, vai deslizando sua mão
lentamente sobre a face do rapaz. Os dois se olham profundamente. De repente,
uma funcionária bate na porta. Diogo e Clarisse rapidamente se afastam.
DIOGO: - Entra.
FUNCIONÁRIA: - senhor Diogo, o doutor
Fernando está na linha.
DIOGO: - Pode passar a ligação. Obrigado.
A
funcionária sai da sala. Diogo e Clarisse se olham.
CLARISSE: - Bom, eu vou deixar você
trabalhar.
DIOGO: - Passa aqui outra hora para a gente
continuar a nossa conversa.
CLARISSE: - Tudo bem. Bom dia.
DIOGO: - Bom dia.
Clarisse
sai da sala. O telefone toca e Diogo vai até sua mesa para atendê-lo.
DIOGO: - Alô? Como vai doutor Fernando, tudo
bem com o senhor?
(T)
DIOGO: - Claro, a documentação está toda
aqui, coincidentemente na minha mesa.
(T)
DIOGO: - Certo, vamos lá então.
Diogo
segue conversando pelo telefone em sua mesa.
CENA
14. CALÇADÃO DE PRAIA REAL. EXT. DIA.
Imagens do mar de Praia Real.
Alguns barcos de pescadores. No calçadão, as pessoas caminhando. Entre elas,
Matheus, Sabrina e Ricardo, conversam, enquanto passeiam pela beira da praia.
SABRINA: - Então, Matheus, você vai convidar
a garota...
MATHEUS: - A Alice...
SABRINA: - Isso, você vai convidar ela para o
seu aniversário?
MATHEUS: - Vou sim Sabrina. Eu até já falei
com ela sobre isso, ela hesitou um pouco, mas acho que vai ir sim.
RICARDO: - Sua mãe é que é o problema, não é?
MATHEUS: - Infelizmente sim. Ela não vai
aceitar o meu lance com a Alice nunca, só porque ela não é rica como eu...
RICARDO: - Meu camarada, me desculpa, mas a
sua mãe é muito chata!
SABRINA: - Ricardo! Respeita aí, né?
MATHEUS: - Deixa Sabrina... Acho que o Ricardo
está certo mesmo. Minha mãe é muito chata para essas coisas... Se a Alice fosse
rica...
SABRINA: - Você teria sinal verde.
RICARDO: - E seu avô, seu pai, o que acham
disso tudo?
MATHEUS: - É tranqüilo... Meu avô me dá a
maior força em tudo. Meu pai eu quase não o vejo muito, mas ele é cara bacana
também. Com certeza, os dois me apoiariam.
SABRINA: - Seu pai vai ir no seu aniversário?
MATHEUS: - É lógico que sim! Presença
obrigatória! E minha mãe sabe que sem ele não tem festa... E vai ser bom ele
ir. Ele vai ficar feliz de me ver com a Alice.
RICARDO: - Então, em resumo, só falta sua mãe
saber da novidade.
MATHEUS: - E a dona Helena vai ter que
aceitar a Alice.
Os
três seguem caminhando pelo calçadão.
CENA
15. RESTAURANTE MARESIA. SALÃO. INT. DIA.
Noêmia vai visitar Matilde.
NOÊMIA: - Amiga! Vim o mais rápido que eu
pude!
MATILDE: - Que bom que você está aqui,
Noêmia!... Hoje eu nem abri o restaurante.
NOÊMIA: - Fez bem, Matilde. Você e o Joaquim
devem se preocupar com a neta de vocês. O Joaquim, como ele está?
MATILDE: - Está no banhO... Está bem...
Pensei que ele também não iria suportar, mas graças a Deus ficou tudo bem.
NOÊMIA: - E a Rúbia?
MATILDE: - Está se recuperando bem. Os
ferimentos não foram tão graves...
NOÊMIA: - Que bom. Assim fico mais aliviada
em saber que ela está fora de perigo.
MATILDE: - Mas você não sabe da surpresa
maior!
NOÊMIA: - Ai Matilde! Fala logo, não faz
rodeios!
MATILDE: - Vou ser bisavó!
NOÊMIA (surpresa): - O quê? A Brenda está
grávida?!
MATILDE: - Não! Eu vou ser bisavó, mas o
filho não é da Brenda, é da Rúbia!
NOÊMIA: - Minha Nossa Senhora! No meio de
tudo isso, uma notícia boa!... É boa, não é?
MATILDE: - Claro que é! Nada como uma criança
para alegrar a vida da gente...
NOÊMIA: - É mesmo... Mas a Rúbia e o namorado
dela são tão jovens...
MATILDE: - Tem razão. Mas são responsáveis. O
César então, é um moço de ouro! Eu estou tão feliz!
NOÊMIA: - Que bom amiga, que bom!
As
duas se abraçam felizes.
CENA
16. CENTRO DA CIDADE. EXT. DIA
Caminhando, olhando as vitrines
das lojas, Sônia distraída, esbarra em Henrique.
SÔNIA (surpresa): - Henrique!
HENRIQUE: - Foi bom te encontrar aqui, Sônia.
A gente precisa conversar e você não vai fugir de mim.
Os
dois se olham fixamente.
CENA
17. CAFETERIA. INT. DIA.
Henrique e Sônia estão sentados
em uma das mesas, conversando.
SÔNIA: - Fale logo o que você tem para me
dizer porque eu não posso ficar aqui o dia inteiro.
HENRIQUE: - Para quem esperou mais de 20
anos, alguns minutos não farão mal, não acha?
Os
dois ficam a se olhar por um instante.
SÔNIA: - Por que, Henrique? Por que isso
comigo?
HENRIQUE: - Tudo bem, eu sei que eu errei.
Mas era a minha chance de crescer, de conseguir um emprego melhor...
SÔNIA: - E de me abandonar...
HENRIQUE: - Sônia, não...
SÔNIA: - Sim Henrique! Você me deixou, não
respondeu mais as minhas cartas, não dava mais notícias... Eu perdi muito,
Henrique.
HENRIQUE: - Eu posso imaginar...
SÔNIA: - Não, você não pode. Eu tive que
suportar a dor de ter o homem, que eu considerava o homem da minha vida, longe
de mim.
HENRIQUE: - E eu tive que suportar a dor de
não ver meu filho.
Sônia
olha surpresa para Henrique, que a encara.
CENA
18. CASA ALBERTO. SALA. INT. DIA.
Olga sai rapidamente de casa,
levando uma sacola com frutas, verduras, legumes... Felipe a observa,
escondido. Ele fica curioso em saber onde Olga vai com tanta pressa. Felipe
decide seguir Olga.
CENA
19. RESTAURANTE DO CENTRO. INT. DIA.
Leandro e Mônica entram no
restaurante para almoçarem juntos.
MÔNICA: - Coisa boa esse restaurante, Leandro!
Você nunca me trouxe aqui antes... Primeiro, essas flores... Agora esse
restaurante chiquérrimo!
LEANDRO: - Eu estava esperando uma ocasião
especial
MÔNICA: - E que ocasião especial é essa?
LEANDRO: - Você esqueceu que agora eu sou o
novo diretor de marketing da Best Fish? Então, te trouxe aqui para gente
comemorar a minha conquista!
Mônica: - Que lindo meu amor!
Os
dois se beijam calorosamente. Nesse instante, Vera e Cristina entram no
restaurante. Leandro vê as duas e fica surpreso e nervoso, interrompendo o
beijo.
MÔNICA: - O que foi Leandro? Parece que viu
um fantasma!
LEANDRO: - A Vera está aqui no restaurante!
MÔNICA: - A sua esposa?
LEANDRO: - Ela mesma! Aliás, ela e a
Cristina, a irmã dela!
MÔNICA (procurando, olhando para os lados): -
Que bacana! Me apresenta? Onde elas estão?
LEANDRO: - Você está louca?! Vamos trocar de
mesa agora!
MÔNICA: - Ah não, Leandro! Que bobagem! Se
ela te ver aqui e vier perguntar, é só dizer que vocÊ está almoçando com a sua
secretária!
LEANDRO: - Mônica, por favor! Deixa de
loucura!
Os
dois tentam achar outro lugar enquanto Vera e Cristina se acomodam em uma das
mesas.
CENA
20. RESTAURANTE DO CENTRO. INT. DIA.
Vera e Cristina conversam.
CRISTINA: - Eu fiquei tão animada Vera com
essa parceria com a Glória Colombo!
VERA: - Estou vendo! Você está com um sorriso
de orelha a orelha! Eu também fiquei animada. As peças dela são um escândalo!
CRISTINA: - Lindíssimas!
VERA: - Mas eu também estou animada por
outros motivos...
CRISTINA: - Hum... Essa sua carinha não me engana,
Vera. O que você e o Leandro estão aprontando?
VERA: - Lembra da viagem para Petrópolis?
CRISTINA: - Lembro sim, o que tem?
VERA: - Pois é, nós vamos nos próximos dias!
CRISTINA: - Que maravilha! Estou muito
contente por você, minha irmã.
VERA: - Obrigada! Eu também estou muito
feliz.
CRISTINA: - Uma viagem dessas assim,
românticas, é boa para aumentar a família... (risos)
VERA: - Essa possibilidade está totalmente
descartada, porque eu já fechei a fábrica faz tempo, viu! (risos)
As
duas riem. O garçom se aproxima e entrega o menu para elas, que olham o
cardápio, enquanto seguem conversando.
CENA
21. HOSPITAL. SALA DE ESPERA. INT. DIA.
Brenda, César, Guto, Marina e
Patrícia estão na sala de espera, quando Alberto e Tânia chegam no local.
ALBERTO: - Meu filho!
CÉSAR – Pai! (abraçando Alberto). Oi mãe!
(beijando Tânia)
TÂNIA: - Como você está meu filho?
CÉSAR: - Estou bem.
ALBERTO: - E Rúbia?
BRENDA: - Ela está no quarto, está bem, mas
ainda precisa de repouso.
TÂNIA (à Brenda): - Você quem é?
CÉSAR: - Ela é a Brenda, irmã da Rúbia. E
esse é o Guto, amigo delas.
GUTO (estendendo a mão para Tânia): - Prazer
senhora.
Tânia
ignora Guto e vai falar com Marina.
TÂNIA: - E você Marina, não deveria estar no
serviço? Não fica bem uma empregada recém contratada ficar faltando assim...
Não acha?
MARINA: - Meu pai me liberou para ficar aqui
com o César. Mas não se preocupe Tânia, porque meu serviço está sendo bem
feito.
PATRÍCIA: - Olá doutor Alberto, olá Tânia.
ALBERTO: - Você é a filha do Tomás, não é?
PATRÍCIA: - Sou eu sim.
TÂNIA: - Você conhece a Rúbia?
PATRÍCIA: - Somos muito amigas.
ALBERTO: - E nós já podemos ver a Rúbia?
BRENDA: - Ainda não. O médico disse que
avisaria quando fosse possível vê-la, mas ainda não deu notícias.
GUTO: - O médico está chegando ali.
O
médico se aproxima do grupo na sala, acompanhado de uma enfermeira.
MEDICO: - Nós estávamos com a Rúbia no
quarto.
CÉSAR: - E como ela está doutor?
MÉDICO: - Está bem, está acordada...
Consciente.
GUTO: - Que bom!
MÉDICO: - Ela quer saber se o César está
aqui.
CÉSAR: - Sou eu.
MÉDICO: - Ela quer falar com você.
CÉSAR: - Claro, eu vou sim.
MÉDICO: - Eu tenho que ver outro paciente,
mas a enfermeira leva você até o quarto dela. Com licença.
O
médico sai e César acompanha a enfermeira até o quarto de Rúbia.
CENA
22. HOSPITAL. QUARTO DE RÚBIA. INT. DIA.
A enfermeira abre a porta e
entra, acompanhada de César. Rúbia, deitada na cama, abre um sorriso ao ver
César. A enfermeira se retira, deixando os dois a sós no quarto.
RÚBIA: - Chega mais perto de mim.
César
se aproxima de Rúbia.
RÚBIA: - Eu sei que devo estar um pouco feia,
por causa dos arranhões e dos ferimentos, mas você não precisa ficar com medo
de mim não. Isso logo vai passar.
CÉSAR: - Eu não estou com medo de você. E
você está linda, como sempre. (acariciando o rosto de Rúbia).
Rúbia
segura a mão de César e a coloca sobre sua barriga. Os dois ficam a se olhar.
RÚBIA: - Eu estou tão feliz!
CÉSAR: Que bom, Rúbia. Eu também estou feliz.
RÚBIA: - Eu queria ter te falado antes, mas...
CÉSAR: - Não tem problema, já passou... Agora
é pensar na sua recuperação.
RÚBIA: - Agora a gente vai ser feliz de
verdade. Eu, você e o nosso filho.
Rúbia
olha para César, feliz e sorridente.
CENA
23. CAFETERIA. INT. DIA.
Sônia fica surpresa com os dizeres
de Henrique.
SÔNIA: - O que foi que você disse?
HENRIQUE: - Isso mesmo, Sônia. Eu sofri por
não ver meu filho.
SÔNIA: - Como você descobriu isso? Você
partiu antes que eu pudesse dizer que estava grávida! E mesmo depois, você
nunca deu importância!
HENRIQUE: - Não importa como eu descobri. E
você sempre soube que meu sonho era ter um filho, Sônia.
SÔNIA (levantando-se da mesa): - Eu vou
embora, Henrique. Essa conversa não vai dar em nada.
HENRIQUE (segurando o braço de Sônia): - Você
vai fugir novamente, é isso?
SÔNIA: - Quem sempre fugiu nessa história foi
você (soltando-se de Henrique). Eu só quero é colocar um ponto final nessa
história, que acabou faz tempo.
HENRIQUE: - Não Sônia, ainda não acabou.
Os
dois se olham fixamente.
HENRIQUE: - Eu nunca consegui te esquecer.
SÔNIA: - Chega Henrique. Você agora está com
a Silvana, eu estou feliz com o Adriano. Vamos continuar seguindo cada um a sua
vida, vai ser melhor assim.
HENRIQUE: - Melhor para quem? Eu não vou
conseguir ficar negando o que eu estou sentindo aqui no meu peito por muito
tempo, ainda mais agora que a gente se reencontrou. Eu te amo, Sônia! E admita
que você ainda me ama também!
SÔNIA: - Henrique, por favor!
HENRIQUE (aproxima-se de Sônia): - Vamos
Sônia, diga...
Nesse
instante, Silvana entra na cafeteria e se aproxima dos dois.
SILVANA: - Henrique, Sônia, o que vocês estão
fazendo aqui?
Henrique
e Sônia se olham surpresos.
CENA
24. CASA PETRÔNIO. SALA DE ESTAR. INT. DIA.
Petrônio, Helena e Samantha estão
na sala, quando Matheus chega no local.
PETRÔNIO: - Matheus, meu filho...
MATHEUS: - Oi vovô.
HELENA (lendo uma revista): - Onde você
esteve Matheus? Liguei para o seu celular e nada de você atender.
MATHEUS: - Estava dando um passeio com a
Sabrina e com o Ricardo. Não ouvi tocar o telefone.
PETRÔNIO: - São seus amigos, Matheus?
MATHEUS: - Amigões, vovô. Pra toda hora!
HELENA: - A Sabrina é uma bela moça, linda,
educada. O pai dela é diretor da Best Fish. Já esse Ricardo...
SAMANTHA: - O que tem o Ricardo?
HELENA: - É um moreninho que não estuda, não
trabalha...
MATHEUS: - Em primeiro lugar, ele não é
moreninho não, mãe. Ele é negro e com orgulho. Em segundo lugar, ele estuda
sim.
PETRÔNIO: - Calma pessoal! Não vamos
discutir...
MATHEUS: - Eu não quero discutir não, vó...
Na verdade, eu só quero dizer para todos que a Alice, a minha namorada, vai
estar presente aqui no meu aniversário.
HELENA (surpresa): - Como é que é? Eu ouvi
direito? Você convidou aquela desleixada para a sua festa?
MATHEUS: - Ouviu sim. Essa menina que diz ser
desleixada, é a garota que eu amo e ela vai vir na minha festa sim, como minha
convidada especial.
Helena
fica séria diante dos dizeres de Matheus.
CENA
25. HOSPITAL. QUARTO DE RÚBIA. INT. DIA.
Rúbia está sozinha no quarto
quando Brenda entra no local.
BRENDA (feliz): - Com licença! O médico disse
que eu poderia vir aqui te ver.
RÚBIA: - Vem, chega mais perto.
Brenda
se aproxima de Rúbia e senta-se na cama.
BRENDA: - Então, como você está?
RÚBIA: - Não estou me sentindo cem por cento,
só deitada nessa cama, mas estou bem.
BRENDA: - Faz parte, mas por pouco tempo...
Mas eu fiquei tão feliz de te ver. Ainda mais agora que você vai ser mamãe!
(com a mão sobre a barriga de Rúbia)
RÚBIA: - Você está feliz mesmo?
BRENDA: - Claro! Muito feliz!
RÚBIA: - Estranho...
BRENDA: - Estranho por quê?
RÚBIA: - Porque eu estou grávida do homem que
você ama, não é?
Brenda
fica séria, surpresa, olhando para Rúbia, que a encara com uma certa frieza.
FIM DO CAPÍTULO

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